11.05.2025

Cacau e peleja - R. Santana

 

            Cacau e peleja - R. Santana
 
I

    Joaquim Santos Almeida, conhecido por amigos e inimigos por “Kinkim”, do balaústre da sua casa, olhava a beleza que ficava abaixo do outeiro, na entrada da fazenda Angicos: uma cancela, uma estrada de pedras brutas multiformes com mais ou menos 500 m de comprimento por 8 m de largura, ladeada por palmeiras imperiais, mudas importadas de longe que lhe custou “os olhos da cara”; uma enorme represa, onde gansos e patos davam o toque de beleza ao cenário e os gramados laterais arborizados completavam a visão bucólica. Tudo aquilo não tinha sido construído de estalo, mas com muito trabalho, suas terras de mata e cacau formavam um grande latifúndio, possuía terras cultivadas e incultas às margens do Rio Pardo, no vale do Rio Panelão e às margens do Rio Panelinha.

    Kinkim e seu amigo Natalino Pataxó vieram para o Vargito na 2ª. Expedição liderada pelo médico José Elias Ribeiro, ambos, com um pouco mais de 17 anos de idade. Derrubaram matas, cabrocaram capoeiras, demarcaram terrenos e plantaram cacaueiros, mataram quem lhes quis atrapalhar, construíram casebres de pau a pique entrelaçados de varas amarradas com cipós em forma de quadrados e preenchidos de barro, casebres cobertos de piaçava, outrora, usavam as copas mais altas das árvores para passar a noite.

    No início do desbravamento, eles se alimentavam de peixes, tatus, saruês, quatis, carne-seca, toucinho, dobradinhas, farinha, sal e pimenta, de quando em vez, feijão e carne de boi e carne de porco adquiridas na feira-livre do Vargito. Além de lhes faltarem recursos financeiros, sem produtividade de cacau, toda economia era bem-vinda. Anos depois, lá para o ano de 1935, eles eram ricos fazendeiros e inimigos figadais.

    Kinkim tinha ambição desmedida, aumentou suas terras comprando-as por vinténs ou expulsando posseiros pelo argumento do bacamarte e do parabélum. Sovina, tudo que produzia em suas terras, o dinheiro era guardado sob sete capas. Não desperdiçava nada, até as mulheres de vida fácil do povoado Vargito não lhe arrancava dez-réis de mel coado, além do combinado.

    Kinkim não gostava de cachaça, não fumava, não jogava, seu único vício, era o bate-coxa no cabaré de Maria João. Gostava de andar sozinho, dizia que “puta só e ladrão só”, ou, “melhor sozinho do que mal acompanhado”. Quando enricou, junto com o dinheiro e os bens, vieram atrás de si, muitos inimigos, por conta disto, sofreu dois atentados rechaçados por tiros fatais ao inimigo, porém, num deles, o cavalo foi morto. Daí em diante, passou ser acompanhado por jagunços guarda-costas armados até os dentes com carabinas e pistolas.

    Natalino Pataxó tornou-se também homem rico, não tanto quanto Kinkim, não tinha a mesma ambição desmedida do outro, fazendeiro de 2000 arroubas de cacau que lhe propiciou ter casa em Itabuna para manter os meninos na escola e o filho mais velho foi estudar engenharia em Salvador. Também, não tinha vícios, de quando em vez, fumava um charuto para distrair-se não por necessidade.

    Jovem, teve que enfrentar com clavinote e pistola, índios indolentes e jagunços travestidos de posseiros para se estabelecer, porém, intuitivamente, sempre teve bom senso para separar o certo e o errado. Sempre soube separar o pioneiro do desbravador sanguinário, não atacava, contra-atacava, rompeu a amizade com Kinkim porque ele era desprovido de senso moral, ele não separava a justiça da injustiça, “os meios justificam os fins”, com este marco, ele ceifou a vida de muitos inocentes para construir seu latifúndio.

    Natalino herdou dos pais o sentimento religioso, sua mãe era papa hóstia, seu pai não ficava atrás, a Bíblia era o seu livro de cabeceira, não perdia uma missa, chovesse ou fizesse sol, não tinha inimigos, pequeno agricultor, sua fazendola nunca foi além de 200 arroubas de cacau e, louvava a Deus todos os dias, seus filhos não passarem fome e levarem uma vida digna. Natalino saiu de casa a contragosto, ele e a mulher passaram dias na igreja orando para que nada lhe acontecesse, só relaxaram a devoção quando souberam que o filho estava no Vargito são e salvo.

    Por isso, não se tomou como surpresa o misticismo de Natalino depois de maduro. No início, ingressou numa igreja evangélica, depois pelos caminhos tortuosos da vida, ele começou a frequentar um candomblé da redondeza e com a morte do “Pai de Santo”, ele assumiu os trabalhos com o título: “Pataxó Babalorixá”. Algum tempo depois, transferiu o terreiro de sua seita para sua fazenda num grande e suntuoso caramanchão.

    Tinha consciência que corria perigo de morte desde que recusou, peremptoriamente, vender suas terras da fazenda Jupará para Kinkim, pois seus 150 hectares, afora a produtividade de cacau, possuía boa aguada, 30 hectares de mata, 40 hectares de pastos piquetados e, inviabilizava seu arquiinimigo estender suas terras pelo lado norte de sua fazenda. Não tinha medo dele tête-à-tête, porém, o conhecia desde o tempo das “vacas magras”, o homem era mais traiçoeiro do que corajoso, se vacilasse, ele viraria comida de urubu por algum jagunço de seu desafeto, escondido atrás de uma jaqueira ou um pé de vinhático, a soldo de Kinkim, por isto, nunca se desapartou de um parabélum ou um clavinote.
II


    Natalino Pataxó teve razão em alimentar por muito tempo a covardia de Kinkim, naquela manhã, “Joaquinzinho” presenciou a conversa particular do seu pai com um conhecido pistoleiro:

        - Vesgo, ele vai ver a mulher e os filhos em Itabuna!

        - Quando?

        - Dia 30, deste mês!

        - Ele tem fama de bruxo...

        - Supersticioso?

        - Não!

        - Medo é pra maricas, rapaz!

        - Eu sou homem de fé...

        - Quer desistir?

        - Não! – Completou:

        - Não sou homem de mijar acocorado, patrão!

        Silêncio...

        - Quanto é o serviço?

        - Dez contos de réis!

        - Tudo isso?

        - É bagatela. Ainda lhe trago a cabeça e os colhões!

´        -Tá doido, Rapaz!?

        - É costume!

        - Negócio fechado. Daqui a 15 dias compareça aqui, quero lhe dar uma carabina nova e munições, vá lá que surja muita gente lhe...

      - Patrão, desculpe-me, mas não uso ferramenta alheia, tenho por costume fazer uma marca na coronha do meu clavinote, cada vez que eu envio um daqui pra o lado de lá! – ele mostrou a coronha da arma toda picotada.

        - Até mais ver!

        - Até!
III


    Joaquinzinho não aprovou a conversa de Vesgo e seu pai, inclusive, tiveram uma discussão. Não compreendia aquela inimizade, pois na mocidade ambos eram carne e unha. Trabalharam como um condenado, construíram suas fazendas, até tinham casa em Itabuna para que os filhos pudessem estudar. Entendia que matar um homem só em legítima defesa, principalmente, se esse homem era compadre recíproco. Gostava do padrinho e faria tudo para evitar que ele fosse assassinado. Gostava também do seu pai, mas depois que ele começou estudar na capital, lhe reprovava o comportamento desumano, primitivo, sua ambição não tinha limite, pressentia que seus últimos dias de vida não tardariam chegar.

