Conclusões de Aninha
Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?
O trecho acima é a parte
inicial de Conclusões de Aninha e narra uma pequena história cotidiana, tão
frequente nas cidades, quando uma pessoa humilde interrompe o caminho de um
casal rumo ao carro e pede ajuda depois de explicar a sua situação pessoal.
Com uma linguagem coloquial e
marcada pela oralidade, o sujeito poético nos apresenta a cena e a forma como
cada um dos personagens se comportou.
O marido ofereceu ajuda
financeira, mas não entrou em comunhão com a pessoa que pedia, nem sequer
trocou uma palavra. A mulher, por sua vez, não ofereceu nada, mas soube ser
ouvido e empatizou com aquela que estava em situação vulnerável. O trecho se
encerra com uma pergunta sem resposta, que faz com que o leitor reflita sobre o
comportamento dos dois personagens anônimos.
Fonte: Cultura Genial
Foto: Google

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