11.05.2025

Malvado tempo - R. Santana

 

Malvado tempo - R. Santana


Naquela tarde de feriado, fiz uma visita a F. que se encontra internada num respeitável abrigo de minha cidade. Fi-la por insistência de meu cônjuge que também gostaria de ver M., sua prima. Não sou hipócrita nem demagogo para não dizer o que penso: não gosto de hospital, de cemitério, nem de casa de assistência social, não me sinto bem nesses lugares, às vezes, organizados, limpos, bem administrados, mas não deixam de ser lúgubres e funestos.
Nós passamos pelo corredor de entrada, fomos informados pela cuidadora de idosos: “os quartos de F. e M. ficam na última ala”; depois, passamos por um pátio interno que serve para atividades recreativas e banho de sol dos pacientes, enfim, chegamos ao apartamento de F. que não estava lá, encontramos M. que carinhosamente nos levou até F., reconhecemos a gafe de termos passado pelo pátio, cumprimentado F. e, não a reconhecemos.
Chocou-me, em particular, o aspecto de seu estado físico: chocha, mirrada, sem aura nem graça, curvada, peitos caídos, usando andadeira para se locomover, não parecia nem de longe a F. altiva, compenetrada, independente, inteligente, prosa boa, leitora contumaz e profissional comprometida da educação. Eu senti vergonha dos entreveros administrativos que tivemos na escola que trabalhamos em tempos dourados que se foram. Diretor dessa escola, personalidade perfeccionista, bati de frente com F. por questionar e não cumprir as minhas diretrizes administrativas.
Não sabemos nem interessamos saber a doença de F., porém, deve ser Alzheimer ou Parkinson. Falamos de Drummond, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Paulo Coelho, Jorge Amado, disse-nos que dos autores tupiniquins, lia com gosto Valdelice Pinheiro, Helena Borborema, as irmãs Benício, das crônicas históricas e humoradas de Dantinhas, Telmo Padilha e Firmino Rocha, ensaiou recitar: “Deram Fuzil ao Menino”. Sugerimos outros poetas e escritores da terra, mas, ela os negou com muxoxo de boca. Minha esposa voltou conversar com M., então, aproveitei o momento e aprofundei a conversa literária com F.
F. oscilava entre lucidez, devaneio e insanidade. Perguntou-me se sabia os requisitos para se candidatar a deputado estadual, respondi-lhe que não, ela insistiu que me inteirasse desses requisitos, pois seria candidata a deputada estadual na eleição vindoura. Noutro momento, perguntou-me o nome da doença de incontinência urinária, respondi-lhe que é enurese, ela completou: “mijo na cama quando elas não me dão fraldas”. Isto, levou-me pensar com os meus botões: “serei você amanhã”.
Eu saí de lá arrasado, minha resistência de frequentar esses lugares soturnos, tomou forma e consciência, prometi a mim e aos meus familiares que doravante, serei levado para esses lugares, a pulso, involuntariamente, não por vontade própria, não compreendo como filhos e filhas jogam seus pais e parentes nessas instituições e os esquecem lá pra sempre, por mais cuidadosas, altruístas, e sérias que elas sejam para comunidade. Essas casas de acolhimento de idosos, a maioria não é ruim em si, porém, jamais elas substituirão o afeto, a amizade e o amor dos filhos, de netos, de parentes e aderentes.
Ali, é um repositório de almas, não de gente. Ali, reconhece-se que os males são maus. Ali, reconhece-se que o tempo é malvado. O tempo traz o homem ao mundo, o faz crescer, o faz audacioso, alimenta seus sonhos na mocidade, realiza seus projetos na maturidade, destrói-o na velhice, depois, entrega-o nos braços da morte. Os mais velhos têm razão quando coisas que parecem impossíveis, dizem: “dê tempo ao tempo”. O tempo é o cutelo de Deus, o instrumento que Ele usa para cortar a trajetória do ser que criou, para fazer vê-lo sua insignificância e sua finitude. O tempo constrói, faz acontecer e, destrói. O tempo é mau, dissimulado de bom. O tempo é um deus! A lógica das coisas não o ignora.
Deus proteja F. e a mim não desampare, porque o significado da vida é questionável. Viver é bom, morrer é melhor. A fé é que alimenta a esperança do homem, mas o faz entorpecido lógico, assim como o ópio extraído das papoulas entorpece e embrutece os viciados de narcóticos. Triste do homem que não tem religião, não tem fé, pois seu suplício é maior no caminho da morte.
A decadência física é mais nociva do que a decadência moral, esta não tira o sono de alguns, enquanto a decadência física traz dor e sofrimento. A dor e a alienação tiram a dignidade do homem, o respeito a si mesmo. Todas as arrogâncias, todos os egoísmos, todas vaidades e todos os significados humanos caem por terra diante dum mal permanente. Nós estamos preparados pra vida, não para o sofrimento. Não existe autoestima duradoura quando o mal não tem remédio pra sua cura.
Sublimar a velhice ou racionalizá-la, não faz do homem velho, homem novo, mas diminui o pesadelo de que ele está no fim da vida. Ninguém gostaria de caminhar consciente pra morte, somente, os suicidas e os loucos, a chama da vida alimenta a alma, este é o papel de todas as religiões do planeta: assegurar ao homem que, aqui, é uma passagem e do lado de lá, a eternidade da vida.

Autoria: Rilvan Batista de Santana
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O Talento - R. Santana

 


O Talento 

R. Santana

 

     De quando em vez, depois de algumas cachacinhas com limão (pobre não toma whisky), de cabeça cheia, problemas resolvidos, fico filosofando sobre os enigmas existenciais: “Quem sou eu?”, “De onde vim?” e, “Para aonde vou?”, decerto, não encontro resposta nem ninguém a encontrará. Melhor seria se o homem não ficasse conjeturando o desconhecido. Saber o quê? Inteligente é não saber. Porém, uma das coisas que me intriga é o talento, seria gratificante se todo homem desenvolvesse seu talento qualquer que fosse sua atividade.
     O talento é importante para Deus, todos nascem com mais ou menos talento, uns desenvolvem-no e outros não, isto não significa, que aquele que recebeu menos talento não desenvolva melhor que aquele que recebeu mais talento.
     A parábola contada por Mateus (25:14-30), traduz o propósito de Deus sobre o talento. Certo senhor fez uma longa viagem e deixou para seus servos alguns talentos. O primeiro servo, recebeu 5 talentos e quando o senhor voltou recebeu o dobro e o reconhecimento: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei, entra no gozo do teu senhor”. O segundo servo, recebeu 2 talentos, também, dobrou os talentos e com o dobro, veio-lhe o reconhecimento do seu senhor. O terceiro, recebeu 1 talento, com medo do senhor, enterrou seu talento na terra e não o devolveu: “Mau e negligente servo, irei tirar seu talento, porque a qualquer que tiver lhe será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem lhe será tirado”.
     Para o feiticeiro de Menlo Park (The Wizard of Menlo Park), Tomas Edison, que patenteou em vida mais de 2300 inventos, o talento exige sacrifício, determinação, trabalho, transpiração, senão, não produz, não se cria, a ideia morre no nascedouro, é como o servo que enterrou seu talento com medo de ser admoestado pelo seu senhor, Edison teve vários fracassos antes de colocar no mercado consumidor sua lâmpada elétrica incandescente. Se ele se rendesse às dificuldades iniciais de seu invento, o homem teria vivido o Século XX, à luz de candeeiro, não, de luz elétrica.
     O talento independe do aspecto físico. É sabido que na Conferência de Haia, Rui Barbosa foi vítima de preconceito de seus pares, pelo seu aspecto físico diminuto, inclusive, uma das conferencistas o chamou de “macaquito”. Para surpresa de todos, iniciou sua preleção inquirindo-lhes qual o idioma seria mais condizente para compreensão de todos e transitou com facilidade no idioma inglês, no idioma francês e no idioma alemão, os idiomas oficiais da conferência, enfim, defendeu a tese dos países em desenvolvimento e foi cognominado: “Águia de Haia”.
     O talento é tão importante nas atividades humanas, que há anos, os ingleses buscam-no através do programa televisivo nacional, quiçá mundial, intitulado: “Britain´s Got Talent”. Os resultados não são tão animadores... Centenas de candidatos se apresentam para demonstrar seu talento, mas poucos fazem a diferença, por isto, quando aparece um talento de verdade a exemplo de Susan Boyle, é curtido nas Redes Sociais por centena de milhões de pessoas.
     Susan Boyle se apresentou em Glasgow, vinha de West Lothian (aglomerado de vilarejos), Scotland. Desajeitada, quase cinquentona, nunca tinha sido beijada, desempregada, afastada da família, sua única companhia era seu gato Peebles. Não obstante seu aspecto físico desleixado, malvestida, cabelo desgrenhado, sua autoestima permaneceu pra cima: “eu vou fazer esta plateia tremer”.
     O talento venceu o preconceito. Simon Cowell, como de praxe, quis saber de sua vida, de onde vinha, qual seu modelo de sucesso e fez uma cara de incredulidade quando Susan Boyle informou sua idade. Um programa voltado para faixas etárias de gente nova, ao informá-lo que estava com 47 anos, os risos da plateia e dos jurados encheram o ambiente. Para desanuviar as circunstâncias, o jurado Piers Morgan, perguntou-lhe o que ela ia cantar (I Dreamed a Dream From – Les Miserables) e, ao invés duma voz de taquara, estridente e desafinada, surpreendeu ao mundo com seu canto harmonioso, versos claros, voz doce e afinada. Quando ela terminou de cantar, foi aplaudida de pé.
     Deus deixou talento para todos, independente, de gênero, de cor, de raça e de religião. Cabe ao homem, multiplicá-lo ou enterrá-lo como fez o servo mau. A missão do homem, aqui na Terra, é direcionar seu talento para o bem ou para o mal, conforme sua natureza e seu livre arbítrio.
     Enfim, a diferença entre o gênio e o homem de talento, é que o gênio é mais inspirado, desenvolve em altíssimo grau sua capacidade mental criadora, isto é, faz acontecer seus talentos, persegue-os sempre; enquanto o homem comum desenvolve menos sua mente criadora, esforça-se menos, não persegue seu talento, conforma-se com o pouco, exercita menos sua mente, ele usa seu talento a nível de sua existência, ou seja, explora sua inteligência, somente, para resolver os problemas da vida cotidiana e não do espírito.