    Mantinha boa relação com Natalino, a contragosto do seu pai, argumentava que o padre da paróquia dizia que “o padrinho é um segundo pai”, por isto, não tinha nada a ver com suas desavenças.

    Seu padrinho o tinha como filho, lhe dispensava os mesmos cuidados que dispensava aos próprios filhos, até a idade de 12 anos, passava mais tempo na casa do padrinho que na casa dos seus pais, depois do rompimento de amizade dos adultos, é que passou se encontrar de quando em vez com Natalino, portanto, vê-lo morrer numa tocaia promovida pelo seu pai, seria o mesmo o que Judas Iscariotes fez ao Cristo.

    Enfim, às escondidas, seu padrinho dava-lhe uma mesada mensal para que não lhe faltasse nada em Salvador.

IV

    Naquele dia 30 de junho de 1937, às 17 horas, Natalino e mais 3 camaradas, encilharam os animais para seguirem viagem até Vargito de lá para Itabuna, que se o tempo tivesse bom, eles levariam 2 dias na viagem, mesmo com trechos íngremes, riachos e ribeirões para os cavalos atravessarem, se o tempo tivesse chuvoso e relampejando, o tempo na estrada seria maior. De sua fazenda Jupará até o Vargito dista 1,5 légua, por isto, ele e os camaradas programaram sair mais cedo e pernoitarem no povoado. Além dos animais de montaria, levaram mais 3 animais de cargas que seriam usados no retorno com os caçuás de mantimentos.

    Ardiloso, dessa vez não quis viajar sozinho e preparou vários artifícios para não ser pego desprevenido em alguma tocaia desde que recebeu um bilhete  de Joaquinzinho: “...padrinho o senhor está na mira do clavinote de Vesgo, cuidado quando for viajar”. Por isto, quando saiu do descampado ainda dia e entrou na mata, frouxou o cabresto de uma égua e esperou sua reação, repassou as estratégias combinadas com os camaradas, à frente do grupo, um boneco tamanho homem, vestido com um capote colonial de luvas e chapéu confundia qualquer cabra por mais sagaz que fosse, não tardou a égua sair do grupo e adentrar na mata atrás de algum cavalo ali, enquanto o boneco avançava e recebia uma saraivada de balas, ao mesmo tempo, todos saíram agachados em direção contrária à linha de fogo.

    Quando Vesgo entendeu que havia caído numa cilada quatro carabinas miravam suas costas, tentou reagir, mas uma bala certeira despedaçou a coronha de sua arma, enquanto Natalino gritava: “A próxima será em sua cabeça, levante as mãos!” Vesgo, boca dura, quis dar uma de pistoleiro ético e recusou-se falar do mandante, então, 2 camaradas amarraram o pistoleiro, jogaram-no em cima dum cavalo, uma corda foi laçada no seu pescoço e a ponta amarrada num galho de ipê amarelo, Natalino Pataxó argumentou:

        - Cabra, aqui tem 4 carabinas apontadas pra você, se quiséssemos já tínhamos lhe matado e jogado seu corpo no pasto para os urubus, porém, dou-lhe a chance de viver se disser quem mandou me matar (ele sabia...), mas se insiste vou soltar este cavalo, você sabe o que irá lhe acontecer. Vou contar até 10:

        - Um, dois, três, quatro, cinco, seis... – na casa do sem jeito, Vesgo gritou:

        - Foi seu Kinkim!!!
V

    Na manhã seguinte, Natalino abre a cancela da fazenda Angicos com 6 homens armados com carabinas engatilhadas, parabéluns pendentes nos arções da sela, peixeiras nas cinturas, numa distância prudente, Natalino Pataxó, grita:

        - Kinkim! Kinkim! Kinkim! – ele aparece com dois cabras:

        - Quem lhe autorizou você entrar em minha propriedade? – os cabras se mexeram, mas foram desarmados pelo pessoal de Natalino numa ação relâmpago...

        - A polícia! Você conhece o sargento Barreto? – Kinkim empalideceu, respondeu:

       - Não! Não tenho nada ver com a polícia, saiam de minhas terras! – O sargento não aguentou:

        - O senhor está preso!

        - Por quê?

        - Mandou assassinar Natalino Pataxó!

        - Quais as provas?

        - O pistoleiro Vesgo preso, mais dez contos de réis! – ele tentou reagir, mas o sargento tirou sua arma do coldre com um tiro.

        - Mãos pra cima, está preso!

    Cena macabra: o temido fazendeiro Joaquim Santos Almeida em cima do seu cavalo com os punhos atados, desarmado, seus asseclas atrás, sete carabinas prontas para qualquer eventualidade, cavalgavam lentamente em direção ao Vargito. Começava, ali, a Lei dos homens ser cumprida naquelas terras do sem fim.



Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Foto: Google

Manolo - R. Santana

 


Manolo - R. Santana

Manolo conheceu Laika em uma praça não muito distante de sua rua. Não foi amor à primeira vista, ela resistiu, adiou encontro, argumentou compromisso, passeou com outro em sua rua para dissuadi-lo, mas Manolo não desistiu, conquistar Laika passou ser obsessão, questão de honra, como “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, assim, conseguiu conquistá-la. Algum tempo depois, veio-lhe a recompensa: “onde ele vai, ela vai atrás”, um nasceu para o outro e ambos nasceram para o mundo, todos dizem que ela é igual chiclete, grudou nele para não mais sair.

Ultimamente, eles vivem num perrengue de dar dó, se comem de dia, não comem de noite, mas se conformam, porque, tem um ao outro, situação ruim que se dane, acreditam que depois de uma noite tempestuosa, poderá vir dia de sol, o importante, eles estarem vivos e felizes, o resto que se lixe! Se não fosse pelo apego de Manolo por uma amizade antiga, eles não estariam mais naquela rua, naquele bairro, naquela cidade.

Laika alimenta deixar descendente, seria desperdício passar por esse mundo e não gerar outro ser que lhe fosse semelhante no físico e no coração, mais no coração que no físico, ainda mais por ter um companheiro bonito, bondoso e corajoso quanto Manolo, portanto, sua prole seria bem-vinda se não fosse a resistência de seu macho em evitar outro serzinho, pelo menos, enquanto eles não tivessem casa própria e comida sem sacrifício.

Manolo nasceu bravo, mas dócil e fiel, aliás, fidelidade é seu traço maior, enquanto Laika é brava, delicada, porém, menos fiel. Se não fosse a dureza de atitude do seu companheiro, ela já estaria nas garras de outro macho, porém, ele é prestimoso, fiel e carinhoso e, ela foi ficando e ficou.

Naquele dia, ambos estavam inquietos, irritados, nervosos, com feelings aguçados, sentiam que algo estava para acontecer. Perguntavam: - o quê? Mas, não obtinham resposta. Se fosse bom, seria bom para ambos, se fosse algo mau, o mal seria, também, para os dois. Laika só tinha medo de algo que lhe separasse de Manolo, preferia morrer! ...

À noite, cedo foram dormir, às 2 horas do outro dia, acordaram com o perigo...

[...]

Naquele dia, também, Danilo Moretti não pregou os olhos logo, pensava em sua vida, o destino que lhe trouxe até ali há 30 anos, com a mesma a força que as ondas agitadas do mar empurram as coisas para costa.

Naquela época, jovem, bancário de banco do governo e a cara metade, médica, boa situação financeira, dois pirralhos de 4 anos e 6 anos de idade e uma pirralha de 3 anos de idade, foi obrigado deixá-los, tangido pela droga. No início, ele usava cocaína e outras drogas de rico e quando a mulher o expulsou de casa por não aguentar mais aquela situação de vício, ele saiu da cidade, tornou-se morador de rua, pedinte, mudou de cocaína para maconha e da maconha para pedra de crack e o inferno lhe acolheu em vida.

