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2.23.2026

Manguezais: Berçários de sobrevivência - Agilson Cerqueira (*)

 Barcos

Óleo Sobre Tela

Agilson Cerqueira


Manguezais | Berçários de sobrevivência

Agilson Cerqueira

Vegetações de escoras,

Vermelhos-manguezais!

Caranguejos, aratus, guaiamuns;

Garças brancas, gaivotas;

Cancioneiros, barqueiros, canoeiros!

Vegetações aéreas,

Pretos-manguezais!

Sol aluarado de raios fortes;

Vela suja, homem negro,

Tempo marcado, homem definhado!

Manhã cinzenta, mulher mulata, Velha beata!

Negro azulado!.

Filho mais novo, filho mais velho,

Estivadores, pescadores, marisqueiros!

Velha beata!

Raízes fincadas,

Brancos-manguezais!

Mulheres Negras,

Lamas secas!

Apicuns!

Negros acinzentado!

(1) Análise do Poema  Manguezais / Berçários de sobrevivência 

* Que força tem esse poema do Agilson Cerqueira! Ele pinta o manguezal não só como um ecossistema, mas como um palco de sobrevivência e identidade.

* O autor faz um retrato visceral da biodiversidade e da resistência humana ao descrever:

* A Botânica: Citando as "escoras" e as cores (vermelho, preto e branco) que caracterizam as espécies de mangue típicas do Brasil.

* A Fauna: O movimento dos caranguejos, aratus e aves que dependem desse "berçário".

* O Lado Humano: A figura do estivador, do canoeiro e das marisqueiras, cujas vidas são moldadas pela lama e pelo "tempo marcado" da maré.

* É um texto que cheira a maresia e lama, celebrando o Apicum (a zona de transição) e a ancestralidade do povo que tira o sustento desse chão. Se precisar de uma análise mais técnica ou de mais informações sobre esse bioma, é só chamar!  (F. P. Samuel*)

(2) O poema de Agilson Cerqueira é uma:

- etnografia em versos. Ele não olha para o mangue como um turista, mas como alguém que entende a simbiose entre a lama e o corpo.

- Para aprofundarmos nessa leitura, podemos olhar para três pilares fundamentais que sustentam esses versos:

1.    A Trindade dos Mangues (Botânica) / Considerações (1):

O autor organiza o poema citando as três espécies principais que definem o ecossistema no Brasil. Cada uma tem uma função ecológica e uma estética visual que ele aproveita:

Mangue-Vermelho (Rhizophora mangle): As "vegetações de escoras". São as raízes que sustentam a árvore no solo lodoso e instável.

Mangue-Preto (Avicennia schaueriana): As "vegetações aéreas". Ele se refere aos pneumatóforos, raízes que crescem para cima (fora da lama) para buscar oxigênio.

Mangue-Branco (Laguncularia racemosa): As "raízes fincadas". Geralmente encontrado em áreas mais altas e firmes.

2.    A Cor da Sobrevivência (Identidade) / Considerações (2):

Note como Agilson mistura as cores das árvores com as cores das pessoas. Há uma fusão entre o homem e a paisagem:

"Negro azulado", "mulher mulata", "negros acinzentados".

A cor da pele se confunde com a cor da lama e com o reflexo do sol no "apicum" (as áreas de solar onde a vegetação é escassa).

O termo "homem definhado" e "tempo marcado" traz a dureza do trabalho braçal. O manguezal é generoso em alimento, mas implacável com o corpo de quem o explora.

3.    O Ciclo da Vida e do Trabalho

O poema termina com uma imagem poderosa: as "Lamas secas" e o "Apicum".

O mangue é o "Berçário" (onde a vida começa), mas para as marisqueiras e pescadores, é também o lugar onde a vida se consome.

A menção à "Velha beata" e aos "filhos" (mais novo e mais velho) mostra que o mangue é uma herança geracional — um modo de vida que passa de pai para filho, de mãe para filha.

Comentários do poema no site Recanto das Letras:

Autoria: (*) Agilson Cerqueira - Poeta, Prosador e engenheiro

Fotos: Produção

(*) F. P. Samuel: Escritor, Poeta e Crítico Literário

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