Se eu morresse amanhã
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que amanhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
Escrita aproximadamente um mês antes do falecimento
do poeta, a composição chegou a ser lida durante o seu velório. Nela, o sujeito
poético pondera o que aconteceria depois da sua morte, quase como
se enumerasse os prós e os contras.
Por um lado, pensa no sofrimento da família e no
futuro que perderia, revelando que ainda alimenta esperanças e curiosidade.
Lembra ainda de todas as belezas naturais deste mundo que ele nunca mais
poderia ver. Contudo, no final, conclui que seria um alívio, já que só assim
poderia apaziguar o seu sofrimento constante.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos