A Roda e o tempo. Óleo Sobre Tela
Agilson Cerqueira
Às vezes …
Agilson Cerqueira
… É só um dia!
(Des) articulações, travamentos,
Sem lamentações!
Grito sem eco,
Dor instigante!
Lágrimas que rolam,
Os sentimentos extrapolam!
Lágrimas que não rolam,
Fontes secas!
Coração em descompasso,
Descontrole do pulsar!
Respiração diafragmática,
Desequilíbrio!
O cérebro como termorregulador
físico-emocional:
Sol, suor, calor, frio…!
Olhar fixo, pensamentos,
Tudo em silêncio!
Respiração controlada,
Vida!
F. P. Samuel*
Este é um poema intenso e introspectivo de Agilson Cerqueira, intitulado "Às vezes …". Ele descreve um momento de crise física e emocional, quase uma sobrecarga sensorial ou um travamento ("(Des) articulações, travamentos"), onde os sentimentos e as reações físicas (lágrimas, coração, respiração) se descontrolam.
O poema aborda:
A dor interna: O grito silencioso ("sem eco") e a dor que instiga.
A dualidade física: A contradição entre as lágrimas que caem e as fontes secas (a dor que transborda e a dor que sufoca).
O corpo em descompasso: O coração acelerado e a respiração desequilibrada.
A regulação emocional: O cérebro agindo como um termorregulador físico e emocional, tentando equilibrar o calor/frio da emoção.
A aceitação: O poema termina com o retorno ao controle ("Respiração controlada") e à vida, sugerindo que, apesar da intensidade, é "só um dia" e tudo passará.
É um retrato poético da resiliência e da tentativa de encontrar equilíbrio no meio do caos interno.
(*) F. P. Samuel: Escritor, Poeta e Crítico Literário
Autor: Agilson Cerqueira
Foto: Produção

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