11.10.2025

Beethoven - R. Santana

 

Beethoven R. Santana
Beethoven
R. Santana

O leitor atento irá dizer que a escolha do título “Beethoven” foi sugestiva. Negar que o título desta história não é sugestivo seria subestimar a sabedoria do leitor, todavia, uma verdade se impõe: “Beethoven” é uma homenagem ao pai de Ludwig van Beethoven Suker e Suker. O velho não tirava um acorde de violão nem de instrumento qualquer, mas lia e ouvia músicas de Beethoven, Mozart, Strauss, Rossini, Chopin, Vivaldi, Tchaikvsky e outros deuses e semideuses da música clássica e era aficionado por Ludwig van Beethoven, músico e compositor alemão. E a Nona Sinfonia sua música xodó.
Portanto, querido leitor, não houve nenhum dolo, não houve má fé, nenhuma propaganda enganosa, nenhum artifício para lhe iludir na leitura de “Beethoven”. No máximo poderei ser imputado de culpa de lhe tomar o tempo para ler uma história cotidiana de casal não resolvido. E, esclarecido os considerandos, que eu não lhe movi nem incutir, não tive má intenção, a leitura deste texto ficará por sua conta e risco, é que lhe convido para os finalmentes:
- E aí Beethoven, tudo bem?
- Não, não está tudo bem Ralph!
- Sua aparência cansada lhe denuncia...
- Estou tão mal assim, meu amigo?
- Suas olheiras... Não tem dormido!?
- É Jade...
- Ela está doente?
- Doente?
- Sim!
- Não, não, ela está muito bem...
- Quê houve? – Ralph suspeitava o que houve, pois em várias vezes presenciou as brigas de ciúme de Beethoven e Jade, porém, deixou que o amigo abrisse a boca e o coração. Espirituoso, gozador, Ralph não gostava de se envolver na briga do casal, aprendeu desde cedo, que em “briga de casal não se mete a colher”, principalmente, Beethoven e Jade.
- A mulher está com ciúme de Toya!
- A secretária?
- Sim!
- Hum!... Hum!... Hum!...
- Desembuche homem!
- Jade tem razão!
- O quê? Você também!?
- Um “Boeing” daquele toda esposa fica enciumada!...
- Ralph, eu sou família! – fez uma pausa e continuou:
- Quem inventou casamento, meu amigo!? Deus é solteiro, o papa é solteiro, os padres são solteiros, os monges budistas são solteiros, o Dalai Lama é solteiro, até o Diabo não se casou, portanto, casamento civil é coisa de homem... – Ralph o interrompeu:
- Beethoven, o casamento começou com Adão e Eva. Hoje, além do casamento de homem com mulher, homem casa com homem, mulher com mulher...
- Ralph, casamento hetero é complicado, imagine casamento gay, estas relações são espúrias e não têm as bênçãos de Deus. A sociedade, meu amigo, está podre!... – Ralph cutucou:
- E Jade!?
- Deus me perdoe, às vezes, sinto inveja de Elize Matsunaga do caso Yoki! - Completou:
- Gostaria de cortar Jade e a mãe dela em pedacinhos... – Rachid, outro amigo de ambos, que presenciava discretamente o diálogo até aquele momento, interfere:
- Beethoven, eu sei que você não tem a coragem de Elize Matsunaga, mas se é do seu desejo, eu dou um jeito! – Beethoven empalideceu...
- Pelo amor de Deus Rachid, é de boca pra fora, não alimente pensamentos ruins! – Jade surge não se sabe de onde, beija-o e o abraça:
- Vamos pegar Zaisse na escola? – Beethoven não responde, despede-se dos amigos e sai de mãos dadas com a mulher. Ralph não se conteve:
- Rachid que negócio é esse de “eu dou um jeito”!? Maluqueceu, homem de Deus?
- Quanto tempo conhece o casal?
- Faz muito tempo!
- E ainda não se acostumou com a descaração desse par de jarros?
- Ainda não!
- Estar explicado...

Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

Carta para Cyro de Mattos - R. Santana

 

Carta para Cyro de Mattos
R. Santana
 
Prezado Cyro de Mattos:
 
