Powered By Blogger

2.26.2026

Se eu morresse amanhã -- Álvarez de Azevedo

 





Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que amanhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Escrita aproximadamente um mês antes do falecimento do poeta, a composição chegou a ser lida durante o seu velório. Nela, o sujeito poético pondera o que aconteceria depois da sua morte, quase como se enumerasse os prós e os contras.

Por um lado, pensa no sofrimento da família e no futuro que perderia, revelando que ainda alimenta esperanças e curiosidade. Lembra ainda de todas as belezas naturais deste mundo que ele nunca mais poderia ver. Contudo, no final, conclui que seria um alívio, já que só assim poderia apaziguar o seu sofrimento constante.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos

Destaques

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quant...

Última semana