11.11.2025

Antônio Charqueada - R. Santana R. Santana

 

                                                                      Antônio Charqueada
                                                                           R. Santana

          O prenome era Antônio, “Charqueada” não era nome, mas um apelido que lhe substituiu o nome ao longo do tempo e ficou. Não sei se gostava que o chamasse de “Antônio Charqueada”, mas quem cala consente, então, conclui-se que ele gostava do nome “Charqueada”.
          Quando eu o conheci já era homem de barba e bigode. Menino, eu o admirava pela força e valentia. Ele deveria passar de 1,80 m de altura, forte como um touro, cabelo pixaim e cor de betume. Não levava desaforo pra casa, não gostava de arma de fogo, numa briga, usava a enorme mão na broca do desafeto ou manejava como ninguém o facão.
          Nascido no começo do Século XX, afrodescendente, não perdera o complexo de escravo dos bisavôs, tratava sempre o homem branco com deferência, chamando-o de “patrão” ou “doutor” e atitudes serviçais. Não se enxodozava com mulher negra, quanto mais branca, melhor, brincava: “dois negros no escuro não se enxergam”, porém, todo esse ranço atávico desaparecia quando alguém de sua raça era injustiçado, aí, Charqueada ficava bravo e o sangue africano se sobrepunha.
          Certa feita um dos seus irmãos teve acidente grave de carro. No hospital, o cirurgião para lhe poupar do trabalho de reconstituição de uma perna estragada da vítima, quis amputá-la, Antônio Charqueada pegou o médico pelo gogó e ameaçou matá-lo se a perna fosse amputada, a perna foi reconstituída e seu irmão ficou bom e não deixou de ser motorista.
          Porém, um episódio eu nunca esqueci: um sujeito apareceu na bodega dos meus parentes e se passou por cabo do exército. Falante, envolvente, havia participado de algumas campanhas militares no exterior, havia sido condecorado por bravura, conversa vai e conversa vem e bebericando!... Quando a conta havia atingido certo montante e a paciência da balconista havia chegado ao fim, exigiu-lhe pagamento, então, ele alegou ter deixado a carteira em casa e apressou-se buscar o dinheiro – fui junto com o desconhecido.
          Acabara de completar 10 anos de idade, acompanhar um desconhecido, mesmo naquela época, era uma temeridade, mas o sujeito justificou que sua casa não ficava longe e meus parentes consentiram acompanhá-lo. Porém, a distância foi aumentando, o indivíduo caminhava na frente, dizia que sua casa estava perto e a casa não chegava, quando tínhamos atingido mais ou menos a distância de um quilômetro em lugar ermo, desabitado, vereda de um matagal, o meu coração começou bater mais forte, o medo apoderou-se de mim, não podia retornar sem o dinheiro ao tempo que o desconhecido estava me levando cada vez mais longe, foi quando surgiu por providência dos meus parentes, Antônio Charqueada!...
          O meu coração adquiriu confiança, o medo fugiu quando eu o vi. Charqueada por perto, o sujeito que se cuidasse e foi o que aconteceu, fomos parados embaixo dum pé de jaqueira:
          - Aonde vai com o menino? – o indivíduo amarelou:
        - Não... moro ali... moro... moro na... – não completou, recebeu dois bofetões na cara: um jogou-o ao chão, quase aos nossos pés; o outro, fê-lo rolar ladeira abaixo, enquanto Charqueada gritava:
          - Pera aí! Pera aí! Pera aí! Pera aí vagabundo! – o cara não esperou e “pernas pra que te quero”, o sujeito sumiu no matagal.
          Ele não gostava de coisa errada, era justiceiro sem ser assassino, corrigia o infrator na mão grande ou alguns panaços de facão no lombo do malandro, muito tempo depois, na época de delegado de “calça-curta”, em reconhecimento pelos serviços prestados à comunidade, ele foi nomeado de papel passado: “inspetor de quarteirão” do bairro itabunense São Caetano.
          O tempo passou, ele já não me chamava mais de “patrãozinho”, mas de “doutorzinho”, pois me via com frequência a caminho da escola e minha lida com os livros. Não me sentia à vontade com os seus epítetos de “patrãozinho” e “doutorzinho”, porém, a minha autoestima melhorava quando o encontrava, porque não eram gestos dum simples bajulador, eram gestos de um amigo que torcia pela minha ascensão social e profissional, pois representava as oportunidades que ele não teve.
          Anos mais tarde, quando a função de “inspetor de quarteirão” foi extinta, encontrei Antônio Charqueada em serviço de táxi com um velho Ford Corcel 1. Não demorou muitos anos nessa nova função, as dificuldades da vida, a idade e as doenças da velhice lhe deram cabo.
          Certamente, o negro Antônio Charqueada foi um desses heróis anônimos que a história não registra, mas permanecerá para sempre no coração dos seus conterrâneos, exemplos de justiça e amor à raça, raça humana.
 


Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Imagem: Google

A dissimulada - R. Santana

 


