A
assembleia dos ratos
Um
gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria de uma casa velha
que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de
fome.
Tornando-se
muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembleia para o estudo da
questão. Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos mios pelo
telhado, fazendo sonetos à Lua.
-
Acho - disse um deles - que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos
um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos
ao fresco a tempo.
Palmas
e bravos saudaram a luminosa ideia. O projeto foi aprovado com delírio. Só
votou contra um rato casmurro, que pediu a palavra e disse:
-
Está tudo muito direito. Mas quem vai amarrar o guizo no pescoço de Faro-Fino?
Silêncio geral. Um desculpou-se por não saber dar nó. Outro, porque não era tolo. Todos, porque não tinham coragem. E a assembleia dissolveu-se no meio de geral consternação.
Dizer
é fácil, fazer é que são elas!
Interpretação
e moral da história
Em
A assembleia dos ratos a fábula sublinha para o pequeno leitor a dificuldade de
passar da teoria para a prática frisando a diferença entre o dizer e o fazer.
Os
ratos rapidamente concordam com a brilhante ideia de colocar no gato Faro-Fino
um guizo para saber quando ele se aproxima. O único rato que vai contra a
votação, identificado como casmurro (adjetivo que quer dizer teimoso,
obstinado), é aquele capaz de ver para além da decisão e pensar na
implementação daquilo que foi votado.
No
entanto, afinal é ele que acaba por ter razão porque, na hora de executar o
plano, nenhum rato se dispõe a fazer o serviço arriscado e colocar o guizo no
pescoço do felino.
O
rato casmurro em minoria se revela como sendo o único do grupo com visão de
futuro e senso prático.
Autoria:
Monteiro Lobato
Fonte:
Cultura Genial
Foto:
Google
Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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