11.05.2025

A idade da experiência e da razão - R. Santana

 

A idade da experiência e da razão - R. Santana
 
A idade da experiência e da razão
R. Santana

Eu não sou daqueles que diz que não gosta de novela, que não perde tempo em frente ao televisor assistindo programas populares, que são informações fúteis, subprodutos culturais, informações não sistematizadas, opiniões pessoais que pouco acrescentam ao conhecimento formal, sistematizado. Acho puro preconceito e intelectualismo. A aprendizagem, segundo Piaget, ocorre quando o objeto do conhecimento tem significado para alguém, se um sujeito do outro lado da tela do televisor fala alguma coisa que interessa e desperta a curiosidade do telespectador, a experiência virtual passa ser real. Se o saber de A não interessa pra B, neste caso, a experiência da A é inútil pra B, aí a informação é fútil, sem significado, inútil, sem aprendizagem, porém, não se pode subestimar o saber de A, pois sua experiência pessoal tem para si significação.

Um desses dias, assistindo ao programa “Encontro”, Rede Globo, da apresentadora Fátima Bernardes, ela solicitou aos seus convidados e aos populares do outro lado da telinha que escrevessem numa tabuleta ou, eles falassem sua verdadeira idade, isto é, a idade do corpo ou a idade da alma. A maioria disse que sua idade física não correspondia à sua idade mental, portanto, cada convidado deu sua idade diferente daquela do registro de nascimento. Decerto, é um mecanismo psicológico de racionalização: “... tenho “x” anos, mas com aparência e vigor de...”, pura sublimação, a nossa idade não é aquela que aparentamos ou achamos, mas o somatório dos anos que consumiram o corpo e a mente.

A morte e a velhice são estados da vida de nossa pequenez, quem não morre moço, velho não escapa. Já pensou, leitor, se o homem não morresse ou envelhecesse? O mundo seria imundo! O tempo e o fim são cutelos de Deus, tudo será destruído pela ação do tempo, nada é para sempre, infinito é Deus. Porém, a morte não é má, é a renovação da vida, pois para renascer tem que morrer. O fenômeno do renascimento dá-se com a morte do ser vivo.

Superestimar a velhice é romantismo. É humilhante a sobrevida de um corpo carcomido pela doença e pelo tempo. O significado da vida do ser humano é a saúde, ninguém é feliz na dor. A juventude é o crepúsculo matutino da vida, enquanto a velhice é o crepúsculo vespertino da vida, a ausência de luz e, não se é feliz quando a luz, os sonhos e as esperanças vão sumindo...

Achar a velhice “a melhor idade” é suavizar a decadência física, intelectual, às vezes, moral, é desencargo de consciência coletiva. O idoso, além de enfrentar no dia a dia os males da idade, enfrenta problemas de acessibilidade, financeiros, rejeição social e falta de afetividade dos parentes e da família. Os filhos, os netos, os genros e as noras se preocupam com seu idoso, quando esse idoso é independente econômica e financeiramente, grosso modo, para usufruírem de benesses. Claro, não é regra geral, há exceção, todavia, são raras as exceções.

Há uma lenda russa, do início do Século XX, que quando o pai ficava velho, o filho lhe dava uma manta para lhe proteger do frio e o expulsava de casa para que morresse longe de seus olhos. Um neto que amava muito o avô, incumbido pelo pai dessa amarga tarefa, cortou a manta em duas partes, questionado pelo pai, respondeu-lhe que a metade da manta seria guardada para quando ele tivesse velho quanto seu avô. Hoje, os filhos não usam a manta, mas colocam o pai num quarto nos fundos de sua casa e o esquecem lá, então, quando possuem recursos, eles colocam o pai num abrigo e as visitas vão se espaçando à medida que o tempo passa.

Caro leitor, não se engane com a propaganda enganosa da mídia que nos países desenvolvidos e culturalmente históricos, o cuidado com o idoso é melhor que o nosso país tupiniquim, não é verdade, as mazelas familiares, os preconceitos sociais, as exclusões, os descasos das políticas públicas, são iguaizinhos aqui, talvez, a diferença é que, lá, as leis funcionam pra brancos, negros, ricos, pobres, princesas e prostitutas.

Enfim, o idoso é a idade da experiência e da razão, agora, dizer que é a melhor idade... merda!..


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

Ladrão genial - R. Santana

 


Ladrão genial - R. Santana
Ladrão genial
R. Santana

Assalto a banco, saidinha de banco, sequestro e latrocínio eram coisas inimagináveis nos meados do Século XX, aliás, ladrão só de galinha e alguns golpistas salafrários que usavam a boa fé dos incautos para lhes roubar. Os judeus e os agiotas eram confundidos e mal vistos pela sociedade, pois eles emprestavam dinheiro a juros escorchantes às pessoas necessitadas de recursos financeiros e quando inadimplentes, eles perdiam seus bens na justiça, afora esses escroques, a população vivia livre, leve e sossegada.

Nas noites de verão itabunense, aqui, no Bairro São Caetano, as pessoas dormiam de janelas abertas e sem grades, então, os vizinhos se juntavam nas calçadas, as mulheres jogavam conversa fora, os homens jogavam dama ou dominó e, a criançada brincava de pega-pega, sem preocupação de malfazejo.

Nesse céu azul de brigadeiro vivíamos todos tranquilos e quando havia algo que destoava dessa tranquilidade era um deus nos acuda, um auê, por isto, nunca me esqueci daqueles tempos idos de um roubo suis generis, praticado por um sujeito de prenome Altino ao bodegueiro Antônio Fonseca. Altino não era um ladrão de carreira, era um trabalhador rural, furtava alguma coisa quando a fome lhe batia à porta. Antônio Fonseca era um bodegueiro forte, sua bodega era uma armazém que vendia do carrinho de linha ao fardo de charque. Sovina histórico, gostava de trabalhar sozinho, por isto, de quando em vez, devido sua idade avançada, ele era ludibriado.

Altino impedido de adentrar dentro do balcão porque poderia ser flagrado e preso, usou um vara de pescar com a ponta untada de visgo de jaca que cobria a distância entre o balcão e a gaveta. Quando o velho Antônio Fonseca virava as costas para pegar um produto, Altino “pescava” o dinheiro da gaveta que, grosso modo, ficava entreaberta.

A sabedoria popular diz que, “quem gosta volta”, Altino gostou do dinheiro fácil e voltou outros dias e um desses dias, ele foi flagrado com a mão na botija, melhor, com a vara de visgo na gaveta de dinheiro. Altino passou cinco dias no xilindró, recebeu um corretivo, devolveu o dinheiro ao idoso comerciante e desapareceu cheio de vergonha do São Caetano.

Foi bem feito... cara pálida!


