Autoria: Fernando Sabino
Foto: Google
Autoria: Fernando Sabino
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ARTE,
CULTURA E FILOSOFIA
O Corvo, de Edgar Allan Poe
O poema O Corvo, do poeta americano Edgar Allan Poe (1809-1849), é considerado um dos poemas mais famosos da história. Sua ambientação melancólica, associada ao perfeito equilíbrio entre rima, sonoridade e dramaticidade causam forte impressão no leitor. De certa forma, ao ler O Corvo temos a impressão de que estamos lendo um conto de terror angustiante. Entretanto, trata-se de um belíssimo poema escrito de forma impecável em todos os aspectos literários. Por isso O Corvo é uma obra-prima inigualável.
Essa construção perfeita do poema foi realizada na língua inglesa, e as traduções comprometem o seu impacto. O poema foi traduzido para o português por grandes nomes da literatura brasileira, como Machado de Assis e Fernando Pessoa. Porém, considero a tradução de Milton Amado (1913-1974) a mais bela das traduções para o português.
Para ler o poema com todo o impacto planejado por Poe, seria necessário, obviamente, ler em inglês. Contudo, a tradução de Milton conseguiu o feito de transportar a energia singular do poema para a língua portuguesa.O tradutor, escritor e poeta brasileiro Ivo Barroso considera a tradução de Milton superior às traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa.
Milton Amado foi um jornalista e tradutor de Belo Horizonte. Não tinha a fama e o prestígio dos demais tradutores citados, contudo, quis o destino que uma das melhores traduções para o português do poema mais famoso do mundo fosse fruto de um talento pouco reconhecido. Nada mais dramático e digno de um poema de Edgar Allan Poe.
Att.:
Autor: Alfredo Carneiro – Graduado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília.
O Corvo, de Edgar Allan Poe
Tradução de Milton AmadoClássicos da literatura
O Corvo
Foi uma vez: eu refletia, à
meia-noite erma e sombria,
A ler doutrinas de outro tempo em
curiosíssimos manuais,
E, exausto, quase adormecido, ouvi
de súbito um ruído,
Tal qual se houvesse alguém batido
à minha porta, devagar.
“É alguém, fiquei a murmurar, que bate à porta, devagar;
Sim, é só isso e nada mais.”
Ah! claramente eu o relembro! Era
no gélido dezembro
E o fogo, agônico, animava o chão
de sombras fantasmais.
Ansiando ver a noite finda, em vão,
a ler, buscava ainda
Algum remédio à amarga, infinda,
atroz saudade de Lenora
Essa, mais bela do que a aurora, a
quem nos céus chamam Lenora
E nome aqui já não tem mais.
A seda rubra da cortina arfava em
lúgubre surdina,
Arrepiando-me e evocando ignotos
medos sepulcrais.
De susto, em pávida arritmia, o
coração veloz batia
E a sossegá-lo eu repetia: “É um
visitante e pede abrigo.
Chegando tarde, algum amigo está a
bater e pede abrigo.
É apenas isso e nada mais.”
Ergui-me após e, calmo enfim, sem
hesitar, falei assim:
“Perdoai, senhora, ou meu senhor,
se há muito aí fora me esperais;
Mas é que estava adormecido e foi
tão débil o batido,
Que eu mal podia ter ouvido alguém
chamar à minha porta,
Assim de leve, em hora morta.”
Escancarei então a porta:
Escuridão, e nada mais.
Sondei a noite erma e tranquila,
olhei-a a fundo, a perquiri-la,
Sonhando sonhos que ninguém,
ninguém ousou sonhar iguais.
Estarrecido de ânsia e medo, ante o
negror imoto e quedo,
Só um nome ouvi (quase em segredo
eu o dizia) e foi: “Lenora!”
E o eco, em voz evocadora, o
repetiu também: “Lenora!”
Depois, silêncio e nada mais.
Com a alma em febre, eu novamente
entrei no quarto e, de repente,
Mais forte, o ruído recomeça e
repercute nos vitrais.
“É na janela”, penso então. “Por
que agitar-me de aflição?
Conserva a calma, coração! É na
janela, onde, agourento,
O vento sopra. É só do vento esse
rumor surdo e agourento.
É o vento só e nada mais.”
Abro a janela e eis que, em
tumulto, a esvoaçar, penetra um vulto:
É um Corvo hierático e soberbo,
egresso de eras ancestrais.
Como um fidalgo passa, augusto e,
sem notar sequer meu susto,
Adeja e pousa sobre o busto, uma
escultura de Minerva,
Bem sobre a porta; e se conserva
ali, no busto de Minerva,
Empoleirado e nada mais.
Ao ver da ave austera e escura a
soleníssima figura,
Desperta em mim um leve riso, a
distrair-me de meus ais.
“Sem crista embora, ó Corvo antigo
e singular”, então lhe digo
“Não tens pavor. Fala comigo, alma
da noite, espectro torvo!”
Qual é teu nome, ó nobre Corvo, o
nome teu no inferno torvo!”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
Maravilhou-me que falasse uma ave
rude dessa classe,
Misteriosa esfinge negra, a
retorquir-me em termos tais;
Pois nunca soube de vivente algum,
outrora ou no presente,
Que igual surpresa experimente: a
de encontrar, em sua porta,
Uma ave (ou fera, pouco importa),
empoleirada em sua porta
E que se chame “Nunca mais”.
Diversa coisa não dizia, ali
pousada, a ave sombria,
Com a alma inteira a se espelhar
naquelas sílabas fatais.
Murmuro, então, vendo-a serena e
sem mover uma só pena,
Enquanto a mágoa me envenena:
“Amigos? sempre vão-se embora.
Como a esperança, ao vir a aurora,
ele também há de ir-se embora.”
E disse o Corvo: “Nunca mais.”
Vara o silêncio, com tal nexo, essa
resposta que, perplexo,
Julgo: “É só isso o que ele diz;
duas palavras sempre iguais.
Soube-as de um dono a quem tortura
uma implacável desventura
E a quem, repleto de amargura,
apenas resta um ritornelo
De seu cantar; do morto anelo, um
epitáfio: o ritornelo
De “Nunca, nunca, nunca mais”.
