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12.17.2025

Biografia de Fernando Pessoa


Biografia de Fernando Pessoa

        Fernando Pessoa (1888-1935) foi um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e figura central do Modernismo português. Poeta lírico e nacionalista cultivou uma poesia voltada aos temas tradicionais de Portugal e ao seu lirismo saudosista, que expressa reflexões sobre seu “eu profundo”, suas inquietações, sua solidão e seu tédio.

    Fernando Pessoa foi vários poetas ao mesmo tempo, criou heterônimos - poetas com personalidades próprias que escreveram sua poesia e, com eles procurou detectar, sob vários ângulos, os dramas do homem de seu tempo.

Infância e Juventude

    Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 13 de junho de 1888. Era filho de Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, que era crítico musical, e de Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, natural dos Açores. Ficou órfão de pai aos 5 anos de idade.

    Seu padrasto era o comandante militar João Miguel Rosa, que foi nomeado cônsul de Portugal em Durban, na África do Sul. Acompanhando a família, Fernando Pessoa seguiu para a África do Sul, onde recebeu educação inglesa no colégio de freiras e na Durban High School.

    Com 16 anos já havia lido os grandes autores da língua inglesa, como William Shakespeare, John Milton e Allan Poe. Em 1902 a família voltou para Lisboa. Em 1903, Fernando Pessoa retornou sozinho para a África do Sul e frequentou a Universidade de Capetown.

    Em 1905, Pessoa regressou para Lisboa e matriculou-se na Faculdade de Letras, porém deixou o curso no ano seguinte. A fim de dispor de tempo para ler e escrever, recusou vários bons empregos. Só em 1908 passou a trabalhar como tradutor autônomo em escritórios comerciais.

    Entre 1902 e 1908, Fernando Pessoa escreveu poesias somente em inglês: “Antinous”, “Sonnets” e “Inscriptions”, publicadas nos "English Poems", I, II e III. Só em 1908 começou a compor poesias e prosas em português.

Carreira Literária e o Modernismo em Portugal

    Em 1912, Fernando Pessoa estreou como crítico literário na revista “Águia”, e como poeta em “A Renascença” (1914). A partir de 1915 liderou o grupo de intelectuais que fundou a revista “Orpheu”, que lançou o Futurismo em Portugal. No grupo estavam: Mário de Sá-Carneiro, Raul Leal, Luís de Montalvor, Almada-Negreiros e o brasileiro Ronald de Carvalho.

    A revista Orpheu foi a porta-voz dos ideais de renovação futurista desejados pelo grupo, defendendo a liberdade de expressão numa época em que Portugal atravessava uma profunda instabilidade político-social da primeira república.

    Sua irreverência tinha como objetivo “escandalizar o burguês”: colocavam-se contra o provincianismo e a literatura estereotipada da tradição. Os modernistas portugueses não possuíam um programa estético literário, pretendiam mais derrubar as formas artísticas convencionais pelo escândalo. Nessa época, criou seus heterônimos principais.

    Porém, a revolução cultural que pretendiam não teve os resultados esperados. Suas revistas tiveram duração muito curta: Orpheu (1915), Exílio (1916), Centauro (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1923) e Athena (1924-1925).

    Fernando Pessoa publicou na revista Orpheu alguns poemas que escandalizaram a sociedade conservadora da época. Os poemas “Ode Triunfal” e “Opiário”, escritos por seu heterônimo Álvaro de Campos, provocaram reações violentas levando os “orfistas” a serem apontados, nas ruas, como loucos e insanos.

Heterônimos de Fernando Pessoa

    Fernando Pessoa foi vários poetas ao mesmo tempo. Tendo sido "plural", como se definiu, criou personalidades próprias para os vários poetas que conviveram nele.

    Cada um tem sua biografia e traços diferentes de personalidade. Os poetas, não são pseudônimos e sim heterônimos, isto é, indivíduos diferentes, cada qual com seu mundo próprio representando o que angustiava ou encantava seu autor.

Alberto Caeiro

    O poeta Alberto Caeiro nasceu em Lisboa, em 16 de abril de 1889. Órfão de pai e mãe, só teve instrução primária e viveu quase toda a vida no campo, sob a proteção de uma tia. Poeta de contato com a natureza, extraía dela os valores ingênuos com os quais alimentava a alma.

    Para Caeiro, “tudo é como é”, “tudo é assim como é assim”, o poeta reduz tudo à objetividade, sem a mediação do pensamento. O poema “O Guardador de Rebanhos” mostra a forma simples e natural de sentir e dizer desse poeta. Alberto Caeiro morreu tuberculoso, 1915.

Ricardo Reis

    O poeta Ricardo Reis nasceu na cidade do Porto, Portugal, no dia 19 de setembro de 1887. Teve formação em escola de jesuítas e estudou medicina. Monarquista, exilou-se no Brasil por não concordar com a Proclamação da República Portuguesa.

    Foi profundo admirador da cultura clássica, tendo estudado latim, grego e mitologia. A obra de Reis é a ode clássica, cheia de princípios aristocráticos.

