Homem comum
Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei
O sujeito poético em Homem comum (trecho
acima) procura se identificar e por isso vai em busca da sua identidade.
Durante caminho de descobrimento, ele mapeia
percursos materiais (representados pela carne) e imateriais (simbolizados pela
memória). O sujeito então se apresenta como resultado das experiências
que viveu.
Aqui o eu-lírico se aproxima do universo do leitor
("sou como você feito de coisas lembradas e esquecidas") demonstrando
partilhar com ele experiências cotidianas ("ando a pé, de ônibus, de táxi,
de avião") e inquietações sobretudo humanas, transversais a todos nós.

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