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

Crimes na Tran$Valores - R. Santana

 


Crimes na Tran$Valores R. Santana
Crimes na Tran$Valores
R. Santana

O “professor” explicava o uso da nova tecnologia aos 15 homens que compunham sua pequena plateia com um “Data Show” que projetava numa grande tela as imagens por dentro e por fora da transportadora “Tran$Valores”, feitas por um quadricóptero com câmera Wiffi 4 de canais. Não que fosse uma aula de tecnologia, mas conhecer os cantos e os recantos da transportadora que eles iam assaltar, seria fundamental para sobrevivência de cada e levar a cabo o sucesso do empreendimento.
A preocupação do “professor” de usar a tecnologia e o planejamento na investida à “Tran$Valores”, assentava-se na ideia de crime perfeito, para que não houvesse morte em nenhum dos lados, salvo, em legítima defesa. Crime de roubo, não de pessoas, o dinheiro, necessariamente, não precisava ser manchado de sangue, mas de astúcia e inteligência.
Tudo teria que ser estudado, inclusive, o inesperado, por isto, reuniu ali, naquela chácara 15 homens, escolhidos a dedo com profissões definidas: eletricista, técnico em informática, chaveiro eletrônico, especialista em explosivo, motorista profissional, além de ferramentas eletrônicas e mecânicas.
A caguetagem invadia o espírito e a mente do professor. Se algum indivíduo “amarelasse” e denunciasse às autoridades a “Operação Águia”? A possibilidade existia, mas todos estavam cientes que se alguém delatasse a operação pagaria com a vida, inclusive, algum membro querido da família, por isto, longo foi o processo de inteligência para escolha dos 15 homens.
O Dia-D sairia naquela reunião. Porém, para salvaguarda da “Operação Águia”, e partícipes, as armas e as munições serão distribuídas na hora agá. O professor adiantou aos chefes da organização criminosa que iria utilizar os simulacros de armas para orientar os sujeitos da operação que se realizará em data próxima. Seu objetivo seria potencializar todo conhecimento para que os partícipes desenvolvessem habilidades para o uso correto e rápido das armas verdadeiras.
Por isso, faz-se necessário analisar o discurso feito pelo professor aos sujeitos de sua organização:
Companheiros, boa noite:

Nós estamos do outro lado da lei, todavia, temos consciência que não somos facínoras desalmados e latrocinas. A “Operação Águia” será exitosa se conseguirmos fazê-la sem sangue, porém, tenham certeza se acontecer algo funesto com qualquer um do grupo, sua família receberá a cota que lhe pertence na operação por ato solidário.
Um companheiro que trabalha na Tran$Valores, será decisivo na operação. Esse companheiro vai desligar a energia que alimenta o sistema de segurança, deixar o portão encostado por onde saem os carros de valores, colocar narcóticos em sucos da merenda de meia noite e avisar ao comando da organização por Whatsapp, o momento de agirmos. Este companheiro vai receber um pouco mais do que os demais, pois, ele é decisivo para que a operação seja exitosa. Ele já passou pra organização o cronograma de todas as atividades na empresa e a localização do cofre. Ele nos garantiu que nos finais de semana, os depósitos chegam ao montante de R$ 20.000 000, 00 (vinte milhões de reais), afora quilos de barras de ouro e os seguranças não passam de meia dúzia, o risco maior, é que há um alarme conectado à companhia de polícia.
Companheiros, a maioria irá receber um kit com uma pistola Glock 20, calibre .40 e 2 carregadores, mais 2 granadas, um colete a prova de bala e uma toca tipo ninja. Os comandantes da organização, levarão além do kit, fuzil AK105 e submetralhadora MT 40. Os dinamiteiros cuidarão do cofre.
A nossa estratégia é adentrarmos na Tran$Valores com 8 parceiros, dois parceiros ficarão responsáveis pelos explosivos, um eletricista, outro responsável pela informática e, os atiradores de ponta ficarão comigo, o restante do grupo ficará fora para manter a polícia distante, se numa eventualidade, os homens fardados aparecerem.
Parceiros daqui lá (usou as imagens do Data Show), têm uns 10 Km, o carro a 50 Km/h, deve levar 12 mm, com os imprevistos de 12mm a 17mm. Aqui (apontou a tela) devemos ir pela Avenida General Labatut, à direita, depois do último semáforo, ir pela Santos Dumont, pegar este atalho (na entrada, deixar para trás, uma esteira de miguelitos, na saída do atalho, postar quatro homens com submetralhadoras e granadas), 30 m depois, numa quadra enorme, é a sede da Tran$Valores. Os senhores podem observar nestas imagens, tiradas pelo nosso drone, que ao redor da empresa não há vizinhos, existe um ralo matagal, informou o nosso parceiro de lá, que a empresa comprou todos os terrenos ao redor como medida de segurança.
Enfim, discorri em poucas palavras o plano de ação de nossa “Operação Águia”. Se alguém tiver sugestão ou reclamação, fique à vontade.
- Professor, quando e onde as armas serão entregues?
- Aqui, 1 hora antes da operação. Cada parceiro receberá uma mochila com kit: pistola, munições, granadas, colete e toca! – alguém mais falou:
- Professor, esse companheiro que trabalha lá, é confiável? Já pensou em traição, caguetagem?
- Companheiro, aqui, ninguém confia em ninguém. Só os senhores sabem en passant o plano de ação da operação que discorri na minha fala, todavia, tudo que lhes falei poderá ser mudado pela organização, daqui um instante. Há 6 meses esse vigilante é subsidiado financeiramente pela nossa organização com vultosa quantia mensal, se for um alcaguete, será eliminado sem dó nem piedade e tomaremos da família tudo que foi investido – todos concordaram com o professor e a reunião foi encerrada.

Um mês depois: Dia-D.

Às 2:00 horas, o professor e seus homens esgueiravam as laterais do muro da transportadora de valores quando seu celular vibrou: “gato na tuba com rabo de fora”, a base informava em código que havia algo suspeito, estranho ao combinado e o professor tomasse cuidado. Experiente, embora jovem, ele dividiu seu grupo em dois: o grupo que ia entrar pelo portão encostado; o outro grupo, escalar o muro, desligar o sistema de alarme e, toda fonte de energia.
Antes de lhes dispersar, o professor recomendou ao líder do grupo que o portão fosse aberto com cuidado, os homens rastejando, que ele jogasse em direção ao prédio qualquer coisa que fizesse zoada, que ele não respondesse logo aos tiros, esgotasse as balas e a imperícia dos vigilantes, depois, jogasse uma granada no centro dos tiros e aguardasse 2 minutos, seu grupo iria entrar pelo flanco direito do muro e surpreender os vigias...
O professor entendeu que a mensagem “gato na tuba com rabo de fora”, indicava que o informante havia lhe traído, todavia, por inexperiência de inteligência, tinha deixado o “rabo de fora”, ou seja, algo que o denunciava à captura de imagem do quadricóptero e aos olhos do operador, por isto, o professor mudou de última hora, todas suas estratégias de ação e fez bem.
O tiroteio foi renhido, sangrento, dos 8 vigilantes escalados para salvaguardar a empresa do perigo iminente, 4 morreram de imediato, 3 feridos graves e por ironia do destino ou covardia, o informante foi o único são e salvo que sobrou, por isto, a fúria do professor:
- Canalha está satisfeito com o resultado de sua traição!? Desde o início, reneguei o sangue... você é culpado e, ”O salário do pecado é a morte. O dom gratuito de Deus é a vida”. Você vai morrer! – o homem tremia que só vara verde. Ele foi amarrado na porta do cofre e dinamitado.
O cofre estava vazio. Lá fora, os outros comparsas mantinham os policiais distantes (não eram muitos e despreparados pra o fogo intenso). O plano de fuga foi acionado: um carro-baú fugiu com a maioria dos bandidos enquanto 2 automóveis atrás davam cobertura com fuzis Ak105, granadas e a polícia cada vez mais distante, até sumirem na bruma da noite.

