Canção,
de Cecília Meireles
Em
apenas quinze versos, Cecília Meireles consegue compor na sua Canção uma ode à
urgência do amor. Singelo e direto, os versos convocam o retorno do amado.
O poema, presente no livro Retrato natural (1949), também conjuga elementos recorrentes na lírica da poetisa: a finitude do tempo, a transitoriedade do amor, o movimento do vento.
Canção
Não
te fies do tempo nem da eternidade,
que
as nuvens me puxam pelos vestidos
que
os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te,
amor, que amanhã eu morro,
que
amanhã morro e não te vejo!
Não
demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar
de silêncio que o mar comprime,
o
lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te,
amor, que amanhã eu morro,
que
amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me
agora, que ainda reconheço
a
anêmona aberta na tua face
e
em redor dos muros o vento inimigo…
Apressa-te,
amor, que amanhã eu morro,
que
amanhã eu morro e não te digo…
Fonte: Cultura Genial
Foto: Google

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