     Recebi o seu livro de contos “Berro de fogo” com dedicatória de 25.04, deste ano. Fiquei feliz ser lembrado por um dos grandes escritores da Bahia, quiçá, do nosso país. Porém, se a nossa amizade permite, peço-lhe licença para substituir de sua dedicatória o termo “escritor” por “amigo”, pois não sou digno desse epíteto conferido aos nossos homens de letras: “Este Berro de fogo e outras histórias” para o prezado escritor – amigo - Rilvan Santana, homenagem e amizade. Itabuna, 25.04.2013, Cyro de Mattos”.
     Existe gente que pensa que é necessária muita erudição, ser um ás da língua portuguesa e versado noutros idiomas para ser romancista, contista, cronista, poeta, dramaturgo, ledo engano, escrever ficção é cachaça, o germe está no sangue, é loucura... Encher um texto de citações e referências, não significa que o sujeito é uma artista da palavra, porém, significa que essa pessoa é um erudito, um intelectual, ou, um pseudointelectual, geralmente, essas pessoas não produzem, mas vomitam e escrevem ideias alheias até os seus últimos dias de vida.
     Nessa linha de raciocínio que o artista da palavra não necessita erudição convencional, mas imaginação e gênio, eu lembro-me que nos anos 60, a empregada doméstica Carolina Maria de Jesus publicou seu livro com o título: “Quarto de despejo” que se tornou "Bestseller" nacional e foi traduzido para vários idiomas, hoje, é marco na literatura feminina do país.
     Estimado Cyro, li o seu livro e gostei de tudo, todavia, fiquei impressionado com o conto “Berro de fogo”, não pelo tema e enredo, mas pela linguagem fácil, pela poesia, pela força da natureza, pela riqueza subjacente da flora e da fauna, o conto “Berro de fogo”, no meu jeito tabaréu de ser, não é prosa, sim, um grande poema escrito em prosa. Ali, a posse da terra e os posseiros são pano de fundo, o que se valoriza é o conflito psicológico do homem em ceder ao desejo injusto dono da terra e não praticar a lealdade, a amizade e a justiça, é que torna o conto um paradigma, pois muito já se escreveu sobre o assunto de expansão de terra e expulsão de posseiros pela força.
     Ali, meu caro Cyro de Mattos, seu conto fez a diferença e o novo, o conflito de Dezinho em matar o seu amigo, o velho Jovino e obedecer ao coronel Francisco Barreto Magalhães Roboredo, o coronel dos olhos verdes, é o clímax da história de ”Berro de fogo”. Dezinho homiziou-se na fazenda Vista Formosa, tangido do sertão dos Gerais, não para fugir da justiça, mas para fugir de um problema existencial que foi a perda de três dedos no estouro de um foguete e daí em diante ser chamado de “mãozinha” pelos amigos e conhecidos e rejeitado pelas donzelas casamenteiras, mas por ironia do destino, lá na fazenda Vista Formosa, é que matou o seu primeiro homem por tê-lo chamado de “mãozinha” e ser achincalhado pelos demais.
     Embora Dezinho tivesse sido aceito e valorizado pelo coronel Barreto, seu complexo de inferioridade não diminuiu, o foguete deixou para sempre sua assinatura não mão esquerda, o foguete deixou-lhe ferrado como se ferra um boi, porém, ele não teria cometido deslealdade e matado Jovino nas Serras dos Quatro Porcos se o homem que o acolheu, o coronel Barreto, não o tivesse empurrado para o buraco da maldade: “Mãozinha, peste é o pagamento que você me dá? Se esqueceu de tudo que tenho feito por você aqui nos meus pertences?”, então, Dezinho na casa do sem jeito, tirou a vida do amigo, mais que amigo, mas aquele que lhe deu a arte de viver.
    O seu conflito existencial não desapareceu ter feito o gosto do coronel dos olhos verdes, ao contrário, mudou de tamanho, agigantou-se por ter derramado o sangue de um inocente. Quê custaria ao coronel tê-lo deixado morrer da morte natural? Nada! Além do mais, Jovino era dono de uma nesga de terra que se colocasse um jegue dentro o rabo ficaria do lado de fora. Usura do coronel, sim! Mau caráter, sim! Jovino não, Jovino o enfrentou e morreu traído pelo melhor amigo e algoz e não pelo covarde coronel!...
     O sangue de um inocente não deixou Dezinho em paz. As aparições do corpo de Jovino vinham e voltavam na cabeça de Dezinho, cenas dantescas e noites indormidas. Ele resolveu voltar para o sertão dos Gerais e lá trabalhou como ajudante de vaqueiro uma maneira de honrar o seu pai que foi um vaqueiro de quatro costados na fazenda do coronel Belmiro, mas o corpo de Jovino o perseguia e lhe rogava por justiça, então, largou tudo e voltou para o Sul da Bahia para reparar o irreparável. Não mais voltou para o coronel Barreto, foi trabalhar como leiteiro na Vila de Santa Margarida Efigênia. Na Serra dos Quatis, ele ficou de espreita esperando o coronel Francisco Barreto Magalhães Roboredo passar. Não demorou muito tempo o coronel desceu pra cidade e no meio do caminho, no seu belo animal, Dezinho “berrou fogo” nos olhos verdes do coronel...
     Estimado Cyro, “Berro de fogo” além da boa prosa, tem um detalhe suis generis, que não me lembro ter lido noutro lugar: é uma narrativa na primeira pessoa e o protagonista quem conta a história ao escritor-leitor, isto fica evidente no desfecho quando Dezinho lhe narra sua angústia: “Vosmecê quer saber se o sono voltou e eu passei a ter meu sossego? Não voltou. Deu agora pra infernar os meus pensamentos a danação das duas mortes, a de Jovino e a do coronel Barreto...”
     Às vezes, temos diferenças de ideias, mas reconheço sem nenhuma puxação que o ilustre alitano figura entre os escritores e poetas baianos de expressão maior como Jorge Amado, Adonias Filho, Telmo Padilha, Hélio Pólvora, Euclides Neto, Ildásio Tavares, Jorge Medauar, João Ubaldo Ribeiro e Sônia Coutinho e no dizer do escritor e jurista Marcos Bandeira na fundação da ALITA, “Cyro de Mattos, aqui, é o único que pra ser imortal só precisa morrer”.
     Porém, nem sempre os grandes homens são reconhecidos por seus conterrâneos no seu tempo, foi assim com Jesus Cristo, Castro Alves, Paul Cézanne, Beethoven, Rui Barbosa, Anízio Teixeira, George Cantor, Paulo Freire, Noel Rosa, depois de mortos, vieram o reconhecimento e as honrarias. Tem sido assim com Cyro de Mattos pelo seu temperamento difícil e franco, tem sido alvo de cizânias e ingratidões, a maioria dos seus conterrâneos não sabe separar o homem limitado, pecador, efêmero, mortal, de sua obra literária, ilimitada, atemporal, perene, eterna. Mas, é necessário esclarecer que Cyro de Mattos não é o único escritor e poeta que não goza de reconhecimento merecido, é cultural, coisa de povo subdesenvolvido... Se Machado de Assis, José de Alencar, Drummond, Cora Coralina, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, tivessem nascidos lá fora, seriam tão festejados tanto quanto William Faulkner, Ernest Hemingway, Sidney Sheldon, Morris West, Oscar Wilde, Goethe, Dostoiévski e Gorki, pois deixando de lado a nossa inferioridade tupiniquim, a nossa literatura é rica em quantidade de títulos, qualidade técnica e criatividade.
     Enfim, obrigado pelo presente, para mim foi uma honraria receber seu livro autografado pelo Correio, de acordo o poeta: “Oh! Bendito o que semeia / Livros… livros à mão cheia…” Itabuna, 12 de maio de 2013. Saudações alitanas, Rilvan Batista de Santana
 
Att.: reeditado em 13 outubro de 2024.
 
Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna
Imagem: Google

O pedófilo - R. Santana

 


                                           O pedófilo
                                           R. Santana

     A sensação asquerosa daquele líquido viscoso descendo da regada da bunda até à altura da coxa me persegue desde os meus 9 anos de idade quando fui abusado sexualmente pela primeira vez. Tudo começou quando minha mãe, ainda jovem, morreu vítima de câncer agressivo no útero e nos deixou para sempre sob a proteção e guarda legítima daquele pervertido sexual, daquele animal, que por capricho do destino era o meu pai e de duas irmãs mais novas.
     Lembro-me ainda de suas primeiras investidas quando bolinava as minhas partes íntimas ou lambia-me lascivamente, ao longo do tempo, ele passou me usar de maneira agressiva: jogava-se sobre mim e ejaculava sobre o meu corpo, depois me empurrava pra o banheiro e fazia-me dormir. Em vão eram os meus pedidos pra que me deixasse em paz, quando eu ameaçava contar suas perversões ao meu tio materno, era jogado em cima da cama e sufocava-me com o travesseiro e ameaçava-me com o afogamento das minhas irmãs pequenas na piscina de casa. Sem entendimento e na casa do sem jeito, não mais reagia aos seus instintos animais!...
     Naquela época, Dr. Nykos Pavlov estava acima de qualquer suspeição moral, advogado de nomeada, pai de família extremado, querido e admirado pelo saber jurídico, desenvolto socialmente, não fazia nada que deixasse vestígio criminoso e fosse flagrado com a mão na botija.
     Em tenra idade, eu não sabia o que era pedofilia, desvio sexual, abuso sexual, estupro de vulnerável, pedófilos estruturados, situacionistas, pervertidos, incestos, crimes e patologias, apenas pressentia que nada podia fazer para comprometer o meu pai e impedir seu comportamento lascivo e abusado, sua autoridade indiscutível de pai me fazia seu objeto de posse e me obrigava calar.
     Quando fiz 12 anos, na festa de aniversário, um fato providencial mudou a minha vida, acho também que de minhas irmãs: a música corria solta, os comes e bebes ainda mais, o bolo de aniversário dividido em três plataformas circulares, as plataformas maiores com doze velinhas coloridas e a última o número 12. Dr. Pavlov fez um discurso exaltando as minhas qualidades, o meu apego pelos livros, o cuidado com as minhas irmãs menores, meu fino trato com os empregados, para mim, sua fala cheirava hipocrisia, engodo, nojo, e, quando ele me beijou nas faces, senti um sentimento de angústia e revolta indescritíveis, desabei no choro, todos atribuíram emoção, menos o conceituadíssimo médico cirurgião, Kurt Berghaman, catarinense, filho e neto de alemães e irmão de minha mãe.
     Finda a festa, meu tio Kurt e meu pai foram para biblioteca, não sei quanto tempo levou, o tempo do relógio deve ter sido umas 2 horas, mas o meu tempo correu depressa, pois quanto mais tempo meu tio ali permanecesse, menos tempo teria aquele escroto para suas depravações sexuais, porém, quando eles saíram de lá, fui tomado de imensa alegria pela notícia de tio Kurt: “seu pai consentiu, como presente de aniversário, que passe as férias escolares na minha fazenda”. Acho que não foi consentimento, mas algum acordo imposto por decisivos argumentos, além de não mais voltar para minha casa, a minha tia solteira e sexagenária assumiu o lugar de minha mãe na criação e educação de minhas irmãs até quando elas ficaram adultas.
     Hoje, sou médico cirurgião, estou com 35 anos de idade, ainda moro com meu tio e sua mulher. Encontro-me socialmente com meu pai, mas procuro evitá-lo. Alimento o desejo de termos um acerto de conta do passado. Trago o segredo a sete chaves, mesmo com marcas e consequências sexuais desastrosas. Já tive várias namoradas, mas o meu desempenho sexual não é bom e o namoro é vexatório. O meu sucesso profissional e social, além dos meus consideráveis dotes físicos e minha riqueza, tornam-se empecilhos de vergonha para eu pedi ajuda a um profissional da mente e da alma, todavia, terei de procurá-lo, porque a angústia, a revolta e o desespero estão se agigantando dentro de mim.
     O meu tio Kurt Berghaman é o meu pai de verdade. Ele não teve filhos, apegou-se a mim como seu filho, nunca quis um centavo de Nykos Pavlov para minha criação e educação, hoje, sou seu herdeiro, desde que me formei, eu administro sua clínica e suas fazendas como filho do dono. Ele e minha tia me deram aconchego, respeito e amor. O seu principal hobby é a leitura e o futebol, flamenguista doente, possui uma biblioteca riquíssima em literatura médica. Quando eu era moleque me levava para futebol de várzea quase todos finais de semana. Discretíssimo nunca me disse como havia conseguido me tirar das garras de meu pai e nunca me proibiu vê-lo, porém, não mais pisou os pés na casa do cunhado, falava com sua irmã, agora, responsável pela criação e educação de minhas irmãs por telefone ou pedia que ela fosse sempre com as meninas em sua casa.
                                                ***
     Eu sou o pai de Dr. Nykos Pavlov Jr e mais duas filhas. Estou com 65 anos de idade, não tenho mais vontade de viver, estou muito doente, se morresse hoje seria uma bênção, mas Deus só abençoa o filho que se arrepende... Não me considero culpado, sou vítima de desordem mental, de má formação cromossômica, alguma área do meu cérebro superestima meu desejo para sexo infantil, sou portador de alguma patologia.
     Cometi muito estupro de vulnerável, notadamente, meu filho e filhos de meus empregados, tive o cuidado de nunca ser flagrado nem alvo de suspeita policial, devo conta a minha consciência e a minha consciência não me culpa.
     Não foi fácil abrir mão da criação de Nykos, o brutamonte do meu cunhado aproveitou a má fase financeira que estava atravessando e ameaçou protestar o que lhe devia (acima dos meus bens), além de ter desconfiado de algo errado com o choro do meu filho naquela festa de aniversário. Para ele não me levar à bancarrota e não esmiuçar Nykos, eu deixei o moleque passar as férias escolares em sua casa e não mais voltou. Não pude ameaçá-lo fisicamente ou judicialmente, Kurt Berghaman é muito rico, influente na cidade, tem quase dois metros de altura e um corpanzil considerável e é versado em artes marciais, afora ter me prevenido de carta-denúncia se algo de mal lhe acontecesse.
     Gostaria de conversar tete a tete com meu filho, parece que ele me odeia! Não iria lhe rogar perdão, nasci assim, não tenho remorso, porém, ele iria entender que a minha atração por criança é incontrolável, não sou oportunista ou descarado, também, não é um problema regressivo, nunca fui abusado por meu pai ou parente, é uma tendência patológica inata e não adquirida por senvergonhice. Quantas vezes tentei conter a minha libido!? Inúmeras! Só que a força do deseja era mais forte do que os meus resquícios morais!...
     Não obstante praticar pedofilia, eu sei que o estupro de vulnerável é crime e o pedófilo deve ser punido, não atrás das grades, não se muda a libido encerrando o sujeito numa prisão, mas o controle sexual deve ser feito através de terapias médicas, inclusive, as mais radicais.
     Hoje, que estou no ocaso da vida, eu reconheço que estraguei a vida de muita gente, não se passa uma borracha no passado, o passado é perene em nossas consciências, mas se pudesse apagaria as marcas que deixei nas almas de minhas vítimas, quero lhes pedir perdão, perdão eterno!...
                                            ***
     Somos nossas circunstâncias... Estamos na noite de domingo, do mês de maio de 2005, fui chamado às pressas pelas minhas irmãs: Nykos Pavlov havia sido internado no hospital que trabalho, com desconforto respiratório e forte dor no peito, an passant, acredito que foi algum princípio de infarto. Pensei não ir lá, mas fazia algum tempo que minhas irmãs vinham me cobrando explicação para minha aversão ao homem que me colocou no mundo e nada justificaria menosprezá-lo naquele momento de dor e sofrimento. Porém, incontinenti, um desejo reprimido de vingança veio à tona: desde que fui molestado, jurei que um dia me vingaria de alguma forma e o momento estava ali.
     A doença de Nykos não me surpreendeu, ele é fumante compulsivo, sedentário e não pratica nenhuma atividade esportiva, enquanto meu tio Kurt foi um jovem desportista e ainda hoje se exercita diariamente, além de uma educação alimentar light, Nykos Pavlov é extravagante na comida, na bebida, no fumo, na descaração.
     Quando cheguei ao hospital todos os procedimentos já tinham sido feitos. Usei a minha condição de filho e de médico do hospital para me integrar à equipe de terapia intensiva. Não foi difícil adaptar regras, o paciente havia sofrido um infarto do miocárdio, inspirava cuidados as primeiras 48 horas e ninguém melhor que um filho médico para esse zelo.
     Após 24 horas de tratamento intensivo, o paciente dava mostra que iria sobreviver, houve uma melhora acentuada dos sinais vitais, embora continuasse sedado e entubado com suprimento de ar e monitoramento do coração. A vigilância médica intensiva afrouxou um pouco mais, afinal, sobravam cuidados para Nykos e urgia cuidado para outros pacientes mais enfraquecidos.
     Não queria vê-lo morrer naturalmente sem sofrimento nem dor, junto com seu médico, abolimos o coma induzido no terceiro dia. O paciente já respondia aos estímulos através de atos reflexos, quando lhe pedi que apertasse a minha mão se estivesse me ouvindo, ele fez de pronto, então, preparei o bote.
     Às primeiras horas do quarto dia, meu colega teve necessidade de sair da UTI por uns instantes, mas antes de sair teve o cuidado de medir a taxa de saturação de oxigênio no sangue, a frequência cardíaca, o quadro dispneico, e, outros procedimentos que um médico responsável toma para ter certeza que seu paciente vai bem. Não mais de um quarto de hora de sua saída, interrompi o suprimento de oxigênio do paciente, afastei o nebulizador de sua boca e mexi no cateter central. Nykos morreu se estrebuchando, agonizando, mas antes que desse o último suspiro, disse-lhe baixinho:
     - O diabo lhe tome conta, a minha alma lhe oferecia perdão, mas o meu ser clamava por justiça!...


Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro da Academia de Letras de Itabuna
Imagem: Google

Carta para Júlia R. Santana

 

Carta para Júlia R. Santana
Carta para Júlia
R. Santana


Querida Júlia:


Quero lhe pedir desculpa por ter deixado de maneira abrupta sua casa sem lhe dar um abraço. Sei que para você o meu abraço não tem nenhum significado ou quase nenhum significado, pois são tantos os seus amigos e simpatizantes que não lhe farei falta. Porém, os meus princípios éticos e os meus rudimentos de educação me fizeram lhe apresentar as minhas escusas.
Eu sou impulsivo, tenho “pavio curto”, mas tenho a lhaneza das almas sinceras e francas. Não sei lidar com hipocrisia, falsidade, conchavo, facção, grupo, situação tendenciosa e autoritarismo. Neste terreno humano pantanoso não sei pisar, fácil me afundo nesse charco, terreno próprio para temperamento pantomimeiro e maleável como o barro do escultor.
Agora, entendo você não ter dispensado nenhuma análise séria e profunda ao meu pedido de democratizar mais suas ações, preferiu auscultar quem tinha a resposta que mais lhe agradava, a mais cômoda, preferiu auscultar pessoas que resistem às novas tecnologias, preferiu auscultar pessoas que têm medo de mudar por imperícia e incompetência.
Querida Júlia, quem não compartilha suas ideias, quem não tem coragem de se desvencilhar do mofo convencional, de ir ao encontro do novo, repetirá a mesmice do passado, mas jamais contribuirá para o clamor do presente e a grandeza do futuro. Permita-me citar a reflexão de Albert Pine: “O que fazemos para nós mesmos morre conosco. O que fazemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal”, portanto, irá compreender que a ousadia de querer que se adequasse aos novos tempos não foi demais nem inoportuna.
È sabido que o homem é o único ser pensante, todavia, nem sempre ele pensa da mesma forma, alguns homens passeiam no mundo da abstração, o céu não é o limite; outros homens possuem a inteligência emocional de Daniel Goleman e transitam com facilidade com as dificuldades sociais, são mestres na arte de conviver, engolem sapos, cobras, lagartos e não reclamam de nada. Outros homens são afeitos às praticas da vida, possuem a sabedoria do mundo, exemplo emblemático é o barqueiro de Paulo Freire, ele não tinha o saber dos seus passageiros, não lhe importava a natureza do rio, se o rio era de água doce ou salobra, porém, aprendera nadar com desenvoltura em suas águas pra não morrer afogado.
Júlia, eu sei que sua casa é eclética e abriga os intelectuais mais reluzentes de nossa terra tupiniquim, cabeças versadas em literatura, em filosofia, em história, em linguística, em geografia, em leis, em artes, enfim, homens e mulheres de saber excepcional, comprometidos e capazes de representar bem a nossa cultura humanística, aqui, ali e alhures, mas abriga também, gente que o ego é mais inflado que o peito pode suportar, gente autossuficiente em excesso, egoísta, não generosa, gente sedento de elogio e reconhecimento, gente que usa a reputação de sua casa para aparecer, gente que não tem luz própria e procura um feixe de luz para se iluminar.
Tenho contribuído modestamente para que sua casa cresça, desde a fundação, com dispêndio de tempo, dinheiro e divulgação, em contrapartida, tenho recebido de seus amigos atitudes desairosas, de pouco caso, de nenhuma estima. Não persigo láureas, prêmios, reconhecimento, fama, pois não fiz nada para merecê-los, não sou intelectual, não sou cientista, não sou poeta, não sou escritor, fui um trabalhador comum, hoje, sou mais um aposentado da previdência pública e esses estigmas de sucesso para mim não são mais significativos.
Acredito que sua casa ficará na história desta terra como referência cultural e estimulará jovens e adultos buscarem novos conhecimentos científicos, artísticos e literários, não sei se com esses amigos atuais que possuem o autoritarismo no sangue e resistem sair do domínio intelectual.
Às vezes, eu tenho vontade de não mais lhe frequentar, mas lhe vi nascer, sofri com as dificuldades iniciais até você se tornar gente, além disto, seria ingrato com algumas pessoas que estimo e prezo e me deram a oportunidade de acompanhar o seu parto. Por outro lado, não frequentar mais sua casa, seria premiar os meus quase amigos e mostrar-me pusilânime e indeciso.
Querida Júlia, se o bom senso de Descartes e a sabedoria de Salomão tocarem no coração e na mente dessas pessoas, sua casa será mais democrática e mais promissora e todos farão do prazer um compromisso.

Cordialmente,
Narvil

Autor: Rilvan Batista de Santana
Itabuna, 16.06.2013

Desejo mórbido de imortalidade - R. Santana

 

