11.03.2025

Geração Internet- R. Santana

 


Geração Internet- R. Santana

          Uma definição simplória de inteligência: “a capacidade de resolver problema”, diferente da memorização. Antigamente, o estudante decorava, ele era capaz de decorar páginas e mais páginas do livro didático, era considerado pelo “magister”, um estudante excepcional, todavia, quando a matéria requeria mais raciocínio do que memorização, seu aprendizado não era muito bom. Naquela época, os instrumentos pedagógicos da aprendizagem se resumiam: livro, caderno, lápis, caneta, tabuada e quadro-giz. Não havia nada ou quase nada para ilustrar, a imagem em si, não era objeto de aprendizagem. Porém, a qualidade de aprendizagem era muito superior à aprendizagem contemporânea.

          A História da Humanidade, certamente, será dividida, antes e depois da Internet, ou melhor, hoje, celebra-se a “Geração Internet”. As crianças desde cedo aprendem digitar: o notebook, o laptop, o tablet, o xbox, o celular comum, o smartphone e o PC. A criança em idade de mamar, dorme com o som e a imagem da “Galinha pintadinha”, “Dona aranha”, “A baratinha”, “Sambalelê”, “Atirei o pau no gato”, etc. Mesmo antes da adolescência, eles integram as mais conhecidas redes sociais.

          “M” tem 95 anos de idade, usa seu “Sansung” com a destreza de um jovem naquilo que lhe tem significado: “...quando estou triste, sento-me nesta poltrona e acesso o “Tik Tok” e o “Facebook”, além das notícias, rio das “pegadinhas” ou abro o meu WhatsApp para conversar ao vivo com o meu filho e conhecidos. Claro, “M” não potencializa todo o conhecimento, todas as operações que seu “Sansung” pode realizar, porém, domina bem as operações de lazer e comunicação. Os jovens subestimam os idosos em “navegar”, todavia, cada dia que passa, eles se engajam nas novas tecnologias informatizadas.

          A Internet (Wi-Fi) ou o satélite (extensão da internet), hoje, está em toda a atividade humana. Os andróides (tablet, smartphone, notebook, etc.), cada dia mais sofisticados, atualmente, uma biblioteca eletrônica de milhares de livros, livros virtuais, ela pode estar na palma da mão. Qual o profissional que não usa na sua atividade o Google ou outra plataforma para subsidiar seus conhecimentos? Todos completam suas informações com essas bibliotecas. O engenheiro civil, por exemplo, não usa mais a prancheta e a régua para desenhar, o programa lhe dá os cálculos estruturais e o desenho de qualquer obra na tela do computador.

          À época da gude, do carrinho de madeira, do pião, do pular-corda, esconde-esconde e as 5 Marias já não existem mais. Nessa época, os meninos eram mais saudáveis, eles desenvolviam com facilidade sua função motora e cognitiva. As crianças atuais não conhecem essas brincadeiras lá de trás. Hoje, são games, vídeos, filmes “Netflix”, programas infantis no YouTube, futebol na TV, etc. Essa “geração internet” é sedentária, às vezes, obesa, o cognitivo comprometido e a memória. A geração internet não lê, ela vê e pouco escreve, as imagens têm mensagens curtas. Quando escreve no e-mail ou no WhatsApp, a “geração internet” é econômica na escrita e excessiva nos erros de gramática.

          G. e L. são dois economistas renomados, eles têm em comum o reconhecimento que a Internet revolucionou a economia, o comércio e a indústria. Os cartões de crédito e débito, o pagamento da fatura on-line, as restrições de crédito, a ficha limpa, as “Criptomoedas”, os “Biticoins” e o “PIX” existem e são operáveis por causa da Internet, não faz muito tempo, essas operações virtuais não eram nem conjeturadas. As empresas, o estado e a União com folhas de pagamento extensa não seriam realizadas se não contassem com modernos satélites e “Wi-Fi” conectados em sistema.

          As operações comerciais são as mais visíveis, porém, em todas as atividades humanas: comunicação, saúde, educação, segurança, transporte, burocracia, indústria e infraestrutura são subsidiadas pelas novas tecnologias da informática. Nenhuma atividade se realizaria com perfeição sem a velocidade e a segurança da Internet.

          O mundo mudou, não existe outra opção, senão, as gerações dos anos 70 e antes se adaptarem às novas tecnologias. A história registra que o primeiro celular foi lançado pela Motorola DynaTAC (tijolão), em 3 de abril de 1974, de lá pra cá, ele vem sido aperfeiçoado até o “Smartphone”. As pessoas idosas, a maioria ainda não absorveu completamente os androides, o tablet, o PC, contudo, não existe outra saída, senão, absorver todas essas mudanças, mesmo que a mudança seja dolorosa.

          Estamos no Século XXI, os historiadores não mais dirão Idade Contemporânea, mas Idade da Internet.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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A Política - R. Santana

 


A Política - R. Santana

 

          Foi um experiência rápida, “um fogo de monturo” , “uma nuvem passageira”, que tive na política itabunense no biênio: 1971/72.

          Gostava de política, mas jamais pensei que um dia fosse ter um cargo eletivo. Fui empurrado pelas circunstâncias e pelo destino, sem querer, querendo e, naquele ano cheguei à Câmara de Vereadores, como prêmio, a primeira secretaria, ou seja, fui votado pelo povo e pelos meus pares.

          Não seria candidato se o saudoso Eduardo Fonseca tivesse encaminhado os seus documentos à Justiça Eleitoral.no prazo fixado. Fonsequinha (como todos chamavam-no), não era muito afeito aos trâmites burocráticos, por impedimento legal, não encontrando ninguém de sua confiança, indicou-me ao MDB, para substituí-lo.

          Estimulado por tio Pedro e amigos, aceitei representar o meu bairro no legislativo municipal, certo de que não me elegeria, face o bairro já não tivesse o radialista e vereador Pedro José Lemos, embora morasse noutro bairro, tinha o São Caetano como o seu principal reduto eleitoral, pois o bairro sediava a Rádio Clube de Itabuna, onde ele trabalhava.

          Pedro Lemos mantinha um programa sertanejo de estrondosa audiência. Além de músicas, dedicatórias, ele fazia alguns avisos de utilidade pública, promovia campanhas beneficentes para ajudar A ou B com interesse político.

