7.26.2026

ITABUNA: ENTRE A MEMÓRIA E O FUTURO (I) - Agilson Cerqueira



 ITABUNA: ENTRE A MEMÓRIA E O FUTURO 

Agilson Cerqueira 


Há cidades que apenas existem. Itabuna, não. Itabuna pulsa. Nasceu do encontro entre o Rio Cachoeira, a força da terra e a coragem de homens e mulheres que transformaram uma pequena povoação em um dos mais importantes centros urbanos do interior da Bahia.

Sua história confunde-se com a epopeia do cacau, com o empreendedorismo de seu povo, com a cultura, o comércio, a educação e a prestação de serviços que irradiam influência para todo o sul do estado. É uma cidade que aprendeu a se reinventar diante das crises econômicas e das mudanças do tempo, preservando sua vocação para o trabalho e sua capacidade de resistir.

Entretanto, toda cidade também é definida pelos desafios que decide enfrentar. Itabuna ainda convive com problemas estruturais que se repetem há décadas: infraestrutura insuficiente, mobilidade urbana limitada, ocupação desordenada, déficit de áreas verdes e, sobretudo, a ausência de um sistema de saneamento capaz de devolver dignidade ao Rio Cachoeira.

O rio que deu origem à cidade tornou-se, paradoxalmente, o maior retrato de nossas omissões. Suas águas recebem a maior parte dos esgotos produzidos pela população, comprometendo a qualidade ambiental, a saúde pública e a própria identidade da cidade. Um rio degradado revela muito mais do que um problema ambiental; revela escolhas, prioridades e a urgência de um projeto de desenvolvimento que una crescimento econômico e responsabilidade socioambiental.

Apesar disso, Itabuna continua sendo uma cidade de enorme potencial. Possui localização estratégica, forte capacidade de prestação de serviços, instituições de ensino e pesquisa, diversidade cultural e um povo que nunca perdeu a esperança de dias melhores.

Celebrar seus 116 anos não significa ignorar suas dificuldades. Ao contrário, significa reconhecer sua trajetória e reafirmar o compromisso de transformá-la. O verdadeiro desenvolvimento não se mede apenas pelo crescimento urbano, mas pela qualidade de vida, pela preservação dos recursos naturais, pelo planejamento e pelo respeito às futuras gerações.

Que este aniversário seja um convite à reflexão. Que possamos olhar para o Rio Cachoeira não como um problema insolúvel, mas como símbolo da cidade que desejamos reconstruir. Porque cuidar do rio é cuidar de Itabuna; investir em saneamento, infraestrutura e planejamento é investir na dignidade de seu povo.

Agilson Cerqueira

Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico

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