8.04.2026

História de Vida - R. Santana

História de Vida

R. Santana

 

O meu amigo e confrade da Academia de Letras de Itabuna-ALITA, Wilson Caitano, de quando vez, ele sugere: “... escreva sua história, o confrade escreve tantas histórias!” Eu sei que sua fala é afetuosa, de amizade, não de admiração pelo aprendiz de escritor, é que nos conhecemos num momento de conflito moral e intelectual: ele, presidente da ALITA, teve que decidir entre a minha verdade e a menos verdade dos meus adversários das letras de egos egoístas e afetados. De lá pra cá, devo-lhe gratidão sempre.

Eu gosto mais de escrever os feitos e o legado dos outros.  Quando leio a História da Humanidade que registra tantas histórias de vida, de feitos, e contribuição humanitária, de superação, que me sinto o mais comum dos mortais, certamente, não deixarei nenhuma herança nem legado para os meus semelhantes. Não deixarei o legado, por exemplo, de Alexander Fleming, de Thomas Edson, de Albert Einstein ou o legado de Machado de Assis, de Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Deixarei para os meus filhos, apenas, a certeza que andei no caminho da justiça, da lealdade, da ética, da honestidade, do respeito e amor ao próximo.

Acredito que existe uma energia que liga o lugar onde o umbigo foi enterrado e o homem. O sujeito pode ter nascido em Icó, mas, leva essa energia no coração para qualquer lugar do planeta Terra. Quando cheguei em Lagarto pela primeira vez, quis visitar Telha, o lugar que vim ao mundo.

Fui criado pelos meus avós no primeiro ano de vida. Quando conheci os meus pais biológicos, eu já tinha 9 ou 10 anos de idade, foi um encontro frugal, diria acidental, porque a minha verdadeira mãe, era minha tia, o verdadeiro pai, o marido de minha tia. Com o tempo, passei chamar minha tia, de mãe Judite e, o marido dela, pai Nozinho. Por isto, a sabedoria popular tem razão: “... pai ou mãe, é quem cria”. Filhos abandonados não têm nenhum vínculo com os pais biológicos, nenhum afeto, nenhuma consideração, nenhum traço psicológico de origem, o tempo incube-se de torná-los estranhos, acredito que a recíproca é verdadeira. Pai e mãe são seres sociais, criados pela sociedade, qualquer pessoa poderá assumir o papel afetivo e material de pai e mãe sem herança biológica.

Eu nasci no meado do Século XX em Lagarto (SE). Com um ano de idade fui trazido para Itabuna por tia Judite. Ela voltava sempre para visitar seus pais, dessa feita, encontrou-me entregue aos meus avós, depois de um tempo, acordaram que minha tia Judite, que não tinha filho, se incumbiria de minha criação, pois meus avós, também, estavam em idade avançada e, fisicamente, incapazes de tomar conta de uma criança de fralda.

Minha tia e o seu marido não tinham muitas condições, ele trabalhava numa olaria, ganhava pela quantidade de tijolos produzidos. Ela trabalhava nos afazeres domésticos do dia a dia, portanto, desde cedo, convivi com as necessidades de sobrevivência. Não obstante sua separação com o marido, ela me criou até os 10 anos de vida, daí em diante, fui criado por outros tios, mais tempo, fui criado com tio Pedro, que o deixei em idade adulta.

Eu sempre estudei em escola pública, desde tenra idade. As professoras que tive nesse período, todas eram leigas, mas, se esforçavam para que não houvesse prejuízo pedagógico. Fiz “Admissão” com a professora Nair Assis Menezes e os exames na Escola Comercial de Itabuna, dirigida pelo prof. Nestor Passos, padre de formação, onde fiz o meu primeiro ano de ginásio. Completei o ginásio e o “científico” no Colégio Estadual de Itabuna – CEI.

Meu desejo, naquela época, era ter feito Direito, mas, tio Pedro não tinha condições para pagar as mensalidades da Faculdade de Direito de Ilhéus nem prover as minhas despesas de transportes e livros, por isto, fui fazer Filosofia com extensão em Matemática, na Faculdade de Filosofia de Itabuna-FAFI, com bolsa de estudo concedida pelo prefeito Fernando Cordier e Secretária de Educação, professora Helena Borborema.

Na FAFI não fui um aluno brilhante, pela minha origem de vida e intelectual, porém, sempre fui estudioso e aprovado acima da média. No curso de pós-graduação de Psicopedagogia, que já era professor de Matemática há vários anos e idade madura, os resultados orais e escritos foram ótimos – Monografia (TCC).

Da idade adolescente à idade adulta, eu trabalhei no bar de tio Pedro, no São Caetano. Era um bar de sinuca, dominós, carteado e balcão de fazer picolé. Funcionava diuturnamente. Eu trabalhava pelo dia, e, à noite ia para o colégio, assim, conclui o “científico”.

No início dos anos 70, eu já estava na faculdade. Eduardo Fonseca (Fonsequinha), era o candidato natural a vereador do São Caetano, porque já tinha sido candidato duas vezes a vereador e derrotado. Nesse ano, por relapso ou desinformação, ele não entregou em tempo, à Justiça Eleitoral, seus documentos e ficou impedido de ser candidato. Dentre os jovens de minha época, eu me destacava por ser estudante de curso superior, além de ser apelidado de “o homem do livro”, aqui e acolá, eu estava com o livro na mão, os mais íntimos, chamava-me “doutorzinho”.