          A minha campanha eleitoreira foi lançada na rua. Com parcos ou nenhum recurso, o meu nome foi passado pelos amigos de boca em boca, pelos poucos minutos que me foram concedidos pelo MDB na imprensa falada e a divulgação da minha imagem na imprensa escrita. Não havia televisão. Quem dispunha de dinheiro enchia a cidade de outdoor ou abria grandes letreiros nos muros da cidade e completava o seu marketing com cartazes e “santinhos” gráficos.

          Ocorreu um fato providencial: Pedro Lemos leu uma carta anônima, discriminando-me e ofendendo-me, no seu programa de rádio. Foi providencial, além de ter me dado o direito de resposta por recurso legal, o povo revoltou-se com o acinte, com as calúnias, com a falta de ética do principal concorrente e adotou a minha defesa e a minha candidatura.

          Não pense caro leitor que derrotei Pedro Lemos, apenas, tirei-lhe alguns votos dos muitos votos que teve na eleição. Ele reelegeu-se. Eu venci, não de colher, de barbada, a concorrência era desleal, além de Pedro Lemos, a Justiça Eleitoral deu registro, naquela época, a mais de 200 candidatos para 11 ou 12 cadeiras legislativas.

          Venci com a ajuda de Fonsequinha, tio Pedro, a família, os amigos e o povo. Derrotei o poder econômico e a elite, mas não me reelegi. Embora tivesse tido uma boa atuação como representante do povo, elaborando projetos, leis municipais, denunciando falcatruas e não me deixando corromper, não tive dinheiro para subornar votos e consciências.

          A barriga do povo pobre é a sua consciência e o seu ideal é suprir sua necessidade.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Livro: Lágrimas Rolando – Capítulo XI (Recanto das Letras)

Vida - R. Santana

 


Vida - R. Santana

 

          Nunca esqueci da frase filosófica do professor Lourival Ferreira: “Quem eu sou, de onde vim, pra onde eu vou”. Naquela época, eu estudava a 4ª. (hoje, nona série) série de ginásio no “Colégio Firmino Alves”. Ele gostava de repetir esta frase, quando em quando, ele nos cobrava uma reflexão escrita, cada aluno colocava no papel sua experiência do dia a dia, porém, o professor Lourival Ferreira exigia muito mais, exigia aquilo que não tínhamos pra dar por causa da idade e conhecimento, adolescentes, nós tínhamos experiências materiais e não metafísicas do estudo do “ser”, era um terreno inóspito.

          Para os existencialistas a essência precede a existência, isto é, antes da vida o ser existe. Mas, o conceito de vida vai além de princípios filosóficos, a união do corpo com a alma, o tempo que compreende o nascimento à morte, a existência. Este texto se propõe a afirmar que vida é o somatório de condutas psicológicas e experiências do dia a dia. Não existe vida sem emoções, de coragem, de medo, de frustrações, de animosidade nem vida sem sentimentos de solidariedade, amizade, empatia, generosidade e sentimento de fé. O homem moderno busca o conhecimento, a fé, o prazer e, o sucesso material, as riquezas.

          Viver é sacrifício, é desesperança, o homem batalha do nascimento à morte sem certeza de vida espiritual, de vida eterna, por isto, muitos perdem a vontade de viver e põe fim á vida. O trabalho, o esporte, a arte, o sexo, a religião, a família e a atividade intelectual dão sentido à vida, sublimam, quando o homem se distancia desses elementos, ele perde a vontade de viver, às vezes, sua fraqueza mental o leva ao suicídio.

          Ninguém é Robinson Crusoé, ou seja, ninguém vive sozinho por muito tempo numa ilha, é necessária a interação, a troca de experiências de vida e sentimentos. Se o homem não se interralaciona, vive isolado, começa desenvolver doenças mentais, além da natureza humana, ele precisa de “natureza” social, sua natureza social lhe deixa em pé, física e psicologicamente, porque ele tem consciência instintiva da morte (Thanatos) ao contrário do instinto da vida (Eros), conceitos freudianos.

          Viver é sofrimento, morrer é libertação. Muitos não têm consciência que aqui é uma passagem íngreme. Conta-se que um americano viajou para um país do Oriente, lá foi visitar um velho sábio. Quando chegou à casa daquele homem de sapiência e fama em sua terra, estranhou a casa simples e sem mobília, então, cheio de mesuras, lhe perguntou pelos móveis, respondeu-lhe que, ele não tinha móveis, ao mesmo tempo, perguntou: “ ... e os seus móveis?”, ele respondeu: “...estou aqui de passagem”, o sábio: “...eu também”. O homem reluta aceitar que somos apenas inquilinos do planeta Terra, aqui de passagem e passagem curta, que são 70 anos de vida, 100 anos de vida se o tempo é eterno.

          A vida é desafio. O homem desafia os problemas da vida diuturnamente, ninguém é feliz todo tempo, mas algum tempo, não existe felicidade plena, sim, momentos felizes. Conheci uma longeva pedagoga que em suas palestras, ela dizia que não enxergava “pessoa”, enxergava cada “pessoa” um problema. Desafiava: “... quem nesta assembléia, não tem problema, fique de pé!”, todos ficaram sentados.

          Desde o início do mundo, o homem luta pela sua sobrevivência e de sua prole, resistir à fome é não morrer em estado de inanição. No início da humanidade o homem praticava a caça e a pesca pra sobreviver, depois, as pequenas lavouras, hoje, essa relação de consumo é mais sofisticada com mercado de alimentos, feiras-livres, centros de abastecimento e agricultura familiar, no entanto, essa relação de consumo é mais complexa, muito gente não tem acesso aos alimentos por falta de recursos financeiros. Hoje, o homem sacrifica 2/3 de sua vida pra sobreviver.

          Todavia, os poetas, os escritores de vocação, os pensadores e os filósofos de formação, os desprovidos de ambição material e os monges são as parcelas da humanidade que viver é mais importante que as coisas do mundo. Para essas pessoas o prazer da vida está acima do que acumular.

          A vida é um fardo ou quase um fardo, não uma dádiva, porque o homem não tem certeza se existe vida do outro lado. No “Antigo Testamento”, Deus deixou escrito: “Tu és pó e ao pó retornará!”. Jesus Cristo deixou a promessa da ressurreição e da vida eterna, porém, por mais fé do indivíduo, existe sempre o vazio na alma. No Século XIX Allan Kardec sistematizou os princípios da doutrina espírita, entretanto, foi no Século XX que Óscar González-Quevedo Bruzón, conhecido como Padre Quevedo, ele provou cientificamente que não existe espírito, existe manifestações energéticas de alguns indivíduos.

