9.12.2026

Conclusões de Aninha - Cora Coralina

 







Conclusões de Aninha


Estavam ali parados. Marido e mulher.

Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça

tímida, humilde, sofrida.

Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,

e tudo que tinha dentro.

Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar

novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,

entregou sem palavra.

A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,

se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar

E não abriu a bolsa.

Qual dos dois ajudou mais?

 

O trecho acima é a parte inicial de Conclusões de Aninha e narra uma pequena história cotidiana, tão frequente nas cidades, quando uma pessoa humilde interrompe o caminho de um casal rumo ao carro e pede ajuda depois de explicar a sua situação pessoal.

Com uma linguagem coloquial e marcada pela oralidade, o sujeito poético nos apresenta a cena e a forma como cada um dos personagens se comportou.

O marido ofereceu ajuda financeira, mas não entrou em comunhão com a pessoa que pedia, nem sequer trocou uma palavra. A mulher, por sua vez, não ofereceu nada, mas soube ser ouvido e empatizou com aquela que estava em situação vulnerável. O trecho se encerra com uma pergunta sem resposta, que faz com que o leitor reflita sobre o comportamento dos dois personagens anônimos.

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

 

Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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