Powered By Blogger

4.28.2026

Versos Íntimos- Augusto dos Anjos (1884-1914)

 

Augusto dos Anjos (1884-1914)

Nascido na Paraíba, Augusto dos Anjos foi um professor e poeta, representante do pré-modernismo brasileiro. Eu (1912), sua única obra publicada em vida, chocou a sociedade da época.

Caracterizado por uma visão materialista e desencantada da vida, expressa isso em imagens fortes e muitas vezes revoltantes. Tem uma estética própria, da podridão e da decomposição, com caráter biológico, cético e mórbido.

Sua poesia aborda temas como a morte, a decadência e a angústia existencial. É única em sua fusão de elementos simbolistas e parnasianos com uma linguagem científica e filosófica, sendo considerado um dos autores brasileiros mais originais de todos os tempos.

Versos íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de sua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

 

Autoria: Augusto dos Anjos

Foto: Google

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos

Destaques

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quant...

Última semana