8.13.2026

História de Vida R. Santana

 

História de Vida

R. Santana

 

     O meu amigo e confrade da Academia de Letras de Itabuna-ALITA, Wilson Caitano, de quando vez, ele sugere: “... escreva sua história, o confrade escreve tantas histórias!” Eu sei que sua fala é afetuosa, de amizade, não de admiração pelo aprendiz de escritor, é que nos conhecemos num momento de conflito moral e intelectual: ele, presidente da ALITA, teve que decidir entre a minha verdade e a menos verdade dos meus adversários das letras de egos egoístas e afetados. De lá pra cá, devo-lhe gratidão sempre.

     Eu gosto mais de escrever os feitos e o legado dos outros. Quando leio a História da Humanidade que registra tantas histórias de vida, de feitos, e contribuição humanitária, de superação, que me sinto o mais comum dos mortais, certamente, não deixarei nenhuma herança nem legado para os meus semelhantes. Não deixarei o legado, por exemplo, de Alexander Fleming, de Thomas Edson, de Albert Einstein ou o legado de Machado de Assis, de Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Deixarei para os meus filhos, apenas, a certeza que andei no caminho da justiça, da lealdade, da ética, da honestidade, do respeito e amor ao próximo.

     Acredito que existe uma energia que liga o lugar onde o umbigo foi enterrado e o homem. O sujeito pode ter nascido em Icó, mas, leva essa energia no coração para qualquer lugar do planeta Terra. Quando cheguei em Lagarto pela primeira vez, quis visitar Telha, o lugar que vim ao mundo.

     Fui criado pelos meus avós no primeiro ano de vida. Quando conheci os meus pais biológicos, eu já tinha 9 ou 10 anos de idade, foi um encontro frugal, diria acidental, porque a minha verdadeira mãe, era minha tia, o verdadeiro pai, o marido de minha tia. Com o tempo, passei chamar minha tia, de mãe Judite e, o marido dela, pai Nozinho. Por isto, a sabedoria popular tem razão: “... pai ou mãe, é quem cria”. Filhos abandonados não têm nenhum vínculo com os pais biológicos, nenhum afeto, nenhuma consideração, nenhum traço psicológico de origem, o tempo incube-se de torná-los estranhos, acredito que a recíproca é verdadeira. Pai e mãe são seres sociais, criados pela sociedade, qualquer pessoa poderá assumir o papel afetivo e material de pai e mãe sem herança biológica.

     Eu nasci no meado do Século XX em Lagarto (SE). Com um ano de idade fui trazido para Itabuna por tia Judite. Ela voltava sempre para visitar seus pais, dessa feita, encontrou-me entregue aos meus avós, depois de um tempo, acordaram que minha tia Judite, que não tinha filho, se incumbiria de minha criação, pois meus avós, também, estavam em idade avançada e, fisicamente, incapazes de tomar conta de uma criança de fralda.

     Minha tia e o seu marido não tinham muitas condições, ele trabalhava numa olaria, ganhava pela quantidade de tijolos produzidos. Ela trabalhava nos afazeres domésticos do dia a dia, portanto, desde cedo, convivi com as necessidades de sobrevivência. Não obstante sua separação com o marido, ela me criou até os 10 anos de vida, daí em diante, fui criado por outros tios, mais tempo, fui criado com tio Pedro, que o deixei em idade adulta.

     Eu sempre estudei em escola pública, desde tenra idade. As professoras que tive nesse período, todas eram leigas, mas, se esforçavam para que não houvesse prejuízo pedagógico. Fiz “Admissão” com a professora Nair Assis Menezes e os exames na Escola Comercial de Itabuna, dirigida pelo prof. Nestor Passos, padre de formação, onde fiz o meu primeiro ano de ginásio. Completei o ginásio e o “científico” no Colégio Estadual de Itabuna – CEI.

     Meu desejo, naquela época, era ter feito Direito, mas, tio Pedro não tinha condições para pagar as mensalidades da Faculdade de Direito de Ilhéus nem prover as minhas despesas de transportes e livros, por isto, fui fazer Filosofia com extensão em Matemática, na Faculdade de Filosofia de Itabuna-FAFI, com bolsa de estudo concedida pelo prefeito Fernando Cordier e Secretária de Educação, professora Helena Borborema.

     Na FAFI não fui um aluno brilhante, pela minha origem de vida e intelectual, porém, sempre fui estudioso e aprovado acima da média. No curso de pós-graduação de Psicopedagogia, que já era professor de Matemática há vários anos e idade madura, os resultados orais e escritos foram ótimos – Monografia (TCC).

     Da idade adolescente à idade adulta, eu trabalhei no bar de tio Pedro, no São Caetano. Era um bar de sinuca, dominós, carteado e balcão de fazer picolé. Funcionava diuturnamente. Eu trabalhava pelo dia, e, à noite ia para o colégio, assim, conclui o “científico”.

