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3.05.2026

Lembranças de morrer - Álvares de Azevedo







Lembranças de morrer


Eu deixo a vida como deixa o tédio

Do deserto, o poento caminheiro,

- Como as horas de um longo pesadelo

Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

 

Como o desterro de minh’alma errante,

Onde fogo insensato a consumia:

Só levo uma saudade - é desses tempos

Que amorosa ilusão embelecia.

 

Só levo uma saudade - é dessas sombras

Que eu sentia velar nas noites minhas.

De ti, ó minha mãe, pobre coitada,

Que por minha tristeza te definhas!

 

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,

Se um suspiro nos seios treme ainda,

É pela virgem que sonhei, que nunca

Aos lábios me encostou a face linda!

 

Só tu à mocidade sonhadora

Do pálido poeta deste flores.

Se viveu, foi por ti! e de esperança

De na vida gozar de teus amores.

 

Beijarei a verdade santa e nua,

Verei cristalizar-se o sonho amigo.

Ó minha virgem dos errantes sonhos,

Filha do céu, eu vou amar contigo!

 

Descansem o meu leito solitário

Na floresta dos homens esquecida,

À sombra de uma cruz, e escrevam nela:

Foi poeta - sonhou - e amou na vida.


Autor: Álvares de Azevedo

Foto: Google

 

O PODER DA ESCOLHA - William Souza da Silva_

O PODER DA ESCOLHA

Texto: William Souza da Silva_

Temos o poder de escolher para onde queremos ir durante a caminhada evolutiva. O livre arbítrio nos permite escolher a vivência para o bem ou para o mal. Às vezes escolhemos, por opção, a vivência dos pais ou dos avós, por conveniência. Podendo ser vivência através de crenças, vícios consciente ou inconsciente. Há escolhas que nem sempre nos trazem felicidades efêmeras. Muitas das nossas escolhas são advindas do egoísmo e orgulho, que nos atrapalham e dificultam os propósitos superiores, conduzindo a nossa jornada a uma busca incessante de satisfação dos nossos desejos, em detrimento dos nossos irmãos e do planeta em que habitamos.

 A EVOLUÇÃO HUMANA E A GUERRA

 Texto: William Souza da Silva

A evolução humana e a guerra, algo em comum? Alguma possibilidade do progresso espiritual? A guerra que assistimos de camarote, ao vivo, nas mídias, vendo os homens no campo de batalha, possuídos por um veneno que alimenta os seus instintos felinos selvagens, sendo que o único antídoto capaz de transformar os corações deles é o amor. E, nesse momento, só o amor e a misericórdia do Pai Celestial podem trazer a paz e harmonizar esses corações. A guerra é um princípio básico de uma civilização planetária que ainda se encontra solidificada na ignorância da mente guiada pelo ego e que vibra no ódio, na vingança e no orgulho exacerbado de um povo que se acha superior ao outro, por diversos motivos. Esse…

 PENSAMENTO

Nos dias atuais, uma guerra é a demonstração cabal de que a civilização terrestre ainda caminha nos princípios morais e espirituais do primitivismo. William Souza da Silva_

PENSAMENTO_

O único vitorioso da guerra é a mente egocêntrica dos líderes, através do ódio, da dominação, da violência e da vingança. William Souza da Silva_

 PENSAMENTO

O ser humano que vibra, torce e é favorável à guerra demonstra que a vingança e o ódio fazem parte da mente doentia. William Souza da Silva_

PENSAMENTO

O líder opressor que busca a guerra como caminho da vitória evidencia a ação do instinto animalesco selvagem. William Souza da Silva


Fonte: Edvaldo Pinheiro

Imagem: Google_

 

8 de Março, Dia da Mulher - R. Santana

 

Dadivosa                             

Insubstituível                                          

Amada



Divina

Altruísta

 

Mãe

Única

Leoa

Humana

Eterna

Resiliente


Gênero: Acróstico

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro: Academia de letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

 

 

3.04.2026

Derivados - Agilson Cerqueira

 

                                                            
          Derivados / Óleo Sobre Tela
    Agilson Cerqueira

Inconsistências humanas - Agilson Cerqueira



Autorretrato / Óleo Sobre Tela 

       Agilson Cerqueira


Inconsistências humanas 

Agilson Cerqueira 


Se estás a falar sempre com incoerências, 

Mentiras e distúrbios emocionais: logorreia! 

Sem prosopopeia, carecerá soliloquiar!

Pois no eco do próprio desatino,

Onde o verbo é raso e o brio é escasso,

O mentiroso traça o seu destino:

Um nó cego no próprio abraço.

​Melhor o mudo que se reconhece,

Do que o orador que se esvazia;

Pois quem na língua o mal oferece,

Na própria voz se asfixia.

Em pântanos de frases mal tecidas,

Onde a verdade é sombra que se esconde,

Perdem-se as pontes, sobram as feridas,

E o eco da razão já não responde.

Quem faz do sopro apenas ventania,

Sem o lastro do ser, sem o prumo,

Descobre, enfim, na própria agonia,

Que a palavra oca é só fumaça sem fumo.

É antes o deserto e a mudez profunda,

Onde o pensamento se faz luz e trilha,

Do que a torrente falsa que inunda,

E no próprio lodo se amordaça e humilha.


C. A. Santos (*)

Este poema de Agilson Cerqueira, intitulado "Inconsistências humanas", é uma crítica mordaz à verbosidade vazia, à mentira e à falta de integridade intelectual. O autor utiliza um vocabulário rico para contrastar o barulho inútil da "logorreia" com a profundidade do silêncio reflexivo.  É um privilégio encontrar um trabalho deste nível.

Alguns destaques que me chamaram a atenção:

Eixos Temáticos

A Logorreia vs. O Silêncio: O autor argumenta que falar em excesso sem conteúdo ou verdade ("logorreia") é um distúrbio que isola o indivíduo. Ele sugere que é melhor ser "mudo" e consciente de si do que um orador vazio.

A Autodestruição pelo Verbo: A mentira e a incoerência funcionam como uma armadilha. O mentiroso cria um "nó cego no próprio abraço" e acaba sufocado pela própria voz.

A Perda da Razão: O uso leviano da palavra destrói as "pontes" (comunicação/conexão) e deixa apenas feridas, onde a razão deixa de responder.

Metáforas de Degradação

O poema utiliza imagens de elementos naturais para descrever a decadência da fala desonesta:

Pântanos e Lodo: Representam a confusão mental e moral onde a verdade se esconde e o orador se humilha.

Fumaça e Fumo: Simbolizam a natureza efêmera e sem substância da "palavra oca".

Ventania: O sopro de quem fala muito, mas sem o "prumo" (direção/ética), resultando apenas em barulho e agonia.

Conclusão: A obra exalta o "deserto e a mudez profunda" como espaços onde o pensamento pode finalmente se tornar "luz e trilha", preferindo a solidão pensante ao barulho da "torrente falsa".

(*) C. A. Santos: Artista Plástico, Escritor e Crítico

3.03.2026

Envelhecer à francesa - Simone Beauvoir

 

ENVELHECER À FRANCESA

“Envelheci à francesa: sem alarde, sem ruptura, apenas deixando o tempo assentar. O corpo se aproveitou da minha distração. Não sei quando foi que decidiu envelhecer, porque fez isso de forma silenciosa, quase elegante. Um dia eu era movimento, urgência, promessa. No outro, continuidade. Não houve um aviso claro, nem um momento exato. O corpo foi mudando enquanto a mente seguia intacta, cheia de planos, curiosidades e vontades. As mãos ganharam histórias, o rosto aprendeu novos mapas, e o espelho passou a refletir alguém que não chegou de repente, mas foi se tornando. O envelhecimento não bateu à porta; entrou enquanto eu estava ocupada vivendo. Há algo de delicado nisso. O corpo não traiu, apenas acompanhou o tempo. Ele desacelerou onde antes corria, pediu cuidado onde antes exigia força. Não perdeu dignidade, ganhou linguagem. Cada mudança passou a comunicar experiência, não declínio. Envelhecer à francesa é aceitar que o tempo não precisa ser combatido, apenas compreendido. É permitir que o corpo mude sem que a essência se perca. A mente continua curiosa, o olhar atento, o coração disponível.  O corpo envelhece, sim, mas o faz com uma elegância silenciosa, como quem sabe que viver é transformar-se sem pedir licença.”

(Simone Beauvoir)

Cartas de Amor são Ridículas - Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)






Cartas de Amor são Ridículas

Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, faz uma brincadeira com as cartas de amor e com os sentimentos de quem já esteve apaixonado.

