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12.02.2025

Por que o sono é vital para o corpo humano? - Raquel Rocha (*)


Por que o sono é vital para o corpo humano?

Quando foi a última vez que você dormiu realmente bem? Talvez você tenha acordado com a sensação de cansaço, mesmo depois de horas na cama. Ou talvez esteja tão acostumado a noites maldormidas que nem perceba mais o quanto isso afeta seu dia. O fato é simples e inegociável: dormir não é um luxo, é uma necessidade vital, tão essencial quanto respirar.

Mesmo assim, em uma rotina marcada por pressa, prazos e telas que nunca se apagam, o sono costuma ser o primeiro a ser sacrificado. E essa é uma escolha que cobra seu preço. Enquanto você fecha os olhos, seu corpo desperta para um trabalho intenso e silencioso, indispensável para garantir saúde, equilíbrio e vida.

Durante o sono, ocorre uma verdadeira manutenção interna. Nas fases mais profundas, os músculos se recuperam, as células se regeneram e o hormônio do crescimento é liberado. Esse hormônio é fundamental para reparar tecidos e fortalecer o corpo. Muitas dores, cansaços e até dificuldades na prática de atividades físicas podem ser resultado do sono insuficiente, e não apenas da rotina diária.

O cérebro, por sua vez, realiza uma tarefa ainda mais impressionante. Enquanto você descansa, ativa um sistema de limpeza chamado glinfático. Imagine um fluxo de água límpida que circula pelas células nervosas e remove toxinas acumuladas ao longo do dia, incluindo proteínas associadas ao Alzheimer. Quando essa limpeza não acontece de forma adequada, as consequências se acumulam ao longo do tempo.

O professor Álan Eckeli, neurologista da USP, explica: “Se nós dormirmos mal, vamos adoecer e, se pararmos de dormir, vamos falecer. Isso mostra a grande importância do sono.” Em outras palavras, o sono não representa uma simples pausa, mas uma exigência fundamental da vida.

Dormir também influencia diretamente os hormônios do apetite. Aquela vontade exagerada de comer doces e carboidratos depois de uma noite ruim tem explicação biológica. A privação de sono reduz a leptina, que provoca saciedade, e aumenta a grelina, responsável pela sensação de fome. Isso faz com que quem dorme mal consuma mais calorias e tenha maior tendência ao ganho de peso.

A imunidade também depende do sono. Durante o descanso, o corpo produz citocinas, substâncias essenciais para combater infecções. Quando o sono falha, o sistema imunológico enfraquece e infecções se tornam mais frequentes. Dormir mal hoje pode ser a razão de você adoecer amanhã.

O impacto cognitivo talvez seja um dos mais evidentes. Durante a fase REM, experiências são organizadas, memórias são consolidadas e o raciocínio ganha estrutura. Quando esse processo é interrompido, surgem desatenção, lentidão e dificuldade para tomar decisões simples, sinais claros de exaustão cerebral.

O sono é regulado por dois mecanismos essenciais: o ciclo circadiano, que responde à luz do dia, e a pressão do sono, que aumenta conforme permanecemos acordados. Quando esses dois processos funcionam em harmonia, o descanso ocorre de forma natural. Porém, quando há excesso de telas à noite, horários irregulares ou acúmulo de estresse, essa sintonia se perde.

As consequências da privação de sono são amplas e sérias. O risco de hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade, depressão, ansiedade, acidentes e até mortalidade aumenta de forma significativa. Sacrificar horas de descanso nunca representa ganho de tempo, mas um prejuízo silencioso e contínuo.

A ciência é clara: dormir não é uma escolha, é uma necessidade fisiológica. Adultos precisam, em média, de sete a nove horas de sono por noite. Mais do que isso, precisam dormir com qualidade. Vale refletir. Você tem respeitado o tempo que seu corpo pede?

Em uma sociedade acelerada, priorizar o sono pode parecer desafiador, mas é uma das decisões mais inteligentes para quem busca bem-estar. Dormir bem transforma o humor, a energia, o foco e a saúde. Dormir é descanso, mas é também cuidado, prevenção e, acima de tudo, sobrevivência.

(*)Artigo de Raquel Rocha, Neuropsicóloga, Especialista em Saúde Mental, Escritora e Presidente da Academia de Letras de Itabuna.


 Att.: O "Ponto de Leitura" considerou este artigo da neuropsicóloga Raquel Rocha, utilidade pública, pois, grande parcela da população sofre de insônia aguda (poucas semanas), ou, insônia crônica, que exige intervenção médica especializada.


Fonte: Jornal "A Região"

Foto: Google

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