     No início dos anos 70, eu já estava na faculdade. Eduardo Fonseca (Fonsequinha), era o candidato natural a vereador do São Caetano, porque já tinha sido candidato duas vezes a vereador e derrotado. Nesse ano, por relapso ou desinformação, ele não entregou em tempo, à Justiça Eleitoral, seus documentos e ficou impedido de ser candidato. Dentre os jovens de minha época, eu me destacava por ser estudante de curso superior, além de ser apelidado de “o homem do livro”, aqui e acolá, eu estava com o livro na mão, os mais íntimos, chamava-me “doutorzinho”.

     Quando Fonsequinha foi declarado impedido de ser candidato, os meus colegas e pessoas mais antigas e prósperas do bairro, indicaram meu nome para ser o candidato. Não possuía um “tostão furado” para fazer os “Santinhos”, naquela época, “marketing” fundamental para divulgação da minha candidatura.

     Porém, “Quando Deus tarda, vem no meio do caminho”, um acontecimento foi fundamental para minha eleição e vitória. Pedro Lemos era um radialista de programa sertanejo da Rádio Clube, ouvido nos quatro cantos da cidade itabunense, além de ser admirado e conhecido no Bairro da Conceição onde era morador antigo. Alguém lhe enviou uma carta anônima denegrindo-me: “empregadinho de bar”, “analfabeto”, “tamborete de cabaré”, etc., foi a gota d'água para o copo derramar, o bairro todo me defendeu, eu fui o 3º. Vereador mais votado, depois de Plínio de Almeida e Sílvio Sepúlveda. Na eleição da Mesa Diretora da Câmara Vereadores, eu fui eleito 1º. Secretário.

     Eu fui um bom vereador, cumpri com sucesso o meu papel de oposição ao governo Dr. Simão Fitterman. Não me corrompi em nenhum momento, mesmo com toda minha dificuldade financeira. Naquela época, havia aqui, o “Diário de Itabuna”, lembro-me que escrevi, para esse jornal, um emblemático artigo que comparava a conduta totalitária de Luís XIV ao incauto prefeito Itabunense, com o título: “L'État, c'est moi”, “O Estado sou eu!”

     Uma história que deve ser lembrada, quando eu fui vereador, foi o artigo que escrevi para o “Diário de Itabuna” sobre a “Colônia Nosso Lar”, que era uma instituição para menores marginalizados e um arremedo de zoológico. Essa instituição tinha sido fundada pelo empresário Fernando Dantas. Acredito que essa instituição recebia verbas públicas para sua manutenção, em particular, do município de Itabuna. Não me lembro do fato que gerou uma comissão de vereadores para visitar a “Colônia Nosso Lar”.

     Depois dessa visita, o “Diário de Itabuna” publicou: “Colônia Nosso Lar - Obra de Fachada”. No frescor da juventude, com a mente inquieta, esse artigo, fazia uma crítica contundente do desvio de finalidade da instituição, que ao invés de recolher menores abandonados, mantinha, também, um zoológico com jiboias e mais uma centena de outros animais, numa área de 1 hectare. Fui salvo de um processo de Fernando Dantas, por imunidade parlamentar. Pouco tempo depois, a “Colônia Nosso Lar” fechou.

 

     Comecei exercer o magistério na cidade vizinha de Itajuípe, “Colégio prof. Diógenes Vizinhos”. Naquela época, eu era estudante da Faculdade de Filosofia de Itabuna – FAFI. Eu soube que alguns professores saíam daqui, à noite, iam para Itajuípe, ensinar Física e Matemática, principalmente. Depois de oferecer meu serviço em Matemática para várias escolas daqui, sem sucesso, alguém me sugeriu que fosse para Itajuípe, lá, haveria possibilidade de trabalho.

     Naquela época, eu não conhecia Itajuípe, peguei um ônibus, num final de semana, pouco tempo depois, cheguei ao meu destino. Fui orientado procurar Dr. Orlando Pereira, juiz de Direito, diretor do “Colégio Diógenes Vinhaes”. Ele foi muito educado, que havia disponibilidade de aula no curso “Científico” e no 4º. Ano do curso de ginásio. Acordamos um contrato verbal de 20 horas /aula por semana. Trabalhei lá 2 anos, eu saí quando prestei concurso para o estado e, fui lotado no Colégio Estadual de Itabuna – CEI.

     Entre o IMEAM e CEI, trabalhei, 35 anos, notadamente, em sala de aula, exceto, 4 anos de vice-diretor e diretor geral do CEI, algum tempo na coordenação de Matemática e assistente administrativo na seção do IMEAM, Sementeira, Bairro de Fátima.

     Acho que durante esse tempo de magistério, fui mais educador do que professor de sala de aula. Eu segui à risca, a máxima: “a palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”. Sempre fui exemplo, exercia com dedicação minha atividade docente: era assíduo, tinha o domínio do conteúdo, além de tudo, primava pela aprendizagem e justiça. Preocupava-me em promover o aluno, não reprová-lo.

