A Voz Poderosa de Alexei Bueno
(26 de abril 1963 / 27 de junho de 2026
Nascido no Rio de Janeiro, 26 de abril de 1963, falecido em 27 de junho de 2026), Alexei
Bueno foi um poeta, editor
e ensaísta brasileiro. Colaborou em diversos órgãos de imprensa no Brasil e no
exterior, membro do PEN Clube do Brasil, e foi,
de 1999 a 2002, Diretor do Instituto Estadual
do Patrimônio Cultural (INEPAC) do Rio de Janeiro,
e membro do Conselho Estadual de Tombamento. "A sua vasta cultura fazia
dele uma figura ímpar na vida cultural brasileira embora vivesse muito à margem
da elite literária do país. Embora alguns membros da Academia Brasileira de Letras insistissem para que se
tornasse um deles naquela instituição nunca se mostrou interessado pelo
assunto.
Biografia
Como editor organizou, para a
Nova Aguilar, a Obra completa de Augusto dos Anjos (1994),
a Obra completa de Mário de Sá-Carneiro (1995), a atualização
da Obra completa de Cruz e Sousa (1995), a Obra
reunida de Olavo Bilac (1996), a Poesia completa de
Jorge de Lima e a Obra completa de Almada Negreiros (1997),
a Poesia e prosa completas de Gonçalves Dias (1998), além de
uma nova edição da Poesia completa e prosa de Vinicius de
Moraes, no mesmo ano, e a Obra completa de Álvares de Azevedo
(2000). Publicou, pela Nova Fronteira, uma edição comentada de Os
Lusíadas (1993) e Grandes poemas do Romantismo brasileiro (1994).
Traduziu para o português As
quimeras, de Gérard de Nerval, editado
pela Topbooks, também com edição portuguesa. Traduziu igualmente poemas de Poe,
Longfellow, Mallarmé, Tasso e Leopardi, entre outros. Digna de nota sua
tradução de O Corvo (The Raven) de Edgar Allan Poe, "grande desafio para os
tradutores de poesia, pelo seu extremo virtuosismo formal", ( poema
que já havia sido traduzido para o nosso idioma por "monstros
sagrados" como Machado de Assis e Fernando Pessoa e que integra sua
coletânea Cinco séculos de poesia.
Em 1998 publicou, pela Lacerda
Editores, a primeira edição brasileira, prefaciada e anotada, da História
trágico-marítima e uma edição dos Sonetos de Camões,
além do ensaio introdutório e fixação do texto da Jerusalém libertada,
de Torquato Tasso, pela Topbooks.
Em 1999 organizou, com Alberto da Costa e Silva, a Antologia
da poesia portuguesa contemporânea — um panorama, para a Lacerda Editores,
e no ano seguinte publicou a edição remodelada e definitiva, conforme os
originais deixados pelo autor, da História das ruas do Rio,
de Brasil Gerson.
No ano de 2002 organizou, a
convite da UNESCO, a Anthologie de la poésie romantique
brésilienne, editada em Paris, e a Correspondência de Alphonsus de
Guimaraens, para a Academia Brasileira
de Letras. Em 2004 organizou a antologia Poesía
brasileira hoxe, para a Editorial Danú, de Santiago de Compostela. Em 2006
organizou e publicou, junto com George Ermakoff, Duelos no serpentário,
uma antologia da polêmica intelectual no Brasil.
Em 2007 publicou pela G. Ermakoff Casa Editorial Uma história da poesia brasileira, cujo Prefácio começa com estas palavras: "Há duas definições de poesia que sempre nos pareceram, no limitado de toda definição, das melhores possíveis. Diz a primeira: a poesia é uma indecisão entre um som e um sentido. Afirma a segunda: a poesia é a arte de dizer apenas com palavras o que apenas palavras não podem dizer."