 

Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas. As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas. Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas. A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.(Todas as palavras esdrúxulas),

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas).


Fonte: Pensador

Foto: Google

Virgulino - Graciliano Ramos

Virgulino

Há dias surgiu por aí um telegrama a anunciar que o meu vizinho Virgulino Ferreira Lampião tinha encerrado a sua carreira, gasto pela tuberculose, deitado numa cama, no interior de Sergipe. Mas a notícia não se confirmou — e a polícia do Nordeste continuará a perseguir o bandido, provavelmente o agarrará de surpresa e mostrará nos jornais a cabeça dele separada do corpo. Seria de fato bem triste que a punição dum indivíduo tão nocivo fosse realizada por uma doença. Ficam, pois, sem efeito os ligeiros comentários inoportunos e apressados, que ilustraram o canard.

Não é a primeira vez que Lampião tem morrido. E sempre que isto se dá as notas com que se estira o acontecimento deturpam a figura do bruto e manifestam a ingênua certeza de que tudo vai melhorar no sertão. O zarolho se romantiza, enfeita-se com algumas qualidades que se atribuíam aos cangaceiros antigos, torna-se generoso, desmancha injustiças, castiga ou recompensa, enfim aparece inteiramente modificado.

Esperamos e desejamos longos anos essa morte — e ao termos conhecimento dela soltamos um suspiro de alívio a que se junta uma espécie de gratidão. Teria sido melhor, sem dúvida, que o malfeitor houvesse acabado nas unhas da polícia. Não acabou assim, desgraçadamente, mas de qualquer forma o Nordeste se livrou dum pesadelo.

Repousamos algum tempo nesse engano, até que Lampião ressurge e prossegue nas suas façanhas. Inútil agredi-lo ou emprestar-lhe virtudes que ele não entende, ajudá-lo, fazê-lo combater os grandes, proteger os pequenos, casar donzelas comprometidas. Lampião não se corrigirá por isso: permanecerá mau de todo, insensível às balas, ao clamor público e aos elogios, uma das raras coisas completas que existem neste país.

Tudo aqui é meio-termo, pouco mais ou menos, somos uma gente de transigências, avanços e recuos. Hoje aqui, amanhã ali — depois de amanhã nem sabemos onde haveremos de ficar, como haveremos de estar. Abastardamo-nos tanto que já nem compreendemos esse patife de caráter e inadvertidamente lhe penduramos na alma sentimentos cavalheirescos que foram utilizados como atributos de outros malfeitores.

Deixemos isso, apresentemos o bandoleiro nordestino como é realmente, uma besta-fera. Há pouco mais de um ano, em condições bem desagradáveis, travei conhecimento com um discípulo dele, um sujeito imensamente forte, alourado, vermelhaço, de olho mau. Esse personagem me declarou que todas as vezes que praticava um homicídio abria a carótida da vítima e bebia um pouco de sangue. Anda por aí espalhada a longa série das barbaridades cometidas pelo terrível salteador, mas essa confissão voluntária dum companheiro dele surpreendeu-me.

Isso prejudica bastante o velho culto do herói, do homem que lisonjeamos para que ele não nos faça mal.

Lampião se conservará ruim. E não morrerá tão cedo. A vida no Nordeste se tornou demasiado áspera, em vão esperaremos o desaparecimento das monstruosidades resumidas nele.

Finaram-se os patriarcas sertanejos que vestiam algodão e couro cru, moravam em casas negras sem reboco, tinham necessidades reduzidas e soletravam mal. No pátio da fazenda uns cangaceiros bonachões preguiçavam. E nos arredores grupos esquivos rondavam, escondendo-se dos volantes. De longe em longe um emissário chegava à propriedade e recebia do senhor uma contribuição módica.

Tudo agora mudou. O sertão povoou-se e continua pobre, o trabalho é precário e rudimentar, as secas fazem estragos imensos. Os bandos de criminosos, que no princípio do século se compunham de oito ou dez pessoas, cresceram e multiplicaram-se, já alguns chegaram a ter duzentos homens. A luta se agravou, as relações entre fazendeiros e bandidos não poderiam ser hoje fáceis e amáveis como eram.

Jesuíno Brilhante é uma figura lendária e remota, o próprio Antônio Silvino envelheceu muito.

