8.28.2026

Coração é terra que ninguém vê - Cora Coralina

 







Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia, jardineira

de um coração.

Sachei, mondei – nada colhi.

Nasceram espinhos

e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, jardineira

de um coração.

Cavei, plantei.

Na terra ingrata

nada criei.

Semeador da Parábola…

Lancei a boa semente

a gestos largos…

Aves do céu levaram.

Espinhos do chão cobriram.

O resto se perdeu

na terra dura

da ingratidão

Coração é terra que ninguém vê

– diz o ditado.

Plantei, reguei, nada deu, não.

Terra de lagedo, de pedregulho,

– teu coração. Bati na porta de um coração.

Bati. Bati. Nada escutei.

Casa vazia. Porta fechada,

foi que encontrei…

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

 

Nascimento - O exílio - Ariano Suassuna

 








Nascimento - O exílio

 

Aqui, o Corvo azul da Suspeição

Apodrece nas Frutas violetas,

E a Febre escusa, a Rosa da infecção,

Canta aos Tigres de verde e malhas pretas.

 

Lá, no pelo de cobre do Alazão,

O Bilro de ouro fia a Lã vermelha.

Um Pio de metal é o Gavião

E suave é o focinho das Ovelhas.

 

Aqui, o Lodo mancha o Gato Pardo:

A Lua esverdeada sai do Mangue

E apodrece, no medo, o Desbarato.

 

Lá, é fogo e limalha a Estrela esparsa:

O Sol da morte luz no sol do Sangue,

Mas cresce a Solidão e sonha a Garça.

 

Autoria: Ariano Suassuna

Foto: Google

 

8.27.2026

SOLILÓQUIOS - Agilson Cerqueira

 

SOLILÓQUIOS

Agilson Cerqueira

 

Há uma satisfação silenciosa em conversar comigo mesmo

Não preciso esperar respostas. Falo, penso, lembro. Às vezes, até discordo de mim.

E, quando percebo, estou sorrindo de alguma lembrança que chegou ao pensamento sem ser convidada.

São as pequenas coisas do cotidiano que mais me visitam.

Uma frase esquecida, um gesto, uma cena banal, uma conversa que ficou pela metade.

De repente, tudo retorna com uma graça inesperada, e eu me pego dando gargalhadas silenciosas.

É o momento mais fiel aos pensamentos verdadeiros. Existe uma certa liberdade em não precisar explicar a lucidez ou a loucura.

Gosto desse encontro comigo mesmo.

Do silêncio que não constrange.

Da companhia que não exige palavras.

Do pensamento que caminha sem destino, tropeça numa lembrança e acaba encontrando outra.

É uma conversa íntima, dessas que não precisam de testemunhas. No meu silêncio, às vezes sou criança, às vezes sou velho.

Reencontro pessoas que já partiram, lugares que desapareceram e momentos que o tempo levou, mas não conseguiu apagar completamente.

E então sorrio.

Porque a memória tem esse estranho poder: devolve o que já não existe, ainda que apenas por um instante

Talvez essa seja a verdadeira satisfação do só.

Não estar sozinho.

Mas estar suficientemente acompanhado de si mesmo para não sentir falta do mundo o tempo inteiro.

Há dias em que gosto simplesmente de ficar comigo.

Sem explicações. Sem compromissos.

Sem a obrigação de parecer alguma coisa.

Apenas eu, meus pensamentos e essa pequena multidão de lembranças que mora dentro de mim.

E quando uma delas me faz rir, eu rio.

Rio sozinho.

E descubro que, às vezes, a melhor conversa que podemos ter é aquela em que ninguém mais precisa ouvir.

 

Agilson Cerqueira

Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico.

Licença: Creative Commons


Link: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

 

8.26.2026

Esporte Clube Vitória - História

 

ESPORTE CLUBE VITÓRIA - História

 

Fundado em 13 de maio de 1899, com o nome de Club Cricket Victoria, por Artur, Artêmio Valente e outros 17 jovens num casarão no Corredor Vitória, sendo o primeiro clube social do Estado fundado por brasileiros. Antes dele, apenas os ingleses haviam feito isso, mesmo assim num projeto que durou pouco tempo.

O nome fazia referência ao esporte inicial praticado pelo clube: o cricket, uma espécie de futebol onde podem ser utilizadas também as mãos. Apenas um ano após sua fundação, ainda sob o nome original, a agremiação passou a praticar o futebol. Ao contrário do futuro maior rival, de origem mais humilde, o Victória tinha um grupo formado por representantes da elite baiana da época. Artêmio Valente foi eleito o primeiro presidente.