 

 

 

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

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Membro: Academia de Letras de Itabuna - ALITA
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O drama de Kaleb - R. Santana

 

O drama de Kaleb - R. Santana


Naquele dia, com a filha desmaiada nos braços, Kaleb gritava por socorro, apenas, demorou o suficiente para que vizinhos e parentes saíssem de suas casas, às pressas, para lhe acudir. Todos pensaram que a pequena Belak tivesse tido algum mal súbito em decorrência de queda (traquinagem de criança), mas, hospitalizada e sob os cuidados médicos, Kaleb explicou as circunstâncias que encontrou sua filha aos vizinhos e parentes: estendida na cama, nua da cintura para baixo e um filete de sangue lhe escorria pela coxa e balbuciava seu nome e o nome da mãe, delirava e dizia palavras desconexas.

Na delegacia, acrescentou que saiu mais cedo do trabalho, encontrou a casa fechada, chamou pela filha, ela não respondeu, adentrou pela porta do fundo que estava encostada e encontrou a filha em estado deplorável. Não teve outro pensamento do que colocá-la nos braços e sair porta afora e gritar por socorro. Disse que não entendia como alguém fosse capaz de tanta maldade. Morava com a mulher e os filhos num terreno cedido pelo sogro, aliás, nesse quintal residiam os pais de sua mulher, os sobrinhos e os cunhados. Todos viviam em perfeita harmonia. Certamente, alguém havia burlado a atenção dos moradores e feito aquilo com sua filha. Porém, tinha prometido à menina Belak, no leito da CTI, que iria encontrar o malfeitor e vingar o mal que lhe foi feito.

Enquanto sua filha jazia no leito do hospital, sua esposa não tirava o pé dali, os pais temiam que o criminoso disfarçado de visita e relaxado os cuidados de médicos e funcionários, ele desse cabo de Belak, pois a polícia científica concluíra que a menina depois de estuprada, foi vítima de asfixia e, se não fosse a intervenção providencial e involuntária de Kaleb, o criminoso teria consumado seu crime de morte.

Embora Kaleb fosse homem de poucas letras, instrução primária, pedreiro de profissão, intuição aguçada, instinto aflorado, enquanto sua filha permanecia hospitalizada, ele procedeu uma investigação minuciosa. Conjeturou, desde o dia do constrangimento moral, da conjunção carnal forçada, sobre a possibilidade do malfeitor de Belak, ele está entre vizinhos, cunhados, sobrinhos, tios e avô. Não excluiu ninguém, pois o modus operandi do crime foi de gente conhecida e não de gente desconhecida.



Três dias depois:



- Não fui eu, Kaleb!

- O seu RG estava na bagunça da roupa de cama de Belak, que me diz?

- Não sei!

- Procure saber, miserável!

- Não sou pedófilo, Kaleb!

- As marcas mais profundas de agressão de Belak, estão do lado direito do seu corpo!

- Não entendi!?

- Você é canhoto, não?

- Sim!

- Significa que o malfeitor de Belak é canhoto!

- Eu não sou o único canhoto daqui, o seu irmão é canhoto. Eu tenho dois sobrinhos canhotos e outros moram nesta cidade, e daí?

- E seu documento?

- Alguém o plantou lá!

- Você é um escroque da sociedade, merece morrer!

- Você é justiceiro!?

- Não!

- Pois, o Evangelho diz: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está ... ver que Deus não é a favor dos que fazem justiça com as próprias mãos”.

- José Maria, também, estar escrito: "Deus odeia o pecado e o pecador também".



Uma semana depois:



O corpo de José Maria foi encontrado uma semana depois num despenhadeiro 5 Km distantes de sua residência. Kaleb foi preso por 5 dias como principal suspeito e foi solto por falta de provas, mas sujeito às medidas restritivas de não sair à noite nem viajar para outro estado ou cidade sem permissão do juiz. Sua mulher não se convenceu de seu argumento de inocência, pegou as malas e os filhos menores e voltou para casa do pai. Os sogros, os demais cunhados e os sobrinhos emprestados viraram-lhe a cara. Jonas, o irmão mais novo, foi o único que lhe compreendeu e o apoiou.



O Dia D:



Dia marcado para saída de Belak do hospital. Embora seu quadro tenha sido grave, pela asfixia e a preocupação dos médicos com os riscos de doenças sexualmente transmissíveis (DST), ela ficou sem sequelas mentais e os danos físicos foram afastados com uso de remédios antivírus, a sequela da alma seria curada com o tempo e acompanhamento psicológico.

O susto foi contido quando Kaleb adentrou no apartamento de Belak. Lá estavam investigadores, delegado, assistente social e psicóloga. A menina chorosa aconchegou-se em seus braços, com jeito, ele a acariciou e fê-la voltar ao quase normal. O delegado explicou-lhe que tudo não passava de rotina investigativa, que a doutora psicóloga iria ouvir a menina, pois os médicos tinham dado alta a Belak, a investigação era praxe.

Depois de algumas conversas a sós com a doutora psicóloga, o delegado lhe perguntou:

- E aí, mocinha, pode dizer ao tio quem foi o homem mau? – a menina olhou para os pais, em especial, Kaleb, como que lhe pedisse desculpa, respondeu:

- Tio Jonas! – Kaleb não aguentou:

- Meu irmão!? – a menina quase balbuciou:

- S... si... sim... p... pai! – o pai de joelhos:

- Deus ó Deus, Vós permitistes que o Diabo usasse meu irmão para mutilar minha alma, meu ser? Como irei viver de agora em diante com a consciência em chamas pela morte dum inocente? Judas foi menos ardiloso que meu irmão! Judas enforcou-se de remorso depois que entregou Jesus Cristo aos seus inimigos para ser crucificado. Meu irmão não teve remorso! Meu irmão assassinou José Maria para vingar-me de um crime que meu cunhado não fez. Que mente diabólica! Que o fogo do inferno queime sua alma!!! – Kaleb quedou-se fatigado.