Resta-nos Lampião, que viverá longos anos e provavelmente vai ficar pior. De quando em quando noticia-se a morte dele com espalhafato. Como se se noticiasse a morte da seca e da miséria. Ingenuidade.

A Tarde, Rio de Janeiro, 27 jan. 1938

IN: RAMOS, Graciliano. Viventes das Alagoas. Rio de Janeiro: Record, 2007, p.151-154.

Fonte: blog  um texto por mês

Foto: Google




3.02.2026

O Mercado e o Sábado - Jim Mathis

O Mercado e o Sábado

Por Jim Mathis

 

Muitos de nós lutamos com o fato de não termos tempo suficiente para fazer o que é preciso no trabalho. Trabalhadores autônomos têm um desafio ainda maior para conseguirem deixar o trabalho por alguns dias e até mesmo algumas horas. Arrazoamos: nós devemos empregar o tempo que for preciso. Mas, a que custo?

 

Estudos têm demonstrado que a produtividade cai drasticamente quando não separamos um tempo para descansar – para “afiar nosso machado”. Existe um ditado bastante prático que diz que o meio mais rápido de se cortar madeira é primeiro separando um tempo para se certificar de que o machado está bem afiado. Este princípio se aplica mesmo se você não estiver no ramo de corte de madeira. Quase todas as ideias novas que tive para o meu negócio surgiram quando eu estava de férias ou longe do trabalho, onde eu tinha tempo para ganhar uma nova perspectiva ou descobrir novas coisas a partir de fontes totalmente aleatórias ou não relacionadas com os negócios. 

 

Essa necessidade de separar um tempo para nos afastarmos do nosso trabalho, nossa vocação, é tão importante que nos é dada até mesmo como uma orientação divina na Bíblia. 


No relato bíblico da criação, Deus criou o mundo em seis dias e depois descansou no sétimo dia. A ideia de descanso no sétimo dia foi compilada quando os Dez Mandamentos foram entregues a Moisés:  “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum...Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou...” (Êxodo 20:8-11). 

 

Mais tarde, Jesus tornou mais claro esse mandamento relativo ao sábado, ensinando que honrar o sábado não tem a ver com seguir um conjunto de regras, mas que o dia foi estabelecido para o homem – um tempo de descanso, reflexão e recuperação, um tempo para desacelerar e desfrutar do mundo que Deus criou. “...O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” (Marcos 2:27). 


Ao longo dos séculos, a ideia do dia de descanso para os cristãos passou a não ser mais o sétimo, mas sim o primeiro dia da semana.  Isso era fonte de conflito e confusão para mim. Deveríamos descansar no sétimo dia, sábado, ou no primeiro dia, domingo? Pensei que talvez nosso calendário estivesse com a legenda errada. Recentemente, entretanto, tomei consciência de que ambos os dias estão corretos. Nós devemos honrar o sétimo dia da semana como o dia de descanso.  Minha esposa chama isso de sábado VERDADEIRO, ou seja, um dia para descansar, recuperar-se, passar tempo com os amigos, fazer uma refeição pausadamente, e apenas apreciar o fato de estarmos vivos. O domingo, então, se torna o dia em que honramos a Cristo e nos lembramos de Sua ressurreição. É um tempo para começarmos a semana oferecendo as suas primeiras horas a Deus, uma espécie de primícias do nosso tempo, de nossa semana. 


Sábado, o sétimo dia da semana, tornou-se o meu dia de descanso.  Domingo, o primeiro dia da semana, tornou-se o tempo de adorar a Deus e começar corretamente a semana. Essa ideia pode parecer radical para alguns, mas serve como teste de nossa confiança no Senhor e na Sua provisão. Como Salmos 127:2 nos assegura, “Não adianta trabalhar demais para ganhar o pão, levantando cedo e deitando tarde, pois é Deus quem dá o sustento a quem Ele ama, mesmo quando estão dormindo.”


Falando de maneira prática, geralmente inicio minha semana na tarde ou noite de domingo, fazendo meu planejamento e deixando algumas coisas prontas para a manhã de segunda-feira. Faz sentido para mim ter a consciência de que descansei no sábado e dediquei as primeiras horas da semana ao Senhor. Então, é tempo de trabalhar até o próximo sábado, o verdadeiro sábado, em termos de descansar, e preparar-me mental, física e espiritualmente para uma nova semana.     

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

 

1. Você normalmente consegue descansar o suficiente apesar das demandas do trabalho? Que medidas você adota para evitar que o trabalho consuma toda sua atenção e agenda sete dias por semana?

2. Como você reage ao conceito de observar e manter um verdadeiro sábado dentro do contexto de sua semana de trabalho?

3. Você concorda com a ideia de que Deus instituiu a observância do sábado como um meio prático de assegurar que você tenha o descanso que precisa, e não como uma regra arbitrária e rígida?

4. E se você tiver um trabalho (como médico, policial ou garçom) que exija que você trabalhe no sábado e/ou no domingo? Como assegurar mesmo assim que você tenha o descanso que precisa – o seu sábado?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Êxodo 23:10-12;  31:14-16;  Provérbios 3:24;  Eclesiastes 2:23;  5:12;  Hebreus 4:4-11.  

Homenagem do artística plástico - Agilson Cerqueira

prof. Rilvan Santana 

Prof. Rilvan Santana

Bom dia, Rilvan!

Enviando uma caricatura para ser usada em algumas ilustrações, caso queira.


3.01.2026

Uma viagem a Bonde - Graciliano Ramos

 

    Na grande cidade, plana, montanhosa, rica, miserável, cheia de hiatos, horrores e belezas, o viajante da província, chegado há pouco num vaporzinho ronceiro, coleciona surpresas e contradições. O morro pitoresco visto de longe, verde e pedregoso, coberto de tábua e lata, parece baixar-se de repente, alargar-se na planície. É uma elevação quase imperceptível, sem verdura nem pedra, mas lá fervilha uma sociedade como a das grandes alturas, das ladeiras íngremes e ziguezagueantes. A favela desceu; torcem-se becos na areia, labirinto complicadíssimo. As árvores do Jardim Botânico erguem-se na vizinhança. As casas próximas cresceram e tornaram-se palacetes, o arranha-céu baixa a cabeça e espia, constrangido, a vermina que lhe formiga os pés. Rolam ônibus e meia dúzia de passos. E ali, na tábua dura e na lata enferrujada, Aurora se contempla num pedaço de espelho, seu Oscar arranca tristezas do pinho, os meninos de seu Oscar pegam vasilhas e vão mendigar água nos corredores.

    O viajante estira o pescoço, desvia-se do jornal, larga Churchill e Hitler, faz reflexões ponderosas, receita mentalmente remédios enérgicos e paliativos, logo esquecidos. Saiu do hotel pela manhã e, atordoado por estranhos rumores, gritos de choferes e buzinar de automóveis, incorporou-se na multidão e foi estudar topografia. Como na terra dele se diz que todo o caminho dá na venda, achou desnecessário munir-se de carta: entrou num veículo e rodou para o sul.

    Apeou-se em Copacabana, onde viu numerosas criaturas de roupas escassas banhando-se ou lagarteando, estateladas. Afastou-se, repeliu severamente aquela nudez e aquela mistura, foi descansar nos bancos da praça, ver as palmeiras, o coreto. Voltou a examinar os banhistas, dobrou esquinas, circulou na praia e nas vias interiores, admirou a altura dos prédios, o tamanho dos elevadores e os cartazes dos cinemas. Desnorteado, meteu-se num bonde e distraiu-se algum tempo olhando as placas das ruas compridas. Saltou no fim de Ipanema, tomou outro bonde e, atraído por uma espaventosa manchete, pôs os óculos e começou a ler disfarçadamente, com o rabo do olho, o jornal dum companheiro de banco. Entreteve-se atentando na favela.

    Agora repousa a vista numa longa fileira de bangalôs tranqüilos, decentes, meio ocultos em vegetais educados nos limites impostos pela tesoura do jardineiro, plantas desambiciosas, chinfrins e burocráticas. Algumas crianças patinam moderadamente na calçada; com certeza mamãe, lá dentro, manipula os vestidos das pequenas; papai chateia-se na repartição. Ordem. Parece que as coisas vão direito. Não há motivo para desgosto. O nosso passageiro esfrega as mãos. Por que esse barulho todo na Europa, essa fúria, essa doidice? De fato há pessoas exigentes, milhões de pessoas exigentes e mal intencionadas.