Como ainda o Corvo me mudasse em um
sorriso a triste face,
Girei então numa poltrona, em
frente ao busto, à ave, aos umbrais
E, mergulhado no coxim, pus-me a
inquirir (pois, para mim,
Visava a algum secreto fim) que
pretendia o antigo Corvo,
Com que intenções, horrendo, torvo,
esse ominoso e antigo Corvo
Grasnava sempre: “Nunca mais.”
Sentindo da ave, incandescente, o
olhar queimar-me fixamente,
Eu me abismava, absorto e mudo, em
deduções conjeturais.
Cismava, a fronte reclinada, a
descansar, sobre a almofada
Dessa poltrona aveludada em que a
luz cai suavemente,
Dessa poltrona em que ela, ausente,
à luz cai suavemente,
Já não repousa, ah! Nunca mais?
O ar pareceu-me então mais denso e
perfumado, qual se incenso
Ali descessem a esparzir
turibulários celestiais.
“Mísero!, exclamo. Enfim teu Deus
te dá, mandando os anjos seus,
Esquecimento, lá dos céus, para as
saudades de Lenora,
Sorve-o nepentes. Sorve-o, agora!
Esquece, olvida essa Lenora!”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
“Profeta!? brado? Ó ser do mal!
Profeta sempre, ave infernal
Que o Tentador lançou do abismo, ou
que arrojaram temporais,
De algum naufrágio, a esta maldita
e estéril terra, a esta precita
Mansão de horror, que o horror
habita, imploro, dize-mo, em verdade:
Existe um bálsamo em Galaad?
Imploro! Dize-mo, em verdade!”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
“Profeta!” exclamo. “Ó ser do mal!
Profeta sempre, ave infernal!
Pelo alto céu, por esse Deus que
adoram todos os mortais,
Fala se esta alma sob o guante
atroz da dor, no Éden distante,
Verá a deusa fulgurante a quem nos
céus chamam Lenora,
Essa, mais bela do que a aurora, a
quem nos céus chamam Lenora!”
E o Corvo disse: “Nunca mais!”
“Seja isso a nossa despedida!
Ergo-me e grito, alma incendida.
Volta de novo à tempestade, aos
negros antros infernais!
Nem leve pluma de ti reste aqui,
que tal mentira ateste!
Deixa-me só neste ermo agreste!
Alça teu voo dessa porta!
Retira a garra que me corta o peito
e vai-te dessa porta!”
E o Corvo disse: “Nunca mais!”
E lá ficou! Hirto, sombrio, ainda
hoje o vejo, horas a fio,
Sobre o alvo busto de Minerva,
inerte, sempre em meus umbrais.
No seu olhar medonho e enorme o
anjo do mal, em sonhos, dorme,
E a luz da lâmpada, disforme, atira
ao chão a sua sombra.
Nela, que ondula sobre a alfombra,
está minha alma; e, presa à sombra,
Não há de erguer-se, ai! nunca
mais!
Fonte: Postado em Blog do Editor, Podcast
| Áudios de Leitura Clássicos da literatura / O Corvo, de Edgar
Allan Poe (tradução de Milton Amado)
Imagem:
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Mulher da Vida
Mulher da Vida,
Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.
Autora: Cora Coralina
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CURTA O DIA
Carpe diem é uma expressão em latim que significa aproveite o dia. Essa
é a tradução literal, e não significa aproveitar um dia específico, mas tem o
sentido de aproveitar ao máximo o agora, apreciar o presente.
Sabe o que acabei de fazer? Não? Pois eu lhe digo: Fiz o que todo mundo anda fazendo, afinal, não quero ser um desigual dos outros. Queria porque queria saber o significado dos dizeres latinos, carpe diem. Aí, me dei a uma de modernoso. Não perguntei à professora, não quis saber do padre, ignorei os mais velhos. Fui a ela, a sabidília, pois ela sabe do ontem, do hoje e do amanhã. Põe qualquer um no bolso, seja a professora de latim; o padre artista, cantor de agora e candidato nas próximas eleições; ao mais- velho cuja mente já está falhando.
Ela, não. Saúde perfeita, tino tinindo, eternamente à disposição. Podem perguntar à vontade: ela não se cansa, não se irrita. Democrática até o tutano, atende para o bem e para o mal, seja gente de extrema direita ou de extrema esquerda. Ateus ou beatos, heteros ou homos, pretos, brancos ou indígenas. Nunca se pensou em algo tão universal. A essas alturas, já se sabe de quem se trata. Sim, ela, a magnífica, a gloriosa, a suprema inteligência artificial, apelidada de IA. Mesmo assim, se quiser dar uma passadinha na beirada da casa dela, em um de seus pontos universais, basta digitar: - Pronto! Você nunca mais será o mesmo. Para lhe evitar mais delongas, pus o vaticínio dela no alto deste texto, sinal de abertura.
Acontece que, às vezes, sou ranhento, preciso meter a mão na chaga, igual a Tomé. Amanheci com vontade de curtir, isto é, aproveitar o meu dia. Tomei minhas providências: me vesti de anonimato – roupas surradas, sandália quase se acabando.
Acontece que há dois pontos em minha cidade os quais amo de coração. Um, constituído por um quarteirão, na avenida principal; outro, a praça mais agradável da cidade. Por esses pontos, passa desnuda a alma de meu povo, travestido de ocidentais, sul-americanos, nordestinos, baianos, grapiúnas. Tem de tudo o que a boca come. Gente gorda, esparramando pneus pelas laterais; outras, espigadas de corpo, verdadeiros varapaus. Olhe, enfim, tem de tudo mesmo.
Quando você quiser ver a alma do povo faça assim: escolha a calçada de um quarteirão, na artéria principal de sua cidade. Lá, se misture aos transeuntes e preste atenção nos fragmentos de conversas entre as pessoas que estejam à sua frente, nas laterais e por trás. Você vai ouvir coisas do arco da velha. Não se descuide de observar o que elas trazem: maletas, embrulhos, pacotes, bolsas, sacolas, sacos de todo tipo. Muitos sacos plásticos. É bom até cogitar sobre o que elas conduzem com tanto cuidado e zelo, escondido nos trambolhos.