Ambos foram presos. Jonas porque apertou o gatilho e escondeu o corpo e Kaleb por ter consentido. Jonas morreu, logo depois, por ter violado o código de honra não escrito do bandido que não aceita o estupro nem crime de morte de crianças.


Autor: Rilvan Batista de Santana
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Fonsequinha - R. Santana

 

                                                               Fonsequinha 

                                                                 R. Santana

     Foi um homem santo e pecador. Santo, porque não tinha a maldade dos maus, mas a bondade dos bons. Pecador, porque usufruiu como ninguém dos prazeres da carne e da vida. Seguiu à risca o conselho do poeta Vinícius de Moraes em relação à vida afetiva: “Que seja eterno enquanto dure”. Senhor de harém, homem volúvel, teve muitas mulheres e uma penca de filhos, cuidou dos filhos e das mulheres todo o tempo com responsabilidade e amor, além de um pai presente.
     Homem simples de voz arrastada e sonora, trabalhador, amigo, prestativo, sempre preocupado com o outro e, de amizades duradouras. Não tinha tempo para alimentar inimizades, seus inimigos eram gratuitos, não declarados, mais por inveja do que por quaisquer outros motivos escusos. Nas suas relações políticas partidárias, justificava: “... em política, não há amigos incondicionais nem inimigos irreconciliáveis”. Ele elegeu-se duas vezes ao legislativo itabunense.
     Poder-se-ia, hoje, considerar Fonsequinha um pequeno empreendedor, teve olaria, pedreira, caminhoneiro, mercadinho e fundou e loteou o “Fonseca”, bairro popular itabunense. Esse loteamento foi regido pela cobrança de aforamento e não a venda definitiva dos terrenos. Fonsequinha empreendeu esforços políticos consideráveis para que autoridades municipais e estaduais levassem ao novo bairro, serviços básicos de saneamento, luz e água. A fundação do “Bairro Fonseca” visava, naquela época, atender à demanda de um segmento menos favorecido da sociedade com a construção de casas populares e não de lucro imobiliário.
     Porém, mais do que por vocação comercial, Fonsequinha trazia na alma e no coração, a vocação política, não ideologia política, poder político, mas política como condição sine qua non para desenvolver políticas públicas que atendessem às necessidades primárias do povo. Por isto, foi várias vezes candidato ao legislativo itabunense nem sempre com sucesso até se eleger por 2 mandatos consecutivos.
     Fonsequinha não era homem de briga, mas de enfrentamento: “...dou 1 boi para não entrar e 10 bois para não sair”. Com o assassinato em Dallas (1963), Texas, do presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy, os políticos do país, os puxa-sacos dos norte-americanos, batizaram com seu nome, ruas e bairros, aqui, em nossa terra tupiniquim, não foi diferente, o vereador Antônio Calazans apresentou na câmara municipal um anteprojeto para mudar o nome do bairro: “São Caetano” para “John Kennedy”. O vereador da proposição justificava que Kennedy havia criado o programa “Alliance for Progress”, “Aliança para o Progresso”, cujo objetivo seria incentivar o desenvolvimento econômico e social latino americano.
     Antônio Calazans era um político tupiniquim, ladino, manhoso, conseguiu convencer seus pares para que o anteprojeto avançasse e, no máximo, em 2 sessões, fosse aprovado e enviado à sanção do prefeito. Fonsequinha liderou o descontentamento dos bairristas, ocupou as ruas da prefeitura e ocupou, parcialmente, o plenário da Câmara de Vereadores enquanto na rua ouvia-se o som de charanga tocando o Hino Nacional e discursos inflamados.
     A proposição foi aprovada por maioria absoluta e enviada para o prefeito Alcântara, um político populista, jamais ficaria contra o povo, entrementes, não queria desagradar os vereadores, convocou os líderes do bairro, dentre eles, Fonsequinha, depois de muita discussão, Antônio Calazans foi convencido retirar o projeto e apresentar uma emenda que ao invés da mudança do nome de São Caetano, John Kennedy, passaria ser o nome de sua principal avenida, portanto, Alcântara agradou aos gregos e aos troianos e foi inaugurada à Avenida Kennedy que vai da princesa Isabel à BR-101.
     Fonsequinha foi importante, também, na implantação da rede de energia elétrica (nos primórdios do São Caetano, as famílias usavam o candeeiro ou o Aladim), da rede de água tratada (assim como não havia energia elétrica nas casas e nas ruas, não havia água encanada, os reservatórios eram abastecidos por água de chuva e os potes por água de cisterna). Hoje, alguém pode até pensar que não foram grandes feitos, mas, naquela época, foram lutas, discussões e ações políticas para que esses serviços fossem implantados na comunidade.
     Embora de partidos diferentes, Fonsequinha reivindicou do prefeito Simão Fiterman (1973/1974), aberturas de novas ruas nos bairros: Fonseca e São Caetano. Essas novas ruas alavancaram o desenvolvimento desses bairros com saneamento básico, construção civil, energia elétrica, água encanada e o tráfego de automóveis e caminhões.
     Quatro décadas depois, São Caetano, hoje, é uma cidade dentro da cidade de Itabuna, aqui, é a sede administrativa municipal, bancos, igrejas, colégios, escolas infantis, mercados, consultórios médicos, odontológicos, posto de saúde, casa de material de construção, frigoríficos, feira livre e uma população de mais de 30.000 habitantes. Todo este progresso foi devido ao trabalho de muitos homens e mulheres que ficaram no anonimato, mas de homens que jamais serão esquecidos, a exemplo do inesquecível vereador Eduardo Fonseca, "O Fonsequinha".

     O homem é o agente da História, todavia, a História é feita por homens bons, os homens maus não constroem, destroem, a título de ilustração: qual foi a contribuição para humanidade de Hitler, Goebbels, Himmler, Franco, Mussolini, Muammar Kadafi, dentre outros? Nenhuma. Os homens maus passam e deixam um rastro de maldade que leva muitos anos para ser apagado.
     Por outro lado, os homens bons não morrem, cristalizam-se no tempo. Homens e mulheres a exemplo de: Albert Sabin, Santos Dumont, Christian Barnard, Irmã Dulce, Florence Nightingale, Madre Teresa de Calcutá, Robert Koch, Freud, dentre outros. Fonsequinha, resguardando as proporções históricas, foi um benfeitor tupiniquim, não deixou nada escrito, nenhuma descoberta científica, mas deixou o exemplo, pois “a palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”. Seu exemplo permanecerá para sempre na memória da comunidade do São Caetano e Fonseca, sua história passará de geração para geração.

 



Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Membro da Academia de Letras de Itabuna

Drogas - R. Santana

 


Drogas - R. Santana

Drogas
R. Santana

Gosto de conversar com Tanaguchi. Não sei onde ele reside, acho que para as bandas do Pontalzinho. Não sei se ele tem filhos, mulher, netos, sogra, sogro... a única coisa que sei é que ele é nissei e aposentado do Ministério da Agricultura. Acho que se xeretasse mais seu lado pessoal, ele se recolheria como ostra, pois japonês ou filho de japoneses, não é de muita intimidade, os orientais são cismados por natureza. Mas quando nos encontramos, saio menos ignorante, pois ele é um sábio.

Hoje, nosso bate-papo na praça Olinto Leone, foi sobre as drogas e seus malefícios. Claro, que não concluímos nenhum documento que irá nortear as autoridades governamentais do nosso país, mas assim como o beija-flor que com uma gota d`água quis apagar o incêndio da floresta, com o nosso pitaco e milhões de outros pitacos num futuro não muito distante o problema das drogas seja solucionado, que este mal não mais faça chorar tantas mães e tantos pais, aqui, ali e acolá. Por isto, vou usar do peso literário para tornar verdade as nossas ideias sobre o consumo das drogas e o narcotráfico:

-Tudo bem, Tanaguchi?

-Se a Bélgica não desclassificasse a Seleção, tudo iria bem!

-Jogo é jogo, não?