    Rua Voluntários da Pátria, bonito nome. Não morava aqui o Oswaldo Cruz? É, morava. Que bagunça, pai do céu! Tempo esquisito! Berros no Congresso, artigos medonhos, fuzuê, gente morrendo por causa da vacina. Hoje não há disso, graças a Deus. A imprensa é razoável, somos todos razoáveis, e os discursos, no rádio, perderam a eficácia.

    Parada no Pavilhão Mourisco, cinco minutos junto à fonte vazia e suja. Nova mudança de veículo.

    Bem. Isto por aqui deve ser Botafogo, não? Leituras antigas auxiliam o provinciano. Antigas e recentes. Botafogo, sem dúvida. Que é da placa? Vive ali uma das personagens do sr. Gilberto Amado. Onde ficarão as palmeiras? O homem conhece a boa literatura. Instituto Juruena. Naquele jardim o sujeito do pára-quedas se esborrachou. Caíram na vizinhança pedaços do aeroplano onde viajava o ministro de Cuba. Escangalharam-se dois aviões e uns dez indivíduos entregaram a alma a Deus, mas só nos lembramos do dr. Catá. O resto sumiu-se, como os pára-quedistas metralhados e os marinheiros que afundam.

    Marquês de Abrantes. Quem terá sido o marquês de Abrantes? O passageiro ignora muitos patronos das vias públicas, o que não o inibe de respeitá-los.

    Numa praça miúda, com folhas de papel na mão, José de Alencar está sentado em posição ridícula. Muito grande, José de Alencar. Necessário melhorar-lhe a estátua. O Guarani, que poucos leram e todos admiram, há de tornar-se um livro fundamental, maior que Os Sertões. Falta uma estátua de Euclides da Cunha: cidadão deste século, ainda não amadureceu convenientemente.

    Rua Machado de Assis. Ah! Esse era enorme e continua a crescer. Superior, infinitamente superior a Eça de Queirós. Precisamos afirmar isto. Sem comparação não há grandeza. Só Deus é Deus e Maomé é o seu profeta.

    Lá está o Catete. Sim senhor é ali. Nos arredores, a casa de móveis do judeu, literatos padecendo no fundo de pensões ordinárias, bodegas de frutas, as meninas de Rubem Braga, em chinelos, transitando na calçada. Muito democrático.

    Pouco adiante, o relógio da Glória e o combate nos tempos pré-históricos, divulgados nas estampas que enfeitam peças de fazenda barata, no interior. Estamos chegando.

    O Passeio Público encolheu-se e pedirá demissão qualquer dia. O Monroe. Para quê? Chi! Quanto cinema! A Biblioteca Nacional e, defronte, o monumento de Floriano com diversos atavios, Y-juca-pyrama, O Caramuru e outras habilidades.

    O viajante desce do carro e mergulha no apertão da Avenida, morrinhento, encharcado de suor. Depois dará uma volta por Engenho de Dentro ou pelo Méier. Mas isto é província. Por enquanto precisa recolher-se, deitar-se. 25 de maio de 1941

IN: RAMOS, Graciliano. Linhas Tortas. Rio de Janeiro: Record, 2013, p.356-360.

 

Fonte: Blog um texto por mês

Foto: Google

Adeus, meus sonhos! - Álvares de Azevedo

 








Adeus,  - meus sonhos!


Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!

Não levo da existência uma saudade!

E tanta vida que meu peito enchia

Morreu na minha triste mocidade!

 

Misérrimo! Votei meus pobres dias

À sina doida de um amor sem fruto,

E minh’alma na treva agora dorme

Como um olhar que a morte envolve em luto.

 

Que me resta, meu Deus? Morra comigo

A estrela de meus cândidos amores,

Já não vejo no meu peito morto

Um punhado sequer de murchas flores!

 

Aqui, a total falta de esperança está presente desde o próprio título da composição. Com um sentimento pessimista de desgosto e derrota, este sujeito poético revela um estado de alma apático, uma impossibilidade de sentir até saudades.

Entregue à tristeza e à depressão, ele revela que o tempo foi levando todas as suas alegrias e chega a questionar a própria existência, desejando a morte. O isolamento e a degradação do eu-lírico parecem ser o resultado da sua dedicação absoluta a um amor não correspondido.


