Minha mãe – Machado de Assis
Quem foi que o berço me
embalou da infância
Entre as doçuras que do
empíreo vêm?
E nos beijos de célica
fragrância
Velou meu puro sono?
Minha mãe!
Se devo ter no peito uma
lembrança
É dela que os meus sonhos
de criança
Quem foi que no entoar
canções mimosas
Cheia de um terno amor —
anjo do bem
Minha fronte infantil —
encheu de rosas
De mimosos sorrisos? —
Minha mãe!
Se dentro do meu peito
macilento
O fogo da saudade me arde
lento
Qual anjo que as mãos me
uniu outrora
E as rezas me ensinou que
da alma vêm?
E a imagem me mostrou que
o mundo adora,
E ensinou a adorá-la? —
Minha mãe!
Não devemos nós crer num
puro riso
Desse anjo gentil do
paraíso
Por ela rezarei
eternamente
Que ela reza por mim no
céu também;
Nas santas rezas do meu
peito ardente
Repetirei um nome: —
minha mãe!
Se devem louros ter meus
cantos d’alma
Oh! do porvir eu trocaria
a palma
Para ter minha mãe!
Fonte: Wikisource
Foto: Google


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