-Sim!

-Tanaguchi, a Copa do Mundo serviu para demonstrar que a Rússia, além de superpotência militar e de grande economia, seu povo é alegre e hospitaleiro. Parece que no país de Putin o controle do narcotráfico é absoluto. A preocupação do governo russo é com os terroristas políticos de alguns territórios que continuaram anexados à Rússia depois do esfacelamento da União Soviética, a exemplo da Criméia que é disputada com a Ucrânia. Lá não se viu aquele aparato militar que o Brasil instalou na Copa de 2014 para conter às ações dos traficantes e os reles assaltantes do Rio de Janeiro e de outros estados. Não se sabe o tamanho do tráfico internacional da Rússia, sabe-se que lá, a tolerância da droga é zero!

-Ufa, meu amigo! Estou estupefato com seu discurso sobre a Rússia. Não entendi, seu raciocínio: trocou o resultado do jogo pela história política da Rússia, depois, abordou o narcotráfico, afinal, você quer falar sobre o quê?

-Meu velho, seu sentimento intuitivo é aguçadíssimo, gostaria de ter esse feeling, essa percepção imediata das coisas, você tem razão, quero mesmo é falar de droga ilícita. O aliciamento de jovens e menos jovens para o mundo do crime, assusta-me e, assusta-me mais a impotência dos governos para combater o uso da droga e seu comércio. O bandido do tráfico é uma erva daninha que se espalha sem solução de continuidade, quanto mais arrancado do chão, mais brota com força no campo, por isto, acho que o Século XXI será prejudicado na história da humanidade. Portanto, gostaria que analisássemos o assunto. Concorda?

-Sim, amigo! Porém, deixo-lhe claro que não existe um remédio que cure os males das drogas. O uso de entorpecentes, psicotrópicos, transcende ao tempo de Jesus Cristo. Os escravos trouxeram de sua terra africana, a maconha (Cannabis Sativa), e os curandeiros usaram-na muito em seus ritos religiosos. Os pigmeus africanos usaram como entorpecentes a droga conhecida como iboga. A folha de coca é um alucinógeno muito usado na Bolívia e no Peru, inclusive, como chá. Os maias, os incas, os guaranis, os xavantes e os cheyennes fizeram uso de chás alucinógenos. Os povos orientais e ocidentais consumiram por demais o haxixe e o ópio. Mais recente, novas drogas industrializadas surgiram no mercado, a exemplo da LSD, cocaína, ecstasy, crack... – aparteei-o:

-Meu amigo Tanaguchi, na prática, nada acrescenta a história das drogas, é demais conhecida, produtivo, seria se pudéssemos oferecer às futuras gerações, propostas nas políticas públicas do país para que a droga fosse erradicada da sociedade, que a nossa juventude não fosse atraída para o mal, que as famílias não fossem destruídas, enfim, que os nossos filhos e o filho do outro, fossem poupados dos ardis desses animais do narcotráfico, que mais vidas não fossem sacrificadas!

-Meu caro amigo, nossa intenção foi lhe demonstrar que substâncias alucinógenas são usadas muito antes de Cristo, conforme a religião, a cultura e os costumes sociais daquela época. Hoje, essas substâncias são industrializadas, transformadas e comercializadas, não são mais usadas no tratamento de doenças, mas para alienação da realidade e fuga existencial. Acho pretensão pensar em alguma proposta para sua erradicação. As substâncias psicóticas existirão sempre, nenhuma varinha de condão eliminará a droga num passe de mágica. Portanto, a droga é uma droga!

-Meu estimado guru, sei que é uma empreitada quase impossível, pois a droga mexe com o psiquismo das pessoas, muda o comportamento do indivíduo, também é nociva fisicamente, além de produzir toxicômanos aos milhões no mundo. Hoje, é uma preocupação de todos os poderes do nosso país, combater a produção e a distribuição de substâncias alucinógenas e punir com leis severas os narcotraficantes, todavia, torna-se cada vez mais difícil porque eles se homiziam e controlam comunidades com poder de fogo igual às polícias civis e militares!

-Meu caro, você terminou sua fala com o “xis” da questão: matar criminosos, prendê-los, apreender substâncias e fechar “laboratórios”, não irá resolver o problema da droga, acho que o caminho... – eu o interrompi:

-Qual a saída, senão, o uso da força?

-Meu amigo, “enxugar gelo” vale a pena?

-Não!

-Pois, as ações dos órgãos de segurança de combate ao narcotráfico têm se prestado a isso. Você me pediu uma opinião, vai lá: seguir o exemplo do Uruguai, Dinamarca, Colômbia, Portugal, Chile, Holanda, Bélgica, etc. Nesses países, a droga é vendida como se vende remédios de tarja preta nas farmácias, conforme a necessidade de cada um, inclusive, o governo propicia ao dependente químico, salas e praças para o uso da droga. Não existe uma política de repressão policial, de proibição, mas programas de terapia. Pouco a pouco a influência do narcotraficante se extinguirá, porém, só isso não basta, é necessária muita informação nos meios de comunicação. A mídia mostrar, diuturnamente, os malefícios do uso e da dependência dos alucinógenos, ou seja, fazer apologia às avessas do uso da droga.

Acho que o encontro com Tanaguchi foi proveitoso. Ele tem razão, as autoridades estão dando “murro em ponta de faca”, tudo que é proibido é desejado, talvez, o caminho seja a liberação da droga de forma controlada e a dependência química tratada como doença.


Autor: Rilvan Batista de Santana
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Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 11/07/2018

Cacau e peleja - R. Santana

 

            Cacau e peleja - R. Santana
 
I

    Joaquim Santos Almeida, conhecido por amigos e inimigos por “Kinkim”, do balaústre da sua casa, olhava a beleza que ficava abaixo do outeiro, na entrada da fazenda Angicos: uma cancela, uma estrada de pedras brutas multiformes com mais ou menos 500 m de comprimento por 8 m de largura, ladeada por palmeiras imperiais, mudas importadas de longe que lhe custou “os olhos da cara”; uma enorme represa, onde gansos e patos davam o toque de beleza ao cenário e os gramados laterais arborizados completavam a visão bucólica. Tudo aquilo não tinha sido construído de estalo, mas com muito trabalho, suas terras de mata e cacau formavam um grande latifúndio, possuía terras cultivadas e incultas às margens do Rio Pardo, no vale do Rio Panelão e às margens do Rio Panelinha.

    Kinkim e seu amigo Natalino Pataxó vieram para o Vargito na 2ª. Expedição liderada pelo médico José Elias Ribeiro, ambos, com um pouco mais de 17 anos de idade. Derrubaram matas, cabrocaram capoeiras, demarcaram terrenos e plantaram cacaueiros, mataram quem lhes quis atrapalhar, construíram casebres de pau a pique entrelaçados de varas amarradas com cipós em forma de quadrados e preenchidos de barro, casebres cobertos de piaçava, outrora, usavam as copas mais altas das árvores para passar a noite.

    No início do desbravamento, eles se alimentavam de peixes, tatus, saruês, quatis, carne-seca, toucinho, dobradinhas, farinha, sal e pimenta, de quando em vez, feijão e carne de boi e carne de porco adquiridas na feira-livre do Vargito. Além de lhes faltarem recursos financeiros, sem produtividade de cacau, toda economia era bem-vinda. Anos depois, lá para o ano de 1935, eles eram ricos fazendeiros e inimigos figadais.

    Kinkim tinha ambição desmedida, aumentou suas terras comprando-as por vinténs ou expulsando posseiros pelo argumento do bacamarte e do parabélum. Sovina, tudo que produzia em suas terras, o dinheiro era guardado sob sete capas. Não desperdiçava nada, até as mulheres de vida fácil do povoado Vargito não lhe arrancava dez-réis de mel coado, além do combinado.

    Kinkim não gostava de cachaça, não fumava, não jogava, seu único vício, era o bate-coxa no cabaré de Maria João. Gostava de andar sozinho, dizia que “puta só e ladrão só”, ou, “melhor sozinho do que mal acompanhado”. Quando enricou, junto com o dinheiro e os bens, vieram atrás de si, muitos inimigos, por conta disto, sofreu dois atentados rechaçados por tiros fatais ao inimigo, porém, num deles, o cavalo foi morto. Daí em diante, passou ser acompanhado por jagunços guarda-costas armados até os dentes com carabinas e pistolas.

    Natalino Pataxó tornou-se também homem rico, não tanto quanto Kinkim, não tinha a mesma ambição desmedida do outro, fazendeiro de 2000 arroubas de cacau que lhe propiciou ter casa em Itabuna para manter os meninos na escola e o filho mais velho foi estudar engenharia em Salvador. Também, não tinha vícios, de quando em vez, fumava um charuto para distrair-se não por necessidade.

    Jovem, teve que enfrentar com clavinote e pistola, índios indolentes e jagunços travestidos de posseiros para se estabelecer, porém, intuitivamente, sempre teve bom senso para separar o certo e o errado. Sempre soube separar o pioneiro do desbravador sanguinário, não atacava, contra-atacava, rompeu a amizade com Kinkim porque ele era desprovido de senso moral, ele não separava a justiça da injustiça, “os meios justificam os fins”, com este marco, ele ceifou a vida de muitos inocentes para construir seu latifúndio.

    Natalino herdou dos pais o sentimento religioso, sua mãe era papa hóstia, seu pai não ficava atrás, a Bíblia era o seu livro de cabeceira, não perdia uma missa, chovesse ou fizesse sol, não tinha inimigos, pequeno agricultor, sua fazendola nunca foi além de 200 arroubas de cacau e, louvava a Deus todos os dias, seus filhos não passarem fome e levarem uma vida digna. Natalino saiu de casa a contragosto, ele e a mulher passaram dias na igreja orando para que nada lhe acontecesse, só relaxaram a devoção quando souberam que o filho estava no Vargito são e salvo.

    Por isso, não se tomou como surpresa o misticismo de Natalino depois de maduro. No início, ingressou numa igreja evangélica, depois pelos caminhos tortuosos da vida, ele começou a frequentar um candomblé da redondeza e com a morte do “Pai de Santo”, ele assumiu os trabalhos com o título: “Pataxó Babalorixá”. Algum tempo depois, transferiu o terreiro de sua seita para sua fazenda num grande e suntuoso caramanchão.

    Tinha consciência que corria perigo de morte desde que recusou, peremptoriamente, vender suas terras da fazenda Jupará para Kinkim, pois seus 150 hectares, afora a produtividade de cacau, possuía boa aguada, 30 hectares de mata, 40 hectares de pastos piquetados e, inviabilizava seu arquiinimigo estender suas terras pelo lado norte de sua fazenda. Não tinha medo dele tête-à-tête, porém, o conhecia desde o tempo das “vacas magras”, o homem era mais traiçoeiro do que corajoso, se vacilasse, ele viraria comida de urubu por algum jagunço de seu desafeto, escondido atrás de uma jaqueira ou um pé de vinhático, a soldo de Kinkim, por isto, nunca se desapartou de um parabélum ou um clavinote.
II


    Natalino Pataxó teve razão em alimentar por muito tempo a covardia de Kinkim, naquela manhã, “Joaquinzinho” presenciou a conversa particular do seu pai com um conhecido pistoleiro:

        - Vesgo, ele vai ver a mulher e os filhos em Itabuna!

        - Quando?

        - Dia 30, deste mês!

        - Ele tem fama de bruxo...

        - Supersticioso?

        - Não!

        - Medo é pra maricas, rapaz!

        - Eu sou homem de fé...

        - Quer desistir?

        - Não! – Completou:

        - Não sou homem de mijar acocorado, patrão!

        Silêncio...

        - Quanto é o serviço?

        - Dez contos de réis!

        - Tudo isso?

        - É bagatela. Ainda lhe trago a cabeça e os colhões!

´        -Tá doido, Rapaz!?

        - É costume!

        - Negócio fechado. Daqui a 15 dias compareça aqui, quero lhe dar uma carabina nova e munições, vá lá que surja muita gente lhe...

      - Patrão, desculpe-me, mas não uso ferramenta alheia, tenho por costume fazer uma marca na coronha do meu clavinote, cada vez que eu envio um daqui pra o lado de lá! – ele mostrou a coronha da arma toda picotada.

        - Até mais ver!

        - Até!
III


    Joaquinzinho não aprovou a conversa de Vesgo e seu pai, inclusive, tiveram uma discussão. Não compreendia aquela inimizade, pois na mocidade ambos eram carne e unha. Trabalharam como um condenado, construíram suas fazendas, até tinham casa em Itabuna para que os filhos pudessem estudar. Entendia que matar um homem só em legítima defesa, principalmente, se esse homem era compadre recíproco. Gostava do padrinho e faria tudo para evitar que ele fosse assassinado. Gostava também do seu pai, mas depois que ele começou estudar na capital, lhe reprovava o comportamento desumano, primitivo, sua ambição não tinha limite, pressentia que seus últimos dias de vida não tardariam chegar.

    Mantinha boa relação com Natalino, a contragosto do seu pai, argumentava que o padre da paróquia dizia que “o padrinho é um segundo pai”, por isto, não tinha nada a ver com suas desavenças.

    Seu padrinho o tinha como filho, lhe dispensava os mesmos cuidados que dispensava aos próprios filhos, até a idade de 12 anos, passava mais tempo na casa do padrinho que na casa dos seus pais, depois do rompimento de amizade dos adultos, é que passou se encontrar de quando em vez com Natalino, portanto, vê-lo morrer numa tocaia promovida pelo seu pai, seria o mesmo o que Judas Iscariotes fez ao Cristo.

    Enfim, às escondidas, seu padrinho dava-lhe uma mesada mensal para que não lhe faltasse nada em Salvador.

IV

    Naquele dia 30 de junho de 1937, às 17 horas, Natalino e mais 3 camaradas, encilharam os animais para seguirem viagem até Vargito de lá para Itabuna, que se o tempo tivesse bom, eles levariam 2 dias na viagem, mesmo com trechos íngremes, riachos e ribeirões para os cavalos atravessarem, se o tempo tivesse chuvoso e relampejando, o tempo na estrada seria maior. De sua fazenda Jupará até o Vargito dista 1,5 légua, por isto, ele e os camaradas programaram sair mais cedo e pernoitarem no povoado. Além dos animais de montaria, levaram mais 3 animais de cargas que seriam usados no retorno com os caçuás de mantimentos.

    Ardiloso, dessa vez não quis viajar sozinho e preparou vários artifícios para não ser pego desprevenido em alguma tocaia desde que recebeu um bilhete  de Joaquinzinho: “...padrinho o senhor está na mira do clavinote de Vesgo, cuidado quando for viajar”. Por isto, quando saiu do descampado ainda dia e entrou na mata, frouxou o cabresto de uma égua e esperou sua reação, repassou as estratégias combinadas com os camaradas, à frente do grupo, um boneco tamanho homem, vestido com um capote colonial de luvas e chapéu confundia qualquer cabra por mais sagaz que fosse, não tardou a égua sair do grupo e adentrar na mata atrás de algum cavalo ali, enquanto o boneco avançava e recebia uma saraivada de balas, ao mesmo tempo, todos saíram agachados em direção contrária à linha de fogo.

    Quando Vesgo entendeu que havia caído numa cilada quatro carabinas miravam suas costas, tentou reagir, mas uma bala certeira despedaçou a coronha de sua arma, enquanto Natalino gritava: “A próxima será em sua cabeça, levante as mãos!” Vesgo, boca dura, quis dar uma de pistoleiro ético e recusou-se falar do mandante, então, 2 camaradas amarraram o pistoleiro, jogaram-no em cima dum cavalo, uma corda foi laçada no seu pescoço e a ponta amarrada num galho de ipê amarelo, Natalino Pataxó argumentou:

        - Cabra, aqui tem 4 carabinas apontadas pra você, se quiséssemos já tínhamos lhe matado e jogado seu corpo no pasto para os urubus, porém, dou-lhe a chance de viver se disser quem mandou me matar (ele sabia...), mas se insiste vou soltar este cavalo, você sabe o que irá lhe acontecer. Vou contar até 10:

        - Um, dois, três, quatro, cinco, seis... – na casa do sem jeito, Vesgo gritou:

        - Foi seu Kinkim!!!
V

    Na manhã seguinte, Natalino abre a cancela da fazenda Angicos com 6 homens armados com carabinas engatilhadas, parabéluns pendentes nos arções da sela, peixeiras nas cinturas, numa distância prudente, Natalino Pataxó, grita:

        - Kinkim! Kinkim! Kinkim! – ele aparece com dois cabras:

        - Quem lhe autorizou você entrar em minha propriedade? – os cabras se mexeram, mas foram desarmados pelo pessoal de Natalino numa ação relâmpago...

        - A polícia! Você conhece o sargento Barreto? – Kinkim empalideceu, respondeu:

       - Não! Não tenho nada ver com a polícia, saiam de minhas terras! – O sargento não aguentou:

        - O senhor está preso!

        - Por quê?

        - Mandou assassinar Natalino Pataxó!

        - Quais as provas?

        - O pistoleiro Vesgo preso, mais dez contos de réis! – ele tentou reagir, mas o sargento tirou sua arma do coldre com um tiro.

        - Mãos pra cima, está preso!

    Cena macabra: o temido fazendeiro Joaquim Santos Almeida em cima do seu cavalo com os punhos atados, desarmado, seus asseclas atrás, sete carabinas prontas para qualquer eventualidade, cavalgavam lentamente em direção ao Vargito. Começava, ali, a Lei dos homens ser cumprida naquelas terras do sem fim.



Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Foto: Google

Manolo - R. Santana

 


Manolo - R. Santana

Manolo conheceu Laika em uma praça não muito distante de sua rua. Não foi amor à primeira vista, ela resistiu, adiou encontro, argumentou compromisso, passeou com outro em sua rua para dissuadi-lo, mas Manolo não desistiu, conquistar Laika passou ser obsessão, questão de honra, como “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, assim, conseguiu conquistá-la. Algum tempo depois, veio-lhe a recompensa: “onde ele vai, ela vai atrás”, um nasceu para o outro e ambos nasceram para o mundo, todos dizem que ela é igual chiclete, grudou nele para não mais sair.

Ultimamente, eles vivem num perrengue de dar dó, se comem de dia, não comem de noite, mas se conformam, porque, tem um ao outro, situação ruim que se dane, acreditam que depois de uma noite tempestuosa, poderá vir dia de sol, o importante, eles estarem vivos e felizes, o resto que se lixe! Se não fosse pelo apego de Manolo por uma amizade antiga, eles não estariam mais naquela rua, naquele bairro, naquela cidade.

Laika alimenta deixar descendente, seria desperdício passar por esse mundo e não gerar outro ser que lhe fosse semelhante no físico e no coração, mais no coração que no físico, ainda mais por ter um companheiro bonito, bondoso e corajoso quanto Manolo, portanto, sua prole seria bem-vinda se não fosse a resistência de seu macho em evitar outro serzinho, pelo menos, enquanto eles não tivessem casa própria e comida sem sacrifício.

Manolo nasceu bravo, mas dócil e fiel, aliás, fidelidade é seu traço maior, enquanto Laika é brava, delicada, porém, menos fiel. Se não fosse a dureza de atitude do seu companheiro, ela já estaria nas garras de outro macho, porém, ele é prestimoso, fiel e carinhoso e, ela foi ficando e ficou.

Naquele dia, ambos estavam inquietos, irritados, nervosos, com feelings aguçados, sentiam que algo estava para acontecer. Perguntavam: - o quê? Mas, não obtinham resposta. Se fosse bom, seria bom para ambos, se fosse algo mau, o mal seria, também, para os dois. Laika só tinha medo de algo que lhe separasse de Manolo, preferia morrer! ...

À noite, cedo foram dormir, às 2 horas do outro dia, acordaram com o perigo...

[...]

Naquele dia, também, Danilo Moretti não pregou os olhos logo, pensava em sua vida, o destino que lhe trouxe até ali há 30 anos, com a mesma a força que as ondas agitadas do mar empurram as coisas para costa.

Naquela época, jovem, bancário de banco do governo e a cara metade, médica, boa situação financeira, dois pirralhos de 4 anos e 6 anos de idade e uma pirralha de 3 anos de idade, foi obrigado deixá-los, tangido pela droga. No início, ele usava cocaína e outras drogas de rico e quando a mulher o expulsou de casa por não aguentar mais aquela situação de vício, ele saiu da cidade, tornou-se morador de rua, pedinte, mudou de cocaína para maconha e da maconha para pedra de crack e o inferno lhe acolheu em vida.

Acostumou-se com a miséria e a falta de identidade. Naquele submundo ninguém tinha nome, mas apelido, de “Danilo Moretti” passou ser conhecido por “Lopeu”, desconhecia a origem do apelido e quando alguém lhe questionava o significado, ele respondia rindo que deveria ser corruptela de “Lopes”, se não fosse, nenhuma importância faria para o outro, continuaria Lopeu.

Na rua, não aprendeu roubar nem matar pra roubar, resquícios morais de antes não tinham desaparecido do seu ser, não tinha natureza, preferia sustentar seu vício pela mendicância ou prestar um ou outro serviço esporádico quando alguém lhe contratava, geralmente, lavar um carro, capinar um quintal, ajudante de pedreiro, serviço sem qualificação nem carteira profissional assinada. Não criava limo no lugar, não criava vínculo com o outro, quando acontecia, ele mudava de rua e de cidade.

Gostava mesmo, era de perambular aqui, ali, acola, saco nas costas cheio de apetrechos pessoais, comia onde lhe desse e dormia onde lhe parecesse seguro com seu cachorro que pra completar tinha arranjado uma fêmea pra lhe seguir.

O cachorro surgiu em sua vida não sabe como, amor à primeira vista, lhe matou a fome um dia, no dia seguinte continuou e continuou sempre, ambos tinham natureza de andarilho, jamais eles se separariam, pois se completaram no infortúnio da vida.

Às vezes, aparecia algum curioso para lhe bisbilhotar o passado, Danilo Moretti pouco falava ou nada falava, quando incitado, dizia que o passado fechou a porta e jogou a chave fora.

Foi internado duas vezes por overdose, da última vez, passou 6 meses numa casa de apoio do governo, tomou vergonha na cara e, determinado, abandonou o vício.

À noite, cedo foram dormir, às 2 horas do outro dia, acordaram com o perigo...

[...]

Sexta-feira 13, mês de abril, deste ano, às 2:00 horas, a luz do poste entrava pelas frestas do barraco, quando Danilo Moretti é acordado com chutes no traseiro. Dois sujeitos exigiam-lhe que ele desse conta de uma mochila, aturdido pela hora e pelo sono, ficou sem saber lhes responder de imediato, o mais moço dos indivíduos e mais inconsequente, sacou uma arma e o ameaçou:

-Vagabundo, que é de a mochila?

- Mas... não... sei lá!

- Não se faça de desentendido, seu maluco!

- É o primeiro dia que pernoito neste barraco, rapaz!

- Se não me devolver a mochila, é o primeiro dia e o último, seu doido!

- Vai procurar sua mochila onde perdeu, saia que quero dormir...

- Eu vou contar de 1 até 10, se você não abrir essa matraca, vou estourar seus miolos! – na iminência do perigo, Danilo Moretti ergueu-se rápido e tomou distância segura do indivíduo, enquanto ele contava com o revólver apontado:

- Um, dois, três... – Danilo Moretti deu um grito:

- Manolo! - o cachorro num átimo de tempo abocanha o punho do sujeito com tal força que o revólver cai no chão, enquanto, Laika pula com igual agressividade e firmeza no pescoço do outro marginal. Os homens sob o domínio dos cachorros gritam:

- Socorro! Socorro! Socorro!...

Danilo Moretti, com o revólver em punho, chama os cachorros e os homens com ferimentos lastimáveis no antebraço, peito e pescoço, são atendidos pelo SAMU, escoltados pela polícia, foram para o “Pronto Socorro” e, levados depois para delegacia e aguardarem audiência de custódia. Na saída, o oficial comandante recomendou:

- O senhor vá dormir, amanhã cedo, vá à delegacia do bairro!

