Eugen Berthold Friedrich Brecht dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. nasceu a 10 Fevereiro 1898, em Augsburgo, Alemanha e morreu a 14 Agosto 1956, em Berlim Leste, Alemanha. Em 1917 inicia o curso de medicina em Munique, mas logo é convocado pelo exército, indo trabalhar como enfermeiro em um hospital militar. Aquele que iria se tornar uma das mais importantes figuras do teatro do século XX, começa a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebela contra os "falsos padrões" da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra. Tal atitude se reflete já na sua primeira peça, o drama expressionista "Baal", de 1918. Colabora com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator. Recebe, no fim dos anos 20, instruções marxistas do filósofo Karl Korsch. Em 1928, faz com Kurt Weill a "Ópera dos Três Vinténs". Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e exila-se em países como a Dinamarca e Estados Unidos da América, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood. Faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como "Mãe coragem e seus filhos" (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça — onde redige o "Pequeno Organon", suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble.
Brecht,
por David Levine - Clifford
Odets February 4, 1982
Brecht
é uma época. Uma época tumultuosa de rebeldia e de protesto. Refletem-se, em
suas obras, os problemas fundamentais do mundo atual: a luta pela emancipação
social da humanidade. Brecht tem plena consciência do que pretende fazer. Usa o
materialismo dialético da maneira mais sábia para a revolução estética que se
dispôs a promover na poesia e no teatro.
A
poesia de Bertold Brecht
Brecht
tem, sobre a poesia, o mesmo pensamento que tem sobre a arte dramática.
Maneja-a da maneira mais sábia em defesa da liberdade do homem. Há, em seus
poemas, o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais. Recusa-se a
aceitar uma poesia alheia aos acontecimentos sociais. Exige que ela seja
atuante sem perder, entretanto, o seu sentido artístico. A poesia moderna deve
estar ao lado da revolução.
O
êxito excepcional do teatro e da poesia de Brecht confirma a justeza de seus
pontos-de-vista. Sua arte é duplamente revolucionária: no fundo e na forma. Não
só se opõe à estética de Aristóteles como não se submete ao convencionalismo e
aos preconceitos sociais. Escreve independentemente como acha que se deve
escrever.
:: Texto extraído: MONIZ, Edmundo. "Objetivo da poesia moderna", em 'Bertolt Brecht – Uma Breve Biografia (1898-1956)'. in: Cultura Brasil. / e releituras (acessado em 18.6.2015).
ALGUMAS
OBRAS DE BERTOLT BRECHT PUBLICADAS NO BRASIL
Poesia
::
Antologia Poética. Bertolt Brecht. [seleção e tradução de Edmundo Moniz]. Rio
de Janeiro: Elo Editora, 1982.
::
Seleção de Poesias, textos e teatro. São Paulo: Dinossauro, 1999.
::
Poemas 1913-1956. Bertolt Brecht.
[seleção e tradução Paulo Cesar de souza]. São Paulo: Editora Brasiliense,
1986; São Paulo: Editora 34, 2000.
Teatral
::
Teatro dialético. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
::
Estudos sobre teatro. Bertolt Brecht. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.
:: O circulo de giz caucasiano. Bertolt Brecht. [tradução e apresentação Manuel Bandeira; prefácio Christine Röhrig e Samuel Titan Jr.; ensaio Roland Barthes]. Coleção prosa do mundo. São Paulo: Cosac Naify, 32 il., 216p.
ALGUMAS
OBRAS POÉTICAS DE BERTOLT BRECHT
PUBLICADAS EM PORTUGAL
::
Poemas - Bertolt Brecht. [estudos, antologia, tradução Arnaldo saraiva;
co-tradução com Sylvie Deswarte.. Lisboa: Presença, 1970.
:: Poemas - Bertolt Brecht. [tradução Arnaldo Saraiva]. Coleção Campo da Poesia. Porto: Campo das Letras, 1998, 128p.
POEMAS ESCOLHIDOS DE BERTOLT BRECHT
A
árvore em fogo
Na
ténue névoa vermelha da noite
Víamos
as chamas, rubras, oblíquas
Batendo
em ondas contra o céu escuro.
No
campo em morna quietude
Crepitando
Queimava
uma árvore.
Para
cima estendiam-se os ramos, de medo estarrecidos
Negros,
rodeados de centelhas
De
chuva vermelha.
Através
da névoa rebentava o fogo.
Apavorantes
dançavam as folhas secas
Selvagens,
jubilantes, para cair como cinzas
Zombando,
em volta do velho tronco.
Mas
tranquila, iluminando forte a noite
Como
um gigante cansado à beira da morte
Nobre,
porém, em sua miséria
Erguia-se
a árvore em fogo.
E
subitamente estira os ramos negros, rijos
A
chama púrpura a percorre inteira –
Por um
instante fica erguida contra o céu escuro
E
então, rodeada de centelhas
Desaba.
-
Bertolt Brecht, em "Poemas 1913-1956". [seleção e tradução de Paulo
César de Souza], São Paulo: Editora 34, 2000, p. 9.
Fonte: Cultura Genial
Foto: Google
Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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