Inicialmente críquete (1899), depois remo (1902), futebol (1903), atletismo (1905), tênis (1906) e tiro esportivo (1908). Numa outra fase, em 1920, inaugurou a natação, o pólo aquático, o basquete, o vôlei e o tênis de mesa. Em 1928 fundou o handebol.

A primeira partida da história do clube foi contra um combinado de marinheiros de navios ingleses atracados no porto de Salvador, no dia 22 de maio de 1901. E logo na estréia, uma vitória por 3x2 que começaria a justificar o nome escolhido pelos rapazes do Corredor da Vitória. Os uniformes ainda traziam as cores branca e preta devido às dificuldades em conseguir o padrão verde-e-amarelo, real desejo dos representantes do time. Somente seis meses depois, o time tornou-se rubro-negro. Ainda em 1901, com a inclusão dos esportes náuticos, o clube passou a chamar-se Esporte Clube Vitória.

A estreia do time principal do Vitória aconteceu em 13 de setembro de 1903, quando o rubro-negro bateu o São Paulo-Bahia, time formado por integrantes da Colônia Paulista, por 2x0. A primeira partida do time na Liga de Futebol da Bahia – que ajudou a fundar – aconteceu no dia 1° de julho de 1904. E foi justamente uma derrota para o Club Internacional de Cricket, por 2x1.

O Vitória ajudou a organizar todas as federações em nível estadual e colocou seu nome nas atas de fundações de muitas, quase todas, associações esportivas da Bahia.

Em 1922 já sonhava em construir seu campo particular, o que aconteceu em 12 de agosto de 1923. Em 1937, mais precisamente no dia 21 de fevereiro, é reconhecido como Utilidade Pública pelo Decreto Estadual nº 8.817.

Foi o primeiro clube a participar de ações de marketing esportivo na Bahia, com o lançamento, em janeiro de 1906, dos “Charutos Sport Club Victoria” e do perfume “Bouquet Victoria”.

Nas últimas décadas as glórias no futebol fizeram com que o clube se tornasse conhecido internacionalmente. Parte disso se deve a formação de atltetas que representam o Vitória pelo mundo.

As categorias de base do Leão são o orgulho de um clube que soube valorizar seus talentos e investiu pesado para fazer de simples garotos, gênios da bola. Nomes como Bebeto, Alex Alves, Dida, Paulo Isidoro, Vampeta, Júnior, Fábio Costa, Cláudio, Matuzalém e Rodrigo, saíram dessa universidade chamada Vitória e firmaram a imagem de um clube vencedor que forma talentos.

Estádio Manuel Barradas (Barradão)

Estádio Barradão

O Manuel Barradas, conhecido nacionalmente como Barradão, tem capacidade para 35.000 torcedores, e tem iluminação artificial de 750 lux horizontal, dentro dos padrões exigidos pela FIFA para sediar jogos internacionais. Foi inaugurado em 9 de novembro de 1986, com a partida Vitória 1 a 1 Santos.

TITULOS NACIONAIS

Vice-campeão do capeonato Brasileiro de 1993

Vice-campeão do campeonato Brasileiro Série B 1992

Vice-campeão do campeonato brasileiro Série C 2006

TITULOS REGIONAIS

Taça Brasil da Região Nordeste: 1965 e 1966

Torneio José Américo de Almeida Filho (Norte/Nordeste): 1976

Copa do Nordeste: 1997, 1999 e 2003

TITULOS ESTADUAIS

Campeonato Baiano: 1908, 1909, 1953, 1955, 1957, 1964, 1965, 1972, 1980, 1985, 1989, 1990, 1992, 1995, 1996, 1997, 1999, 2000, 2002, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2009 e 2010

Torneio Início do Baiano: 1926, 1941, 1942, 1943, 1944, 1949, 1953, 1955, 1958, 1961 e 1980