Em 2009 publicou, também pela G. Ermakoff, o livro de poemas As desaparições, "um livro sobre a morte, a cidade, sobre a decadência que a cerca e nos cerca, sobre o visível e o que não se vê, e sobre a visceral ânsia humana de eternidade..." Em 2010 lança, por essa mesma casa editorial, João Tarcísio Bueno: O herói de Abetaia, a biografia de seu avô, o Capitão João Tarcísio Bueno, "um dos grandes heróis brasileiros", "nome lendário na história da FEB" e "ator central do mais sangrento e épico dos ataques brasileiros a Monte Castelo". Em 2026 é lançada uma 2a edição revista e ampliada deste livro.
Em 2012 vem a lume, pela B4
Editores, Machado, Euclides & outros monstros — monstros "no
seu encomiástico sentido barroco, aquele mesmo que levou Cervantes a chamar
Lope e Vega de monstruo de la naturaleza". Trata-se
de uma coletânea de ensaios sobre poetas e prosadores brasileiros — Álvares de
Azevedo, Junqueira Freire, Machado de Assis, Castro Alves, Joaquim Nabuco,
Euclides da Cunha, Raul Pompeia, Coelho Neto, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos,
Da Costa e Silva, Ronald de Carvalho, Drummond, Vinicius etc. — até então
dispersos em inúmeras publicações.
Em 2013 publica pela Record Cinco
séculos de poesia, reunindo "o conjunto de traduções de poesia que
fiz, por motivos vários, no último quarto de século", congregando 12
poetas do século XVI à "nossa quase contemporaneidade", entre eles
Edgar Allan Poe, Stéphane Mallarmé, Longfellow, Giacomo Leopardi e Shakespeare.
Em 2017 a editora portuguesa Exclamação lança Desaparições, antologia de sua obra poética organizada e prefaciada por Arnaldo Saraiva, segundo o qual "Alexei Bueno é talvez a mais poderosa voz da poesia brasileira revelada nas últimas décadas".
Em 2022 preenche uma grande lacuna na historiografia literária brasileira ao lançar pela Editora Record seu A escravidão na poesia brasileira: Do século XVII ao XXI, um ensaio antológico cobrindo um período de cerca de 350 anos, 80 poetas e mais de 220 poemas, "muitos jamais publicados em livro ou totalmente desconhecidos, e incontáveis obras-primas. Foi um trabalho enorme, na verdade toda uma vida de leitura, e nele são analisados todos os tópicos principais e recorrentes com que o tema foi tratado, sem solução de continuidade, desde o barroco até a plena atualidade."
Segundo Mires Batista Bender, o "poeta Alexei Bueno faz parte do seleto grupo de autores que escrevem poesia metafísica no Brasil hoje". "Por meio da sondagem metafísica e das ideias eternas, captadas do gênio das civilizações clássicas, Alexei Bueno faz o questionamento da modernidade e propõe a poesia como instância da reflexão sobre a vida e o ser."
Livros
As escadas da torre (1984)
·
Poemas gregos (1985)
·
Livro de haicais (1989)
·
A decomposição de J. S. Bach (1989)
·
Lucernário (1993)
·
A via estreita (1995 - Prêmio Alphonsus de
Guimaraens, da Biblioteca Nacional, e Prêmio da APCA)
·
A juventude dos deuses (1996)
·
Quinze poemas mediterrâneos (1996)
·
Entusiasmo (1997)
·
Poemas reunidos (1998 - Prêmio Fernando
Pessoa)
·
Em sonho (1999)
·
Antologia da poesia portuguesa contemporânea, um
panorama (1999, com Alberto da Costa e Silva)
·
Cruz e Sousa, 100 anos de morte, 1898-1998 (1999,