          A ciência, dentro de alguns anos, aumentará a expectativa física de vida do homem. Claro, não resolverá o problema da morte, contudo, o homem irá morrer com o triplo da idade atual com saúde e menos sofrimento. Hoje, é comum vidas longevas, acima de 100 anos de vida, portanto, a ciência excluindo todas as doenças, o homem terá o dobro da longevidade atual.

          Embora a vida não seja a chave da felicidade, às vezes, ela é insuportável, mas é um privilégio viver, só temos uma vida, não adianta querermos mudar o mundo, a roda do mundo irá girar da mesma forma. O poeta foi feliz quando escreveu: “... Deixa a vida me levar / Vida leva eu / Sou feliz e agradeço / Por tudo que Deus me deu...”

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Carta aberta para Wilson Caetano - R. Santana

 


Carta aberta no Facebook / WhatsApp / Recanto das Letras

 

Ao

Ilustríssimo Sr. Wilson Caetano de Jesus Filho

M. D. Presidente da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

 

Prezado Senhor:

 

          No dia 12 de agosto do ano que findou, fui convidado pela acadêmica e 1ª. Secretaria, professora Lurdes Bertol, tive a honra de participar no dia 18. 08. 2022, on-line, de uma sessão ordinária na Academia de Letras de Itabuna – ALITA, depois de alijado dessa entidade literária por um tempo quase “infinito”. Confesso-lhe que fiquei alegre só “pinto no lixo” ia voltar pra academia que ajudei fundar e zerar todos os desencontros e começar de alma nova, porém, parodiando Drummond, havia uma “pedra”, “no meio do caminho havia uma pedra”, “uma pedra no meio do caminho...”, não voltei, aliás, mais uma vez impediram-me de voltar com narrativas inverídicas e princípios éticos discutíveis (leia: carta da saudosa Dr.ª Sônia Maron), ao longo desse tempo de cerceamento.

          Há um provérbio popular que um “raio não cai duas vezes no mesmo lugar”, no entanto, para mim, o raio não foi exceção, ele caiu 02 (duas) vezes no mesmo lugar, pois, duas vezes tentei acionar essa instituição literária e o raio caiu no mesmo lugar, ou seja, as portas fecharam-me com argumentos volúveis e desprovidos de seriedade, além de tendencioso. Não tenho intimidade com V. S.ª, conheço-vos an passant do Colégio Pio XII, quando meu neto foi aluno desta escola. Porém, acredito no vosso compromisso e justiça nos desígnios dessa entidade literária que dirige que, chegou à ALITA por mérito próprio não por subserviência e puxa-saquismo.

          Sei que a Portaria 01/2022 que publicou no site da ALITA: “...seja apurada conduta antiética consistente em ofensas injuriosas perpetradas pelo referido acadêmico e dirigidas a diversos membros desta instituição, com possível violação do disposto no art. 19, VI do Estatuto da Academia de Itabuna, observando os princípios do contraditório e da ampla defesa, na forma preceituada pelo art. 12 do referido estatuto, (16/ 09/ 2022)” foi para atender aos reclamos de alguns diretores não um desejo pessoal, segundo informação de um amigo.

          No dia 21 de outubro de 2022, recebi um mandado de notificação da “Comissão de Sindicância Administrativa”, cujo objetivo era fazer a minha autodefesa que felizmente o respondi naquele mesmo dia e, enviei no dia subsequente mais de 20 páginas de documentos comprovando narrativas falsas e maledicentes.

          A ordem dos fatores não altera o produto, por isto, acrescento que no dia 19 de agosto de 2022, respondi aos acadêmicos que me clamavam desculpas públicas da minha “conduta antiética”.

          No dia 26 de dezembro de 2022, solicitei à “Comissão de Sindicância Administrativa” através da vice-presidente da ALITA, a professora Janete Macedo, resultado institucional da sindicância administrativa, ela deu-me o silêncio como resposta. Nunca recebi nenhum resultado dessa famigerada sindicância, somando todos os “entretantos” e “finalmentes” (Odorico Paraguaçu), há 06 meses (12 de agosto, data do convite para assistir sessão ordinária on-line), que estou ansioso para que o problema seja solucionado com justiça.

          No dia 11 de janeiro 2023, enviei para todos os acadêmicos, cópia original duma carta da inesquecível Dr.ª Sônia Maron enviou-me, tratando-me como amigo, respeito e amizade, isto desfez o boato que nós éramos inimigos figadais que eu a tinha xingado numa sessão que defendia que todos deveriam ter suas páginas individuais para publicação de suas produções no site da ALITA.

          O silêncio incomoda. O silêncio destrói a personalidade mais estruturada de um indivíduo, não é à toa que alguém disse: “... Preferimos o barulho das vozes da democracia ao silêncio oprimido das falas escondidas”. Seis meses é tempo demais pra decidir a conduta do mais perigoso “criminoso”. Nas administrações anteriores, presidente Wilson Caetano, deixaram de enviar e-mail (não havia WhatsApp), não havia convite para reuniões, nem ordinária nem extraordinária nem para eventos, quando me queixei “... o problema é na caixa de e-mail, ela deve estar cheia, etc.. etc.” , então, passou ser norma o silêncio, o cerceamento, pouco e pouco, livrar-se de minha presença.

          Em juízo (se for necessário), presidente Wilson Caetano, além dos danos psicológicos, morais, a vitaliciedade terá que ser discutida juridicamente. A academia não é uma propriedade particular, mas uma entidade de ideias, o patrimônio da academia é intelectual, não os móveis nem o prédio, sim, o substrato mental. Não se escolhe o acadêmico pelo seu patrimônio material, escolhe-se o acadêmico pela sua produção literária, científica e musical.

          Uma das alegações dos meus desafetos, é que usei a Internet para manchar a honra de alguns acadêmicos, narrativa sem prova, eu que fui manchado moralmente e intelectualmente com o conto suis generis e ignômio: “O Terrorista Cultural”. Fiz o uso da Internet quando ouvidos moucos não mais me ouviram, fecharam os espaços e as oportunidades de produzir e publicar no site e na revista. Usei a Internet como ferramenta democrática de produção literária. Há 06 (seis meses), novamente, converso com ninguém, contudo, espero ser ouvido e que existo.

