9.05.2026

Ofertas de Aninha (Aos moços) - Cora Coralina

 






Ofertas de Aninha (Aos moços)

 

Eu sou aquela mulher

a quem o tempo

muito ensinou.

Ensinou a amar a vida.

Não desistir da luta.

Recomeçar na derrota.

Renunciar a palavras e pensamentos negativos.

Acreditar nos valores humanos.

Ser otimista.

Creio numa força imanente

que vai ligando a família humana

numa corrente luminosa

de fraternidade universal.

Creio na solidariedade humana.

Creio na superação dos erros

e angústias do presente.

Acredito nos moços.

Exalto sua confiança,

generosidade e idealismo.

Creio nos milagres da ciência

e na descoberta de uma profilaxia

futura dos erros e violências

do presente.

Aprendi que mais vale lutar

do que recolher dinheiro fácil.

Antes acreditar do que duvidar.

 

O poema acima se constrói com base na afirmação de uma identidade: ao longo dos versos vemos o eu-lírico destacar aquilo que se tornou.

O poema contempla ao mesmo tempo três tempos: o passado, onde adquiriu as experiências, o presente, onde declara com orgulho ser aquilo que é, e o futuro, onde está aquilo que deseja se tornar.

Com uma construção muito simples e um desejo de se aproximar o máximo possível do leitor, encontramos um eu-lírico honesto e despido de vergonhas, que reflete sobre os rumos que a sua vida tomou. Com uma postura sempre solar e otimista, os versos nos incitam a sermos criaturas melhores.

A autora sublinha em Ofertas de Aninha (Aos moços) - e de modo geral ao longo de toda a sua poética - a necessidade de ser resiliente, de perseverar, de tentar outra vez.

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

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