O
Relógio
R. Santana
O
relógio, certamente, é uma das maiores invenções da humanidade. O homem desde
tempos primórdios perseguiu a ideia de dividir o tempo. E, dividir o tempo
tornou-se uma necessidade existencial: tempo de plantar, tempo de colher, tempo
de marés altas, tempo de marés baixas, tempo de florescimento de plantas, tempo
de medir os ventos, tempo de chuvas sazonais, tempo de reprodução animal, tempo
de migração de animais, tempo de nascer e tempo de morrer. Na prática, o tempo
é uma sucessão de segundos, de minutos, de horas, de dias, de meses, de anos, de
Séculos. A História Ocidental dividiu o tempo: a. C. e d.C. Todos os
acontecimentos são medidos na História, eles são medidos pelo tempo antes de
Cristo e depois de Cristo. Portanto, o relógio instrumento mecânico, hoje,
digital, serve para medir o tempo ente abstrato, transformando-o em ente
concreto. A medida do tempo é condição sine qua non para sobrevivência
humana.
O
primeiro relógio que comprei foi fruto de uma ação espúria de um vizinho. Eu
não contribuí nessa ação desonesta de maneira direta, mas fui conivente e
omisso. Arnaldo Laranjeira era um rapaz alegre, inteligente e ardiloso,
entretanto, não ganhava bem, fazia malabarismo para completar seu salário de mês.
Colocou seu relógio numa rifa “Raid das Moças”, que era uma cartela com 100
quadrinhos e cada quadrinho o nome de uma “moça”. O sortudo teria que acertar o
nome da moça que estava sob o selo lacrado da cartela. Arnaldo Laranjeira violou
o selo, descobriu o nome, fez-me assinar o quadro sorteado e vendeu-me o
relógio como se eu tivesse ganho.
O
relógio teve uma evolução ao longo do tempo. Na antiguidade, o povo se
baseava nos padrões do tempo, nos fenômenos naturais do tempo. Depois, os “relógios” de
ampulhetas ou relógio de areia. Diz-se que o primeiro relógio mecânico foi
feito pelo relojoeiro Abraham Louis, brasileiro, em 1814, encomenda da irmã de
Napoleão Bonaparte. Porém, o relógio de pulso é atribuído ao pai da aviação,
Santos Dummont, que pediu um relógio de pulso ao seu amigo Louis Cartier. Hoje, temos
relógios “atômicos” e relógios digitais que são mais precisos, contudo,
nunca são mais bonitos que os relógios mecânicos.
Hoje,
é notório, famosos que são colecionadores de relógios, o mais notório deles,
foi o saudoso Silvio Santos. Grandes “joias” raras são ostentadas nos pulsos de
bilionários, a exemplo do Graff Diamonds e o Patek Philippe e o Rolex. Estes
relógios chegam à cifra dos milhões de reais. Esses relógios, por falta de
segurança institucional, não são usados no cotidiano pois, chamam a atenção dos
donos do alheio.
O
relógio de parede é um instrumento de medir o tempo que compõe essas invenções,
historicamente, de valor inestimável. Diz-se que o relógio de parede com o pêndulo
vai-e-vem, foi feito com base na Lei do Pêndulo de Galileu Galilei. Em tempo
distante, o saudoso tio Pedro comprou um relógio de parede de pêndulo prateado
para marcar o tempo dos jogadores de sinucas, 50 anos depois, esse relógio
funciona com precisão e faz parte do espólio dos herdeiros.
O
relógio tem seu lado romântico e exigente? Quem não se lembra do namoro
regulado pelo tempo pelo pai da moça? – Senhor, em minha casa, o namoro, não
passa das 22 horas! – O tempo passava numa velocidade inexplicável, onde se
conclui que o tempo prazeroso passa numa grande velocidade e o tempo não
prazeroso passa devagar. O trabalhador é exemplo vivo desse tempo, ele se
angustia e as horas finais de seu trabalho não chegam...
Enfim,
leitor amigo, trabalhe com amor, não olhe o feitor (o relógio) do tempo, ele vai chegar
quando você menos espera.
Autoria: Rilvan
Batista de Santana
Licença: Creative
Commons
Membro fundador da
Academia de Letras de Itabuna – ALITA.
Imagem: Google


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