9.18.2026

A árvore em fogo - BERTOLT BRECHT

 

Eugen Berthold Friedrich Brecht dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. nasceu a 10 Fevereiro 1898, em Augsburgo, Alemanha e morreu a 14 Agosto 1956, em Berlim Leste, Alemanha. Em 1917 inicia o curso de medicina em Munique, mas logo é convocado pelo exército, indo trabalhar como enfermeiro em um hospital militar. Aquele que iria se tornar uma das mais importantes figuras do teatro do século XX, começa a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebela contra os "falsos padrões" da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra. Tal atitude se reflete já na sua primeira peça, o drama expressionista "Baal", de 1918. Colabora com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator. Recebe, no fim dos anos 20, instruções marxistas do filósofo Karl Korsch. Em 1928, faz com Kurt Weill a "Ópera dos Três Vinténs". Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e exila-se em países como a Dinamarca e Estados Unidos da América, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood. Faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como "Mãe coragem e seus filhos" (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça — onde redige o "Pequeno Organon", suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble.

Brecht, por David Levine - Clifford

 Odets February 4, 1982

Brecht é uma época. Uma época tumultuosa de rebeldia e de protesto. Refletem-se, em suas obras, os problemas fundamentais do mundo atual: a luta pela emancipação social da humanidade. Brecht tem plena consciência do que pretende fazer. Usa o materialismo dialético da maneira mais sábia para a revolução estética que se dispôs a promover na poesia e no teatro.

A poesia de Bertold Brecht

Brecht tem, sobre a poesia, o mesmo pensamento que tem sobre a arte dramática. Maneja-a da maneira mais sábia em defesa da liberdade do homem. Há, em seus poemas, o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais. Recusa-se a aceitar uma poesia alheia aos acontecimentos sociais. Exige que ela seja atuante sem perder, entretanto, o seu sentido artístico. A poesia moderna deve estar ao lado da revolução.

O êxito excepcional do teatro e da poesia de Brecht confirma a justeza de seus pontos-de-vista. Sua arte é duplamente revolucionária: no fundo e na forma. Não só se opõe à estética de Aristóteles como não se submete ao convencionalismo e aos preconceitos sociais. Escreve independentemente como acha que se deve escrever.

:: Texto extraído: MONIZ, Edmundo. "Objetivo da poesia moderna", em 'Bertolt Brecht – Uma Breve Biografia (1898-1956)'. in: Cultura Brasil. / e releituras (acessado em 18.6.2015).

 

ALGUMAS OBRAS DE BERTOLT BRECHT PUBLICADAS NO BRASIL

Poesia


:: Antologia Poética. Bertolt Brecht. [seleção e tradução de Edmundo Moniz]. Rio de Janeiro: Elo Editora, 1982.

:: Seleção de Poesias, textos e teatro. São Paulo: Dinossauro, 1999.

:: Poemas 1913-1956.  Bertolt Brecht. [seleção e tradução Paulo Cesar de souza]. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986; São Paulo: Editora 34, 2000.

 

Teatral

:: Teatro dialético. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.

:: Estudos sobre teatro. Bertolt Brecht. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.

:: O circulo de giz caucasiano. Bertolt Brecht. [tradução e apresentação Manuel Bandeira; prefácio Christine Röhrig e Samuel Titan Jr.; ensaio Roland Barthes]. Coleção prosa do mundo. São Paulo: Cosac Naify, 32 il., 216p.

ALGUMAS OBRAS POÉTICAS DE BERTOLT BRECHT  PUBLICADAS EM PORTUGAL

:: Poemas - Bertolt Brecht. [estudos, antologia, tradução Arnaldo saraiva; co-tradução com Sylvie Deswarte.. Lisboa: Presença, 1970.

:: Poemas - Bertolt Brecht. [tradução Arnaldo Saraiva]. Coleção Campo da Poesia. Porto: Campo das Letras, 1998, 128p.

POEMAS ESCOLHIDOS DE BERTOLT BRECHT

A árvore em fogo

Na ténue névoa vermelha da noite

Víamos as chamas, rubras, oblíquas

Batendo em ondas contra o céu escuro.

No campo em morna quietude

Crepitando

Queimava uma árvore.

Para cima estendiam-se os ramos, de medo estarrecidos

Negros, rodeados de centelhas

De chuva vermelha.

Através da névoa rebentava o fogo.

Apavorantes dançavam as folhas secas

Selvagens, jubilantes, para cair como cinzas

Zombando, em volta do velho tronco.

Mas tranquila, iluminando forte a noite

Como um gigante cansado à beira da morte

Nobre, porém, em sua miséria

Erguia-se a árvore em fogo.

E subitamente estira os ramos negros, rijos

A chama púrpura a percorre inteira –

Por um instante fica erguida contra o céu escuro

E então, rodeada de centelhas

Desaba.

- Bertolt Brecht, em "Poemas 1913-1956". [seleção e tradução de Paulo César de Souza], São Paulo: Editora 34, 2000, p. 9.


Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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