6.02.2026

Seis Palavras para Mais Gratidão Por Ed Thompso

 Seis Palavras para Mais Gratidão

Por Ed Thompso

Uma virtude que vemos muito raramente no mundo profissional e empresarial é a gratidão. Nós somos lembrados dela uma vez por ano em muitos países onde o Dia de Ação de Graças é celebrado. Sentirmo-nos gratos, porém, não deveria se limitar a uma festa anual. A simples ação de levantarmo-nos todas as manhãs, nos sentido saudáveis e capazes de trabalhar deveria inspirar em nós um espírito de gratidão. Na maior parte dos dias nos deparamos com problemas e contrariedades de vários graus, mas ainda assim podemos encontrar muitos motivos para nos sentirmos cheios de gratidão. 

Tempos atrás ouvi uma mensagem do Dr. David Jeremiah, na qual ele sugeria seis palavras que poderiam capacitar as pessoas a viverem com mais gratidão. Não muito depois disso, em um grupo de homens, discutimos essas seis palavras. Para estimular nossos pensamentos, fiz perguntas simples que resultaram em profundas experiências entre nós. Talvez você também ache esses pensamentos úteis: 

Palavra 1 – Relacionamentos – Pedi aos homens: “Fale-nos sobre um relacionamento especial que você tem (ou tenha tido) que o faça profundamente agradecido.” Em resposta, ouvimos histórias tocantes sobre casamentos, amizades e atos de amor decorrentes de relacionamentos proporcionados por Deus. 

Palavra 2 – Recordação – Outro homem perguntou: “De que momentos decisivos em sua vida você se recorda que o tornam grato? Fale-nos sobre eles.”,

Palavra 3 Reflexão – Esta palavra teve o efeito de levar a recordação a um nível mais profundo. Um homem confessou: “Não posso deixar de refletir sobre todos os momentos em que  escolhi o trabalho, e não minha esposa e família. Hoje, sou grato a Deus porque apesar disso, eles me amam e estão ao meu lado.”

Palavra 4 Regozijo – O mesmo homem que falou sobre reflexão começou a regozijar-se com a maneira como Deus preservou seu casamento e sua família ao longo de sua vida. Alguns dizem que chorar não é “coisa de homem”, mas suas lágrimas mexeram com o restante de nós e nos levaram a também nos regozijarmos com a bondade de Deus em nossas vidas. Sentimo-nos muito agradecidos simplesmente por conhecermos as histórias uns dos outros e aplicar suas descobertas a nossas experiências de vida.

Palavra 5 Reação – Outro homem tinha uma história diferente. Sua esposa e filhos o tinham abandonado porque ele deixara de prover e dar suporte a eles em suas necessidades. Esse homem declarou que, com a ajuda de Deus, estava tentando conquistá-los novamente. O restante de nós reagiu com apoio e oração, com a esperança de restauração para ele e sua família.

Palavra 6 O termo final de nossa discussão foi Alcançar – Depois de ouvirmos uma história sobre a visitação a pessoas sem teto em uma área coberta por árvores, os homens se determinaram a refletir sobre onde poderiam começar a alcançar os pobres e feridos conforme Deus os guiasse. Concordamos que servir aos outros gratifica o nosso coração tanto ou mais ainda do que as vidas que servimos. Como Jesus disse: “...Há maior felicidade em dar do que em receber.” (Atos 20:35), em parte porque à medida em que damos de nossos recursos – que isso envolva bens materiais, nossas habilidades ou tempo – experimentamos a gratidão por podermos ajudar outras pessoas.

Será que essas seis palavras poderiam ajudar você a experimentar mais gratidão em sua vida diária? Você aprendeu a benção da admoestação “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus.” (I Tessalonicenses 5:18)? 

 

 Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Você experimenta gratidão com frequência ou acha necessário um feriado específico ou ocasião especial para lembrá-lo de ser grato? Explique sua resposta.

2. Neste momento, em que você pode pensar sem muito esforço que o faz ser grato - ou deveria sê-lo?

3. Qual das seis palavras o estimula a um renovado senso de gratidão por aspectos de sua vida, seja em sua carreira, em sua família ou qualquer outro aspecto de sua vida pessoal?

 

4. Gratidão não é alvo de discussões frequentes no ambiente de trabalho. Por que você acha que é assim?  Deveria ser feito algo para mudar isso? O que você faria para introduzir mais gratidão e seu ambiente de trabalho?

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos  Salmos 50:14; 147:7; II Coríntios 4:15; 9:11; Efésios 5:20; Colossenses 2:7; 3:16-17. 

 

 

Não vou mais lavar os pratos - Cristiane Sobral

 








Não vou mais lavar os pratos

 

Não vou mais lavar os pratos.

Nem vou limpar a poeira dos móveis.

Sinto muito. Comecei a ler. Abri outro dia um livro

e uma semana depois decidi.

Não levo mais o lixo para a lixeira. Nem arrumo

a bagunça das folhas que caem no quintal.

Sinto muito.

Depois de ler percebi

a estética dos pratos, a estética dos traços, a ética,

 

A estática.

Olho minhas mãos quando mudam a página

dos livros, mãos bem mais macias que antes

e sinto que posso começar a ser a todo instante.

Sinto.


Qualquer coisa.

Não vou mais lavar. Nem levar. Seus tapetes

para lavar a seco. Tenho os olhos rasos d’água.

Sinto muito. Agora que comecei a ler quero entender.

O porquê, por quê? e o porquê.

Existem coisas. Eu li, e li, e li. Eu até sorri.

E deixei o feijão queimar...

Olha que feijão sempre demora para ficar pronto.

Considere que os tempos são outros...

 

Ah,

esqueci de dizer. Não vou mais.

Resolvi ficar um tempo comigo.

Resolvi ler sobre o que se passa conosco.

Você nem me espere. Você nem me chame. Não vou.

De tudo o que jamais li, de tudo o que jamais entendi,

você foi o que passou

Passou do limite, passou da medida,

passou do alfabeto.

 

Desalfabetizou.

Não vou mais lavar as coisas

e encobrir a verdadeira sujeira.

Nem limpar a poeira

e espalhar o pó daqui para lá e de lá pra cá.

Desinfetarei minhas mãos e não tocarei suas partes móveis.

Não tocarei no álcool.

Depois de tantos anos alfabetizada, aprendi a ler.

Depois de tanto tempo juntos, aprendi a separar

meu tênis do seu sapato,

minha gaveta das suas gravatas,

meu perfume do seu cheiro.

Minha tela da sua moldura.

Sendo assim, não lavo mais nada, e olho a sujeira

no fundo do copo.

Sempre chega o momento

de sacudir,

de investir,

de traduzir.

Não lavo mais pratos.

Li a assinatura da minha lei áurea

escrita em negro maiúsculo,

em letras tamanho 18, espaço duplo.

 

Aboli.

Não lavo mais os pratos

Quero travessas de prata,

Cozinha de luxo,

e joias de ouro. Legítimas.

Está decretada a lei áurea.

(Cadernos negros 23: poemas afro-brasileiros, 2000).


Autora: Cristiane Sobral

Fonte: Google

 

6.01.2026

CAPÍTULO 02 – Suposto reencontro – Luis Pedro Novaes

 



 CAPÍTULO 02 – Suposto reencontro

Imediatamente após a ligação daquela mulher, o trauma que Jack tentara aprisionar por tanto tempo retornou com força total. Sua cabeça parecia uma tempestade turbulenta; ele sentia-se como um pequeno barco à deriva em meio a dores e incógnitas. Sua avó, percebendo o alvoroço, correu ao amparo do neto na tentativa de acalmá-lo.

— Jack, Jack, o que aconteceu? Por que você está assim? — indagou ela, desesperada com a situação.

— Uma mulher ligou... disse que era a minha mãe. Ela sabia meu nome, disse que foram eles que o escolheram — respondeu o jovem, choramingando enquanto permanecia encolhido no chão.

A avó ajoelhou-se ao seu lado e o colocou cuidadosamente no colo. Passou a mão levemente pelos seus cabelos curtos e espetados, fazendo-o sossegar aos poucos, embora ele ainda soluçasse em intervalos curtos.

— Ela disse o nome dela? — perguntou a senhora.

— Não, apenas disse que era minha mãe.

— Então não precisa levar isso a sério, meu querido. Pode ser apenas alguém passando um trote; não se pode acreditar em tudo o que dizem. Relaxe um pouco e saia com seus amigos para distrair a mente.

— Tudo bem, obrigado, vó.

