O
Técnico Sueco disse que o Brasil teria "Medo" — Pelé respondeu da
Forma Mais humilhante Possivel.
Na
véspera da final da Copa do Mundo, George Reynor humilhou o Brasil diante das
câmeras e apontou um garoto de 17 anos como se ele fosse o elo fraco que
desmoronaria primeiro.
No
hotel em Solna, cercado por jornalistas europeus, o técnico da Suécia falava
com a tranquilidade cruel de quem acreditava já ter vencido antes mesmo de
entrar em campo. Do lado de fora, o frio escandinavo parecia cortar a pele. Do
lado de dentro, suas palavras cortavam mais fundo.
—
Os brasileiros são artistas — disse ele, ajeitando o paletó, com um sorriso
quase elegante. — Mas uma final não é palco de circo. É uma batalha real. Se
marcarmos primeiro, eles vão entrar em pânico.
Alguns
repórteres riram baixo. Outros anotaram rápido, sentindo que aquela frase
atravessaria o oceano como uma navalha. Reynor não parou.
—
Especialmente esse garoto, Pelé. Ele tem talento, claro. Mas tem 17 anos. Um
menino não aguenta o peso de uma final de Copa do Mundo contra uma nação
inteira.
Horas
depois, aquelas palavras chegaram à concentração brasileira como uma bofetada.
Vicente Feola reuniu os jogadores no vestiário improvisado, com o rosto
fechado. O Brasil carregava mais do que chuteiras e camisas amarelas. Carregava
o fantasma de 1950, o Maracanazo, a dor de ter perdido em casa diante de quase
200.000 pessoas, quando bastava um empate. Carregava a acusação silenciosa de
que, na hora decisiva, o brasileiro sempre tremia.
Alguns
jogadores se irritaram. Outros baixaram os olhos. A provocação não era apenas
contra um time; era contra um país inteiro. Era contra a pele, contra o jeito
de jogar, contra a alegria transformada em fraqueza.
Pelé
ficou sentado em silêncio. O garoto de Três Corações, que já havia encantado o
torneio, ouviu cada palavra sem apertar os punhos, sem bater na parede, sem
prometer vingança. Apenas sorriu de leve, como quem guardava uma resposta que
não cabia em discurso.
—
Você ouviu o que ele disse de você? — perguntou um companheiro.
Pelé
ergueu os olhos.
—
Ouvi.
—
E não vai falar nada?
O
menino olhou para as próprias chuteiras, depois para a camisa do Brasil
pendurada à sua frente.
—
Amanhã a bola fala.
Naquela
noite, enquanto muitos reviravam na cama, imaginando os 50.000 suecos gritando
contra eles no estádio Rasunda, Pelé dormiu profundamente. Não parecia um
garoto prestes a ser esmagado pela pressão. Parecia alguém que tinha
encontrado, dentro do silêncio, o lugar exato onde nasce a coragem.
Na
manhã de 29 de junho de 1958, Solna amanheceu cinzenta. As arquibancadas
começaram a encher cedo. Bandeiras azuis e amarelas tremulavam como se toda a
Suécia tivesse decidido empurrar seus homens até a glória. Do outro lado, os
brasileiros entraram em campo menores, mais leves, cercados por uma torcida
inimiga e por uma dúvida mundial.
Os
suecos pareciam soldados. Altos, sérios, ombros largos, rostos duros. Os
brasileiros pareciam artistas, sim, mas havia algo nos olhos deles que Reynor
não soube ler: fome.
Pelé
caminhou sobre o gramado frio, olhou ao redor e viu milhares de bocas gritando
contra ele. Em vez de baixar a cabeça, sorriu. Não era deboche. Era alegria. E
isso, para os suecos, talvez fosse ainda mais assustador.
O
juiz apitou. A bola rolou. Aos 4 minutos, o pesadelo anunciado por Reynor
pareceu virar realidade. A Suécia avançou pela direita, a defesa brasileira se
abriu por um instante, e Liedholm recebeu com classe. Ele driblou, chutou
rasteiro, e Gilmar não alcançou.
Suécia
1, Brasil 0.
O
estádio explodiu. O som parecia fazer o chão tremer. Reynor, no banco, levantou
o queixo com satisfação. Era exatamente o roteiro que ele havia previsto.
Primeiro gol sueco. Brasil ferido. Agora viria o pânico.
Mas
então ele viu algo que não esperava.
Pelé
correu até dentro do gol brasileiro, pegou a bola com as duas mãos e saiu quase
abraçado a ela. Não havia desespero em seu rosto. Havia pressa. Não de quem
foge, mas de quem quer começar a resposta.
No
caminho para o meio-campo, o menino gritou para homens mais velhos do que ele:
—
Vamos! Não foi nada! A gente vai ganhar esse jogo!
Djalma
Santos olhou para aquele garoto de 17 anos falando como líder no meio de uma
final perdida aos 4 minutos. E, naquele instante, algo mudou.
Reynor,
do outro lado, franziu a testa. O pânico não apareceu. O medo não veio. O
Brasil reiniciou o jogo com o sangue quente e os olhos acesos.
Aos
9 minutos, Garrincha recebeu pela direita. A bola parecia obedecer aos seus pés
como se fosse viva. Ele cruzou, Vavá entrou com força e empurrou para o gol.
Brasil
1, Suécia 1.
O
estádio, que segundos antes era um trovão, engoliu o próprio barulho. Reynor se
levantou. Ainda havia tempo, ainda havia sua teoria, ainda havia a força sueca.
Mas, aos 32 minutos, Garrincha voltou a ferir o mesmo lado, a defesa vacilou, e
Vavá apareceu de novo.
Brasil
2, Suécia 1.
No
intervalo, o vestiário sueco não tinha mais o cheiro da vitória. Tinha o cheiro
perigoso da dúvida. Reynor tentava falar, mas seus jogadores já não o escutavam
da mesma forma. No vestiário brasileiro, Vicente Feola olhou para Pelé e disse
apenas:
—
Eles disseram que você ia tremer. Agora mostre o que acontece quando um menino
brasileiro não treme.
Pelé
assentiu. E quando voltou ao gramado, a resposta que ele guardava estava pronta
para nascer...
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ESTA
É APENAS A PRIMEIRA PARTE; A CONTINUAÇÃO E O FINAL JÁ FORAM PUBLICADOS NOS
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Fonte: Facebook
Foto: Google
Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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