GIRA
Dona Pomba baixou,
girando a gira
de sua banda.
Dona Pomba chegou
e se trajou com sete saias,
cada saia com sete babados,
cada babado com sete giletes.
Dona Pomba entrou,
dando muita risada,
fumando cigarro,
bebendo champagne,
toda animada.
Prometeu mundo e fundo,
a volta do amante,
espantar rapariga,
tanger vizinha intrigueira
com aquele rompante.
Curou dor dente,
ensinou banho de folha
para quem estava ausente.
Até ensinou um amansa leão
contra os avanços
daquele patrão.
Dona Pomba cantou,
dançou e rodou
muito contente
e os fiéis, todos rodantes,
curados e sarados,
com muita cerveja,
charuto e aguardente.
Pronto!
O mundo se consertou
novamente.
Ruy Póvoas
23/7/23
Ruy do Carmo Póvoas (*)
Licenciado em Letras (FAFI),
Mestre em Letras Vernáculas (UFRJ), Doutor Honoris Causa (UESC). Escritor com
vasta produção em verso e prosa. Fundador do NEAB da UESC. Editor do Jornal
Tàkàdá, do Caderno e Revista Kàwé. Sua produção escrita abrange o verso e a
prosa. Tem publicado: Vocabulário da paixão, A linguagem do candomblé, Itan
dos mais-velhos, Itan de boca a ouvido

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