     Faz muitos anos que leio e produzo literatura, desde a época da máquina de escrever. Eu gosto de todos os gêneros, porém, não tenho aptidão para poesia nem trova. Li Machado de Assis, Mário de Andrade, Mário Quintana, Euclides da Cunha, Jorge Amado, Adonias Filho, Cora Coralina, Carlos Drummond de Andrade, etc. Dentre os estrangeiros, li Sidney Sheldon, Ágatha Christi, Alexandre Dumas, Morris West, etc.

     Eu tenho material para 25 livros impressos, porém, por falta de recursos financeiros e o momento tecnológico atual, eu preferi colocá-los em algumas plataformas, a exemplo: “Domínio Público”, “amazon.com”, “Recanto das Letras” e um site alugado: https://saberliterario.prosaeverso.net lá o leitor encontrará mais ou menos 500 textos avulsos e 24 livros em E-books.

     Não entendia nada de computador, a máquina de escrever não publica, produzia literatura, mas perdia-se ao longo do tempo, por isto, em 2004 quando me aposentei, comprei um computador e instalei Internet e chamei um vizinho competente em informática, para que me desse 5 horas/aula, não satisfeito com a minha aprendizagem, eu as renovei por mais 5 horas/aula. Daí em diante, tornei-me um experto no mundo virtual.

     Não havia WhatsApp, Redes Sociais... A tecnologia, nessa época, disponibilizou o e-mail como principal meio de comunicação virtual e a principal fonte de pesquisa o Google. Nesse período, eu consegui montar um caixa de e-mail no Yahoo com 5000 contatos e comecei enviar por e-mail, as minhas produções literárias. Nessa época, eu tinha publicado 2 romances: “O Empresário” e “Maria Madalena” pela “Editora t+oito” no Rio de Janeiro (RJ).

 

DRAMA FAMILIAR

     Eu e dona Vanda Maria de Santana, nós tivemos 3 filhos: Anne Glace Batista de Santana, Paulo Roberto Batista de Santana e Ana Paula Batista de Santana. No ano de 1992, nós estávamos com a vida do dia a dia normal, até novembro. Nesse ano, desde o início, Ana Paula apresentou sintomas estranhos de saúde. No início, os médicos diagnosticaram como anemia profunda. Certo dia, estávamos fazendo feira no antigo mercado “Messias”, de repente, ela desmaiou e a internamos no “Hospital COTEF”, enquanto procurávamos Dr. Antônio Mangabeira, naquela época, principal hematologista itabunense.

     Depois de vários exames, inclusive, um feito na capital paulista, fechou-se o diagnóstico como plasia de medula e, a única solução seria um transplante de medula óssea. Naquela época, o país estava engatinhando, a medicina ainda não tinha avançado nessa área, só em São Paulo havia centro de tratamento e transplante de medula óssea. Os Estados Unidos estavam mais avançados nesse campo da medicina, mas, sem recursos financeiros, providenciamos levá-la para capital paulista.

     Foi uma maratona, pedimos socorro às várias instituições itabunense em vão. O nosso plano de saúde do estado da Bahia, não tinha competência nem vontade para assumir o tratamento de Ana Paula. Com a interferência de Dr. Antônio Mangabeira (solicitou ajuda ao seu antigo professor do Hospital das Clínicas, capital de São Paulo), a internamos lá, sem muita dificuldade burocrática.

     Ana Paula teve um tratamento completo. O “Hospital das Clínicas” disponibilizou todos os recursos necessários, remédios caríssimos, não lhe faltou o esforço e boa vontade dos médicos e enfermeiros. Não houve transplante, porque não se encontrou uma medula óssea compatível (a proporção de compatibilidade é de 1 para 100.000), foi 01(um) ano de luta e sofrimento. Eu e sua mãe lhe demos todo apoio afetivo e psicológico, sofremos com ela do primeiro ao seu último dia de vida. Ela faleceu 11 de dezembro de 1993, com 16 anos de idade e terminando o curso de magistério no IMEAM.

*****

     Naquela manhã (leitor amigo, não me lembro o dia) do mês de abril de 2011, minha esposa recebeu um telefonema que me passou depois: - Dr. Marcos Bandeira telefonou! - Quem? - O juiz! - Deseja o quê? – a mulher apreensiva: - Acho... você... anda escrevendo essas bobagens...

     No segundo telefonema, o objetivo foi parcialmente esclarecido: o projeto de uma academia de letras em curso e o Juiz de Direito itabunense gostaria de conversar comigo pessoalmente. Combinamos dia, local (Fórum Ruy Barbosa de Itabuna) e hora.

     Não conhecia pessoalmente dr. Marcos Bandeira, conhecia-o através da mídia falada e escrita e an passant sabia que tinha atuado na Comarca de Camacan como Juiz criminal, antes de Itabuna.