Acostumou-se com a miséria e a falta de identidade. Naquele submundo ninguém tinha nome, mas apelido, de “Danilo Moretti” passou ser conhecido por “Lopeu”, desconhecia a origem do apelido e quando alguém lhe questionava o significado, ele respondia rindo que deveria ser corruptela de “Lopes”, se não fosse, nenhuma importância faria para o outro, continuaria Lopeu.

Na rua, não aprendeu roubar nem matar pra roubar, resquícios morais de antes não tinham desaparecido do seu ser, não tinha natureza, preferia sustentar seu vício pela mendicância ou prestar um ou outro serviço esporádico quando alguém lhe contratava, geralmente, lavar um carro, capinar um quintal, ajudante de pedreiro, serviço sem qualificação nem carteira profissional assinada. Não criava limo no lugar, não criava vínculo com o outro, quando acontecia, ele mudava de rua e de cidade.

Gostava mesmo, era de perambular aqui, ali, acola, saco nas costas cheio de apetrechos pessoais, comia onde lhe desse e dormia onde lhe parecesse seguro com seu cachorro que pra completar tinha arranjado uma fêmea pra lhe seguir.

O cachorro surgiu em sua vida não sabe como, amor à primeira vista, lhe matou a fome um dia, no dia seguinte continuou e continuou sempre, ambos tinham natureza de andarilho, jamais eles se separariam, pois se completaram no infortúnio da vida.

Às vezes, aparecia algum curioso para lhe bisbilhotar o passado, Danilo Moretti pouco falava ou nada falava, quando incitado, dizia que o passado fechou a porta e jogou a chave fora.

Foi internado duas vezes por overdose, da última vez, passou 6 meses numa casa de apoio do governo, tomou vergonha na cara e, determinado, abandonou o vício.

À noite, cedo foram dormir, às 2 horas do outro dia, acordaram com o perigo...

[...]

Sexta-feira 13, mês de abril, deste ano, às 2:00 horas, a luz do poste entrava pelas frestas do barraco, quando Danilo Moretti é acordado com chutes no traseiro. Dois sujeitos exigiam-lhe que ele desse conta de uma mochila, aturdido pela hora e pelo sono, ficou sem saber lhes responder de imediato, o mais moço dos indivíduos e mais inconsequente, sacou uma arma e o ameaçou:

-Vagabundo, que é de a mochila?

- Mas... não... sei lá!

- Não se faça de desentendido, seu maluco!

- É o primeiro dia que pernoito neste barraco, rapaz!

- Se não me devolver a mochila, é o primeiro dia e o último, seu doido!

- Vai procurar sua mochila onde perdeu, saia que quero dormir...

- Eu vou contar de 1 até 10, se você não abrir essa matraca, vou estourar seus miolos! – na iminência do perigo, Danilo Moretti ergueu-se rápido e tomou distância segura do indivíduo, enquanto ele contava com o revólver apontado:

- Um, dois, três... – Danilo Moretti deu um grito:

- Manolo! - o cachorro num átimo de tempo abocanha o punho do sujeito com tal força que o revólver cai no chão, enquanto, Laika pula com igual agressividade e firmeza no pescoço do outro marginal. Os homens sob o domínio dos cachorros gritam:

- Socorro! Socorro! Socorro!...

Danilo Moretti, com o revólver em punho, chama os cachorros e os homens com ferimentos lastimáveis no antebraço, peito e pescoço, são atendidos pelo SAMU, escoltados pela polícia, foram para o “Pronto Socorro” e, levados depois para delegacia e aguardarem audiência de custódia. Na saída, o oficial comandante recomendou:

- O senhor vá dormir, amanhã cedo, vá à delegacia do bairro!

Depois do furdunço, salvo dos marginais pelos seus cachorros, Danilo Moretti passou refletir e achou estranho que os meliantes, em nenhum momento, fizeram alusão à mochila, ele também, não a aludiu, preocupou-se em defender os cachorros, que agiram com agressão para lhe defender da morte, por isto, prometeu a si, procurá-la, assim que a noite se fosse.

Pelo sim, pelo não, teria que sair dali no outro dia, pois os elementos não ficariam detidos por muito tempo, foram mais vítimas do crime, portanto, eles voltariam para encontrar a cobiçada mochila.

 
[...]

Naquela manhã, Danilo Moretti apresentou-se à delegacia de polícia para colocar em pratos limpos a tentativa de morte que foi vítima à noite. No início, houve uma certa resistência dos assessores encaminhá-lo ao delegado, de saco de aniagem, roupa velha e chinelos, não era bom cartão de visita em nenhum lugar, mas quando o doutor delegado soube que ele tinha colaborado para aqueles meliantes da noite fossem detidos, fê-lo entrar:

- Senhor Lopeu, como tudo aconteceu? - Explicou ao delegado que estava dormindo e foi surpreendido com chutes no bumbum e ameaças de morte se ele não desse conta de uma ”mochila”. Disse-lhes que não sabia, que estava ali àquela noite, uma alma boa lhe tinha dado o barraco para morar enquanto não fosse construir, daí o rapaz mais moço e mais agressivo, sacou de um revólver e o ameaçou, na casa do sem jeito, deu voz de comando aos seus cachorros, foi salvo e apreendeu a arma que foi entregue aos policiais. Findo o relato pelo mendigo, o delegado voltou-se para um homem bem vestido que parecia esperar o desfecho daquela conversa:

- Doutor, acho que neste caso aplica-se o adágio popular: “ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão”. Ele roubou do senhor, alguém roubou deles, agora, os esforços da polícia serão muito mais para recuperar os seus bens. Qual o valor estimativo, hoje, do roubo?

- Bem... não sei....talvez...acho que... uns R$ 500.000,00 (Quinhentos mil reais), uma parte em dinheiro, outra parte, em joias, portanto, um prejuízo...

- Doutor José Maria, irei colocar mais gente na rua até descobrirmos o paradeiro dessa fortuna. Amanhã, eles terão uma audiência de custódia. Quem sabe se eles não darão informações mais precisas ao excelentíssimo juiz? – o mendigo cheio de dedos, pediu ao delegado um aparte:

- Doutor, depois que os rapazes foram presos, procurei a dita mochila ao amanhecer e a encontrei embaixo de Laika. O motivo de minha vinda, hoje, aqui, foi para lhe entregar essa mochila, não sei o que há dentro, mas deve ser o produto do roubo – tirou a mochila do saco de aniagem e a entregou ao delegado.

- Doutor José Maria, olhe seus pertences!

A euforia foi geral, Lopeu foi abraçado e agradecido, várias vezes, pelo Dr. José Maria. O delegado quis conhecer sua história de vida. Achou-o muito articulado e inteligente para um mendigo. A mídia foi informada do gesto do mendigo e a honestidade do mendigo virou notícia.

 
[...]

- Filho, é o seu pai!

- Mas mãe, esse mendigo é muito velho, pra ser o nosso pai. Com quantos anos, ele está hoje?

- Ele deve estar com 56 ou 57 anos...

- Então, esse aí deve ter 65 anos ou 70 anos de idade, ademais, chama-se Lopeu!

- Meu filho, o desleixo avilta. Dê-lhe um banho de loja, faça-lhe a barba e o cabelo, e, não será mais chamado de “Lopeu”, mas de Danilo Moretti!

- Duvido!...
[...]

- Manolo, a TV marcou uma entrevista comigo às 16 horas, não sei o que eles querem, já lhes disse que não quero aparecer, fiz a minha obrigação, nada mais... não é Manolo?

Silêncio...