Dois dias depois do Dia-D:

- Professor, tanta tecnologia, falhamos e quase morremos?
- Sim. Mas, se não fosse a tecnologia não estaríamos vivos. A natureza humana é mistério... até Jesus Cristo foi traído, não?
-Sim!
Com o depoimento da família do traidor e o depoimento de um dos feridos, o serviço de inteligência da polícia chegou à maioria absoluta dos bandidos, salvo, o professor que fugiu sem deixar rastro.
Há mil anos se diz que o crime não compensa e mais mil anos se dirá que o alheio chora seu dono com as lágrimas do bem.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

 

Rilvan Santana é o mais recente entrevistado Divulga Escritor - Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 


Rilvan Santana é o mais recente entrevistado Divulga Escritor - Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Natural de Lagarto (SE), Rilvan Santana foi levado para Itabuna (BA) ainda criança de colo. Santana gosta de Itabuna como se fosse sua terra de nascimento. Licenciado em Filosofia e Matemática pela UESC, Rilvan é pós-graduado em Psicopedagogia, professor aposentado do Estado da Bahia e do munícipio de Itabuna.
Orientou Matemática no curso fundamental e médio durante 32 anos. Foi diretor e vice-diretor do Colégio Estadual de Itabuna (CEI) por 4 anos. É membro-fundador da Academia de Letras de Itabuna (ALITA) desde 19 de abril de 2011.
“...o objetivo desta obra foi fazê-la moderna, com poucas páginas, retratando os dramas humanos do dia a dia e que o texto fosse lido em qualquer lugar, conforme o ritmo de vida apressado do homem moderno.”

Boa leitura!

Escritor Rilvan Santana, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, como surgiu inspiração para o enredo que compõe “Maria Madalena”?

Rilvan Santana - Desde cedo que escrevo e leio, aliás, leio mais do que escrevo. A minha preocupação foi construir um texto em que pudesse enfocar os sentimentos de ódio, paixão e amor, comuns em todas as classes sociais. Da primeira à última página, desejo levar ao conhecimento do leitor o drama da vida humana. O homem não deseja outra coisa, senão ser feliz. A natureza humana não gosta de viver o amor, pois o amor traz paz, é sublime, é lógico e racional. O homem gosta de viver uma grande paixão, que é um sentimento arrebatador, irracional e instintivo e faz jus ao fogo que queima suas entranhas. Portanto, foi nestes sentimentos últimos que me inspirei para escrever o livro “Maria Madalena”.

O enredo apresenta situações que acredito serem comuns, como é o caso da história envolvendo Madá, o marido e Ruth, no entanto, com um desfecho inusitado. O enredo que compõe a obra, pelo pouco que li, não tem relação com a Maria Madalena, personagem bíblico. Como se deu a escolha do título do livro?

Rilvan Santana - Em tese, o enredo não tem nenhuma relação com a história de Maria Madalena, a personagem bíblica. Porém, é um nome sugestivo, que atrai o leitor para conhecer a história da minha personagem Maria Madalena dissoluta e infiel. O leitor não encontrará no meu livro uma Maria Madalena perdoada por Jesus Cristo, mas uma mulher que usou e abusou do sexo, e se não fosse um câncer que lhe levasse ainda moça, teria praticado todos os prazeres da carne, em variadas paixões e amores. Porém, ela e o maridoeram devassos e modernos, e um dos acordos não escritos foi que ela nunca engravidasse fora do casamento e quando isso ocorreu, ela abortou. O romance é narrado na primeira pessoa, e a maioria das personagens tem nome bíblico.

Quais os principais objetivos a serem alcançados com a leitura desta obra literária?

Rilvan Santana - É uma presunção o que vou dizer, mas perdoem-me os leitores, não sou vaidoso, nem egocêntrico; o objetivo desta obra foi fazê-la moderna, com poucas páginas, retratando os dramas humanos do dia a dia e que o texto fosse lido em qualquer lugar, conforme o ritmo de vida apressado do homem moderno. Adultério, paixão e amorsão ingredientes que existem desde o homem de Neandertal. Porém, contar esses sentimentos de maneira açucarada, romântica e suavizada foi o meu objetivo maior.


Além de “Maria Madalena”, você tem outro livro publicado “O Empresário”; apresente-nos a obra.

Rilvan Santana - Escrevi “O Empresário” em 2007, no mesmo ano de “Maria Madalena”. Ambos foram publicados em 2008 pela Editora T mais Oito – Rio de Janeiro (RJ). A história é de um grande empresário casado com uma lésbica eque tem uma relação de incesto com a irmã. Bruno e Henriette são adúlteros e devassos. Os filhos seguem os passos sociais e sexuais dos pais: mundanos, heterossexuais, homossexuais e bissexuais. Estes temas são desenvolvidos numa linguagem escorreita sem cair no chulo, na vulgaridade e no preconceito. Bruno, no fim da vida, refugiou-se (exílio voluntário) numa de suas fazendas no Triângulo Mineiro com sua irmã Clara edeixa seus negócios sob o comando dos filhos.

Qual o momento que o marcou enquanto escrevia “O Empresário”?

Rilvan Santana - Não gostei de lidar com a ideia de incesto, todavia, a obra de ficção toma rumos a contragosto do escritor. Há uma coisa, uma força estranha que puxa o autor para onde ele não quer ir. Os personagens vão adquirindo suas individualidades, independentemente da nossa vontade.

Além das obras apresentadas, você tem outros livros no formato e-book. Apresente-nos os títulos.

Rilvan Santana -1.A face obscurado homem (romance); 2. O DNA de Emanuel (romance); 3.O Enviado (romance); 4. Lágrimas rolando (autobiográfico); 5. Atir (contos, crônicas etc.); 6. Carta Para Paula (idem ao anterior); 7. Cartas (um livro só de cartas); 8. Casas mal-assombradas (contos do além); 9. Cristais Quebrados (contos); 10. Guriatã, o intérprete (contos); 11. Hanna (contos); 12. O Juiz (contos); 13. O menino dos olhos verdes (contos); 14. Retalhos da vida (contos); 15. Rosas com espinhos (contos); 16. Suor, cacau e sangue; e 17. O homem nasce pra ser feliz?... (ensaio).

Onde podemos adquirir os seus livros?

