PELÉ, AOS 17 ANOS, SURPREENDEU O MUNDO AO CONQUISTAR O PRIMEIRO TÍTULO MUNDIAL DO BRASIL
O silêncio que caiu sobre o vestiário brasileiro começou antes mesmo do intervalo, quando um dirigente entrou furioso e apontou para Pelé como se o garoto de 17 anos fosse o culpado por o Brasil estar disputando uma final sob tanta pressão.
—Se ele sentir o peso e desaparecer, vocês vão explicar ao país inteiro por que colocaram um menino numa decisão mundial.
Pelé ouviu tudo sem responder. Sentado diante de seu armário, apertava as chuteiras com as mãos trêmulas. À sua volta, homens experientes evitavam encará-lo. Não era medo da Suécia. Era o peso de uma ferida antiga. O Brasil ainda carregava a lembrança de 1950, e qualquer erro poderia transformar aquela geração em mais um símbolo de fracasso.
Naquela tarde de 1958, o estádio Råsunda estava tomado por bandeiras azuis e amarelas. A torcida sueca acreditava que veria seu país levantar a taça dentro de casa. Quando Bellini se aproximou de Gustavsson para o sorteio, os gritos pareciam empurrar os brasileiros para fora do campo.
Didi reuniu os companheiros antes do apito.
—Eles têm o estádio. Nós temos a bola. E quem tiver coragem vai mandar nesta final.
A partida mal havia começado quando Liedholm recebeu livre, avançou e bateu no canto. Aos 4 minutos, a Suécia fez 1 a 0. O Råsunda explodiu. Alguns brasileiros ficaram imóveis, como se o passado tivesse voltado para buscá-los.
Pelé abaixou a cabeça por um instante. Então viu Didi entrar no gol, pegar a bola e colocá-la debaixo do braço.
—Vamos voltar para o meio. Ainda vamos fazer essa gente aplaudir o Brasil.
A frase parecia ousada demais. Na lateral, o mesmo dirigente que havia pressionado Pelé gritava para o banco preparar uma mudança. Queria uma equipe mais cautelosa, menos jovem, menos imprevisível. Bellini ouviu e se virou com raiva.
—Aqui dentro, quem decide somos nós.
Garrincha foi o primeiro a transformar a revolta em futebol. Recebeu aberto, encarou o marcador e passou por ele como se a final fosse uma brincadeira em Pau Grande. Cruzou rasteiro. Pelé tentou alcançar, mas a bola passou. Vavá apareceu atrás e empurrou para a rede.
1 a 1.
O Brasil respirou, mas a Suécia continuou atacando. Em uma bola lançada para a área, Zagalo recuou quase até a linha do gol para evitar o segundo. Na jogada seguinte, Djalma Santos iniciou a saída, Pelé ajudou na recuperação e Garrincha disparou outra vez. O ponta chegou ao fundo e cruzou. Vavá entrou com violência e virou o placar.
2 a 1.
A comemoração brasileira foi cortada por uma discussão na lateral. O dirigente insistia que Pelé deveria jogar recuado para proteger o resultado. O garoto ouviu a ordem e hesitou. Didi se aproximou.
—Você não chegou até aqui para se esconder.
—E se eu falhar?
—Então falhamos juntos. Mas não vamos entregar a taça por medo.
Pouco antes do intervalo, Pelé recebeu dentro da área, dominou e bateu na trave. O som seco ecoou como um aviso. A Suécia respondeu com Simonsson, mas Gilmar defendeu firme.
Quando o árbitro encerrou o primeiro tempo, o Brasil voltou ao vestiário vencendo. Mesmo assim, ninguém sorria. O dirigente esperava na porta com uma determinação nas mãos e exigia que o técnico retirasse Pelé.
—Um gol sueco muda tudo. Não podemos confiar o destino do país a um garoto.
Pelé levantou lentamente. Antes que alguém respondesse, Garrincha fechou a porta do vestiário e colocou uma cadeira diante dela.
—Então, para tirar o menino, vai ter que passar por todos nós.
Do lado de fora, começaram socos na porta. Do lado de dentro, Bellini olhou para Pelé e fez uma pergunta que decidiria não apenas aquela final, mas a história do futebol.
—Você quer voltar para o campo ou quer se proteger para sempre?..
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Fonte: Vida em Notícias / Facebook
Foto: Produção
Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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