Passei ontem a noite junto dela
Passei ontem
a noite junto dela.
Do camarote
a divisão se erguia
Apenas entre
nós — e eu vivia
No doce
alento dessa virgem bela...
Tanto amor,
tanto fogo se revela
Naqueles
olhos negros! Só a via!
Música mais
do céu, mais harmonia
Aspirando
nessa alma de donzela!
Como era
doce aquele seio arfando!
Nos lábios
que sorriso feiticeiro!
Daquelas
horas lembro-me chorando!
Mas o que é
triste e dói ao mundo inteiro
É sentir
todo o seio palpitando...
Cheio de
amores! E dormir solteiro!
Neste soneto, o sujeito confessa que
passou a noite perto da amada. Pela descrição, podemos perceber que o seu olhar
se fixou nela o tempo todo, observando a beleza que rende os maiores elogios.
Os versos transmitem o desejo do
eu-lírico que parece ecoar nos olhos da donzela, revelando o fogo da paixão.
Ele está dominado pelo seu "sorriso feiticeiro" e no dia seguinte
chega a chorar de saudades. Num tom dramático, os últimos versos confessam o
seu desgosto por querer tanto alguém e permanecer sozinho.
Fonte: Cultura Genial
Foto: Google

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