— Não tem de quê, meu filho.

Algum tempo depois, Jack se preparou e saiu para caminhar pelo bairro com Jhenefer e Michel. Ambos estavam visivelmente preocupados, pois conheciam bem a instabilidade emocional do amigo.

Eles percorreram ruas pavimentadas com ladrilhos quadrados e bem alinhados, ladeadas por casas de dois andares e telhados triangulares. Algumas vias eram exclusivas para pedestres, onde crianças corriam livremente no caminho que levava ao parque central.

Era lá que o trio costumava se reunir para descarregar as mágoas da vida. O lugar favorito deles era uma casa de madeira, onde podiam se isolar de tudo e de todos, um mundo escondido onde só eles tinham acesso.

— Agora conte para a gente: o que aconteceu para você ficar nesse estado melancólico? Parece que viu a morte de perto! — Jhenefer iniciou a conversa.

— Tenho certeza de que foi algo pior que a morte — completou Michel, estranhando o comportamento de Jack. — Para você voltar a ficar assim, algo muito ruim deve ter acontecido.

— Aconteceu algo que eu nunca esperaria... ou talvez fosse apenas alguém querendo me ver sofrer. Uma mulher ligou para casa dizendo ser minha mãe e afirmou que foi ela quem me deu esse nome incomum.

Jhenefer ficou sem palavras e Michel entristeceu-se. Eles conheciam a história por trás do nascimento de Jack e, durante anos, foram os únicos a protegê-lo de tudo o que era ruim. Ao repetir a história, Jack começou a chorar novamente, desta vez de forma mais contida.

— Pela sua reação, você acreditou nela, não foi? — Jhenefer perguntou, com um tom de lamentação por ver o amigo cair no que parecia ser uma pegadinha.

— Se eu fosse você, esqueceria essa ligação e seguiria a vida como se nada tivesse acontecido — aconselhou Michel, embora sentisse raiva por ver o amigo sendo maltratado.

— Se eu pudesse escolher, queria estar em uma família diferente — desabafou Jack. — Teria pais melhores, talvez irmãos para me divertir, sem ter que me preocupar com o julgamento das pessoas.

— Ousado, hein? Não imaginei que esse seria o seu desejo — retrucou Michel.

— É só um pensamento bobo. Não é como se eu pudesse criar uma família do zero ou simplesmente mudar para outra. Mas, se acontecesse, seria ótimo.

— Cuidado com o que deseja, os pedidos podem se realizar — alertou Jhenefer, preocupada com a profundidade daqueles sentimentos.

— Vamos mudar de assunto, o clima está ficando muito pesado por aqui! — gritou Michel, assustando os amigos e mudando a expressão de todos em um instante. — O seu aniversário está chegando. Já pensou no que vamos fazer?

— Acho que minha avó fará apenas um bolo simples, como nos outros anos — respondeu Jack, um pouco triste. — Não é como se eu fosse ganhar uma grande festa.

— Muita coisa pode acontecer, não acha? — indagou Michel, intrigado.

— Com certeza! São dezesseis anos, precisamos de algo grande e novo — Jhenefer tentou elevar o ânimo de Jack, esperando que ele ficasse mais alegre com a data.

— Vocês dois já são meus presentes mais valiosos, não poderia querer nada além disso — declarou Jack com sinceridade. Ele sabia que Jhenefer e Michel haviam mudado sua vida para melhor.

Jhenefer, aos quinze anos, era extremamente inteligente e estudiosa; falava inglês e francês fluentemente graças às viagens com os pais e ao que aprendera na escola. Michel, da mesma idade, era o extrovertido do grupo e quase um irmão para ela, já que haviam nascido com apenas uma semana de diferença. Ele era enérgico, às vezes temperamental, adorava esportes e sonhava em ser o maior jogador de futebol do mundo.

Um mês se passou desde aquela conversa. Jack já havia esquecido a suposta ligação e estava ansioso pelo aniversário. Ele ainda era um garoto que guardava tudo para si, abrindo-se apenas com seus dois melhores amigos.

Finalmente, o grande dia chegou. Jack acordou disposto e com uma energia renovada. Sua avó preparou um café da manhã com torradas, ovos fritos e café com leite. Ela notou, satisfeita, que o neto comia com uma felicidade incomum. Ainda pela manhã, ele saiu para caminhar, mas como não era próximo dos vizinhos, ninguém o parabenizou, o que começou a deixá-lo murcho.

