Crise de Leitura
R. Santana
O saudoso advogado Ricardino
Batista, provocado se tinha lido um famoso jornal matutino, daquela época, ele
respondeu: “... depois de certa idade, amigo, a leitura é seletiva. Eu não o
li...”. Porém, o que se traz à discussão, é que existe uma crise de leitura,
ninguém lê mais, exceto, um pequeno nicho de intelectuais literários, que por
conta de sua atividade, eles têm a obrigação de uma leitura
atualizada. Um escritor e poeta itabunense, fez o lançamento de seu
primeiro romance, no Shopping Jequitibá, depois de uma publicidade intensiva em
todas as mídias disponíveis, ele amargou a decepção de ter vendido, apenas, 37
livros.
Hoje, com a tecnologia avançada
nas comunicações, televisão aberta e fechada, redes sociais, aplicativos e
plataformas, a imagem se sobrepõe ao texto. A internet leva o sujeito para o
lugar mais recôndito do mundo, o áudio e a imagem em tempo real. As crianças, desde cedo, sabem operar Smartphone, Tablet, Notebook, etc.,
com as mesmas habilidades de seus pais, por isto, eles não adquirem o hábito de
leitura.
Também, as bibliotecas
eletrônicas e a IA contribuem para que não se crie o gosto pela leitura e
pesquisa de jovens e adultos. Atualmente, em tempo recorde, a Inteligência Artificial
(IA) produz um texto, porém, com prejuízo de leitura e de criatividade, ou
seja, a tecnologia não estimula o surgimento de seres criativos e pensantes,
mas seres repetidores de ideias alheias.
Os profissionais liberais, a
maioria não estuda e não lê, eles encontram suas respostas, nas páginas
específicas dos seus computadores. Os órgãos públicos, inclusive, a justiça,
atendem todas as demandas, antes presencial, pelos seus aplicativos. Numa audiência
judicial, por exemplo, o juiz, o promotor, o escrevente, o advogado ou defensor
público, necessariamente, essa audiência não é mais presencial, tudo é feito
por videoconferência.
Por isso, a crise de leitura em
todas as faixas etárias. Ninguém sobrevive da literatura. O escritor criativo e
o poeta precisam de uma atividade remunerada para subsidiar sua sobrevivência e
de sua família, salvo, se ele é um bestseller ou, se sua obra for reconhecida e
veiculada pela grande mídia.
Hoje, existe uma crise no setor
produtivo industrial e na agricultura de máquinas informatizadas, por falta de mão de obra qualificada. O sujeito termina o colégio com enormes falhas
intelectuais, falta de aprendizagem de cálculo e de gramática, durante o curso,
ele estuda, somente, “pra passar”.
Certa feita, ingenuamente, eu
perguntei a uma mãe se seu filho advogado tinha uma biblioteca de muitos livros
jurídicos. Ela respondeu-me que os livros servem para empoeirar nas
prateleiras, que o papel era coisa rara em sua casa, que tudo é digital e os
livros são virtuais, assim, como todos os procedimentos jurídicos.
O visionário Ariano Suassuna,
numa de suas famosas palestras, disse para sua assembleia que gostava de livros
e gostava de ler livros, às vezes, deitado e jamais iria se enrolar com um
computador em sua cama. Inquirido por alguém se conhecia o teórico da
comunicação McLuhan que vislumbrou a internet e o conceito de aldeia global e
profetizou o desaparecimento do livro. Ele perguntou ao inquiridor: “onde ele
aprendeu esses conhecimentos?”, o sujeito respondeu: “Hein? Acho que foi nos
livros!”, então, completou Suassuna: “Viva o livro!...”
Enfim, o desprazer pela leitura,
surgirá ao longo dos anos, uma geração de “gênios” do que gosta e uma geração
de ignorantes do que não gosta. Não será demais dizer que uma geração de
analfabetos funcionais se imporá, dentro de pouco tempo, por falta de conhecimento
e leitura.
Autor: Rilvan Batista de Santana
Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA
Foto: Google

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Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos