11.02.2025

A pecha - R. Santana

 


A pecha - R. Santana

 

     A pecha é um defeito ou uma imperfeição atribuído por alguém a fulano. A pecha é sorrateira e se espalha como “fogo de monturo”, pouco e pouco, às vezes, ela acompanha o indivíduo até a morte. Não é um defeito congênito, não nasce com o indivíduo, é um defeito embasado no preconceito e juízo de valor precipitado do outro, se alguém espalha que sicrano é homofóbico pelo fato de seus princípios religiosos, não significa que, ele tenha aversão ao homossexual e deseje seu mal ou que alguém é racista pelo fato dele não gostar de um negro, não do negro.

     A pecha não é um apelido, uma alcunha, um cognome, a pecha é um defeito e uma imperfeição profundas de ofensa moral. Às vezes, as pessoas são identificadas pelos apelidos mais que os nomes de batismo e de família. Se alguém perguntar às pessoas se conhecem Agenor de Miranda Araújo Neto, 99% vão responder que não sabem quem é essa pessoa, mas, se perguntasse quem é “Cazuza”, todos vão responder que foi um poeta e cantor brasileiro. O mesmo se diria se perguntar por Maria Odete de Miranda Marques, ninguém iria dizer que conhece, porém, se perguntasse por Gretchen, todos a conhecem.

     Alguns gênios receberam a pecha de loucos em sua época por eles serem diferentes, a exemplo de Albert Einstein, Galileu, Gandhi, Lima Barreto, Vincent van Gogh, porém, se não fossem esses “loucos”, não teríamos grande avanço na ciência, na política, na literatura e na arte pós-impressionista ocidental, todavia, é sabido que eles sofreram em sua época, indiferença e rejeição sociais.

     A pecha possui outros nomes, não menos desairosos e não menos preconceituosos, que ao longo do tempo é absorvido naturalmente pelo indivíduo: “maluco”, “sovina”, “desestabilizador”, “mão de vaca”, “pavio curto”, “picuinha”, “misantropo”, pão-duro, “excêntrico”, “problemático”, etc., etc. A pecha, geralmente, não é dita frontalmente, cara-cara, é dita por detrás, na ausência, por debaixo do pano, porém, seu efeito é devastador socialmente, a vítima fica isolada e estigmatizada para sempre.

     A pecha é mais nociva do que o apelido. O apelido pode gerar um “bullying” se o apelidado se estressar, reagir física e moralmente, todavia, se o apelidado levar na brincadeira, no deboche, o apelido acaba se perdendo ao longo do tempo, enquanto a pecha é um traço de conduta diferente, um comportamento antissocial do indivíduo, porém, a pecha não chega ser um transtorno mental, mas uma condição mental.

     Em 1991 fui nomeado diretor geral do Colégio Estadual de Itabuna - CEI (já era vice-diretor há 03 anos). A Coordenadora Geral, a saudosa Eneida Silveira, me chamou em particular e advertiu-me: “Olhe, nomeação política é uma coisa, aceito pelo grupo é outra. Aqui tem mais de 200 professores e mais de 5000 alunos nos 03 (três) turnos. A maioria dos professores é da esquerda, alguns são sindicalistas, terá que ter muito jogo de cintura”. Ela me fez essa advertência pelo fato que, naquela época, eu participava do grupo político do Fernando Gomes e a maioria absoluta do professor itabunense e intelectuais de Itabuna não votavam no saudoso prefeito e recebi a pecha de seu fiel amigo e escudeiro na educação.

     Irene, próspero negociante, morador da cidade “X”, foi lhe dado à pecha de sovina, miserável, mão de vaca e ouros adjetivos afins. Não perdia um centavo pra ninguém se algum freguês lhe restasse qualquer dinheiro, ele não o deixava em paz até o dia de completa quitação. Se alguém lhe pedia dinheiro pra comprar um pão, ele lhe dava um sonoro “não!”, porém, amolecia o coração se uma criança vizinha adoecia e precisava de cuidado médico.

     “Zé do Ó” é um desses casos que marcam a história de Itabuna. Direito, administrador de mancheia, ele foi candidato a prefeito 02 (duas) vezes, vitorioso na última. Velhinho, ele ainda carrega a pecha de avarento. Suas histórias de sovinice são folclóricas e escabrosas, por respeito, deixamos de contá-las aqui.

     Porém, toda regra há exceção, nem sempre a pecha é má, nos idos de 1969, um médico de origem alemã, Dr. Simão Fiterman, recebeu a pecha de “caridoso”, “médico dos pobres” e, morreu com o reconhecimento da comunidade itabunense de médico benfeitor, solidário e humano jamais visto nesta terra do cacau.

     Já foi dito que “pecha” não é “apelido”. A pecha é uma mancha moral que se espalha pela incompreensão do outro, pela falta de respeito às diferenças individuais. Se houver empatia, se alguém se colocar no lugar do outro, se despir dos seus preconceitos arraigados e considerar a natureza do seu irmão, jamais a pecha prevalecerá, pois segundo Rousseau, o homem nasce bom e a sociedade o torna mau.

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

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Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

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A enchente - R. Santana

 


A enchente 

R. Santana

 

     As águas do rio Cachoeira desciam aos borbotões em direção ao mar de Ilhéus levando animais, toras de madeira, baronesas, árvores caídas, a força da água impressionava, em certos trechos, as águas passavam pelas pedras numa velocidade que nenhum vivente seria capaz de manter uma canoa navegável, porém, se não fosse lúgubre, não causasse tanto dano, deixando populações ribeirinhas sem eira nem beira, numa miséria de chorar qualquer coração endurecido, dava-se gosto ver, a revolta da natureza com a agressão do homem.

     Os lugares baixos da cidade foram invadidos pelas águas do Rio Cachoeira: Bananeira, Mangabinha, Rua da Jaqueira, Laranjeiras, Miguel Calmon, Sete de Setembro e Rua da Areia, esses lugares foram os mais atingidos, com exceção da Praça Adami que naquela época, era um pequeno monte com mais de 3 m de altura onde muita gente se apinhava com medo da água que avançava.

