11.03.2025

O direito à vida - R. Santana

 


O direito à vida

R. Santana

 

Não concordei com as ideias de Tanaguchi que defendeu em nosso último encontro: “O direito de morrer”. Não o procurei no dia seguinte, mas, um mês depois. Não tive dificuldade de reencontrá-lo, sempre na mesma praça, no mesmo jardim, centro da cidade de Itabuna. Acho que alguma pessoa lhe traz lembrança afetiva nesse lugar. Uma vez justificou seu apego à praça:

- Meu amigo, esta praça, com todo desleixo do município, ela é aprazível e significativa na história da cidade... Tu sabes quem foi Olinto Leone?

- Claro, foi o primeiro intendente da cidade, ou seja, o primeiro prefeito de Itabuna em 1910! - acrescentei:

- Tu vens de longe só para honrar a memória de Olinto Leone?

- Não! Eu gosto destas árvores, gosto dos pássaros que nelas regurgitam, eu gosto dos macacos que pulam de galho e quando alguém coloca comida no chão, eles descem numa velocidade e perícia inigualáveis e pegam a comida e sobem na árvore como um raio! – puxei o assunto:

- Então, porque tu defendes o direito de morrer? Se a vida é bela e um dom de Deus?

- Meu amigo, tu és inteligente, o direito de morrer é quando a vida não tem mais significado para alguém que a vida é sofrimento e aflição. A vida é boa quando se tem o prazer de viver. Se o homem tem o direito à vida, consequentemente, ele tem o direito de deixar de viver. O homem tem o direito de morrer, não de matar.

- Tanaguchi, a vida é um mistério... O direito de morrer é o suicídio consentido. Tu acreditas em milagres?

- Não, religioso!

- Como assim?

- Acredito como vontade de viver. Se alguém introjeta na mente que não quer morrer, mas viver, essa energia positiva fará que a vida não se vá, aí alguém interpreta como milagre divino, eu interpreto como energia de vida.

- Bem, a maioria é inspirada na fé, outros inspirados na ciência, porém, o que vale é o resultado. Se alguém desenganado da vida obtém uma graça, é motivo de agradecer a Deus ou à ciência a cura de sua enfermidade. Se a cura veio do alto ou da vontade de viver é de somenos importância.

 

- Eu concordo contigo, o importante é o resultado, todavia, nos afastamos do foco principal: o direito de morrer. Sustentei desde o início que cabe ao homem de acordo às circunstâncias, ele escolher entre viver ou morrer, isto é, viver no sofrimento e aflição ou escolher entre o suicídio e a eutanásia, portanto, é de foro íntimo a decisão de morrer.

- Tanaguchi, meu amigo, faz muito tempo que li os diálogos de Platão: Górgias e Fédon. Não me lembro qual dos diálogos, Sócrates usando a maiêutica, método socrático, questionava seu interlocutor sobre a virtude, à medida que seu interlocutor conceituava a virtude, Sócrates levantava novos questionamentos e à medida que o diálogo avançava, o interlocutor se confundia com as perguntas socráticas, dado momento, o interlocutor irritou-se, que já tinha feito dezenas de discursos sobre a virtude e ali estava aturdido sem conseguir definir a virtude e comparou Sócrates a um animal marinho que entorpecia suas presas quando essas se aproximavam... – e concluiu:

- Tanaguchi, resguardando a importância filosófica e histórica de Platão e os protagonistas da obra Górgias ou Fédon, tu és um intelectual nocivo, tua lógica é fria, tu não tens alma, tu não acreditas na religião como fonte de fé, tu cultuas a ciência, entretanto, Deus permitiu ao homem o conhecimento. Sem Deus nós não somos ninguém, "não cai uma folha da árvore se não for permissão de Deus". Tu aceitas até como ciência o aborto, né Tanaguchi?

- Vós sabeis que sou ateu, na melhor das hipóteses, eu sou um agnóstico. Não responderei tuas perguntas hoje. Fique feliz ao ser comparado com Sócrates. Amanhã estarei aqui se também estiverdes, colocaremos tudo em pratos limpos. Se tu não aceitardes o meu convite, é que não houve interesse, portanto, ficará o dito pelo não dito.

- Só se tu prometerdes uma coisa?

- O quê?

- Usar o verbo na 3ª. pessoa...

- Combinado!

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Desagravo - R. Santana

 


Desagravo - R. Santana

Desagravo

R. Santana

 

O autorrespeito é a raiz da disciplina; a noção de dignidade cresce com a habilidade de dizer não a si mesmo.” (Abraham Lincoln)

 

No dia 12 de agosto, recebi por e-mail um “Edital de Convocação da ALITA”, assinado pela secretária da entidade, a confreira Lurdes Bertol Rocha, em nome do presidente da entidade, o confrade Wilson Caitano de Jesus Filho. Para mim foi uma surpresa, ainda cheguei manifestar esta surpresa com a digníssima confreira, ela justificou, educadamente, que devido à pandemia, as reuniões da ALITA tinham sido comprometidas. Confessei-lhe minha ignorância informática, que nunca havia participado on-line de nenhuma reunião ou videoconferência, ela instruiu-me como acessar o vídeo e enviou-me o login.

 

Criei expectativas, prometi deixar de lado todos os ressentimentos e mágoas antigas, a minha filha recomendou-me: “... meu pai vá de espírito desarmado, não desenterre esqueletos...”, ouvi-lhe, mas, a priori, eu já havia internalizado não mexer em nada que comprometesse o meu retorno à entidade literária, fui de coração aberto e alma pura.

 

Quando acessei o login, esperava algum registro do meu retorno, ledo engano, todos ficaram impassíveis como se a minha presença não tivesse significado, mesmo assim, mantive-me ouvido e boca fechada e solicitei um aparte, fui orientado deixar pra depois da pauta, na fase “o que ocorrer”. Não tive pressa, esperei as discussões findarem e quando a fala me foi concedida, agradeci ao presidente Wilson Caitano e aos demais diretores (tinha consciência que não foi um ato isolado, porém, de toda a diretoria), disse-lhes que estava ali de coração aberto e pedia desculpas por alguns erros do passado, mesmo que atos involuntários.

 

Porém, ele estava lá, o meu “inimigo”, aquele que não gosta de mim, o acadêmico e escritor Cyro de Mattos, aquele que criou a narrativa que xinguei os membros da academia em sua crônica: ”O terrorista cultural”, aquele que entorpeceu a mente dos seus pares e me condenou não mais frequentar a entidade de letras de Itabuna, que sou uma pessoa de “pavio curto” e perigoso!...

 

Quando fiz os meus agradecimentos, ele usou da palavra e questionou a confreira Lurdes Bertol, ela lhe respondeu que foi a assembleia que decidiu a minha convocação, a secretária explicou que não havia decidido sozinha, que ficou acordado nessa reunião que fossem convocados os membros que tinham e-mail na entidade. A diretora de comunicação e marketing, Raquel Rocha, compreendeu o meu constrangimento, parabenizou-me pelo meu desprendimento, pela minha humildade, todavia, sugeriu que as minhas desculpas fossem manifestas publicamente.

Não é verdade que denegri meus pares, nem os caluniei, nem os detratei, nem os vilipendiei, nem os difamei, nem os rebaixei moralmente, sempre os tratei com deferência e lhes atribuo os títulos profissionais sempre. Debati ideias, métodos administrativos, organização institucional e controle tendencioso da revista e do site.

Nesta oportunidade, quero conclamar ao espírito cristão e público do escritor Cyro de Mattos, que com humildade e sabedoria incorpore em sua vida a lição de Jesus Cristo: “Mestre, quantas vezes devo perdoar uma pessoa que me ofende: até sete vezes?”. Essa pergunta é feita por Pedro, no evangelho de hoje, de Mateus 18,21-35. Jesus responde a Pedro e a todos nós: “não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete!”.

 

Além disto, dizer ao confrade Cyro de Mattos que a principal obra do homem, a obra que fica, é o exemplo. Nascemos não para apontar o dedo para o outro, porque quando se aponta o indicador para alguém, o polegar volta para si: “hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão”.

 

- Confrade Cyro de Mattos, o homem de 83 anos de idade que adquiriu e produziu muito conhecimento, mas que não adquiriu sabedoria e bom senso cartesiano, a vida não lhe vale a pena. Com 83 anos de vida, é tempo de jogar fora todas as tralhas de sua vida, jogar fora todos os seus ressentimentos, ódios acumulados, egoísmos recalcitrantes e perseguições inúteis, é tempo de orar e vigiar para que o encardido não lhe tome e corpo e a alma e não tenha a benção de Deus para uma vida eterna.

O homem generoso, solidário, humilde de coração, que sofre a dor do outro, que pratica a empatia, sua passagem na terra é lembrada sempre, seu retrato na parede honrará todas as gerações, diferente daquele que suas obras são empanadas pelo ressentimento, pela prática do ódio e falta de amor ao próximo.

Eu sei, a priori, que a confreira Raquel Silva Rocha não irá me compreender nem me perdoar, mas o homem sem liberdade e sem dignidade, ele é melhor morrer. As honrarias, os cargo e o poder são efêmeros, porém, a consciência do bem e não do mal, alimenta o coração e a alma. Não vale a pena continuar sob a condição sine quo non da humilhação.

 

Os finalmentes:

Eu gosto de evocar sempre as palavras do poeta Mario Quintana, quando lhe foi negado, várias vezes, seu acesso à Academia Brasileira de Letras-ABL: “Eles passarão, eu passarinho...” Hoje, é a academia de Fernanda Montenegro e Gilberto Gil... Bairro São Caetano, Itabuna (BA), 19 de agosto de 2022, Rilvan Batista de Santana

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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João Leal - R. Santana

 


João Leal

R. Santana

 

          Eu o conheci jovem adulto nos meados dos anos 60, no armazém do seu pai, no início da Avenida Cinquentenário. Naquela época, o armazém de Osmar Cearense, seu pai, era o principal comércio de atacado de Itabuna, lá, ele vendia: cigarro, fósforo, whisky, cerveja, refrigerante, carne-de-sol, jabá, sal, farinha, leite em pó, bacalhau, etc. Ele abastecia as bodegas da periferia itabunense, os bairros mais centrais e até as pequenas cidades circunvizinhas, como um grande “ATACADÃO” de hoje.

          João Leal era diligente no trato com a freguesia, todos eram tratados com o cuidado de vendedor, só uma vez que seu pai lhe reclamou no meio dos fregueses, é que João Leal chamou, impensadamente, um cidadão de negro, “aquele negro...”, foi o suficiente pra que, daquele dia em diante, ele não chamasse mais ninguém de negro, não lhe deu uma sova, mas, ele marcou várias lições de Moral e Cívica e João Leal foi estudar como castigo.

          Naquela época, não se conhecia discriminação de cor da pele, segregação, não se conhecia homofobia, "gordofobia", não se conhecia LGBTQ+, todos nós éramos inocentes, não havia maldade, homem era homem, mulher era mulher, negro era negro e branco era branco, família tradicional e todos nós convivíamos em perfeita harmonia, todos nós éramos irmãos, depois que surgiram novos costumes e novos comportamentos, o mundo ficou imundo.

          Osmar Cearense era um gentleman, se ralhou com seu filho para que não chamasse o seu freguês de negro, o fez por educação, exemplo, para que seu filho soubesse respeitar seu semelhante não pela cor da pele, mas por ser um ser um filho de Deus. João Leal cresceu nesse lar de princípios morais, éticos e de amor ao trabalho. Osmar Cearense dizia que “o trabalho dignifica o homem e enobrece a alma” e “a educação forma o coração e a razão”.

          Muitos anos depois, Osmar Cearense morreu, o armazém foi vendido ou alguém fechou suas portas e a família cearense dispersou-se. Nessa época que reencontrei João Leal, mais velho e mais gordo (obesidade genética), no café do “Bar de Pedro”. Não bebia nem fumava, aliás, ele não tinha vício, disciplinado, comia o necessário, não se empanturrava de doce e o café era com adoçante, não com açúcar, mais frutas do que massa.

          Nesse tempo, João Leal licenciado em Letras, ensinava inglês e português nos principais colégios desta cidade e na cidade de Uruçuca, no colégio do prof. João Arbages, antigo mestre e amigo.

          João Leal era um bonachão, incapaz de qualquer maldade com o outro. Grandioso, eloquente, possuía o dom da palavra, nos eventos das escolas que trabalhava, sobressaía-se como orador ímpar. Lia com frequência Cícero e tomava como exemplo, a resiliência e a determinação do grego Demóstenes que se tornou o maior orador de todos os tempos.

          Babava quando João Leal chegava ao “Bar de Pedro” pra tomar café e lhe pedia que recitasse as “Catilinárias”, ele, com voz empostada e gestos e expressões faciais, acusava o senador Catilina como se Marco Túlio Cícero fosse e em latim. Lembro-me da primeira frase: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?” Para mim estudante de escola pública, era um deleite ouvir as “Catilinárias” com tanta propriedade e originalidade poética.

          Se ele fosse ator, teria sido um Shakespeare, um Antônio Fagundes ou um Tony Ramos da dramaturgia... Certa feita, ele ensinava na escola de Celina Braga Bacelar e a parte financeira da escola não ia bem, por isto, os atrasos salariais com professores e fornecedores, João Leal lhe chamou à parte, desembrulhou uma peixeira suja de sangue e de maneira dramática, ele apelou para Celina Braga Bacelar: “Professora, esta é a peixeira que o açougueiro disse que vai me matar se não pagar o que lhe devo até amanhã”, de imediato, ela o chamou num canto e lhe disse: “Olhe, todos são meus benjamins, mas você é meu bem querer...” e desembuchou tudo que lhe devia.

          O homem nasce com sina mais livre arbítrio. Alguns têm tanta sorte que tudo que faz dar certo. Ultimamente, qualquer imbecil de sorte vira celebridade no mundo midiático. João Leal foi determinado, mas a sorte não lhe sorriu embora de cultura singular, sempre com dificuldade financeira e existencial. Poliglota, ensinou inglês na maioria dos colégios daqui e noutras cidades circunvizinhas e morreu pobre.

          Hoje, arrependo-me e peço perdão a Deus num dia que não lhe fui solidário. Eu o encontrei num ônibus urbano, com listras vermelhas no pescoço, na época, indicativo de tratamento de câncer. Cumprimentei-o an passant, pois, eu fiquei comovido, sabia que aquilo seria o final e foi... Sei que Deus o recebeu em sua Glória e seu exemplo ficou para sempre aqui na terra.

 

Autoria:Rilvan Batista de Santana

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Comunismo - R. Santana

 


Comunismo

R. Santana

Neste momento histórico, o povo terá que escolher no próximo dia 02 de outubro, uma das duas lideranças políticas atuais para governar o país até 2026. Já é do conhecimento do povo que uma das lideranças chefiou o maior esquema de corrupção e roubalheira do Brasil, quiçá do mundo. Hoje, o candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende o aborto, o controle da imprensa falada e escrita (a mídia), a volta do MST, a estatização, “O Foro de São Paulo”, medidas restritivas às religiões, a revisão da reforma trabalhista, a ideologia de gênero, a defesa de sindicato forte, o desarmamento do cidadão da cidade e do campo, restrições às liberdades individuais, além do apoio aos governos socialistas e governos ditadores, enfim, as pautas do socialismo e do comunismo.

A outra liderança, o presidente e candidato à reeleição, Jair Messias Bolsonaro, ele condena o aborto, a ideologia de gênero e a censura. Ele defende o sistema capitalista de mercado, a propriedade privada, a desestatização, a família, a liberdade individual, o direito de expressão, o direito de religião e o direito do cidadão da cidade e do campo possuírem armas para sua autodefesa e o livre comércio sem as amarras do estado, enfim as pautas do liberalismo político e econômico.

O brasileiro é um povo ingênuo, possui uma concepção romântica do comunismo, ele crê na igualdade social e na relação justa do consumo e produção de riquezas. Porém, tudo não passa de utopia ideológica, as desigualdades sociais são flagrantes nos países comunistas. O estado não tem remédio para todos os males, nesses países comunistas, as camadas sociais mais baixas são invisíveis para o mundo, esses segmentos sociais vivem na fome e na miséria. Os direitos individuais são cerceados e prevalece o direito coletivo representado pelo estado. Também, o estado nega a existência de qualquer divindade, as religiões são guiadas ou reprimidas pelo “Partido Comunista”.

O pior do comunismo é que o sujeito não tem oportunidade, não existe o empreendedor individual, tudo é corporativo, coletivo, e, o estado por detrás. Aqui, o filho de um gari (camada social baixa), por exemplo, poderá ser um juiz amanhã, o sujeito é dono de sua vida. No país comunista (socialista, eufemizado), o estado é dono de sua vida.

A Revolução Russa dos bolcheviques em 1917, liderada pelos marxistas Lênin, Leon Trótski, Joseph Stalin e outros revolucionários de menor expressão. Eles tomaram o poder da família Romanov, cujo Czar da Rússia Nicolau II, esposa e filhos foram fuzilados num porão do palácio na noite de 17 pra 18 de julho de 1918, culminava nesse dia o império marxista da União Soviética. Lênin governou por 06 anos a União Soviética com sua morte, Stalin assumiu o "Partido Comunista" e o governo duradouro de 1922 / 1953.

No bojo das reformas políticas, econômicas, administrativas, infraestruturas, aparelhamento militar e agricultura, houve muito sangue derramado e escravização dos trabalhadores. O trabalho no campo era coletivo e as cooperativas responsáveis pelos meios de produção. “O Grande Irmão (Estado) está te observando” era o medo do povo. As liberdades individuais foram suspensas e o “Partido Comunista” decidia as prerrogativas do estado e os deveres dos cidadãos.

Depois de mais de 70 anos de regime político comunista a União Soviética dissolveu-se com a renúncia de Mikhail Gorbachev. Ele reestruturou o sistema político e à abertura soviética com a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência, abertura política). A partir desse momento histórico, os países que formavam a União Soviética readquiriram sua autonomia e sua soberania política.

Hoje, é notório que o regime político comunista é um fracasso. Somente Cuba e China se mantêm comunistas e cada um com suas características. Deng Xiaoping abriu a economia para o mundo, embora o indivíduo não tenha liberdade de se manifestar nem autonomia de ir e vir. Atualmente, com Xi Jinping, a China é uma potência militar e econômica, mas povo oprimido. Cuba é comunista e subdesenvolvido econômica e militarmente, a população vive abaixo do nível de pobreza.

Na América do Sul, o comunismo eufemizado em socialismo de Friedrich Engels e Marx, também, não irá dar certo, Chile, Colômbia, Argentina, Bolívia, Peru e Venezuela, o povo está fugindo para outros países por causa do desemprego, da falta de oportunidade, da desvalorização da moeda, da inflação, da escassez de alimentos, da fome e da pobreza.

Por isso, não desejo que os meus filhos e os meus netos sejam escravizados e aqui não seja como Taiwan, não obstante uma nação rica, não tem soberania política nem territorial e o povo não tem liberdade. Se o nosso povo eleger à esquerda em 02 de outubro, para governar o nosso país, ela irá repetir o desastre político e econômico de seus vizinhos sul-americanos.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 17/09/2022
Alterado em 17/09/2022

Fake News- R. Santana

 


Fake News- R. Santana

 

          A fake news, a mentira, a calúnia e a injúria são práticas reprováveis do homem. Esses atos de natureza mesquinha e egoísta, eles destroem reputações, mancham a vida de celebridades, interrompem carreiras, destroem a honra e a vida de inocentes, indefesos e incautos. Por mais prudente e cuidadoso que seja o indivíduo, ele não estará isento da maldade e astúcia do inimigo.

          Goebbels, o ministro da propaganda de Adolf Hitler, dizia que uma mentira repetida várias vezes, ela ganha foro de verdade, porém, a mentira poderá ser repetida dezenas de vezes, ela não se sustenta com uma verdade, por isto, os antigos diziam que a mentira tem “pernas curtas”, a mentira corre pouco e assim que se confronta com a verdade, cai das pernas...

          Embora a calúnia tenha a mesma vestimenta da mentira, difere dos outros atos falsos por ser uma acusação infundada, mas capaz de provocar danos irreparáveis. O caluniador é um sujeito rasteiro, mau caráter que denigre e destrói a honra da pessoa caluniada. Não é fácil incriminar o caluniador, ele usa vários artifícios para se esconder do crime. A mentira, às vezes, é circunstancial, um fato isolado. Existe o mentiroso por natureza, quem não conhece alguém que é mentiroso contumaz, mas não prejudica ninguém, só a si, pois fica com a pecha de mentiroso para sempre, sem credibilidade (“10 coisas que sicrano diz, ele mente 11” ), enquanto a calúnia é calculada e traz no seu bojo um ror de maldade.

          Nos início dos anos 60, o São Caetano era uma pequena comunidade. J. R. Oliveira se apaixonou por A. B. Andrada, só que ela era casada e fiel ao marido e o rejeitou e o repreendeu. J. R. Oliveira sustentou para alguns amigos que havia seduzido A. B. Andrada. A calúnia correu a pequena comunidade, chegou aos ouvidos do marido precipitado que o matou.

          A injúria, também, é um ato reprovável do comportamento humano, porém, o ato injurioso é mais concreto. A vítima terá que provar que foi injuriada, por exemplo, se alguém diz que sofreu uma injúria racial, ela terá que provar com testemunhas isentas, sem vínculo afetivo e documentos verídicos. O significado de injúria é: “ofender a honra, a dignidade, mediante xingamento, seja verbal, escrito ou fisicamente”, sem estes elementos, não haverá injúria, mas narrativas e calúnias.

          No dia 22 de agosto de 2020 (dia dos pais), C. Mattos, homem letrado, porém, com dificuldade de diálogo e de aceitar o contraditório, ele gosta sempre de ouvir “Amém!” dos seus sectários, publicou uma crônica (O Terrorista Cultural – C. M. - Google, Saber-Literário, Recanto das Letras e ICAL) atingindo a honra, o crédito, a dignidade, a injúria antissocial, a injúria familiar e a calúnia ao seu desafeto R. S. Além de imputações ofensivas: “deboche cultural”, “criatura de temperamento irritado”, “difícil convivência”, "...espelho, espelho meu, existe alguém mais infeliz que eu?", "... sua presença causava medo ao ambiente", etc.

          Hoje, a notícia chega com a velocidade da Internet. A “Fake News” é usada na imprensa marrom. Ela cria narrativas, notícias falsas com o objetivo de criar impacto na divulgação e atender às demandas comerciais ou prejudicar moral e eticamente alguém. A fake news se alimenta de informações falsas e quando viraliza nas redes sociais, repetindo o adágio antigo: “... é difícil provar que sapo não tem cabelo”. Porém, quando alguém busca a verdade numa sindicância, ele a encontrará subsidiado pelo tempo e pelas novas concepções, René Descartes foi sábio quando disse: “Muitas vezes as coisas que me pareceram verdadeiras quando comecei a concebê-las tornaram-se falsas quando quis colocá-las sobre o papel”.

          Os atos reprováveis do comportamento humano existem, têm vida própria, são fatos, não podemos negá-los, assim como não podemos negar a verdade, a honestidade e o bom senso, não importa que a injustiça prevaleça por algum tempo, todavia, ela não prevalecerá todo o tempo.

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

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Vergonha nordestina- R. Santana

 


Vergonha nordestina- R. Santana

          Não se pode negar a origem, a origem é o começo da vida, a terra que recebeu o nosso cordão umbilical, mas se não posso negar a minha origem, desconheço meu povo, não acredito que é o sertanejo de Euclides da Cunha, “O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário”, não acredito que o caráter do nordestino de ontem, seja o mesmo caráter do nordestino de hoje. Se o povo nordestino tivesse caráter insuspeito, não aceitaria: “... rouba, mas faz”, pois, foi por causa disso que Barrabás foi perdoado e não Cristo. A História conta que Barrabás era ladrão, criminoso, desordeiro, mas que dava comida ao povo, atendia às suas necessidades primárias, então, foi inocentado na hora da morte.

          Este ano, no dia 02 de outubro, eu e muitos brasileiros sofremos a maior decepção da vida, não por ter perdido o meu voto nos candidatos honestos da direita, mas, o Nordeste ter dado uma vantagem ao candidato da esquerda de 60 %, povo pior do que o povo que inocentou Barrabás na crucificação de Cristo. Povo sem sentimento de patriotismo, sem amor próprio, que jogou seu voto na lata de lixo e não potencializou seu poder coletivo para empreender e melhorar as coisas de sua vida, de sua cidade e seu estado.