Desejo mórbido de imortalidade 
R. Santana

     O homem é o único animal que tem consciência da morte. Os animais irracionais não sabem que vão morrer, não sabem que são efêmeros, não sabem o que é vida eterna, seu comportamento é instintivo, é animal. Mas, o homem é um ser pensante, não age somente por instinto, diferente do animal irracional, o homem sabe usar a percepção, a emoção e a cognição, tem consciência que é limitado, sabe que vai morrer e a imortalidade da alma continua um mistério.
     O homem se angustia sempre desde que não encontra resposta para sua existência. O homem não conhece seu eu, de onde veio e para onde vai, Sócrates sugere como principal conhecimento: “Conhece-te a ti mesmo”. Se o homem se conhecesse, se ele tivesse uma explicação lógica e não religiosa da finalidade de sua existência, talvez, sua vida tivesse mais significado, sua ansiedade fosse menor. O futuro do homem além- túmulo é uma especulação secular ainda sem resposta.
     A religião não é “o ópio do povo”, não deixa o homem entorpecido, também, “não é freio social”, todavia, a fé em Deus é necessária para conter os instintos primitivos do homem e torná-lo um animal político. Se o homem perdesse de vez a esperança de vida eterna, o seu lado ruim, corruptível e inescrupuloso, iria prevalecer mais nas relações humanas e sociais. Se não fosse a religião, os instrumentos do estado de censura, prevenção, repressão e jurídico seriam de somenos importância. O homem tem medo íntimo de perder o seu encontro com Deus, sua promessa de vida eterna, portanto, lhe é de somenos importância, as punições humanas e a morte.
     O homem sempre alimentou o desejo mórbido de imortalidade, mas a imortalidade é uma hipótese e não um fato, por isto, suas angustias e seus conflitos existenciais permanentes. Porém, a criatura é semelhante e não igual ao Criador em inteligência e criatividade. Cônscio de que não pode vencer a morte e desconhece seu destino além-túmulo, ele inventa e produz tudo que lhe possa eternizar na ciência, na filosofia, na literatura, na arte e na música. A História é pródiga em exemplos, desde o homem primitivo que pintava e esculpia em paineis de pedras naturais sua realidade até os dias de hoje.
     Os nabucodonosores, os faraós, os césares, as cleópatras foram reis personalistas e megalomaníacos por excelência, as pirâmides de Queops, de Quefrem e Miquerinos, os jardins suspensos da Babilônia, os mausoleus suntuosos, as “bibliotecas” e a fundação de cidades dentre outros exemplos, foram artifícios usados pelos governantes para imortalizá-los.
     As escavações arqueológicas encontraram no Oriente, no Ocidente, nas Américas, aliás, em todas as partes do mundo, objetos personalizados, estruturas de poder daquela época, culturas enterradas, cujo objetivo era gravar o poder do governante de plantão ou restos de civilização. Quem leu “Eram os Deuses Astronautas?”, tem uma ideia de quanto o homem e os deuses fizeram para deixar sua impressão, sua marca, ao longo dos tempos. Hoje, essa herança cultural e a memória dos antepassados permanecem, praticamente, preservadas.
     O homem coloca suas ideias no papel, modifica as existentes, inventa, produz, sistematiza, preocupado em contribuir para sua civilização, diminuir seus males, entretanto, é movido pela crença que seus feitos sejam lembrados pelas posteridades futuras. Conta-se que Euclides da Cunha tinha medo de ser esquecido depois de sua morte, mesmo com a crítica especializada positiva de seu poema em prosa, no início do nosso regime republicano: “Os Sertões”. A Guerra de Canudos, uma epopeia da terra, do homem e da luta, na cidadezinha de Canudos, hoje, Euclides da Cunha, no recôndito do Nordeste.
     Porém, a população cresceu (7 bilhões de habitantes no planeta), os meios de informação ainda mais, atualmente é possível registrar um fato do outro lado do mundo com imagem e voz em tempo real. São pouquíssimas as atividades científicas, literárias e artísticas solitárias, tudo é feito a quatro mãos. Se alguém se propõe escrever uma novela ou adaptar texto já feito para grande mídia, por exemplo, não o faz sozinho, atrás de si existe uma equipe que lhe dá suporte técnico e lhe subsidia com informações específicas. O mesmo ocorre com os grandes inventos, não são mais produzidos individualmente, mas em grandes laboratórios com sofisticada tecnologia.
     A quantidade de produção em qualquer atividade humana é de somenos importância, importa o valor artístico, literário e científico da obra. Uma obra se pereniza se tiver originalidade, oportunidade histórica, aprovação social ou científica. Não obstante Castro Alves ter sido um gênio, se ele não tivesse tido a coragem de cantar a libertação dos escravos em seus versos e não tivesse desafiado o status quo daquela época, hoje, estaria entre os poetas menores e esquecidos para sempre.
     Os livros, nas várias modalidades, sempre contribuíram para preservar a memória do homem, desde o início dos tempos, porém num processo seletivo darwiniano, sobraram poucos livros de lá pra cá: poucos livros da cultura grega, poucos livros da cultura romana, os livros da Bíblia de cultura judaica, outros da cultura oriental, alguns livros de cultura alemã, britânica e francesa e os cinco séculos mais recentes da cultura americana. Persistiram por muito tempo, as enciclopédias, francesas e britânicas, livros como fonte de pesquisa, hoje, o papel do Google.
     Com o mundo informatizado contemporâneo, de informação rápida e atual, a enxurrada de livros eletrônicos, em que "n" livros podem ser armazenados num chip e uma biblioteca armazenada num sistema, poucos livros sobreviverão por muito tempo, o destino da maioria é o lixo eletrônico, portanto, mais difícil para o homem comum concretizar o seu desejo mórbido de imortalidade.
     Por isso, surgiram aqui, acolá e alhures, as fundações e as academias de letras, de artes e de ciências, com o objetivo de armazenar todas as produções dos notáveis de uma região, de uma cidade, de um estado e do país. Porém, nem sempre o critério de admissão numa academia é justo, ultimamente, o jornalista Merval Pereira do sistema Globo, homem de um só livro e várias reportagens, desbancou injustamente, Antônio Torres, escritor baiano, com obra literária extensa, livros traduzidos em vários países do mundo, para Academia Brasileira de Letras – ABL.
     Quem já leu “Farda, fardão e camisola de dormir” do nosso amado Jorge, irá ver que as academias nem sempre são ambientes lúdicos e de paz, os golpes rasteiros, as futricas, o sectarismo político, os egos inflados e os apadrinhamentos permeiam suas atividades dia a dia, nem sempre os melhores e mais honestos intelectuais se sobressaem nesse mar de vaidades e interesses espúrios.
     Para ser imortal “não basta morrer”, é necessário que sua obra encontre eco na comunidade local, comunidade regional e comunidade mundial. As insígnias, as láureas e as comendas “internacionais”, adquiridas por critérios Deus sabe como, jamais imortalizarão obras sem mensagem original, sem significado social, sem proposta de mudança, medíocres, vômitos de outros autores, servirão, no máximo, para enfeitar o peito do incauto homem de ciência, de letra ou de arte.
     Enfim, sei que seremos imortalizados, não pelo homem vaidoso, rasteiro, individual escorregadio e efêmero, seremos imortalizados pela promessa de vida eterna de Jesus Cristo, Ele que é solidário na dor, no sofrimento, sem distinção econômica, social, raça ou credo, mas agrega todos como seus filhos eternos com qualidades e defeitos humanos.
 