     As casas de bloco e os barracos eram tragados pelo rio por uma força natural como se fossem de papelão. Nada que a enchente do rio Cachoeira não arrastasse: casas, pontes, toras de madeira, sofás, camas e outros objetos, mas o que chamava mais a atenção era a lâmina de baronesa que se formava por quilômetros com o rio seco e quando a enchente ocorria, a esteira de baronesa deslizava na água, uniforme, suave e bela, levando em cima de suas folhas e bulbos, galináceos, cobras, lavandeiras, garças e até caititus.

     No infortúnio é que se descobre à grandeza da alma humana, não faltava voluntário para socorrer algum sobrevivente desesperado que se agarrava à cumeeira de uma casa submersa ou algum náufrago que na agonia clamava por socorro, geralmente, com um dos braços estendido e dando os últimos nados de cansado. Botes inflados e canoas deslizavam nas águas em lugares de ruas submersas procurando gente desabrigada.

     Essa enchente de 1954 foi uma enchente menor do que a enchente de 1914 e menor ainda do que a enchente de 1967, mas de igual valor destrutivo, não houve registro histórico, sua transmissão foi oral, das pessoas sofridas, das pessoas que perderam o pouco que elas tinham, foi uma enchente suis generis, sem as chuvas torrenciais das outras, pegou todos os habitantes citadinos de surpresa, é que as chuvas torrenciais

começaram na Serra de Itaraca, município de Vitória da Conquista e abundaram nas cabeceiras dos rios Salgado e Colônia, e, desaguaram no Rio Cachoeira de Itabuna.

     O rio Cachoeira pouco e pouco foi subindo, ultrapassando margens, penetrando nas casas ribeirinhas, tomando ruas, formando lagos e outros rios, num quadro de cenas horríveis, dantescas, destruindo sonhos e aumentando a leva de miseráveis da cidade.

     Porém, a molecada nem estava aí, brincava de picula, nadava (as águas do rio Cachoeira nem eram tão poluídas), soltava barquinhos de papel nas correntezas, enfim, a molecada pintava o sete...

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro efetivo: Academia de Letras de Itabuna - ALITA

 

Obs.: A enchente (Capítulo 27, “A face Obscura do homem”). Este capítulo é do meu livro “A face obscura do homem”, publicado em vários sites do país, principalmente: http://saberliterario.prosaeverso.com Este texto foi adaptado para atender à formatação do WhatsApp e Facebook

 

Sete de Setembro - R. Santana

 


Sete de Setembro

R. Santana

 

     Eu deveria ter 13 anos de idade e estudava na “Escola Sagrado Coração de Jesus” da professora Nair Assis Menezes, no Banco Raso, de frente à antiga fábrica de Chocolate Hugo Kaufmann. Nair Assis Menezes é (o verbo no presente, pois ainda é viva com quase 100 anos de vida) uma negra baixa, pescoço atarracado e corpulenta. Naquela época, ela e professor Challup disputavam à hegemonia das melhores escolas fundamentais itabunenses. A escola do professor Challup era frequentada pelos meninos ricos e da professora Nair era frequentada pelos meninos pobres.

     Os alunos que faziam o curso de “Admissão” na “Escola Sagrado Coração de Jesus” saiam aptos para o ginásio, ninguém era reprovado no “vestibularzinho”. A metodologia da aprendizagem de professora Nair não era embasada em Paulo Freire, Vygotsky ou Piaget, mas, uma palmatória com um furo no meio e uma régua enorme de madeira de Jacarandá. Se o “neguinho” não trouxesse o “dever de casa” e soubesse na ponta da língua a tabuada, Vygotsky e Piaget eram substituídos pela régua e pela palmatória.

     Eu tinha certa facilidade em tabuada, calculava com facilidade as somas, as subtrações, os produtos e as divisões, ou seja, as operações aritméticas. Professora Nair fazia “sabatina” sem avisar, colocava o pessoal da 5ª. Série em semicírculo e, se o aluno claudicasse ou não soubesse, passava pra o aluno subseqüente que, resposta correta, metia o “bolo” no colega com a força do braço.

     Eu tinha um amor platônico pela menina mais bonita da sala. Ela não gostava de tabuada, gostava de poesia, fazia com facilidade bonitos versos. Nós combinamos, ela sentar-se na cadeira adiante, numa posição que quando a professora Nair lhe perguntasse, ela não soubesse a resposta, incontinenti, passava pra mim, pegava sua mãozinha, dava-lhe um “bolo” com doçura, Nair desconfiou, chamou-me à mesa, deu-me 6 “bolos” com toda força do seu braço gorducho e completou: “... é assim que se bate”, ela agrediu minhas mãos, mais o coração. Não lhe queixo hoje, sentimentos de amar não combinam com a lógica aritmética.

     Porém, guardo na memória, além da aprendizagem, os festejos juninos, as quadrilhas e as palavras de ordem (Anavan, Returnê, Anavan Tur, Caminho da Roça...), as datas comemorativas, em particular, o dia 2 de Julho e o dia 7 de Setembro.

     Nair providenciava a charanga, o corneteiro, o cavalo branco, o menino mais alto e mais bonito, o cavaleiro caracterizado de D. Pedro I, estandartes da bandeira de Itabuna, da Bahia e do Brasil, garbosamente, descíamos à Avenida 7 de Setembro (Cinqüentenário), e, fazíamos uma pausa em frente às autoridades municipais e à população que se espremia nas cordas de contenção. Quando no final do percurso, Nair dava a palavra de ordem: “Dispersar!” Saíamos pulando de alegria e a consciência patriótica de dever cumprido.