          O nordestino, hoje, atesta sua ignorância e falta de patriotismo ao deixar que as verbas públicas do seu país, elas sejam desviadas em forma de empréstimos a fundo perdido para Venezuela, Cuba, Colômbia e outros países da América do Sul e da África, verbas públicas que deveriam atender às nossas necessidades nordestinas em saúde, educação, segurança e atendimento à sobrevivência dos mais pobres.

          O nordestino de tanta gente sofrida, de famílias numerosas que condenam o aborto, de costumes tradicionais, esse nordestino não deveria se deixar guiar por quem prega o aborto, a ideologia de gênero, o comunismo, a negação da fé cristã, o MST, o controle da mídia e a negação da família tradicional, portanto, o nordestino, atualmente, aprova todos esses princípios e nega sua história milenar de honra e glória. Acredito que sua natureza é boa, todavia, ela está corrompida pela falácia e engodo dos falsos líderes políticos atuais.

          Os nordestinos que idolatram padre Cícero Romão Batista, Frei Damião, Irmã Dulce, agora, poderão contribuir para uma nova Nicarágua que está expulsando padres e freiras. Acho que não é o nordestino dos meus pais e meus avós, mas o nordestino que relega sua terra e o desenvolvimento social, cultural e folclórico do seu povo.

          Enquanto São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são estados desenvolvidos, pujantes, motores da economia e desenvolvimento social dos seus habitantes. Piauí, Paraíba, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Maranhão, Rio Grande do Norte e Bahia, até pouco tempo, eles bebiam água de carro-pipa, além de um PIB baixíssimo, eles são incapazes de impulsionar seu próprio progresso, melhorar as indústrias e melhorar o IDH dos seus compatrioata.

          O comunismo é o pai da mentira. O regime comunista já matou milhões de pessoas no mundo. A cabeça do comunista brasileiro que sonha, aqui, transformar num país socialista, é riqueza pra eles e igualdade na miséria para os outros. Nenhum político da esquerda pensa no pobre, o pobre é massa de manobra de 4 em 4 anos. O Nordestino sobrevive de ousado e sobreviverá na miséria por mais tempo se pensa que a esquerda é a solução. A força de trabalho do nordestino é enorme, porém, seu status quo só será mudado quando ele perder o complexo de região pobre, transformar a terra seca em produtiva e água em pólo agricultável, sair da monocultura para agricultura diversa.

          O povo votar 60% na esquerda é ingratidão com um governo que terminou as obras do São Francisco, resolveu a crise sanitária da COVID, atendeu aos mais pobres com “Auxílio Emergencial”, “Auxílio Brasil", reduziu o preço dos combustíveis, deu prosseguimento à construção das casas populares, implantou o “PIX”, deu mais tempo para CNH, diminuiu a inflação, diminuiu impostos, asfaltou milhares de quilômetros em rodovias federais, construiu pontes internacionais, criou milhões de empregos, saneou a roubalheira e gerou mais receita nas estatais do que as despesa e acabou a corrupção.

          Na China e Japão e outros países de costumes milenares, o político que rouba, sua morte e as despesas funerárias são pagas pela sua família. Aqui, o político rouba bilhões, faz delação premiada, devolve a menor parte do dinheiro, é condenado num pingo de anos de cadeia e o advogado mais incompetente da esquina faz um "Habeas Corpus" para o STF e o sujeito é solto.

          Embora o povo nordestino seja inteligente e humorado e os intelectuais nordestinos chamam a atenção do mundo em todas as áreas, a exemplo de Jorge Amado, José de Alencar, Adonias Filho, Castro Alves, Rui Barbosa, Orlando Gomes, Paulo Freire, Anísio Teixeira, etc., o Nordeste é subdesenvolvido e o povo é pobre,

          O nordestino ainda não se libertou do complexo de cachorro vira-lata, além da pobreza material é pobre de espírito, sua consciência crítica é embotada em algumas áreas de sua mente, por isto, ele é usado por políticos desonestos e inescrupulosos nas eleições com promessas demagógicas, portanto, vergonha nordestina.

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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O inimigo secreto - R. Santana

 


O inimigo secreto - R. Santana

          Nas festas de final de ano, os amigos, as empresas e as famílias organizam as festas de confraternização com a brincadeira do “amigo secreto”. Faz-se um sorteio entre amigos para troca de presentes. Cabe ao amigo comprar um presente para o amigo sorteado, geralmente, o presente atende às necessidades desse amigo sorteado ou seu gosto pessoal, a exemplo, se o amigo sorteado for uma mulher, não lhe apraz comprar uma cueca! É uma brincadeira do bem ao contrário do “inimigo secreto” ou “inimigo oculto” que é uma figura do mal.

          O inimigo secreto é um sujeito rasteiro, mau-caráter, egoísta, que não se importa destruir a vida ou reputação de alguém, O que move o inimigo secreto é a inveja, o desenvolvimento pessoal ou o sucesso do outro, diferente do inimigo comum que o rompimento duma amizade foi em decorrência de interesse antagônico de ambos, algum trauma físico ou psicológico. O inimigo comum é previsível, às vezes, o mal maior é o cerceamento da fala.

          Não se faz o inimigo secreto, ele se origina do lugar onde mora a maldade, seu foco maior é obstaculizar a vida pessoal e a carreira profissional do outro. O inimigo secreto é perigoso, ele o vê, enquanto o outro não o vê. Ele é um Judas Iscariotes, atrás de si, às escondidas, ele articula o seu mal e lhe vende por 30 moedas. Ele é como cobra venenosa, pica o viandante e desaparece na moita, ninguém mais a vê no emaranhado do mato. Quem irá encontrar uma cobra venenosa nos sulcos da terra coberta pela vegetação? Impossível.

          O inimigo secreto é comparado também ao “Grande Irmão” de George Orwell, o indivíduo fica sob constante vigilância do “Irmão mais Velho”. O “Grande Irmão” controla os passos do “irmão” mais novo, de quando em vez, derrama-lhe um saco de maldade.