Ah, sim: não se descuide dos calçados, das cores das vestes. Normalmente, roupas fofolanas, um espetáculo... Não despreze os detalhes, a exemplo dos penteados. Você vai descobrir coisas das quais nem nunca ouviu falar.
Mas o bom mesmo foi quando passei pela esquina da referida praça. Duas senhoras, por sinal, meio gordas, conversavam animadas, alegremente. Até aí, novidade alguma. Acontece que cada uma estava sentada em cadeira de braços, branca, de plástico. E o mais sério: as cadeiras estavam em pontos opostos da largura da calçada. Elas deixaram uma passagem de mais ou menos metro e meio entre as cadeiras, por onde os circulantes teriam de passar, obrigatoriamente, por entre elas.
Foi aí que se deu o encanto natalino. Ao passar por entre elas, bradei: – Dá licença, amadas e alegres senhoras. Feliz Natal, feliz Natal, feliz Natal! Aí, as portas do Paraíso se abriram e elas se revelaram em sua essência divinal. Gente, eram dois anjos celestiais, disfarçados em matronas gorduchas. Bradaram assim, alternadamente: – Bom dia, bom dia! Ô, quanta gentileza de sua parte. Que as bênçãos dos Céu lhe cubram em corpo, mente e espírito. Que seu Natal tenha tanta coisa boa, para que você nunca mais se esqueça de que, um dia, passou por nós. Seja abençoado da parte de Deus e da Virgem Maria!
De relance, pensei: gente, o que é isso? Pessoas populares usando esse tipo de vocabulário? Confesso: me senti atingido por um drone russo sobre a Ucrânia. No caso, a Ucrânia era eu, um frangalho; elas, um facho de luz, nunca invasoras da terra alheia. Mal tive tempo de brincar: – É Natal! Hô, hô, hô!
Retomei meu caminho e segui adiante. Dei uma paradinha e olhei para trás. Elas acenaram para mim, comedidamente, com um largo e santo sorriso enternecedor. Pelo caminho, vim me perguntando: Oh, fiel espelho meu, existe alguém mais abençoado do que eu? Ele permaneceu calado. Até agora, não me disse nada.
Voltei
para casa. Meu Natal já estava completo. Pois é, conforme dizia a Velha Nanewá,
“quem do pouco se admira corra o mundo que vê mais.” Por isso mesmo, nunca
deixe de curtir, isto é, de aproveitar o seu dia, carpe diem.
Fonte: Ruy Póvoas
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MANIFESTO DE UM PROFESSOR EM ESTADO DE LUTO
Não
é cansaço. É indignação.
Não
é desgaste individual. É um projeto político. Se eu morresse amanhã, não seria
apenas de exaustão física, mas de asfixia simbólica. Morreria por ser professor
em um sistema que insiste em nos esvaziar enquanto finge nos homenagear em
datas comemorativas.
Sou
professor há trinta anos. E isso, hoje, não é medalha: é prova de resistência.
Denuncio que o conselho de classe deixou de ser um espaço pedagógico para se
tornar instrumento burocrático de legitimação de decisões já tomadas. Chamam-no
de soberano, mas sua soberania é frágil, condicional, revogável por gabinetes
distantes da escola e alheios à realidade da sala de aula. Que soberania é essa
que se curva a planilhas, metas, indicadores e pressões políticas? Que
democracia é essa em que eu falo, registro, avalio, mas não decido?
Hoje
me dizem, sem pudor: avaliar demais reprova estatísticas, exigir demais
atrapalha índices, ensinar demais exclui. O conteúdo virou obstáculo. O
conhecimento, um risco. A recuperação, um favor. O professor foi rebaixado a
monitor de presença, vigilante de corredores, preenchedor de sistemas, executor
de ordens que contradizem a ética pedagógica. Não se exige que o aluno aprenda.
Exige-se que ele passe. E se não passou por mérito, passa por decreto.
Se
não estudou, avança por consenso forçado. Se nada produziu, é promovido para
não constranger o sistema. E quando tudo falha, a culpa recai sobre o
professor. Sou violentado quando minha avaliação é desautorizada. Sou
violentado quando minha prática é invalidada. Sou violentado quando a educação
é transformada em gestão de números. Isso não é inclusão.
Isso
é fraude pedagógica institucionalizada. Não me peçam silêncio. Não me peçam
cumplicidade. Não me peçam para assinar atas que enterram o sentido do meu
trabalho.
Ser
professor não é caridade. Não é vocação romântica. Não é missão religiosa. É
profissão. É ciência. É responsabilidade social.
Exijo respeito à autonomia docente. Exijo que o conselho de classe seja, de fato, deliberativo. Exijo que a Secretaria de Educação pare de legislar contra a escola. Porque quando o professor é desmoralizado, não sou apenas eu que perco: perde o aluno, perde a escola pública, perde a sociedade. Este manifesto não é despedida. É resistência. E se um dia escreverem na minha lápide: “Foi professor por trinta anos”, que isso seja entendido como denúncia histórica de um tempo em que ensinar passou a ser ato político, e resistir, uma obrigação ética.
Autor: Moisés
Aguiar
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Donald John Trump nasceu em 14 de junho de 1946, o quarto de cinco filhos de Mary Anne MacLeod Trump e seu marido, Frederick Christ Trump, Sr. A mãe de Trump nasceu na Escócia e emigrou para os Estados Unidos em 1930. Seu pai nasceu na cidade de Nova York, filho de imigrantes alemães. Durante a infância de Trump, a família morava em um bairro nobre do Queens, em Nova York, conhecido como Jamaica Estates.