Rilvan Santana - Não me considero um escritor profissional, não tenho editora, não tenho patrocínio e não tenho recursos para edições independentes. Enviei meus rascunhos para algumas editoras; educadamente, elas me devolveram. Editei por conta própria: “O empresário” e “Maria Madalena” por uma editora do Rio de Janeiro (RJ), em 2008, mas editar livro é muito caro, sem apoio, é impossível. Hoje, participo de antologias quando as editoras promovem; compro alguns livros e estamos conversados. Por isso, após licenciar meus livros, crônicas e contos avulsos pela Creative Commons, publico em forma de e-book, sem nenhum ônus para o leitor. Quando alguém lê meus trabalhos de ficção e faz algum comentário positivos ou negativo, fico feliz; é a moeda do pagamento, sinto-me como um Machado de Assis, um Graciliano Ramos, um Paulo Coelho, um Jorge Amado, um Gabriel García Márquez, um Saramago... Porém, se o leitor quiser me dar a honra de sua leitura, procure-me num desses sites:

1. saberliterario.prosaverso.net
2. http://saber-literario.blogspot.com
3. Recanto das Letras
4. com
5. bookess.com
6. Domínio Público - MEC

Quais os seus principais objetivos como escritor?

Rilvan Santana - As minhas letras não são panaceias para curar os males das pessoas que não leem, elas não resolvem problemas culturais; portanto, meu principal objetivo, agora, é estimular a leitura e a escrita de jovens e adultos e fazê-los pensar.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Rilvan Santana. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Rilvan Santana - Quero lhe agradecer, penhoradamente, Sra. Shirley Cavalcante, por esta entrevista. Nunca recebi tamanha honraria. Deus lhe ajude e permita que a nossa editora/coordenadora da revista eletrônica “Divulga Escritor” realize muitas outras entrevistas com escritores e poetas desse imenso país, que vivem no anonimato e nunca tiveram espaço na mídia escrita, falada e televisada para divulgar seus feitos literários. O escritor de ofício não deseja dinheiro, mas que sua obra seja lida, discutida e reconhecida aqui, ali, acolá e alhures. Muito obrigado.

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura
https://www.facebook.com/DivulgaEscritor
Contato: divulga@divulgaescritor.com
Rilvan Santana e Shirley M. Cavalcante

O milagre - R. Santana

 


O milagre - R. Santana

     Quando criança, meu avô João Zabelinha, contou-me uma história que nunca me esqueci. Ele era um homem de fé sem ser beato nem fanático, seguia a lição de Tiago: “... a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma”, suas obras legitimavam sua fé, ele exercitava a caridade, a solidariedade e a generosidade sempre, por isto, sua palavra para mim, até hoje, tem fé de ofício e sua história será contada.
     Em uma cidade distante do interior do Nordeste, morava uma pobre viúva que pelejava com seu filho mais novo e doente, fazia algum tempo, sem recursos pra levar o menino à cidade maior, apelava para todos os santos conhecidos e os santos desconhecidos para que eles curassem seu filho. Os dias passavam e os santos faziam de ouvidos moucos e a cura não se realizava. Naquele dia, véspera de Natal, ela o deixou mais cedo e foi assistir à Missa do Galo. O menino, prostrado na cama, rogou que sua mãe orasse a Jesus Cristo sua cura.
     Nesse dia, surgiu do nada um ladrão barbudo e cabelos compridos que, sem ser chamado, adentrou na casa da viúva, pé cá, pé lá, pé cá mais do que pé lá, percorreu salas e quartos até chegar ao quarto do menino, mas ao invés de assustar a criança, ele que se assustou, quando:
     - Senhor! Senhor!
     - Sim, filho?
     - Veio me ver? -
     - Sim!
     - Obrigado, Jesus! Minha mãe disse que viria...
     - Jesus!?
     - Oh, Filho de Deus, cura-me!
    - Mas... não... não posso...
     - Minha mãe disse-me que Tu podes...
     - Eu não...
     - Como não, Jesus!? Tu não ressuscitaste Lázaro?
     - Filho, Lázaro foi ressuscitado pelo Filho de Deus, eu sou filho...
     - Então!? Tu és Filho de Deus... Cura-me, Senhor!
     - Sua mãe...
     - Minha mãe Lhe pediu que me curasse, não foi?
     - Sua fé..
     - Mas... eu tenho muita fé, Senhor!
     - Eu quis dizer... a fé irá lhe curar... acredita no Filho de Deus!?
     - Eu tenho fé em Ti, mas aumenta minha fé para que eu seja curado!
     - Tu queres ser curado?
     - Sim, Senhor!
     - Então, reze comigo a oração que lhe deixei!
     - Não posso, Senhor, não tenho força!
     - Tu crês em Mim?
     - Sim, Tu és o Filho de Deus!
     - Então, levanta-te e ora Comigo:
     “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome.
     Venha a nós o Vosso Reino...”
     Enquanto o menino em pé, cabeça em súplica e mãos em oração rezava, o coração do sujeito foi tocado e sorrateiro desapareceu, ao mesmo tempo, a mãe do menino da porta gritava:
     - Milagre! Milagre! Milagre! ...


 

Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna

Imagem: Google


Malvado tempo - R. Santana

 

Malvado tempo - R. Santana


Naquela tarde de feriado, fiz uma visita a F. que se encontra internada num respeitável abrigo de minha cidade. Fi-la por insistência de meu cônjuge que também gostaria de ver M., sua prima. Não sou hipócrita nem demagogo para não dizer o que penso: não gosto de hospital, de cemitério, nem de casa de assistência social, não me sinto bem nesses lugares, às vezes, organizados, limpos, bem administrados, mas não deixam de ser lúgubres e funestos.
Nós passamos pelo corredor de entrada, fomos informados pela cuidadora de idosos: “os quartos de F. e M. ficam na última ala”; depois, passamos por um pátio interno que serve para atividades recreativas e banho de sol dos pacientes, enfim, chegamos ao apartamento de F. que não estava lá, encontramos M. que carinhosamente nos levou até F., reconhecemos a gafe de termos passado pelo pátio, cumprimentado F. e, não a reconhecemos.
Chocou-me, em particular, o aspecto de seu estado físico: chocha, mirrada, sem aura nem graça, curvada, peitos caídos, usando andadeira para se locomover, não parecia nem de longe a F. altiva, compenetrada, independente, inteligente, prosa boa, leitora contumaz e profissional comprometida da educação. Eu senti vergonha dos entreveros administrativos que tivemos na escola que trabalhamos em tempos dourados que se foram. Diretor dessa escola, personalidade perfeccionista, bati de frente com F. por questionar e não cumprir as minhas diretrizes administrativas.
Não sabemos nem interessamos saber a doença de F., porém, deve ser Alzheimer ou Parkinson. Falamos de Drummond, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Paulo Coelho, Jorge Amado, disse-nos que dos autores tupiniquins, lia com gosto Valdelice Pinheiro, Helena Borborema, as irmãs Benício, das crônicas históricas e humoradas de Dantinhas, Telmo Padilha e Firmino Rocha, ensaiou recitar: “Deram Fuzil ao Menino”. Sugerimos outros poetas e escritores da terra, mas, ela os negou com muxoxo de boca. Minha esposa voltou conversar com M., então, aproveitei o momento e aprofundei a conversa literária com F.
F. oscilava entre lucidez, devaneio e insanidade. Perguntou-me se sabia os requisitos para se candidatar a deputado estadual, respondi-lhe que não, ela insistiu que me inteirasse desses requisitos, pois seria candidata a deputada estadual na eleição vindoura. Noutro momento, perguntou-me o nome da doença de incontinência urinária, respondi-lhe que é enurese, ela completou: “mijo na cama quando elas não me dão fraldas”. Isto, levou-me pensar com os meus botões: “serei você amanhã”.
Eu saí de lá arrasado, minha resistência de frequentar esses lugares soturnos, tomou forma e consciência, prometi a mim e aos meus familiares que doravante, serei levado para esses lugares, a pulso, involuntariamente, não por vontade própria, não compreendo como filhos e filhas jogam seus pais e parentes nessas instituições e os esquecem lá pra sempre, por mais cuidadosas, altruístas, e sérias que elas sejam para comunidade. Essas casas de acolhimento de idosos, a maioria não é ruim em si, porém, jamais elas substituirão o afeto, a amizade e o amor dos filhos, de netos, de parentes e aderentes.
Ali, é um repositório de almas, não de gente. Ali, reconhece-se que os males são maus. Ali, reconhece-se que o tempo é malvado. O tempo traz o homem ao mundo, o faz crescer, o faz audacioso, alimenta seus sonhos na mocidade, realiza seus projetos na maturidade, destrói-o na velhice, depois, entrega-o nos braços da morte. Os mais velhos têm razão quando coisas que parecem impossíveis, dizem: “dê tempo ao tempo”. O tempo é o cutelo de Deus, o instrumento que Ele usa para cortar a trajetória do ser que criou, para fazer vê-lo sua insignificância e sua finitude. O tempo constrói, faz acontecer e, destrói. O tempo é mau, dissimulado de bom. O tempo é um deus! A lógica das coisas não o ignora.
Deus proteja F. e a mim não desampare, porque o significado da vida é questionável. Viver é bom, morrer é melhor. A fé é que alimenta a esperança do homem, mas o faz entorpecido lógico, assim como o ópio extraído das papoulas entorpece e embrutece os viciados de narcóticos. Triste do homem que não tem religião, não tem fé, pois seu suplício é maior no caminho da morte.
A decadência física é mais nociva do que a decadência moral, esta não tira o sono de alguns, enquanto a decadência física traz dor e sofrimento. A dor e a alienação tiram a dignidade do homem, o respeito a si mesmo. Todas as arrogâncias, todos os egoísmos, todas vaidades e todos os significados humanos caem por terra diante dum mal permanente. Nós estamos preparados pra vida, não para o sofrimento. Não existe autoestima duradoura quando o mal não tem remédio pra sua cura.
Sublimar a velhice ou racionalizá-la, não faz do homem velho, homem novo, mas diminui o pesadelo de que ele está no fim da vida. Ninguém gostaria de caminhar consciente pra morte, somente, os suicidas e os loucos, a chama da vida alimenta a alma, este é o papel de todas as religiões do planeta: assegurar ao homem que, aqui, é uma passagem e do lado de lá, a eternidade da vida.

Autoria: Rilvan Batista de Santana
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O Talento - R. Santana

 


O Talento 

R. Santana

 

     De quando em vez, depois de algumas cachacinhas com limão (pobre não toma whisky), de cabeça cheia, problemas resolvidos, fico filosofando sobre os enigmas existenciais: “Quem sou eu?”, “De onde vim?” e, “Para aonde vou?”, decerto, não encontro resposta nem ninguém a encontrará. Melhor seria se o homem não ficasse conjeturando o desconhecido. Saber o quê? Inteligente é não saber. Porém, uma das coisas que me intriga é o talento, seria gratificante se todo homem desenvolvesse seu talento qualquer que fosse sua atividade.
     O talento é importante para Deus, todos nascem com mais ou menos talento, uns desenvolvem-no e outros não, isto não significa, que aquele que recebeu menos talento não desenvolva melhor que aquele que recebeu mais talento.
     A parábola contada por Mateus (25:14-30), traduz o propósito de Deus sobre o talento. Certo senhor fez uma longa viagem e deixou para seus servos alguns talentos. O primeiro servo, recebeu 5 talentos e quando o senhor voltou recebeu o dobro e o reconhecimento: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei, entra no gozo do teu senhor”. O segundo servo, recebeu 2 talentos, também, dobrou os talentos e com o dobro, veio-lhe o reconhecimento do seu senhor. O terceiro, recebeu 1 talento, com medo do senhor, enterrou seu talento na terra e não o devolveu: “Mau e negligente servo, irei tirar seu talento, porque a qualquer que tiver lhe será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem lhe será tirado”.
     Para o feiticeiro de Menlo Park (The Wizard of Menlo Park), Tomas Edison, que patenteou em vida mais de 2300 inventos, o talento exige sacrifício, determinação, trabalho, transpiração, senão, não produz, não se cria, a ideia morre no nascedouro, é como o servo que enterrou seu talento com medo de ser admoestado pelo seu senhor, Edison teve vários fracassos antes de colocar no mercado consumidor sua lâmpada elétrica incandescente. Se ele se rendesse às dificuldades iniciais de seu invento, o homem teria vivido o Século XX, à luz de candeeiro, não, de luz elétrica.
     O talento independe do aspecto físico. É sabido que na Conferência de Haia, Rui Barbosa foi vítima de preconceito de seus pares, pelo seu aspecto físico diminuto, inclusive, uma das conferencistas o chamou de “macaquito”. Para surpresa de todos, iniciou sua preleção inquirindo-lhes qual o idioma seria mais condizente para compreensão de todos e transitou com facilidade no idioma inglês, no idioma francês e no idioma alemão, os idiomas oficiais da conferência, enfim, defendeu a tese dos países em desenvolvimento e foi cognominado: “Águia de Haia”.
     O talento é tão importante nas atividades humanas, que há anos, os ingleses buscam-no através do programa televisivo nacional, quiçá mundial, intitulado: “Britain´s Got Talent”. Os resultados não são tão animadores... Centenas de candidatos se apresentam para demonstrar seu talento, mas poucos fazem a diferença, por isto, quando aparece um talento de verdade a exemplo de Susan Boyle, é curtido nas Redes Sociais por centena de milhões de pessoas.
     Susan Boyle se apresentou em Glasgow, vinha de West Lothian (aglomerado de vilarejos), Scotland. Desajeitada, quase cinquentona, nunca tinha sido beijada, desempregada, afastada da família, sua única companhia era seu gato Peebles. Não obstante seu aspecto físico desleixado, malvestida, cabelo desgrenhado, sua autoestima permaneceu pra cima: “eu vou fazer esta plateia tremer”.
     O talento venceu o preconceito. Simon Cowell, como de praxe, quis saber de sua vida, de onde vinha, qual seu modelo de sucesso e fez uma cara de incredulidade quando Susan Boyle informou sua idade. Um programa voltado para faixas etárias de gente nova, ao informá-lo que estava com 47 anos, os risos da plateia e dos jurados encheram o ambiente. Para desanuviar as circunstâncias, o jurado Piers Morgan, perguntou-lhe o que ela ia cantar (I Dreamed a Dream From – Les Miserables) e, ao invés duma voz de taquara, estridente e desafinada, surpreendeu ao mundo com seu canto harmonioso, versos claros, voz doce e afinada. Quando ela terminou de cantar, foi aplaudida de pé.
     Deus deixou talento para todos, independente, de gênero, de cor, de raça e de religião. Cabe ao homem, multiplicá-lo ou enterrá-lo como fez o servo mau. A missão do homem, aqui na Terra, é direcionar seu talento para o bem ou para o mal, conforme sua natureza e seu livre arbítrio.
     Enfim, a diferença entre o gênio e o homem de talento, é que o gênio é mais inspirado, desenvolve em altíssimo grau sua capacidade mental criadora, isto é, faz acontecer seus talentos, persegue-os sempre; enquanto o homem comum desenvolve menos sua mente criadora, esforça-se menos, não persegue seu talento, conforma-se com o pouco, exercita menos sua mente, ele usa seu talento a nível de sua existência, ou seja, explora sua inteligência, somente, para resolver os problemas da vida cotidiana e não do espírito.


