O LABIRINTO LENTO
Agilson Cerqueira
Preciso do vazio, do instante mudo,
Onde o pensamento não seja escudo.
Vou pensando, sem pressa ou guia,
Nesta busca vã pela lucidez.
E quando a mente, em sua altivez,
Encontrar a luz que o silêncio anuncia,
Perco-me cético, em nova estesia.
No rito do sono para fugir do caos,
Deixo a mente enfim descansar.
Acordo no pranto ou no riso,
Pois sobreviver é um fio cortante.
Neste deserto de sol escaldante,
Lentamente procuro meu paraíso,
Onde o real perde o seu juízo.
Viver com ou sem desafetos,
Mas não sonho a vida num plano abjeto.
Ser consistente na lida severa,
É ser, enfim, um cavaleiro andante,
Que entre a rotina e o céu distante,
Todos sobrevivem - quem vem e quem espera,
E pensando, o próprio pensamento se libera.
Agilson Cerqueira
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico.
Licença: Creative Commons
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