EMILIO
DE MENEZES
(1866-1918)
Emílio Nunes Correia de Meneses nasceu em Curitiba, Paraná. Jornalista e poeta, foi eleito para a Academia brasileira de Letras, mas faleceu antes de tomar posse... Escreveu sonetos e poemas satíricos tão mordazes que o comparavam a Gregório de Mattos. Considerado boêmio e excêntrico para os padrões da época.
Obras publicadas: Marcha fúnebre - sonetos – 1892; Poemas da morte -1901; Dies irae - A tragédia de Aquidabã – 1906; Poesias – 1909; Últimas rimas – 1917; Mortalha - Os deuses em ceroulas - reunião de artigos, org. Mendes Fradique – 1924; Obras reunidas – 1980.
NOITE DE INSÔNIA
Este leito que é o meu, que é
o teu, que é o nosso leito,
Onde este grande amor floriu,
sincero e justo,
E unimos, ambos nós, o peito
contra o peito.
Ambos cheios de anelo e ambos
cheios de susto;
Este leito que aí está revolto
assim, desfeito,
Onde humilde beijei teus pés,
as mãos, o busto.
Na ausência do teu corpo a que
ele estava afeito.
Mudou-se, para mim, num leito de Procusto!...
Louco e só! Desvairado! A
noite vai sem termo
E, estendendo, lá fora, as
sombras augurais.
Envolve a Natureza e penetra o
meu ermo.
E mal julgas talvez, quando,
acaso, te vais,
Quanto me punge e corta o
coração enfermo,
Este horrível temor de que não
voltes mais!...
Fonte: Blog Antônio Miranda
Foto: Wikipédia
Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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