 

 

 

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

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Membro: Academia de Letras de Itabuna - ALITA
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O drama de Kaleb - R. Santana

 

O drama de Kaleb - R. Santana


Naquele dia, com a filha desmaiada nos braços, Kaleb gritava por socorro, apenas, demorou o suficiente para que vizinhos e parentes saíssem de suas casas, às pressas, para lhe acudir. Todos pensaram que a pequena Belak tivesse tido algum mal súbito em decorrência de queda (traquinagem de criança), mas, hospitalizada e sob os cuidados médicos, Kaleb explicou as circunstâncias que encontrou sua filha aos vizinhos e parentes: estendida na cama, nua da cintura para baixo e um filete de sangue lhe escorria pela coxa e balbuciava seu nome e o nome da mãe, delirava e dizia palavras desconexas.

Na delegacia, acrescentou que saiu mais cedo do trabalho, encontrou a casa fechada, chamou pela filha, ela não respondeu, adentrou pela porta do fundo que estava encostada e encontrou a filha em estado deplorável. Não teve outro pensamento do que colocá-la nos braços e sair porta afora e gritar por socorro. Disse que não entendia como alguém fosse capaz de tanta maldade. Morava com a mulher e os filhos num terreno cedido pelo sogro, aliás, nesse quintal residiam os pais de sua mulher, os sobrinhos e os cunhados. Todos viviam em perfeita harmonia. Certamente, alguém havia burlado a atenção dos moradores e feito aquilo com sua filha. Porém, tinha prometido à menina Belak, no leito da CTI, que iria encontrar o malfeitor e vingar o mal que lhe foi feito.

Enquanto sua filha jazia no leito do hospital, sua esposa não tirava o pé dali, os pais temiam que o criminoso disfarçado de visita e relaxado os cuidados de médicos e funcionários, ele desse cabo de Belak, pois a polícia científica concluíra que a menina depois de estuprada, foi vítima de asfixia e, se não fosse a intervenção providencial e involuntária de Kaleb, o criminoso teria consumado seu crime de morte.

Embora Kaleb fosse homem de poucas letras, instrução primária, pedreiro de profissão, intuição aguçada, instinto aflorado, enquanto sua filha permanecia hospitalizada, ele procedeu uma investigação minuciosa. Conjeturou, desde o dia do constrangimento moral, da conjunção carnal forçada, sobre a possibilidade do malfeitor de Belak, ele está entre vizinhos, cunhados, sobrinhos, tios e avô. Não excluiu ninguém, pois o modus operandi do crime foi de gente conhecida e não de gente desconhecida.



Três dias depois:



- Não fui eu, Kaleb!

- O seu RG estava na bagunça da roupa de cama de Belak, que me diz?

- Não sei!

- Procure saber, miserável!

- Não sou pedófilo, Kaleb!

- As marcas mais profundas de agressão de Belak, estão do lado direito do seu corpo!

- Não entendi!?

- Você é canhoto, não?

- Sim!

- Significa que o malfeitor de Belak é canhoto!

- Eu não sou o único canhoto daqui, o seu irmão é canhoto. Eu tenho dois sobrinhos canhotos e outros moram nesta cidade, e daí?

- E seu documento?

- Alguém o plantou lá!

- Você é um escroque da sociedade, merece morrer!

- Você é justiceiro!?

- Não!

- Pois, o Evangelho diz: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está ... ver que Deus não é a favor dos que fazem justiça com as próprias mãos”.

- José Maria, também, estar escrito: "Deus odeia o pecado e o pecador também".



Uma semana depois:



O corpo de José Maria foi encontrado uma semana depois num despenhadeiro 5 Km distantes de sua residência. Kaleb foi preso por 5 dias como principal suspeito e foi solto por falta de provas, mas sujeito às medidas restritivas de não sair à noite nem viajar para outro estado ou cidade sem permissão do juiz. Sua mulher não se convenceu de seu argumento de inocência, pegou as malas e os filhos menores e voltou para casa do pai. Os sogros, os demais cunhados e os sobrinhos emprestados viraram-lhe a cara. Jonas, o irmão mais novo, foi o único que lhe compreendeu e o apoiou.



O Dia D:



Dia marcado para saída de Belak do hospital. Embora seu quadro tenha sido grave, pela asfixia e a preocupação dos médicos com os riscos de doenças sexualmente transmissíveis (DST), ela ficou sem sequelas mentais e os danos físicos foram afastados com uso de remédios antivírus, a sequela da alma seria curada com o tempo e acompanhamento psicológico.

O susto foi contido quando Kaleb adentrou no apartamento de Belak. Lá estavam investigadores, delegado, assistente social e psicóloga. A menina chorosa aconchegou-se em seus braços, com jeito, ele a acariciou e fê-la voltar ao quase normal. O delegado explicou-lhe que tudo não passava de rotina investigativa, que a doutora psicóloga iria ouvir a menina, pois os médicos tinham dado alta a Belak, a investigação era praxe.