Quando Fonsequinha foi declarado impedido de ser candidato, os meus colegas e pessoas mais antigas e prósperas do bairro, indicaram meu nome para ser o candidato. Não possuía um “tostão furado” para fazer os “Santinhos”, naquela época, “marketing” fundamental para divulgação da minha candidatura.

Porém, “Quando Deus tarda, vem no meio do caminho”, um acontecimento foi fundamental para minha eleição e vitória. Pedro Lemos era um radialista de programa sertanejo da Rádio Clube, ouvido nos quatro cantos da cidade itabunense, além de ser admirado e conhecido no Bairro da Conceição onde era morador antigo. Alguém lhe enviou uma carta anônima denegrindo-me: “empregadinho de bar”, “analfabeto”, “tamborete de cabaré”, etc., foi a gota d'água para o copo derramar, o bairro todo me defendeu, eu fui o 3º. Vereador mais votado, depois de Plínio de Almeida e Sílvio Sepúlveda. Na eleição da Mesa Diretora da Câmara Vereadores, eu fui eleito 1º. Secretário.

Eu fui um bom vereador, cumpri com sucesso o meu papel de oposição ao governo Dr. Simão Fitterman. Não me corrompi em nenhum momento, mesmo com toda minha dificuldade financeira. Naquela época, havia aqui, o “Diário de Itabuna”, lembro-me que escrevi, para esse jornal, um emblemático artigo que comparava a conduta totalitária de Luís XIV ao incauto prefeito Itabunense, com o título: “L'État, c'est moi”, “O Estado sou eu!”

Uma história que deve ser lembrada, quando eu fui vereador, foi o artigo que escrevi para o “Diário de Itabuna” sobre a “Colônia Nosso Lar”, que era uma instituição para menores marginalizados e um arremedo de zoológico. Essa instituição tinha sido fundada pelo empresário Fernando Dantas. Acredito que essa instituição recebia verbas públicas para sua manutenção, em particular, do município de Itabuna. Não me lembro do fato que gerou uma comissão de vereadores para visitar a “Colônia Nosso Lar”.

Depois dessa visita, o “Diário de Itabuna” publicou: “Colônia Nosso Lar - Obra de Fachada”. No frescor da juventude, com a mente inquieta, esse artigo, fazia uma crítica contundente do desvio de finalidade da instituição, que ao invés de recolher menores abandonados, mantinha, também, um zoológico com jiboias e mais uma centena de outros animais, numa área de 1 hectare. Fui salvo de um processo de Fernando Dantas, por imunidade parlamentar. Pouco tempo depois, a “Colônia Nosso Lar” fechou.

 

Comecei exercer o magistério na cidade vizinha de Itajuípe, “Colégio prof. Diógenes Vizinhos”. Naquela época, eu era estudante da Faculdade de Filosofia de Itabuna – FAFI.  Eu soube que alguns professores saíam daqui, à noite, iam para Itajuípe, ensinar Física e Matemática, principalmente. Depois de oferecer meu serviço em Matemática para várias escolas daqui, sem sucesso, alguém me sugeriu que fosse para Itajuípe, lá, haveria possibilidade de trabalho.

Naquela época, eu não conhecia Itajuípe, peguei um ônibus, num final de semana, pouco tempo depois, cheguei ao meu destino. Fui orientado procurar Dr. Orlando Pereira, juiz de Direito, diretor do “Colégio Diógenes Vinhaes”. Ele foi muito educado, que havia disponibilidade de aula no curso “Científico” e no 4º. Ano do curso de ginásio.   Acordamos um contrato verbal de 20 horas /aula por semana. Trabalhei lá 2 anos, eu saí quando prestei concurso para o estado e, fui lotado no Colégio Estadual de Itabuna – CEI.

Entre o IMEAM e CEI, trabalhei, 35 anos, notadamente, em sala de aula, exceto, 4 anos de vice-diretor e diretor geral do CEI, algum tempo na coordenação de Matemática e assistente administrativo na seção do IMEAM, Sementeira, Bairro de Fátima.

Acho que durante esse tempo de magistério, fui mais educador do que professor de sala de aula. Eu segui à risca, a máxima: “a palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”. Sempre fui exemplo, exercia com dedicação minha atividade docente: era assíduo, tinha o domínio do conteúdo, além de tudo, primava pela aprendizagem e justiça. Preocupava-me em promover o aluno, não reprová-lo.

Faz muitos anos que leio e produzo literatura, desde a época da máquina de escrever.  Eu gosto de todos os gêneros, porém, não tenho aptidão para poesia nem trova. Li Machado de Assis, Mário de Andrade, Mário Quintana, Euclides da Cunha, Jorge Amado, Adonias Filho, Cora Coralina, Carlos Drummond de Andrade, etc. Dentre os estrangeiros, li Sidney Sheldon, Ágatha Christi, Alexandre Dumas, Morris West, etc.

Eu tenho material para 25 livros impressos, porém, por falta de recursos financeiros e o momento tecnológico atual, eu preferi colocá-los em algumas plataformas, a exemplo: “Domínio Público”, “amazon.com”, “Recanto das Letras” e um site alugado: https://saberliterario.prosaeverso.net lá o leitor encontrará mais ou menos 500 textos avulsos e 24 livros em E-books.

Não entendia nada de computador, a máquina de escrever não publica, produzia literatura, mas perdia-se ao longo do tempo, por isto, em 2004 quando me aposentei, comprei um computador e instalei Internet e chamei um vizinho competente em informática, para que me desse 5 horas/aula, não satisfeito com a minha aprendizagem, eu as renovei por mais 5 horas/aula. Daí em diante, tornei-me um experto no mundo virtual.