          Não existe inimigo secreto do bem, mas, amigo secreto do bem. O arqui-inimigo, geralmente, é uma pessoa simpática, inteligente, articuladora, argumentos convincentes, influenciável, porém, falso, capaz de empenhar sua alma ao diabo para conseguir os seus objetivos rasteiros. Sua maldade é oculta, faz-se sempre de vítima, ele é capaz de disseminar a maldade no seu meio social que suas “fake news” ganham foro de verdade com o passar dos tempos. Quantos casos já ocorreram que alguém é imputado dum crime, sofre prisão, pena capital em alguns países, depois se descobre que o verdadeiro autor foi um inimigo oculto, às vezes, “amigo”, “companheiro” ou “irmão” da vítima.

          O inimigo oculto está em todo lugar: na família, no trabalho, no clube de futebol, no clube social, no condomínio, etc. O inimigo secreto é um sujeito sem escrúpulo, traiçoeiro, compulsivo, não tem consciência moral nem empatia, não é um criminoso comum, mas, é portador de transtorno de personalidade grave.

          O inimigo oculto, também se manifesta coletivamente, por exemplo, na política em que os partidários e os adversários espalham o ódio, a calúnia, a mentira e pautas nazi-fascistas ou pautas comunistas e gera no povo um sentimento de dúvida e medo. Nas redes sociais, os políticos e suas famílias são vítimas de calúnias, mentiras, imagens “montadas” e narrativas falsas. O inimigo oculto se esconde atrás de falsa mídia e some deixando destruição moral e física de políticos e seguidores.

          Esses agentes do mal não escapam à “Lei do Retorno”. Deus não castiga ninguém, pois, existe o perdão divino, pior que seja o indivíduo, não se esgota o perdão: “Mestre, quantas vezes devo perdoar uma pessoa que me ofende: até sete vezes?”. Essa pergunta é feita por Pedro, no evangelho de hoje, de Mateus 18,21-35. Jesus responde a Pedro: “não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete!”. Porém, a “Lei do Retorno” é energia que se volta à pratica do mal, se alguém pratica o mal, esta energia volta com maior intensidade para o autor da maldade.

          Portanto, o homem deve ter conduta ilibada, sempre andar no caminho e na prática do bem. Se alguém pratica dolo, crime, injustiça, não deve esperar o bem, mas o cumprimento da justiça, a justiça virá pra corrigir as injustiças, penalizar àquelas pessoas que vivem sob o guarda-chuva da maldade. O bem e a justiça prevalecerão para sempre.

          O mal não ficará oculto aos olhos de Deus. Se alguém pratica maldade e pensa que ficará impune, não conhece a força do bem, Deus é bondade e não Deus de maldade.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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O "jogador" - R. Santana

 


O "jogador"

R. Santana

 

          O jogo de azar naquela época era liberado. O “Bar de Pedro” tinha duas mesas de sinuca, duas mesas de dominó e uma mesa retangular de jogo de baralho de 1,5 m X 3,5m, que acomodava todos os jogadores em pé, somente tio Pedro, dono do bar, que tinha o privilegio de sentar em seu banco alto para cobrar o cacife. Não pense que não havia dinheiro, pela manhã o resultado do cacife era de milhares de “Cruzeiro”. Nessa época surgiu um indivíduo da família Gusmão de Vitória da Conquista e Minas Gerais. Ele não era experto, perdia mais do que ganhava, mas pela persistência e estilo, o chamávamos de “Jogador” ou Gusmão.

          Ele chegava ao início da noite e saía no outro dia ao sol nascido. Sempre de paletó e gravata, camisa de manga comprida, sapato preto lustrado, ainda moço, branco, cabelos pretos e média estatura, porém, chamava a atenção de todos por pertencer à abastada família Gusmão de Vitória da Conquista. Não o conhecíamos pelo prenome, mas, pelo nome de família.

          A clientela era de média classe social. A maioria era de profissionais liberais, artesãos, pequenos agricultores, burareiros, comerciantes, pequenos pecuaristas, pessoas com recursos financeiros, porém, alguns eram aventureiros, eles não tinham recursos, entravam no jogo protegidos por alguém na condição de dividir o produto do jogo.

          Alguns jogadores tinham apelidos suis generis: Zé Urubu, Dendê, Lubião, Jegue Preto, Crente, Tamborete de Puta, Dico Soldado, Lopeu, Dedé, Zuza, Murcha Venta e Zoinho. Havia muito mais apelidos que se perderam no tempo, uma coisa era certa: quem não tinha apelido, apelido lhe era dado. Não era uma irmandade, nem um clube social, mas era um por todos e todos por um. Não frequentavam regularmente, mas, 1/3 de mais ou menos clientes de 100 eram fiéis. Chovesse granizo, eles estavam lá no “Bar de Pedro”, em pé ao redor da mesa e os bolsos cheios de fichas.

          O jogo de baralho mais usado era o 21 ou blacjack, é um jogo mais fácil e mais rápido. O 21 pode ser jogado até 12 pessoas de vez. Para Gusmão, seu jogo preferido era o pôquer. Ele deixava a mesa de 21 e tinha seus amigos de pôquer, na casa do sem jeito, ele voltava para turma do jogo 21. As más línguas diziam que Gusmão era um pixote no 21 e um experto no jogo de pôquer.

          Os jogadores eram solidários nos ganhos e nas percas. Lembro-me de um fato hilário que ocorreu no jogo do “Bar de Pedro”, dois jogadores inesquecíveis: "Crente" ou o “Gordo” e o negro Lubião, um pobre diabo. “Crente” que não era crente, ele era filho de Ranulfo da riquíssima família Nunes, do deputado estadual Paulo Nunes, O “Gordo” era a “ovelha negra” da família, jogador inveterado, gostava de vinho e cerveja e jogo de bilhar, sinuca e jogo de cartas, amanhecia o dia na mesa de baralho, além de gozar com os jogadores perdedores. O negro Lubião era um trabalhador rural, o dinheirinho que recebia do patrão vinha pra mesa de jogo, às vezes ganhava, mas, a maioria perdia. Quando ficava de bolsos limpos, começava peruar. Naquele dia, “Crente” começou gozar de Lubião que tinha perdido todos os tostõezinhos, inclusive, lhe ofereceu Cr$ 50,00 (cinquenta cruzeiros), para que, ele comesse uma barata com cachaça, não é que o infeliz aceitou! Degustou a barata com aza e tudo, empurrada com ½ garrafa de cachaça “Pitu”.