     Porém, começávamos ensaiar muito antes, turno oposto, no “Campo da Desportiva”. Naquela época, esse estádio era o “chique no último”, nesse estádio, jogaram Garrincha, Pelé, Zagalo, Hideraldo Luis Bellini, “Bellini” e tantas outras feras do nosso amado futebol profissional. Lembro-me que a Seleção de Itabuna foi hexacampeão com “Santinho”, Luis Carlos, os Rielas, Gajé, Florisvaldo e outros atletas de renome regional.

     No “Campo da Desportiva” não ensaiava, somente, a “Escola Sagrado Coração de Jesus”, mas outras escolas. Certo dia, marchando ao redor do estádio, um garoto mais alto e mais forte, passou pisar no meu calcanhar, não sei se propositadamente ou, ele não sabia marchar, o reclamei várias vezes, contudo, ele continuou me pisar. Jurava para os meus botões que quando findasse o ensaio, lhe daria uma sova e assim foi, eu o procurei para que me pedisse desculpas, ele não pediu e gerou uma discussão, os meus colegas e alunos de outras escolas começaram atiçar:

     - Aposto no “sergipaninho”!

     -Aposto no “sergipaninho”!

     -Aposto 5,00 contra 2,00 no “Sergipaninho”!

     Aquilo foi me dando um fogo e partir para cima do garoto, mas, ele recuou o suficiente e me deu soco no olho tão certeiro que a roxidão tomou conta, fui vencido por nocaute.

     Não nasci pra valente. Deus não me deu um corpanzil nem coragem física, nem mente brilhante, sim, um corpo diminuto de jogador de gude e mente comum.

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

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Plínio de Almeida - R. Santana

 


Plínio de Almeida - R. Santana

 

     No início dos anos 70, eu conheci o professor, poeta, escritor, jornalista, desenhista, pintor, orador e tantas outras habilidades e profissões, Plínio de Almeida, egresso desde o ano de 1951, de sua terra natal, Santo Amaro da Purificação, Recôncavo Baiano e se fixou em Itabuna. Aqui, ele ensinou História e Geografia em várias escolas, cronista de rádio, vereador por duas legislaturas e vice-presidente da Câmara Legislativa itabunense.

     Naquela época, havia 2 (dois) partidos políticos, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB e a Aliança Renovadora Nacional – ARENA. Plínio de Almeida era filiado ao MDB, acredito pela sua amizade com José Oduque Teixeira, seu candidato a prefeito. Ele foi o vereador mais votado, arrastou mais 2 ou 3 candidatos pelos votos de legenda, Sua popularidade provinha de seu programa: “Nós pensamos assim”, uma crônica curta e deliciosa na voz de Waldenir Andrade, todos os dias às 13:00 h, na Rádio Jornal, seu trabalho no Diário de Itabuna e o exercício de magistério.

     Nesses poucos anos de convivência legislativa que tive com Plínio de Almeida, uma das coisas que me fascinava era sua oratória. Ele era um orador inteligente com vários recursos dialéticos, sua força de argumentação era inteligível, clara para qualquer audiência. Lembro-me de uma visita ao plenário da Câmara de Dom Valfredo Tepe, Plínio de Almeida foi o orador e o saudou puxando desde os pré-socráticos, Sócrates, Platão, Aristóteles até São Tomás de Aquino.

     Quando eu conheci Plínio de Almeida, ele já apresentava as marcas da velhice: cabelos encanecidos, marcas de expressão no rosto, flacidez no pescoço, porém, olhos vivos e voz de moço. Todavia, ele era de uma simplicidade, de uma generosidade, de uma amizade e de uma disponibilidade pra ensinar que se encontram, somente, nas grandes almas.

     Quando aqui, ele chegou em 1951, já tinha sido vereador em Santo Amaro da Purificação, trabalhado na Rádio Nacional, Rádio Tupy, “Diário da Bahia” e “A Tarde” e membro da Academia de Letras de Castro Alves, sócio efetivo do Conselho Nacional de Geografia, no Sul da Bahia foi membro efetivo da Academia de Letras de Ilhéus – ALI.

     Não me lembro se no de 1971 ou 1972, o presidente da Câmara de Vereadores, Rafael Bríglia, designou 4 edis para irem à Vitória da Conquista, sob a coordenação de Plínio de Almeida, para avaliar in loco o recém construído: “Centro Comercial de Vitória da Conquista”. Simão Fiterman, o prefeito daquela época, tinha interesse para que a mesma empresa construísse o “Centro Comercial de Itabuna”.

     O prefeito liberou seu carro oficial (Sedan Preto), para que fossemos conhecer o “Centro Comercial” de lá. Acostumados com o clima quente do Sul da Bahia, quando nós chegamos à Vitória da Conquista, ainda cedo, quase não descíamos do carro, o frio gelava os ossos.

     Porém, o melhor da viagem não foi fechar o contrato com a empresa construtora e construir o “Centro Comercial de Itabuna”, o melhor da viagem foi o riso solto de Plínio de Almeida, suas piadas, seus poemas decorados e seus versos improvisados. Gostava de repetir o poema de Gregório de Matos que alguém o desafiou usar a palavra “pica” sem sentido imoral:

 

               “A Uma Que Lhe Chamou “Pica-flor”

 

               “Se Pica-flor me chamais

               Pica-flor aceito ser mas resta agora saber

               se no nome que me dais

               meteis a flor que guardais

               no passarinho melhor.

               Se me dais este favor

               sendo só de mim o Pica

               e o mais vosso, claro fica

               que fico então Pica-flor.” (Gregório de Matos)

 

     Plínio de Almeida era um gênio da oratória, da palavra, usava-a como lhe aprouvesse, dominava muitos conhecimentos e muitos saberes, contudo não era afetado, homem simples, seu bem maior era fazer amigos, ele os tinha em todos os lugares, desde o centro da cidade à periferia do bairro mais distante. Ninguém o enxergava como um intelectual de escol, mas, como invulgar cronista das 13:00 h, “Nós pensamos assim”, na voz inigualável de Waldenir Andrade.