          Presidente Wilson Caetano, o objetivo desta carta aberta não é expor a entidade acadêmica, mas explorar a sensibilidade e a honestidade dos diretores acadêmicos e ser ouvido. No dia 19 de abril de 2011, eu estava lá na sala da FICC, com outros idealistas, fundando e discutindo essa entidade literária. Modéstia à parte, sou uma pessoa proba, educada, sem malícia, cidadão itabunense, foram 35 anos como trabalhador em educação, nos principais colégios públicos da cidade: IMEAM e CEI e diretor por 04 (quatro) anos do CEI.

          Não uso o nome nem a imagem da ALITA em meus textos, o escritor declinar o nome de uma entidade literária não acrescenta, todavia, não sei se sou ou não sou, “To be, or not to be, that is the question”, a consciência e os fatos dizem que sou alitano, porém, a irregularidade e os conchavos são mais fortes. No início ainda usei o nome e o símbolo alitanos.

          Eu não me considero um escritor, não obstante ter uma bibliografia razoável. Não me considero um escritor porque não sou profissional, escrevo por diletantismo, nas horas vagas, além de ter dificuldade de escrever, escrevo com transpiração, não com inspiração, concordo com Thomas Mann: "O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever”. Alguns leitores me elogiam, outros não me jogam pedras porque estou distante.

          Presidente Wilson Caetano, estar na hora de encerrar, perdoe-me pela prolixidade, objetivamente, desejo que todo esse imbróglio seja esclarecido, que entre mortos e feridos todos sejam salvos, pois não existe arma mais destrutiva que a PALAVRA usada por mentes maldosas, ela não fere de sangue, mas deixa marcas indeléveis na alma. Fraternalmente, Rilvan Batista de Santana. São Caetano, Itabuna (BA), 27 de janeiro de 2023

 

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Rilvan B. de Santana

 

Nota: a imagem do título é de domínio público (Google)

 

 

 

Carta para os acadêmicos da ALITA

 


Carta para os acadêmicos da ALITA

Aos Ilustres Acadêmicos da ALITA:

Dr. João Otávio de Oliveira Macedo, profa. Margarida Cordeiro Fahel e acadêmica Heloísa Prata e Prazeres.

 

          Prezados Senhores:

 

          Eu tenho um amigo acadêmico que quando as coisas aí estão em convulsão nas sessões ordinárias, ele começa me perguntar sobre a minha vida pessoal e acadêmica, a semana passada, ele perguntou-me: “ Você atuou no estado e município durante quantos anos? Passou por algum processo administrativo? Teve alguma advertência ou suspensão? Teve seu nome incluído algum processo judiciário? (10 de março de 2023).

          Respondi-lhe que não, inclusive, fui diretor do Colégio Estadual de Itabuna – CEI por 04 (quatro anos) e a minha sucessora, profa. Clotildes Conrado, não me pediu prestação de conta, mas as chaves do colégio – conhecia meu trabalho e minha conduta honesta. Disse-lhe também, que foram mais de 35 anos de serviço em educação.

          No dia 15 de março, ele tornou perguntar-me alegando que eram subsídios para me defender: “O que levou você se exaltar com Sônia Maron, que precisou segundo diz Cyro, ele teve de intervir para evitar agressões”, respondi-lhe que era inverdade do Senhor Cyro de Mattos, que não tem feito outra coisa, senão me perseguir com ódio e espalhar fatos não éticos, inclusive, com o seu “O Terrorista Cultural”. Naquele mal fadado dia, em sessão ordinária, solicitei à mesa (presidida pela doutora Sônia Maron), que todos os acadêmicos tivessem sua senha no site para publicar suas produções, evitando assim, monopólio. Confesso aos senhores que elevei um pouco a voz, fui mal-educado, pedi desculpas a posteriori aos membros que estavam presentes nesse dia, inclusive, Dr. Marcos Bandeira elogiou-me na sessão subsequente pelo meu gesto de humildade. O senhor Cyro de Mattos não estava presente nesse dia, algum tempo depois, doutora Sônia Maron escreveu uma carta manuscrita chamando-me de “amigo”, que enderecei à Comissão de Sindicância.

          Embora o ilustre escritor não estivesse presente nesse dia, ele encabeçou uma “Advertência protocolada” sem assinatura da presidente, enviei cópia para “Comissão de Sindicância” que apresentou os resultados para os senhores, conforme “Portaria nº. 02”, 16.03.2023. Não sei os resultados da egrégia comissão que se findou, que tenham agido com isenção e justiça, pois lhes enviei mais de 20 documentos provando que fui injustiçado e fui vítima da maldade, do egoísmo e intolerância de alguém.

          Às vezes, eu fico pensando quanto intolerante são alguns acadêmicos da entidade que ajudei fundar e fui seu 1º. Tesoureiro por mais de 2 anos. Eu pensei que os intelectuais fossem mais democráticos, mais tolerantes, mais generosos e menos egoístas. Hoje, vejo que eles criminalizam por gestos, palavras e opiniões, tive uma postura intelectual independente e sou vítima de 02 (dois) processos “kafkaneanos” , como se eu tivesse cometido algum crime ou manchasse a honra de algum acadêmico, pelo contrário, fui discriminado, sofri preconceito, desonrado (O Terrorista Cultural - Cyro de Mattos) e fui cerceado todo esse tempo, não participando das reuniões, eventos e atividades acadêmicas da ALITA, etc., fatos que penso judicializar um dia se eu tiver necessidade de limpar minha honra e minha conduta.

          Não me lembro que tenha usado o nome da ALITA em minhas produções, se fi-lo, fiz esporadicamente. Pra divulgar também não a usei, eu tenho mais de 6000 (seis mil) “amigos” nas Redes Sociais.

          Essa 2ª. Portaria: “...Quanto à conduta do acadêmico da cadeira nº. 09, por possível infração do Art. 12 e 19/7 do Estatuto da ALITA”. Como é fácil usar pechas, artigos e cláusulas para denegrir e desonrar e prejudicar pessoas ilibadas de corpo, alma e sentimentos. Diria que é um massacre psicológico, não respeitam a minha idade nem a minha história de vida. Em Itabuna já fui vereador, diretor de escola, 35 anos em educação e fui agraciado recentemente com o título de “Cidadão de Itabuna” pela Câmara Municipal, uma vez que sou sergipano de nascimento com orgulho.