Não havia WhatsApp, Redes Sociais... A tecnologia, nessa época, disponibilizou o e-mail como principal meio de comunicação virtual e a principal fonte de pesquisa o Google. Nesse período, eu consegui montar um caixa de e-mail no Yahoo com 5000 contatos e comecei enviar por e-mail, as minhas produções literárias. Nessa época, eu tinha publicado 2 romances: “O Empresário” e “Maria Madalena” pela “Editora t+oito” no Rio de Janeiro (RJ).

 

 

DRAMA FAMILIAR

          Eu e dona Vanda Maria de Santana, nós tivemos 3 filhos: Anne Glace Batista de Santana, Paulo Roberto Batista de Santana e Ana Paula Batista de Santana.  No ano de 1992, nós estávamos com a vida do dia a dia normal, até novembro. Nesse ano, desde o início, Ana Paula apresentou sintomas estranhos de saúde. No início, os médicos diagnosticaram como anemia profunda. Certo dia, estávamos fazendo feira no antigo mercado “Messias”, de repente, ela desmaiou e a internamos no “Hospital COTEF”, enquanto procurávamos Dr. Antônio Mangabeira, naquela época, principal hematologista itabunense.

          Depois de vários exames, inclusive, um feito na capital paulista, fechou-se o diagnóstico como plasia de medula e, a única solução seria um transplante de medula óssea. Naquela época, o país estava engatinhando, a medicina ainda não tinha avançado nessa área, só em São Paulo havia centro de tratamento e transplante de medula óssea. Os Estados Unidos estavam mais avançados nesse campo da medicina, mas, sem recursos financeiros, providenciamos levá-la para capital paulista.

          Foi uma maratona, pedimos socorro às várias instituições itabunense em vão. O nosso plano de saúde do estado da Bahia, não tinha competência nem vontade para assumir o tratamento de Ana Paula. Com a interferência de Dr. Antônio Mangabeira (solicitou ajuda ao seu antigo professor do Hospital das Clínicas, capital de São Paulo), a internamos lá, sem muita dificuldade burocrática.

          Ana Paula teve um tratamento completo. O “Hospital das Clínicas” disponibilizou todos os recursos necessários, remédios caríssimos, não lhe faltou o esforço e boa vontade dos médicos e enfermeiros. Não houve transplante, porque não se encontrou uma medula óssea compatível (a proporção de compatibilidade é de 1 para 100.000), foi 01(um) ano de luta e sofrimento. Eu e sua mãe lhe demos todo apoio afetivo e psicológico, sofremos com ela do primeiro ao seu último dia de vida. Ela faleceu 11 de dezembro de 1993, com 16 anos de idade e terminando o curso de magistério no IMEAM.

                                                  *****

           Naquela manhã (leitor amigo, não me lembro o dia) do mês de abril de 2011, minha esposa recebeu um telefonema que me passou depois: - Dr. Marcos Bandeira telefonou! - Quem? - O juiz! - Deseja o quê? – a mulher apreensiva: - Acho... você... anda escrevendo essas bobagens...

     No segundo telefonema, o objetivo foi parcialmente esclarecido: o projeto de uma academia de letras em curso e o Juiz de Direito itabunense gostaria de conversar comigo pessoalmente. Combinamos dia, local (Fórum Ruy Barbosa de Itabuna) e hora.

     Não conhecia pessoalmente dr. Marcos Bandeira, conhecia-o através da mídia falada e escrita e an passant sabia que tinha atuado na Comarca de Camacan como Juiz criminal, antes de Itabuna.

     Na data combinada, tirei a roupa do fundo do baú, calcei o sapato mais novo, chamei minha filha Anne Glace para me assessorar e fomos encontrá-lo no seu local de trabalho. Aproveitei e levei 2 romances (O empresário e Maria Madalena) de minha autoria para lhe presentear. Eu pensei que ia encontrar um homem afetado pelo cargo com resquício de autoritarismo, mas, encontrei um nordestino raiz de Bom Jesus da Lapa (BA), dócil, educado que convencia pela força do argumento, não pela autoridade de Juiz de Direito, um democrata.

     Combinamos nos encontrar na FICC (Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania – FICC), situada na Praça Tiradentes s/n, próximo a catedral São José. Palavra dada, palavra cumprida, naquele dia, lá na FICC, eu encontrei: Marcos Bandeira, Antônio Laranjeira, Ary Quadros, Carlos Eduardo Passos, Cyro de Mattos, Dinalva Melo, Gustavo Fernando Veloso, Lurdes Bertol, Genny Xavier, Ruy Póvoas, Sione Porto, Sônia Maron, Marialda Jovita e Maria Luiza Nora.

     Em nossa primeira reunião (19 de abril de 2011), definimos o nome da academia, por aclamação Dr. Marcos Bandeira foi eleito presidente junto com a diretoria (eu fui eleito 2º. Tesoureiro, com a desistência de Gustavo Fernando Veloso, 1º. Tesoureiro, eu assumir seu lugar), fechamos a manhã daquele dia com o “esqueleto” pronto da Academia de Letras de Itabuna – ALITA.