A dissimulada.
R. Santana
 
     Helena tinha o dobro da natureza de Capitu em dissimulação e sonsice. Não tinha a polidez da mulher de Dr. Bento F. Santiago, o Bentinho de Dom Casmurro, porém, enganou o marido e a pequena comunidade do São Caetano com mais ousadia do que a personagem dos “olhos de ressaca” de Machado de Assis, pois Capitu não deixou Bentinho por Ezequiel, mas Helena deixou Juquinha pelo velho Leôncio nas fuças de todos não se incomodando com os mexericos dos vizinhos nem com os filhos e o marido.
     Alguém poderá reclamar: “... lá vem mais uma história de infidelidade!”, a queixa procede, não existe tema mais explorado pelos escritores do que a traição de pessoas que se gostam, porém, a traição de Helena deu panos pra manga por muito tempo pelo inusitado, pelo absurdo: não se troca uma camisa nova por um molambo, nem um marido novo por um amante velho, ainda mais quando o amante velho é um pobre diabo sem eira nem beira. Mas, as paixões loucas são sentimentos inexplicáveis e não se prendem às amarras da ética e da lógica.
     Juquinha herdou da família a altura, contudo, não se sabe se ele herdou também da família, o gosto pelo trabalho, o tino comercial, o amor mariano, o apego à mulher e aos filhos, e, às coisas corretas da vida. Carvoeiro quando rapazinho, quando adulto, fundou com esforço e economia um razoável comércio varejista na rua principal do São Caetano. Naquela época, seu mercado de varejo abastecia a comunidade de tudo, desde o zíper ao que comer e beber sem necessidade da cidade grande.
     Helena era os pés e as mãos de Juquinha na lida comercial, o pé-de-boi, o pau para toda obra, o que lhe sobrava em disposição, lhe faltava em beleza e graça, sempre emburrada, cara de poucos amigos, ainda hoje não se sabe como Leôncio entrou em sua vida. Os mais crédulos juravam de pés juntos que o velho tinha parte com o Gauxumão e possuía o livro de São Cipriano, senão, não teria gozado do sexo de Helena.
     Leôncio marido de Ana, pai de vários filhos, inclusive, de um soldado sanguinário, passava dos 65 anos de idade. Com a idade, vivia com ajuda dos filhos e de uns pedaços arrendados de roça pra o lado de Macuco. Branco, cabelos grisalhos, rugas acentuadas no rosto, queixo pelancudo, baixo e barrigudo, perdera em acidente de trabalho um dos dedos polegares, as más línguas diziam que foi numa briga de facão por causa de mulher alheia e por pouco não perdeu a vida. O lazer de Leôncio era o jogo de dama e o dominó, mas nos últimos tempos, era visto xeretando o armazém de Juquinha - Eis aí, leitor, o desenho de Leôncio, pintura mais fiel, só se tivesse sido pintado por Rembrandt.
     A vida caminhava como de costume no São Caetano quando algum pasquineiro usou de “cartas anônimas” para espalhar maldade e intriga entre os moradores da pequena comunidade. A carta anônima mexe mais com os nervos duma pequena população do que o pasquim, pois a linha do pasquim é jornalística, é a informação da politicagem e roubo do dinheiro público, enquanto a carta anônima denuncia as mazelas de família, mais ainda, atormenta e enlameia gente conhecida, gente próxima, gente da intimidade de todos.
     Foi uma carta anônima que deixou os caetanenses estupefatos, de queixo caído, que trouxe à tona o romance proibido de Leôncio e Helena. Não se soube, na época, se Juquinha recebeu, também, uma cópia dessa carta, os fatos dizem que não, pois Helena continuou com a mesma rotina no armazém do marido: afetada, dona de si, pouco se lixando para o mundo. Só depois de uma segunda carta anônima, mais contundente e mais detalhada, é que a infidelidade de Helena ficou às claras, então, na casa do sem jeito, ela fugiu com o amante ainda dia escuro.
     O que era suspeito, bisbilhotice de gente desocupada, transformou-se em acontecimento. A mulher de Leôncio, uma senhora de idade, ficou desesperada e os filhos revoltados.
     Juquinha não se mexeu nem se contorceu, continuou tocando o negócio amparado pelos empregados e cuidando dos filhos, como se a desgraça não lhe tivesse envolvido. Educado, atencioso, comerciante nato, continuou no trato com as pessoas como dantes, porém, não deixou espaço para que os fregueses comentassem em sua frente o seu infortúnio conjugal, Helena tinha sido sem ter sido sua mulher e pronto.
     A lua de mel dos amantes não foi um fiasco completo porque Helena levou sua burra cheia de dinheiro. Leôncio, além de velho, pobre, nada ou quase tinha para lhe oferecer. Não pegaram o caminho do litoral, da pousada, do “resort”, do hotel de alguma estrela, mas o caminho da roça, roça onde Judas perdeu as botas!...
     Não muito tempo depois, Leôncio voltou pra sua velha e seus filhos e Helena se homiziou na casa de algum parente ou no puteiro da Baixa Fria para sempre.

Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Imagem: Google

Causos Políticos - R. Santana

Causos políticos
R. Santana

    Não faz muito tempo (50 anos, um nada de tempo, num tempo infinito), que Itabuna teve um dos mais carismáticos políticos de sua história: José de Almeida Alcântara, para molecada daquela época: “Seu Arranca”.
    Alcântara era coletor estadual da Bahia antes da política, de família importante, seu primeiro gesto público relevante, que lhe deu panos pra manga e um processo administrativo sem fim, foi usar os recursos da coletoria para comprar cobertores e mantimentos, numa grande enchente do rio Cachoeira em Itapé (naquela época município de Itabuna), nos anos 50, e doá-los aos desabrigados ribeirinhos, sem autorização do estado.
    Não obstante esse gesto não tivesse sido legal do ponto de vista administrativo, foi mais que justo. Se ele fosse aguardar os trâmites burocráticos e as ações políticas de um governo distante e esperar que o governo socorresse de imediato uma terra sem representatividade política, seria a mesma coisa que condenar os flagelados morrerem de fome e frio.
    Alcântara foi eleito em 1958 pelo Partido Libertador (PL) para prefeito de Itabuna, com o voto dos mais pobres, a elite o discriminava, tinha medo do seu jeito despojado, do seu populismo exacerbado, do seu discurso preocupado com o pobre, que sua administração fosse um caos, enfim, ideias conservadoras e preconceito burguês.
    Mas, Alcântara fez um governo acima da média sem deixar de ser popular. Foi no seu governo que um dos sonhos dos itabunenses se concretizou com a fusão e modernização das ruas Sete de Setembro e J.J. Seabra, dando origem à Avenida Cinquentenário, principal artéria comercial varejista da cidade e saída para Ilhéus. Além disto, fez um trabalho de infraestrutura nos bairros pobres com abertura de ruas, saneamento básico e instalação de luz e água.
    As aves agoureiras de quanto pior, melhor, deram com os burros n’água, Alcântara não deixou que sua popularidade afetasse o bom ritmo administrativo, sua influência cresceu em todas as classes sociais, com ações de bem-estar para toda população itabunense e o povo lhe agradeceu com a eleição do seu sucessor em 1962, o forasteiro Félix Mendonça, jovem engenheiro civil e titular da Secretaria de Viação e Obras, depois, deputado estadual e deputado federal por várias legislaturas.
    Embora os adversários políticos acusassem o prefeito José de Almeida Alcântara de demagogia, populismo, malversação de dinheiro público, nada foi provado, inclusive, foi arquivado o processo dos flagelados do rio Cachoeira de Itapé que já não pertencia a Itabuna, agora cidade, fundada no ano de 1960.
    Naquela época, não existia agência de publicidade, o marketing político era feito boca-a-boca, também não seria necessário, havia empatia natural do prefeito e povo, aonde Alcântara ia, era abraçado e beijado por meninos, moços e velhos, sem nenhuma puxação de saco como se fosse da família. Ele adentrava nas casas sem cerimônia, tomava café ou suco ou mexia em alguma panela no fogão... Quando parava num boteco, num quiosque, era uma festa, não bebia nem fumava, mas nunca se recusou pagar pra quem bebesse e/ou fumasse.
    Além de humano, ele era alegre, desprendido, com aparência de gringo, chamava a atenção em qualquer ambiente, principalmente, o feminino, mas os amigos juravam por todos os santos que jamais Alcântara havia traído Florisbela Alcântara, dona “Sarinha” que ficou eternizada como nome de um dos principais bairros da cidade itabunense.
    Porém, foi em 1966, depois de cumprir seu mandato de deputado estadual da Bahia, que Alcântara demonstrou sua força política, quando venceu pela segunda vez a eleição para prefeito de Itabuna, tendo como candidato adversário, o bem sucedido empresário José Soares Pinheiro, representante fidedigno do poder econômico da terra, dos intelectuais e da elite conservadora e reacionária.
    Uma curiosidade é que ambos os candidatos pertenciam à Aliança Renovadora Nacional – ARENA, que para acomodar as duas lideranças o partido criado pela Revolução de 64, se desdobrou em ARENA – 1 e ARENA – 2.
    José Soares Pinheiro, Pinheirinho, ex-vereador, ex-presidente da câmara municipal, autodidata, orador de grandes recursos retóricos, integralista de quatro costados, cacauicultor, quem primeiro empreendeu o plantio de seringa no Sul da Bahia, revendedor autorizado da Ford-Willys na região do cacau e uma das reservas morais da terra, tinha tudo para vencer a eleição para prefeito da terra onde nasceu, fez uma campanha multimilionária e memorável, mas era impopular, distante do povão.
    Itabuna jamais teve uma campanha eleitoral tão agitada quanto à de 1966, os candidatos a prefeito dividiram a cidade, de um lado, Alcântara apoiado pelos pobres, alguns ricos, pela classe média e pelo ex-prefeito Félix Mendonça; do outro, Pinheirinho apoiado pelos empresários, pelos intelectuais, pelos remanescentes integralistas, pelos cacauicultores e pela classe média conservadora e reacionária.
    Os recursos da campanha eram desiguais a olhos vistos, os comícios de Pinheirinho eram enriquecidos com a participação dos melhores oradores da cidade, intelectuais renomados, médicos, professores, faz-se necessário lembrar, dentre os professores, a negra dona de colégio, Celina Braga Bacelar, que abria os seus discursos com um trecho em latim das Catilinárias de Cícero, era uma beleza, um desbunde numa plateia de surdos!... Outra coisa que chamava a atenção em seu showmício era a quantidade de automóveis, ônibus, os gozadores diziam com propriedade: “... se carro votasse, Pinheirinho seria o prefeito”. Os seus “santinhos” foram substituídos por fotos enormes, pôsteres, afora os souvenires personalizados.
    Na campanha eleitoral de Alcântara os carros eram contados nos dedos das mãos, também, eles não eram necessários, o povo comparecia aos magotes, a pé, a cavalo, nos jegues, nas carroças... Os oradores eram pessoas simples, sem recursos oratórios, linguagem coloquial, mas que falavam o que o povo queria ouvir. Os apoios políticos mais significativos foram do ex- prefeito Félix Mendonça, do vereador Mário César Anunciação, e, de um ilustre desconhecido, naquela época, o deputado federal Antônio Carlos Magalhães.
    A vitória de Alcântara foi de “colher”, acachapante, e de um simbolismo nunca visto antes, pois foi a vitória dos menos aquinhoados, da classe média, a vitória do pobre e a derrota do rico. Alcântara fez a maioria dos vereadores, elegeu Félix Mendonça deputado estadual e ACM foi reeleito deputado federal com 6000 votos de Itabuna, um escândalo de votos pra época.
    Todo enforcado tem direito ao esperneio: desenterraram os processos de Alcântara antes da posse, uma comissão de senhoras notáveis foi a Brasília conversar com o presidente Castelo Branco, mas esbarraram com ACM na entrada do palácio, mesmo assim, as mulheres foram bem recebidas pelo general Castelo Branco que lhes prometeu encaminhar as denúncias para averiguação, só e mais nada!...
    Alcântara foi empossado na prefeitura de Itabuna e morreu de infarto fulminante em 7 abril de 1968, em pleno exercício da função. Não deixou patrimônio, porém, o seu nome ficou eterno na história itabunense, como o prefeito mais carismático que a cidade já teve e benfeitor dos pobres.

Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons.
Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Foto: Google

Helena Borborema - R. Santana

 

Helena Borborema
R. Santana

     Não sei se todo escritor tem dificuldade de escolher o título de suas produções literárias, confesso-lhe meu caro leitor, a minha dificuldade é enorme, às vezes, levo dois ou três dias para ter um insight, uma intuição repentina, uma luz... Enquanto não encaixa na minha cabeça um título que faça jus ao texto, eu não desenvolvo o tema, existe quem primeiro escreve o texto, depois, lhe atribui o título. Quando fui escrever este texto, pensei em vários títulos que os descartei à medida que não se encaixavam no meu projeto de prestar um preito, uma homenagem, mesmo tardia, à saudosa escritora e educadora Helena Borborema.
     Dentre muitos títulos colocados no papel e riscados algum tempo depois, lembro-me: “A operária de educação”, “Helena Borborema, a pedagoga”, “A obreira da escola”, “A filha do cacau”, “À mestra Helena Borborema, com carinho”, “À mestra com carinho” etc. etc. Não dei o título “À mestra com carinho”, pois entendi que seria uma derivação de “Ao mestre, com carinho”, interpretação de Sidney Poitier do engenheiro e professor improvisado Mark Thackearay, numa escola do bairro inglês de East End, mas me tocou muito, enfim, ficou, somente, Helena Borborema.
     Também não me debrucei nos livros “Terras do Sul”, “Retalhos” e “Lafayette de Borborema – Uma vida, um ideal” da escritora Helena Borborema, histórias de sua juventude, histórias de sua cidade, histórias do Sul da Bahia e lembranças do seu pai, o advogado Lafayette de Borborema, tangido de Salvador em 1907 para as terras do cacau, mas moveu-me o desejo de contar a história da Helena Borborema que conheci nos meados dos anos 60 no Colégio Estadual de Itabuna – CEI.
     Naquela época, o CEI era o único colégio do estado da Bahia em Itabuna e referência educacional na região do cacau, rivalizando tête-à-tête com as escolas de Ilhéus. As nomenclaturas dos cursos de “1º Grau”, “2º. Grau”, “Fundamental” e “Médio”, eram nomenclaturas representadas por cursos de “Ginásio”, “Científico”, “Magistério” e “Clássico”. O acesso ao CEI ou o Ginásio Divina Providência, escolas de ensino de qualidade, não era para os despreparados, mas exigia conhecimento primário completo e tudo era aferido pelo vestibularzinho de “Admissão ao Ginásio”, repositório de “Gramática”, “História do Brasil”, “Ciências”, “Matemática” e a avaliação minuciosa de uma banca examinadora.
     Quando a conheci, fazia o 4º. Ano de Ginásio e estudava à noite num dos pavilhões (Anexo) do CEI. O espaço físico se caracterizava pela modernidade daquele tempo: as paredes de blocos perfurados, de tijolos à vista, sem reboco, que eram uma delícia no verão, mas incômodas no frio do inverno, além de facilitar a entrada de mosquitos, escorpiões e sapos. Porém, eram coisas de somenos importância, a nossa juventude, a busca de conhecimento e o desejo de ascensão social eram decisivos para afastar os empecilhos da natureza.
     Helena Borborema fazia-se aceitar sem muito esforço entre os jovens por suas atitudes firmes e justas. Alta, morena clara, cabelos castanhos, compleição robusta, não era feia, mas chamava a atenção mais pela personalidade simpática, marcante, educação refinada, elegância de vestimenta, do que pela beleza física. Professora de Geografia competentíssima, cultura invulgar sem ser esnobe, suas aulas eram concorridas no seu horário pelos alunos fascinados em conhecer o mundo.
     Comprometida com o saber, entendia as dificuldades de aprendizagem do aluno pobre, aluno de más condições sociais e culturais, mas ao invés de censurá-lo, reprová-lo, estimulava-o transpor as dificuldades momentâneas do seu meio ambiente e achar um caminho. Sem chamar a atenção, sem alarde, ela espalhava o bem com discrição cristã, muitos estudantes pobres foram amadrinhados por Helena Borborema com fardas, livros e materiais escolares, como não tinha filhos, fazia seus filhos os desafortunados da vida.
     Quando Secretária da Educação do prefeito Fernando Cordier, valorizou as condições de trabalho e a remuneração do magistério municipal e incentivou o professor não licenciado fazer o curso de pedagogia para mudança de nível e melhorar sua formação profissional. Celebrou convênios de recursos materiais e financeiros permanentes com a FAFI e a FACEI, únicas faculdades existentes em Itabuna, naquela época, em troca de bolsas de estudo.
     Helena Borborema não foi somente uma escritora de causos de sua cidade, histórias de coronéis do cacau, escritora de textos econômicos, de linguagem concisa, escorreita, frases buriladas, estilo simples e claro, mas foi, também, uma educadora comprometida com o saber e a aprendizagem do educando e uma gestora da educação de recursos administrativos raros.
     Enfim, Helena Borborema saiu da vida para se imortalizar na história de sua cidade de Itabuna e do Sul da Bahia em 7 de maio de 2008. Ainda hoje, é lembrada pelos seus conterrâneos com eterna saudade.

Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons 
Membro da Academia de Letras de Itabuna-ALITA 
Imagem: Google 
 

Post Scriptum: 

"Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município de Itabuna" (Helena Borborema)

 

Deus deu as costas ao homem - R. Santana

 

Deus deu as costas ao homem 
Deus deu as costas ao homem
R. Santana


Léo e Mateus têm uma amizade do outro mundo, diria Chico Xavier se vivo fosse, é que desde que Léo veio ao mundo, Mateus lhe dispensa cuidado e amizade. Agora, que Léo tem 19 anos de idade e Mateus mais de 50 anos de vida, a diferença de idade não os afastou, mas os uniu cada vez mais e não pense algum desavisado que eles pensam da mesma forma, têm as mesmas ideias, Mateus é socialista cristão e Léo agnóstico, positivista, todavia, um compreende o outro: Mateus lhe atribui os arroubos da juventude e Léo lhe atribui a prudência da maturidade.
Naquele dia que não vai muito longe, ambos tiveram um diálogo que despertaria o interesse de qualquer indivíduo ouvi-los por mais bronco e desligado que fosse da vida e das coisas do mundo, Deus em sua providência permitiu que tudo fosse ouvido pelas pessoas em volta e colocado no papel:
- Velho, passei no vestibular de medicina! – começou Léo.
- Medicina, rapaz!?
- Medicina!
- Se tivesse sua juventude, faria filosofia, psicologia, exegese, teologia...
- Maluqueceu Mateus? Eu acredito no que vejo, posso tocar, experimentar e não em elucubrações estéreis, metafísicas, religiosas... Medicina é ciência, dá dinheiro e prestígio social!
- Meu caro discípulo de Hipócrates, não existe conhecimento mais sublime do que o conhecimento de Deus e do homem...
- Não sou ateu, mas não entendo esse Deus insensível que deixa as criancinhas sofrerem nos hospitais de males incuráveis, os pobres morrerem na fila do SUS, crimes hediondos proliferarem impunes, políticos corruptos, ditador em várias partes do mundo, massacrar o seu povo, pastores enriquecerem em nome de Jesus Cristo e os maus prosperam e têm saúde – fez uma pausa e continuou:
- Não comungo com o niilismo de Nietsche, nem com o deísmo de muitos, existe uma energia cósmica inteligente que deu origem ao universo, com leis físicas e biológicas imutáveis, todos nós somos centelhas dessa energia não no aspecto panteísta, mas no aspecto intelectual e consciência moral...
- Bravo, rapaz! Eu sei que tu és um leitor voraz e inteligente, já me arrependi da intromissão que fiz, porém, para mim Deus é o Deus da Bíblia, que celebrou uma Aliança com o homem, e, Jesus Cristo, seu filho unigênito, nos deu sua palavra de ressurreição e vida eterna. Os males decorrem dos pecados humanos, da sua desobediência ao Pai Eterno, mas Deus é amor absoluto, bondade suprema, perdoará o mais infame dos pecadores, desde que ele se arrependa e continue no caminho da retidão. Se fossemos, somente, “centelhas de energia”, qual seria o significado da vida? Nenhum!
- Meu caro Mateus, eu vejo que ao longo dos anos tu não perdeste as ideias atávicas religiosas e atribui os males da vida ao pecado, a desobediência do homem a Deus. Porém, os infortúnios, os sinistros da natureza e as doenças não são castigos de Deus, mas são possibilidades contingenciais e reais da existência do homem e do mundo. Se fosse de acordo o seu parecer, o homem bom seria sempre feliz e o homem mau sempre infeliz!...
- Meu querido Léo, não é dado ao homem conhecer os desígnios de Deus, por isto, eu persevero em minha fé. Tem razão quando diz que eu não perdi as ideias religiosas dos mais pais e meus avós e não quero perdê-las, elas me fazem bem à alma, ao espírito... Não me interessa conhecer a natureza de Deus, mas tê-Lo comigo a todo instante da minha vida. Nasci na fé, confio nas promessas de Jesus Cristo, concordo com São Paulo, quando diz: “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé” (1 Cor.15,12-13), portanto, é estéril nossa discussão, é ir a lugar nenhum, não é!?
- Concordo. Quero lhe lembrar que não puxei conversa religiosa, apenas, vim lhe dar a notícia do meu vestibular. Admiro sua prática religiosa, talvez, quando tiver a sua idade, tomarei o caminho da igreja sem discussão. Não sou ateu, no máximo um agnóstico, um positivista, um racionalista... Porém, não entendi ainda a razão de tanta maldade, de tanta injustiça, de tanto sofrimento, de tanto sinistro, de tanta desgraça... – fez uma pausa e arrematou:
- Meu bom amigo não me queira mal, não pense que é arroubo da juventude, mas faz muito tempo que Deus deu as costas ao homem!...