     Na data combinada, tirei a roupa do fundo do baú, calcei o sapato mais novo, chamei minha filha Anne Glace para me assessorar e fomos encontrá-lo no seu local de trabalho. Aproveitei e levei 2 romances (O empresário e Maria Madalena) de minha autoria para lhe presentear. Eu pensei que ia encontrar um homem afetado pelo cargo com resquício de autoritarismo, mas, encontrei um nordestino raiz de Bom Jesus da Lapa (BA), dócil, educado que convencia pela força do argumento, não pela autoridade de Juiz de Direito, um democrata.

     Combinamos nos encontrar na FICC (Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania – FICC), situada na Praça Tiradentes s/n, próximo a catedral São José. Palavra dada, palavra cumprida, naquele dia, lá na FICC, eu encontrei: Marcos Bandeira, Antônio Laranjeira, Ary Quadros, Carlos Eduardo Passos, Cyro de Mattos, Dinalva Melo, Gustavo Fernando Veloso, Lurdes Bertol, Genny Xavier, Ruy Póvoas, Sione Porto, Sônia Maron, Marialda Jovita e Maria Luiza Nora.

     Em nossa primeira reunião (19 de abril de 2011), definimos o nome da academia, por aclamação Dr. Marcos Bandeira foi eleito presidente junto com a diretoria (eu fui eleito 2º. Tesoureiro, com a desistência de Gustavo Fernando Veloso, 1º. Tesoureiro, eu assumir seu lugar), fechamos a manhã daquele dia com o “esqueleto” pronto da Academia de Letras de Itabuna – ALITA.

     Em reuniões vindouras, sob a batuta de Dr. Marcos Bandeira, em 7 meses, redigimos o Estatuto, o Regimento, criamos a revista “Guriatã”, desenhamos o fardão, os brasões “Litterae in Fraternitattis 2011” ou “Litteris Amplecti 2011” - O Hino da ALITA, veio depois, letra do escritor Cyro de Mattos – no dia 05 de novembro de 2011, no auditório da FTC, o escritor, cronista, Juiz de Direito e professor da UESC das disciplinas: Direito Processual Penal, Direito da Criança e do Adolescente, dava posse aos acadêmicos, em solenidade de gala. O acadêmico Ruy Póvoas discursou em homenagem ao patrono da Academia, Adonias Filho, e, Cyro de Mattos ostentando no peito suas medalhas lhe auferidas em tempos idos, discursou em nome dos acadêmicos empossados e Aramis Ribeiro falou representando, como seu presidente, a Academia de Letras da Bahia – ALB.

     Faz-se necessário dizer, por desencargo de consciência que, em todas as etapas de fundação da ALITA, o desempenho pela experiência de outras academias de Ruy Póvoas e Cyro Pereira de Mattos, foi significativo. Coube ao De. Marcos Antônio Santos Bandeira, primeiro presidente da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, à assessoria jurídica.

     No período que Marcos Bandeira foi presidente da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, foi de paz e produtividade. Ele não alimentava egos nem maledicências de ninguém. Eu fui eleito 2º.Tesoureiro, com a desistência de Gustavo Fernandes Veloso, eu assumi a 1ª. Tesouraria. Cuidamos com cuidado os parcos recursos da academia, prova que, na instalação da ALITA e posse dos 40 acadêmicos e familiares, os recursos foram suficientes para contratação de um “Buffet” com várias iguarias e bebidas caras.

     Depois da saída de Dr. Marcos Bandeira, foi eleita a nova presidente e nova diretoria, para o biênio 2014 / 2015, a saudosa Sônia Maron. Ela era uma pessoa sociável e humana. Foi reeleita para outro biênio e promoveu várias ações que deram impulso para o crescimento e afirmação da academia de letras de nossa cidade.

     No primeiro mandato de Sônia Maron, participei de uma desastrosa reunião que me prejudicou por muito tempo, face à incompreensão de alguns acadêmicos e, a articulação maldosa de um dos seus membros para que eu fosse expulso da academia com o argumento que, eu era “O Terrorista Cultural” da entidade. Mas, o tempo incumbiu-se de mostrar a razão e fui reincorporado em junho de 2023, na gestão do acadêmico Wilson Caitano.

     Nunca corri atrás de reconhecimento, porém, no ano de 2019, foi me concedido o “Mérito Educacional – FTC”, pela “Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC”, “em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Educação Grapiúna, Itabuna,16 de outubro de 2019”. No dia 28 de julho, dia da cidade de Itabuna, por meio da Resolução 16/90, Decreto Legislativo, nº. 046/2019, o vereador Edmilson Cabral de Santana Júnior, concedeu-me, através da Câmara Municipal, o título de “Cidadania de Itabuna”. O título de cidadão itabunense, sempre desejei, pois, amo essa terra, hoje, sinto-me mais baiano do que sergipano.