     Em reuniões vindouras, sob a batuta de Dr. Marcos Bandeira, em 7 meses, redigimos o Estatuto, o Regimento, criamos a revista “Guriatã”, desenhamos o fardão, os brasões “Litterae in Fraternitattis 2011” ou “Litteris Amplecti 2011” - O Hino da ALITA, veio depois, letra do escritor Cyro de Mattos – no dia 05 de novembro de 2011, no auditório da FTC, o escritor, cronista, Juiz de Direito e professor da UESC das disciplinas: Direito Processual Penal, Direito da Criança e do Adolescente, dava posse aos acadêmicos, em solenidade de gala. O acadêmico Ruy Póvoas discursou em homenagem ao patrono da Academia, Adonias Filho, e, Cyro de Mattos ostentando no peito suas medalhas lhe auferidas em tempos idos, discursou em nome dos acadêmicos empossados e Aramis Ribeiro falou representando, como seu presidente, a Academia de Letras da Bahia – ALB.

     Faz-se necessário dizer, por desencargo de consciência que, em todas as etapas de fundação da ALITA, o desempenho pela experiência de outras academias de Ruy Póvoas e Cyro Pereira de Mattos, foi significativo. Coube ao Dr. Marcos Antônio Santos Bandeira, primeiro presidente da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, à assessoria jurídica.

          No período que Marcos Bandeira foi presidente da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, foi de paz e produtividade. Ele não alimentava egos nem maledicências de ninguém. Eu fui eleito 2º.Tesoureiro, com a desistência de Gustavo Fernandes Veloso, eu assumi a 1ª. Tesouraria. Cuidamos com cuidado os parcos recursos da academia, prova que, na instalação da ALITA e posse dos 40 acadêmicos e familiares, os recursos foram suficientes para contratação de um “Buffet” com várias iguarias e bebidas caras.

          Depois da saída de Dr. Marcos Bandeira, foi eleita a nova presidente e nova diretoria, para o biênio 2014 / 2015, a saudosa Sônia Maron. Ela era uma pessoa sociável e humana. Foi reeleita para outro biênio e promoveu várias ações que deram impulso para o crescimento e afirmação da academia de letras de nossa cidade.

          No primeiro mandato de Sônia Maron, participei de uma desastrosa reunião que me prejudicou por muito tempo, face à incompreensão de alguns acadêmicos e, a articulação maldosa de um dos seus membros para que eu fosse expulso da academia com o argumento que, eu era “O Terrorista Cultural” da entidade. Mas, o tempo incumbiu-se de mostrar a razão e fui reincorporado em junho de 2023, na gestão do acadêmico Wilson Caitano.

          Nunca corri atrás de reconhecimento, porém, no ano de 2019, foi me concedido o “Mérito Educacional – FTC”, pela “Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC”, “em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Educação Grapiúna, Itabuna, 16 de outubro de 2019”.  No dia 28 de julho, dia da cidade de Itabuna, por meio da Resolução 16/90, Decreto Legislativo, nº. 046/2019, o vereador Edmilson Cabral de Santana Júnior, concedeu-me, através da Câmara Municipal, o título de “Cidadania de Itabuna”. O título de cidadão itabunense, sempre desejei, pois, amo essa terra, hoje, sinto-me mais baiano do que sergipano.

          Enfim, estimado confrade Wilson Caitano, vós vedes que a minha trajetória de vida é de um homem comum, não deixarei para humanidade nenhum legado relevante, só a lembrança na memória de alguns, por algum tempo, a lembrança de ter existido. Rilvan Batista de Santana, Itabuna, 04 de agosto de 2026.



Link: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

         

           

         

             

         

         

         

 

 

 

                                            

         

           

  

 

 

SAUDADE - William Souza da Silva

 








SAUDADE - William Souza da Silva

 

A dor que dói no âmago do coração

Na ida sem volta para buscar

Na Ingrata e fugaz dor sem solução

Nem choro que dói faz acalmar.

 

Dos velhos e novos amores da alma

Nos encantos da sutil veneração

Do olhar no brilho que dilata

Na boca ardente da tentação.

 

Nos braços apertados de amor

No sorriso dos olhos falante

No rosto cintilante como flor

No corpo e escultural andante.

 

Na partida o choro sempre  vem

Na dor sem volta chora o coração.

De volta risos frenético vejo o trem

Como dói a dor da sofreguidão

 

Autoria: William Souza da Silva

Foto: Produção


Link: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

8.03.2026

PONTO DE LITERATURA - João Batista de Paula

 


PONTO DE LITERATURA - João Batista de Paula

Ponto de Literatura é parada obrigatória para estacionar, refletir e apreciar as grandes histórias; e conquistas deste planeta letras.

Ponto de Literatura é um campo para ampliar os conhecimentos e ficar no topo de quem leu e reescreveu uma vida de amor, criatividade, originalidade,

poesia. Um encontro com a beleza literária.

Seguindo os passos, a projeção da luz dos contextos inspiradores e hiper criativos,  justos e bem estruturados, reveladores e inovadores do professor e escritor Rilvan Batista de Santana, o grande homem das letras; nós amantes do saber, leitores da escrita, vamos nos deleitar e viajar no mundo da criatividade, encantamentos e sabedoria de quem faz o Ponto da Literatura a grande obra desta realidade que vivemos.

Uma literatura de berço esplêndido, colaborando com a evolução da humanidade.

Gera felicidade

Gera grandeza de sentimentos bons.

Gera conhecimento.

Gera um mundo melhor.

Revela que ninguém pode aprisionar os pensamentos, que podem viajar além do tempo.

