6.13.2026

Atitude: Qualidade Crucial - Jim Langley

 
Atitude: Qualidade Crucial

Por Jim Langley

 

Ter atitude é um dos traços ou qualidades essenciais para sucesso no mundo profissional e empresarial, embora nem sempre eu tenha acreditado dessa maneira.

 

Quando jovem, como profissional de recursos humanos, ironicamente desenvolvi uma postura negativa de enfatizar “atitudes”. Uma de minhas tarefas consistia em planejar avaliações de desempenho para os colaboradores. Solicitava aos supervisores que fatores de desempenho eles achavam necessário avaliar. Inevitavelmente diziam ser importante avaliar a atitude em relação ao trabalho.

 

Meu problema era não ver como seria possível mensurar atitude. Ainda assim me submeti à ideia de que a avaliação de atitudes tinha valor, já que precisava que executivos e gerentes comprassem o sistema que eu estava propondo. Mas me aborrecia a percepção dos supervisores e minha própria atitude não era correta. 

 

Com o tempo compreendi uma verdade importante: cada um de nós se posiciona em relação a muitas coisas. É da natureza humana formar opiniões e elas influenciam a forma como pensamos e agimos. Você pode até mesmo estar desenvolvendo uma postura ou atitude em relação à discussão deste tema, ou estar preocupado quanto a que direção isso irá tomar. Temos o direito de ter nossa própria postura, mas algumas vezes isso pode nos impedir de ver a verdade e ser obstáculo para nosso relacionamento com outros. 

 

Nossas atitudes podem nos impedir de efetuar mudanças de paradigmas valiosas – mudanças em nossa maneira de pensar – na forma como olhamos a vida em geral e a das pessoas que encontramos no dia a dia. Isso pode exercer grande impacto sobre nossos negócios, nosso casamento e outros relacionamentos.

 

A diversidade é bela quando vista através dos olhos de Deus, embora da nossa perspectiva possa parecer disfuncional e até irritante. Eu me atreveria sugerir que a resposta está em buscarmos desenvolver uma “atitude de coração” que agrada a Deus. 

 

Na  Bíblia, o rei Davi é descrito como “homem segundo o coração de Deus” (1Samuel 13.13-14; Atos 13.22). Não deixe que sua mente ou suas experiências o impeçam de ver a beleza do perfeito plano de Deus para cada pessoa que Ele criou. Não caia na armadilha de julgar os outros por não se encaixarem em sua percepção de como deveriam agir. 

 

Filipenses 2.3-8 fala especificamente disso: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus... esvaziou-se a Si mesmo, vindo a ser servo... E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a Si mesmo”.

 

Claro, existem verdades absolutas, mas não somos juízes ou júri. Esse é trabalho para Deus e Ele simplesmente deseja que O amemos com todo o coração, mente, alma e forças, e amemos os outros como a nós mesmos (Mateus 22.37-39). É o que a Bíblia descreve como  atitude correta!

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

 

1. Qual o efeito de atitudes boas ou más no trabalho? Você já trabalhou para, ou com uma pessoa que tinha atitudes erradas?

2. Como podemos evitar atitudes erradas para com os que são diferentes de nós?

3. Rei Davi foi um homem “segundo o coração de Deus”. O que isto significa em sua opinião?

4. Acha difícil obedecer a Jesus segundo Mateus 22.37-39, de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 14.29; 17.24; Romanos 6.4,11; 12.1-2; 1Coríntios 2.16; Colossenses 3.1-3.

 

6.12.2026

Zélia Lessa - A Música e o Tempo - Ademilton Batista.


      Zélia Lessa

Há pessoas que passam pela vida. Há outras que ajudam a construir o lugar onde vivem. E há aquelas raras criaturas que se confundem com a própria história da cidade. Zélia Lessa pertence a essa última categoria.

Quando nasceu, em 12 de junho de 1926, Itabuna ainda era uma jovem cidade em crescimento, movida pelo sonho do cacau e pela coragem de seus pioneiros. As ruas eram outras, os costumes eram outros, os sons eram outros. O mundo ainda aprendia a conviver com a eletricidade, os automóveis eram novidade para muitos e a televisão sequer fazia parte da imaginação popular. Foi nesse cenário que uma menina começou a descobrir os segredos da música.

Ainda criança, aproximou-se do piano como quem encontra um velho amigo. Algumas pessoas aprendem notas; Zélia parecia ouvir o que as notas tinham a dizer. Aos poucos, os sons transformaram-se em linguagem, e a linguagem transformou-se em missão. Enquanto muitos buscavam apenas uma profissão, ela encontrou um propósito.

O tempo passou. As décadas vieram e foram embora. Governos mudaram, costumes mudaram, gerações nasceram e desapareceram. Mas havia algo que permanecia constante em Itabuna: a presença discreta e firme daquela mulher dedicada à arte de ensinar.

Em salas de aula, em apresentações, em ensaios e encontros, Zélia foi espalhando sementes invisíveis. Algumas floresceram em músicos. Outras em professores. Outras apenas em cidadãos mais sensíveis à beleza da vida. Mas todas carregavam um pouco da sua influência.

A música, afinal, nunca foi apenas música para ela. Era educação. Era disciplina. Era afeto. Era construção de humanidade.

Quando fundou o Coral Cantores de Orfeu, em 1955, talvez nem imaginasse que estava criando uma das mais duradouras instituições culturais da região. O coral atravessaria décadas, encantaria plateias, revelaria talentos e faria da música um elo entre gerações. Quantas vozes passaram por suas mãos? Quantas histórias começaram em um ensaio? Quantos jovens encontraram ali um caminho para sonhar?

Talvez ninguém consiga responder. Há contribuições tão profundas que escapam às estatísticas.

Ao longo dos anos, Zélia tornou-se uma guardiã da memória cultural grapiúna. Em suas composições, especialmente na célebre Rapsódia Grapiúna, não estavam apenas notas musicais. Estavam os sons da terra do cacau, os costumes de um povo, as lembranças de uma região inteira transformadas em arte.

Enquanto muitos registravam a história com palavras, ela a registrava com melodias. E as melodias, às vezes, duram mais que os discursos

Chegar aos cem anos já é um feito raro. Chegar aos cem anos carregando uma vida dedicada ao conhecimento, à cultura e à formação humana é algo ainda mais extraordinário.

Zélia viu o mundo mudar diante de seus olhos. Viu o rádio chegar às casas. Viu a televisão transformar hábitos. Viu o homem chegar à Lua. Viu o surgimento da internet.

Viu gerações inteiras crescerem, envelhecerem e passarem adiante aquilo que aprenderam.

E, em meio a tantas transformações, continuou fazendo aquilo que sempre soube fazer: ensinar, inspirar e construir pontes entre pessoas através da música.

Talvez o maior legado de uma vida não esteja nos títulos recebidos, nas medalhas conquistadas ou nos aplausos acumulados. Talvez esteja nas marcas invisíveis que deixamos nos outros.

Se assim for, Zélia Lessa construiu uma obra monumental. Sua verdadeira biografia não está apenas nos livros ou nos registros oficiais. Está espalhada pelas salas de aula, pelos palcos, pelos corais, pelas famílias e pelos corações daqueles que, em algum momento, tiveram suas vidas tocadas por sua dedicação.

A cidade que a viu nascer cresceu. A menina tornou-se mestra. A mestra tornou-se referência. E a referência transformou-se em patrimônio afetivo de uma região inteira.

Aos cem anos, Zélia Lessa já não pertence apenas à sua família, aos seus alunos ou aos seus admiradores. Pertence à memória cultural de Itabuna. E algumas pessoas, quando alcançam essa condição, deixam de ser apenas personagens da história. Passam a ser parte dela.

 






Ademilton Batista

Escritor, Poeta, Ator e Comunicador

Brasil, Bahia, Itabuna. DRA12.06.2026







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