     Enfim, estimado confrade Wilson Caitano, vós vedes que a minha trajetória de vida é de um homem comum, não deixarei para humanidade nenhum legado relevante, só a lembrança na memória de alguns, por algum tempo, a lembrança de ter existido. Rilvan Batista de Santana, Itabuna, 04 de agosto de 2026.

 



https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com 

Perseverança Por Jim Langley

Perseverança

Por Jim Langley

Perseverança não é um assunto popular em nossa sociedade apressada e imediatista. Ao longo da vida frequentemente precisamos fazer uma escolha: perseverar e ir até o fim ou tomar um atalho. Muitos preferem a decisão fácil de um desvio quando o resultado não vem tão depressa quanto desejado.

Sempre tenho escolhido o “caminho menos trilhado”. É um caminho mais desafiador, mas é também mais recompensador quando se atinge o objetivo. Meu amigo Chris Edges é um excelente exemplo.

Conheci Chris quando ele fazia sua primeira turnê para divulgação de seu inspirador livro, Average Joe’s Story: Quest for Confidence [A História de um Homem Comum: Em Busca da Autoconfiança]. Chris vem lutando contra o câncer desde que se formou na Universidade. Ao terminar sua jornada nacional de 32.000 quilômetros para divulgação do livro, ele “celebrou” passando 10 dias no hospital. Ele já está trabalhando no seu segundo livro. Não ficarei surpreso se alguém o apelidar de “Sr. Perseverança”. Talvez eu tenha acabado de fazê-lo!

Não conheci Charles “Tremendo” Jones. Mas são muitas as histórias desse corretor de seguros que virou palestrante motivacional. Escreveu nove livros motivacionais e aos 80 anos ainda dava palestras. Em 2008 ele deixou este mundo. Uma de suas conhecidas citações é: “Ninguém é mais persistente do que o vendedor de seguros.”  E ele sabia disso de primeira mão.

Há uma pessoa que verdadeiramente se destaca para mim como síntese de perseverança: Jesus Cristo. Ele é Senhor e Salvador para muitas pessoas. Um dia todos nos prostraremos diante Dele. Isaías 50.7 afirma: “Porque o Senhor, o Soberano, me ajuda, não serei constrangido. Por isso eu me opus firme como uma dura rocha, e sei que não ficarei decepcionado.”  Quando considero as provações que Jesus enfrentou como Deus encarnado, perseverar através das provações que eu encaro na vida parece irrelevante.

Jesus dá aos Seus seguidores poder para perseverar, nos encorajando todos os dias com seu Espírito, quando nos atrapalhamos tentando viver nesta Terra conturbada. A vida não é fácil sob nenhuma circunstância. Mas a minha seria muito mais difícil sem Sua presença.

Talvez muitos que estejam lendo este “Maná” tentam atravessar a vida por si mesmos. Contudo, como "cliente satisfeito" de muitos anos, afirmo que há grande fortalecimento ao perseverar através do relacionamento com Jesus.

É a minha enfática recomendação!


Questões Para Reflexão ou Discussão

 1. Qual a sua tendência, perseverar nas adversidades ou mudar de direção, se houver oportunidade?

2. Por que perseverança é tão difícil de cultivar e somos inclinados a escolher o caminho que oferece menor resistência?

3. Em alguma ocasião você decidiu perseverar teimosamente, ignorando o desestímulo, e foi recompensado por isso? 

4. O relacionamento com Deus pode fazer diferença na decisão de perseverar apesar das adversidades? Conhecer Deus faz diferença?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Filipenses 3.13-14; 2Tessalonicenses 3.5; Hebreus 10.36-39; 12.1; Tiago 1.12.

 

 

 


8.12.2026

Poema de Sete Faces - Carlos Drummond de Andrade

 






Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

 

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

 

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus,

pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

 

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.

 

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.

 

Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

 

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.

 

Um dos aspectos que captam imediatamente a atenção do leitor neste poema é o facto do sujeito referir a si mesmo como "Carlos", primeiro nome de Drummond. Assim, existe uma identificação entre o autor e o sujeito da composição, o que lhe confere uma dimensão autobiográfica.

Desde o primeiro verso, ele se apresenta como alguém marcado por "um anjo torto", predestinado a não se enquadrar, a ser diferente, estranho. Nas sete estrofes são demonstradas sete facetas diferentes do sujeito, demonstrando a multiplicidade e até contradição dos seus sentimentos e estados de espírito.

É evidente o seu sentimento de inadequação perante o resto da sociedade e a solidão que o assombra, por trás de uma aparência de força e resiliência (tem "poucos, raros amigos").

Na terceira estrofe, alude à multidão, metaforizada nas "pernas" que circulam pela cidade, evidenciando o seu isolamento e o desespero que o invade.

Citando uma passagem da Bíblia, compara o seu sofrimento com a paixão de Jesus que, durante a sua provação, pergunta ao Pai por quê Ele o abandonou. Assume, assim, o desamparo que sente perante Deus e a sua fragilidade enquanto homem.