Taça Estado da Bahia: 2004, 2005 e 2006

TORNEIOS NACIONAIS

Torneio da Uva/Parmalat: 1994

Torneio Maria Quitéria: 1996

TORNEIOS INTERNACIONAIS

Torneio Internacional Senegal-Brasil (Dakar): 1992

Taça Cidade de Valladolid (Valladolid-Espanha): 1997

CATEGORIAS DE BASE

TÍTULOS EQUIPE JUNIORES

Campeonato Baiano: 1998, 1999, 2000, 2002, 2006 e 2008

Taça Minas Gerais de Futebol Júnior: 1994

Philips Cup - Holanda: 1995, 1996, 1998

Dallas Cup (Estados Unidos): 1996, 1997

Coca Cola Classic (Estados Unidos): 1997

USA Cup (Estados Unidos): 1997, 1998

Sparkasen Cup (Alemanha): 1997, 1998

Nortthern Ireland Milk Cup (Irlanda): 1999

Upper Austria Cup (Austria): 1999

Taça Nordeste, na Paraíba - Brasil: 2000

TÍTULOS EQUIPE JUVENIL

Campeonato Baiano: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2004, 2006, 2007, 2008

Intercopa Baiana (Bahia): 1994

Copa da Paz Brasil (Espirito Santo): 1993

Torneio Ilha Solteira (São Paulo): 1993

Copa Bayer (Chile): 1997, 1999

Taça Bahia: 1997

Copa Retirolândia (Bahia): 1997, 1998

Taça Estado da Bahia: 1998

III Copa Zico - Etapa Regional (Bahia): 2000

III Copa Zico - Etapa Nacional (Rio de Janeiro): 2000

Copa Soares (São Paulo): 2000

III Copa Zico - Etapa JAPÃO (Japão): 2000

IV Copa Facens: 2000

III Copa Nordestina (Bahia): 2000

TÍTULOS EQUIPE INFANTIL

Campeonato Baiano: 1994, 1995, 1996, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2006, 2007, 2008

Copa Colina (SP): 1993

Copa Gazetinha (ES): 1993, 1994, 1994 (2° torneio), 1995, 1996, 2001

Copa Divinopolis (MG): 1994, 1995

Torneio Laranjal Paulista (SP): 1994

Copa Votarantim (SP): 1998

Copa Intumbiara (GO): 1998

USA Cup (Estados Unidos): 1998

Rotary Cup (Estados Unidos): 1998

Independence Day (Estados Unidos): 1998

English Riviera Cup (Inglaterra): 1999

Nike Premier Cup - NACIONAL (SP - Brasil): 1999

Nike Premier Cup - REGIONAL (BA Brasil): 1999

Torneio Grêmio Caraíba (BA): 1999

Upper Austria Cup (Autria): 1999

I Copa Nordeste Futebol Infantil (SE): 2000

6° Copa Internacional de Itaporanga (SP - Brasil): 2000

Mundalito de Futebol de Feira de Santana (BA - Brasil): 2000

V Copa Brasil de Futebol (SP - Brasil): 2000

Copa Sesinho de Feira de Santana: 2000, 2001

Copa Mercosul Internacional (SP- Brasil): 2000

I Copa Vermelho e Preto (BA - Brasil): 2000

2ª Taça Internacional do Interior Paulista (SP): 2001

Nike Premier Cup - Nacional Brasil (RJ): 2001

I Copa Nordeste Futebol Infantil: 2001

Nike Premier Cup - Etapa Mundial (Alemanha): 2001

I Copa Infantil de Ipatinga (MG): 2002

XI Campeonato Internacional Futebol Infantil (SP - Brasil): 2002

Supercopa Baiana da Divisão de Base: 2002


Fonte: Postado por Arilson Araripina às 17:18 |

Imagem: Google

Melhores Práticas Por Robert Tamasy

 

Melhores Práticas

Por Robert Tamasy

 

Tanto na área profissional como de negócios ouvimos frequentemente sobre "melhores práticas" que distinguem os concorrentes. Trata-se de um método ou técnica que produz resultados superiores aos alcançados com outros meios e que é usado como padrão. A melhor prática se torna melhor com aperfeiçoamentos.

É sensato para qualquer organização fazer avaliação de suas práticas, não apenas para se compararem com outras empresas, mas também para determinar como melhorá-las. Não seria sensato para nós, enquanto pessoas, também fazermos uma avaliação de nossas “melhores práticas”.

Anos atrás trabalhei para uma organização sem fins lucrativos e um alto executivo me perguntou como eu via meu futuro nela. A pergunta me pegou de surpresa, já que eu não tinha intenção de “subir a escada corporativa”. Como escritor e editor eu me sentia realizado, confiante de que estava no lugar onde melhor me encaixava para dar suporte aos objetivos e metas da organização.