Depois do furdunço, salvo dos marginais pelos seus cachorros, Danilo Moretti passou refletir e achou estranho que os meliantes, em nenhum momento, fizeram alusão à mochila, ele também, não a aludiu, preocupou-se em defender os cachorros, que agiram com agressão para lhe defender da morte, por isto, prometeu a si, procurá-la, assim que a noite se fosse.

Pelo sim, pelo não, teria que sair dali no outro dia, pois os elementos não ficariam detidos por muito tempo, foram mais vítimas do crime, portanto, eles voltariam para encontrar a cobiçada mochila.

 
[...]

Naquela manhã, Danilo Moretti apresentou-se à delegacia de polícia para colocar em pratos limpos a tentativa de morte que foi vítima à noite. No início, houve uma certa resistência dos assessores encaminhá-lo ao delegado, de saco de aniagem, roupa velha e chinelos, não era bom cartão de visita em nenhum lugar, mas quando o doutor delegado soube que ele tinha colaborado para aqueles meliantes da noite fossem detidos, fê-lo entrar:

- Senhor Lopeu, como tudo aconteceu? - Explicou ao delegado que estava dormindo e foi surpreendido com chutes no bumbum e ameaças de morte se ele não desse conta de uma ”mochila”. Disse-lhes que não sabia, que estava ali àquela noite, uma alma boa lhe tinha dado o barraco para morar enquanto não fosse construir, daí o rapaz mais moço e mais agressivo, sacou de um revólver e o ameaçou, na casa do sem jeito, deu voz de comando aos seus cachorros, foi salvo e apreendeu a arma que foi entregue aos policiais. Findo o relato pelo mendigo, o delegado voltou-se para um homem bem vestido que parecia esperar o desfecho daquela conversa:

- Doutor, acho que neste caso aplica-se o adágio popular: “ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão”. Ele roubou do senhor, alguém roubou deles, agora, os esforços da polícia serão muito mais para recuperar os seus bens. Qual o valor estimativo, hoje, do roubo?

- Bem... não sei....talvez...acho que... uns R$ 500.000,00 (Quinhentos mil reais), uma parte em dinheiro, outra parte, em joias, portanto, um prejuízo...

- Doutor José Maria, irei colocar mais gente na rua até descobrirmos o paradeiro dessa fortuna. Amanhã, eles terão uma audiência de custódia. Quem sabe se eles não darão informações mais precisas ao excelentíssimo juiz? – o mendigo cheio de dedos, pediu ao delegado um aparte:

- Doutor, depois que os rapazes foram presos, procurei a dita mochila ao amanhecer e a encontrei embaixo de Laika. O motivo de minha vinda, hoje, aqui, foi para lhe entregar essa mochila, não sei o que há dentro, mas deve ser o produto do roubo – tirou a mochila do saco de aniagem e a entregou ao delegado.

- Doutor José Maria, olhe seus pertences!

A euforia foi geral, Lopeu foi abraçado e agradecido, várias vezes, pelo Dr. José Maria. O delegado quis conhecer sua história de vida. Achou-o muito articulado e inteligente para um mendigo. A mídia foi informada do gesto do mendigo e a honestidade do mendigo virou notícia.

 
[...]

- Filho, é o seu pai!

- Mas mãe, esse mendigo é muito velho, pra ser o nosso pai. Com quantos anos, ele está hoje?

- Ele deve estar com 56 ou 57 anos...

- Então, esse aí deve ter 65 anos ou 70 anos de idade, ademais, chama-se Lopeu!

- Meu filho, o desleixo avilta. Dê-lhe um banho de loja, faça-lhe a barba e o cabelo, e, não será mais chamado de “Lopeu”, mas de Danilo Moretti!

- Duvido!...
[...]

- Manolo, a TV marcou uma entrevista comigo às 16 horas, não sei o que eles querem, já lhes disse que não quero aparecer, fiz a minha obrigação, nada mais... não é Manolo?

Silêncio...

Às 16 horas, daquele dia, na praça do bairro, Moretti barbeado, cabelo feito, roupa e sapatos novos - patrocínio da TV e empresários – e, um aparato de câmaras, cabos-mans e entrevistador, Danilo Moretti na berlinda, era o centro das atenções de curiosos que passavam e de muitas outras pessoas:

- Quanto tempo o senhor mora na rua?

- Há 30 anos!

- E, sua família?

- Desde essa época, não temos contato!

- Seu nome é Lopeu?

-Sim!

- Chama-se Danilo Moretti, não é?

- Ele morreu...

- Foi? Para as pessoas que vieram lhe ver, não!

- Quem veio me ver?

- Olhe para traz...

Moretti ficou pasmo, num primeiro instante, reconheceu a ex-mulher e deduziu que as demais pessoas eram os seus filhos. O mais velho dos três não negava sua paternidade pela semelhança, os outros dois filhos pareciam com a mãe, mas tinham muito do pai.

Choros, abraços e beijos marcaram o reencontro.



Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Imagem: Google












Feira Livre - R. Santana

 


Feira Livre - R. Santana

São Caetano


     A feira livre é a maior expressão de cultura popular. A feira livre tem literatura de cordel, grafiteiros, CDs e DVDs de todos os cantores, de todos os gêneros, além de DVDs de histórias infantis vendidos nas barracas: Chaves, Chapolin Colorado, Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, Os Três Porquinhos, Pinóquio, Rapunzel, Frozen e todas as histórias dos irmãos Grimm, filmes policiais, cowboys e filmes românticos.
     A feira livre do São Caetano, bairro da cidade de Itabuna, talvez, seja a maior feira livre do interior da Bahia, mais que as feiras de Alagoinhas, de Feira de Santana, de Santo Antônio de Jesus, de Vitória da Conquista, pois ela é permanente, de Segunda-feira a Domingo, inclusive, feriados e dias santos.
     A feira livre do São Caetano, certamente, não é maior do que a Feira Central de Campina Grande, nem a feira livre de Caruaru, a maior feira ao ar livre do Brasil, mas tem tudo pra chegar lá.
     A feira livre são-caetanense está situada numa área de mais de 20.000 m², suas bancas e barracas são distribuídas pelas ruas: Cosme Damião, São João, Potomiano, as transversais, e, a praça Dr. Simão Fiterman. Ela possui uma área coberta com estrutura de zinco e “metalon galvanizado”, onde ficam os restaurantes, os bares, os pequenos frigoríficos, os açougues, as mercearias, as barracas de farinha e, no entorno, lojas de roupa, mercados, lojas de calçado, armarinhos e oficinas de conserto e venda de celulares e acessórios eletrônicos.
     Os feirantes de frutas e verduras usam ao longo das ruas para distribuir suas bancas. Ali, o fereiro encontra tomate, berinjela, abobrinha, pepino, pimentão, manga, morango, açaí, jaca, mamão, coco verde, coco seco, todo o tipo de banana, limão mirim, limão rosa, todo tipo de laranja, pera, uva, maçã, jambo, etc.
     A quantidade de verduras e legumes é grande: brócolis, cará, couve, feijão, jiló, maxixe, nabo, salsa, alho, cebola, cebolinha, mostarda, taioba, salsão, repolho, espinafre, grão-de-bico, lentilha, milho verde, amendoim, quiabo, cenoura, batata doce, batatinha, aipim, inhame, rúcula, agrião, e, um sem número de verduras e legumes.
     As barracas de bolo de aipim, de puba, de beiju, de milho, doces e guloseimas saciam os pirralhos. Os adultos preferem as frituras: os pasteis, os quibes, as coxinhas e batatas fritas e acarajés. Ali, na feira livre do São Caetano, não faltam sucos de acerola, de limão, de laranja, caldo de cana e água de coco.
     Quando é meio-dia, os empregados de lojas e mercados vizinhos correm para os restaurantes da feira livre caetanense e existe ali uma variedade de comidas para todos os gostos e preços. Claro que no cardápio não há filé mignon assado ou à parmegiana, mas carne no feijão, farofa amanteigada, dobradinha, ensopado, carne suína, carne de carneiro, feijão tropeiro, churrasco, caldos, arroz e macarrão.
     Nos dias de sábado e domingo, a frequência é de mais de 10.000 fereiros, do centro da cidade itabunense, de outros bairros, de outras cidades, de quando em vez, turistas de outros estados ou de outros países. O enxame de gente é grande. Quando a feira é pra perto, usa-se a galinhota como meio de transporte, quando a feira é levada para outros bairros ou o centro da cidade, o fereiro mais aquinhoado usa o automóvel e o pobre vai de buzu.
     A partir de Sexta-feira, as entradas das ruas e as transversais são fechadas por bancas de pequenos agricultores que descem de suas roças em animais com caçuás repletos de verduras e frutas, alguns alugam camionetes porque grande é a quantidade de produtos agrícolas.
     As donas xepas deixam para ir à feira livre quando restou, somente, ao feirante, sobras de verduras ou de frutas e a queda dos preços se faz necessária, segundo a “Lei da Oferta e da Procura”, os produtos não perecíveis, a exemplo de farinha, do coco verde, do coco seco, dos óleos de coco e dendê, as carnes acomodadas em frigoríficos, as carnes salgadas e alguns cereais não vão à queima, ficam para final de semana vindoura ou vendido durante a semana.
     As carnes são variadas: carne fresca de boi, carne de frango in natura, frango e galinha caipira vivos, carne de porco, carne de carneiro, dobradinhas, caças, jabá e carne-de-sol, além de peixes de todas espécies, caranguejos, camarões e pitus.
     Os furtos e os roubos não prosperam, embora os produtos sejam cobertos por lonas plásticas e amarrados em suas bancas com cordas de “nylon”, de segurança vulnerável. Porém, a organização do feirante mantém vários vigilantes armados que rondam a feira livre toda noite, impedindo assim, as ações de meliantes.
     O fato de barracas fixas, pouco e pouco, elas são usadas como moradia e lugar de perdição, corrupção e vícios.
     A feira livre são caetanense não é contemplada como deveria ser com medidas efetivas do governo municipal de saneamento (fica à beira de um canal de esgotamento sanitário), limpeza e organização: o canal urge cobertura, a limpeza deveria ser diuturna, as barracas padronizadas, fiscalização e normas duras de higiene com o objetivo de evitar os desleixos e a falta de consciência comunitária da maioria dos feirantes.
     Enfim, mazelas corrigidas, a feira livre do São Caetano, bairro itabunense, é a maior e mais atrativa do interior baiano, lá tem tudo, não levará tempo, o fereiro aquinhoado irá encontrar “stands” de venda de carrinhos de bebê, de motos, de bicicletas, de automóveis, de tratores e caminhões.