          Naquele dia, foi o dia de Gusmão, chegou cedo à banca de jogo, pediu uma média de café com leite e dois pães de forno com manteiga. Ficou papeando até às 22 horas, quando finalmente começou jogar, nas cinco primeiras partidas, pensou “que não era o seu dia”, porém, já de madrugada, já na hora de ir embora, apostou todas as fichas, a maioria absoluta estourou no 21, quando chegou sua vez, com um 9 de copas, um 9 e um 2 de ouros e quando cavou, veio-lhe à sorte grande, um ás de ouro, naquele dia, ele sorriu e foi embora com Cr$ 5000,00 (cinco mil cruzeiros) no bolso.

          O “Jogador” era uma pessoa simpática, amigo, bom de coração, ele socorria aos viciados com empréstimos, dando-lhes comida e bebida. Porém, começou fazer dívida de jogo e aos devedores, ele lhes passava cheques pré-datados, com a promessa de acionar sua mãe em Vitória da Conquista pra ressarcimento desses cheques. As dívidas se acumularam, os cheque não foram compensados, ele foi enquadrado como crime de “171” e preso, sua família não demorou de vir, pagou suas dívidas, o tirou da cadeia e o levou pra Vitória da Conquista.

          O viciado em jogo de azar não tem limite, ele joga o que tem e o que ainda vai conseguir. O viciado é portador de problemas emocionais aí se refugia naquilo que lhe dá prazer: o jogo de azar. O conceito válido para o dependente químico que pra sustentar seu vício, ele usa meios escusos. Por isto, recomenda-se aos pais que não estimulem seus filhos pré-adolescentes e adolescentes jogarem baralho ou outro jogo de azar, mesmo de brincadeira, pois começam brincar, depois, o hábito de pequenas apostas e grandes apostas.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Lei do Retorno - R. Santana

 


Lei do Retorno - R. Santana

“Tudo que você planta, colhe um dia! Essa é a Lei do Retorno”

 

          Deus fez o homem e a mulher e os colocou no Jardim do Éden e lhes disse que podiam comer de todos os frutos saborosos das árvores do jardim, porém, não comessem os frutos da árvore do conhecimento do bem e do mal e recomendou: “No dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Satanás, o maligno, chamou Eva em segredo, disse-lhe que Deus estava lhes enganando e cochichou no seu ouvido: “Se comeres desse fruto saboroso, tu e Adão serão iguais a Ele”. Eva não resistiu à tentação de Satanás, ela comeu a fruta, achou a fruta saborosa, mais que todas as frutas, por isto, ela insistiu tanto com Adão que, ele comeu e descobriram que estavam nus e nasceu o pecado, consequente, a morte.

          Uma reflexão apurada nessa história de “Gênesis” e descobre-se que Deus desde o início do mundo, Ele deu ao homem o livre arbítrio para escolher entre o bem e o mal. Não existe determinismo, ninguém nasce bom ou nasce ruim, porém, ele nasce com a capacidade de escolha de ser bom ou de ser ruim. Para John Locke, todos nascem como “tabula rasa”, isto é, sem nenhuma memória nem conhecimento, ao longo do tempo, as experiências, as práticas, a pesquisa e a erudição se somam em conhecimento positivo ou negativo.

          E a Lei do Retorno, onde ela se encaixa? Bem, acima se fundamentou que o homem não nasceu com pecado, o pecado nasceu com a desobediência de Adão e Eva, justificou-se também que Deus deu ao homem livre arbítrio para escolher o bem ou o mal. No plano divino, o pecado é redimido pelo arrependimento através da fé, a fé livra o homem das penas do inferno, enquanto a Lei do Retorno é a máxima que se o indivíduo pratica a maldade ou a bondade com o outro, essa maldade ou essa bondade se volta para esse indivíduo.

          A Lei do Retorno é comparável ao bumerangue que arremessado no espaço, descreve um vôo curvo e retorna ao ponto que foi lançado. Se o homem do mal arremessa seu bumerangue carregado de ódio, falsidade, difamação, injúria, mentira, improbidade, deslealdade, hipocrisia, falso testemunho, vingança, etc., toda essa energia negativa arremessada pelo seu bumerangue contra o outro, essa energia vai e volta com maior ou igual intensidade, não é que Deus permita, mas é a LEI DO RETORNO!...

          Porém, a lei do retorno nem sempre é negativa, se alguém pratica o bem, ele receberá de volta às bênçãos do bem, da bondade e seus feitos produzirão o dobro de frutos de amizade e amor.

A Lei do Retorno possui uma característica diferente do pecado comum do dia a dia, a Lei do Retorno tanto para o bem quanto para o mal é premeditada não é uma lei espontânea, seu exercício constante produz no cérebro elementos positivos ou elementos negativos, portanto, a Lei do Retorno cria hábitos positivos ou negativos e o hábito faz o monge.

          É senso comum que a Lei do Retorno é para penalizar somente as ações negativas do indivíduo, também para agraciar os bons. Se alguém planta trigo não irá colher joio, irá colher trigo. Quem planta o bem, ele irá colher o bem e quem planta o mal, ele irá colher o mal.

          A Lei do Retorno é causa e efeito, se a causa é boa, a resposta é melhor, se a causa é ruim, a resposta é pior. O bumerangue do mal não voltará ser o bumerangue do bem, se ele foi arremessado com a natureza do mal, ele não voltará com a natureza do bem, ele voltará com a natureza do mal.

          A Lei do Retorno chega devagarzinho, sem pressa, a vida manda a conta, às vezes, quem praticou o mal já não se lembra do mal que praticou. É comum alguém se lamentar insatisfeito da vida, interrogar aos céus seu infortúnio, o dito popular é categórico: “...quem bate esquece, quem apanha não”.

     Se alguém optou praticar o mal não lhe cabe devolver esse mal que lhe foi praticado, é conhecido o ditado: “... não se retribui o mal com o mal, porém, o mal se retribui com o bem”. No Evangelho de Mateus (5: 39, 40, 41), Jesus Cristo ensina que o mal se paga com o bem, veja: “... não resistais ao perverso; mas se alguém te ofender com um tapa na face direita, volta-lhe também a outra. E se alguém quiser processar-te e tirar-te a túnica, deixa que leve também a capa. Assim, se alguém te forçar a andar uma milha, vai com ele duas...” Que galardão lhe será dado por Deus se comunga com o mal e não com o bem? Nenhum!...