Vale a pena ficar por dentro desta sabedoria e fazer do Ponto de Literatura; um patrimônio da humanidade. Sim,  porque Deus também é poeta, escritor, salvação e vida, porque toda nossa sabedoria vem de Deus.

Vamos sim, falar e escrever coisas felizes,

Coisas amorosas.

Coisas exemplares.

Coisas de ordem e poder, honra e glória

Coisas de esperança    e determinação

Coisas exemplares

Coisas luminosas

Coisas que sejam conectadas com  as letras de Deus, o criador e doador da vida 

Ponto de Literatura que nos transporta para o saber e o conhecimento das nuances literárias , que são anotadas e notadas, registradas por mentes abertas e livres por um mundo melhor.

Vamos ler mais.

Vamos agradecer e fazer do Ponto de Literatura nossa filosofia de vida dentro daquela visão que diz: "o homem que lê vale por dois", ou mais.

Obrigado em letras de ouro, mestre da literatura atual, professor Rilvan Batista de Santana, por seus exemplos, por seus ensinamentos e aprendizagens, que fortalecem nossos conhecimentos. Nossa gratidão por fazer nosso planeta Letras muito mais feliz.

Seu leitor sempre grato por seu existir. Um feliz abraço fraternal.


Autoria: João Batista de Paula- Escritor e jornalista cearense.

Foto: Google


Link: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

 

Nenhum Bem Resulta da Fofoca Por Robert Tamasy

 

Nenhum Bem Resulta da Fofoca

Por Robert Tamasy

Quando perguntados acerca dos problemas mais comuns com os quais tinham que lidar no ambiente de trabalho, a resposta dada por administradores e supervisores quase sempre indicou a fofoca em primeiro lugar. Uma definição de fofoca é “conversa inútil ou rumor, especialmente a respeito de coisas pessoais ou privadas de outras pessoas”. Sendo assim, o objetivo da fofoca no ambiente de trabalho não serve para edificar a equipe. 

O conteúdo desse tipo de fofoca vai do desempenho profissional, passando pelo vestuário, “política do escritório”, à especulação de relacionamentos ocultos entre colegas de trabalho. Na maior parte dos casos, nenhuma dessas discussões contribui para elevar os níveis de produtividade ou camaradagem. Isso, porém, não diminui a tentação de compartilhar segredos picantes sobre membros da equipe não presentes para ouvir o que está sendo dito sobre eles. 

“Você não pode adivinhar o que acabei de ouvir sobre...!”  “Você sabia que ...e seu marido estão tendo problemas?”  “Eu falava com o Jim ontem e ele me disse que...está para ser demitido.” “Você notou que o Marvin está agindo de modo estranho ultimamente?  Você acha que ele pode estar bebendo de novo?”  Você já ouviu exemplos de “informação compartilhada” como estes?  Como você se sente quando os ouve?

As pessoas frequentemente falam sobre estar sobrecarregadas de trabalho, mas algumas ainda encontram tempo para falar de seus colegas pelas costas.  Talvez falar injuriosamente sobre os outros as ajude a melhorar sua autoestima. Ou quem sabe se sintam movidas por possuírem “informações privadas” que outros não têm – se não compartilhar, como os outros vão saber que ela as tem?

Raramente, talvez nunca, a fofoca tem algum valor positivo. Ela deprecia a pessoa que é objeto da conversa, e como resultado, pode também depreciar a reputação daquele que faz os comentários negativos. Aqui estão algumas reflexões sobre a fofoca e a língua incontrolável, bem como os alertas apresentados na Bíblia: 

A fofoca reflete a falta de bom julgamento. Só por sabermos – ou suspeitarmos – de algo sobre outra pessoa, não significa que temos a obrigação de expressar nossa suspeita para outros. “A língua dos justos é prata escolhida, mas o coração dos ímpios quase não tem valor. As palavras dos justos dão sustento a muitos, mas os insensatos morrem por falta de juízo.” (Provérbios 10:20-21). 

A fofoca destrói a confiança. Às vezes um colega irá compartilhar informações reservadamente, confiando que tudo será mantido em segredo. A decisão de ser indiscreto e transmitir aquela informação para outros pode destruir para sempre um relacionamento profissional e pessoal. “O homem que não tem juízo ridiculariza o seu próximo, mas o que tem entendimento refreia a língua. Quem muito fala trai a confidência, mas quem merece confiança guarda o segredo.” (Provérbios 11:12-13).   “O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos.” (Provérbios 16:28). 

A fofoca às vezes fere mais profundamente do que armas físicas.  Não é verdadeiro o antigo ditado “Paus e pedras podem quebrar meus ossos, mas palavras não podem me ferir”.  Geralmente os danos causados por comentários ásperos, descuidados ou mesmo irrefletidos resultam em ferimentos emocionais, relacionais e até mesmo espirituais significativos. “Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura.”  (Provérbios 12:18). 

A fofoca, mesmo sem intenção, pode ter consequências muito além das imaginadas. Mesmo que não tenhamos a intenção de causar dano a alguém, palavras ditas descuidadamente podem se mostrar surpreendentemente destrutivas. “...Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno.” (Tiago 3:5-6).   “Quem guarda a sua boca guarda a sua vida, mas quem fala demais acaba se arruinando.” (Provérbios 13:3). 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. A fofoca é ou foi no passado um problema no seu ambiente de trabalho? Explique as dificuldades e conflitos que ela pode provocar.

2. Por que, em sua opinião, ter que lidar com a fofoca é um desafio comum no trabalho?

3. Se você está com seus colegas e surge uma fofoca, como você reage?  Você participa, ouve em silêncio ou age para desencorajar as pessoas envolvidas?  Explique sua resposta.