Autor: Álvares de Azevedo

Foto: Google

Construindo um Negócio Baseado em Valores - Rick Boxx

Construindo um Negócio Baseado em Valores

Por Rick Boxx

 

Uma das ferramentas mais subestimadas na estruturação de qualquer empreendimento são os valores sobre os quais ele está sendo construído.  Se o objetivo da companhia é simplesmente ter grandes lucros, fechar muitos negócios ou distribuir enormes quantidades de produtos ou serviços, ela poderá ser levada a ter problemas com os fins servindo para justificar os meios. 

 

Por exemplo, quando o objetivo é finalizar vendas, alguém poderia ser tentado a fazer qualquer promessa necessária para conseguir isso – mesmo que ela não possa ser cumprida.  Ou quando maximizar os lucros é a meta primária, pode se tornar fácil justificar o corte de gastos, mesmo que isso comprometa a qualidade dos produtos ou serviços fornecidos. 

 

Entretanto, quando uma companhia começa tendo uma estrutura de valores muito clara e bem planejada para guiá-la e governar suas operações, suas chances de sobrevivência e sucesso aumentam enormemente.  Tais valores definem essencialmente “o que fazemos”, “porque fazemos” e “como fazemos”. 

 

Muitos CEO’s seguidores de Jesus Cristo compartilham o desejo de influenciar suas organizações com princípios da Bíblia – que entendem ser a Palavra de Deus – sendo ao mesmo tempo sensíveis para com aqueles que não abraçam a mesma fé.  Uma das melhores maneiras de moldar a cultura de uma empresa de uma maneira eficaz e não ofensiva é focar valores, princípios de conduta e práticas que todos dentro da organização possam ser convidados a abraçar.

 

Por exemplo, o valor de estabelecer o serviço ao cliente como prioridade máxima é um valor contra o qual poucos podem levantar objeções.  Nem mesmo precisamos explicar que este valor está baseado em Lucas 6:31, que diz:  “Façam aos outros a mesma coisa que querem que eles façam a vocês.”  Podemos abraçar o valor de fazermos o melhor que pudermos sempre, sem termos que insistir para que nossos funcionários trabalhem “...de todo o coração, como se estivessem servido o Senhor e não as pessoas” (Colossenses 3:23).   

 

Uma vez que muitos dos valores que normalmente endossamos são extraídos diretamente da Bíblia, a formulação de nossas crenças fundamentais serve como uma forma não ameaçadora de comunicar os padrões e valores de Deus.  Desenvolver estes valores fundamentais e fazer com que sua equipe permaneça fiel a eles oferece a oportunidade de indicar a forma de fazer negócios da maneira de Deus. 

Como o salmista expressou em Salmos 119:130, “A explicação da Tua Palavra traz luz e dá sabedoria às pessoas simples.”  Para alcançar o sucesso – e mantê-lo – é importante que cada membro importante da equipe seja capaz de compreender e explicar o que a companhia pretende.  Quais são os valores e princípios básicos que servem como sinalizadores para a sua conduta nos negócios do dia a dia?

 

Se você deseja moldar a cultura de sua organização segundo a maneira de Deus, experimente determinar e expressar seus valores fundamentais.  Depois, seja exemplo deles e os comunique de forma consistente para sua equipe.  Como o apóstolo Paulo escreveu, “Ponham em prática o que vocês receberam e aprenderam de mim, tanto com as minhas palavras como com as minhas ações.”

 

 

Questões Para Reflexão ou Discussão   

1. Você já considerou a possibilidade de fazer de sua empresa um negócio fundamentado em valores?

2. Se você acredita que sua empresa está fundamentada em valores, quais são eles?  Eles são expressos e apresentados de forma tal que todos tenham a oportunidade de revê-los e entendê-los como diretrizes para as operações e práticas diárias?

3. Compreendendo que nem todos dentro de uma empresa sustentam as mesmas crenças espirituais, é adequado que as pessoas saibam que a fonte dos valores da empresa é a Bíblia?  Por quê?

4. Como você acredita que uma organização que ainda não tenha estabelecido um sistema de valores para governar suas operações pode começar a trabalhar neste sentido?  Ou você acredita que a esta altura não haja necessidade de mudar sua condição atual?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 11:1;  14:5;  15:33;  20:14;  29:4;  Filipenses 4:8;  II Timóteo 2:2. 

 

Destaques

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