O Brasil
assistiu nesta terça feira a uma cena que nenhuma faculdade de direito tem
coragem de ensinar: o investigado sentou na cadeira, vestiu a toga, tomou o
microfone e votou para decidir como a sua própria investigação seria conduzida.
E ninguém na
mesa teve coragem de dizer o óbvio: acabou a liturgia. O tribunal virou
sindicato de defesa mútua.
Não estamos
falando de hermenêutica nem de divergência processual. O Código de Processo
Penal diz, em português claro no artigo 252, que juiz não vota em processo em
que tem interesse direto. Não precisa de sentença, de condenação ou de certidão
de trânsito em julgado. A regra existe
para impedir que o lobo cuide da cerca do galinheiro.
Pois Alexandre
de Moraes votou. Votou para jogar o seu caso num caldeirão com o de André
Mendonça, embolar as provas do Banco Master e criar o tumulto que prepara o
futuro arquivamento. Enquanto isso, a cena nos gabinetes era de pura terra
arrasada:
Paulo Gonet, o
chefe supremo da acusação que deveria defender a sociedade, foi flagrado nas
teias de Daniel Vorcaro.
O que ele faz?
Não se afasta. Pede a anulação do relatório da Polícia Federal que o cita.
O fiscal da lei
virou apagador de incêndio do próprio rastro.
Edson Fachin,
que chamou os processos para si para posar de grande condutor da corte, foi
engolido vivo pela tropa de choque de Moraes e Dino.
Sem voz, sem
comando e sem autoridade, reduziu a presidência do Supremo a uma plateia
assustada.
Cármen Lúcia,
que há anos vende a imagem de vestal da moralidade republicana, só teve coragem
de votar quando Flávio Dino já havia puxado o freio de emergência da vista.
Votou quatro a
quatro no papel, pediu desculpas constrangida para as câmeras e lavou as mãos. Um teatro de lágrimas para salvar a biografia
enquanto o edifício queima.
E Flávio Dino,
com a frieza de quem domina a máquina política, meteu a mão no artigo 134 e
trancou o processo por noventa dias. Vista
não é estudo: é anestesia.
Três meses é o
tempo exato para a eleição passar, a poeira assentar e o acordão ser costurado
nas sombras.
Mas nada disso
teria funcionado sem o homem que puxou o pino da granada. A derrota do dia 15
de setembro tem dono: Cássio Nunes Marques.
Nunes Marques
inventou a desculpa mais ridícula do ano judiciário: alegou que presidir o TSE
criava desconforto para votar no STF.
Mentira
deslavada.
A Constituição
manda expressamente que o presidente da corte eleitoral seja um ministro do
Supremo.
Nunes Marques
fugiu pela porta dos fundos por um único motivo: pavor. Bastou vazarem
mensagens citando o filho dele, Kevin Marques, e contratos suspeitos com o
banco de Vorcaro, para o ministro capitular de joelhos.
O recado de
Moraes e de seus operadores de bastidor foi dado: ou você corre da sala, ou o
seu filho vai para o moedor da imprensa.
Cássio correu.
Entregou a maioria de bandeja para a ala da blindagem e traiu o próprio
juramento constitucional para salvar a própria família. A chantagem só funciona com quem tem o rabo
preso. E aqui reside o perigo real que a República se recusa a enxergar:
Se Cássio Nunes Marques não teve coluna vertebral para suportar um vazamento de WhatsApp em uma terça feira de julgamento interno, como esse mesmo homem vai garantir a lisura, a soberania e a segurança da eleição presidencial do país daqui a poucas semanas?
Um presidente de tribunal eleitoral chantageável é uma arma apontada para o coração das urnas.
A Constituição não foi rasgada pela oposição. Ela foi executada em plenário por magistrados que colocaram o medo e o próprio bolso acima do Brasil. Zumm...
Autoria: autoria desconhecida / Sessão de 15 de setembro do ATF
Imagem: Google
Ponto de Leitura: rilvan.batistadesantana.blogspot.com

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