4. Que diretrizes – pessoais ou extraídas da Bíblia – você poderia usar para estancar uma troca de fofocas?  Você acha que é seu dever desestimular as pessoas de fofocarem?  Por quê?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos  Provérbios 4:24;  10:19, 32; 12:6, 23;  15:1, 4;  16:23, 28;  17:28;  18:8.   

 

 

8.02.2026

FELIZ ANIVERSÁRIO - João Batista de Paula

 








FELIZ ANIVERSÁRIO

De; João  Batista de Paula - Escritor e jornalista.

 

Feliz aniversário!

Feliz ano novo!

Você é  um presente de Deus para todos nós.

 

Um presente amável e maravilhoso para mim, para seus pais,

para  sua família,

para seus amigos e conhecidos.

 

Você é  cinco estrelas...

Ou mais.

 

Um presente grandioso e exemplar para seus entes queridos

 

Parabéns!

Você existe.

 

Você  é único.

Você é importante para Deus.

Você é agradável.

Você é feliz.

Você tem gratidão

.

 

Hoje é  seu aniversário.

Viva.

Leia.

Saborei.

Comemore.

Salve Deus felicidade porque você é  merecedor.

 

Vai dar tudo certo.

É  festa porque você  é  livre, 

você merece, 

você faz por onde ser amado e lembrado por todos.

Até os anjos dizem amém. Parabéns.

 

Um ser perfeito.

Um ser amado.

Uma pessoa benquista..

Crente dos evangelhos bíblicos.

Fervoroso.

Otimista.

Sincero.

Iluminado.

Uma pessoa de boa fé.

 

Nós  temos motivos sim, para celebrarmos seu ano novo,

sua nova vida,

nossa amizade,  

nosso encontro e as boas recordações.

 

Na verdade, seu aniversário é todo dia.

Todos os dias que louvemos e agradecemos a Deus pela nossa vida.

 

É  uma nova missão. Um trabalho e vivência de amor, luz, paz e cuidado.

 

Parabéns!

Você é  de valor.

Alguém com quem podemos contar.

Verdadeiro.

Sincero.

Leal.

Confiável.

Benigno.

 

O aniversário é seu, mas quem ganha o presente somos nós:  seus fãs,

amados admiradores e amigos também de Deus.

 

É  vida que segue.

É  vida que faz a gente ser feliz e seguir seus passos.

É o amor no ar e no coração.

É o cuidado.

É  a compaixão.

É a comunhão de corpos,

comunhão de pensamento.

É  a comunhão de filhos amados de Deus.

Você Benção de Deus.

 

Parabéns!

Você faz parte da nossa  pequenina lista de amigos.

 

Parabéns!

Aniversariante do dia.

Aniversariante da semana.

Aniversariante do mês

Aniversariante do ano.

 

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo,

Hoje temos um aniversariante que causa muita inveja e também muita admiração.

Louvemos ao Senhor.

Feliz aniversário.

Parabéns em letras de ouro.

É natal.

Você é um vencedor.


Autoria: João  Batista de Paula - Escritor e jornalista.

Foto: Produção

 

Integridade Realmente Importa? Por Rick Boxx

Integridade Realmente Importa?

Por Rick Boxx

 

Pesquisa conduzida pelo Ethics Resource Center descobriu que 45% das pessoas que compõem a força de trabalho, já presenciaram condutas antiéticas no ambiente de trabalho. Trata-se de um percentual assustadoramente alto, sinal alarmante do atual estado em que se encontra o mundo profissional e empresarial. Apesar disso, parece que chegamos ao ponto de aceitar este tipo de coisa como normal no mundo dos negócios.

Com a complexidade e os desafios da economia global e a atmosfera do ambiente de negócios, não apenas nos tornamos indiferentes para comportamentos dessa natureza, como também começamos a dizer a nós mesmos que não podemos sobreviver no mercado se não jogarmos segundo suas regras. Muitos acreditam que “temos que fazer o que for preciso para ganhar ou manter os negócios”.

É triste, mas temos separado nossa fé do nosso trabalho e deixado Deus de fora desta equação. Contudo, em meus anos de experiência no mundo empresarial e profissional, tanto como empresário quanto como consultor, repetidamente ficou evidente que a integridade realmente é importante. 

Integridade importa para Deus. Ele convocou Seus seguidores para levantarem a bandeira e se tornarem exemplos para aqueles com os quais trabalham e se encontram todos os dias. Integridade é importante – deveria ser – para você e para mim. E é importante para empresários como Rita. 

Conheci Rita durante uma conferência. Depois de nos conhecermos ela confidenciou que vinha lutando com um dilema moral em sua empresa. Em suas palavras, ela estava “convicta” da decisão que vinha sendo pressionada a tomar. 

Dois anos antes ela entrara em sociedade com duas outras pessoas que não compartilhavam sua fé em Jesus Cristo. Com o passar do tempo ficou claro que muitas das decisões que seus sócios estavam tomando, sem o apoio dela, eram no mínimo questionáveis. Em seu coração, Rita sabia o que deveria fazer, mas lhe faltava coragem. Não tomar uma posição significava transigir com a ética e suas convicções. 

Depois de ouvir minha palestra dirigida a um grupo de empresários, Rita tomou consciência de que deveria sustentar os princípios bíblicos em que acreditava, dissolver a sociedade e sair do negócio. Senti-me grato por conhecer Rita e ajudá-la a chegar à conclusão de que curso de ação, embora difícil, Deus claramente lhe pedia para adotar.