Naquele momento minha “melhor prática” era compreender o que eu era melhor qualificado para fazer e achava mais significativo e recompensador. Lutar por uma função de maior prestígio poderia significar fazer menos e assumir mais responsabilidades. Embora os reconhecesse como objetivos nobres, eu tinha uma compreensão clara de que não era o curso que eu desejava seguir. Como afirmou Oswald Chambers, um dos meus escritores favoritos, “O bom é inimigo do ótimo.”  Uma promoção teria sido uma coisa boa, mas para mim não teria sido a coisa ótima.

Descobri que a Bíblia fala especificamente de “melhores práticas” para nós como indivíduos. Aqui estão alguns exemplos:

Viemos para esta vida com um propósito especial. É submissão considerar que mesmo antes de nascer Deus tinha em mente um plano especial para nossa vida. O que fazemos — e somos bons em fazer — não é acidente. “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável.  Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção” (Salmos 139.13-14). “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Efésios 2.10).

Operamos melhor ao trabalhar em conjunto com outras pessoas. Em qualquer organização algumas pessoas desempenham papéis mais visíveis e prestigiados, mas todo trabalho é importante para realizar a missão corporativa. “De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a Sua vontade. Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, há muitos membros, mas um só corpo” (1Coríntios 12.18-20). 

Trabalhamos com mais eficiência quando usamos ao máximo nossos dons e habilidades. Quando usamos as habilidades e capacitação que nos são exclusivas e próprias, podemos desempenhar nossas responsabilidades com muito mais entusiasmo e paixão. Assim fazendo, recebemos o reconhecimento pela qualidade do nosso trabalho — e somos capazes de fazer mais. “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real;  não trabalhará para gente obscura” (Provérbios 22.29).

Questões Para Reflexão ou Discussão 

1. O que lhe vem à mente ao ouvir a expressão “melhores práticas”?

2. Você concorda que a ideia de melhores práticas pode ser aplicada a indivíduos, bem como a empresas e organizações?

3. Que acha da afirmação de que, “O bom é inimigo do ótimo.”?  Como isso se aplica à sua vida profissional e pessoal?

4. Você concorda com a ideia de que cada um de nós tem um plano e um propósito especial ordenado por Deus para nossa vida?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 12.11; 1Coríntios 12.12-30; Colossenses 3.17, 23; 2Timóteo 3.16-17.

TEMPO PERDIDO - Mário Quintana

 











TEMPO PERDIDO

Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo em que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio da parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo.

Mario Quintana, in Caderno H

Fotografia: Aart Klein

Fonte: Poesia Quintana

Se quiserem... - Fernando Pessoa

 








Alberto Caeiro

XXX - Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.

·

Poemas de Alberto Caeiro (1946)

Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.

Sou místico, mas só com o corpo.

A minha alma é simples e não pensa.

 

O meu misticismo é não querer saber.

É viver e não pensar nisso.

 

Não sei o que é a Natureza: canto-a.

Vivo no cimo dum outeiro

Numa casa caiada e sozinha,

E essa é a minha definição.


“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).  - 55.

“O Guardador de Rebanhos”. 1ª publ. in Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925.



Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

8.25.2026

PERFIL : Agilson Cerqueira

 
RECANTO DAS LETRAS
(05.02.2026)

Agilson Cerqueira Itabuna - Bahia - Brasil 67 anos - 76 textos, 1.411 leituras

Possui graduação em Licenciatura em Ciências pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1982), graduação em Licenciatura em Matemática pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1989), graduação em Engenharia Ambiental (2007) e Engenharia de Segurança do Trabalho pela Faculdade de Tecnologia e Ciências de Itabuna (2010), Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Faculdade de Tecnologia e Ciências de Itabuna (2010), Engenheiro da Cerqueira Engenharia Ltda., Professor, Orientador e Articulador da Secretaria de Educação da Bahia. Tem experiência na área de Física, com ênfase em Física (2007). Engenheiro dos Projetos Pedro Fontes I e II (2009), Engenheiro do Projeto Makro BA 415 (2009/20010), Engenheiro do Projeto Brine Well (2010/2011), Engenheiro do Projeto Ambientalista do Resort Viver Bem Itaparica (2011/2013), Engenheiro Ambientalista do Cairú Resort, participou de alguns projetos Ambientais do Empreendimento Enseada do Paraguaçu (EEP) como Engenheiro (2011/2012).