Às 16 horas, daquele dia, na praça do bairro, Moretti barbeado, cabelo feito, roupa e sapatos novos - patrocínio da TV e empresários – e, um aparato de câmaras, cabos-mans e entrevistador, Danilo Moretti na berlinda, era o centro das atenções de curiosos que passavam e de muitas outras pessoas:

- Quanto tempo o senhor mora na rua?

- Há 30 anos!

- E, sua família?

- Desde essa época, não temos contato!

- Seu nome é Lopeu?

-Sim!

- Chama-se Danilo Moretti, não é?

- Ele morreu...

- Foi? Para as pessoas que vieram lhe ver, não!

- Quem veio me ver?

- Olhe para traz...

Moretti ficou pasmo, num primeiro instante, reconheceu a ex-mulher e deduziu que as demais pessoas eram os seus filhos. O mais velho dos três não negava sua paternidade pela semelhança, os outros dois filhos pareciam com a mãe, mas tinham muito do pai.

Choros, abraços e beijos marcaram o reencontro.



Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Imagem: Google












Feira Livre - R. Santana

 


Feira Livre - R. Santana

São Caetano


     A feira livre é a maior expressão de cultura popular. A feira livre tem literatura de cordel, grafiteiros, CDs e DVDs de todos os cantores, de todos os gêneros, além de DVDs de histórias infantis vendidos nas barracas: Chaves, Chapolin Colorado, Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, Os Três Porquinhos, Pinóquio, Rapunzel, Frozen e todas as histórias dos irmãos Grimm, filmes policiais, cowboys e filmes românticos.
     A feira livre do São Caetano, bairro da cidade de Itabuna, talvez, seja a maior feira livre do interior da Bahia, mais que as feiras de Alagoinhas, de Feira de Santana, de Santo Antônio de Jesus, de Vitória da Conquista, pois ela é permanente, de Segunda-feira a Domingo, inclusive, feriados e dias santos.
     A feira livre do São Caetano, certamente, não é maior do que a Feira Central de Campina Grande, nem a feira livre de Caruaru, a maior feira ao ar livre do Brasil, mas tem tudo pra chegar lá.
     A feira livre são-caetanense está situada numa área de mais de 20.000 m², suas bancas e barracas são distribuídas pelas ruas: Cosme Damião, São João, Potomiano, as transversais, e, a praça Dr. Simão Fiterman. Ela possui uma área coberta com estrutura de zinco e “metalon galvanizado”, onde ficam os restaurantes, os bares, os pequenos frigoríficos, os açougues, as mercearias, as barracas de farinha e, no entorno, lojas de roupa, mercados, lojas de calçado, armarinhos e oficinas de conserto e venda de celulares e acessórios eletrônicos.
     Os feirantes de frutas e verduras usam ao longo das ruas para distribuir suas bancas. Ali, o fereiro encontra tomate, berinjela, abobrinha, pepino, pimentão, manga, morango, açaí, jaca, mamão, coco verde, coco seco, todo o tipo de banana, limão mirim, limão rosa, todo tipo de laranja, pera, uva, maçã, jambo, etc.
     A quantidade de verduras e legumes é grande: brócolis, cará, couve, feijão, jiló, maxixe, nabo, salsa, alho, cebola, cebolinha, mostarda, taioba, salsão, repolho, espinafre, grão-de-bico, lentilha, milho verde, amendoim, quiabo, cenoura, batata doce, batatinha, aipim, inhame, rúcula, agrião, e, um sem número de verduras e legumes.
     As barracas de bolo de aipim, de puba, de beiju, de milho, doces e guloseimas saciam os pirralhos. Os adultos preferem as frituras: os pasteis, os quibes, as coxinhas e batatas fritas e acarajés. Ali, na feira livre do São Caetano, não faltam sucos de acerola, de limão, de laranja, caldo de cana e água de coco.
     Quando é meio-dia, os empregados de lojas e mercados vizinhos correm para os restaurantes da feira livre caetanense e existe ali uma variedade de comidas para todos os gostos e preços. Claro que no cardápio não há filé mignon assado ou à parmegiana, mas carne no feijão, farofa amanteigada, dobradinha, ensopado, carne suína, carne de carneiro, feijão tropeiro, churrasco, caldos, arroz e macarrão.
     Nos dias de sábado e domingo, a frequência é de mais de 10.000 fereiros, do centro da cidade itabunense, de outros bairros, de outras cidades, de quando em vez, turistas de outros estados ou de outros países. O enxame de gente é grande. Quando a feira é pra perto, usa-se a galinhota como meio de transporte, quando a feira é levada para outros bairros ou o centro da cidade, o fereiro mais aquinhoado usa o automóvel e o pobre vai de buzu.
     A partir de Sexta-feira, as entradas das ruas e as transversais são fechadas por bancas de pequenos agricultores que descem de suas roças em animais com caçuás repletos de verduras e frutas, alguns alugam camionetes porque grande é a quantidade de produtos agrícolas.
     As donas xepas deixam para ir à feira livre quando restou, somente, ao feirante, sobras de verduras ou de frutas e a queda dos preços se faz necessária, segundo a “Lei da Oferta e da Procura”, os produtos não perecíveis, a exemplo de farinha, do coco verde, do coco seco, dos óleos de coco e dendê, as carnes acomodadas em frigoríficos, as carnes salgadas e alguns cereais não vão à queima, ficam para final de semana vindoura ou vendido durante a semana.
     As carnes são variadas: carne fresca de boi, carne de frango in natura, frango e galinha caipira vivos, carne de porco, carne de carneiro, dobradinhas, caças, jabá e carne-de-sol, além de peixes de todas espécies, caranguejos, camarões e pitus.
     Os furtos e os roubos não prosperam, embora os produtos sejam cobertos por lonas plásticas e amarrados em suas bancas com cordas de “nylon”, de segurança vulnerável. Porém, a organização do feirante mantém vários vigilantes armados que rondam a feira livre toda noite, impedindo assim, as ações de meliantes.
     O fato de barracas fixas, pouco e pouco, elas são usadas como moradia e lugar de perdição, corrupção e vícios.
     A feira livre são caetanense não é contemplada como deveria ser com medidas efetivas do governo municipal de saneamento (fica à beira de um canal de esgotamento sanitário), limpeza e organização: o canal urge cobertura, a limpeza deveria ser diuturna, as barracas padronizadas, fiscalização e normas duras de higiene com o objetivo de evitar os desleixos e a falta de consciência comunitária da maioria dos feirantes.
     Enfim, mazelas corrigidas, a feira livre do São Caetano, bairro itabunense, é a maior e mais atrativa do interior baiano, lá tem tudo, não levará tempo, o fereiro aquinhoado irá encontrar “stands” de venda de carrinhos de bebê, de motos, de bicicletas, de automóveis, de tratores e caminhões.

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro efetivo da Academia de Letras de Itabuna
Licença: Creative Commons

Imagem: Prefeitura notifica feirantes no São Caetano

para novos dias e horários

Foto: Gabriel de Oliveira


“Quem semeia ventos, colhe tempestades” - R. Santana

 


“Quem semeia ventos, colhe tempestades” R. Santana

“Quem semeia ventos, colhe tempestades”
R. Santana

Eu fico aqui no meu canto, chorando os meus prantos... Não sou dono da verdade, se tivesse a verdade comigo, quem iria me ouvir, quando o país é tomado de comoção pelos últimos acontecimentos e todos os ouvidos estão moucos? Não que como ser humano, também, não fui tomado dessa perturbação coletiva, porém, far-se-á necessário colocar os pingos nos ii, separar o joio do trigo, para que a cultura do ódio não substitua o bom senso, a amizade, o altruísmo, a filantropia e a boa índole do povo brasileiro.
Nenhum ser humano, por mais que não gostemos de suas convicções políticas ou religiosas, merece a violência física ou moral, o crime não justifica o desatino de ninguém. Atitudes politicamente incorretas devem ser combatidas com o diálogo, o exemplo e a lei: “A força do direito deve superar o direito da força”.
O argumento da força, deve ser contrariado pela força do argumento, quando falta argumento ao indivíduo limitado intelectualmente, ele recorre à grosseria, à violência.
A História está repleta de desastres nacionais pela comoção irrefletida de algumas nações, a exemplo, o incêndio do “Reichstag” alemão em 1933, levou o povo estabelecer a Alemanha nazista, Hitler, Franco, Mussolini, a II Guerra Mundial, 50 milhões de vítimas fatais, vitimou 6 milhões de judeus, Hiroshima, Nagasaki, e a divisão do mundo em comunistas e capitalistas, portanto, a comoção coletiva, às vezes, destrói os princípios mais nobres de um povo.
O próximo dia 07 de outubro do ano em curso não deverá passar para nossa História como “Dia da Insensatez” pelo fato dos últimos acontecimentos. A escolha do presidente do país, deve pesar além de sua qualificação pessoal, profissional, experiência administrativa, vida pregressa ilibada, que, também, ele seja humilde, solidário, modesto e humano. O povo não necessita de heróis megalômanos de ideias radicais desumanas, extravagantes e preconceituosas, mas de um sujeito centrado e sensível aos reclames dos desassistidos da vida.
Neste momento, gostaria de poder amenizar a dor e o sofrimento físico do senhor Jair Bolsonaro, mas jamais comungar com suas ideias preconceituosas, discriminatórias, que faz apologia do “olho por olho, dente por dente”, da pena de morte, que seu livro de cabeceira é: “A verdade Sufocada”, ou, Rompendo o Silêncio”, do coronel Ustra, ex-chefe supremo do DOI-CODI, remanescente dos porões do regime militar e discricionário de 1964, morto em 2015.
Custa-me acreditar que pessoas inteligentes, intelectuais e pessoas pensantes da nossa comunidade, sejam contaminadas por ideias retrógradas, herança do atraso, de um tempo distante e empunhe a bandeira política de Bolsonaro com todas as paixões, até, comprometendo velhas amizades. Ademais, um candidato que não entende de economia e nomeia, a priori, seu ministro da Fazenda, um banqueiro, o senhor Paulo Guedes, é como se entregar “o galinheiro à raposa”.
Nós temos, nessa eleição do dia 7 de outubro, deste ano, candidatos probos, qualificados, com experiências administrativas comprovadas, homens e mulheres de família, que honram à pátria, Deus, e sensíveis aos problemas dos menos favorecidos pelo destino.
O ato desprezível e covarde de Adélio Bispo de Oliveira ao candidato a presidente do país, o deputado Jair Bispo Bolsonaro, é um atentado ao estado democrático de direito e ao indivíduo, um crime execrável. Acredito que por detrás desse ato vil não existe mandante político ou envolvimento político partidário, é mais um daqueles casos de algum tresloucado que se diz enviado de Deus para conter a ascensão política de líderes que semeiam ideias radicais e nocivas à sociedade, principalmente, às minorias historicamente discriminadas.
É do conhecimento de todos, inclusive, dos seus eleitores de cérebro, não apaixonados, os rasgos, os ímpetos de mau gosto do ilustre candidato presidencial: “... capim para os eleitores de Lula”, “...vou metralhar a petralhada do Acre”, “... fuzilamento de Fernando Henrique”, “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”, "Eu fui num quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles", "Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria...”, “Fui com os meus três filhos, o outro foi também, foram quatro. Eu tenho o quinto também, o quinto eu dei uma fraquejada. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher”, “Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”, “O governo não faz planejamento familiar porque acha que quanto mais pobre existir melhor. Porque serão mais eleitores amarrados nos seus programas assistencialistas“, “O único erro foi torturar e não matar“, “Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas“, etc., etc., etc. Embora não justifique, mas quem semeia tanto ódio e preconceito, mexe com a cabeça maluca de muitos “Adélios”.
Quando fechava este artigo, assisti perplexo no JN, lá no “Albert Einstein”, o candidato a presidente Bolsonaro, sentado e aparentemente bem, de pijama azul e meias de compressão, ao invés de agradecer ao povo brasileiro pelas orações de saúde que lhe fez, sua mensagem foi simular com as mãos o uso de armas de fogo.
Esse Brasil de ódio e violência não quero para mim nem para os meus filhos e netos. Acho, também, que milhões de brasileiros cordatos de paz e amor não irão embarcar nessa nave em que seu principal comandante vaticina que a solução dos nossos problemas não será pelo diálogo incessante, mas aos arrepios das leis, pela truculência e arbítrio. Rilvan Batista de Santana. São Caetano, Itabuna (BA), 09 de setembro de 2018.
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 09/09/2018

Mulher não nasceu para sujeição - R. Santana

 

Mulher não nasceu para sujeição - R. Santana
 

O voto é pessoal e intransferível, é ato de vontade, é ato de cidadania, manifestação democrática que exercemos como instrumento de mudança, de desenvolvimento do município, do estado, do país, principalmente, para fortalecer as nossas instituições políticas e jurídicas. A omissão do voto e a alienação política não contribuem para melhorar o nosso pais, temos que votar para o aperfeiçoamento político, que escolhamos o menos pior para representar-nos no legislativo ou no executivo. Todavia, o voto tem que ser refletido, não uma “Maria vai com as outras”, o postulante a qualquer cargo deve ter compromisso claro com as políticas públicas de interesse da comunidade, da sociedade, não, somente, propostas demagogas e projetos de poder pessoal, às vezes, projetos pessoais escusos.

Não entendo como pessoas inteligentes, instruídas em várias áreas do conhecimento, empunham a bandeira do radicalismo, do preconceito, da violência, da aversão às minorias, enfim, do atraso social. Acho que é desespero, pessoas que não acreditam mais no processo político vigente nem nos políticos atuais, no homem. Faz algum tempo, um caçador de marajá de Alagoas, propôs moralizar o Brasil, acabar com a corrupção, a inflação, acelerar o desenvolvimento privado e público, colocar o país entre às nações do primeiro mundo, não demorou muito tempo, ele confiscou o dinheiro do povo e terminou “impeachado” por corrupção, arrogância, incompetência administrativa, ignorância em política econômica e, manter uma eminência parda nos negócios do estado.

Mais de 25 anos depois, a história se repete, as forças políticas descontentes com “status quo” atual e apoiam um candidato radical, com ideias nazistas e fascistas, despreparado, que há 30 anos mama nas tetas do governo, ele e a família, todo período de legislador federal, ele não conseguiu, sequer, aprovar um projeto de interesse do brasileiro menos aquinhoado.

Na época de Collor de Melo, justificava-se o interesse das mulheres votarem num candidato galã, jovem impetuoso, a encarnação política tupiniquim do “Superman”, do “Homem de Ferro”, do “Capitão América”, do “Hulk”, do “Thor”, e tantos outros heróis do cinema, que ele iria resolver todos os problemas existenciais do homem brasileiro.

Hoje, não mais existe herói, o candidato “salvador da pátria” é um herói às avessas, um machão declarado, um preconceituoso, que a mulher serve pra procriar, do lar, deve ganhar salário menor que o homem porque engravida e não deixar seu parceiro “fraquejar” no sexo pra não parir fêmea, que promete dar ao seu filho uma educação nos mesmos moldes machão, uma educação radical, ao invés de lhe oferecer um livro de Saint-Exupéry, oferece-lhe um livro do coronel Ustra.

Não entendo as mulheres que não têm discernimento político necessário para separar o joio do trigo, que não têm autoestima, que não se dignam, que não valorizam sua cidadania, que não entendem seu desígnio da maternidade, que não é sujeito de sujeição, que se deixa ficar atrás do homem e não ao seu lado, que patriarcado e matriarcado não existem mais, mas uma sociedade de amor e interesses comuns sem prejuízo do indivíduo.

Por isso, custa-me acreditar que a mulher contemporânea do nosso país, vai aderir um candidato presidenciável com o perfil do provérbio árabe: “Vez por outra dar uma surra na mulher é algo saudável: tu podes não saber por que estás batendo, mas ela sempre sabe por que está apanhando...”, portanto, lamento pelas mulheres que não têm consciência de sua importância na sociedade moderna e ainda é ser de sujeição e baixa autoestima.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons



Caiu a máscara de Bolsonaro - R. Santana

 


Caiu a máscara de Bolsonaro - R. Santana
 
Meu amigo (a):

A máscara de pai da moralidade, representante máximo dos bons costumes e guardião da família brasileira do Sr. Bolsonaro, foi ao chão! Um processo movido por sua ex-mulher veio à tona esta semana pela revista Veja. Nesse processo de 2008, da 1ª. Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ela o acusa de renda superior ao que ele recebia como militar da reserva e deputado federal, ocultação de patrimônio e renda à Receita Federal, roubo de cofre, ameaça de morte, disputa truculenta pela guarda do seu filho mais novo e, teve que fugir para Noruega...


Hoje, Ana Cristina Valle poderia ter um papel tão relevante quanto Thereza Collor e Pedro Collor na História do Brasil, todavia, sua ambição política foi maior do que, agora, seu discutível bom caráter, além de desmentir o documento que ela gerou, é candidata à câmara federal com o nome de “Ana Cristina Bolsonaro”. Será que essa oportunista, de caráter duvidoso, se elegerá? Não acredito que o povo carioca seja tão incauto!
Além das mazelas familiares desse cidadão que vieram ao público esta semana, o candidato a presidente, Jair Messias Bolsonaro, teve que lidar com seu franco atirador político, seu vice, o general Antônio Hamilton Mourão, criticou o 13º salário e adicional de férias e, atribuiu aos meninos desajustados das periferias à má criação de suas mães e avós. Se algum desavisado questionar que vice é vice, não manda, lembro-lhe que de Tancredo Neves pra que cá, três vices tornaram-se presidentes, portanto, o vice é um potencial presidente efetivo.
Por isso, não compreendo quando homens inteligentes, poetas, escritores, profissionais liberais, homens e mulheres do povo, empunham a bandeira de um candidato a presidente despreparado, falso moralista, preconceituoso, mulher tem que ganhar menos porque é parideira, candidato da bala, que durante 28 anos de deputado federal não fez nada, a família enriqueceu, ele enriqueceu, os filhos são políticos e têm cargos eletivos, enfim, todos mamam nas tetas do governo há anos e o povo paga suas contas.
Não defendo partido nem candidato, somos cidadãos livres, cada cidadão defende seu candidato de acordo sua consciência política, porém, não devemos no desespero, eleger falsos salvadores da pátria, lobos com pele de cordeiro, honestos duvidosos, homens de interesses inconfessáveis e promotores de ideias atrasadas que não se coadunam mais numa sociedade moderna.

Ele Não!!!

Atenciosamente, Rilvan Batista de Santana. São Caetano, Itabuna (BA), 29.09.2018


Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 29/09/2018
Alterado em 30/09/2018

A mentira Bolsonaro - R. Santana

 

A mentira Bolsonaro - R. Santana
 
O 1º. turno da eleição de 2018, encerrou-se no último domingo, dia 7 de outubro. O povo deu uma demonstração de maturidade política, mandou para casa políticos históricos da câmara federal e do senado: a renovação foi significativa. Partidos nanicos, hoje, têm assento nas 2 casas e, dos 10 candidatos presidenciáveis, sobraram Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A preocupação de Haddad é o social, a reforma tributária, reduzir os juros dos bancos, aumentar o consumo e o investimento. Respeitar a Constituição de 1988, aprofundar a democracia e cuidar do pobre, são propostas básicas de seu eventual governo. Haddad se preparou ao longo da vida para assumir a responsabilidade de dirigir um país continental como o nosso: acadêmico, advogado, especializou-se em Direito Civil, Mestre em Economia e doutor em Filosofia, professor de Teoria Política da USP, além de ex-prefeito da cidade de São Paulo e ministro da Educação por 7 anos.

Jair Bolsonaro serviu ao Exército Brasileiro de 1971/1978, especializou-se em paraquedismo e foi para reserva como capitão. Esteve envolvido em vários problemas de indisciplina e foi preso por algum tempo. O coronel Alfredo Pellegrino, o definiu: “Bolsonaro tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado aos seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”. Foi eleito vereador do Rio de Janeiro de 1989/91, hoje, ele está no 7º. mandato de deputado federal.

Bolsonaro é uma mentira, surgiu na esteira da insatisfação política do povo brasileiro que deseja passar o país a limpo da corrupção, da economia esfacelada, da violência e a solução dos problemas da educação, da saúde e do desemprego, porém, seu medíocre desempenho como deputado federal, durante 30 anos (nunca aprovou um projeto significativo), não o credencia para o mais alto cargo eletivo do país. Seguramente, ele não tem qualificação intelectual, administrativa e política para lidar com o Congresso Nacional.

O trabalho de Bolsonaro será desconstruir seu passado de autoritarismo, apologia da violência, preconceito com negros, gays, índios e nordestinos, além de partidário do conceito que a mulher profissional deve ter um salário menor porque é parideira.

Lamento que o povo ainda não se deu conta da mentira Bolsonaro! E, agredindo o pensamento lógico, eleja, neste momento, um candidato com ideias fascistas para governar um pais duma sociedade de cidadãos solidários, bons e de paz.

Para justificar a mentira Bolsonaro, permita-me caro leitor que analisemos, abaixo, didaticamente, a incoerência de suas ideias com a vida pregressa do candidato que lobo, traveste-se com pele de cordeiro para enganar o povo:

1. Família – Ultimamente, ele se apresenta como guardião dos bons costumes e valores inalienáveis da família, mas na vida pessoal, ele está no 3º. casamento, sempre troca a mulher velha pela nova, 5 filhos de 3 mães diferentes, 4 filhos homens e numa “fraquejada” veio uma mulher;

2. Religião – Não se duvida a fé do candidato, é coisa de foro íntimo, porém, neste momento, aliou-se aos principais dirigentes das igrejas evangélicas que historicamente, eles e suas famílias enriqueceram espoliando e explorando a boa-fé religiosa de um povo incauto e sofrido, ele usa a máxima imoral de Maquiavel: “Os meios justificam os fins”;

3. Democracia – Quem defendeu o regime militar ditatorial de 64, o autoritarismo e o famigerado coronel Ustra, falar de democracia, é uma falácia retórica, é subestimar a inteligência e a memória do povo;

4. Preconceito – É repetir o desrespeito que o candidato Bolsonaro tem pelas minorias e não reconhecer a sociedade plural que vivemos;

5. Moral e ética – Quem aceita auxílio moradia, legal, mas imoral para quem tem casa própria. Além de ter sido acusado por sua ex-mulher na revista Veja em processo de 2008, 1ª. Vara da Família do Rio de Janeiro, onde ela o acusou de renda superior ao que ele recebia como militar da reserva e deputado federal, ocultação de patrimônio e renda à Receita Federal, roubo de cofre, ameaça de morte e disputa truculenta pela guarda do seu filho mais novo e, ela teve que fugir para Noruega...