Depois de algumas conversas a sós com a doutora psicóloga, o delegado lhe perguntou:

- E aí, mocinha, pode dizer ao tio quem foi o homem mau? – a menina olhou para os pais, em especial, Kaleb, como que lhe pedisse desculpa, respondeu:

- Tio Jonas! – Kaleb não aguentou:

- Meu irmão!? – a menina quase balbuciou:

- S... si... sim... p... pai! – o pai de joelhos:

- Deus ó Deus, Vós permitistes que o Diabo usasse meu irmão para mutilar minha alma, meu ser? Como irei viver de agora em diante com a consciência em chamas pela morte dum inocente? Judas foi menos ardiloso que meu irmão! Judas enforcou-se de remorso depois que entregou Jesus Cristo aos seus inimigos para ser crucificado. Meu irmão não teve remorso! Meu irmão assassinou José Maria para vingar-me de um crime que meu cunhado não fez. Que mente diabólica! Que o fogo do inferno queime sua alma!!! – Kaleb quedou-se fatigado.

Ambos foram presos. Jonas porque apertou o gatilho e escondeu o corpo e Kaleb por ter consentido. Jonas morreu, logo depois, por ter violado o código de honra não escrito do bandido que não aceita o estupro nem crime de morte de crianças.


Autor: Rilvan Batista de Santana
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Fonsequinha - R. Santana

 

                                                               Fonsequinha 

                                                                 R. Santana

     Foi um homem santo e pecador. Santo, porque não tinha a maldade dos maus, mas a bondade dos bons. Pecador, porque usufruiu como ninguém dos prazeres da carne e da vida. Seguiu à risca o conselho do poeta Vinícius de Moraes em relação à vida afetiva: “Que seja eterno enquanto dure”. Senhor de harém, homem volúvel, teve muitas mulheres e uma penca de filhos, cuidou dos filhos e das mulheres todo o tempo com responsabilidade e amor, além de um pai presente.
     Homem simples de voz arrastada e sonora, trabalhador, amigo, prestativo, sempre preocupado com o outro e, de amizades duradouras. Não tinha tempo para alimentar inimizades, seus inimigos eram gratuitos, não declarados, mais por inveja do que por quaisquer outros motivos escusos. Nas suas relações políticas partidárias, justificava: “... em política, não há amigos incondicionais nem inimigos irreconciliáveis”. Ele elegeu-se duas vezes ao legislativo itabunense.
     Poder-se-ia, hoje, considerar Fonsequinha um pequeno empreendedor, teve olaria, pedreira, caminhoneiro, mercadinho e fundou e loteou o “Fonseca”, bairro popular itabunense. Esse loteamento foi regido pela cobrança de aforamento e não a venda definitiva dos terrenos. Fonsequinha empreendeu esforços políticos consideráveis para que autoridades municipais e estaduais levassem ao novo bairro, serviços básicos de saneamento, luz e água. A fundação do “Bairro Fonseca” visava, naquela época, atender à demanda de um segmento menos favorecido da sociedade com a construção de casas populares e não de lucro imobiliário.
     Porém, mais do que por vocação comercial, Fonsequinha trazia na alma e no coração, a vocação política, não ideologia política, poder político, mas política como condição sine qua non para desenvolver políticas públicas que atendessem às necessidades primárias do povo. Por isto, foi várias vezes candidato ao legislativo itabunense nem sempre com sucesso até se eleger por 2 mandatos consecutivos.
     Fonsequinha não era homem de briga, mas de enfrentamento: “...dou 1 boi para não entrar e 10 bois para não sair”. Com o assassinato em Dallas (1963), Texas, do presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy, os políticos do país, os puxa-sacos dos norte-americanos, batizaram com seu nome, ruas e bairros, aqui, em nossa terra tupiniquim, não foi diferente, o vereador Antônio Calazans apresentou na câmara municipal um anteprojeto para mudar o nome do bairro: “São Caetano” para “John Kennedy”. O vereador da proposição justificava que Kennedy havia criado o programa “Alliance for Progress”, “Aliança para o Progresso”, cujo objetivo seria incentivar o desenvolvimento econômico e social latino americano.
     Antônio Calazans era um político tupiniquim, ladino, manhoso, conseguiu convencer seus pares para que o anteprojeto avançasse e, no máximo, em 2 sessões, fosse aprovado e enviado à sanção do prefeito. Fonsequinha liderou o descontentamento dos bairristas, ocupou as ruas da prefeitura e ocupou, parcialmente, o plenário da Câmara de Vereadores enquanto na rua ouvia-se o som de charanga tocando o Hino Nacional e discursos inflamados.
     A proposição foi aprovada por maioria absoluta e enviada para o prefeito Alcântara, um político populista, jamais ficaria contra o povo, entrementes, não queria desagradar os vereadores, convocou os líderes do bairro, dentre eles, Fonsequinha, depois de muita discussão, Antônio Calazans foi convencido retirar o projeto e apresentar uma emenda que ao invés da mudança do nome de São Caetano, John Kennedy, passaria ser o nome de sua principal avenida, portanto, Alcântara agradou aos gregos e aos troianos e foi inaugurada à Avenida Kennedy que vai da princesa Isabel à BR-101.
     Fonsequinha foi importante, também, na implantação da rede de energia elétrica (nos primórdios do São Caetano, as famílias usavam o candeeiro ou o Aladim), da rede de água tratada (assim como não havia energia elétrica nas casas e nas ruas, não havia água encanada, os reservatórios eram abastecidos por água de chuva e os potes por água de cisterna). Hoje, alguém pode até pensar que não foram grandes feitos, mas, naquela época, foram lutas, discussões e ações políticas para que esses serviços fossem implantados na comunidade.
     Embora de partidos diferentes, Fonsequinha reivindicou do prefeito Simão Fiterman (1973/1974), aberturas de novas ruas nos bairros: Fonseca e São Caetano. Essas novas ruas alavancaram o desenvolvimento desses bairros com saneamento básico, construção civil, energia elétrica, água encanada e o tráfego de automóveis e caminhões.
     Quatro décadas depois, São Caetano, hoje, é uma cidade dentro da cidade de Itabuna, aqui, é a sede administrativa municipal, bancos, igrejas, colégios, escolas infantis, mercados, consultórios médicos, odontológicos, posto de saúde, casa de material de construção, frigoríficos, feira livre e uma população de mais de 30.000 habitantes. Todo este progresso foi devido ao trabalho de muitos homens e mulheres que ficaram no anonimato, mas de homens que jamais serão esquecidos, a exemplo do inesquecível vereador Eduardo Fonseca, "O Fonsequinha".

     O homem é o agente da História, todavia, a História é feita por homens bons, os homens maus não constroem, destroem, a título de ilustração: qual foi a contribuição para humanidade de Hitler, Goebbels, Himmler, Franco, Mussolini, Muammar Kadafi, dentre outros? Nenhuma. Os homens maus passam e deixam um rastro de maldade que leva muitos anos para ser apagado.
     Por outro lado, os homens bons não morrem, cristalizam-se no tempo. Homens e mulheres a exemplo de: Albert Sabin, Santos Dumont, Christian Barnard, Irmã Dulce, Florence Nightingale, Madre Teresa de Calcutá, Robert Koch, Freud, dentre outros. Fonsequinha, resguardando as proporções históricas, foi um benfeitor tupiniquim, não deixou nada escrito, nenhuma descoberta científica, mas deixou o exemplo, pois “a palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”. Seu exemplo permanecerá para sempre na memória da comunidade do São Caetano e Fonseca, sua história passará de geração para geração.