          Acho que se fui “criminoso”, “desqualificado”, agressivo, mau-caráter, caluniador, desonrei algum acadêmico, não seria necessário a abertura de 02 processos. Acredito que os acadêmicos têm provas materiais para me expulsarem incontinenti, sem necessidade desses artifícios jurídicos.

          O presidente, Wilson Caitano de Jesus Filho, com devida vênia, não teria necessidade de designar uma nova comissão para apurar os fatos de outra comissão, só decidir, ninguém para contestar, sim, para cumprir.

          Certo da atenção de Vossas Senhorias, desejo que haja o bom senso cartesiano e justiça. São Caetano, Itabuna (BA), Fraternalmente, Rilvan Batista de Santana

 

Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 18/03/2023
Alterado em 18/03/2023

Os cabelos brancos R. Santana

 


Os cabelos brancos

R. Santana

 

     Quando eu tinha 55 anos de idade, surgiram os meus primeiros cabelos brancos ainda escondidos. No primeiro momento foi um choque, percebi que o tempo primeiro dava passagem para o tempo segundo. Não é fácil para o novo perceber que o velho avança. Claro, nem sempre o cabelo branco é sinônimo de velhice, muitos jovens têm os cabelos brancos, aliás, nascem com cabelos loiros claros, com o tempo ficam brancos.

          No início, eu resisti aos cabelos brancos, pensei pintá-los, mas um indiscreto amigo – os cabelos pintados não escondem a idade – fez me ver à inutilidade do eufemismo, nunca os pintei, segui seu conselho, não adianta pintá-los se o resto do corpo denuncia a idade.

          Outro fator que não me estimulou não pintar o cabelo foi a dependência, o indivíduo que pinta o cabelo o faz pelo menos de quinzena se não o fizer o cabelo branco sai despontando sem licença por baixo do cabelo pintado e nas pontas. A dependência angustia, se o indivíduo por qualquer motivo não pinta o cabelo no tempo certo compromete a estética facial, visto que, o cabelo é que deixa a pessoa atraente, sem o cabelo bonito, a beleza do rosto é comprometida.

          Antigamente, os produtos de beleza eram artesanais, pessoas idosas ficavam ridículas: o cabelo preto mais escuro que as asas da graúna destoavam da cor da pele ao invés da beleza, a feiúra. Hoje, os produtos cosméticos e a pintura, além do cabelo, eles limpam, amaciam e hidratam a pele, inclusive, diminuem os sulcos e as rugas da velhice.

          Diz o adágio popular: “Se conselho fosse bom não se dava vendia”, por isto, eu não aconselho ninguém, pois entendo que cada cabeça é um mundo, porém, deixar o cabelo branco crescer é a convicção que cada um toma de sua história. Cada fio de cabelo branco representa anos de experiência. O cabelo branco representa vida, salvo os distúrbios precoces da melanina, o cabelo branco é um processo de anos vencidos.

          O cabelo branco dá status, pressupõe-se que todo sujeito maduro já fez sua independência financeira, intelectual e moral em anos passados. A canção de Tierry “Cabeça Branca” é a realidade dessa fase da vida: “O dono da lancha é o cabeça branca / A champanhe que banca é o cabeça branca / Por que novinha na hora da selfie / Junto com as amigas o coroa nunca aparece”... Porém, o dono da lancha não importa gastar com a novinha se o prazer é maior. O saudoso “Rei da Soja”, Olacyr de Moraes, questionado por um jornalista se as novinhas da noite gostavam dele, respondeu: “Meu amigo, eu gosto muito de camarão. Vou a um restaurante e peço um prato desta iguaria. Eu não pergunto se o camarão gosta de mim... Eu simplesmente como!”, quando ele deu essa resposta ao jornalista abelhudo, o empresário tinha quase 80 anos.

          O cabelo branco não representa honestidade, bom caráter, idoneidade moral, porque no dizer de Rui Barbosa: “Não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem”. Ou seja, não se deve confiar pelo fato do sujeito ter a cabeça branca, a velhice chega para todo mundo, “quem não morre envelhece”, é a lei da vida.

          Não se pode negar que a vida é um dom de Deus, portanto, envelhecer é um privilégio, muitos não tiveram o privilégio da idade encanecida, morreram no nascimento, então, moço. Alguém pode se maldizer de ter nascido, queixar-se do dia a dia, porém, nascer é um milagre e ninguém tem o direito de se maldizer, maldizer-se é negar Deus, é um pecado absoluto que é não reconhecer o Espírito Santo.

          Porém, toda regra há exceção, o homem é bom, nem todo homem é canalha, por isto, respeitar os cabelos de uma pessoa é reconhecer sua história, é reconhecer quanto aquele ser representou ou representa na comunidade ou no seu grupo social. Por trás de todo homem existe um passado, portanto, é necessário que o jovem e o adulto respeitem a experiência, o passado e o presente do homem de cabelos brancos, às vezes, curvar-se diante do seu legado.

          Eu abri esta crônica considerando a inutilidade de pintar o cabelo branco cujo objetivo é rejuvenescer o sujeito. Hoje, reconsidera-se a necessidade do prazer como estilo de vida humana. A saudosa Dercy Gonçalves, por exemplo, com quase 100 anos de vida, mantinha seus cabelos (peruca nos últimos anos de vida) pintados e maquiagem perfeitas, outro exemplo longevo é do empresário Silvio Santos, não apresenta seu programa de TV sem os cabelos pintados e maquiagem impecáveis. Para os hedonistas, o prazer é o bem supremo.

          Leitor amigo, se pintar os cabelos lhe faz bem, é de somenos importância quem pense o contrário, aliás, cada indivíduo exerce seu livre arbítrio e seu modo de vida.