Alea jacta est, agora, se vota num ou noutro ou não se vota em nenhum, porém, um dos dois candidatos, será eleito o presidente do Brasil para os próximos 4 anos.

Enfim, não defendo partido nem candidato, somos cidadãos livres, cada cidadão defende seu candidato de acordo sua consciência política, porém, não devemos no desespero, eleger falsos salvadores da pátria, lobos com pele de cordeiro, honestos duvidosos, homens de interesses inconfessáveis e projeto de poder familiar, promotores de ideias atrasadas que não se coadunam mais numa sociedade moderna. Rilvan Batista de Santana – São Caetano, Itabuna (BA)
 
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 09/10/2018
Alterado em 09/10/2018

ALITA! Ó ALITA! Que foi feito de ti? - R. Santana

 

ALITA! Ó ALITA! Que foi feito de ti? - R. Santana

A  ALITA foi fundada em 19 de abril de 2011, numa das salas da FICC, 16 homens e mulheres ali reunidos com o objetivo comum de fundar uma entidade que preservasse a história dos amantes das letras e das artes de Itabuna e região, ao mesmo tempo, que essa chama do conhecimento e do saber fosse perene e novos valores fossem incentivados.
Naquele dia, foi eleita por assentimento uma diretoria. O Regimento e o Estatuto foram feitos em tempo recorde, pois dentre os membros da nova diretoria, havia gente de saber jurídico relevante, a exemplo de Marcos Bandeira, Gustavo Fernando Veloso, Antônio Laranjeira, Eduardo Passos e, intelectuais de escol: Ruy Póvoas, Lurdes Bertol, Dinalva Melo e Genny Xavier, dentre outros que a memória não me ajuda lembrá-los.

O primeiro presidente da ALITA, o juiz (não ex-juiz, porque quem foi rei continua majestade), Marcos Bandeira, ele tornou de fato e de direito os acadêmicos da ALITA na Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. Foi um evento memorável com a presença do presidente da Academia de Letras da Bahia – ALB, o escritor Aramis Ribeiro Costa. Quase todos acadêmicos compareceram e foram empossados.

Eu fui seu primeiro tesoureiro, arrecadei a taxa de contribuição mensal dos acadêmicos com determinação e lisura, junto com o presidente, conseguimos contratar um buffet e a festa de posse dos membros da nova academia foi regada com champanhes, refrigerantes, vinhos, cervejas, doces e salgados. Há quase 8 anos, lembro-me que o custo da festa excedeu mais de R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Com organização e critério, pagamos todas as despesas sem necessidade de recorrer aos gestos filantrópicos dos acadêmicos.

Com o afastamento, por motivos particulares, do juiz Marcos Bandeira da presidência, a entidade começou a degringolar, porque assumiu a presidência da ALITA a juíza e professora da UESC, Sônia Maron. Senhora séria, de vida pregressa ilibada, porém, de temperamento autoritário, racional, pouco dada às discussões contraditórias e, pouca sensibilidade para compreensão e aceitação das diferenças individuais de seus pares, ou seja, pessoa mais de confronto do que de consenso. Sua falta de habilidade para o dissenso foi gritante que, poucos dias que assumiu a presidência da ALITA, advertiu protocolado um membro fundador da entidade por manifestar desconforto administrativo com privilégios para alguns em detrimento de outros, algum tempo depois, por motivos quase idênticos, urdiu com outros membros um “Termo de desagravo” em jornais e sites de literatura da cidade para o mesmo membro.

Faz-se necessário esclarecer, por justiça, que Sônia Maron não foi a única responsável pelo estado de inércia que se encontra a nossa academia de letras itabunense, o escritor Cyro de Mattos, também de temperamento autoritário e intolerante, talvez, foi o mais nocivo para desenvoltura e reconhecimento da ALITA na comunidade desde sua fundação, como poeta e escritor reconhecido aqui e lá fora, usou esta condição para formação de um “establishment” para influenciar e decidir todas as ações e decisões acadêmicas – indicou e aprovou a maioria relativa dos membros da entidade, formou diretorias e controlou a revista e o site ao seu bel-prazer sempre.

A superioridade de Cyro de Mattos na entidade literária itabunense foi/ou é que, no final do mandato de Sônia Maron na presidência da ALITA, ele indicou e elegeu para substitui-la, a coordenadora do “Memorial Adonias Filho”, professora Silmara Oliveira, que trabalha e reside em Itajuípe. Aqui, não se coloca em dúvida sua capacidade administrativa e seu mérito pessoal, mas a inconveniência dela residir e trabalhar noutra cidade, não ser conhecida na comunidade itabunense e não possuir livre acesso às autoridades políticas e administrativas de nossa cidade.

Cyro de Mattos tornou-se ao longo desses anos, o Mecenas da ALITA, jornalistas e comunicadores que prestigiaram sua literatura de alguma forma, foram presenteados com o título notável de acadêmico alitano, contrariando o Estatuto da entidade que diz: “Art. 2º - Só pode ser membro efetivo da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário. As mesmas condições, menos a de nacionalidade, exigem-se para os membros correspondentes”.

O objetivo deste artigo não é denegrir a entidade ou pessoas, mas chamar a atenção de outros membros para tirar a academia da letargia que se encontra: site desativado (com prejuízo do seu arquivo e a divulgação de novas produções), projetos inexistentes, salvo, o incipiente “Roda de Leitura” que está nas escolas de ensino fundamental, nenhum estímulo às novas produções de seus membros, nenhuma ação política para reconhecimento de entidade de utilidade pública e a democratização da revista “Guriatã”, hoje, só os apaniguados de seu diretor, têm ali, seus textos publicados.

É lamentável, depois de uma consulta, a resposta que tive da direção atual da ALITA: “Não estamos tendo reuniões. Por motivo de força maior, estamos inativos este ano. Só estamos trabalhando no “Roda de Leitura” em várias escolas e na biblioteca municipal, com ótimos resultados! O site está com problema e a Raquel está tentando resolver”.

Quero enxertar neste texto, parte de minha crônica publicada no Saber-Literário e no site Recanto das Letras, em 17.09.2015, com o título: “Academia”. Nessa data, discorri embasado num livro de Jorge Amado: “Farda, fardão, camisola de dormir”, que as futricas, as intrigas, a política acadêmica e os egos inchados que permeiam a vida dos imortais da ABL e, conclui:

“A academia é a entidade que preserva para sempre o melhor pensamento intelectual de cada época, por isto, diz-se que os seus membros são “imortais”, ou seja, sua obra não morre. Mas, com a proliferação dessas entidades (a cidadezinha mais remota do país tem sua academia), a produção intelectual dá lugar à importância social, econômica e política dos seus membros na comunidade, aí, não se tem um pensamento intelectual refinado, mas uma academia de notáveis sociais”.

Hoje, tenho registro da “União Brasileira de Escritores – UBE”, que me orgulha e agradeço a Deus, as condições de saúde física e mental que Ele me deu para receber essa honraria, todavia, nunca me encontrei como escritor, eu sou apenas, um amante das letras e da arte de escrever. Quando recebi o telefonema do preclaro juiz Marcos Bandeira (não o conhecia pessoalmente), para fazer parte da nova academia de letras itabunense que se fundava, fiquei contente que nem “pinto no lixo”, custou-me acreditar merecedor de tamanha distinção, por isto, não me conformo com o destino menos histórico que algumas pessoas querem dar à Academia de Letras de Itabuna – ALITA. Abaixo, transcrevo “ipsis litteris”, as palavras de um dos seus mais insignes fundadores:

“Essa é a Academia de Letras de Itabuna - ALITA, que nasceu para agigantar-se com seus fundadores e integrantes plugados na sensibilidade e focados no futuro em direção à ocupação dos espaços literários - homens e mulheres, que aceitaram o desafio de construir no presente o que lhes for possibilitado para honrar ao povo dessa terra grapiúna”. Autoria: Rilvan Batista de Santana, São Caetano, Itabuna(BA).
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 24/10/2018

No túnel do tempo - R. Santana


No túnel do tempo - R. Santana
Itabuna, 27 de outubro de 1997.