Fred Trump era dono e administrava uma bem-sucedida empresa imobiliária chamada Elizabeth Trump & Son, nomeada em homenagem à sua mãe e a ele próprio, que desenvolvia propriedades para famílias brancas de classe média no Queens, Brooklyn e Staten Island. Quando atingiram a idade apropriada, os três filhos de Trump — Fred Jr., Donald e Robert — trabalharam para a empresa em canteiros de obras e escritórios. As filhas dos Trumps, Elizabeth e Maryanne, não trabalharam para a empresa familiar. Donald e Robert Trump acabaram se envolvendo nos negócios do pai quando adultos. Seu irmão Fred tornou-se piloto de avião e morreu de alcoolismo em 1981. Donald Trump cita a luta fatal de seu irmão contra o vício como a razão pela qual ele não bebe. Robert morreu em 2020 e Maryanne em 2023.
Quando criança, Trump apresentou dificuldades comportamentais. "Ele era um garoto bem travesso quando pequeno", lembrou seu pai mais tarde. Em um esforço para incutir um senso de disciplina, seus pais o matricularam aos 13 anos na Academia Militar de Nova York, ao norte da cidade de Nova York. Trump relatou que gostava dos exercícios e do estilo de vida, mas a academia marcou o limite de seu envolvimento com as forças armadas. Ele se matriculou na Universidade Fordham, na cidade de Nova York, e depois se transferiu para a Universidade da Pensilvânia, onde obteve o diploma de bacharel em economia pela Wharton School of Finance and Commerce da Penn em 1968.
Durante a Guerra do Vietnã, no final da década de 1960, quando Trump tinha pouco mais de 20 anos, ele usou isenções por estar na faculdade e por motivos médicos (devido a um diagnóstico de esporão ósseo) para evitar o alistamento nas Forças Armadas. Quando os Estados Unidos instituíram um sistema de sorteio para o serviço militar em 1969, numa tentativa de tornar o recrutamento mais aleatório e menos dependente de isenções, o aniversário de Trump foi o número 356 entre 366 no sorteio. Ele não foi convocado.
Trump iniciou sua carreira empresarial ainda na faculdade, investindo em imóveis na Filadélfia. Ao concluir sua graduação em 1968, retornou a Nova York e se juntou aos negócios do pai em tempo integral. Críticas públicas e escândalos marcaram o início da carreira de Trump. Em 1973, o Departamento de Justiça dos EUA acusou a empresa Trump de discriminação contra potenciais inquilinos afro-americanos. Embora a empresa não tenha admitido irregularidades, resolveu a questão concordando em alugar mais apartamentos para inquilinos negros.
Na década de 1970, Trump ajudou a expandir os negócios, comprando propriedades fora da cidade de Nova York em locais como Virgínia, Ohio, Nevada e Califórnia. Ao mesmo tempo, ele expressou interesse em expandir as operações imobiliárias da empresa para mais perto de casa, saindo dos bairros periféricos de Nova York e entrando em Manhattan, uma área tradicionalmente mais rica e da "alta sociedade". Em meados da década de 1970, a agora renomeada Organização Trump já havia se expandido para os arranha-céus de Manhattan.
A primeira grande jogada de Trump, em 1976, foi desenvolver o Hotel Grand Hyatt no terreno do então falido Hotel Commodore, da Penn Central Railroad. Embora a Organização Trump não tivesse dinheiro suficiente para comprar o hotel, Trump usou seu relacionamento pessoal com a rede de hotéis Hyatt e a influência política de seu pai (Fred Trump era um membro proeminente do Partido Democrata do Brooklyn) para negociar um acordo incomum com o governo da cidade de Nova York. Trump recebeu uma isenção fiscal de 40 anos, ou seja, uma suspensão do pagamento do IPTU do hotel. Originalmente avaliada em US$ 4 milhões por ano, a isenção totalizou aproximadamente US$ 400 milhões ao longo de 40 anos devido à inflação no valor do imóvel e às mudanças na legislação tributária. Ele então usou a promessa dessa economia para persuadir o Commodore a vendê-lo para ele e a Hyatt a se tornar sua parceira. "Tudo o que meus amigos Fred e Donald querem nesta cidade, eles conseguem", teria dito o prefeito de Nova York, Abraham Beame, sobre o acordo.
Na década de 1980, Donald Trump consolidou sua reputação como um grande incorporador imobiliário. Ele construiu o complexo de apartamentos cooperativos de 36 andares chamado Trump Plaza, bem como a Trump Tower na Quinta Avenida, que abrigava lojas de luxo, a residência particular de Trump e a sede de sua empresa. Ele também expandiu seus negócios para o ramo de cassinos em Atlantic City, Nova Jersey, construindo o Trump Plaza Hotel and Casino (originalmente chamado Harrah's at Trump Plaza) e o Trump Castle. Em 1990, construiu o Trump Taj Mahal a um custo de quase US$ 1 bilhão — ele o chamou de “a oitava maravilha do mundo”.
Apesar dessas grandes operações comerciais, a Organização Trump enfrentou sérios desafios financeiros. Trump contraiu empréstimos significativos para financiar os hotéis e cassinos. A situação tornou-se tão grave em 1990 que Fred Trump, então com mais de 80 anos, comprou mais de US$ 3 milhões em fichas de cassino no Trump Castle para que o cassino pudesse pagar os juros. Essa compra foi posteriormente considerada um empréstimo ilegal, e Nova Jersey aplicou uma multa de US$ 65.000. Duas empresas de propriedade de Trump entraram com pedido de falência durante esse período: o Trump Taj Mahal em 1991 e o Trump Plaza Hotel em 1992. Uma biografia pouco lisonjeira de Donald Trump, publicada em 1993, intitulada " Magnata Perdido ", declarava que ele havia se tornado um "motivo de chacota pública" em decorrência de seus fracassos empresariais.
Nos anos que se seguiram, Trump usou a proteção contra falência para reestruturar as dívidas das diversas empresas que compunham a Organização Trump, conseguindo efetuar pagamentos mesmo acumulando mais dívidas com taxas de juros mais altas. Como explicou, em retrospectiva, em 2011: "Usei as leis deste país para reduzir a dívida."
Ele também criou uma empresa de capital aberto, a Trump Hotels and Casino Resorts, protegendo-se de responsabilidades financeiras e permitindo-lhe vender ações ao público em geral. Inicialmente, ele detinha 56% das ações, o que lhe conferia a maioria e, portanto, o controle total da empresa, que adquiriu diversas propriedades e empresas da Organização Trump. Em 2004, a empresa não conseguiu pagar seus empréstimos e não obteve lucro. Entrou com pedido de recuperação judicial e Trump reduziu sua participação acionária para 27%, abandonando um papel ativo na empresa.
O próprio Trump culpou o declínio geral de Atlantic City pelos fracassos de sua empresa, embora os críticos apontassem que seus cassinos nunca haviam prosperado, mesmo quando a economia de jogos de azar de Atlantic City era forte. As tentativas de reerguer a empresa fracassaram, e ela entrou em falência novamente em 2009 e 2014. Quando Trump anunciou sua candidatura à presidência em 2015, seus negócios de jogos de azar haviam parado completamente. Os acionistas da empresa perderam seus investimentos, e muitos fornecedores e credores sofreram prejuízos, mas as perdas financeiras pessoais de Trump foram atenuadas por suas ações financeiras e legais.
Durante sua tumultuada carreira empresarial, Donald Trump manteve a aparência pública de um sucesso estrondoso. Mesmo com o fracasso de seus negócios imobiliários e de jogos de azar, ele conseguiu proteger sua marca e diversificar seus investimentos para o licenciamento de empresas nos Estados Unidos e no exterior. Em 2004, o New York Times observou: “Seu nome se tornou sinônimo de sucesso, de modo que até mesmo os reveses mais humilhantes mal afetam sua reputação… As regras que regem os outros simplesmente não se aplicam a Trump.”
Trabalhando com escritores fantasmas, Trump publicou diversos livros de instruções e conselhos de negócios, incluindo o amplamente lido "Trump: A Arte da Negociação" , lançado originalmente em 1987. Ele licenciou o nome "Trump" para campos de golfe, resorts e produtos de marca própria, desde bifes e vodca até água engarrafada. De 1996 a 2015, foi proprietário dos concursos de beleza Miss EUA, Miss Teen EUA e Miss Universo. Em 2015, as emissoras de televisão Univision e NBC se recusaram a transmitir os concursos em resposta aos ataques racistas de Trump contra imigrantes latino-americanos durante sua campanha presidencial. No ano seguinte, Trump anunciou que havia resolvido os processos judiciais com elas e vendido sua participação nos concursos.
A expansão de Trump na indústria do entretenimento atingiu o auge com sua participação no reality show de sucesso " O Aprendiz" (The Apprentice ), exibido pela NBC de 2004 a 2015. Trump interpretava a si mesmo no programa, que colocava aspirantes a líderes empresariais uns contra os outros em uma série de desafios. Trump avaliava o desempenho dos participantes e eliminava os concorrentes, dizendo a cada semana a um dos perdedores: "Você está demitido". O programa e seu derivado, " O Aprendiz Celebridades" (Celebrity Apprentice ), foram amplamente assistidos. Eles ajudaram Trump a alcançar o público nacional e confirmaram, para muitos telespectadores, a imagem de Trump como um empresário bem-sucedido e carismático, que falava a verdade sem rodeios, mesmo quando difícil de ouvir. Somente quando Trump anunciou formalmente sua candidatura à presidência com retórica anti-imigrante e racista, a NBCUniversal encerrou formalmente sua parceria com o programa.
Os interesses comerciais de Trump estão reunidos em uma entidade conhecida como Organização Trump, descendente da empresa fundada por sua avó e seu pai. Trump assumiu o controle da empresa em 1971, renomeou-a em 1973 e concedeu a liderança formal a seus filhos, Donald Jr. e Eric, em 2017. Diferentemente de uma empresa típica que detém oficialmente suas subsidiárias, a Organização Trump é um conjunto de aproximadamente 500 entidades comerciais individuais, todas pertencentes principalmente ou exclusivamente a Donald Trump. Nenhuma dessas empresas constituintes tem ações negociadas em bolsa, portanto, não são obrigadas a divulgar publicamente sua situação financeira ou valor (como as empresas de capital aberto). Como Donald Trump, em uma quebra de precedentes recentes que remontam ao presidente Richard Nixon, nunca divulgou sua declaração de imposto de renda pessoal, uma avaliação completa das finanças da Organização Trump se mostrou impossível.
Quando Donald Trump foi eleito presidente pela primeira vez, em novembro de 2016, a Organização Trump possuía um vasto número de empresas, produtos e contratos de licenciamento. Esses ativos incluíam pelo menos uma dúzia de resorts de golfe nos Estados Unidos e cinco em outros países; oito propriedades hoteleiras nos EUA e seis no exterior; e dezenas de outros imóveis ao redor do mundo. Em agosto de 2016, o New York Times noticiou que seus imóveis acumulavam uma dívida de pelo menos US$ 650 milhões. Como candidato, Trump se vangloriou de seus altos níveis de endividamento e de sua capacidade de reduzir ou eliminar sua obrigação de pagar imposto de renda, apesar de seu altíssimo patrimônio líquido. (O valor exato de sua riqueza tem sido e continua sendo debatido.) Evitar impostos, disse ele durante um debate com Hillary Clinton no outono de 2016, “me torna inteligente”.
Os negócios de Trump também estiveram envolvidos em um grande número de processos judiciais, tanto como réus quanto como autores. O jornal USA Today noticiou que, até 2016, Trump ou uma de suas empresas estiveram envolvidos em 3.500 processos judiciais em tribunais federais e estaduais. Trump foi o autor em 1.900, processando terceiros; em 1.450, ele foi o réu. Os demais incluíam outros tipos de casos, inclusive falências.
Após sua eleição em 2016, a Organização Trump resolveu diversos casos de grande repercussão. Três deles envolviam alegações de fraude ao consumidor por parte da então extinta Universidade Trump, uma empresa com fins lucrativos fundada em 2005 que oferecia cursos de imóveis e prometia ensinar os segredos do sucesso pessoal de Trump. Trump pagou US$ 25 milhões para encerrar esses processos, sem admitir qualquer irregularidade. Ele também fechou a Fundação Trump, uma organização beneficente sem fins lucrativos, após relatos de que não havia contribuído com seu próprio dinheiro para a fundação desde 2008, mas sim o utilizado para distribuir dinheiro que solicitava de terceiros e que poderia ter se envolvido em transações ilegais em benefício próprio.
