A rosa do povo 1945
Consolo na Praia
Carlos Drummond de Andrade
Vamos,
não chores. . .
A
infância está perdida.
A
mocidade está perdida.
Mas
a vida não se perdeu.
O
primeiro amor passou.
O
segundo amor passou.
O
terceiro amor passou.
Mas
o coração continua.
Perdeste
o melhor amigo.
Não
tentaste qualquer viagem.
Não
possuis casa, navio, terra.
Mas
tens um cão.
Algumas
palavras duras,
em
voz mansa, te golpearam.
Nunca,
nunca cicatrizam.
Mas,
e o humour?
A
injustiça não se resolve.
À
sombra do mundo errado
murmuraste
um protesto tímido.
Mas
virão outros.
Tudo
somado, devias
precipitar-te
— de vez — nas águas.
Estás
nu na areia, no vento...
Dorme,
meu filho.
Carlos Drummond de Andrade
1902-10-31 — 1987-08-17 · Itabira
Carlos
Drummond de Andrade foi um dos mais importantes poetas brasileiros, considerado
um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa. A sua obra, marcada
pela ironia, pela reflexão sobre a condição humana, pelo lirismo e pela crítica
social, abordou temas universais como o amor, a morte, o tempo, a memória e a
relação do indivíduo com a sociedade. Drummond deixou um legado poético
riquíssimo, caracterizado pela sua linguagem acessível, mas profunda, e pela
sua capacidade de captar a essência da vida quotidiana.
Ponto
de Leitura:
https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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