Amigo Francisco:

Estou usando deste expediente (carta), depois de algum tempo, para falar com você, por dois motivos: primeiro, pela inconveniência de abordar um problema particular num encontro público; segundo, não irei ao seu gabinete tomar o seu tempo para abordar um problema que não tem solução e não se exige, pois, o que vou lhe dizer não passa de um desabafo.
Você me procurou, xeroxou os meus documentos, entregou-os ao Sr. Secretário da Educação (conforme sua afirmação), com o objetivo de eu ser designado para direção de um colégio estadual. Não fui designado e não estou, aqui, lamentando o desfecho, lamento a falta de consideração, o descaso pelos sentimentos das pessoas amigas, que sempre estiveram empunhando a atual bandeira política, senão, integralmente (não havia parceria), porém, sempre com a mesma coerência há mais de 20 anos.
Depois de algum tempo, as pessoas ainda me perguntam pela malfadada direção com sutil gozação, porque alguém teve o mérito de espalhar a notícia para meio mundo, inclusive, contrariando o seu pedido de sigilo, enquanto isso, concomitantemente, eu era “fritado” por vocês sem nenhum gesto amigo justificando minha defenestração e deixando à mercê das aves agoureiras, que, quanto maior o fracasso, maior é a revoada.
Eu sei que você não é o responsável direto por essas designações, todavia, pela sua intercessão, muitos foram nomeados para direção de importantes colégios de Itabuna (não irei citá-los por questão ética, mas a maioria de suas indicações nunca votou em Fernando ou em ACM), embasados, somente, no seu atual prestígio político e na sua vontade de prestigiá-los e, alguns deles não possuem a minha experiência profissional (desculpe-me a imodéstia), que o seu velho amigo adquiriu ao longo desses anos.
Reconheço que você sempre foi compreensivo e prestativo comigo quando estava na direção do CEI (entretanto, nunca abusei, mesmo quando minha filha estava hospitalizada e no limiar da morte), mas, não o fiz com você de modo diferente, quando eu era o diretor do CEI, sempre atendi aos seus pedidos e cheguei a contemporizar algumas reclamações de seus alunos (o professor Mateus é testemunha) com o gerente da DIREC 07, daquela época. Nunca lhe falei, não estou alegando, estou justificando, apenas, o meu descontentamento e a minha decepção, não pelo cargo que não obtive (para mim, é de somenos importância dirigir uma escola pequena e sem recursos, seria mais encargo do que cargo), porém, pela maneira que fui alijado, sem nenhuma satisfação, sem nenhum apreço.
As pessoas mudam com o cargo, como camaleão muda de cor para não ser abocanhado pelos inimigos. Veja o exemplo da minha cunhada, ela solicitou sua remoção desde Edehilda, respaldada legalmente, pois além de ter duas décadas no estado da Bahia, com bons serviços prestados à educação, reside vizinha à escola, ocorreu o quê? Você não considerou nossa amizade e designou outra professora para o seu lugar com o pretexto que a professora foi transferida de outra localidade, ao invés de aproveitar a oportunidade, se desejasse, para recoloca-las, isto é, colocar a novata na escola da minha cunhada e designar Vandi para o seu lugar de direito – se é que prevalece o direito.
Enfim, espero continuar sendo seu amigo, afinal, os cargos e as contingências políticas são circunstanciais. A amizade e o respeito mútuo devem ser preservados. Nós estamos numa democracia, em pleno estado de direito, não exteriorizar o nosso descontentamento, é hipocrisia, é covardia, mesmo quando é para nossos amigos. A “bronca” e o destempero são necessários para manter a autoestima. Eu tenho o “pavio” curto, não gosto de falsidade ou alvo de chacota, é próprio do meu caráter, franco, às vezes, eu sou incompreendido pelos hipócritas, mas sempre com probidade e lealdade aos que sou grato.


Cordialmente,

Rilvan Batista de Santana

Nota Editorial:
Esta semana, remexendo os meus arquivos, encontrei esta correspondência de 21 anos atrás: é uma carta de desabafo que fiz ao professor Francisco Carlos, naquela época, gerente da DIREC 07, Itabuna (BA).
Hoje, seu valor é estimativo, um documento histórico de 21 anos, que se fosse expedido por uma pessoa desorganizada, seu destino seria o lixo, mas gosto de guardar todas os meus documentos expedidos e recebidos.
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 28/11/2018

Alterado em 28/11/2018 

A FICC FICA... - R. Santana

 


A FICC FICA...

A FICC FICA...
R. Santana


Não sou um pensador profissional, um filósofo de nomeada, mas um cidadão comum que não fede nem cheira nas coisas da política. Concordo com Aristóteles que “o homem é um animal político”, o estagirista tem lá suas razões, quer queira quer não, a política nas suas mais variadas formas e acepções, mexe com o homem político ou aquele que não se diz político. Se algum deputado federal, por exemplo, como medida de contenção de despesa, encaminha um projeto para extinção do nosso santo 13º. Salário, e, sancionado, afetará o bolso de todos sem exceção.
Por isso, resolvi meter o bedelho na Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania – FICC, não que eu seja poeta, escritor, trovador, compositor, cantor, pintor, ou, coisa que valha, mas um lagartense radicado nesta cidade há muitos anos, um nordestino cabra da peste, que gosta e ama esta terra.
Discordo daqueles que dizem que a FICC tem problema gerencial. É sabido o empenho, a dedicação, a desenvoltura, o sacrifício pessoal, de todos os gestores que passaram por ali para que a entidade deslanchasse e atendesse aos interesses dos artistas de Itabuna e quiçá do Sul da Bahia, porém, eles sempre esbarraram na falta de recursos financeiros, acima de tudo, na falta de vontade política de prefeitos que não valorizam a educação nem a cultura, porque a educação liberta do domínio intelectual e a cultura é a expressão maior da alma humana.
O que não tem faltado ao longo desses anos nessa entidade de promoção artística, são projetos, seminários, oficinas, apoio logístico aos novos autores e outras ações de cunho cultural. Porém, lá falta tudo, inclusive, um espaço condizente às manifestações culturais atuais. O descaso e a falta de respeito são tão agressivos com os artistas da palavra e da expressão, que a entidade foi instalada num prédio velho do Século XIX, uma antiga “cadeia”, do tempo de Tabocas, sem as mínimas condições estruturais e funcionamento.
A FICC não pode ser estigmatizada como “cabide de emprego”, sua importância para sociedade itabunense e baiana, vai além de um repositório de afilhados políticos refugados de outros órgãos do município, dos conchavos de bastidores, do toma lá da cá dos políticos descomprometidos, mas deve ser prestigiada como uma entidade de cabeças pensantes, o nous do município, o princípio ordenador, um celeiro de ideias e projetos comunitários.
Nesse tempo de mudança administrativa em que um novo alcaide irá assumir o governo do município, é de somenos importância sua cor partidária, seu credo, sua orientação sexual, sua raça, mas se ele tem a sensibilidade de Mecenas, a ética de Aristóteles e o racionalismo de Descartes, portanto, no meu modo tabaréu de ver, não é “E A FICC COMO FICA?”, mas dizer-lhe, meu caro leitor, que a FICC FICA...

Autor: Rilvan Batista de Santana

Itabuna, 19 de novembro de 2012.








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