Bernardo Soares

    É um dos heterônimos que o próprio Fernando Pessoa definiu como sendo um “semi-heterônimo”. É o autor do livro Desassossego.

Álvaro de Campos

    O poeta Álvaro de Campos foi o mais importante heterônimo de Fernando Pessoa, nasceu no extremo sul de Portugal, em Tavira, em 15 de outubro de 1890. É o poeta moderno, aquele que vive as ideologias do século XX. Estudou Engenharia Naval, na Escócia, mas não podia suportar viver confinado em escritórios.

    De temperamento rebelde e agressivo, seus versos reproduzem a revolta e o inconformismo, manifestados através de uma verdadeira revolução poética. Escreveu “Ode Triunfal”, “Ode Marítima” e “Tabacaria”.

    Segue uma estrofe de um dos mais importantes poemas de Álvaro de Campos “Tabacaria”. O longo poema é exemplo marcante do desalento que caracteriza o poeta:

   Tabacaria

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Fernando Pessoa como ele mesmo

    Mestre da poesia, Fernando Pessoa mostrou muito pouco de seu talento em vida. Foi na época em que colaborava com a revista “Presença” (1927) que sustentava a liberdade de expressão e apregoava a emoção estética como o real objetivo do Movimento Modernista.

    Fernando Pessoa

    Fernando Pessoa por Almeida Negreiros (Museu de Arte, Lisboa Portugal)

    O mundo poético de Pessoa é, como a expressão do próprio poeta, um mundo de criações dramáticas. O próprio poeta é visto de forma depreciativa por Augusto de Campos e Ricardo Reis: é julgado por suas próprias criações.

    Além das representações poéticas dos heterônimos, há os poemas de Fernando Pessoa, ele mesmo, como O Nada Que é Tudo, ou ainda, os famosos versos da Autopsicografia, que enunciam o mistério da criação poética que ele próprio sentiu:

  Autopsicografia

"O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração."

    Em 1934, Fernando Pessoa publicou “Mensagem”, o único livro em português que publicou em vida, e que concorreu ao Prêmio Antero de Quental do Secretariado Nacional de Informações de Lisboa, obtendo o segundo lugar.

    O livro Mensagem se divide em três partes: I Brasão, II Mar Português e III O Encoberto. É um conjunto de poemas sobre os mitos portugueses, ao estilo de Os Lusíadas de Camões, a partir de uma perspectiva nacionalista mística. Atuando como um verdadeiro "sebastianista", prega a volta do rei D. Sebastião – morto na África em 1578 – para restaurar Portugal e o Império.

    O primeiro poema de Mensagem, que pertence à primeira parte, é Ulisses, que celebra o herói grego protagonista da Odisseia:

Ulisses

O mito é o nada que é tudo.

O mesmo sol que abre os céus

É um mito brilhante e mudo -

O corpo morto de Deus,

Vivo e desnudo.

Este, que aqui aprontou,

Foi por não ser existindo.

Sem existir nos bastou.

Por não ter vindo foi vindo

E nos criou.

Assim a lenda se escorre

A entrar na realidade.

E a fecundá-la de corre.

Em baixo, a vida, metade

De nada, morre.

    Além de grande poeta, Pessoa foi também prosador. Renovou a prosa portuguesa da época, que até então seguia os padrões criados em fins do século XIX por Eça de Queirós.

    Há traduções de Fernando Pessoa e seus heterônimos em espanhol, francês. Inglês, alemão. Italiano, chinês etc.

    Fernando Pessoa, que vivia em quartos alugados, conflituoso, sujeito a crises de depressão e alcoolismo, faleceu em Lisboa, Portugal, no dia 30 de novembro de 1935, vítima de cirrose hepática.

    A biblioteca Nacional de Portugal, localizada em Lisboa, possui 99% do acervo pessoal do escritor, enquanto a Casa Fernando Pessoa guarda e preserva o espólio documental e a biblioteca que pertenceu a Fernando Pessoa.

Obras Publicadas em Vida

35 Sonnetos

Antinous

Inscriptions

Mensagem, 1934

Obras Póstumas

Poesias de Fernando Pessoa, 1942

Poesias de Álvaro de Campos, 1944

A Nova Poesia Portuguesa, 1944

Poesias de Alberto Caeiro, 1946

Odes de Ricardo Reis, 1946

Poemas Dramáticos, 1952

Poesias Inéditas I e II, 1955 e 1956

Textos Filosóficos, 2 v, 1968

Novas Poesias Inéditas, 1973

Poemas Ingleses Publicados por Fernando Pessoa, 1974

Cartas de Amor de Fernando Pessoa, 1978

Sobre Portugal, 1979

Textos de Crítica e de Intervenção, 1980

Carta de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões, 1982

Cartas de Fernando Pessoa a Armando Cortes Rodrigues, 1985

Obra Poética de Fernando Pessoa, 1986

O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro, 1986

Primeiro Fausto, 1986


Fonte: Por Dilva Frazão / Biblioteconomista e professora

Foto: Google

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