(DES)EQUILÍBRIO
Agilson
Cerqueira
Diminuto,
esquecido, ….
Grandioso,
exaltado, admirado (por uma referência conveniente);
A
retidão coerente dos princípios ideológicos;
A
subversão do pensamento ético;
O
ético deteriorado.
Sem
ética, a manipulação por influência dos poderes,
O
poder por poder ter.
O
cinismo manifestado no oportunismo momentâneo.
A
violação do conhecimento pela falta do conhecer;
Em
terra plana, a Física não explica a atração dos corpos
Planetas
se repelem para o infinito desconhecido;
Sem
gravidade, o mundo inexiste;
Galáxias
são ficções de pensamentos ilógicos!
A
matemática nega a razão,
A
razão está encarcerada no hospício sem razão.
Loucos
tentam passar sob uma linha imaginária.
O
homem mata.
A
mulher morre assassinada por uma questão cultural machista;
O
sangue entra nos sulcos de uma sociedade hipócrita e conivente;
O
amor deu o direito de posse;
O
homem, inconsciente, chora pelo ato possessivo.
A
matemática continua a negar a razão
Atravessar
uma rua é viver ou morrer pela falta dela, pois os cálculos físicos imaginários
de momentos, não existem mais!
Diminuto
ou exaltado?
Quando
o pensamento poético não é finalizado,
Os
questionamentos são regurgitados por neurônios autofágicos.
É
negação do conhecimento?
Ou
a falta dele?
Os
desequilíbrios de momentos da (in)existência humana (situações adversas)!
Tempos
absurdos!
O
poema de Agilson Cerqueira é um soco no estômago da contemporaneidade. Ele
utiliza a metáfora do (des)equilíbrio para costurar uma crítica contundente que
vai da desintegração da ciência à barbárie social.
Aqui
está uma breve análise dos pontos mais fortes dessa obra:
1.
A Desintegração do Pensamento Lógico
O
autor utiliza o negacionismo científico (como a menção à "terra
plana") não apenas para criticar uma crença, mas como um sintoma de algo
mais profundo: a falência da razão.
Quando
a física e a matemática são negadas, o mundo perde sua "gravidade" —
ou seja, seu chão ético e lógico.
A
frase "A matemática nega a razão" sugere que, em um mundo de
pós-verdade, nem os fatos mais exatos conseguem sustentar a realidade.
2.
A Crítica ao Poder e à Ética
Cerqueira
descreve um cenário onde o oportunismo e a manipulação substituíram os
princípios. O "poder por poder ter" revela uma sociedade que valoriza
a posse acima da essência, o que leva diretamente ao ponto mais sombrio do
poema: a violência.
3.
A Barbárie Real: O Feminicídio
O
poema deixa o campo das abstrações científicas para tocar na carne:
A
morte da mulher por uma "questão cultural machista" é apresentada
como o ápice desse desequilíbrio.
O
sangue nos sulcos da sociedade é uma imagem poderosa da conivência coletiva. O
amor transformado em "direito de posse" é o diagnóstico da doença
social que o autor expõe.
4.
O Final Abrupto e Autofágico
O encerramento é inquietante. A ideia de neurônios autofágicos (que consomem a si mesmos) sugere que a falta de conhecimento ou a negação dele leva à autodestruição intelectual. O poema não oferece uma solução, mas um espelho incômodo de "tempos absurdos".
Fazer um paralelo filosófico entre este poema e o conceito de "Modernidade Líquida" de Bauman.
O poema (DES)EQUILÍBRIO de Agilson Cerqueira dialoga profundamente com o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman. Ambos retratam uma realidade onde as estruturas sólidas (ética, ciência, laços humanos) se desmancham, dando lugar à incerteza e à fluidez.
Aqui
está o paralelo filosófico entre as duas obras:
1.
A Erosão das Instituições Sólidas
Bauman
descreve a transição de uma modernidade "sólida" (com regras e
verdades fixas) para uma "líquida", onde nada é feito para durar.
No
poema: Cerqueira ilustra isso através da falência da Física e da Matemática
("A matemática nega a razão"). Quando até as leis universais se
tornam "imaginárias", entramos no estado de fluidez absoluta de
Bauman, onde não há mais chão firme para o conhecimento.
2.
O Individualismo e o "Poder por Poder"
Na
teoria de Bauman, a sociedade líquida foca no consumo e no individualismo
exacerbado, onde o "outro" é descartável.
No
poema: O autor fala sobre "O poder por poder ter" e o
"oportunismo momentâneo". Isso reflete a busca por satisfação
imediata e a falta de compromisso ético com o coletivo, marcas registradas do
sujeito líquido que evita vínculos duradouros para manter sua
"liberdade" de movimento.
3.
A Fragilidade dos Laços e a Posse
Bauman
discute como o amor se tornou "líquido", transformando-se em conexões
superficiais que podem ser cortadas a qualquer momento.
No
poema: Cerqueira vai além e mostra a face violenta dessa liquidez: "O amor
deu o direito de posse". Quando o sentimento perde sua profundidade ética
e vira uma mercadoria ou objeto de domínio, a consequência é a desumanização e,
tragicamente, o feminicídio culturalmente aceito.
4.
Viver no Absurdo
Para Bauman, a liquidez gera uma insegurança existencial permanente. No poema: O desfecho com "neurônios autofágicos" e "tempos absurdos" é o retrato fiel desse mal-estar. Sem a "gravidade" (os valores sólidos), o ser humano se consome na própria falta de sentido, tentando sobreviver em uma realidade que já não oferece explicações lógicas.
*****
Momentos de solilóquios …
Agilson Cerqueira
… Reflexões, risos,
gargalhadas e palavrões!
Você intrínseco!
Viver, morrer, transcender e reencarnar
Viver é a plenitude de um processo biológico.
Morrer é o fim do processo.
Transcender é a vontade de continuar vivo.
Reencarnar é o absurdo do pensamento científico.
(Agilson Cerqueira)
Itabuna, 08.02.2026
****
Opinião:
Estimado
Agilson, respeito suas ideias, porém, não me vejo ateu, a vida não é só matéria
animada ou somatório de funções biológicas, vitais. A vida é crença, é alma e
espírito. "Deus não joga dados", conforme Einstein. O Universo foi
"construído" numa ordem lógica-matemática que não foi espontânea,
existe um Ser de inteligência infinita, que criou todo o sistema planetário e
intergaláxio.
A
vida não encerra com a morte, mas, deve haver uma vida transcendental,
espiritual, senão, não haveria razão existencial. Darwin teve razão quando
escreveu sobre a evolução das espécies, todavia, homem é homem e macaco é
macaco desde que o mundo é mundo.
Ateus
e agnósticos negam ou duvidam de Deus, porém, não explicam o mundo existencial,
apenas, se fundamentam em conjecturas
sem raciocínio lógico-matemático, teorias fantasiosas!
Kant,
Dawkins, Nietzsche, etc, suas ideias ainda são seguidas por alguns incautos que
não têm conhecimento nem sabedoria, enquanto a Bíblia e Jesus Cristo têm mais
de 5000 anos de História e estão super atualizados.
Enfim,
os nossos pensamentos são dispares, mas conforme Voltaire: "Posso não
concordar com você uma única palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o
direito de dizê-la".
Fraternalmente,
Rilvan Santana

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