Escritor e Artista Plástico.


https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

UMA MANHÃ EM ILHÉUS - Sérgio Brandão

Sérgio Brandão (poeta)

“ ...Tenho a impressão de ter sido uma criança brincando à beira-mar, divertindo-me em descobrir uma pedrinha mais lisa ou uma concha mais bonita que as outras, enquanto o imenso oceano da verdade continua misterioso diante de meus olhos.”  

                                                                                             -Isaac Newton.

 

“ ...Manhã vem chegando devagar, sonolenta; três quartos de hora de atraso, funcionária relapsa. Demora-se entre as nuvens, preguiçosa, abre a custo os olhos sobre o campo, ai que vontade de dormir sem despertador, dormir até não ter mais sono!... Obrigada a acordar cedíssimo para apagar as estrelas que a Noite acende com medo do escuro...”

                                                                                                 -Jorge Amado.

 


 É um recanto bem verde onde canta um rio
Loucamente a se enganchar nas ervas seus farrapos
De prata; e onde o sol, a suplantar o frio,
Brilha: pequeno vale a espumar relâmpagos.
Jovem soldado, boca aberta, fronte nua,
A nuca refrescada nos agriões azuis,
Dorme; estendido na relva, sob nuvem crua,
Pálido no leito verde onde chovia luz.
Os pés nos gladíolos, dorme. E sorri como
Sorrisse uma criança enferma em pleno sono:
Natureza, ele tem frio: acolhei-o em teu leito.
Os perfumes não mais lhe agitam o respirar;
Dorme ao sol, a mão sobre o peito a pousar
Calma. E há dois furos rubros no lado direito.
 Sergio Brandao: Arthur Rimbaud



UMA MANHÃ EM ILHÉUS.

Praia. Areias finas com grãos de brilho.

Água  amniótica no útero da terra unia,

a eternidade do momento nos ungia

naquela manhã feita de mãe para filho.

 

O Sol, dourado como um grão de milho,

nos beijava por inteiro; a pele se aquecia,

simbiose de seixos rolando na maresia

cantava no vento um cósmico estribilho.

 

Eu, catava tatuzinhos na areia molhada.

Sob olhos e abraços da divindade materna

brincava no colo da feliz cidade ilhada.

 

Andorinhas surgiam em alquímica revoada

e você, me vendo como herança paterna,

o “Concerto Para Um Verão” entoava.

 

Sérgio Brandao, 20.04.2012.


https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

A morte - O sol do terrível / Ariano Suassuna

 









A morte - O sol do terrível

 

Mas eu enfrentarei o Sol divino,

o Olhar sagrado em que a Pantera arde.

Saberei porque a teia do Destino

não houve quem cortasse ou desatasse.

 

Não serei orgulhoso nem covarde,

que o sangue se rebela ao som do Sino.

Verei o Jaguapardo e a luz da Tarde,

Pedra do Sonho e cetro do Divino.

 

Ela virá - Mulher - aflando as asas,

com o mosto da Romã, o sono, a Casa,

e há de sagrar-me a vista o Gavião.

 

Mas sei, também, que só assim verei

a coroa da Chama e Deus, meu Rei,

assentado em seu trono do Sertão.


Fonte: Cultura Genial

Foto: Google



http://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

A Dor Pode Indicar Necessidade de Mudança Por Ken Korkow


                               A Dor Pode Indicar Necessidade de Mudança

Por Ken Korkow

Anos atrás o médico Dr. Paul Brand e o escritor Philip Yancey escreveram um livro intitulado “Pain: The Gift Nobody Wants” (dor o presente que ninguém quer). Se já houve um título apropriado para um livro, esse é um. Quem deseja experimentar dor? Quem procura por ela?  Apesar disso a dor faz parte da vida real tanto quanto o sol e as aves que voam sobre nossas cabeças.

Para mim, entre as formas mais comuns de dor está uma recorrente dor de cabeça. Não estou falando de uma importunação pequena, mas de uma dor debilitante, que às vezes me deixa incapaz de participar das atividades mais comuns. Durante um mês, cerca de um ano atrás, precisei tomar sete comprimidos para dor de cabeça, e durante a metade do mês seguinte mais seis. Foi quando li um artigo no "Wall Street Journal"  intitulado, “Você é o que você não come.” Depois de lê-lo compreendi que talvez estivesse contribuindo para minha própria dor.