Autor: Rilvan Batista de Santana
Itabuna: 20.03.2013

A queima de Judas - R. Santana

A queima de Judas - R. Santana

     Na semana que findou, passei junto com os meus a “Sexta-Feira Santa” nas praias de Ilhéus. Como bom católico, não queria ir, eu argumentei aos familiares que preferia ficar em casa, jejuar, orar e compungir-me, enfim, aproveitar a oportunidade para uma conversa mais amiga com Deus e Lhe confessar o meu arrependimento das coisas erradas que pratiquei ao longo da vida, mas as circunstâncias me tiraram essa oportunidade e terminei o final de semana na casa de um cunhado rico na cidade vizinha, na “Praia dos Milionários”.
     Passar a Sexta Feira Santa na praia, degustando boa bacalhoada, dourado, merluza (com leite de coco e dendê), bom vinho, cerveja, caipirinha (brasileiro, afora alguns esnobes, não gosta de whisky), mergulhar no mar, jogar baralho e dominó, é privilégio de poucos, a maioria da população fica em casa, pega a papa do vizinho, outros, ainda menos aquinhoados, come o peixe que a prefeitura distribui grátis na Semana Santa.
     Essa tradição católica vem de muito longe, aqui em nosso país, os portugueses que trouxeram-na no seu descobrimento. Hoje, não se comemora a Sexta Feira Santa como antigamente, não existe mais o mesmo respeito religioso, o sentimento de pesar pelo flagelo de Jesus Cristo e o significado de sua ressurreição foram substituídos pelo ócio, pela fuga da cidade grande pra o litoral ou pra o campo. A páscoa não é mais momento de oração e regozijo por Jesus Cristo ter vencido a morte e ter dado ao homem esperança de vida eterna.
     Porém, este ano não posso reclamar, é que pela primeira vez na vida assistir a queima e a malhação de Judas no Sábado de Aleluia. Não foi um Judas como o de Itu, grandão, com bombas e dinamites para pipocar o mais famoso vilão da história da humanidade, que vendeu Jesus Cristo por 30 moedas com um beijo na face ou um Judas com cara e herança de político, mas foi um Judas chinfrim, magrinho, com cara de pobre, sem dinamites, com bombas que deram chabus e tudo foi salvo pela robusta e simpática morena testamenteira que leu com desembaraço a herança deixada pelo mais famoso traidor:
     - Judas morreu!? – a assembleia respondia:
     - Morreu!!! – ela completava:
     - Não teve o que deixar, deixou um caminhão velho pra João mecânico consertar!
     - Judas Morreu!?
     - Morreu!!!
     - Não teve o que deixar, deixou seu terno amarrotado pra Thiago casar! – repetia:
     - Judas morreu!?
     - Morreu!!!
     - Não teve o que deixar, deixou 30 moedas de ouro para o prefeito, a cidade melhorar!
     - Judas morreu?...
     - Morreu!...
     Os menos críticos saíram dali exultante com a herança folclórica de Judas e os mais exigentes, os espíritos menos desarmados, saíram lamentando o tempo perdido, particularmente, eu fiquei entre os menos críticos... Gostei dos assovios dos moleques, dos apupos, das brincadeiras, do chabu das bombas, do desembaraço da testamenteira, e, do estribilho: “Judas morreu?...”, “Morreu!...”
     Se Judas Iscariotes permanece no imaginário popular o vilão mais odiado da história humana, é problema dele, também, não assino embaixo nas afirmações gnósticas dos cainitas de que Judas foi o grande mocinho e não vilão do cristianismo, pois se não fosse Judas Iscariotes, Jesus Cristo não teria se libertado do corpo corruptível e ressuscitado no terceiro dia em espírito, portanto, são conjeturas e mais conjeturas que só o tempo trará a verdade, por enquanto, prefiro alimentar a voz da morena da praia na minha mente:
     - Judas morreu!?
     - Morreu!!!
     - Não teve o que deixar, deixou muitos livros para “seu” Rilvan estudar!
     - Judas morreu!?
     - Morreu! Morreu! Morreu!...


Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Imagem: Google

Visite o nosso "Ponto de Leitura":  rilvanbatistadesantana.blogspot.com 

Medo da morte - R. Santana

 


                                       Medo da morte - R. Santana

          Alguém disse que coragem é saber administrar o medo, mas todos têm medo, é uma verdade que ninguém pode negar, os corajosos sabem administrá-lo e os impulsivos morrem de medo. Não me envergonho dizer que tenho medo da morte, é um medo inato que toma forma e feição à medida que se aproxima o ocaso da vida, pois de acordo a sabedoria popular: “Quem moço não morre, velho não escapa”, e, sinto que já estou na fila da eternidade, não sei em que posição, se no fim da fila, no meio, ou, entre os primeiros.
          O fanfarrão ufana-se que não tem medo de morrer, sim de ficar penando em cima de uma cama, mas afora o corajoso suicida, todo doente procura o médico e mesmo sofrendo em cima da cama não quer morrer, exemplo mais emblemático, ultimamente, foi do presidente da Venezuela, que no estertor da morte, em cima da cama de hospital, gritou para os médicos: “Não me deixem morrer!...”
          Se alguém lhe pede pra definir a morte, não é difícil defini-la: é a cessação da vida, é a falência da matéria orgânica e o retorno à matéria inorgânica, o mergulho eterno do vivente no desconhecido... Os poetas e ficcionistas definem a morte como uma mulher soturna, cadavérica, lúgubre, funesta, que se esconde atrás de um manto preto empunhando uma foice e interrompe a vida na hora “H” e dia “D”.
          Feliz daquele que se apoia na fé e a morte é uma passagem de um lugar pra outro porque a morte deixa de ser assustadora e passa ser uma necessidade para continuação da vida. Deus foi justo quando fez a morte verdade absoluta, todos sabem (pobre, rico, feio, bonito, religioso, deísta, panteísta, agnóstico, ateu, sábio, ignorante) que a morte é certa, que essa energia vital chegará ao fim, mais cedo ou mais tarde, não existe escapatória, até os animais irracionais pressentem a morte e têm medo de morrer e prevalece o instinto de sobrevivência. Porém, Deus poderia permitir vida longa aos bons porque o prêmio da vida eterna é uma incógnita para pecadores e santos.
          Se a morte não fosse o destino para maus e bons, o homem mau seria pior e o homem bom, menos bom, porque ao contrário de Rousseau, o homem é mau por natureza e a sociedade o deixa bom, o homem é o lobo do homem como disse Thomas Hobbes. O homem é o único animal que tem consciência do bem e do mal e por causa de instrumentos de educação, de fé, de prevenção, de repressão e de punição, ou seja, os “freios” sociais, ele não faz da maldade norma de vida.
          A ciência jamais vencerá a morte, mesmo que o homem consiga clonar outros seres daqui algum tempo, o princípio vital sempre estará sujeito às leis intrínsecas da matéria e a vida se esvaziará mais cedo ou mais tarde, além disto, por mais evolução científica do homem, os meios naturais de fecundação e reprodução de outros seres semelhantes serão os mais seguros.
          Para o cristão, Jesus Cristo venceu a morte com a ressurreição, o apóstolo Paulo fala dela como o último inimigo: “Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (I Coríntios 15:26), adiante, Paulo zomba da morte: “Onde está morte, a tua vitória?” (I Coríntios 15:55). Ainda de acordo o cristão, Jesus Cristo foi enviado para redimir o pecado do homem desde Adão e lhe conceder a vida eterna. O homem morre porque nasce no pecado e tem uma vida de pecado, lá em Romanos (6: 23) diz: “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”.
          O espiritismo, com milhões de seguidores, é mais quixotesco em relação à morte do que as religiões cristãs e não cristãs: a morte é uma passagem... O homem morre e reencarna várias vezes até atingir a perfeição espiritual, quase idêntico ao processo seletivo que o agrônomo faz na agricultura para conseguir uma boa semente e uma plantação produtiva e resistente aos fungos.
          O papa do espiritismo no Brasil, o saudoso Chico Xavier, recentemente eleito de maneira injusta: “O maior brasileiro de todos os tempos”, desbancando Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, Santos Dumont e outros expoentes da nossa História, por um programa televisivo, psicografou o livro de André Luiz, o mais lido: “Nosso Lar”, que narra o dia a dia no além-mundo, que se não for considerado romance, como fundamentação de doutrina religiosa, espírita, é hilariante, é morrer de rir!...
          Outro dos seus livros, “Vozes do além”, que impressiona de início, mas que lido sem paixão, sem fanatismo, os fenômenos ali descritos de manifestações do além-mundo, são fenômenos que a Parapsicologia explica, são fenômenos mentais e não fenômenos além-túmulo.
          Portanto, a morte é brutal, sinistra, terrível, ilógica, não obstante qualquer sentimento de fé, ela despedaça esperanças e vidas, qualquer eufemismo para justificar sua brutalidade, é racionalismo e conversa pra boi dormir, é tampar o Sol com a peneira.

