Um famoso ex-craque voltou para sua velha escolinha procurando memórias,
mas encontrou o zelador que o ajudou quando criança trabalhando doente e
esquecido... o que ele fez depois deixou todo mundo sem palavras
Quando Ronaldinho Gaúcho decidiu visitar a antiga escolinha onde começou
a jogar futebol no bairro Restinga, em Porto Alegre, esperava encontrar
memórias da infância, da época em que corria descalço pelos campos de terra lapidada. O que ele não esperava era reencontrar Dom Anísio, o zelador que
acreditou nele muito antes do mundo ouvir falar do mágico.
A descoberta deixou Ronaldinho em choque. Enquanto muitas pessoas
famosas talvez lhe tivessem dado um abraço e continuado o seu dia, a reação de
Ronaldinho desencadeou uma série de eventos que mudariam para sempre a vida de
Dom Anísio, de Dona Marta, sua esposa, e também da própria comunidade onde tudo
começou.
Era uma tarde dourada de outono quando Ronaldinho Gaúcho, agora com 44
anos e um mundo de histórias às costas, estacionou seu SUV preto em frente à
escola municipal Bento Gonçalves, no coração da Restinga, Porto Alegre. O motor
desligou, mas dentro do peito o coração batia forte, quase como nas finais mais
tensas que já havia disputado.
Antes de abrir a porta, ele ficou ali quieto, olhando para o prédio
simples. As paredes pintadas de azul claro estavam mais vivas do que eu
lembrava, mas as paredes, riscadas com desenhos e frases, ainda guardavam a
alma daquele lugar. Era como se o tempo lá tivesse aprendido a andar mais
devagar.
- Tens a certeza que queres fazer isto? — perguntou o amigo que dirigia,
mexendo o retrovisor com nervosismo.
Ronaldinho arrumou o boné, escondendo parte do rosto que todo brasileiro
conhecia de cor, e respondeu apenas com um sorriso tranquilo:
— Às vezes, é preciso voltar às raízes para lembrar quem é.
Abriu a porta e pisou firme no chão de calçada. Seus passos, embora mais
pesados do que na juventude, ainda carregavam uma leveza única, essa mesma
leveza que parecia desafiar a gravidade nas quadras do mundo inteiro.
O pátio da escola estava cheio de vozes infantis, gargalhadas soltas,
uma bola de futebol rolando de pé. Ronaldinho olhou para a quadra e, por um
segundo, viu-se descalço, correndo com os dentes à vista e a alma livre.
Passou quase despercebido entre os meninos e meninas, que não sabiam que
o homem de boné escondia um dos maiores nomes da história do futebol. Isso
arrancou um sorriso sincero. Ali, entre aquelas crianças, ele era apenas mais
um filho da Restinga.
Continuou em direção ao campo de futebol, com o coração apertado a cada
passo. Murais coloridos adornavam os corredores, retratando momentos de glória
dos alunos, frases de humor e, em um dos cantos, uma pintura antiga e já
descolorida. Era ele mesmo com a camisa da seleção, um sorriso enorme,
levantando uma taça imaginária. Mas não foi a pintura que o deixou imóvel.
Na margem do campo, abaixado, varrendo com esforço as bancadas de
madeira gasta, estava um senhor de roupão cinzento e olhos cansados: Anísio. O tempo tinha encurvado seus ombros, amava o cabelo, mas seu jeito de
ser, esse jeito de quem carrega o mundo nas costas sem perder a ternura, era
inconfundível.
Ronaldinho engoliu saliva. Lá estava o homem que, anos atrás, abria o portão da escolinha antes mesmo do sol nascer para que ele, o pequeno Ronaldo de sorriso maroto, pudesse treinar. O mesmo que costurava bolas partidas, remendava botas velhas e dava conselhos que iam muito além do futebol. Respirou fundo e aproximou-se.
- licença, tio - disse com a voz quebrada pela memória.
Dom Anísio levantou o rosto, limpando o suor com o antebraço cheio de
pó.
- Vens para a escolinha? Está procurando lugar para seu menino? —
perguntou sem reconhecer, mas com essa gentileza que nunca lhe faltava.
Ronaldinho sorriu mal.
— Já faz um bom tempo que não estudo aqui.
Dom Anísio franziu a sobrancelha, olhando para aquele rosto meio
escondido pelo boné.
Fonte: Facbook
Foto: Produção
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