          O tempo é o principal elemento da Lei do Retorno, ninguém resiste ao tempo, o tempo não deixa impune o homem do mal, portanto, o mal se verga com o peso do tempo. O tempo destrói toda maldade humana.

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

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O Populismo - R. Santana

 


O Populismo

R. Santana

 

     No dia 21 de novembro de 2022, eu recebi um presente (livro) do professor, escritor, advogado e empresário da comunicação, o Dr. Vercil Rodrigues, com o título: “José de Almeida Alcântara, O populismo em Itabuna”, autografado pelo autor: “Ao prof. Rilvan Santana com votos de paz e... do autor”, ele não poderia me dar um presente maior, sou um leitor contumaz, nada me realiza que a leitura de um bom livro, a priori, pelo autor e protagonista da história que iria ler um bom livro. Fiz quase no mesmo dia, a leitura.

     Esse livro, pela honestidade intelectual, pela metodologia, pela pesquisa profunda, ele irá subsidiar às próximas gerações de estudantes e pesquisadores da história de Itabuna, ao lado de José Dantas de Andrade, “Dantinhas”, Adelindo Kfoury, Helena Mendes, Oscar Ribeiro Gonçalves, Carlos Pereira Filho, Helena Borborema e Adriana Dantas.

     O livro de Vercil Rodrigues é mais atual e se propõe ao estudo específico do populismo em Itabuna. Não obstante, ele ter usado Getúlio Vargas, João Goulart, Ademar de Barros, Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek, Fidel Castro, Gandhi, Abdel Nasser, para explicar a teoria do populismo no Brasil, na América do Sul e no mundo. Pois, o populismo não é um fenômeno local, de um país, mas global, em todo mundo florescem de quando em quando, líderes populistas.

     As circunstâncias fazem o homem, Alcântara foi produto das circunstâncias. Primeiro, a natureza foi inclemente na enchente de 1947 e o distrito de Itapé ficou com a população ribeirinha sem eira nem beira, Alcântara, coletor do estado da Bahia, usou sem autorização administrativa do governo, os recursos públicos para socorrer com alimentos e cobertores e remédios aos flagelados das enchentes. Segundo, demonstrou, também, solidariedade, determinação e empatia nas comunidades da Mangabinha, Ferradas, Burundanga, centro da cidade de Itabuna e alhures em circunstâncias iguais de enchentes.

     Alcântara não foi um demagogo, mas um carismático populista, ele atendia ao apelo do povo em detrimento dos interesses egoístas da elite. O problema de Alcântara, é que sua administração não planejava, ele atendia aos interesses imediatos dos seus eleitores. A abertura da Avenida Cinquentenário foi um exemplo, indenizou todos os imóveis, Perinto Luis Ribeiro foi um entrave do começo ao fim, Alcântara atendendo ao clamor popular e a data de 50 anos de Itabuna, ele autorizou que os tratores jogassem ao chão o último imóvel que faltava, mesmo não respondendo à agressividade física e primitiva de Perinto.

     O destino colocou o jovem engenheiro civil Félix Mendonça na vida de Alcântara. Nomeado “Secretário de Obras Públicas de Itabuna”, no ano de 1961, ele deu novo impulso à administração de Alcântara. Engenheiro civil de quatro costados, carismático, trabalhador, determinado, ele fez da “Secretaria de Obras Públicas de Itabuna”, lugar de decisões para desenvolver e urbanizar a cidade. Félix Mendonça aprendeu logo as práticas populistas do chefe, em 1963 se elegeu prefeito da cidade itabunense e ao longo dos anos foi deputado federal em várias legislaturas: - a criatura tornou-se maior do que o criador.

     Alcântara não deve ser lembrado só pelo seu populismo, foi no seu tempo, um bom administrador, além da Cinquentenário, projeto que se arrastava fazia anos, ele teve a coragem de desafiar os poderosos da época, ele fez calçamento em várias ruas da cidade e luz elétrica para Mutuns e Bairro São Caetano, naquele tempo, uma empreitada quase impossível pelos parcos recursos do município.

     Ele não foi um produto de marketing (não havia este conceito), mas o ídolo de um povo abandonado pelas políticas públicas daquela época. Alcântara atendia, dentro do possível, às reivindicações dos ribeirinhos, dos descamisados, do povo pobre, além de carinhoso com os necessitados. Ele não só tirava os seus sapatos e doava ao noivo aflito para casar e não tinha sapatos como se fazia presente na cerimônia de casamento dos noivos. Seu carisma incomodava às elites, “de colher”, ele derrotou José Soares Pinheiro (representante dos empresários e da sociedade rica), elegeu Mário César Anunciação, Félix Mendonça e numa transferência recorde de votos, elegeu Antônio Carlos Magalhães para deputado federal com 10.000 votos de Itabuna.

     Não é demais dizer que o livro “José de Almeida Alcântara, O populismo em Itabuna” será o divisor entre o antigo e o moderno, não que as pesquisas dos historiadores antigos não fossem relevantes, porém, o autor Vercil Rodrigues teve o privilégio de usar novas tecnologias gráficas e novos métodos de pesquisa, portanto, seu livro subsidiará a pesquisa e a leitura das gerações atuais e futuras.

     Lisonjeou-me ter contribuído nessa pesquisa, sou citado como referência nas páginas 76 e 206 dessa pesquisa, a crônica “Alcântara”, 29.11.2017 e a crônica “Causos Políticos” 21.02.2013, no site “Recanto das Letras”. Essas referências atestam a honestidade intelectual e sinceridade do autor do livro: “José de Almeida Alcântara, O populismo em Itabuna”.

     Enfim, permita-me o autor, fechar esta crônica com o pensamento de Monteiro Lobato: “O livro é uma mercadoria como outra qualquer; não há diferença entre o livro e um artigo de alimentação. Se o livro não vende é porque ele não presta”. Meu feeling de leitor diz que é um bom livro.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Capa do livro, "José de Almeida Alcântara" (O populismo em Itabuna) - Vercil Rofrigues

 

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