Autor: Rilvan Batista de Santana
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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
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Factoide - R. Santana

 

Factoide R. Santana
Factoide
R. Santana

De acordo o pai dos “burros”, o dicionário Aurélio, factoide é um “Fato, verdadeiro ou não, divulgado com sensacionalismo, no propósito deliberado de gerar impacto diante da opinião pública e influenciá-la”. O factoide não é uma hipótese, é um fato “plantado”, é um fato que se caracteriza em chamar a atenção da opinião pública, não obstante se o caso é verdadeiro ou falso, mas ele existe, ele é real, não importa a circunstância.
O factoide pode ser produzido por alguém para chamar a atenção de si mesmo, ou, produzido para influenciar o pensamento de um povo. O factoide também é um dos recursos usados por poderes políticos discricionários da direita ou da esquerda. Quem não se lembra do atentado do Riocentro? O factoide tinha por objetivo provocar um atentado com bomba na festa do trabalhador, em 30 de Janeiro de 1981, no Riocentro, depois atribuir o sinistro à esquerda, aos comunistas, e, por fim à abertura política desejada pelo presidente Ernesto Geisel e seu sucessor João Figueiredo.
Porém, o tiro saiu pela culatra: as bombas que ceifariam centenas de vidas, no Centro de Convenções do Riocentro, explodiram no colo do sargento do exército, Guilherme Pereira do Rosário, que o deixou mortalmente ferido e do capitão Wilson Dias Machado. Se esse factoide tivesse dado certo, colocaria em risco a segurança nacional e o regime militar recrudesceria ainda mais, não haveria a desejada abertura política pelo povo, enfim, adeus democracia, adeus “Diretas Já”, adeus governo civil!...
A direita reacionária usou muito esse estratagema, mas os comunistas não deixaram por menos, os exemplos históricos se sucedem.
Um factoide que ficou na história da Alemanha e apressou a ascensão de Hitler ao poder no cargo de chanceler, nomeado pelo marechal Hindenburg, foi um incêndio provocado que ocorreu nos corredores Reichstag, parlamento alemão, perpetrado pelas tropas de choque AS de Ernest Röhm ou pelas unidades de proteção SS de Himmler, não se sabe ao certo. O atentado, naquela época, foi atribuído aos comunistas e aos judeus, atribuídos culpados pela derrota da Alemanha na Guerra de 1914/1918, pelo desemprego e pelos problemas econômicos e sociais.
Mestres na criação de pequenos factoides foram os políticos Jânio Quadros e César Maia, ambos, não ofereceram nenhum perigo ao país e ao Rio de Janeiro, suas condutas, seus factoides eram mais marketings políticos, para chamar a atenção da opinião pública. Jânio Quadros chegou renunciar à Presidência de República, depois, apenas, 7 meses de governo, movido pelo factoide de “forças estranhas”, todavia, sua estratégia seria criar um clima de ingovernabilidade no país e retornar nos braços do povo como salvador da pátria.
Hoje, as coisas são mais transparentes, os serviços de espionagens, contraespionagens e a mídia falada e escrita são eficientes, os fatos são registrados em qualquer parte do mundo, imagem e voz, em tempo real. O factoide político não mais corre solto, se alguém “planta” um fato e o atribui a A ou a B, dentro de pouco tempo, ele é desmascarado e linchado pela opinião pública, ninguém mais se faz de vítima à toa e fica impune.
Os artistas, às vezes, criam factoides de somenos importância, principalmente, quando estão de ladeira abaixo profissionalmente, aí, plantam na mídia, casos de separação, traição, contratos milionários, discussão de plágio, direitos autorais surrupiados, filhos bastardos, coisas pessoais duvidosas que não têm nenhum significado pra maioria da população, mas notícias que deixam seus seguidores em polvorosa.
O médico é outro profissional que forja factoide para se desestressar, espalha notícias de congressos, seminários, cursos, aqui, ali e alhures, através da mídia, principalmente, colunas sociais, às vezes, o evento ocorre, ele se inscreve e participa o suficiente para adquirir o certificado, depois se esconde numa bela praia de sol, com mulher, suor, e cerveja.
Os factoides literários ocorrem por conta do “merchandising”. Os escritores reeditam seus títulos várias vezes como se eles fossem a primeira vez com pompa e lugar de destaque. Vende-se livro não mais pela qualidade da obra, mas pelo marketing e factoides plantados na imprensa. Quantas vezes somos atraídos para lançamentos de livros com coquiteis e autógrafos personalizados? E, quando se abre a primeira página para leitura da tão festejada obra, melhor seria se lá não fossemos.
Alguns escritores ostentam suas obras traduzidas na Alemanha, na Itália, na França, em Portugal, na Espanha, referências da cultura do mundo, e, quando o curioso lá se vai, o estrangeiro nunca ouviu falar nem da obra nem do escritor. Além de um factoide falso, deveria ser considerado crime de falsidade ideológica, porque esse escritor vai se locupletar de alguma forma da ingenuidade dos incautos.
É lamentável essa propaganda enganosa, a obra literária se firma pela criatividade, conteúdo, estilo e redação, ledo engano do escritor pensar que vai enganar as pessoas o tempo todo, ele que a si se engana, pois no dizer de Abrão Lincoln: "...alguém pode enganar poucos por muito tempo, muitos por pouco tempo, mas não todos por todo o tempo.”

Autor: Rilvan Batista de Santana
Itabuna, 31. 07.2013
 

Lamentos da velhice - R. Santana



Lamentos da velhice

Lamentos da velhice
R. Santana

Tu és dádiva divina? Não! Mas o regalo do isolamento
O desprazer dos parentes, a negação do amor e da vida,
Tu vives ansiosa e a falta de afeto é a tribulação maior,
Não vives mais o futuro, mas esperas o Anjo da Morte.

Ó Geras, ó deusa filha do tempo de dor e sofrimento,
Melhor seria se tu tivesses morrido jovem, mas feliz,
Hebe é filha de deuses jovens da mitologia Zeus e Hera
Tu és o crepúsculo, o ocaso, a decadência, a corrupção...

Ó deusa malquista, rabugenta, enrugada e asquerosa,
O cutelo que Deus usa pra punir o homem bom e mau
Tu és a limitação do homem, reflexo de sua pequenez,
Certo quem moço não morre, velho não escapa, é lei.

Tu geras desconforto estético, aversão e repulsa social
Tu geras dor, dor aqui, dor acolá e infinita dor na alma,
Tu és a ruína, a decrepitude do ser, o crepúsculo, o medo
Ó Geras, não geras mais outro ser, tu não és mais fértil.

Ó Geras, deusa da velhice, fostes louca desafiar o tempo?
O tempo é o senhor da razão, jamais dê tempo ao tempo!
O homem idoso, ó Geras, melhor seria não ter nascido...
A velhice é a voz da experiência e o suplício do homem.

Não adianta o epíteto que lhe dê: “melhor idade“, hábil,
Tu és a “pior idade”, idade da demência, parvoíce, lesa,
Jovem é ser maior de que “n” anos de tua experiência,
Ó Geras, bom seria se tu fosses sempre jovem e bonita.

