6.15.2026

Trabalhando ‘Sob Nova Direção’ Por Robert Tamasy

 
Trabalhando ‘Sob Nova Direção’

Por Robert Tamasy

 

Você já passou de carro diante de um negócio e notou uma placa onde se lia “Sob Nova Direção” exibida com destaque em sua fachada? Isso sempre o leva a imaginar se significa uma boa coisa ou não, certo? 

 

Posso pensar em um restaurante ou dois que eu apreciava frequentar até que sua qualidade e/ou serviços decaíram, tornando menos atraente a ideia de continuar a prestigiá-los. Quando via “Sob Nova Direção” na sua vitrine da frente ou na marquise, pensava: “Será que devo visitá-los novamente e ver o que mudou?” 

 

O mesmo se aplica a grandes corporações, onde uma velha liderança é removida e um novo CEO é designado com promessas de coisas maiores e melhores chegando.  Quando uma organização está passando por tempos difíceis, seja ela uma fábrica de automóveis, uma instituição educacional ou uma cadeia de varejo, a promessa de uma “Nova Direção” geralmente serve para acalmar acionistas, consumidores e patrocinadores - pelo menos temporariamente. 

 

Mas aplicando essa ideia a uma esfera mais pessoal, alguma vez você já sentiu a necessidade de que sua vida estivesse “Sob Nova Direção”? Talvez haja algum traço comportamental do qual você não se orgulhe. Quem sabe, um temperamento que se descontrola por nada e que lhe causa problemas de interação com empregados, colegas e mesmo clientes. Ou ainda, sentimentos de ira que você acha difícil reprimir – mesmo quando não pode identificar exatamente por que está irado. Ou outras tentações que infestam o seu cotidiano, seja no trabalho, seja na vida pessoal. Você gostaria de mudar, sentir ou agir de maneira diferente, mas sente-se incapaz de fazê-lo. 

 

O que você diria se lhe fosse apresentada a oportunidade de fazer as mudanças desejadas, e que isso não exigiria muito esforço de sua parte? Anos atrás, alguém entrou em minha vida e me ajudou a compreender e aplicar algumas verdades bíblicas que descobri serem transformadoras – capazes de verdadeiramente produzir mudança de vida. Eis aqui algumas delas, para sua consideração: 

 

É oferecida a nós a oportunidade de nos tornarmos “novos”. Tornar-se seguidor de Jesus Cristo significa muito mais do que receber perdão dos pecados e a certeza de vida após a morte. Também significa que de fato recebemos uma nova vida espiritualmente. Com ela vem a capacitação para vencer velhos hábitos e comportamentos destrutivos, não por meio de nossa própria iniciativa, mas pelo poder de Jesus vivendo em nós. “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! (II Coríntios 5:17). “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...(Gálatas 2:20).  “...Como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.” (Romanos 6:4). 

 

Somos libertos do poder da nossa antiga maneira de ser. Alguns veem a chamada “vida cristã” como a tentativa de se moldar a um novo conjunto de regras, rituais e regulamentos. Entretanto, a Bíblia ensina que nos tornamos livres do poder do pecado – definido como “errar o alvo” dos perfeitos padrões de Deus – e capacitados a viver como Deus sempre planejou. “Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus.” (Romanos 6:11). “Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça. (Romanos 6:18). 

 

Talvez você precise entregar a sua vida a Jesus Cristo pela primeira vez. Ou, quem sabe, como um de Seus seguidores, você tenha deixado de reconhecer e de se apropriar de Seu poder para estar “Sob Nova Direção”. Hoje pode ser um bom dia para começar, orando e buscando o apoio de amigos de confiança.

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

 

1.   Descreva uma ocasião em que você tenha decidido prestigiar uma empresa que anunciava estar “Sob Nova Direção”.

2.   O que você pensa da ideia de estar “Sob Nova Direção” pessoalmente? Houve ocasião em que você achou que esta era uma boa ideia, mas imaginava se era possível consegui-lo? De que modo?

3.   A Bíblia declara que se tornar novo – uma nova criação – não é uma noção fantasiosa, mas uma possibilidade real, pelo poder de Jesus Cristo. Como você reage a isso? Já o experimentou? Está experimentando neste momento?

4.   O que significa para você a afirmação bíblica de tornar-se escravo da justiça – seja na vida profissional, seja na esfera pessoal? Isso desperta sua curiosidade ou interesse? Isso lhe soa agourento? Por quê?

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos João 15:1-5; Atos 17:28; Romanos 6:3-14; 16-23; 7:21- 8:2 Filipenses 4:13. 

6.14.2026

A carta em que Mário de Andrade fala de sua homossexualidade

A carta em que Mário de Andrade fala de sua homossexualidade

"Sou incapaz de convidar um companheiro daqui a sair sozinho comigo na rua. Se saio com alguém é porque me convida", ele escreveu a Manuel Bandeira

MARCELO BORTOLOTI

Mario de Andrade (Foto: Arquivo IEB)

A Fundação Casa de Rui Barbosa abriu nesta quinta-feira (18) à consulta a carta escrita por Mário de Andrade em 7 de abril de 1928 ao amigo Manuel Bandeira, em que faz referências diretas à sua homossexualidade. O documento estava lacrado havia 35 anos nos arquivos da Fundação, e foi aberto depois de um pedido de ÉPOCA por meio da Lei de Acesso à Informação.

Na carta, Mário de Andrade fala sobre as pressões que sofria por causa de sua fama de homossexual, e não desmente os boatos a esse respeito. Em um dos trechos, afirma: “si agora toca nesse assunto em que me porto com absoluta e elegante discrição social, tão absoluta que sou incapaz de convidar um companheiro daqui a sair sozinho comigo na rua (veja como eu tenho a minha vida mais regulada que máquina de pressão) e si saio com alguém é porque esse alguém me convida, si toco no assunto é porque se poderia tirar dele um argumento pra explicar minhas amizades platônicas, só minhas.”

Até hoje, esta carta  é a confissão mais clara sobre a homossexualidade do autor paulista, feita de próprio punho. Embora o assunto já fosse de conhecimento público, a pressão da família em negar o fato, e a postura da Casa de Rui Barbosa em relutar a abrir esta carta, produziram grande alarde em torno do documento.

A decisão da Controladoria Geral da União em determinar que a carta fosse aberta à consulta vai permitir um debate mais amplo sobre o alcance da Lei de Acesso à Informação. Para os pesquisadores de Mário de Andrade, esta vitória significa um passo adiante no estudo da vida e da obra do escritor, cuja morte completa agora 70 anos.

Leia abaixo o trecho da carta de abril de 1928:

(...) Está claro que eu nunca falei a você sobre o que se fala de mim e não desminto. Mas em que podia ajuntar em grandeza ou milhoria pra nós ambos, pra você, ou pra mim, comentarmos e elucidar você sobre a minha tão falada (pelos outros) homossexualidade? Em nada. Valia de alguma coisa eu mostrar o muito de exagero nessas contínuas conversas sociais? Não adiantava nada pra você que não é indivíduo de intrigas sociais. Pra você me defender dos outros? Não adiantava nada pra mim porque em toda vida tem duas vidas, a social e a particular, na particular isso só interessa a mim e na social você não conseguia evitar a socialisão absolutamente desprezível duma verdade inicial. Quanto a mim pessoalmente, num caso tão decisivo pra minha vida particular como isso é, creio que você está seguro que um indivíduo estudioso e observador como eu há de tê-lo bem catalogado e especificado, há de ter tudo normalizado em si, si é que posso me servir de “normalizar” neste caso. Tanto mais, Manu, que o ridículo dos socializadores da minha vida particular é enorme. Note as incongruências e contradições em que caem. O caso de Maria não é típico? Me dão todos os vícios que por ignorância ou por interesse de intriga, são por eles considerados ridículos e no entanto assim que fiz duma realidade penosa a “Maria”, não teve nenhum que caçoasse falando que aquilo era idealização para desencaminhar os que me acreditavam nem sei o que, mas todos falaram que era fulana de tal.

Mas si agora toco nesse assunto em que me porto com absoluta e elegante discrição social, tão absoluta que sou incapaz de convidar um companheiro daqui a sair sozinho comigo na rua (veja como eu tenho a minha vida mais regulada que máquina de pressão) e si saio com alguém é porque esse alguém me convida, si toco no assunto é porque se poderia tirar dele um argumento pra explicar minhas amizades platônicas, só minhas. Ah, Manu, disso só eu mesmo posso falar, e me deixe ao menos pra você, com quem, apesar das delicadezas da nossa amizade, sou duma sinceridade absoluta, me deixe afirmar que não tenho nenhum sequestro não. Os sequestros num casos como este onde o físico que é burro e nunca se esconde entra em linha de conta como argumento decisivo, os sequestros são impossíveis.

Eis aí uns pensamentos jogados no papel sem conclusão nem sequencia, faça deles o que quiser.”

 

Fonte: MARCELO BORTOLOTI

Mario de Andrade (Foto: Arquivo IEB)

 

 

 

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