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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O prazer - R. Santana

 


O prazer - R. Santana

O prazer

R. Santana

 

          O homem não nasceu para o sofrimento. Deus não ia criar o homem imagem e semelhança para viver atormentado a vida toda pelo mal. Não se entende o princípio que o homem tenha que padecer do nascimento até morrer para resgatar um pecado que não praticou, Eva e Adão que pecaram. O sofrimento da humanidade é grande desde que o mundo é mundo. Além das causas naturais (terremotos, maremotos, ciclones, relâmpagos, enchentes, deslizamentos de morros, etc.), também, o mal de natureza humana existe. O dualismo entre o bem e o mal é uma verdade, o bem é a ausência do mal, ambos são xifópagos, coexistem no mesmo tronco, quando um deles se esconde o outro aparece. Deus é o bem absoluto, não existe espaço para o mal.

          Portanto, se o homem não foi criado para sofrer, mas, ser feliz, a fonte da felicidade é o prazer, por isto, quem mais goza do prazer terreno é o rico. O rico tem tudo que o dinheiro pode comprar, a pobreza não se harmoniza com o prazer, a pobreza se harmoniza com a miséria e o infortúnio. O pobre vive da fé e da esperança da vida eterna, de ser recompensado do outro lado com as bênçãos da Providência. Para o pobre falta tudo menos a vontade de viver. O desejo de viver é que lhe dar energia para lutar e continuar.

          O rico goza de todos os prazeres da vida, mesmo no infortúnio a vida lhe sorri mais. Se o pobre adoece, ele vive o inferno na terra. Claro, o rico não pode comprar a saúde, a vida eterna, não evita a morte, não prolonga seus dias de vida, todavia, eufemiza a desventura e a desgraça enferma. O rico nasce com tantas benesses e privilégios que Jesus Cristo não o condenou, mas deixou a incerteza dele ir para o céu: “É mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus”. Faz-se necessário esclarecer que não é a “agulha” que usamos para coser, sim, o posto alfandegário “Fundo da Agulha” da Judéia, mesmo assim, justifica a palavra do Mestre, era difícil o proprietário do camelo passar pelo buraco da agulha pelos altos valores alfandegários. Os ricos preferiam “cortar” estradas íngremes e sonegar os impostos.

          O cerne do hedonismo é a busca do prazer e evitar o sofrimento. Freud explorou o desejo sexual como forma de prazer e quando o homem não consegue realizar esses desejos sexuais, aí surge o conflito entre as forças do inconsciente e as forças do consciente. A base da psicanálise é a análise dos desejos sexuais e outros traumas reprimidos. Antes da psicanálise, Freud usava a hipnose para suas pacientes de histeria durante o tratamento, era uma forma de suas pacientes livrarem-se do sofrimento psicológico e mental e encontrarem o prazer de viver.

          A busca do prazer é ilimitada, o homem passa a vida procurando o que lhe dá prazer. Ledo engano quem pensa que o prazer está no sexo, na libertinagem, no vício, na promiscuidade, etc. A busca do prazer hedonista é duradora e uma forma de vida moral e intelectual saudáveis. Portanto, são várias as formas de prazer: o prazer mental, o prazer moral, o prazer religioso, o prazer intelectual, o prazer artístico, o prazer esportivo, o prazer do trabalho, o prazer da caridade, o prazer filantrópico, o prazer  criativo,  enfim, tudo que faz o homem feliz.

          A busca do prazer é a busca da felicidade, quem não vive e não faz as coisas com prazer não é feliz. O homem que trabalha por prazer e o homem que trabalha por obrigação, os resultados são diferentes. Quando alguém faz algo com prazer, o tempo passa rápido, quem faz por obrigação, o tempo é “eterno”.

          O que faz o homem deixar a vida social, a posição funcional, o cargo político, o reconhecimento intelectual, o reconhecimento científco e refugiar-se num sítio de plantações ou viver no meio do gado e outros animais, senão, o prazer da individualidade e o desejo de ficar só, em paz. O desejo e o prazer realizam-se independente do espaço e do tempo.

          Quando o homem não tem prazer é vazio de mente e alma. A falta de desejo contribui para uma vida sem sentido. A vida tem sentido quando é prazerosa. O homem com prazer estabelece objetivos, dribla dificuldades e vence. O homem que não tem desejo é um fracassado.

          O hedonismo vem lá da Grécia, em nosso Século esse princípio filosófico continua atual, claro que novos entendimentos surgiram, porém, a essência do hedonismo permanece.

          Um médico amigo, profissional comprometido com a saúde, dono de clínica,  confessou-me em “off” que um dos seus filhos, passou em vários vestibulares (ENEM):  medicina, direito, arquitetura, engenharia civil, etc., chegou cursar alguns semestres em algumas faculdades, mas largou tudo e foi tomar conta de suas fazendas. Hoje, seu filho diz que gosta do que faz e, é feliz, não troca a vida da fazenda por nenhuma profissão liberal.

          A vida sem gosto, sem satisfação, é um fardo insuportável, muitos desejam morrer...

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

 

11.02.2025

O processo - R. Santana

 


O processo

R. Santana

 

          Claro que não é “O Processo” de Franz Kafka, mas o processo moderno, contemporâneo, como instrumento jurídico de criminalizar e condenar infratores que desrespeitam as leis, as normas e as condutas infratoras. Porém, os exageros desses processos contemporâneos e o ativismo judicial tiram a nossa liberdade de ir e vir e restringe os nossos direitos individuais, a nossa liberdade e o cerceamento de outros direitos constitucionais.

          Hoje, as pessoas têm mais direitos que obrigações. Palavra, gesto e opinião que não se enquadram no “politicamente correto”, geram judicialização. Toma-se como exemplo o discurso do deputado Nikolas Ferreira na Câmara Federal, no dia da mulher (08 de março), ele chama a atenção da mulher biológica para o espaço que ela está perdendo para mulher trans. No outro dia, foi pedida sua cassação, a perda de seus direitos políticos no Conselho de Ética, ele foi acusado de transfóbico. Aqui não se discute a identidade de gênero se a mulher trans tem direito quanto à mulher biológica, mas se discute o direito do deputado federal manifestar seu livre pensamento.

          Com o advento das redes sociais (WhatsApp, Instagran, Facebook, etc.), das plataformas digitais (Google, Yahoo, Microsoft, etc.), das mensagens de textos, a imprensa convencional não foi extinta, mas teve que se moldar à nova realidade de informação em tempo e imagem simultâneas. Todavia, na esteira dessa revolução midiática, surgiram as “Fake News”, as notícias falsas, notícias fraudulentas e informações, às vezes, criminosas.