A carreira empresarial de Trump, a natureza peculiar da Organização Trump e os níveis desconhecidos, porém substanciais, de endividamento pessoal relacionados à sua vasta carteira de ativos globais criaram uma situação sem precedentes quando ele foi eleito presidente. Muitos observadores políticos expressaram preocupação com o potencial de conflitos de interesse entre seus negócios e suas decisões presidenciais.
Os críticos temiam que ele inevitavelmente violasse a cláusula de emolumentos da Constituição dos EUA, que proíbe funcionários federais de receberem presentes ou pagamentos (ou qualquer outra coisa de valor) de um líder estrangeiro. Qualquer líder, empresa ou pessoa estrangeira que fizesse negócios com uma propriedade de Trump, alegavam esses críticos, colocaria dinheiro no bolso de Donald Trump. O próprio Trump rejeitou os apelos para se desvincular completamente de seus negócios, declarando que, em vez disso, entregaria as operações diárias da Organização Trump a seus filhos adultos. Estes, por sua vez, prometeram evitar fazer novos negócios com países estrangeiros. Essas medidas pouco fizeram para acalmar as preocupações dos críticos sobre o potencial de conflitos de interesse. PresidentDonald Tr
Donald John Trump nasceu em 14 de
junho de 1946, o quarto de cinco filhos de Mary Anne MacLeod Trump e seu
marido, Frederick Christ Trump, Sr. A mãe de Trump nasceu na Escócia e emigrou
para os Estados Unidos em 1930. Seu pai nasceu na cidade de Nova York, filho de
imigrantes alemães. Durante a infância de Trump, a família morava em um bairro
nobre do Queens, em Nova York, conhecido como Jamaica Estates.
Fred Trump era dono e administrava
uma bem-sucedida empresa imobiliária chamada Elizabeth Trump & Son, nomeada
em homenagem à sua mãe e a ele próprio, que desenvolvia propriedades para
famílias brancas de classe média no Queens, Brooklyn e Staten Island. Quando
atingiram a idade apropriada, os três filhos de Trump — Fred Jr., Donald e
Robert — trabalharam para a empresa em canteiros de obras e escritórios. As
filhas dos Trumps, Elizabeth e Maryanne, não trabalharam para a empresa
familiar. Donald e Robert Trump acabaram se envolvendo nos negócios do pai
quando adultos. Seu irmão Fred tornou-se piloto de avião e morreu de alcoolismo
em 1981. Donald Trump cita a luta fatal de seu irmão contra o vício como a
razão pela qual ele não bebe. Robert morreu em 2020 e Maryanne em 2023.
Quando criança, Trump apresentou
dificuldades comportamentais. "Ele era um garoto bem travesso quando
pequeno", lembrou seu pai mais tarde. Em um esforço para incutir um senso
de disciplina, seus pais o matricularam aos 13 anos na Academia Militar de Nova
York, ao norte da cidade de Nova York. Trump relatou que gostava dos exercícios
e do estilo de vida, mas a academia marcou o limite de seu envolvimento com as
forças armadas. Ele se matriculou na Universidade Fordham, na cidade de Nova York,
e depois se transferiu para a Universidade da Pensilvânia, onde obteve o
diploma de bacharel em economia pela Wharton School of Finance and Commerce da
Penn em 1968.
Durante a Guerra do Vietnã, no final
da década de 1960, quando Trump tinha pouco mais de 20 anos, ele usou isenções
por estar na faculdade e por motivos médicos (devido a um diagnóstico de
esporão ósseo) para evitar o alistamento nas Forças Armadas. Quando os Estados
Unidos instituíram um sistema de sorteio para o serviço militar em 1969, numa
tentativa de tornar o recrutamento mais aleatório e menos dependente de
isenções, o aniversário de Trump foi o número 356 entre 366 no sorteio. Ele não
foi convocado.
Trump iniciou sua carreira
empresarial ainda na faculdade, investindo em imóveis na Filadélfia. Ao
concluir sua graduação em 1968, retornou a Nova York e se juntou aos negócios
do pai em tempo integral. Críticas públicas e escândalos marcaram o início da
carreira de Trump. Em 1973, o Departamento de Justiça dos EUA acusou a empresa
Trump de discriminação contra potenciais inquilinos afro-americanos. Embora a
empresa não tenha admitido irregularidades, resolveu a questão concordando em
alugar mais apartamentos para inquilinos negros.
Na década de 1970, Trump ajudou a
expandir os negócios, comprando propriedades fora da cidade de Nova York em
locais como Virgínia, Ohio, Nevada e Califórnia. Ao mesmo tempo, ele expressou
interesse em expandir as operações imobiliárias da empresa para mais perto de
casa, saindo dos bairros periféricos de Nova York e entrando em Manhattan, uma
área tradicionalmente mais rica e da "alta sociedade". Em meados da
década de 1970, a agora renomeada Organização Trump já havia se expandido para
os arranha-céus de Manhattan.
A primeira grande jogada de Trump, em
1976, foi desenvolver o Hotel Grand Hyatt no terreno do então falido Hotel
Commodore, da Penn Central Railroad. Embora a Organização Trump não tivesse
dinheiro suficiente para comprar o hotel, Trump usou seu relacionamento pessoal
com a rede de hotéis Hyatt e a influência política de seu pai (Fred Trump era
um membro proeminente do Partido Democrata do Brooklyn) para negociar um acordo
incomum com o governo da cidade de Nova York. Trump recebeu uma isenção fiscal
de 40 anos, ou seja, uma suspensão do pagamento do IPTU do hotel. Originalmente
avaliada em US$ 4 milhões por ano, a isenção totalizou aproximadamente US$ 400
milhões ao longo de 40 anos devido à inflação no valor do imóvel e às mudanças
na legislação tributária. Ele então usou a promessa dessa economia para persuadir
o Commodore a vendê-lo para ele e a Hyatt a se tornar sua parceira. "Tudo
o que meus amigos Fred e Donald querem nesta cidade, eles conseguem",
teria dito o prefeito de Nova York, Abraham Beame, sobre o acordo.