 



Autor: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna
Itabuna, 08 de agosto de 2013
 

Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 08/08/2013
Alterado em 11/12/2023

Líder e chefe - R. Santana

 

Líder e chefe - R. Santana

     Existe um dito popular “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, é uma verdade insofismável, quase um axioma, uma máxima que se aplica aqui, ali e alhures, ou seja, universal, condição necessária para o desenvolvimento do mundo e fundamental nas relações humanas do dia a dia. Se todo mundo fizesse o que lhe desse na telha, não haveria ordem, nem organização, nem progresso, mas estado de anarquia generalizado e permanente.
     Porém, existe uma diferença fundamental nos agentes executores dessa relação de mando e obediência: chefe é diferente do líder. O chefe é egocêntrico, insensível, desagregador, não titubeia usar recursos escusos se sua condição funcional for ameaçada. O líder é sensível, solidário, corajoso, agregador, possui iniciativa própria, não obstante ser regido, também, por leis e normas.
     A autoridade do chefe é embasada em leis, normas, regras, nomeações, indicações etc., etc. O chefe, geralmente, é um sujeito bitolado, pusilânime, não tem desenvoltura, ele é apegado às normas e às leis escritas e encarna confortável o espírito militar, já foi muito útil para empresas privadas e órgãos públicos noutras ocasiões, hoje, no mundo moderno, democrático e transparente, é um sujeito dispensável, de somenos importância na cadeia produtiva e no desenvolvimento da humanidade.
     O chefe é “ditador”, tem o perfil de juiz que não sai da toga ou o perfil de professor do tempo do milho e da palmatória. Chefe é chefe, ele manda e o outro obedece se não o obedece, o subordinado assume as consequências. Para o chefe não existe meio termo, “oito ou oitenta”, dura lex sed lex, a lei é dura, mas é lei, tem que ser cumprida, o chefe não tem compromisso com a indisciplina e a negligência.
     Por outro lado, o líder não é um anarquista, tanto quanto o chefe, é um sujeito disciplinado e legalista, porém, tem carisma, é mais compreensivo com o seu preposto, ele não se impõe pela autoridade, mas pelas atitudes e exemplo. O líder é pragmático, flexível, “tem jogo de cintura”, e dotado de iniciativa. Hoje, as empresas, as organizações públicas e privadas, suas áreas produtivas e seus organogramas são subdivididos em setores e unidades, em pequenos grupos, e confiadas aos líderes.
     A História da Humanidade está cheia de líderes, líderes militares e líderes civis, não cabe aqui uma relação histórica de líderes, mas faz-se necessário citar, para ilustrar o nosso pensamento, dois líderes políticos mundiais recentes: Gorbachev e Deng Xiaoping. Gorbachev desmantelou a antiga e inexecutável União Soviética (URSS) não pelas armas, mas pela força das ideias democráticas e econômicas; Deng Xiaoping, em 14 anos, transformou a China numa potência mundial com suas políticas socialistas de mercado.
     Alguém já disse que “a palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”, é um pensamento insofismável, se a palavra não for registrada se perde no tempo, mas se as ideias não forem justificadas pelo exemplo, não persistirão. Jesus Cristo, não obstante sua natureza divina é o modelo maior de liderança religiosa. Não escreveu uma linha, mas suas palavras ficaram registradas pelos evangelistas e seguidores e Ele permanece vivo pelos seus feitos depois de 20 séculos.
     Não se molda um líder como se molda o barro pra fazer um vaso ou outro utensílio. O líder tem qualidades inatas não encontradas em homens comuns. O líder tem ideias próprias, enxerga longe, mesmo que se subsidie de algo que já existe, ele lhe dá outra roupagem e enfoque diferente.
     Não se forma líder nas escolas, apenas, pode-se burilar as manifestações pessoais. Não é condição sine qua non o líder ser intelectual, pois se a escola produzisse líderes através da instrução e educação, potencialmente, todo sujeito culto, egresso de bancos escolares, seria um líder, a prática diz o contrário. Não faz muito tempo, dois líderes de origem operária e sindical, Lech Walesa e Luiz Inácio Lula da Silva, Polônia e Brasil, respectivamente, assumiram a presidência dos seus países sem estofos intelectuais.
     Em princípio, todo aquele que chefia é líder. Liderar e chefiar têm o mesmo significado, porém, o líder se diferencia pela aceitação espontânea dos seus pares, existe certo vínculo afetivo, certa cumplicidade de ideias entre o líder e os seus liderados, enquanto o chefe é imposto pelas circunstâncias, por obrigação, isto é, não existe vínculo afetivo, sim, profissional.
     Enfim, as empresas e os órgãos públicos, às vezes, passam por essa experiência, seus chefes são figuras hierárquicas, não existe cumplicidade entre chefes e subordinados, as relações são permeadas por direitos e deveres, meta e produtividade, todavia, se o preposto além de chefe é um líder, as metas e as produtividades deixam de ser um fim, mas meios prazerosos para se alcançar um fim.



Autor: Rilvan Batista de Santana
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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

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Mecânica Quântica - R. Santana

 

Mecânica Quântica - R. Santana
Mecânica Quântica
R. Santana

Meu amigo não fique preocupado que não irei tratar cientificamente o assunto, tenho alma de poeta, trabalho mais com a emoção do que com a lógica, todavia, como bom geminiano, gosto de dar palpite intelectual nas coisas, sem a pretensão de ser o dono da verdade, principalmente, quando o assunto é a Teoria de Mecânica Quântica de Max Planck, Albert Einstein, Niels Bohr, e não poderia ser diferente, porque esses gênios da Física contribuíram para o surgimento da Física Atômica e desbancaram Isaac Newton com sua Teoria da Gravidade e medição dos diferentes espectros de luz, que por sua vez, desbancou o monstro sagrado da ciência e da filosofia Aristóteles de Estagira (384 a. C. – 322 a. C), que reinou 20 séculos de ciência.
Li alguns comentários do livro “Leya Brasil” do físico Daniel Bezerra e do jornalista Carlos Orsi que se propõem desmistificar a espiritualidade quântica, que para esses cientistas, o uso indiscriminado dessa teoria na exploração da fé dos incautos não passa de uma grande picaretagem.
É sabido que a cura quântica é uma promessa que surgiu há tempo, o uso de objeto que canaliza energia que harmoniza o corpo não é de hoje... Quem não já usou pulseira de cobre pra pressão arterial, palmilha de sapato magnetizada pra circulação, vibrador no corpo pra dores, acupuntura, etc., etc.? Embora a energia do pensamento não influa no comportamento do quantum, a energia eletromagnética de enésima frequência, conforme a teoria de Planck, a ciência não pode negar os resultados psicológicos positivos das pessoas.
Conheci e trabalhamos juntos em duas escolas no CEI e IMEAM, o saudoso Osvaldo Ribeiro, uma cabeça lógica privilegiada, brincava com os números, exerceu por mais de 20 anos o ensino da matemática no curso médio, Osvaldo não era beato, mas cria na providência de Deus, na força do pensamento e nas energias positivas. Usava objetos quânticos para cura e prevenção dos males, não que desprezasse o pensamento lógico por causa da fé, ensinava que o segredo da vida seria perceber quando o pensamento racional termina e começa a fé.
Embora o “mundo subatômico não se importe com os seus desejos e aflições”, a teoria quântica admite “as probabilidades”, isto é, qualquer fenômeno pode ocorrer no Universo e a ciência não explica nem pode tudo.
No ano de 2010, publiquei em diversos sites, inclusive, no site “Domínio Público - MEC”, um ensaio com o título; “O homem nasce para ser feliz?”, dentre outros capítulos, propus o capítulo o “Mundo das Possibilidades” que o sistematizei em possibilidades: necessárias, contingenciais e reais. Não cabe aqui, num texto pequeno, desenvolver passo a passo toda teoria, mas esse capítulo filosófico tem por objetivo explicar a natureza de Deus, sua existência e explicar os fenômenos reais e desmistificar os fenômenos absurdos aqueles que fogem aos pensamentos lógicos e a compreensão humana.
Hoje, com a fissura do átomo, a liberação da energia atômica, a Física Atômica, a ciência tem resposta para muitos fenômenos da natureza, porém, a ciência continua com um conhecimento limitado, a ciência ainda “não explica tudo”, aí, entra a fé em Deus, um Criador não criado. Um Criador onisciente, onipresente eterno e inteligente que fez o Universo com a harmonia e a precisão de um relógio suíço.
A discussão que os seres foram evoluídos e não criados, é uma discussão estéril e de somenos importância para negação de Deus, a geração espontânea é mais improvável que alguém negar existência do mundo. O cientista ateu esbarra em sua ignorância... Cientista como Niels Bohr, por exemplo, conhecia o comportamento do quantum, sua energia, sua frequencia magnética, mas certamente, não conhecia o seu verdadeiro eu e o propósito de sua existência.
A teoria de Richard Dawkins da Biologia Evolutiva, de “Gene egoísta” que evoluiu em muitos fenótipos numa tentativa de explicar a multiplicidade de seres vivos na terra, não responde a um simples pergunta: “Esse gene egoísta, com potencialidade de mutação e reprodução inteligente surgiu do nada!?” Claro que não! Se alguém, caro leitor, lhe pergunta: “Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”, por mais que alguém queira encontrar o fio da meada, não sai do lugar, as respostas sempre serão inócuas.
A probabilidade de qualquer fenômeno ocorrer é possível, porém, o fenômeno não é aleatório, “Deus não joga dados”, existe uma mecânica e uma harmonia no mundo dos fenômenos que só uma energia inteligente foi capaz de produzir, portanto, aceitemos pensamentos mais coerentes quando se trata de ciência e fé em Deus, porque é de somenos importância saber se a origem do Universo e dos seres vivos, foi depois da grande explosão “Big Ban”, ou, pela evolução de Darwin e Richard Dawkins, importa é existir mesmo que se aceite pela fé o livro alegórico de Gênesis.