     Hoje, a Fundação Itabunense de Cidadania e Cultura – FICC lhe fez justiça e o eternizou com sua “Obra Reunida” pela “Livraria Editus” e muitos acadêmicos escolhem-no como seu paraninfo e, escola, rua e biblioteca eternizam seu nome em nossa cidade. 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro efetivo da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

 

O sistema subjuga o homem - R. Santana

 


O sistema subjuga o homem - R. Santana

 

     George Orwell foi um indiano inglês que escreveu “A revolução dos Bichos” e o romance “1984”, que estão atuais nos dias de hoje. Criticou o stalinismo e lutou contra a ditadura de Franco. Não tinha ideologia definida, mas sonhava com igualdade social e liberdade para todos os homens. O Grande Irmão (Big Brother), nos regimes totalitários, o homem vive sob permanente vigilância do poder.

     Hoje, nós estamos sob a vigilância do sistema do “Grande Irmão” que está em todas as instituições, no sistema bancário, nas instituições de restrição ao crédito, nas redes sociais, nos sistemas eletrônicos e em todos os níveis de governo. Os nossos nomes foram substituídos pelos algarismos: CPF, RG, PIS, PASEP, etc.

     Conheci “A” que fazia seu IRPF com “B” há muitos anos, soube depois que “C” lhe ofereceu o mesmo serviço de menos valor e a vantagem de usar artifícios fiscais, que “A” receberia o dobro da restituição. O artifício que “C” usou foi omitir uma fonte de renda de “A” pra pagar menos imposto, a Receita Federal descobriu, além de “A” não receber nenhuma restituição, pagou uma multa à Receita Federal enorme.

     A Receita Federal, este ano, enviou para o contribuinte (pessoa física) o IRPF pronto: quanto ganhou, quanto pagou da escola do filho, as despesas de médico, de hospital, clínica, dentária, plano de saúde, financiamento, a relação do patrimônio móveis e imóveis, coube à pessoa física confirmar.

     Os profissionais liberais não usam mais livros, tudo é através das plataformas e aplicativos específicos. O engenheiro civil, por exemplo, projeta um prédio através de aplicativo, desde a fundação até a posição dos móveis em cada apartamento. Os médicos não ficam atrás, a prescrição de remédios, os exames laboratoriais, as cirurgias, as ultrassonografias, as endoscopias, as radiografias, as cintilografias, tudo é informatizado. No futuro ninguém sairá de casa para ir ao médico, a telemedicina é um fato.

     Os juízes não atendem mais presencialmente os advogados e seus clientes, as audiências são on-lines. Lembro-me que fiquei estupefato quando a mãe de um advogado disse que o livro, hoje, só serve pra ficar empoeirado na estante, que seu filho estuda os livros de Direito e, ele lê os processos dos seus clientes no seu notebook, enfim, que a biblioteca física é coisa do passado.

     As operações policiais têm que ser feitas, agora, com as bodycams (câmaras) acopladas aos uniformes, não existe mais a palavra do bandido versus a palavra do policial. Decerto, diminui a violência arbitrária, porém, diminui a capacidade de iniciativa e inibe a autoridade do policial, pois, tudo está registrado no sistema da corporação militar.

     As Redes Sociais expõem a vida de quase todo mundo, às vezes, o serviço de inteligência da polícia localiza o homicida, o delinquente e o fraudador pelas Redes Sociais. Não existe mais privacidade, liberdade de pensamento e opinião, o sistema rastreia as atividades de todos os indivíduos, inclusive, a prevenção de suas ações.

     O “Grande Irmão” está em todo lugar, na escola, na rua (câmaras escondidas), no trânsito, nos legislativos, nos executivos, nas pequenas e grandes empresas, no Exército, na Marinha, na Aeronáutica, nas atividades culturais, nas atividades sociais, não existe nada escondido para o sistema. O sistema inibe a liberdade de pensamento e ação do presidente do país ao gari.

     Um fato jornalístico na TV japonesa, a TV brasileira correspondente, retransmite-o em som, imagem e tempo reais. O mundo está integrado como uma grande teia de aranha, todos os pontos estão interligados num grande sistema de vetores e círculos.

     O homem perdeu sua liberdade de agir e pensar que contrarie o sistema de justiça e poder. O homem contemporâneo pode ser comparado à marionete de cordéis invisíveis que o sistema o subjuga e controla.

 

 

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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As coisas do homem e as coisas de Deus - R. Santana

 


                                                    As coisas do homem e as coisas de Deus - R. Santana

 

     Deus é misericordioso, é solidário, é generoso, perdoa os maus, é onipotente, onipresente, criador, é infinito, é amor. Para Jean-Jackes Rousseau, filósofo francês: “O homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. O problema é a sociedade, “O Contrato Social” que é feito pelo dominado e o dominador, pelos donos do poder, eles fazem as “Leis” de acordo o tempo e a conveniência de quem manda. As leis são relativas, servem para uma época e não servem para outra desde o começo do mundo. Mas que se repita: as leis são feitas para o povo ser dominado, não dominar.

     Quantos anos o negro foi escravo em nosso país? Quase 04 (quatro séculos), sob o domínio do homem branco e da elite do poder. Deixou de sê-lo quando a mão de obra escrava não era mais necessária, aí, a benevolente princesa Isabel (“A Redentora”), a filha de Dom Pedro II, decretou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, mas, o prejuízo histórico (crimes, maus-tratos, serventias, sevícias sexuais, trabalho escravo, etc.), injustiças jamais resgatadas pelo resto da humanidade.

     Na Bíblia existem os “10 Mandamentos”, publicados por Moisés, historicamente, ele foi o primeiro Legislador, Deus na criação do mundo, Eva e Adão não foram colocados no Paraíso sob a égide de alguma “Lei”, mas do livre arbítrio, isto é, Ele deu ao homem a capacidade de escolha: “Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: do fruto das árvores do jardim podemos comer, Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais”.