Autor: Rilvan Batista de Santana
Itabuna, 09.04.2013.
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 10/04/2013
Alterado em 06/01/2023

11.10.2025

A escola do futuro - R. Santana

 

A escola do futuro - R. Santana
A escola do futuro
R. Santana

A escola do futuro não será o modelo atual e não é necessário ser um futurólogo, um Paulo Freire, um Vygotsky, um Piaget, um Wallon, um Anísio Teixeira, ou seja, um cientista da educação para entender que a escola de hoje está doente das pernas e não sobreviverá por muito tempo, pois além dos problemas de aprendizagem que vêm se arrastando muito antes do movimento da “Escola Nova”, que de maneira sábia, valorizou mais a capacidade de discernimento do que o processo de memorização, o sujeito da aprendizagem não é mais um repositório de informação, mas um ser de capacidade de julgamento crítico e produtivo.
Hoje, além dos problemas estruturais (política salarial aviltante, profissionais sem vocação e descomprometidos, carência de materiais didáticos, instalações físicas precárias, exploração comercial, etc.), a escola é vítima da violência, do narcotráfico, e, os crimes escolares que grassam aqui, acolá e alhures, não são mais casos isolados, mas índices estatísticos, malucos de ideias e de drogas estão promovendo carnificinas repugnantes naquela que deveria ser, somente, a casa de formação cívica e saber.
Com o advento da informática e da internet, o conhecimento não é mais privilégio de poucos. Os fatos, em qualquer lugar do mundo, são transmitidos e vistos em tempo real. Afora alguns conhecimentos técnicos de direitos autorais alienados às indústrias e protegidos das especulações comerciais e as tecnologias bélicas que asseguram a segurança dos estados, as bibliotecas tradicionais e as bibliotecas virtuais, possuem todo conhecimento sistematizado produzido pela humanidade e de domínio público, logo, o saber é mais um ato de vontade, é querer aprender, é determinação, é consciência cívica.
Não se pode negar o papel fundamental da escola no desenvolvimento afetivo, social, moral e intelectual do homem desde os sofistas até os dias atuais, seria uma injustiça histórica, seria tampar o sol com a peneira, a escola é o embrião da ciência, porém, o modelo de escola atual é que não mais se sustenta e será necessário que os pedagogos e os cientistas da educação encontrem outro caminho de uma escola mais dinâmica e atualizada, uma escola mais segura, uma escola mais acessível, uma escola mais comprometida com a aprendizagem e formação do sujeito.
Vai longe o tempo que a escola publica ou privada tinha ensino de qualidade, não obstante as distâncias e acesso (escolas da zona rural), dificuldades de professores com formação específica (a maioria leiga, às vezes, sem curso médio ou fundamental incompleto), instalações inadequadas, material didático improvisado, metodologia imprópria e atitudes radicais de avaliação e educação dos mediadores da aprendizagem, valorizava-se mais as normas de comportamento do sujeito e a memorização dos conteúdos em detrimento do desenvolvimento intelectual.
Os estágios de desenvolvimento piagetianos: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório-formal não são mais os mesmos, as crianças cresceram mentalmente e fisicamente. Hoje, a idade escolar inicial é de 4 anos e o adolescente de 16 anos participa do processo eletivo do chefe da nação. A evidência atual que os estágios de desenvolvimento cognitivo não são os mesmos apregoados pela “Epistemologia Genética”, é que existe um clamor social para que a maioridade penal seja reduzida e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) seja reformulado e adaptado à realidade da sociedade contemporânea.
Não é fácil mudar conceitos arraigados, situações definidas, interesses inconfessáveis, “Status quo”, pois o novo faz medo e encontra resistência. O Criacionismo, por exemplo, é mais cômodo para religião do que a Teoria da Evolução de Darwin. Certamente, irá ocorrer a mesma coisa com a escola atual, qualquer projeto de mudança esbarrará em enésimos empecilhos, porém, mais cedo ou mais tarde, o modelo atual esgotado, o ambiente onde se processa o ensino-aprendizagem será outro, mais dinâmico e mais eficiente.
Alfabetizar é capacitar o sujeito da aprendizagem na leitura e na escrita. Alfabetizado é ser capaz de escrever, compreender e explicar o que leu. Se o indivíduo não domina a escrita e a leitura, apenas assina o seu nome ou ler a placa de um ônibus do seu bairro, é um analfabeto funcional. A escola do futuro vai exigir que o indivíduo seja alfabetizado ainda nas séries iniciais para desenvolver suas potencialidades e construa o seu saber.
Embora o ato de aprender seja solitário, o processo de aprendizagem é a interação do sujeito com o seu meio ambiente e Piaget acrescenta que o sujeito aprende aquilo que lhe é significativo e conforme sua predisposição genética, se o objeto não tem significado o aprendiz não tem interesse e não haverá nenhuma transformação intelectual.
A escola convencional não motiva mais o sujeito da aprendizagem, além do conteúdo sem finalidade prática e intelectual, o meio ambiente não possui os estímulos necessários para aprendizagem de qualidade, até os conteúdos transversais não atendem mais ao interesse de uma clientela ciosa de informação atualizada. Os cursos de educação à distância, tomam conta do mercado. Com as novas tecnologias, o ambiente presencial não é condição sine qua non no processo ensino-aprendizagem.
É difícil predizer o modelo da escola do futuro, certamente, seguirá o caminho da ciência da computação porque os recursos de imagem e de linguagem estão cada vez mais sofisticados – computador, laptop, laptop infantil, tablet, idphone, celular, data show, fotoshow, etc., etc. - professor e aluno podem estar separados a quilômetros de distância, que a interação e o feedback não serão prejudicados.
Enfim, a escola do futuro sua clientela ao invés de ter livros, ela terá computadores ligados à web, ao invés de professores, mediadores da aprendizagem, ao invés de salas de aula, centros de consulta e informação, ao invés de avaliação individual, exame nacional anual em todos os níveis de aprendizagem e os cursos de formação profissional completariam sua carga horária nas instituições específicas.
Decerto, essas novas ferramentas subsidiarão uma nova pedagogia, uma nova escola...
Autor: Rilvan Batista de Santana
Itabuna, 16 de abril de 2013.
Licenciado: Creative Commons