          Com as informações rápidas da mídia, novos crimes foram reconhecidos e regulamentados em leis pela Câmara Federal e Senado, como crimes cibernéticos, crimes praticados contra LGBT, intolerância religiosa, injúrias raciais e racismo, crime de extorsão mediante seqüestro seguido de morte, etc. Estes crimes criaram forma e expressão depois que a capacidade de denúncia ficou mais rápida e a cobrança da sociedade mais fácil pelas redes sociais.

          Porém, o crime “kafkiano” mais atual é o ato “antidemocrático”, que é contra o regime, perpetrar “golpe de estado” , atentar contra às Forças Armadas, contra a Constituição Federal, etc. É um crime discutível se for só de opinião, se alguém quer atingir o governo e não o regime, ele é discutível, todavia, tem sido muita gente encarcerada por causa de atos antidemocráticos, classificados como terroristas, que não passam de vândalos, bagunceiros, sem nenhum conteúdo ideológico.

          Fala-se muito do “...estado democrático de direito” que é limitar o estado nas prerrogativas individuais: “O Estado Democrático de Direito é aquele em que o poder do Estado é limitado pelos direitos dos cidadãos. Sua finalidade é coibir abusos do aparato estatal para com os indivíduos”. Ultimamente, o brasileiro não tem gozado plenamente desse direito, o estado tem “cerceado” o direito de opinião, manifestação e restringido as liberdades individuais.

          Longe de mim criticar o poder judiciário, a justiça tem feito seu papel na medida do possível, falta-lhe material humano e mão de obra qualificada para dar conta da demanda, quase todos os juízes trabalham além do limite e não conseguem atender ao volume de processos que chegam diariamente.

          Triste do cidadão comum que precise da justiça, que é cara e morosa, alguns processos levam a anos para serem sentenciados, principalmente, quando a ação é contra o estado ou alguma entidade pública, para o cidadão fica a impressão que jamais será feito justiça, não é raro que a parte prejudicada morra antes que a conclusão.

          Por isso, alguns processos são “kafkianos”, o sujeito é arrolado em provas documentais, testemunhais, audiências, sentenças, embargos, recursos “recursais” e nunca chega ao fim, principalmente, se a parte acionada possuir poder econômico muito acima da parte prejudicada, não que houve corrupção, venda de sentença, favorecimento individual, etc., porém, quem tem recursos financeiros, seus advogados usam de artifícios e estratagemas jurídicas e percorrem todos tribunais.

          Não pense o leitor que nunca será envolvido numa situação judicial, Josef K., também, nunca pensou, contudo, mexeram em sua paz do dia a dia, de repente, ele estava envolvido num processo sem fim.

          Hoje, uma palavra, uma conduta não convencional, poderá lhe levar pra cadeia e ficar lá por um bom tempo.

 

Autoria; Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

 

 

O Terrorista Cultural - Cyro de Mattos

 


O Terrorista Cultural - Cyro de Mattos

 

 

“Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo mais infeliz do que eu?”

 

Fazia sempre a pergunta e ouvia a voz dizendo, claro que não. Não era preciso dizer os motivos da sua revolta ante o que a vida fazia com ele. Sua figura grotesca falava por si mesma. Criatura mal vista, de temperamento nervoso, atarracada, cabeça grande enterrada no pescoço, que lhe rendeu quando pequeno, entre os amigos pirracentos, o apelido nada agradável de Cabeçorra. A semelhança com a cabeça de um bezerro não era mera coincidência. Era fato incontestável.

 

Viera ao mundo numa data aziaga, 13 de agosto, numa sexta-feira. Cedo ficara sem o pai e a mãe, morreram num desastre de carro. Fora criado por uma tia solteirona, que vivera abraçada ao rancor porque nunca havia provado o melhor doce do mundo. Nada pior para ele do que quando chegava o dia que se homenageava a mãe ou o pai no recesso da família, com abraços e presentes. Um suplício, horror. Os meninos mostravam-se contentes com aquela data que exibiam o retrato do pai ou da mãe na vitrina da loja recebendo o abraço carinhoso e o presente do ente querido.

 

Participar daquele tipo de comemoração em data festiva no recesso da família de um amigo nem morto. A cena do abraço afetivo e o parabéns efusivo o deixariam com esse desejo de sumir no mundo, melhor se achasse um lugar para se esconder ali mesmo no ambiente alegre.

 

Resolveu ingressar na faculdade para graduar-se em letras. Tinha umas ideias na cabeça, achava que podia colocá-las no papel, o curso iria dar-lhe munição excelente para escrever livros de poesia, contos e romances. Dias alegres dormiriam com ele. Não precisaria fazer mais perguntas ao espelho sobre sua sorte no mundo, sempre com as horas tristes, mergulhos doloridos, sombras da infelicidade. No curso de letras entregou-se de corpo e alma ao conhecimento de grandes autores. Tirava notas altas em cada dissertação apresentada no exame final.

 

 

Apto para exercer a nova etapa de vida como escritor, meteu mãos à obra. Escreveu primeiro um livro de poesia reunindo cem poemas acrósticos. Fez o lançamento antevisto de muitos autógrafos e parabéns dos leitores na livraria da avenida principal. Ó decepção, não vendeu um exemplar.

 

Tentou repetir a dose, dessa vez se aventurava pelo universo mágico das histórias baseadas no imaginário popular. Publicado o livro com capa dura, programou o lançamento, com a certeza de que dessa vez a guerra de não ser autor sem leitor seria vencida. Imaginou o evento com muitos autógrafos e vendas que esgotariam a edição de duzentos exemplares, as despesas da impressão do livro custeadas pelo próprio autor, como no livro da estreia, ressalte-se. Só vendeu dois exemplares.

 

“Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo mais infeliz do que eu?”

 

Firme e categórica, a voz:

 

“Alguma dúvida, beleza?”

 

Decidiu escrever sua biografia romanceada com desejos de alcançar o merecido círculo extenso de leitores e admiradores. O alentado volume de quatrocentos páginas, intitulado “A dura vida de Silvano Fontana com penúrias e agruras”, seria um sucesso, testemunho pungente e denso das amarguras que havia passado na rotina indiferente da vida. Todo contente, na livraria cheia de gente a mesa coberta com a toalha de linho, adornada com flores no jarro. Em festa concorrida de abraços e apertos de mão, imaginou que o evento seria o suficiente para se sentir um escritor realizado, inclusive com o direito de pleitear a ocupação de uma cadeira na conceituada Academia de Letras de Biboca do Japará, prestes a ser inaugurada.

