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2.11.2026

Minha mãe – Machado de Assis

 

 








Minha mãe – Machado de Assis


Quem foi que o berço me embalou da infância

Entre as doçuras que do empíreo vêm?

E nos beijos de célica fragrância

Velou meu puro sono? Minha mãe!

Se devo ter no peito uma lembrança

É dela que os meus sonhos de criança

 Dourou: — é minha mãe!

Quem foi que no entoar canções mimosas

Cheia de um terno amor — anjo do bem

Minha fronte infantil — encheu de rosas

De mimosos sorrisos? — Minha mãe!

Se dentro do meu peito macilento

O fogo da saudade me arde lento

 É dela: minha mãe.

Qual anjo que as mãos me uniu outrora

E as rezas me ensinou que da alma vêm?

E a imagem me mostrou que o mundo adora,

E ensinou a adorá-la? — Minha mãe!

Não devemos nós crer num puro riso

Desse anjo gentil do paraíso

 Que chama-se uma mãe?

Por ela rezarei eternamente

Que ela reza por mim no céu também;

Nas santas rezas do meu peito ardente

Repetirei um nome: — minha mãe!

Se devem louros ter meus cantos d’alma

Oh! do porvir eu trocaria a palma

Para ter minha mãe!


Fonte: Wikisource

Foto: Google

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