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2.08.2026

(DES)EQUILÍBRIO - Agilson Cerqueira

(DES)EQUILÍBRIO

Agilson Cerqueira

Diminuto, esquecido, ….

Grandioso, exaltado, admirado (por uma referência conveniente);

A retidão coerente dos princípios ideológicos;

A subversão do pensamento ético;

O ético deteriorado.

Sem ética, a manipulação por influência dos poderes,

O poder por poder ter.

O cinismo manifestado no oportunismo momentâneo.

A violação do conhecimento pela falta do conhecer;

Em terra plana, a Física não explica a atração dos corpos

Planetas se repelem para o infinito desconhecido;

Sem gravidade, o mundo inexiste;

Galáxias são ficções de pensamentos ilógicos!

A matemática nega a razão,

A razão está encarcerada no hospício sem razão.

Loucos tentam passar sob uma linha imaginária.

O homem mata.

A mulher morre assassinada por uma questão cultural machista;

O sangue entra nos sulcos de uma sociedade hipócrita e conivente;

O amor deu o direito de posse;

O homem, inconsciente, chora pelo ato possessivo.

A matemática continua a negar a razão

Atravessar uma rua é viver ou morrer pela falta dela, pois os cálculos físicos imaginários de momentos, não existem mais!

Diminuto ou exaltado?

Quando o pensamento poético não é finalizado,

Os questionamentos são regurgitados por neurônios autofágicos.

É negação do conhecimento?

Ou a falta dele?

Os desequilíbrios de momentos da (in)existência humana (situações adversas)!

Tempos absurdos!

*****

O poema de Agilson Cerqueira é um soco no estômago da contemporaneidade. Ele utiliza a metáfora do (des)equilíbrio para costurar uma crítica contundente que vai da desintegração da ciência à barbárie social.

Aqui está uma breve análise dos pontos mais fortes dessa obra:

1. A Desintegração do Pensamento Lógico

O autor utiliza o negacionismo científico (como a menção à "terra plana") não apenas para criticar uma crença, mas como um sintoma de algo mais profundo: a falência da razão.

Quando a física e a matemática são negadas, o mundo perde sua "gravidade" — ou seja, seu chão ético e lógico.

A frase "A matemática nega a razão" sugere que, em um mundo de pós-verdade, nem os fatos mais exatos conseguem sustentar a realidade.

2. A Crítica ao Poder e à Ética

Cerqueira descreve um cenário onde o oportunismo e a manipulação substituíram os princípios. O "poder por poder ter" revela uma sociedade que valoriza a posse acima da essência, o que leva diretamente ao ponto mais sombrio do poema: a violência.

3. A Barbárie Real: O Feminicídio

O poema deixa o campo das abstrações científicas para tocar na carne:

A morte da mulher por uma "questão cultural machista" é apresentada como o ápice desse desequilíbrio.

O sangue nos sulcos da sociedade é uma imagem poderosa da conivência coletiva. O amor transformado em "direito de posse" é o diagnóstico da doença social que o autor expõe.

4. O Final Abrupto e Autofágico

O encerramento é inquietante. A ideia de neurônios autofágicos (que consomem a si mesmos) sugere que a falta de conhecimento ou a negação dele leva à autodestruição intelectual. O poema não oferece uma solução, mas um espelho incômodo de "tempos absurdos".

Fazer um paralelo filosófico entre este poema e o conceito de "Modernidade Líquida" de Bauman.

O poema (DES)EQUILÍBRIO de Agilson Cerqueira dialoga profundamente com o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman. Ambos retratam uma realidade onde as estruturas sólidas (ética, ciência, laços humanos) se desmancham, dando lugar à incerteza e à fluidez.

Aqui está o paralelo filosófico entre as duas obras:

1. A Erosão das Instituições Sólidas

Bauman descreve a transição de uma modernidade "sólida" (com regras e verdades fixas) para uma "líquida", onde nada é feito para durar.

No poema: Cerqueira ilustra isso através da falência da Física e da Matemática ("A matemática nega a razão"). Quando até as leis universais se tornam "imaginárias", entramos no estado de fluidez absoluta de Bauman, onde não há mais chão firme para o conhecimento.

2. O Individualismo e o "Poder por Poder"

Na teoria de Bauman, a sociedade líquida foca no consumo e no individualismo exacerbado, onde o "outro" é descartável.

No poema: O autor fala sobre "O poder por poder ter" e o "oportunismo momentâneo". Isso reflete a busca por satisfação imediata e a falta de compromisso ético com o coletivo, marcas registradas do sujeito líquido que evita vínculos duradouros para manter sua "liberdade" de movimento.

3. A Fragilidade dos Laços e a Posse

Bauman discute como o amor se tornou "líquido", transformando-se em conexões superficiais que podem ser cortadas a qualquer momento.

No poema: Cerqueira vai além e mostra a face violenta dessa liquidez: "O amor deu o direito de posse". Quando o sentimento perde sua profundidade ética e vira uma mercadoria ou objeto de domínio, a consequência é a desumanização e, tragicamente, o feminicídio culturalmente aceito.

4. Viver no Absurdo

Para Bauman, a liquidez gera uma insegurança existencial permanente. No poema: O desfecho com "neurônios autofágicos" e "tempos absurdos" é o retrato fiel desse mal-estar. Sem a "gravidade" (os valores sólidos), o ser humano se consome na própria falta de sentido, tentando sobreviver em uma realidade que já não oferece explicações lógicas.

*****

Momentos de solilóquios …

Agilson Cerqueira 

… Reflexões, risos, 

gargalhadas e palavrões!

Você intrínseco!

Viver, morrer, transcender e reencarnar

Viver é a plenitude de um processo biológico.

Morrer é o fim do processo.

Transcender é a vontade de continuar vivo.

Reencarnar é o absurdo do pensamento científico.

(Agilson Cerqueira)

Itabuna, 08.02.2026


****

Opinião:

Estimado Agilson, respeito suas ideias, porém, não me vejo ateu, a vida não é só matéria animada ou somatório de funções biológicas, vitais. A vida é crença, é alma e espírito. "Deus não joga dados", conforme Einstein. O Universo foi "construído" numa ordem lógica-matemática que não foi espontânea, existe um Ser de inteligência infinita, que criou todo o sistema planetário e intergaláxio.

A vida não encerra com a morte, mas, deve haver uma vida transcendental, espiritual, senão, não haveria razão existencial. Darwin teve razão quando escreveu sobre a evolução das espécies, todavia, homem é homem e macaco é macaco desde que o mundo é mundo.

Ateus e agnósticos negam ou duvidam de Deus, porém, não explicam o mundo existencial, apenas,  se fundamentam em conjecturas sem raciocínio lógico-matemático, teorias fantasiosas!

Kant, Dawkins, Nietzsche, etc, suas ideias ainda são seguidas por alguns incautos que não têm conhecimento nem sabedoria, enquanto a Bíblia e Jesus Cristo têm mais de 5000 anos de História e estão super atualizados.

Enfim, os nossos pensamentos são dispares, mas conforme Voltaire: "Posso não concordar com você uma única palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la".

Fraternalmente, Rilvan Santana

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