Rita sabia que sua decisão provavelmente não mudaria as práticas de seus ex-sócios, mas tinha consciência de quão importante era viver e trabalhar de maneira compatível com a fé que ela professava. O livro de Provérbios nos fala dos benefícios decorrentes de se sustentar elevados padrões de integridade: 

Sensação de paz: “A pessoa honesta anda em paz e segurança, mas a desonesta será desmascarada” (Provérbios 10.9). 

Fonte de direção: “As pessoas direitas são guiadas pela honestidade. A perversidade dos falsos é a sua própria desgraça” (Provérbios 11.3). 

Sentimento de segurança: “A justiça protege os inocentes, mas a maldade do pecador o leva à desgraça” (Provérbios 13:6).  


Faz da tua casa uma festa! - Cora Coralina

Faz da tua casa uma festa!

Faz da tua casa uma festa!

Ouve música, canta, dança, compõe, toca um instrumento.

Faz da tua casa um templo!

Reza, ora, medita, silencia, acalma, pede, agradece.

Faz da tua casa uma escola!

Lê, escreve, pesquisa, desenha, pinta, borda, costura, estuda, aprende, ensina.

Fotografa e faz algum curso.

Enfim, faz da tua casa um local criativo de amor.

 

Faz da tua casa uma loja!

Limpa, arruma, organiza, decora, etiqueta, vende, doa.

Faz da tua casa um restaurante!

Cozinha, come, prova, cria receitas, cultiva temperos, planta uma horta.

Faz da tua casa um centro cultural!


Declama poesia, improvisa um monólogo, joga videogame, cartas, xadrez, dados, vê filmes, séries, novelas, desenhos, documentários. Ouve com atenção todas as notícias, as informações sérias que te acrescente como pessoa. Filtra as notícias falsas. Enfim, faz da tua casa um local criativo de amor.


Fonte: Pensador

Autoria: Cora Coralina

Foto: Google

Vídeo: YouTube - Cíntia Costa

8.01.2026

LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA - Agilson Cerqueira


 LEMBRANÇAS DA  INFÂNCIA

Agilson Cerqueira


Na Estrada de Ferro de Ilhéus,
A Maria Fumaça movida a lenha;
Faíscas saltando da chaminé,
Cheiro de cabelo queimado...
E lá vai o trem.

Fazia o vai-e-vem entre Ilhéus e Itabuna,
Levando gente, sonhos e cacau;
Vencia curvas entre a mata,
Seguindo o velho roteiro ancestral.

Passava por vilas e fazendas,
Onde mãos calejadas acenavam;
O apito anunciava sua chegada,
E os caminhos de ferro despertavam.

O maquinista, de rosto tisnado,
Conhecia cada ponte e cada estação;
Conduzia a velha locomotiva
Como quem carregava um coração.

Nós contávamos os vagões,
Disputando quem acertava primeiro;
Acenávamos para os passageiros,
Que sorriam o percurso inteiro.

Quando cruzava os rios,
O trem parecia desacelerar;
Como se também admirasse
As águas correndo rumo ao mar.

Aproximando-se de Itabuna,
A cidade ganhava outro colorido;
O comércio fervilhava nas ruas,
E a estação era um mundo reunido.

Levavam sacas de cacau,
Malas, notícias e correspondências;
Partiam saudades, reencontros,
Esperanças e novas existências.

À tardinha, o sol avermelhado
Vestia de ouro a velha composição;
E a fumaça, lenta no horizonte,
Parecia uma prece em procissão.

Hoje os trilhos já desapareceram,
Silenciados pelo tempo que passou;
Mas na memória ainda ecoa o apito
Da locomotiva que jamais parou.

Porque há lembranças que não enferrujam,
Nem se apagam com o vento ou com a idade;
Elas seguem viajando em nosso peito,
Como um velho trem cruzando a eternidade.

E quando a saudade aperta o peito,
Ainda escuto o ferro a ressoar;
Não é o trem que volta aos trilhos,
É a infância que insiste em viajar.

De Ilhéus a Itabuna, sigo menino,
Mesmo que o tempo diga que não;
Pois há caminhos que permanecem vivos
Quando continuam passando pelo coração


Agilson Cerqueira

Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico.

Licença: Creative Commons

Paisagem nº3 - Mário de Andrade

 







Paisagem nº3

Chove?

Sorri uma garoa de cinza,

Muito triste, como um tristemente longo...

A Casa Kosmos não tem impermeáveis em liquidação...

Mas neste Largo do Arouche

Posso abrir o meu guarda-chuva paradoxal,

Este lírico plátano de rendas mar...

 

Ali em frente... - Mário, põe a máscara!

-Tens razão, minha Loucura, tens razão.

O rei de Tule jogou a taça ao mar...

 

Os homens passam encharcados...

Os reflexos dos vultos curtos

Mancham o petit-pavé...

As rolas da Normal

Esvoaçam entre os dedos da garoa...

(E si pusesse um verso de Crisfal

No De Profundis?...)

De repente

Um raio de Sol arisco

Risca o chuvisco ao meio.

 

O poema está presente em Pauliceia Desvairada.

Em Paisagem nº 3, Mário de Andrade descreve a cidade de São Paulo. A paisagem que evoca é de uma chuva fina e cinza, cor que sugere a já crescente poluição do centro urbano.

As contradições na cidade são expostas em “sorri uma garoa de cinza” e “um raio de sol arisco risca o chuvisco ao meio”, trazendo um lirismo próprio do autor, que consegue transmitir a harmonia caótica e contrastante da capital.

Nesse cenário, o poeta cita lugares - casa Kosmos, largo do Arouche - e exibe transeuntes encharcados e reflexos de vultos, o que transmite a ideia de beleza em meio aos caos urbano.

As frases têm cortes abruptos, evidenciando espontaneidade e uma estrutura poética livre e dissonante.


Autoria: Mário de Andrade

Foto: Google

 

 

Melhores Habilidades para Melhores Ferramentas Por Jim Mathis

 

Melhores Habilidades para Melhores Ferramentas

Por Jim Mathis

 

Recordo claramente do dia, em 1985, em que entrei em uma conhecida loja de discos e encontrei suas prateleiras de LP (discos de vinil) substituídas por fileiras de CD’s (compact disks). Na mesma semana comprei um novo CD player. Mas também comprei dois toca-discos.  Tendo investido milhares de dólares em LPs de músicas maravilhosas, os quais estavam se tornando obsoletos, eu queria ainda assim ser capaz de apreciá-los por muitos anos. O resultado é que nos últimos 30 anos não se passa muito tempo sem que eu compre um novo toca-discos.

Na ocasião me surpreendi ao ver como as pessoas estavam vendendo ou mesmo descartando seus LP’s e toca-discos por causa dos CD’s. Nunca compreendi essa forma de pensar. Entretanto, eu deveria saber que muitas pessoas acham mais interessante ter a última tecnologia do que ouvir ou possuir música sob qualquer forma.

O mesmo modo de pensar se aplicou à fotografia e à música instrumental, minhas outras paixões artísticas. Praticamente todos os dias alguém me pergunta que tipo de câmera eu uso. Para mim, esta é uma pergunta estranha, porque já possuí centenas de câmeras de todas as marcas e tamanhos e fiz fotos maravilhosas e horríveis com todas elas. 

Geralmente, quando estou tocando, meus colegas músicos, que já deviam saber disso, vêm me dizer que o som da minha guitarra é muito bom. Eu agradeço, mas me sinto tentado a dizer-lhes que soava muito ruim nos primeiros 15 anos em que tentei tocá-la. O instrumento não melhorou com a idade; eu é que me tornei um músico melhor desde então.

Uma característica da sociedade moderna – incluindo aí o mundo empresarial e profissional – é a tendência de acreditar mais nas ferramentas do que na habilidade. À medida que as tecnologias e ferramentas melhoram, muitas pessoas passam a pensar que as ferramentas são tudo.  A ideia é que tudo o que você precisa é da ferramenta apropriada – seja um computador, um smartphone, equipamento de multimídia, ou uma chave de fenda – e o trabalho se fará praticamente por si mesmo.

Mas a verdade é que o instrumento musical não produz som sozinho (bem, alguns o fazem, mas mesmo esses precisam ser programados por um ser humano para saber o que fazer e quando). Computadores não escrevem livros, planilhas detalhadas ou criam apresentações de multimídia. E câmeras não tiram ótimas fotos sozinhas.  Todos requerem habilidades, tempo e dedicação a excelência por parte de seus usuários.

Por este motivo a Bíblia enfatiza o reconhecimento de nossos talentos e dons e a importância de nos esforçarmos por usá-los ao máximo. Por exemplo, Provérbios 22:29 afirma: “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real; não trabalhará para gente obscura.”

Obviamente, isso foi escrito muito antes que as pessoas sequer imaginassem a existência de computadores ou qualquer outro avanço tecnológico. Mas seja como for, a passagem não diz: “Você já observou um homem com um martelo ou machado realmente bom...?”

Com todos os seus benefícios a tecnologia pode levar à falta de iniciativa, tornando-nos dependentes de suas vantagens e não dos nossos próprios esforços. Quanto a esta tendência, Provérbios 12:24 diz: “As mãos diligentes governarão, mas os preguiçosos acabarão escravos.” Ferramentas de alta qualidade são úteis, sem dúvida. Mas não há substituto para o trabalho árduo, a perícia e a decisão de desempenhar um trabalho da melhor forma possível.

Questões Para Reflexão ou Discussão 

1. Você é do tipo que se apaixona pelo último dispositivo tecnológico? Quais suas ferramentas e dispositivos preferidos?

2. Você se sente inclinado a adotar uma atitude do tipo “boas-vindas ao novo” e “fora com o velho” quando se trata de computadores, celulares, dispositivos para casa ou mesmo carros? Você já olhou para trás e pensou? “O que havia de errado com o que eu tinha antes?”

3. Existem ferramentas que você usa e que parecem melhores ou mais eficientes, não porque tenham melhorado, mas porque você se aprimorou no uso delas? Dê um exemplo.

4. Qual a importância da habilidade no mercado de trabalho atual, em comparação com a capacidade das novas tecnologias?  Qual é a sua responsabilidade em refinar e desenvolver suas próprias habilidades ao invés de depender unicamente de ferramentas high-tech para fazer seu trabalho?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos Provérbios 10:4; 12:11; 13:4;  14:23; 18:9; 21:5; 26:15; 27:18; Eclesiastes 1:9-10. 

 

 

Destaques

Poetas Revisitam o Poeta Pessoa* - Cyro de Mattos

                Poetas Revisitam o Poeta Pessoa*                      Cyro de Mattos                            Luís de Camões cantou ...

Última semana