Na década de 1980, Donald Trump consolidou
sua reputação como um grande incorporador imobiliário. Ele construiu o complexo
de apartamentos cooperativos de 36 andares chamado Trump Plaza, bem como a
Trump Tower na Quinta Avenida, que abrigava lojas de luxo, a residência
particular de Trump e a sede de sua empresa. Ele também expandiu seus negócios
para o ramo de cassinos em Atlantic City, Nova Jersey, construindo o Trump
Plaza Hotel and Casino (originalmente chamado Harrah's at Trump Plaza) e o
Trump Castle. Em 1990, construiu o Trump Taj Mahal a um custo de quase US$ 1
bilhão — ele o chamou de “a oitava maravilha do mundo”.
Apesar dessas grandes operações
comerciais, a Organização Trump enfrentou sérios desafios financeiros. Trump
contraiu empréstimos significativos para financiar os hotéis e cassinos. A
situação tornou-se tão grave em 1990 que Fred Trump, então com mais de 80 anos,
comprou mais de US$ 3 milhões em fichas de cassino no Trump Castle para que o
cassino pudesse pagar os juros. Essa compra foi posteriormente considerada um
empréstimo ilegal, e Nova Jersey aplicou uma multa de US$ 65.000. Duas empresas
de propriedade de Trump entraram com pedido de falência durante esse período: o
Trump Taj Mahal em 1991 e o Trump Plaza Hotel em 1992. Uma biografia pouco
lisonjeira de Donald Trump, publicada em 1993, intitulada " Magnata
Perdido ", declarava que ele havia se tornado um
"motivo de chacota pública" em decorrência de seus fracassos
empresariais.
Nos anos que se seguiram, Trump usou
a proteção contra falência para reestruturar as dívidas das diversas empresas
que compunham a Organização Trump, conseguindo efetuar pagamentos mesmo
acumulando mais dívidas com taxas de juros mais altas. Como explicou, em
retrospectiva, em 2011: "Usei as leis deste país para reduzir a
dívida."
Ele também criou uma empresa de
capital aberto, a Trump Hotels and Casino Resorts, protegendo-se de
responsabilidades financeiras e permitindo-lhe vender ações ao público em
geral. Inicialmente, ele detinha 56% das ações, o que lhe conferia a maioria e,
portanto, o controle total da empresa, que adquiriu diversas propriedades e
empresas da Organização Trump. Em 2004, a empresa não conseguiu pagar seus
empréstimos e não obteve lucro. Entrou com pedido de recuperação judicial e
Trump reduziu sua participação acionária para 27%, abandonando um papel ativo
na empresa.
O próprio Trump culpou o declínio
geral de Atlantic City pelos fracassos de sua empresa, embora os críticos
apontassem que seus cassinos nunca haviam prosperado, mesmo quando a economia
de jogos de azar de Atlantic City era forte. As tentativas de reerguer a
empresa fracassaram, e ela entrou em falência novamente em 2009 e 2014. Quando
Trump anunciou sua candidatura à presidência em 2015, seus negócios de jogos de
azar haviam parado completamente. Os acionistas da empresa perderam seus
investimentos, e muitos fornecedores e credores sofreram prejuízos, mas as
perdas financeiras pessoais de Trump foram atenuadas por suas ações financeiras
e legais.
Durante sua tumultuada carreira
empresarial, Donald Trump manteve a aparência pública de um sucesso estrondoso.
Mesmo com o fracasso de seus negócios imobiliários e de jogos de azar, ele
conseguiu proteger sua marca e diversificar seus investimentos para o
licenciamento de empresas nos Estados Unidos e no exterior. Em 2004,
o New York Times observou: “Seu nome se tornou
sinônimo de sucesso, de modo que até mesmo os reveses mais humilhantes mal
afetam sua reputação… As regras que regem os outros simplesmente não se aplicam
a Trump.”
Trabalhando com escritores fantasmas,
Trump publicou diversos livros de instruções e conselhos de negócios, incluindo
o amplamente lido "Trump: A Arte da Negociação" ,
lançado originalmente em 1987. Ele licenciou o nome "Trump" para
campos de golfe, resorts e produtos de marca própria, desde bifes e vodca até
água engarrafada. De 1996 a 2015, foi proprietário dos concursos de beleza Miss
EUA, Miss Teen EUA e Miss Universo. Em 2015, as emissoras de televisão
Univision e NBC se recusaram a transmitir os concursos em resposta aos ataques
racistas de Trump contra imigrantes latino-americanos durante sua campanha
presidencial. No ano seguinte, Trump anunciou que havia resolvido os processos
judiciais com elas e vendido sua participação nos concursos.
A expansão de Trump na indústria do entretenimento
atingiu o auge com sua participação no reality show de sucesso
" O Aprendiz" (The Apprentice ), exibido pela
NBC de 2004 a 2015. Trump interpretava a si mesmo no programa, que colocava
aspirantes a líderes empresariais uns contra os outros em uma série de
desafios. Trump avaliava o desempenho dos participantes e eliminava os
concorrentes, dizendo a cada semana a um dos perdedores: "Você está
demitido". O programa e seu derivado, " O Aprendiz
Celebridades" (Celebrity Apprentice ), foram amplamente
assistidos. Eles ajudaram Trump a alcançar o público nacional e confirmaram,
para muitos telespectadores, a imagem de Trump como um empresário bem-sucedido
e carismático, que falava a verdade sem rodeios, mesmo quando difícil de ouvir.
Somente quando Trump anunciou formalmente sua candidatura à presidência com
retórica anti-imigrante e racista, a NBCUniversal encerrou formalmente sua
parceria com o programa.
