Powered By Blogger

1.13.2026

To be or not to be (resumo) - Machado de Assis


To be or not to be

Machado de Assis 

O conto foi publicado pela primeira vez no ano de 1876, em cinco partes, no Jornal das Famílias. A narrativa gira em torno de André Soares, um homem de 27 anos que está destabilizado e frustrado com a sua carreira. Quando perde uma promoção no trabalho que desejava há muito tempo, o protagonista toma uma decisão drástica: terminar com a própria vida.

No entanto, quando pega uma barca na intenção de se jogar no mar, ele conhece Cláudia, uma mulher por quem se apaixona e que altera subitamente o seu destino.

Tinha um cartão de barca na algibeira; dirigiu-se para a ponte das barcas de Niterói. Mais de um olhou para ele; ninguém podia ter idéia de que ali estava um homem em véspera de morrer. Aproximou-se a barca, entraram os passageiros, e com eles André Soares, que foi sentar-se primeiro num dos bancos interiores, à espera que a barca chegasse ao meio da baía; então procuraria a popa ou a proa e atirar-se-ia ao mar. A barca seguiu caminho; os passageiros conhecidos conversavam, os desconhecidos aborreciam-se, e neste número incluo André Soares (compreende-se) e uma moça que lhe ficava a dois palmos de distância no mesmo banco.

  

Autoria: Machado de Assis

Fonte: Pensador

Foto: Google


*****










TO BE OR NOT TO BE 

(SHAKESPEARE) 

Ser ou não ser, eis a questão. Acaso

É mais nobre a cerviz curvar aos golpes

Da ultrajosa fortuna, ou há lutando

Extenso mar vencer de acervos males?

Morrer, dormir, não mais. E um sono apenas,

Que as angústias extingue e á carne a herança

Da nossa dor eternamente acaba,

Sim, cabe ao homem suspirar por ele.

Morrer, dormir. Dormir? Sonhar, quem sabe!

Ai, eis a dúvida. Ao perpétuo sono,

Quando o lodo mortal despído houvermos,

Que sonhos hão de vir? Pesá-lo cumpre.

Essa a razão que os lutuosos dias

Alonga do infortúnio. Quem do tempo

Sofrer quisera ultrajes e castigos,

 

Injúrias da opressão, baldões do orgulho,

Do mal prezado amor choradas máguas,

Das leis a inércia, dos mandões a afronta,

E o vão desdém que de rasteiras almas

O paciente mérito recebe,

Quem, se na ponta da despida lamina

Lhe acenara o descanso? Quem ao peso

De uma vida de enfados e misérias

Quereria gemer, se não sentira

Terror de alguma não sabida coisa

Que aguarda o homem para lá da morte,

Esse eterno país misterioso

D’onde um viajou sequer já regressado?

Este só pensamento enleia o homem;

Este nos leva a suportar as dores

Já sabidas de nós, em vez de abrirmos

Caminho aos males que o futuro esconde,

E a todos acovarda a consciência.

Assim da reflexão á luz mortiça

A viva cor da decisão desmaia;

E o firme, essencial cometimento,

Que esta ideia abalou, desvia o curso,

Perde-se, até de ação perder o nome.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos

Destaques

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quant...

Última semana