 



Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Membro da Academia de Letras de Itabuna

Drogas - R. Santana

 


Drogas - R. Santana

Drogas
R. Santana

Gosto de conversar com Tanaguchi. Não sei onde ele reside, acho que para as bandas do Pontalzinho. Não sei se ele tem filhos, mulher, netos, sogra, sogro... a única coisa que sei é que ele é nissei e aposentado do Ministério da Agricultura. Acho que se xeretasse mais seu lado pessoal, ele se recolheria como ostra, pois japonês ou filho de japoneses, não é de muita intimidade, os orientais são cismados por natureza. Mas quando nos encontramos, saio menos ignorante, pois ele é um sábio.

Hoje, nosso bate-papo na praça Olinto Leone, foi sobre as drogas e seus malefícios. Claro, que não concluímos nenhum documento que irá nortear as autoridades governamentais do nosso país, mas assim como o beija-flor que com uma gota d`água quis apagar o incêndio da floresta, com o nosso pitaco e milhões de outros pitacos num futuro não muito distante o problema das drogas seja solucionado, que este mal não mais faça chorar tantas mães e tantos pais, aqui, ali e acolá. Por isto, vou usar do peso literário para tornar verdade as nossas ideias sobre o consumo das drogas e o narcotráfico:

-Tudo bem, Tanaguchi?

-Se a Bélgica não desclassificasse a Seleção, tudo iria bem!

-Jogo é jogo, não?

-Sim!

-Tanaguchi, a Copa do Mundo serviu para demonstrar que a Rússia, além de superpotência militar e de grande economia, seu povo é alegre e hospitaleiro. Parece que no país de Putin o controle do narcotráfico é absoluto. A preocupação do governo russo é com os terroristas políticos de alguns territórios que continuaram anexados à Rússia depois do esfacelamento da União Soviética, a exemplo da Criméia que é disputada com a Ucrânia. Lá não se viu aquele aparato militar que o Brasil instalou na Copa de 2014 para conter às ações dos traficantes e os reles assaltantes do Rio de Janeiro e de outros estados. Não se sabe o tamanho do tráfico internacional da Rússia, sabe-se que lá, a tolerância da droga é zero!

-Ufa, meu amigo! Estou estupefato com seu discurso sobre a Rússia. Não entendi, seu raciocínio: trocou o resultado do jogo pela história política da Rússia, depois, abordou o narcotráfico, afinal, você quer falar sobre o quê?

-Meu velho, seu sentimento intuitivo é aguçadíssimo, gostaria de ter esse feeling, essa percepção imediata das coisas, você tem razão, quero mesmo é falar de droga ilícita. O aliciamento de jovens e menos jovens para o mundo do crime, assusta-me e, assusta-me mais a impotência dos governos para combater o uso da droga e seu comércio. O bandido do tráfico é uma erva daninha que se espalha sem solução de continuidade, quanto mais arrancado do chão, mais brota com força no campo, por isto, acho que o Século XXI será prejudicado na história da humanidade. Portanto, gostaria que analisássemos o assunto. Concorda?

-Sim, amigo! Porém, deixo-lhe claro que não existe um remédio que cure os males das drogas. O uso de entorpecentes, psicotrópicos, transcende ao tempo de Jesus Cristo. Os escravos trouxeram de sua terra africana, a maconha (Cannabis Sativa), e os curandeiros usaram-na muito em seus ritos religiosos. Os pigmeus africanos usaram como entorpecentes a droga conhecida como iboga. A folha de coca é um alucinógeno muito usado na Bolívia e no Peru, inclusive, como chá. Os maias, os incas, os guaranis, os xavantes e os cheyennes fizeram uso de chás alucinógenos. Os povos orientais e ocidentais consumiram por demais o haxixe e o ópio. Mais recente, novas drogas industrializadas surgiram no mercado, a exemplo da LSD, cocaína, ecstasy, crack... – aparteei-o:

-Meu amigo Tanaguchi, na prática, nada acrescenta a história das drogas, é demais conhecida, produtivo, seria se pudéssemos oferecer às futuras gerações, propostas nas políticas públicas do país para que a droga fosse erradicada da sociedade, que a nossa juventude não fosse atraída para o mal, que as famílias não fossem destruídas, enfim, que os nossos filhos e o filho do outro, fossem poupados dos ardis desses animais do narcotráfico, que mais vidas não fossem sacrificadas!

-Meu caro amigo, nossa intenção foi lhe demonstrar que substâncias alucinógenas são usadas muito antes de Cristo, conforme a religião, a cultura e os costumes sociais daquela época. Hoje, essas substâncias são industrializadas, transformadas e comercializadas, não são mais usadas no tratamento de doenças, mas para alienação da realidade e fuga existencial. Acho pretensão pensar em alguma proposta para sua erradicação. As substâncias psicóticas existirão sempre, nenhuma varinha de condão eliminará a droga num passe de mágica. Portanto, a droga é uma droga!

-Meu estimado guru, sei que é uma empreitada quase impossível, pois a droga mexe com o psiquismo das pessoas, muda o comportamento do indivíduo, também é nociva fisicamente, além de produzir toxicômanos aos milhões no mundo. Hoje, é uma preocupação de todos os poderes do nosso país, combater a produção e a distribuição de substâncias alucinógenas e punir com leis severas os narcotraficantes, todavia, torna-se cada vez mais difícil porque eles se homiziam e controlam comunidades com poder de fogo igual às polícias civis e militares!

-Meu caro, você terminou sua fala com o “xis” da questão: matar criminosos, prendê-los, apreender substâncias e fechar “laboratórios”, não irá resolver o problema da droga, acho que o caminho... – eu o interrompi:

-Qual a saída, senão, o uso da força?

-Meu amigo, “enxugar gelo” vale a pena?

-Não!

-Pois, as ações dos órgãos de segurança de combate ao narcotráfico têm se prestado a isso. Você me pediu uma opinião, vai lá: seguir o exemplo do Uruguai, Dinamarca, Colômbia, Portugal, Chile, Holanda, Bélgica, etc. Nesses países, a droga é vendida como se vende remédios de tarja preta nas farmácias, conforme a necessidade de cada um, inclusive, o governo propicia ao dependente químico, salas e praças para o uso da droga. Não existe uma política de repressão policial, de proibição, mas programas de terapia. Pouco a pouco a influência do narcotraficante se extinguirá, porém, só isso não basta, é necessária muita informação nos meios de comunicação. A mídia mostrar, diuturnamente, os malefícios do uso e da dependência dos alucinógenos, ou seja, fazer apologia às avessas do uso da droga.

Acho que o encontro com Tanaguchi foi proveitoso. Ele tem razão, as autoridades estão dando “murro em ponta de faca”, tudo que é proibido é desejado, talvez, o caminho seja a liberação da droga de forma controlada e a dependência química tratada como doença.


Autor: Rilvan Batista de Santana
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Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 11/07/2018

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