Os interesses comerciais de Trump
estão reunidos em uma entidade conhecida como Organização Trump, descendente da
empresa fundada por sua avó e seu pai. Trump assumiu o controle da empresa em
1971, renomeou-a em 1973 e concedeu a liderança formal a seus filhos, Donald
Jr. e Eric, em 2017. Diferentemente de uma empresa típica que detém oficialmente
suas subsidiárias, a Organização Trump é um conjunto de aproximadamente 500
entidades comerciais individuais, todas pertencentes principalmente ou
exclusivamente a Donald Trump. Nenhuma dessas empresas constituintes tem ações
negociadas em bolsa, portanto, não são obrigadas a divulgar publicamente sua
situação financeira ou valor (como as empresas de capital aberto). Como Donald
Trump, em uma quebra de precedentes recentes que remontam ao presidente Richard
Nixon, nunca divulgou sua declaração de imposto de renda pessoal, uma avaliação
completa das finanças da Organização Trump se mostrou impossível.
Quando Donald Trump foi eleito
presidente pela primeira vez, em novembro de 2016, a Organização Trump possuía
um vasto número de empresas, produtos e contratos de licenciamento. Esses
ativos incluíam pelo menos uma dúzia de resorts de golfe nos Estados Unidos e
cinco em outros países; oito propriedades hoteleiras nos EUA e seis no
exterior; e dezenas de outros imóveis ao redor do mundo. Em agosto de 2016, o New
York Times noticiou que seus imóveis acumulavam uma dívida de
pelo menos US$ 650 milhões. Como candidato, Trump se vangloriou de seus altos
níveis de endividamento e de sua capacidade de reduzir ou eliminar sua
obrigação de pagar imposto de renda, apesar de seu altíssimo patrimônio
líquido. (O valor exato de sua riqueza tem sido e continua sendo debatido.)
Evitar impostos, disse ele durante um debate com Hillary Clinton no outono de
2016, “me torna inteligente”.
Os negócios de Trump também estiveram
envolvidos em um grande número de processos judiciais, tanto como réus quanto
como autores. O jornal USA Today noticiou que, até
2016, Trump ou uma de suas empresas estiveram envolvidos em 3.500 processos
judiciais em tribunais federais e estaduais. Trump foi o autor em 1.900,
processando terceiros; em 1.450, ele foi o réu. Os demais incluíam outros tipos
de casos, inclusive falências.
Após sua eleição em 2016, a
Organização Trump resolveu diversos casos de grande repercussão. Três deles
envolviam alegações de fraude ao consumidor por parte da então extinta
Universidade Trump, uma empresa com fins lucrativos fundada em 2005 que
oferecia cursos de imóveis e prometia ensinar os segredos do sucesso pessoal de
Trump. Trump pagou US$ 25 milhões para encerrar esses processos, sem admitir
qualquer irregularidade. Ele também fechou a Fundação Trump, uma organização
beneficente sem fins lucrativos, após relatos de que não havia contribuído com
seu próprio dinheiro para a fundação desde 2008, mas sim o utilizado para distribuir
dinheiro que solicitava de terceiros e que poderia ter se envolvido em
transações ilegais em benefício próprio.
A carreira empresarial de Trump, a
natureza peculiar da Organização Trump e os níveis desconhecidos, porém
substanciais, de endividamento pessoal relacionados à sua vasta carteira de
ativos globais criaram uma situação sem precedentes quando ele foi eleito
presidente. Muitos observadores políticos expressaram preocupação com o
potencial de conflitos de interesse entre seus negócios e suas decisões
presidenciais.
Os críticos temiam que ele
inevitavelmente violasse a cláusula de emolumentos da Constituição dos EUA, que
proíbe funcionários federais de receberem presentes ou pagamentos (ou qualquer
outra coisa de valor) de um líder estrangeiro. Qualquer líder, empresa ou
pessoa estrangeira que fizesse negócios com uma propriedade de Trump, alegavam
esses críticos, colocaria dinheiro no bolso de Donald Trump. O próprio Trump
rejeitou os apelos para se desvincular completamente de seus negócios, declarando
que, em vez disso, entregaria as operações diárias da Organização Trump a seus
filhos adultos. Estes, por sua vez, prometeram evitar fazer novos negócios com
países estrangeiros. Essas medidas pouco fizeram para acalmar as preocupações
dos críticos sobre o potencial de conflitos de interesse.
da Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill
Foto: Shutterstock/Debby Wong
- Ateu, não: agnóstico
- Pois eu te dou quinhentas pratas se você me disser o que quer dizer essa palavra.
- Ora, para começar você não tem quinhentas pratas. Estou conversando a sério e
você me vem com molecagem. Acho que Deus é uma coisa, os padres outra. O ranço
das sacristias me enoja. Tenho horror ao bafo clerical dos confessionários! O
bem que a confissão pode nos fazer é o de uma catarse, um extravasamento, que a
psicanálise também faz, e com mais sucesso. Estou mesmo com vontade de me
especializar em psiquiatria.
- Só mesmo um doido de procuraria
Maur não pôde deixar de rir. Eduardo acrescentou:
- Você vai ter de se curar para depois curar os outros.
- É isso mesmo - concordo o outro, sério - Estou exatamente preocupado com o
meu próprio caso. Já iniciei o que eu chamo de "a minha libertação".
- E o que eu chamo de "a sua imbecilização".
- Vista pela sua, que já é completa. O que eu chamo de libertação é a
possibilidade de me afirmar integralmente, como homem. O homem é que interessa.
Se Deus existe, posso vir a me entender com ele, mas há de ser de homem para
homem.
Fonte: Fernando Sabino
Foto: Google
Embora tenha ficado mais conhecido pela sua lírica
amorosa, Vinicius de Moraes também cantou versos dedicados a outros
temas. A rosa de Hiroshima é um exemplo de poema engajado,
profundamente preocupado com o futuro do mundo e da sociedade.
Vale lembrar que profissionalmente Vinicius de
Moraes atuou como diplomata, por isso estava a par dos severos problemas
político e sociais do seu tempo.
O poema, escrito em 1973, tece uma crítica grave a
Segunda Guerra Mundial, especialmente as explosões das bombas atômicas nas
cidades de Hiroshima e Nagasaki (no Japão).
A rosa de Hiroshima foi posteriormente musicado por Gerson Conrad
e chegou a ser tocado pela banda Secos e Molhados no disco de estreia (assista
abaixo).
Fonte: Vinicius de Moraes
Foto: Google
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