     O destino do homem não é determinado. O homem não nasceu sob o signo do determinismo, ele tem capacidade de escolha e mais ninguém, ele pode escolher ser um bandido ou um herói, cabe ao homem decidir sua vida. Não existe nada impossível quando o homem se propõe fazer. Ele pode perseguir o dinheiro e tornar-se um Elon Musk ou, preferir ser um homem comum e sem ideal.

     Descartes dizia que bastaria o homem usar de bom senso para que todas as “amarras” fossem dispensadas. Se o homem tem bom senso, ele não briga, não bate na mulher, respeita o direto do outro, ou seja, ele não faz nada fisicamente e moralmente errados. A educação seria condição sine qua non, indispensável, para que o indivíduo seja um cidadão.

     A “Lei” é de quem ganha a guerra, não é de quem perde a guerra. Já pensou se Hitler tivesse ganhado a II Guerra Mundial? Não seria instalado “O Tribunal de Nuremberg” para punir os alemães pelos seus crimes de guerra nem os campos de concentração de Dachau, Buchenwald e Sachsenhausen seriam ampliados e não destruídos. Quem faz as “Leis” são os vencedores, os dono do poder. “Ao vencedor, os louros!”

     No início da Criação, Deus disse ao homem: “Filho, serdes férteis e multiplicai-vos. Dou a ti o livre arbítrio e o dom da vida, escolherdes o caminho do bem e tu entrarás na vida eterna, o caminho do mal é mais largo e fácil, mas trarás dor e sofrimento eternos nos fins dos tempos”. Deus deu ao homem as coisas de vida: o Sol, a chuva, os rios, os mares, a Terra, as estrelas, os planetas, os cometas, enfim, o universo, exigiu-lhe dele, somente, a fé, a fidelidade e aceitar seu Filho Jesus Cristo como único redentor da humanidade.

     Deus não deixou as catástrofes naturais programadas, Ele é misericordioso, amor, jamais permitiria que a natureza sem ação do homem, ela destruísse milhares de vidas e causasse tanto sofrimento e dor. O homem é o maior predador da natureza: derruba as matas, os garimpos, espalha substâncias radioativas, incêndios criminosos, poluição dos rios, dos mares, poluição atmosférica pelo gás carbônico, 0 efeito estufa, mudança climática abrupta, “extinção” da fauna, terremotos, maremotos, ciclones, etc.

     Ultimamente, o homem vem brincando com as coisas de Deus. Produtoras de cinema e distribuidores de filmes estão oferecendo filmes em que Jesus Cristo é protagonista gay, outros filmes, aparece Jesus Cristo armado de fuzis protagonizando terrorista, uma blasfêmia nunca vista em XX Séculos de história cristã. Além disto, muitos líderes religiosos vêm roubando os incautos em nome da fé, os falsos profetas.

     Hoje, a concupiscência, o apetite sexual animalesco, a pedofilia, a exaltação pela mídia dos LGBTQAPN+ rompem os bons costumes, agridem às famílias conservadoras e influenciam de maneira negativa os jovens e as crianças em formação.

     Havia mais pudor em Sodoma e Gomorra. As tradições e o respeito aos bons costumes foram jogados no lixo.      Hoje, em certas atividades, faz-se necessário pra ter sucesso se for gay, lésbica ou transgênero.

     Os homens estão brincando com as coisas de Deus. Na vida não existe vencido nem  vencedor, todos morrem no final. Já foi dito que  "o salário do pecado é a morte".

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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A saga de escritor - R. Santana

 


A saga de escritor - R. Santana

     Eu não sou escritor, eu sou escrevedor, aquele que escreve sem compromisso de ser escritor. Honraria muito, se eu fosse escritor, mas ser escritor não significa somente escrever, hoje, significa produzir obras literárias ou científicas, ter uma editora por detrás, patrocínios publicitários, acima de tudo, além de tudo, ser reconhecido como escritor. Às vezes, as pessoas pensam “que me finjo de boneca pra ganhar retalho”, mas não é verdade, as pessoas me conhecem como “professor” ou simples cidadão, não sabem nem têm obrigação de saber do meu gosto pelo uso da palavra oral e escrita.

     Desde adolescente que escrevo, naquela época, não havia Internet, nem informática, se escrevia manuscrito no caderno escolar ou se datilografava, muito tempo depois, surgiu o mimeógrafo: equipamento que reproduzia muitas cópias com a mesma matriz. Os jornais não davam espaço aos escritores desconhecidos, mesmo os articulistas e cronistas conhecidos, o espaço concedido era mínimo, eles privilegiavam as notícias jornalísticas e os espaços publicitários.

     Certa fase da juventude queria ser advogado criminalista, impressionava-me Wilde Lima, Waly Lima e as astúcias de Raimundo Lima nas sessões de júri popular no ‘Fórum Ruy Barbosa de Itabuna”, mas faltava-me fôlego, presença de espírito, raciocínio inteligível, também, péssima dicção e vícios de linguagem. Deu-me a esperança que Demóstenes, o maior orador da Grécia Antiga, ele era gago, contudo, com perseverança e superação física, ele alcançou o grau máximo da oratória. Diz a história que, corria na praia declamando poemas contra o vento em voz alta ou usava seixos na boca para discursar pra ninguém... A história das “Catilinárias” do romano Cícero e a oratória política do ateniense Péricles, também, me impressionaram.

     Mas, desiludido de ser advogado (condições financeiras) de ser grande orador, homiziei-me na escrita. Escrever é um ato solitário, com o domínio da língua, algum subsídio teórico, transpiração, inspiração, o talento que Deus me deu, comecei escrever em tempos idos. Naquela época, eu escrevia porque a cabeça fervilhava de ideias, queria ser um Machado de Assis, um Euclides da Cunha, um José de Alencar, um Victor Hugo, um Shakespeare, mas, descobri que Deus tinha me dado poucos talentos, não o talento que pensei ter. Hoje, escrevo por necessidade pra diminuir a ansiedade e alimentar a alma e confortar o coração.

     A Bahia é um celeiro de grandes escritores, grandes poetas, artistas de mancheia, músicos, oradores e cientistas. Todavia, para meu gozo pessoal, li e gosto dos melhores de Itabuna: Jorge Amado (nasceu na fazenda Auricídia, Ferradas, Itabuna), Cyro de Mattos, Marília Benício dos Santos, Francisco Benício dos Santos, Jasmínea Benício dos Santos, Valdelice Pinheiro, José Dantas de Andrade (Dantinhas), Plínio de Almeida, Adelindo Kfoury, Helena Borborema, Firmino Rocha, José Bastos, Hélio Pólvora, Telmo Padilha e Ariston Caldas. Estes itabunenses dispensam loas porque são conhecidos e reconhecidos como poetas e escritores, aqui, ali e alhures.

     Escrever é uma necessidade mental e difícil, porém, escrever faz bem à saúde mental, o sujeito puxa das profundezas da mente suas ideias, quem já escreveu um romance, um ensaio, uma novela, uma tese científica, sabe que é um trabalho hercúleo, mais de transpiração do que inspiração, às vezes, o escritor apaga uma página inteira para refazê-la a gosto, porém, quando conclui o feito, é prazeroso e realizável.

     A história da literatura comprova que nem sempre quantidade é sinônimo de sucesso, de reconhecimento, de aprovação, muitos escritores escrevem “n” livros, nenhum é “Best-Seller”, nenhum cai no gosto do público, todos os livros ficam empoeirados nas estantes das bibliotecas, outros no lixo da História. Porém, alguns escritores com um livro, a exemplo de Kafka que é conhecido pelo “O Processo”, “O Pequeno Príncipe” de Antoine Saint-Exupéry, “O Menino do Dedo Verde” de Maurice Druon e tantos outros que a memória recusa dá exemplo.

     Lembro-me no último ano do 2º. Grau (Curso Médio), Jorge Amado era rejeitado subjacente pela elite cultural por ser um autor “pornográfico”, não era recomendado para adolescentes, conteúdo não seguro para todas as assembleias, depois que a Rede Globo adaptou seus romances para novelas como “Gabriela, Cravo e Canela”, “Terras do Sem Fim”, “Tereza Batista Cansada de Guerra”, ele tornou-se “Best-Seller”, houve até um movimento para que concorresse ao “Nobel de Literatura”. Hoje, Jorge Amado é unanimidade nacional.

     Logo, a atividade de escritor não é pra qualquer pessoa, mas, pra quem Deus reservou dotes especiais por merecimento divino, por isto, escrevinhador não é escritor.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

 

Inteligência Artificial - R. Santana

 


Inteligência Artificial - R. Santana

Inteligência Artificial

R. Santana

 

     Doutor André e Dr. Alberto são dois jovens cientistas do Instituto de Pesquisa “X”. André é questionador, Alberto é mais de ouvir do que falar, porém, ambos são cientistas teóricos e laboratoriais conceituados pelos seus pares. Ambos acreditam que o verdadeiro conhecimento científico é adquirido através do trabalho de pesquisa direcionado, nenhum saber é adquirido aleatoriamente, espontaneamente, mas através de muito trabalho e foco.

     Nos corredores do Instituto de Pesquisa “X”, ultimamente, não se fala noutra coisa, senão, na bendita “Inteligência Artificial”. Os cientistas mais velhos fazem certo desdém da nova ferramenta do conhecimento, os mais novos cientistas recebem a “Inteligência Artificial” como panaceia que irá impulsionar todas às formas de conhecimento e a ciência.

     Certa manhã, os dois amigos se encontraram na entrada do instituto e André puxou conversa:

     - Alberto tem algum compromisso depois do expediente?

     - Hoje, é aniversário de minha sogra.

     – E, amanhã?

     - André, o assunto é urgente?

     - Não! Acho que é de nosso interesse...

     - Se o assunto é de interesse comum, poderá deixar para o próximo sábado?

     -Na sua casa ou na minha?

     - Poderá ser no “Bar do Flamengo”, às 19:00 horas de sábado?

     -Alberto, eu não saio de casa à noite. Poderá ser às 9:30 horas de sábado?

     - Ok!

     Três dias depois:

     - Alberto, já leu sobre inteligência artificial?

     - Sim!

     - Achou o quê?

     - Mais uma ferramenta literária científica da informática pra facilitar o nosso dia a dia.

     - Alberto, isso vai prejudicar a criatividade e a qualidade da escrita e da ciência, por exemplo, se quero produzir um ensaio científico ou melhorar o desenvolvimento de uma indústria, do comercio, da arte, da literatura, etc., basta pesquisar nas plataformas específicas, as soluções serão imediatas.

     -André deixe de bobagem, a máquina surgiu pra melhorar o dia a dia do homem, nunca para substituí-lo e tomar o seu lugar. A criatura nunca será maior do que o criador. Já pensou se a agricultura de hoje ainda fosse de enxada, de foice, de biscol, como seria pra alimentar a humanidade de Malthus que cresce em progressão geométrica?

     - Eu concordo, mas se a máquina fizer tudo o homem se acomodará e a ciência e a arte ao invés de evoluírem se estagnarão, não haverá dentro de algum tempo, cabeças como de Albert Einstein, Isaac Newton, Oppenheimer ou gente como Machado de Assis, Ernest Hemingway, Clarice Lispector, Drummond ou gente como Van Gogh, Leonardo da Vinci, Monet, Picasso, etc.

     Alberto fez um muxoxo com se estivesse cansado e gritou para o garçom:

     - Meu amigo traz uma cerveja geladinha e qual o petisco? - O garçom deu-lhe o cardápio.

     - André, eu vou pedir 4 quibes e 2 porções de batata frita, mais tarde almoçamos, hein?

