6.22.2026

Primeiro Faça a Lição de Casa - Rick Boxx

Primeiro Faça a Lição de Casa  

Rick Boxx

 

Assisti pela televisão a um reality show intitulado “Shark Tank” (N.T. em português, “Shark Tank: Negociando com Tubarões”), no qual cinco investidores de sucesso consideram financiar empreendimentos inovadores. Nesse episódio um jovem empreendedor cometeu o maior dos erros de estratégia. Ele não preparou adequadamente sua apresentação para conquistar o interesse e suporte dos investidores. 

 

Aquele provável homem de negócios corajosamente pediu aos cinco investidores, que são chamados de “tubarões” por ser este um termo usado algumas vezes para descrever líderes empresariais muito agressivos e perceptivos, para investirem US$ 1 milhão em seu inovador empreendimento. Esse jovem, porém, não tinha feito sua lição de casa. Com um mínimo de pesquisa ele teria compreendido que o seu pedido de financiamento era ridiculamente elevado, especialmente porque ele ainda não fizera nenhuma venda e seu produto, embora interessante na teoria, ainda não fora testado. 

 

O aspirante a empreendedor claramente também não estava preparado para responder às perguntas básicas dos “tubarões”, típicas do programa, nada extremamente complicado ou capcioso. Na verdade, aqueles homens de negócios poderiam ter providenciado os recursos para que ele iniciasse o seu empreendimento, mas o jovem falhou em fornecer a eles as informações que pediram. Sua falta de compreensão de todo o processo de desenvolver e apresentar um plano de negócios crível fez com que saísse do programa de mãos vazias e desapontado.

 

A Bíblia apresenta bons conselhos sobre a forma apropriada de abordar uma situação assim. Provérbios 3:13-14 ensina:  “Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento, pois a sabedoria é mais proveitosa do que a prata e rende mais do que o ouro.” Um aspirante a empresário mais sábio teria se aconselhado com algum conhecido que tivesse experiência e discernimento sobre os “como, o que e por quê” de se iniciar uma nova empreitada. Tal pessoa então, de posse dessas informações, formularia um plano de negócios e pediria ao seu “mentor” que o revisasse antes de fazer uma apresentação pública tão crucial. 

 

Talvez você não esteja iniciando um novo negócio. Este princípio, contudo ainda se aplica quer você esteja buscando convencer um cliente potencial a comprar seus produtos e serviços, tentando influenciar um consumidor sobre uma estratégia que você acredita ele poderia empregar, ou apresentando um novo conceito ou procedimento a empregados acostumados a fazer as coisas “do modo antigo”. Antes de expor suas ideias aos outros, você deve fazer sua lição de casa para compreender o que é esperado. Seus resultados serão muito melhores. Aqui estão outros princípios bíblicos relacionados a este processo, não importa qual seja sua plateia:

 

Aborde as primeiras coisas em primeiro lugar. Às vezes o entusiasmo sobre um projeto nos leva a pular etapas, deixando de completar o trabalho preliminar que é essencial para o sucesso duradouro. “Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família.”  (Provérbios 24:27). 

 

Ancore os preparativos na oração. Enquanto faz a necessária “lição de casa”  e busca conselhos sábios sobre como proceder, também é prudente orar pedindo a Deus para dirigir cada passo ao longo do caminho. “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.” (Provérbios 16:3). 

 

Confie em Deus quanto aos resultados. Se estivermos corretamente preparados poderemos confiar em Deus pelas decisões que ao final serão tomadas.  “O coração do rei é como um rio controlado pelo Senhor; Ele o dirige para onde quer.” (Provérbios 21:1).

 

 

Perguntas para Reflexão ou Discussão  

1.  Já aconteceu de você não se preparar suficientemente para uma apresentação importante? Como se sentiu e qual foi o resultado?
2.  Como você reagiria se alguém estivesse fazendo uma apresentação para você e ficasse claro que a pessoa não tinha se preparado?
3.  Qual o papel da sabedoria na preparação de apresentações, não importando quais sejam os ambientes ou as circunstâncias?
4.  “O coração do rei é como um rio controlado pelo Senhor; Ele o dirige para onde quer.” O que você acha que isto significa? Quem é o “rei”?

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos Salmos 37:4-5; Provérbios 12:15; 15:22; 16:1, 9, 33; 19:20; 20:24; 27:1. 

6.21.2026

COR E AUSÊNCIA DE COR - Agilson Cerqueira

 

COR E AUSÊNCIA DE COR

Agilson Cerqueira


Pinte a pobreza, a fome e todas as formas de desigualdade. Pinte a exclusão, o abandono e as injustiças que insistem em marcar a vida de tantos. Faça da arte um grito de indignação diante do sofrimento humano, uma denúncia silenciosa ou estrondosa contra tudo aquilo que diminui a dignidade das pessoas. Que suas cores revelem as feridas que muitos preferem não ver e que seus traços exponham as contradições de uma sociedade capaz de produzir abundância para alguns e escassez para outros.


Mas não pinte apenas a dor. De vez em quando, pinte também o belo. Pinte a delicadeza de um gesto, a serenidade de um olhar, a luz que atravessa a sombra e a esperança que resiste mesmo nos lugares mais improváveis. Pinte a inquietude que move o pensamento e a doçura que conforta a alma. Pinte os encontros, os afetos, os sonhos e as pequenas alegrias que tornam a existência suportável e, por vezes, extraordinária.


A arte não deve ser prisioneira nem da denúncia nem do encanto. Ela encontra sua plenitude quando transita entre ambos os mundos: quando revela o que precisa ser transformado e, ao mesmo tempo, preserva aquilo que merece ser celebrado. Afinal, o ser humano não vive apenas de revolta, assim como não vive apenas de contemplação. Necessita da consciência que questiona, mas também da beleza que inspira; da inquietude que provoca mudanças, mas igualmente da doçura que oferece abrigo.


Por isso, pinte o mundo como ele é, com suas feridas e desigualdades, mas não se esqueça de pintá-lo também como ele pode ser: mais justo, mais sensível, mais humano. Entre a indignação e a ternura, entre o protesto e a contemplação, talvez resida uma das mais nobres missões da arte.


Agilson Cerqueira
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico.
Licença: Creative Commons

Ou isto ou aquilo - Cecília Meireles

 





Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Ou isto ou aquilo é um exemplar da poesia voltada para o público infantil. Cecília foi professora de escola, por isso esteve familiarizada com o universo das crianças.

O poema acima é tão importante que chega a dar nome ao livro que reúne 57 poemas. Lançado em 1964, a obra Ou isto ou aquilo é um clássico que vem percorrendo gerações.

Nos versos encontramos a dúvida, a incerteza, a indecisão infantil. O poema ensina sobre a escolha: escolher é sempre perder, ter algo significa necessariamente não ter outra coisa.

Os exemplos cotidianos, práticos e ilustrativos (como o do anel e da luva) servem para ensinar uma lição essencial para o resto da vida. Infelizmente, muitas vezes, é necessário sacrificar uma coisa em nome de outra. Cecília brinca com as palavras de uma maneira lúdica e natural e pretende se aproximar ao máximo do universo da infância.


Fonte: Pensador

Foto: Google


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