Desde então tenho evitado comer trigo (pão e produtos com glúten), laticínios (leite, queijo, sorvete, etc.), ovos, açúcar, soja, amendoim (e eu amo pasta de amendoim encorpada, provavelmente uma das razões para eu ser “encorpado”), ou batata inglesa. Ao mesmo tempo — e não penso que seja coincidência — não precisei tomar um só comprimido para dor de cabeça depois de iniciar esta disciplina dietética. Perdi peso e comecei a me sentir melhor física e mentalmente.

Alguém afirmou com sabedoria que "Deus não desperdiça a dor". Como resultado, minha dor de cabeça fez com que eu levasse a sério como perdesse peso e me tornasse mais consciente da boa nutrição, melhorando as condições físicas em geral e meu bem-estar.  Como Brand e Yancey observaram em seu livro, apesar de todos os nossos esforços para evitar a dor, há momentos em que ela proporciona grandes benefícios.

Refletindo sobre isso compreendi que há muitas circunstâncias em que a dor pode sinalizar necessidade de mudanças. Por exemplo, a dívida e as pressões do acúmulo de contas a pagar nos causam muito estresse, mas essa dor pode estar nos dizendo que é hora de nos tornarmos mais responsáveis financeiramente.

Às vezes o emprego ou a carreira produzem dor em nossa vida, o que pode indicar necessidade de mudança, especialmente se descobrimos que estamos presos a um cargo de que não gostamos ou que oferece pouca ou nenhuma perspectiva de futuro. Mas nossa “dor" pode também estar revelando necessidade de comprometimento mais sério com nosso trabalho ou com a busca de mais formação e treinamento, para realizá-lo de modo mais produtivo e recompensador

Quando experimentamos relacionamentos dolorosos — com nosso cônjuge, filhos, colegas de trabalho e até mesmo amigos — isso pode estar nos mostrando necessidade de mudar nossas atitudes, tornando-nos menos egoístas, mais disponíveis e mais preocupados com os interesses das outras pessoas. Provavelmente não precisamos cortar esses relacionamentos, mas ao contrário, efetuar mudanças que os tornem melhores.

Permita que eu lhe pergunte: Será que existe alguma dor em sua vida que Deus esteja usando para fazê-lo considerar a necessidade de mudanças?

As Escrituras nos aconselham: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma” (Tiago 1.2-4).

É difícil “alegrar-se” em tempos de dor. Mas uma visão retrospectiva geralmente nos mostra o quanto precisávamos dela.

 

Questões Para Reflexão ou Discussão 

1. Como você geralmente reage ao se confrontar com a dor ou dificuldades severas? Procura encontrar um "remédio" rápido?

2. Já houve momentos em que a dor pode realmente ser percebida como um “presente”, mesmo quando mal recebida inicialmente?

3. Que tipo de dor você está experimentando (ou suportando) no momento em sua vida?

4. Por que você acha que a Bíblia recomenda que nos “alegremos” nos períodos de dor e grande sofrimento? Já aconteceu de você passar por grandes dificuldades e depois se sentir grato por ter passado pela experiência?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 10.17; 13.18,24; 15.32; Romanos 8.18; 2Coríntios 4.16-18; Hebreus 12.5-6.


http://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

Mas será o Benedito!! Rita Gottardi

 






Mas será o Benedito!!

Rita Gottardi

 

Tem palavra que não morre porque é antiga. Morre porque ninguém mais tem coragem de usar.

Isso é uma pena.

Eu me recuso a aceitar que mocoronga, borocochô e requenguela desapareçam deste mundo enquanto “crush”, “ranço” e “shippar” seguem firmes, fortes e fazendo carreira.

Mocoronga, por exemplo, é uma palavra que já nasce com uma personalidade. Você não precisa explicar nada.

— Eita, que mocoronga!

Pronto.

Todo mundo entende.

Mocoronga não é simplesmente uma pessoa boba. Não. Mocoronga tem um componente de desajeito, de lerdeza, de “minha nossa senhora, como é que pode?”. É uma palavra completa. Tem CPF, RG e provavelmente uma tia chamada Nadir.

E borocochô?

Borocochô é patrimônio imaterial da humanidade.

— Hoje eu estou meio borocochô.

Isso explica tudo.

Você não está triste. Não está deprimida. Não está indisposta. Não está emocionalmente desregulada.

Você está borocochô.

É muito mais elegante.

Agora, se além de borocochô você estiver toda requenguela, aí a coisa complicou.