     - Alberto, não se apoquente, nós iremos almoçar em casa. As nossas casas não ficam longe, se desejar almoça na minha casa, a mulher preparou um “vermelho” e um miragaia que estão deliciosos!... – acrescentou:

     - Eu lhe entendo, estamos no Século XXI, agora, as ferramentas não são mais físicas, mas robótica, informática, eu me preocupo, é que a criatividade e a invenção serão comprometidas, ninguém vai criar nada e inventar coisa alguma, pois, tudo está nos computadores e nos sistemas .

     - André, meu velho companheiro de ciência, o mundo se divide em 2 classes: os dominantes e os dominados. Os primeiros estão no poder político, na ciência, no poder econômico, nas finanças, na riqueza particular, na indústria, no comércio, no poder bélico, na elite intelectual, etc. Os dominados formam a base da pirâmide, o povo, é o povo que consome, é o povo, enfim, que usufruirá do desenvolvimento da ciência em todos os segmentos. O que prevalece, hoje, é o trabalho de grupo. Você acha que a NASA trabalha só com um Einstein? Mas com centenas de cabeças de Einstein – finalizou:

     - Meu amigo, quem faz e programa as máquinas? O homem! Até o mais vagabundo chip, alguém o programou... Não fique preocupado, a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL é produto da mente humana, não existe geração espontânea de Lazzaro Spallazani, tudo tem autor e Deus é o Criador e Autor de todas as coisas. Entendeu, estimado e preocupado Dr. André?

     - Sim!

     - Então, vamos tomar esta geladinha e saborear estes petiscos.Que a ciência evolua!

     O homem comum pensa que tudo será resolvido pelas máquinas, mas o homem é que faz a ciência, não a ciência que faz o homem.

 

 

 

 


Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro efetivo e fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

 

 

O mundo das possibilidades - R. Santana

 


O mundo das possibilidades

R. Santana

 

     O livre-arbítrio e o determinismo sempre mexeram com a cabeça dos pensadores. Hoje, ganha fôlego o princípio filosófico do livre-arbítrio, pelo menos para explicar as ações humanas e o maniqueísmo filosófico do bom e do mal, ou seja, o homem, animal racional, possui o livre-arbítrio de escolher Deus ou o Diabo, o certo ou o errado.

     Às vezes, o determinismo ganha mais força para justificar o inexplicável, principalmente, junto ao homem simples, é comum alguém dizer: “...foi o destino, Deus quis assim...”, isto é, como se tudo tivesse predeterminado, decerto, é a maneira do homem simples racionalizar o imprevisto.

     O determinismo é a teoria do fatalismo, mecanicista, as coisas não acontecem por acaso, tudo tem uma razão a priori de ser, veja o exemplo do que ocorre com as castas sociais hindus, elas são predeterminadas, um pária (casta inferior) não tem o direito de aspirar sua ascensão social ou religiosa, pois lhe é negado desde o nascimento esse direito pela sociedade e pelo sistema religioso brâmane.

     Há dois ou três anos, quando me debrucei para estudar a biografia do escritor Machado de Assis, surpreendi-me como alguém que nasce de pai pintor de parede, mãe lavadeira, pais paupérrimos e sem instrução, torna-se um dos maiores escritores do país. Sua mãe o deixa por morte ainda menino, ele consegue transpor tantas dificuldades e tornar-se romancista, contista, jornalista dramaturgo, teatrólogo, cronista e funcionário 13 graduado de alguns Ministérios brasileiros, além de ser o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras – ABL.

     A história de Machado e tantas outras histórias de vidas que parecem predestinadas, me fez compreender, que ambos os princípios, o determinista e o livre arbítrio, não respondem aos questionamentos mais profundos do ser humano. A História da Humanidade não pode ser reduzida à malícia da serpente, à fragilidade de Eva e à ingenuidade de Adão, que instigado por Eva, Adão usou o seu livre-arbítrio e comeu a fruta do conhecimento (mesmo ameaçado de morrer e expulsão do Éden) do bem e do mal, a fruta do pecado, a maçã, a fruta do amor... de lá pra cá, somos todos vítimas do pecado original, ou seja, nascemos com o estigma do determinismo do pecado original.

     Embasado nessas observações empíricas e nas diatribes aos princípios deterministas e do livre-arbítrio (determinantes do comportamento humano), é que sugiro aos meus leitores, o “princípio da possibilidade”, decerto, este princípio responderá às mais inexplicáveis questões sócio-ambientais, a reconceituação do bem e do mal, a sorte e o azar, exorciza o destino predestinado e diminui a força do livre arbítrio e foi sistematizado em possibilidades: a) Necessárias; b) Contingenciais; c) Reais.

     Entendo que a “possibilidade necessária” é a que se impõe por si, não deixa de ser, verdade absoluta. Deus é uma possibilidade essencial, existe por si, mesmo que alguém o negue, o reconhece como idéia lógica que subsiste por si. A “possibilidade necessária” está na categoria kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”.

     A “possibilidade contingencial” é de natureza absurda, contingente, que fere as leis da razão e do bom-senso cartesiano - não confundir este princípio com a filosofia existencialista de Kierkegaard, Camus, que questionam os conflitos existenciais do homem com Deus, a morte, enfim, com sua essência. A “possibilidade contingencial” responde às coisas mais imediatas, aos fatos do dia a dia, de natureza improvável, não transcendental, não filosófica, não lógica, não determinista, mas de possibilidades existentes e reais. 

     É uma temeridade leitor, citar exemplos aleatórios, porém, em nome do entendimento, eis aí três exemplos que desafiam à razão:

     -Alguém diz que nunca morrerá de acidente de avião porque jamais o usará como meio de transporte, porém, um dia lhe cai o avião sobre sua casa e o mata. -Alguém que não sabe nadar diz que nunca morrerá afogado porque jamais entrará num barco, numa canoa, num navio ou tomará banho em lagoa, rio ou mar, mas a natureza revoltada despeja chuvas torrenciais e afogam-no e submerge sua casa em tempo recorde...

     -Alguém de natureza cordata, eticamente correto, caseiro, do trabalho pra casa, da casa para o trabalho, que não é de briga, família, um dia é vítima fatal de uma bala perdida de um confronto de bandidos ou um confronto de polícia e bandido.