Nem mesmo a poesia parece ser uma resposta para essa falta de sentido: "seria uma rima, não seria uma solução". Durante a noite, enquanto bebe e olha a lua, o momento da escrita é aquele onde se sente mais vulnerável e emocionado, fazendo versos como uma forma de desabafar.

 

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

Maná da Segunda - Fracassos Sem Amargura Por Rick Boxx

 

Maná da Segunda - Fracassos Sem Amargura

Por Rick Boxx

 

Quando funciona bem, a sociedade nos negócios é produtiva, eficiente e agradável. Quando, porém, fracassa, uma ou mais partes envolvidas sofre grande estresse mental e emocional. Como qualquer outro fracasso no âmbito profissional pode ter efeito devastador.

Exemplo disso foi meu amigo Don. A relação com o sócio que já fora próspera e positiva, começou a deteriorar-se por causa de diferenças de valores e princípios sobre como conduzir o trato diário com clientes e fornecedores e a sociedade chegou ao fim de forma lastimável. Don teve grandes perdas financeiras.

Além do desapontamento pela perda de um relacionamento que fora tão promissor, o impacto financeiro intensificou o sentimento de fracasso e frustração. A reação comum e compreensível é o sentimento de amargura e traição. Entretanto, Don escolheu adotar uma ação evasiva imediata.

Em vez de permitir que uma “raiz de amargura” destruísse o que restara de relacionamento com o ex-sócio, ele decidiu se empenhar por uma solução pacífica. Ele não tomou essa decisão apenas por causa do ex-sócio, mas em seu próprio benefício. Ele admitiu para mim: “Quando me sinto ofendido, sou levado a me fechar para outras pessoas. Não quero que esta situação arruíne outros relacionamentos.”

A Bíblia fala desta realidade em Hebreus 12.14-15: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos”.

Amargura é destrutiva e age do mesmo modo que o câncer no corpo humano. Se a deixarmos crescer sem controle, destruirá a nós mesmos e a todos que cruzarem nosso caminho. É preciso lidar com ela da mesma maneira como extirpamos um tumor canceroso, removendo-o antes que possa causar danos irreparáveis.

 

Jesus ensinou como devemos reagir quando tratados injustamente: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas Eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa” (Mateus 5.38-40).

Podemos argumentar: Sim, mas depois de tudo o que fizeram comigo, não posso deixar de reagir de alguma maneira. Jesus ensinou que este “de alguma maneira”, não deve ser punir ou buscar vingança, mas perdoar, mesmo quando o perdão não é merecido ou pedido. Perdoar e seguir em frente resulta mais em nosso próprio benefício do que em benefício daqueles que nos causaram danos.

Sem dúvida que negócios que acabam mal podem causam amargura. Mas pela graça de Deus, e em nossa busca pela paz, a amargura não deve progredir.

Questões Para Reflexão ou Discussão

 

1. Você já fez sociedade nos negócios? Como foi sua experiência? Por que sociedades que fracassam causam tanto sofrimento?

2. O que você pensa do conceito de “raiz de amargura”? Você já o experimentou? Qual o efeito sobre a outra pessoa e sobre você?

3. A Escritura Sagrada afirma que devemos nos “esforçar para viver em paz com todos”. Você acha que isso é sempre possível?

4. Você acredita que o conceito de “dar a outra face” é praticável no ambiente de trabalho?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 4.14-15; 12.26;  Eclesiastes 4.9-12; Mateus 6.14-15; 18.21-22.

 

 

A ARTE DE VER - Agilson Cerqueira




A ARTE DE VER

Agilson Cerqueira


Escrevo porque as perguntas me acompanham mais do que as respostas

Não busco convencer. Busco compreender. A palavra, para mim, não é um instrumento de afirmação, mas um caminho de investigação. Cada prosa é uma tentativa de tocar aquilo que escapa ao pensamento apressado: a consciência, o tempo, a natureza, a solidão, a beleza, a dúvida e o homem diante de si mesmo.

Não escrevo para defender verdades. Escrevo para iluminar inquietações. Talvez toda filosofia comece quando a certeza perde a voz e a contemplação aprende a escutar.

Se existe uma convocação nestes escritos, ele não está na promessa do extraordinário, mas no assombro diante do ordinário. Há grandeza numa folha que cai, numa criança que sorri, numa pedra moldada pelo rio e numa pergunta que permanece sem resposta.

Entre a razão e a sensibilidade não enxergo um conflito. A razão organiza o mundo; os sentidos lhe oferecem substância. O pensamento nasce desse encontro. Sem ele, o intelecto é vazio; sem ele, a poesia é apenas ornamento.

Estas palavras não desejam concluir. Desejam acompanhar o leitor por alguns instantes, como quem caminha ao lado de outro viajante. Se, ao final, restar uma única pergunta mais profunda do que aquela que existia no início, então a palavra terá cumprido seu ofício.

Contemplar, afinal, talvez seja a forma mais silenciosa de compreender.


Agilson Cerqueira 

Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 

Licença: Creative Commons.


Autoria: Agilson Cerqueira - professor, engenheiro e escritor

Foto: Produção


8.11.2026

Amigo - João Batista de Paula

 

AVANTE AMIGO

Avante com Deus, confiante, orando, agradecendo, rindo, trabalhando, edificando   e fazendo o bem.

Avançar um degrau de cada vez é muito significativo; seguro, determinante,  subir uma  degrau de cada vez, saindo da base com equilíbrio perfeito   antes de chegar no topo.

Avançar é evoluir. São necessários: fé, força e determinação para ser5 vencedor ou mais.

Hoje tem que ser melhor do que ontem e melhor do que  amanhã.  Isto sim, é  avançar, e evoluir, e mudança de nível para um mundo melhor.

Ser feliz é o que importa, viver bem, ter saúde, ter dinheiro, viver em paz e na luz.  Uma benção!

Avançar sempre, retroceder só quando for necessário e preciso para avaliar; e poder seguir em frente.

Seguir no rumo certo e de cabeça erguida e  com razão de pisar firme nos pisos, nos degraus e tapetes, seguir avante dentro do foco principal: atenção, pare e siga.

Vamos avançar nas boas ideias e nas coisas que agradam o coração, o viver a dois ou em família.

Avançar no amor.

Avançar na bondade.

Avançar na prosperidade.

Avançar na fé e esperança

Avançar nas boas realizações

Avançar   nos bons tempos.

Avançar  nos tempos programados e idealizados.

Na verdade, tudo é uma questão de competência, fé , apoio, incentivo, oportunidade, otimismo, educação crença e determinação, moral e cívico.

O ideal é sair da rotina.

Vamos avançar amigo para a grande luz.

Avante!.

Um passo de fé e esperança já costuram o amanhã com a certeza de que dias melhores virão

 

Autoria: João Batista de Paula - Escritor e Jornalista

Foto: Produção


Link: https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

8.10.2026

Biografia de Patativa do Assaré

Patativa de Assaré 

Biografia de Patativa do Assaré

Patativa do Assaré (1909-2002) foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão.

Projetou-se nacionalmente com o poema "Triste Partida", em 1964, musicado e gravado por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

Infância e Adolescência

Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva) nasceu no sítio Serra de Santana, pequena propriedade rural no município de Assaré no Sul do Ceará, no dia 5 de março de 1909. Foi o segundo dos cinco filhos dos agricultores Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva.

Com seis anos, perdeu a visão do olho direito em consequência do sarampo. Órfão de pai aos oito anos de idade, teve que trabalhar no cultivo da terra, ao lado do irmão mais velho, para sustentar a família. A terra de seu pai foi dividida entre os cinco filhos, quatro homens e duas mulheres.

Com a idade de 12 anos, Patativa do Assaré frequentou uma escola e durante quatro meses aprendeu a ler e se apaixonou pela poesia. Com 13 anos começou a fazer pequenos versos. Com 16 anos comprou uma viola e logo começou a fazer repentes com os motes que lhe eram apresentados.

Origem do Apelido Patativa do Assaré

Descoberto pelo jornalista cearense José Carvalho de Brito, Patativa publicou seus textos no jornal "Correio do Ceará". O apelido de Patativa surgiu porque suas poesias eram comparadas com a beleza do canto dessa ave nativa da Chapada do Araripe.

Com vinte anos, Patativa do Assaré começou a viajar por várias cidades do Nordeste e diversas vezes se apresentou na Rádio Araripe. Viajou para o Pará em companhia de um parente, José Alexandre Montoril, que lá morava.

Patativa passou cinco meses cantando ao som da viola em companhia dos cantadores locais. Nessa época, incorporou o Assaré ao seu nome. Patativa do Assaré foi casado com D. Belinha e teve nove filhos.

Primeiro Livro de Poesias

Entre 1930 e 1955, Patativa permaneceu na Serra de Santana, época em que compôs a maior parte de sua poesia. Nessa época, passou a declamar seus poemas na Rádio Araripe, quando foi ouvido pelo filólogo, José Arraes, que o ajudou na publicação de seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina” (1956), no qual reuniu vários poemas.

Triste Partida - poema mais famoso

Mesmo com um linguajar rude, falado pelo sertanejo, crivado de erros e mutilações, a poesia de Patativa do Assaré teve projeção por todo o Brasil com a gravação de "Triste Partida" (1964), imortalizada na voz de Luiz Gonzaga:

 

Setembro passou

Oitubro e Novembro

Já tamo em Dezembro

Meu Deus, que é de nós,

Meu Deus, meu Deus

Assim fala o pobre

Do seco Nordeste

Com medo da peste

Da fome feroz. (...)

A poesia de Patativa do Assaré mostra uma visão crítica da dura realidade social do povo sertanejo, o que lhe valeu o título de “Poeta Social”. Um exemplo é o poema “Brasi de Cima e Brasi de Baixo:

 

Meu compadre Zé Fulô,

Meu amigo e companheiro,

Faz quage um ano que eu tou

Neste Rio de Janeiro;

Eu saí do Cariri

Maginando que isto aqui

Era uma terra de sorte,

Mas fique sabendo tu

Que a miséra aqui no Su

É esta mesma do Norte.

 

Tudo o que procuro acho,

Eu pude vê neste crima,

Que tem o Brasi de Baxo

E tem tem o Brasi de Cima.

Brasi de Baxo, coitado!

É um pobre abandonado;

O de Cima tem cartaz,

Um do ôtro é bem deferente;

Brasi de Cima é pra frente,

Brasi de Baxo é pra trás. (...)

Mesmo longe dos grandes centro, Patativa estava sempre atento com os fatos políticos do país, a política também foi tema de sua obra. Durante o regime militar, ele criticou os militares e chegou a ser perseguido. Participou da campanha das Diretas Já e, em 1984 publicou o poema "Inleição Direta 84".

Patativa do Assaré publicou inúmeros folhetos de cordel, viu seus poemas serem publicados em jornais e revista. Suas poesias foram reunidas em diversos livros, entre eles: “Cantos da Patativa” (1966), “Canta lá Que Eu Canto Cá” (1978), “Aqui Tem Coisa” (1994). Com a produção do cantor Fagner, ele gravou o LP “Poemas e Canções” (1979). Em 1981 lançou o LP  "A Terra é Naturá".

Bráulio Bessa (1985), poeta, declamador, escritor e palestrante cearense, conta que aprendeu a amar a poesia depois que conheceu os poemas de Patativa do Assaré.

Últimos Anos

Ao completar 85 anos, Patativa do Assaré foi homenageado com o LP "Patativa do Assaré - 85 Anos de Poesia" (1994), com participação das duplas de repentistas, Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio, Otacílio Batista e Oliveira de Panelas.

Os livros de Patativa do Assaré foram traduzidos em diversos idiomas e seus poemas tornaram-se temas de estudo na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.

Patativa do Assaré, sem audição e totalmente cego desde o final dos anos 90, faleceu em consequência de falência múltipla dos órgãos, em sua casa em Assaré, Ceará, no dia 8 de julho de 2002.

Poesias de Patativa do Assaré

A Festa da Natureza

ABC do Nordeste Flagelado

Aos Poetas Clássicos

A Terra dos Posseiros de Deus

A Terra é Naturá

A Triste Partida

Cabra da Peste

Caboclo Roceiro

Cante Lá, Que Eu Canto Cá

Casinha de Palha

Dois Quadros

Eu Quero

Flores Murchas

Inspiração Nordestina

Lamento Nordestino

Linguagem dos Óio

Mãe Preta

Nordestino Sim, Nordestino Não

O Burro

O Peixe

O Poeta da Roça

O Sabiá e o Gavião

O Vaqueiro

Triste Partida

Vaca Estrela e Boi Fubá


Fonte: Dilva Frazão / Biblioteconomista e professora

Foto: Google

 

 

 

A terra é nossa - Patativa do Assaré

 







"Triste Partida" - Patativa de Assaré / Luiz Gonzaga

                           ***

A terra é nossa

A terra é um bem comum

Que pertence a cada um.

Com o seu poder além,

Deus fez a grande Natura

Mas não passou escritura

Da terra para ninguém.

 

Se a terra foi Deus quem fez,

Se é obra da criação,

Deve cada camponês

Ter uma faixa de chão.

 

Quando um agregado solta

O seu grito de revolta,

Tem razão de reclamar.

Não há maior padecer

Do que um camponês viver

Sem terra pra trabalhar.

 

O grande latifundiário,

Egoísta e usurário,

Da terra toda se apossa

Causando crises fatais

Porém nas leis naturais

Sabemos que a terra é nossa.

 

Nesse poema, Patativa do Assaré expõe seu ponto de vista a favor do uso social da terra. É um texto que carrega forte carga política, defendendo que todos os camponeses devem ter seu pedaço de chão para plantar e colher.

O poeta critica os donos de enormes áreas, utilizadas para fins pouco sustentáveis (damos como exemplo a monocultura e o pasto) com o objetivo de enriquecer ainda mais, enquanto os trabalhadores do campo ficam sem terrar para tirar seu sustento.

Podemos perceber também a ideia de que, para ele, no campo da espiritualidade Deus não aprova esse sistema baseado na propriedade privada e desigualdades.

 

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google


https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

 

Destaques

Poetas Revisitam o Poeta Pessoa* - Cyro de Mattos

                Poetas Revisitam o Poeta Pessoa*                      Cyro de Mattos                            Luís de Camões cantou ...

Última semana