Zé das Medalhas - R. Santana

 

Zé das Medalhas - R. Santana
Zé das Medalhas
R. Santana

Conversei com Zé das Medalhas faz pouco tempo. Acredito que “Medalhas” não é nome, mas um apelido que se adquire para estigmatizar o indivíduo. Nunca me atrevi perguntar-lhe se “Medalhas” é um apodo ou nome de família, a discrição é o segredo de uma longa amizade, além disso, morro de medo da ironia e do humor refinado, às vezes, escrachado de Zé das Medalhas. As más línguas juram por todos santos vivos e os que se encontram nos céus que o apelido de “Medalhas” foi tomado emprestado do casal conflituoso Lulu e Zé das Medalhas de “Roque Santeiro” em 1985, é que Zé naquela época tinha um casamento parecido e a molecada, quando não é verdade, inventa...
Porém, o que me atrai em Zé das Medalhas grapiúna não é o seu passado de infidelidade doméstica, aliás, todos nós somos vítimas de traição, de deslealdade, quando a pérfida não é da santa esposa, é da filha, do amigo, do parente, mas o seu jeito crítico e escrachado de gozar o mundo. Num dado momento, ele parece pessimista ao alheio espectador, contudo, se for reparado com atenção, Zé é um humorado anarquista.
Naquela manhã de domingo, que o sol estava em paz com a chuva, encontrei-o como de costume, na Praça Olinto Leone, lendo um dos semanários da cidade itabunense:
- E aí Zé, tudo bem?
- Para alguns, sim! – pensei com os meus botões: “vem chumbo grosso”, e, cutuquei:
- Mas, lhe falta o quê? Filhos formados, esposa dedicada, netos encaminhados, e, tu ainda gozas duma baita saúde...
- Meu filho, eu não penso em mim, estou com 77 anos de vida, mas num país que grassa a violência e a impunidade, aposentado vive numa pendenga de dar pena, moleque de barba e bigode é protegido pelo ECA, médico mata paciente que não tem plano de saúde, político corrupto não vai pra cadeia e homem casa com homem no papel, não posso lhe dizer que tá tudo bem!
- Zé, o mundo muda, são as circunstâncias, temos que aprender conviver com os novos tempos ou enterramos a cabeça na areia como avestruz!
- Meu filho, eu sei que a única realidade é a mudança... O velho Protágoras Já dizia que não tomamos banho duas vezes na mesma água de um rio, porém, entre o bem e o mal, temos que escolher o bem. Se nós não somos agentes de uma boa mudança o mal prosperará, é o que queremos?
- Não! – contudo, contemporizei:
- Nem tudo é ruim... Não se deve comparar as expectativas de vida, hoje, com as expectativas de vida dos nossos avós. Em tempos remotos, não havia água na torneira, fogão com gás liquefeito, luz elétrica, geladeira, metrô, ultrassom, tomografia, computador, internet... – fui interrompido com sua risada:
-Ah, ah, ah!!! – não gostei:
- Qual foi a graça!?
- Tu enxergas como animal de carroça!
- Como assim!?
- O burro de carroça enxerga pela viseira, não vê o perigo ao lado. Muita gente vê, somente, os fumos do progresso, e, não enxerga a fumaça que entra pelo seu corpo e intoxica-lhe os pulmões e os olhos – continuou:
- Ninguém é insano para não reconhecer o avanço de ciência e da tecnologia, mas a que preço? Não precisa me responder, pois lhe direi o custo de todo esse avanço: arsenal nuclear capaz de destruir a humanidade muitas vezes, gados e aves bombadas de hormônios para crescerem e engordar antes do tempo, cultivo de frutos e verduras com agrotóxicos, armas biológicas, armas químicas, destruição da flora, destruição da fauna e a poluição dos rios, o reflexo de tudo isto, são as endemias, as epidemias e os sinistros da natureza. Mas, existe um mal maior: a corrosão do caráter humano, o homem se tornou cada vez mais corrupto e cínico... – não o deixei continuar:
- Meu caro Zé, seria uma discussão estéril se fosse contra-argumentar, mas lhe responder o quê? Não iremos mudar o curso da história, além disto, hoje, o dia promete e não quero encher a minha cabeça de caraminholas. Quando lhe vi, pensei: “vou bater um papo gostoso e bem humorado com o meu amigo Zé”, porém, o meu velho Zé neste dia bonito de descanso, é mar que não está pra peixe!...
- Meu filho, nem sempre o humor é a nossa disposição de espírito, às vezes, a realidade nos embrutece e nos deixa pessimista, principalmente, quando se tem um senso crítico aguçado, todavia, não me deixo levar sempre pelo pessimismo, afinal, estamos aqui de passagem e aprendi ao longo dos anos, correr a favor dos ventos, bronca é arma de trouxa!
- Meu velho, é assim que se fala!
- Não me chame de velho, pois velho é molambo que se joga no lixo!
- Zé, idoso é sinônimo de velho, quando lhe chamo de “meu velho”, não é para lhe depreciar, mas uma maneira carinhosa e possessiva de chamar o amigo, então, direi doravante: “O Zé da melhor idade”. Tá certo?
- Desculpe-me Fred, acho que exagerei... Hoje não é o meu dia, porém, prefiro o tratamento de “idoso”. Não sei quem inventou que a idade do diabetes, da hipertensão, do mal de Alzheimer, do Parkinson, da osteoporose, e, por aí afora, seja chamado de “terceira idade” ou “melhor idade”, seria melhor, que fosse tratado de “pior idade” ou “última idade”. Se soubesse quem teve essa brilhante ideia, iria mandá-lo pra ser implodido pelas bombas de Sadan Hussein!
- Zé, Sadan Hussein morreu, agora, o Iraque é outro governo!
- Morreu!?
- Não soube?
- É o mal da velhice... Então, mandaria o infeliz pra aquele maluco que ameaça despejar bomba nos Estados Unidos!
- Quem?
- O Cara da Coréia do Norte!
- Pyongyang?
- Acho que é esse Pyongyang, pois mandaria quem inventou esse desatino de “melhor idade” pra lá! – contemporizei:
- Zé, a velhice é o estado da matéria em decadência. Entretanto, é ao longo da maturidade que se adquire experiência e sabedoria. O adolescente é um “aborrecente”, o jovem é insatisfeito com o mundo, um revolucionário, quer a todo custo transformar o seu status quo, o cinquentão se acomoda e deixa a vida lhe levar, mas a velhice é o equilíbrio e a cristalização de tudo isso, portanto, a idade da experiência e sabedoria!
-Fred, é necessário fazer uma reflexão na leitura dos livros, tudo é relativo. Não se mede o conhecimento pela idade. A história da humanidade está cheia de feitos de gente jovem. Claro que a idade acumula experiência, mas não sabedoria, tem tanto velho estúpido, concorda comigo?
-Sim!
Naquele dia de domingo, não encontrei o velho Zé humorado, mas valeu o encontro.

Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

O retrato - R. Santana

 

O retrato
R. Santana

     Entre um gole de whisky e outro, à beira da piscina, Ravi não se cansava de fazer considerações sobre aquela velha foto de 20 x25. Embora a foto não lhe tocasse o coração, Vasti ajudava o marido tecer conjeturas sobre o passado distante. Ela compreendia a angústia de Ravi, aquele pedaço de papel representava um corte no tempo, um tempo finito em um tempo infinito. Embora a foto tivesse parado o tempo, o tempo continuou e os personagens não eram mais os mesmos, até o papel estava pardo pela ação do tempo, jamais aquelas circunstâncias se repetiriam... Nem os objetos que davam forma ao cenário não eram mais os mesmos, o tempo teria se incumbido de transformá-los, ou, pouco e pouco desgastá-los.
     Vasti quis saber do marido quanto tempo tem a foto? 50 anos? 60 anos? Mas o que representa 50, 60 ou 70 anos num tempo infinito? Nada de nada. Não teria sido melhor se o homem não tivesse inventado o relógio? Não! O tempo é abstrato, mas a ação do tempo é palpável e não é retroativa. O tempo caminha sem pressa, o homem é que tem pressa, mas o tempo continua e o homem fica.
     Vasti não quer esmiuçar as sutilezas do tempo, tampouco, o significado daquela velha fotografia, aliás, se Ravi não fosse um dos personagens da foto o destino dela seria o lixo, não iria se debruçar em um pedaço de papel em branco e preto para descobrir o que ali se encerrava. Naquela manhã de sol, Vasti não desejava outra coisa, senão, curtir o banho de piscina, ler um bom livro e que o sol fosse o sol de Diógenes e Ravi não fizesse sombra como fez Alexandre, o Grande, mas de tanto ele lhe perguntar, limitou-se responder suas perguntas, de quando em vez, metia o bedelho:
     - Este aqui (apontando com o olhar), atrás de Carlos, não quis aparecer, não foi!?
     -Não, querida, deve ter sido falha do fotógrafo, ou a posição que ele se encontrava, ou ele não era da família, observa-se que o fotógrafo preocupou-se em captar à família!
     - Olhe, eu não quero lhe agradar, mas o meu queridinho (fez carinho na cabeça de Ravi) aqui, tem uma postura de príncipe!
     - Príncipe! Eu? Não exagere querida!
   - Não estou exagerando... Você sentou-se em ângulo reto, segura o copo de bebida, delicadamente, nas pontas dos dedos, bem penteado e bem vestido, como se tivesse se preparado para o momento, além de uma imagem bonita – prosseguiu com o comentário:
     - Carlos está despenteado, nem aí para câmera, com cara de pouca amizade para seu pai e seu irmão mais velho que entornam a garrafa com gosto. Não se sabe a razão, Carlos é o único que não estar bebendo. Cássio, seu irmão mais novo, com o copo de bebida pelo meio, olha-o com jeito de gozação, e, sua mãe fixa-lhe um olhar de admoestação! Você, meu amor, com o olhar pensativo, é o único que saiu bem na foto...
     - Gosto de ver a foto com o olhar de saudade, não com o olhar de crítica, portanto, não temos o mesmo parecer!
     - Concordo. O meu olhar é de análise, é de entender, é de procurar, é de leitura, é de buscar significado, eu não estou dentro da foto!
     - Querida Vasti, veja a vida, apenas, com os olhos do coração, entender o quê?...
    - Mas querido, a curiosidade cativa o espírito. Seria importante, se com o olhar de análise, compreendêssemos o verdadeiro significado, por exemplo, desse momento de família na foto!
     - Pra quê? A câmara fez um corte no tempo, aí nada muda, a não ser a nossa percepção de beleza. Se alguém encontrar o belo no feio irá lhe satisfazer o espírito e a foto passará ter significado e não o registro histórico de um fotógrafo!
     - Meu amado Ravi, eu sou uma administradora de empresa, trabalho com número, estatística, meta, desempenho, projeto, estimativa, tudo concreto, enfim, não tenho sensibilidade e alma de poeta para descobrir o feio no belo, a beleza das obras de Picasso, de Paul Cézanne, dos pós-impressionistas... Para mim, não importa a beleza das flores, mas se uma floricultura é viável ou não no mercado. Nesta foto, por exemplo, gostaria que você me informasse o paradeiro dos retratados, se foram ou são homens empreendedores, ou, uns derrotados da vida!?
     - Se eles são empresários ou foram empresários?
     - Para ser um homem de sucesso não é condição sine qua non ser empresário. O homem pode se realizar em qualquer atividade, mesmo a literária e de ensino que é o seu caso, mas tem que ter atitude, perseverança, determinação, objetivo, foco, é a receita do sucesso, se alguém passa na vida por passar, é um fracassado! – Ravi a aplaudiu de pé:
     - Muito bem! Muito bem! Muito bem! Agora, eu lhe compreendo, o seu conceito de sucesso é amplo, não é somente, os resultados do mercado, mas a posição do homem diante do mundo, não é “deixe a vida me levar”, assim, satisfarei sua curiosidade e lhe adianto: todos, nesta foto, com exceção deste (indicou a foto com um gesto) que a câmara registrou só o cabelo e não me lembro dele, todos são homens de sucesso!
     - Ufa!!! Estamos nos entendendo... Agora, me fale do paradeiro deles, se todos moram aqui e eles fazem, hoje, o quê?
     - Bem, Pablo e Cecília, os pais, estão de idade avançada e moram nesta cidade. A velha está muito doente. O velho, ainda se aguenta nas pernas e faz do trabalho terapia, porém, com mais de 86 anos de vida, não é mais o mesmo homem rijo da foto. Construíram um bom patrimônio, mas o patrimônio maior foi ter educado e formado todos os filhos: Caleb é engenheiro agrônomo, Carlos, juiz de direito de uma cidade não muito longe daqui e Cassio é funcionário de um grande banco do país em Brasília, quanto a mim, não lhe será necessário contar a minha trajetória, você conhece tudo que fiz e conquistei, até os meus defeitos, as minhas qualidades e os meus sonhos!...
     - Não é verdade que lhe conheço. Aliás, ninguém conhece ninguém, o homem é uma caixinha de segredo de atitudes inesperadas!
     - Por exemplo?
     - Sacrificar o ócio da manhã para suscitar lembranças de um passado esquecido na gaveta da saudade!
     - Parabéns! Parabéns! Parabéns! Aplausos para mim, senhora, pois acabo de descobrir na administradora uma poetisa que se nega fazer poesia... – e correu pra piscina.
     Não se pode negar o absurdo de Camus e de Heidegger, a impossibilidade acontece, uma corrente de vento apareceu do nada e foi varrendo tudo que encontrou. A foto foi puxada pela corrente de ar sem resistência, como uma pluma, subiu aos céus e desapareceu.
     Ravi não conteve o pranto e chorou, chorou, chorou...


Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative: Commons
Membro fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Imagem: Arquivo de família 
 
 
 

Destaques

Autorressuscitação durante um ataque cardíaco.

Autorressuscitação durante um ataque cardíaco.   Por favor, invista dois minutos do seu tempo e leia isto:    1.  Suponha que às 19h25 voc...

Última semana