     As pessoas comuns atribuirão a esses fatos inexplicáveis ao destino, à predestinação, os mais místicos, às explicações espirituais, todavia, tudo não passa do “mundo das possibilidades”, mesmo remotíssimas, do meio que estamos inseridos, nós somos as nossas circunstâncias...

     A “possibilidade real” é quando as condições são reais, as possibilidades sócio ambientais confluem para um determinado fim, elas dependem, somente, da vontade, do livre-arbítrio do indivíduo, da sua escolha a priori, do seu foco.

     O filho de um pesquisador, de um cientista, por exemplo, pode ser influenciado pelo meio familiar e seguir o pai profissionalmente, todavia, ele poderá seguir uma profissão não correlata, de acordo às suas convicções de foro íntimo.

     O provérbio popular que “não existe sorte nem azar, tudo depende do modo de agir”, é um aforismo reducionista do princípio do livre-arbítrio, como se tudo fosse produto da vontade, do que “eu posso”, “eu quero”, que em condições reais, é provável, mas, longe de explicar aquilo que pode ou não pode acontecer, a exemplo das “possibilidades contingenciais”.

     Espero que esse princípio teórico das “possibilidades”, responda aos questionamentos do homem, que ele não atribua ao destino ou à categoria de fenômenos providenciais o que ocorre independente de sua vontade, mas ao “mundo das possibilidades” que todos nós estamos inseridos.

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna

Imagem: Google

 

 

Para Gustavo Fernando Veloso Menezes - R. Santana

 


Para Gustavo Fernando Veloso Menezes - R. Santana

Para Gustavo Fernando Veloso Menezes,

 

Estimado alitano:

 

     Faz algum tempo que conheci a “professora Cláudia”, carinhosamente, tu a chamas de “Claudinha”, este diminutivo é um superlativo que expressa teu amor infinito pela mulher que tu escolhestes para ser mãe dos teus filhos e seqüência teus netos. Para nossa família, ela representa uma persona grata que apareceu num momento difícil para nos socorrer na morte prematura de nossa filha primogênita há anos de sofrimento e tristeza.

     Não sei se esta carta servirá de estímulo para lhe dizer que representa um valioso fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, não por apadrinhamento, mas pelo que tem escrito e divulgado sobre o bairro itabunense de Ferradas. Hoje, Frei Ludovico de Livorno (1816), poder-se-ia dizer que ele foi o fundador de Ferradas, reconhecido pelo resultado de suas pesquisas e sistematização da História, antes de suas pesquisas, o Frei Ludovico tinha sido um religioso que havia passado naqueles confins de mundo, onde, também, nasceu Jorge Amado.

     Quando lhe conheci com esse vozeirão, cismei por me chamar de “GIGANTE”, pensei com os meus botões: “esse cara é gozador, chama um nanico de gigante”, com o tempo, compreendi que seu coração é generoso, maior do que “Gustavão”, que avalia às pessoas não pelo físico, mas pelo caráter, pelo “bem-querer” e amizade sincera.

     Invejo-lhe pelo sentimento de família que possui, tem medo de perder sua “Claudinha”, seus filhos e seus netos, porém “Gustavão”, é a lei da vida, lembre-se do sábio indiano:

     “Morra o avô”, “morra o pai”, “morra o filho” , “morra o pai”, “morra o filho”. “O dono da casa perguntou”: “Mestre, isto é uma bênção?”, “O sábio respondeu: É uma bênção. Felizes dos que vão nesta ordem”.

     Caro “Gustavão”, não conheço nenhum princípio filosófico da existência que possa ser substituído por esse pensamento indiano. Não tive essa sorte, como é sabido, perdi uma filha por morte de doença com 16 anos de idade, o tempo passa, mas a cicatriz não fecha.

     Porém, não podemos nos queixar da vida, vivemos no “Mundo das Possibilidades”, tudo pode acontecer independente da nossa vontade, vejo o livre-arbítrio com reserva, nem sempre fazemos nosso destino, sou adepto de Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar...”

     Certa feita me pediu pra que lesse seu livro e fizesse uma avaliação, esse pedido muito me honrou, porém, “Gustavão” é um historiador de mancheia não precisa de auxílio de nenhum escritor, salvo, para apresentar ou introduzir sua obra histórica, acho que faz isso por humildade, porém, nem sempre a humildade ajuda, às vezes, tira nossa autoconfiança. Não sofro desse mal, quando escrevo, não sou imune à crítica, mas me importa que, eu escrevi de acordo minha consciência e ajuda de Deus. Não faz muito tempo, um “mestre” das letras criticou minha “crônica”, respondi-lhe: “com devida vênia, não é uma crônica é um conto, portanto, suas críticas não procedem”.

     Ninguém é mais que você e/ou será se souber usar seu pensamento, lembre-se de Descartes: “cogito ergo sum”, tudo está na força do pensamento, se soubermos usar o pensamento não existirá dificuldade material ou intelectual, todos nós somos potencialmente iguais na capacidade de elaboração e realização.

     Queremos mais o quê? Plantamos uma árvore, temos filhos e netos e escrevemos um livro, a vida nos proporcionou o que negou a muita gente, portanto, somos abençoados pela Providência de Deus.

     Enfim “Gustavão”, não tenha medo daquilo que é irreversível, daquilo que não pudemos mudar no curso da nossa vida, tenha medo de não deixar exemplo para filhos e netos. “A palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”, seremos avaliados pelo exemplo e você é exemplo de honradez, de generosidade, de justiça, de empatia, para sua família, para sua comunidade, para as letras itabunenses e para Academia de Letras de Itabuna.

     Do seu amigo “Gigante”, que é seu admirador e de Claudinha, São Caetano, Itabuna (BA), 06 de dezembro de 2023, Rilvan Batista de Santana.

 

Rilvan Batista de Santana

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

 

 

 

 

 

 

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