 

Vendeu três exemplares.

 

Não desanimou, partiu para ingressar na academia de letras. A posição de membro da nobre instituição iria render-lhe bons frutos, entre eles o de se tornar um escritor com público numeroso. Agora, cada lançamento concorrido de um de seus livros seria a glória. Em obediência à febricitante compulsão criativa, a cada mês escrevia um livro de ficção. Sua nova situação de ilustre acadêmico exigia que tivesse o acervo com estoque farto, para acabar com essa situação incômoda de ser um autor sem leitor.

 

Apresentou-se à reunião dos membros fundadores da academia, distribuindo exemplares dos três livros publicados e o currículo robusto. Pronunciou um discurso contundente, jurando cumprir os desígnios da instituição contra trovões e tempestades, erguendo alto a bandeira que sustentava o propósito de defender a liberdade de expressão e preservar a pureza da língua. Causou espanto a quem ouviu, foi aplaudido com palmas sonoras. Era o membro certo que aparecia no momento certo para ocupar uma das cadeiras fundadas pelos patronos ilustres da instituição. Sem modéstia, declarou que só lhe interessava ocupar a cadeira 26, que tinha como patrono Machado de Assis, o bruxo de Cosme Velho, arguto analista de alma, seu eterno ídolo.

 

Cedo ficaram sabendo que aquela criatura de temperamento irritado, de difícil convivência, não era tão certa assim para ocupar as hostes de uma agremiação que cultivava o amor às letras, o convívio fraterno com finos tratos. Autoritária, sua presença causava medo no ambiente, até as paredes tremiam quando adentrava o recinto. Discordava das argumentações da presidente, professora e juíza de direito, Antonia Carvalho Midlej, com vistas à execução de um eficiente projeto cultural que trouxesse ganhos para as letras comunitárias e com isso reforçasse o conceito da entidade em elevado patamar, entre os pares e concidadãos da progressista cidade.

 

Com o dedo em riste, de repente surgiu rancoroso para agredir à ilustre diretora de comunicação da instituição, a estimada confreira Mabel Rocha, dublê de cineasta e psicanalista, acusada por ele de centralizadora do blog, sem competência técnica para administrá-lo, atuando em causa própria na divulgação das matérias. Na última sessão, descontrolou-se de tal maneira que partiu para agredir com sopapos à presidente e à diretora de comunicação. Foi impedido por vários confrades de consumar o crime de lesão corporal de natureza grave nas duas confreiras.

 

Foi convidado para que se retirasse do recinto, se resistisse iam chamar a polícia. Bufando, esperneando, retirou-se a muito custo. Atirou cobras e lagartos para todas as direções. “Vocês me pagam”, jurava, o rosto vermelho, a cabeçorra como se fosse a de um gigante, de tanto que cresceu nessa hora de revolta e fúria. Não teve mais ambiente para frequentar a academia, mas não pediu desligamento da entidade, não demonstraria tamanha fraqueza perante aquela cambada de cretinos, tropa de calhordas, narcisistas contumazes. Resolveu construir o seu blog, para a divulgação de seus textos e, ao mesmo tempo, numa perseguição canina desenfreada, desferir mordidas e unhadas contra a inoperante Academia de Letras de Bibocas do Japará.

 

Caluniou, injuriou, despejou infâmias contra os integrantes do sodalício pomposo, de cabo a rabo incompetente e inoperante, acentuava. Sem um livro publicado vários de seus membros, os que tinham editado um ou outro livreto apenas das páginas emergiam ideias provincianas, baseadas na argumentação pueril, sem condimento filosófico, já nascidas mortas, expressas em escrita pobre, ressaltava no blog “O Porrete”. Adiantava que esses palhaços vestidos de acadêmicos terminavam suas falas na sessão com o elogio da glória da tão falada imortalidade, que não era nada de imortalidade, nem coisa alguma, já que todos nós só tínhamos um destino aqui na terra, carimbado pela indesejada, sermos comidos por uns bichinhos que nos esperam debaixo da terra para o banquete costumeiro.

 

“Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo mais infeliz do que eu?”

 

Silvano Fontana escutou daquela vez não a resposta conhecida, mas os ruídos do espelho se partindo e caindo aos pedaços no quarto. Sem trégua do perguntador aflito, o velho e leal interlocutor não suportou mais aquela indagação repetitiva e enfadonha, para a qual a resposta era uma só, não podia ser outras por razões de evidência categórica, que dava na vista.

 

..............

 

Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

 

ATT.

Este conto é uma depreciação, uma ofensa ao escritor Rilvan Batista de Santana, por isto, o arquivei em meu site enquanto não seja apagado de todas as plataformas. Foi copiado do site "Itabuna Centenária" de Eglê Santos Machado de 08 de agosto de 2020. Itabuna (BA), 16 de abril de 2023.

 

Cyro de Mattos

Aos acadêmicos da ALITA (II)

 


Aos acadêmicos da ALITA (II)

Aos

 

Acadêmicos da ALITA (II)

 

Senhores Confrades:

 

     Eu nasci no interior, em que a palavra era o documento maior. Nós não sabíamos o que era justiça, delegacia, as contendas eram resolvidas pelo membro mais velho da família e pelos visinhos de bom senso.

     Hoje, meio dia, a confreira Raquel Rocha me ligou, informando-me que alguns confrades estão pensando numa “Restauração Judicial”, peço-lhes que abandonem essa idéia, não quero retornar sob imposição judicial. Quero voltar se for consenso interno e compreensão e generosidade de todos.

     Por isso, peço desculpa pública a Cyro de Mattos e que me desculpe o filho de Sônia Maron. Digo-lhes que nunca lhes quis mal e nunca guardei ressentimento. Se lhes ofendi, não o fiz com maldade, mas, no calor da opinião pessoal. Quando tenho uma opinião, defendo com unhas e dentes aquele ideal, às vezes, pensamos que não estamos machucando outras pessoas.

     Enfim, que os confrades compreendam que nada vale a pena pela força, mas pelo tolerância, generosidade e amor. Certo da atenção dos confrades, reitero protestos de estima e apreço. São Caetano, Itabuna (BA), 19 de abril de 2023

Rilvan Santana

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