Inspiração
São Paulo!
comoção de minha vida...
Os meus amores são flores feitas de original...
Arlequinal!...Traje de losangos...Cinza e ouro...
Luz e bruma...Forno e inverno morno...
Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...
Perfume de Paris...Arys!
Bofetadas líricas no Trianon...Algodoal!...
São Paulo!
comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América!
Esse é o
poema que inaugura Pauliceia Desvairada, segundo livro de poemas de
Mário de Andrade, publicado em 1922.
A obra faz
parte da primeira geração modernista, sendo lançada no mesmo ano da Semana
de Arte Moderna, evento marcante na história cultural brasileira e que o
escritor ajudou a tornar possível.
Em Inspiração,
Mário nos apresenta uma São Paulo dinâmica, urbana e inquieta.
O período
foi marcado pelo crescimento acelerado das cidades, sobretudo da capital
paulista. Através de jogos de palavras, o autor inova na escrita, trazendo
sobreposições de imagens e de ideias, refletindo a agitação de seu tempo.
A
comparação da cidade de São Paulo com grandes metrópoles fica evidente no verso
“Perfume de Paris...Arys!”. Há também a noção de dinamismo e contrastes nas
palavras “Cinza e ouro...Luz e bruma...Forno e inverno morno…”, como se no
mesmo local houvesse enorme variação, tanto de temperatura, quanto de
comportamento e estado de espírito dos habitantes.
Outro ponto
interessante é o uso de reticências no texto, sinalizando que o eu lírico não
finaliza seus pensamentos, como se a profusão da vida entrasse em contato com
suas ideias e o deixasse sem palavras.
Fonte:
Cultura Genial
Foto:
Google
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