catálogo da exposição na Biblioteca Nacional)
·
Os resistentes (2001)
·
Gamboa (2002), para a coleção
Cantos do Rio
· O patrimônio construído (2002,
com Augusto Carlos da
Silva Teles e Lauro Cavalcanti – Prêmio Jabuti)
·
Glauber Rocha, mais fortes são os poderes do povo! (2003)
·
Poesia reunida (2003 - Prêmio Jabuti)
·
O Brasil do século XIX na Coleção Fadel (2004)
·
Antologia pornográfica (2004)
·
Num reino à beira do rio (2004,
com Rachel Jardim)
·
Duas moedas híbridas do Império Romano (2005)
·
Duelos no serpentário, uma antologia da polêmica
intelectual no Brasil (2005, com George Ermakoff)
·
A árvore seca (2006)
·
O Nordeste a a epopeia nacional (2006
- Aula Magna na UFRN)
·
Uma história da poesia brasileira (2007)
·
Nikos Kazantzákis, cinquenta anos de partida (2008
- Conferência)
·
Arte e História do Brasil na Coleção Fadel (2008)
·
As desaparições (2009)
·
Machado vive (2009 - Catálogo da
exposição do centenário de morte)
·
5 visões do Rio na Coleção Fadel (2009,
obra coletiva)
·
Sergio Telles: caminhos da cor (2009)
·
João Tarcísio Bueno, o herói de Abetaia (2010)
·
Lixo extraordinário (2010,
com Vik Muniz)
·
O universo de Francisco Brennand (2011)
·
Um manuscrito inédito de Camilo Pessanha (2011)
·
Fazendas do Ouro (2011, com Mary del Priore e Tasso Fragoso Pires)
·
São João Marcos, patrimônio e progresso (2011,
obra coletiva)
·
Castro Alves (2011)
·
Machado, Euclides & outros monstros (2012)
·
Cinco séculos de poesia (edição bilíngue) (2013)
·
São Luís, 400 anos, Patrimônio da Humanidade (2013)
·
Poesia completa (2013)
·
Cem anos de Brasil: Monitor Mercantil, 1912-2012 (2013)
·
Palácios da Borracha, arquitetura da Belle Époque
amazônica (2014)
·
Alcoofilia: 5.000 Anos de Declarações de Amor À
Bebida (2015)
·
Rio Belle Époque: Álbum de Imagens (2015)
·
Os Monumentos do Rio de Janeiro: Inventário 2015 (2015,
com Vera Dias)
·
Anamnese (poesia - 2016)
·
Desaparições (antologia portuguesa da
obra poética - 2017)
·
Cerração (poesia - 2019)
· Les résistants (tradução francesa integral
do poema Os resistentes, por Didier Lamaison, em Courage!
Dix variations sur le courage et un chant de résistance - 2020)
·
Decálogo indigno para os mortos de 2020 (poesia
- 2020)
·
O sono dos humildes (poesia
- 2021 - Prêmio Candango de Literatura e Prêmio Alphonsus de Guimaraens da
Biblioteca Nacional)
·
A escravidão na poesia brasileira: Do século XVII
ao XXI (antologia - 2022)
·
A noite assediada (poemas em prosa - 2022)
·
Rio de Janeiro en couleurs et en relief: À Travers
Les Photos Du Voyage En Amerique Du Sud D'Albert Kahn, Paris,
Éditions Illustria, 2022, com Delphine Allannic, Laurent Vidal e Mélanie Moreau
·
Poesia completa e traduzida (edição
fora do comércio - 2023)
·
Bibliografia crítica da Lapa (100
exemplares numerados e assinados - 2023)
·
Cândido Torres Guimarães: Um combatente brasileiro
na Primeira Grande Guerra (biografia - 2023)
·
Camões: Em nós, por nós (poesia
comemorativa dos 500 anos de nascimento de Camões - 2024)
·
Naquele remoto agora (poesia
- 2024)
·
O irrefreável (poesia - 2025)
·
A chave quebrada (poesia - 2026)
·
O poste (auto sacramental em dois atos - 2026)[13]
Participação em coletâneas:
·
Rio, da Glória à Piedade (Editora
Rosmaninho, 2023, livro de crônicas, poemas e memórias de homenagem ao Rio de