Porque requenguela é aquela criatura meio desmantelada, molenga, sem aprumo, que parece que saiu de casa sem terminar de se montar.

A pessoa acorda, olha no espelho e pensa:

— Hoje estou uma requenguela.

Suspira fundo e segue...

Sem terapia.

Sem podcast.

Sem precisar “processar os sentimentos”.

Antigamente, uma boa expressão resolvia metade dos problemas psicológicos.

A pessoa chegava em casa acabrunhada.

A mãe perguntava:

— Que cara é essa, menina?

— Estou borocochô.

— Então, tome um banho quentinho e pare de fazer manha.

Pronto. Problema resolvido.

Hoje você precisa de três profissionais, um aplicativo de meditação e uma assinatura de streaming para descobrir que estava apenas amuada.

Que palavra maravilhosa é amuada!

Cadê o amuado? Sumiu.

Foi substituído por “estou precisando de espaço”.

Dizíamos:

— Não vou falar com você porque estou amuada.

Ninguém discutia.

Respeitava-se o amuo.

Quem lembra dessa expressão?

— Ai, pior que a mãe do sarampo!

Essa eu não sei nem explicar direito.

Mas precisava? Claro que não!

A graça estava justamente em não precisar.

Era uma exclamação, uma praga, uma interjeição, um diagnóstico e um desabafo ao mesmo tempo.

E quando alguma coisa dava muito errado, vinha o clássico:

— Mas será o Benedito!

Benedito podia ser qualquer coisa.

O problema.

A confusão.

A desgraça.

O sujeito inconveniente.

O boleto.

A sogra.

A segunda-feira.

Bastava ouvir, e todo mundo sabia que coisa boa não era.

Tem também bestar, bulir, lambisgoia, xexelento, paspalho, janota, pirangueiro, sirigaita, catita, furdunço, arranca-rabo, cafundó, trololó, nhenhenhém, patuscada, fuzuê, quiprocó.

Isso não é vocabulário.

Isso é uma família inteira!

E o maravilhoso nhenhenhém?

Nhenhenhém é a reclamação que não tem começo, meio nem fim.

— Para com esse nhenhenhém!

É diferente de reclamar.

Nhenhenhém é reclamar com insistência, repetição e uma certa vocação para encher o saco.

Temos que preservar.

Pelo bem da humanidade.

E lambisgoia?

Lambisgoia é palavra que já vem com sobrancelha levantada.

Não existe lambisgoia neutra.

É quase uma profissão.

Precisamos recuperar furdunço.

Porque atualmente tudo virou “evento”. Antigamente era furdunço.

Tinha aniversário? Furdunço.

Tinha casamento? Furdunço.

Tinha briga na rua? Furdunço!

Tinha alguém dançando bêbado em cima da mesa?

Furdunço de alto nível.

A língua portuguesa está ficando séria demais.

Está precisando de um furdunço.

Eu proponho, inclusive, uma campanha nacional:

SALVEM AS PALAVRAS VELHAS!

Porque palavra também envelhece.

E algumas envelhecem lindamente.

Não sei vocês , mas creio que certas palavras não servem apenas para dizer alguma coisa.

Servem para temperar a língua.

Assim, da próxima vez que alguém disser:

— Estou meio cansada hoje.

Não aceite.

Pergunte:

— Cansada ou borocochô?

Se a pessoa responder:

— Acho que estou meio pra baixo...

Você olha bem para ela e sentencia:

— Minha filha, você está é acabrunhada.

E quando a situação sair completamente do controle:

—Mas será o Benedito!

Pronto.

A língua portuguesa estará respirando novamente.

Porque enquanto houver alguém dizendo mocoronga, borocochô, requenguela, paspalho, furdunço e nhenhenhém, a nossa língua ainda terá alguma graça.

Convenhamos:

num mundo cheio de algoritmo, inteligência artificial e reunião por videoconferência...um bom “mas será o Benedito!” está fazendo uma falta danada.

Att.: Sione Porto 2: Para animar a noite de vocês com palavras velhas da língua portuguesa, hoje quase esquecidas


Autora: Ritta Gottardi

Fonte: Grupo da ALITA

Imagem: Google


Ponto de Leitura (link):   https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

Destaques

UM BOM AMIGO - João Batista de Paula

  UM BOM AMIGO João Batista de Paula   A maioria das pessoas diz que bom   é Deus. Sejamos bons e amados de Deus. Um bom amigo é.....

Última semana