Tupã - R. Santana
A
vida é feita de momentos de sentimentos agradáveis. Não faz muito tempo, um
tiquinho de tempo, que encontrei um amigo de priscas eras, Valmir Rocha, que de
chofre, perguntou-me:
-
Lembra-se de Tupã? – cachorro criado pelo saudoso tio Pedro.
-
Claro, Valmir! – aí, ele contou-me a seguinte história que deve datar de 50
anos atrás:
-
Eu e Pedro estávamos conversando (Tupã ao lado), quando passou um fotógrafo,
então, Pedro espirituoso, chamou o fotógrafo:
-
Tire a foto desses três cachorros, ah, ah, ah... – Valmir
completou:
-
Eu ainda tenho essa foto, irei lhe enviar pelo WhatsApp.
Tupã era um cachorro grande (não me
pergunte a raça), pelo marrom luzidio e instinto aguçado, possuía algumas
habilidades sem adestramento, habilidades inatas ou adquiridas ao longo dos
anos. Morreu de velhice e foi um drama para Pedro, esposa e filhos, uma grande
perda, como se fosse a morte de um parente querido.
Tupã não era agressivo, salvo, se mexesse
com Pedro ou os filhos e a mulher. Era um cachorro de fácil convivência, vivia sem coleira,
focinheira ou qualquer outro equipamento de contenção animal, circulava entre
os fregueses do “Bar de Pedro” sem nenhum risco. Outro traço de “civilidade”
desse animal, é que só fazia coco e xixi em lugares adequados.
Tupã quedava-se a qualquer gesto de
afago dos clientes, por isto, todos gostavam dele e, ai daquele desconhecido
que molestasse um dos seus “amigos”.
Porém, nessa época, os filhos de Pedro:
Celso, César e Celmar estudavam em escolas primárias, aqui, no São Caetano. Tupã
era seus guarda-costas. No horário escolar, de manhã ou meio dia, ele saía de
fininho, sem ninguém mandar, ia levá-los ou ia buscá-los na escola. Certa feita um
desconhecido desavisado foi brincar com um dos filhos de Pedro, que voltava da
escola, Tupã avançou com tanta força que jogou o sujeito no chão e, se não fosse os
gritos do menino e Pedro que chegava, o cachorro teria estragado a cara do indivíduo.
Quando Valmir me relatou a história da
foto e a graça de Pedro: “Tire a foto desses três cachorros”, acreditei porque
era do seu feitio, do seu estado de humor, sempre tinha uma saída humorada para
as coisas mais desfavoráveis. Nunca o vi agressivo ou descontrolado emocional,
primava pelo bom senso: sair das situações adversas com temperamento pacífico e
inteligente.
Lembro-me
de um fato pitoresco que ocorreu no “Bar de Pedro’. O bar além de uma modesta
lanchonete, havia sinuca, dominós e carteado (jogo de baralho) que varava a madrugada.
O negro Lubião era viciado no baralho, quando não jogava, ficava peruando o
jogo dos outros parceiros. Certo dia, surgiu uma barata no salão, depois de morta,
Pedro brincou:
-
Lubião, se você comer essa barata, lhe darei Cr$ 50,00 (cinquenta cruzeiros),
para entrar no jogo. Lubião era um negro pinguço, comeu a barata (para
incredulidade de todos), entrou no jogo e saiu cheio de dinheiro e feliz da
vida.
Portanto,
não me admirou quando Valmir Rocha falou da conduta brincalhona de Pedro: “Fotógrafo,
tire a foto desses três cachorros”, pois, seu forte era viver bem com a vida.
Certamente,
Tupã era um cachorro diferenciado, um instinto aguçado, diria, inteligente, que
voluntariamente, solucionava qualquer situação desagradável.
Autoria: Rilvan Batista
de Santana
Licença: Creative Commons
Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA
Fonte: Valmir Rocha
Foto: Produção
Blog: Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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