No entanto, Jhenefer e Michel logo apareceram gritando por ele ao longe. Um sorriso surgiu em seu rosto e a aura densa deu lugar a uma sensação de leveza. Ao meio-dia, a fome apertou.

— E então, o que quer comer no seu dia especial? — perguntou Jhenefer, ansiosa.

— Não tenho preferência, qualquer coisa está bom — respondeu Jack, para a decepção da amiga.

Jack nunca fora de ter preferências alimentares; costumava comer sempre as mesmas coisas, apenas com preparos diferentes.

— Esse é o seu problema! Precisamos te levar para experimentar coisas novas. Ficar na mesmice é idiotice — retrucou Michel. — Vamos te levar a lugares onde nunca foi para descobrir novos sabores.

— O quê? Você acha que sou rico por acaso? — questionou Jack.

— Não se preocupe, eu tenho meus contatos — disse Michel, mexendo no celular.

— Desse celular que mais parece uma folha de papel e vive dando problema? Sei... — ironizou Jack.

— Ele custou caro! Tive que abrir mão da minha bike para comprá-lo — defendeu-se Michel.

— Pelo que você gasta com o conserto dele, já dava para ter comprado umas três bikes facinho — provocou Jack.

— Isso não importa agora! Prepare-se para voltar gordo para casa — finalizou Michel.

A tarde passou lentamente enquanto os três visitavam diversos lugares e provavam iguarias diferentes. O passeio foi um sucesso e Jack comeu tanto que mal conseguia caminhar.

— Acho que nunca comi tanto na vida — confessou o aniversariante.

A tarde calorosa foi seguida por um anoitecer rápido, com o céu azul escuro surgindo mais cedo que o esperado. Eles decidiram encerrar o dia na casa de Jack, assistindo a filmes. As ruas estavam escuras e desertas, o que lhes causou um medo óbvio, fazendo-os apressar o passo.

Ao chegarem, notaram que todas as luzes estavam apagadas. Entraram em silêncio e tiraram os calçados no corredor.

— Vó? A senhora está em casa? — Jack gritou.

— Estou na cozinha, podem vir! — A avó respondeu em voz alta.

Ao entrarem na cozinha, a luz se acendeu e a avó, junto com alguns vizinhos, gritou "Surpresa!". Jack levou um susto enorme; aquilo era o oposto do que ele esperava, dadas as comemorações simples dos anos anteriores. A festa começou com música e confetes, e Jack sentiu-se genuinamente amado e feliz.

A noite transcorria alegremente até que, horas depois, a campainha tocou. Jack, ainda animado, foi atender, esperando outro convidado, mas encontrou Sabino. Ele era um amigo de longa data da família que acompanhara o crescimento de Jack.

— Sabino? O que faz aqui a esta hora? — perguntou o jovem.

— Vim trazer uma má notícia — respondeu o homem, com o semblante sério.

— O que foi? Fale logo, está me assustando! — disse Jack.

— Seus pais sumiram! — anunciou Sabino.

— O quê? Do que você está falando? Eles me abandonaram quando nasci, eu já sei disso. Pare de bobagens e entre — retrucou Jack, não levando a sério.

Percebendo a incredulidade do garoto, Sabino segurou firmemente nos braços de Jack e olhou em seus olhos. Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto do homem e pingar no chão.

— Me escute! Seus pais sumiram agora! Eles estavam vindo para cá e eu estava perto deles quando desapareceram. Um círculo brilhou no chão de repente e os fez sumir. Por favor, acredite em mim!

 

 

Continua...


Autoria:  Luís Pedro Novaes

Foto: Produção

Água Negra - Lívia Natália

 









Água Negra

Chove muito na cidade.
No asfalto betumoso um sangue transparente,
ora de um rubro desencarnado,
ora encardido de um cinza nebuloso,
é vomitado em cólicas
por toda a parte.

 
Das paredes duras vaza um mais escuro que,
imagino,
seja a água mordendo as estruturas.

 
A água é assim:
atiçada do céu,
infinita no mar,
nômade no chão pedregoso,
presa no fundo de um poço imenso:

 
A água devora tudo
com seus dentes intangíveis.
(Água negra, p.39)


 

Fonte: Literafro

Foto; Google

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