Autor: Rilvan Batista de Santana
Texto registrado no Creative Commons

Inteligência - R. Santana

 

Inteligência R. Santana
Inteligência Binet-Simon
R. Santana

Inteligência pode ser definida como “faculdade de aprender, apreender ou compreender; percepção, apreensão, intelecto, intelectualidade, ou, qualidade de adaptar-se facilmente; capacidade, penetração, agudeza”, trocando em miúdos: “Capacidade de resolver problemas”. Não é à toa que vários filósofos e cientistas se debruçaram sobre essa faculdade mental, até escalas foram criadas para medir a inteligência: os famigerados testes de QI de Binet-Simon no campo da psicometria.
Não se pode negar o trabalho científico de psicometria de Alfred Binet e Theododre Simon na intervenção pedagógica daquela época, porém, o uso indiscriminado desses testes por pessoas não qualificadas, noutras instituições, frustrou e estigmatizou muita gente que o QI estava abaixo do padrão da escala Binet-Simon.
Hoje, é sabido que as funções cerebrais são muito mais complexas que a ciência possa imaginar. O sistema de neurônio ligado por sinapses levará muito tempo para que a ciência possa desvendar o significado de todos os impulsos nervosos, portanto, avaliar o QI das pessoas com base em perguntas e respostas padronizadas, é reduzir sistemas neurológicos complexos de enésimas reações em funções “palpáveis” conhecidas. A faculdade intuitiva corrobora na afirmação que a função intelectual não se encerra em medidas conhecidas, pois a mente humana é uma caixinha de surpresa inesgotável.
A teoria das inteligências múltiplas por Howrd Gardner no Século XX contempla todo tipo de inteligência, apenas, é necessário que o sujeito encontre o seu caminho e persevere no seu objetivo. Certa feita alguém perguntou ao inventor da lâmpada elétrica, Tomás Edison, de onde lhe vinha tanta inteligência, ele respondeu-lhe que “os seus inventos eram frutos de transpiração e não de inspiração”, ou seja, não adianta que o sujeito tenha uma mente privilegiada e não desenvolva os talentos que Deus lhe concedeu.
Todo homem (exceto o homem que nasce com retardo mental grave), possui inteligência, capacidade de percepção, apreensão, intuição, isto é, potencialmente o homem nasce dotado de faculdades para aprender e solucionar situações diversas, ao longo do tempo, ele vai desenvolvendo e aperfeiçoando esse processo de aprendizagem, não é demais repetir aqui o ditado popular: “vivendo e aprendendo”, enquanto temos vida, cada dia, enfrentamos situações diferentes que requerem soluções novas inteligentes, viver é matar um leão por dia.
Porém, graça ao psicólogo Howrd Gardner, que sistematizou os vários tipos de inteligência, descobriu-se que todos os homens possuem dons de aprendizagem, basta fazer o que gosta. Se o sujeito por circunstância de vida é obrigado fazer aquilo que não gosta, certamente, ele fará, mas de maneira repetitiva, jamais criará. Conta-se que Garrincha, um dos maiores jogadores da história do nosso futebol, era uma pessoa simplória, sem malícia, sem atitude capciosa, às vezes infantil, mas quando entrava no campo, sua capacidade de percepção, sua argúcia, seus reflexos físicos e suas jogadas inteligentes colocavam os adversários no chinelo.
O fator inteligência independe de raça, de características físicas e, do meio ambiente social e cultural. O homem não é produto do meio, ele pode ser influenciado e influenciar o ambiente onde nasceu. Se Hitler, em particular, seu Ministro da Propaganda Joseph Goebbels não tivesse insistido na supremacia de uma raça pura, um super-homem de raça ariana, em detrimento dos judeus, negros e deficientes físicos e sub-raças, talvez, o desfecho da Segunda Guerra Mundial tivesse tido nuances diferentes.
As vitórias dos pracinhas brasileiros no nazi-fascismo nas batalhas de Monte Castello e Montese no Norte da Itália põem por terra as teorias de super-homem de Nietzsche e Goebbels, pois nossos pracinhas eram uma miscigenação de europeus, nordestinos, negros, cafuzos e mulatos, liderados pelo general gaúcho Mascarenhas de Moraes.
Por isso, é contraproducente avaliar a capacidade do homem por índices de inteligência. Algumas escolas ainda insistem na avaliação pedagógica quantitativa em prejuízo da avaliação qualitativa. Não faz muito tempo, os estudantes eram reprovados por incautos professores por décimos de nota... Ditoso o momento histórico em que a avaliação do educando deixou de ser prerrogativa de um sujeito para ser atribuição de um Conselho de Classe e ao invés de notas quantitativas para aferir a aprendizagem, notas conceituais.
Portanto, o segredo do sucesso pessoal não é o QI engessado, mas a força de vontade e o foco. Se alguém não persegue determinado ideal, a aprendizagem e o conhecimento não têm significados, a pessoa conforme Piaget, só aprende e memoriza aquilo que lhe interessa, não porque tem inteligência limitada, mas que não lhe toca o coração e a alma.

Autor: Rilvan Batista de Santana
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