Janeiro)
Edições organizadas
·
Os Lusíadas (edição anotada, com as
estrofes omitidas ou desprezadas descobertas por Faria e Sousa) (1993)
·
Obra completa, de Augusto dos Anjos (edição crítica) (1993)
·
Grandes poemas do Romantismo brasileiro (1994)
·
Obra completa, de Mário de Sá-Carneiro (1995)
·
Obra completa, de Cruz e Sousa (1995)
·
Obra reunida, de Olavo Bilac. (1996)
·
Poesia completa, de Jorge de Lima (1997)
·
Obra completa, de Almada Negreiros (1997)
·
Poesia e prosa completas,
de Gonçalves Dias (1998)
·
História trágico-marítima (1998)
·
Poesia completa e prosa,
de Vinicius de Moraes (1998)
·
Poemas de amor de Fernando Pessoa (1998)
·
Poemas de amor de Petrarca (1998)
·
Sonetos, de Luís de Camões (1998)
·
Poesias eróticas, burlescas e satíricas,
de Bocage (1999)
·
Os melhores poemas de Machado de Assis (2000)
·
História das ruas do Rio, de
Brasil Gerson, edição definitiva, conforme os originais deixados pelo autor
(2000)
·
Obra completa, de Álvares de Azevedo (2000)
·
Poesia completa, de Alphonsus de Guimaraens, com
Alphonsus de Guimaraens Filho e Afonso Henriques Neto (2000)
·
Correspondência de Alphonsus de Guimaraens (2002)
·
Poesía brasileira hoxe,
Introdución e antoloxía de Alexei Bueno, Santiago de Compostela (2004)
·
Poemas para crianças de Fernando Pessoa (2007)
·
Roteiro da Poesia Brasileira: Pré-Modernismo (2007)
·
Os mais belos sermões do Padre Antônio Vieira (2022)
·
Ubiratan Machado, bibliófilo e leitor exemplar (2022,
com Plinio Martins Filho)
Traduções
·
As Quimeras, de Gérard de Nerval (1990)
·
O homem de gênio e a melancolia, o Problema XXX, 1,
de Aristóteles, de Jackie Pigeaud (1998)
·
Teus pés toco na sombra,
de Pablo Neruda (2015)
·
John Clare: poemas (2017)
Referências
1.
Viana, Carlos (27 de junho de 2026). «Escritor brasileiro Alexei Bueno morre aos 63 anos». O Povo.
Consultado em 28 de junho de 2026
2.
O Mirante. «Morreu o poeta Alexei Bueno».
Consultado em 26 de abril de 2026. Cópia arquivada em 28 de junho de 2026
3.
«Morre o poeta, crítico e tradutor Alexei Bueno, aos 63 anos». oglobo.globo.com.
Consultado em 27 de junho de 2026
4.
Edgar Allan Poe, "O Corvo" e suas
traduções, organização de Ivo Barroso, quarta capa.
5.
Alexei Bueno, Uma história da poesia
brasileira, Prefácio.
6.
Alexei Bueno, As desaparições, quarta
capa.
7.
Alexei Bueno, João Tarcísio Bueno: O herói
de Abetaia, quarta capa.
8.
Alexei Bueno, João Tarcísio Bueno: O Herói
de Abetaia. 2a edição. Rio de Janeiro: Ermakoff,
2026. ISBN 978-65-01-91514-2.
9.
Alexei Bueno, Machado, Euclides &
outros monstros", Nota Prévia.
10. Arnaldo
Saraiva, prefácio de Desaparições.
11. Alexei
Bueno, correspondência pessoal não publicada.
12. Mires
Batista Bender, "O estranho e sofisticado Alexei Bueno", Revista
eletrônica de crítica e teoria de literaturas, Comunicações dos fóruns,
PPG-LET-UFRGS – Porto Alegre – Vol. 03 N. 02 – jul/dez 2007.
13. Uma
versão preliminar, despojada e sem ISBN, com baixa tiragem e fora do comércio,
havia sido lançada em 2017. Mais detalhes em: «O Poste, peça teatral de Alexei Bueno (resenha)».
Consultado em 26 de maio de 2026. Cópia arquivada em 26 de maio de 2026
Fonte:
Wikipédia
Foto:
Google
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