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro efetivo da Academia de Letras de Itabuna
Licença: Creative Commons

Imagem: Prefeitura notifica feirantes no São Caetano

para novos dias e horários

Foto: Gabriel de Oliveira


“Quem semeia ventos, colhe tempestades” - R. Santana

 


“Quem semeia ventos, colhe tempestades” R. Santana

“Quem semeia ventos, colhe tempestades”
R. Santana

Eu fico aqui no meu canto, chorando os meus prantos... Não sou dono da verdade, se tivesse a verdade comigo, quem iria me ouvir, quando o país é tomado de comoção pelos últimos acontecimentos e todos os ouvidos estão moucos? Não que como ser humano, também, não fui tomado dessa perturbação coletiva, porém, far-se-á necessário colocar os pingos nos ii, separar o joio do trigo, para que a cultura do ódio não substitua o bom senso, a amizade, o altruísmo, a filantropia e a boa índole do povo brasileiro.
Nenhum ser humano, por mais que não gostemos de suas convicções políticas ou religiosas, merece a violência física ou moral, o crime não justifica o desatino de ninguém. Atitudes politicamente incorretas devem ser combatidas com o diálogo, o exemplo e a lei: “A força do direito deve superar o direito da força”.
O argumento da força, deve ser contrariado pela força do argumento, quando falta argumento ao indivíduo limitado intelectualmente, ele recorre à grosseria, à violência.
A História está repleta de desastres nacionais pela comoção irrefletida de algumas nações, a exemplo, o incêndio do “Reichstag” alemão em 1933, levou o povo estabelecer a Alemanha nazista, Hitler, Franco, Mussolini, a II Guerra Mundial, 50 milhões de vítimas fatais, vitimou 6 milhões de judeus, Hiroshima, Nagasaki, e a divisão do mundo em comunistas e capitalistas, portanto, a comoção coletiva, às vezes, destrói os princípios mais nobres de um povo.
O próximo dia 07 de outubro do ano em curso não deverá passar para nossa História como “Dia da Insensatez” pelo fato dos últimos acontecimentos. A escolha do presidente do país, deve pesar além de sua qualificação pessoal, profissional, experiência administrativa, vida pregressa ilibada, que, também, ele seja humilde, solidário, modesto e humano. O povo não necessita de heróis megalômanos de ideias radicais desumanas, extravagantes e preconceituosas, mas de um sujeito centrado e sensível aos reclames dos desassistidos da vida.
Neste momento, gostaria de poder amenizar a dor e o sofrimento físico do senhor Jair Bolsonaro, mas jamais comungar com suas ideias preconceituosas, discriminatórias, que faz apologia do “olho por olho, dente por dente”, da pena de morte, que seu livro de cabeceira é: “A verdade Sufocada”, ou, Rompendo o Silêncio”, do coronel Ustra, ex-chefe supremo do DOI-CODI, remanescente dos porões do regime militar e discricionário de 1964, morto em 2015.
Custa-me acreditar que pessoas inteligentes, intelectuais e pessoas pensantes da nossa comunidade, sejam contaminadas por ideias retrógradas, herança do atraso, de um tempo distante e empunhe a bandeira política de Bolsonaro com todas as paixões, até, comprometendo velhas amizades. Ademais, um candidato que não entende de economia e nomeia, a priori, seu ministro da Fazenda, um banqueiro, o senhor Paulo Guedes, é como se entregar “o galinheiro à raposa”.
Nós temos, nessa eleição do dia 7 de outubro, deste ano, candidatos probos, qualificados, com experiências administrativas comprovadas, homens e mulheres de família, que honram à pátria, Deus, e sensíveis aos problemas dos menos favorecidos pelo destino.
O ato desprezível e covarde de Adélio Bispo de Oliveira ao candidato a presidente do país, o deputado Jair Bispo Bolsonaro, é um atentado ao estado democrático de direito e ao indivíduo, um crime execrável. Acredito que por detrás desse ato vil não existe mandante político ou envolvimento político partidário, é mais um daqueles casos de algum tresloucado que se diz enviado de Deus para conter a ascensão política de líderes que semeiam ideias radicais e nocivas à sociedade, principalmente, às minorias historicamente discriminadas.
É do conhecimento de todos, inclusive, dos seus eleitores de cérebro, não apaixonados, os rasgos, os ímpetos de mau gosto do ilustre candidato presidencial: “... capim para os eleitores de Lula”, “...vou metralhar a petralhada do Acre”, “... fuzilamento de Fernando Henrique”, “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”, "Eu fui num quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles", "Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria...”, “Fui com os meus três filhos, o outro foi também, foram quatro. Eu tenho o quinto também, o quinto eu dei uma fraquejada. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher”, “Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”, “O governo não faz planejamento familiar porque acha que quanto mais pobre existir melhor. Porque serão mais eleitores amarrados nos seus programas assistencialistas“, “O único erro foi torturar e não matar“, “Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas“, etc., etc., etc. Embora não justifique, mas quem semeia tanto ódio e preconceito, mexe com a cabeça maluca de muitos “Adélios”.
Quando fechava este artigo, assisti perplexo no JN, lá no “Albert Einstein”, o candidato a presidente Bolsonaro, sentado e aparentemente bem, de pijama azul e meias de compressão, ao invés de agradecer ao povo brasileiro pelas orações de saúde que lhe fez, sua mensagem foi simular com as mãos o uso de armas de fogo.
Esse Brasil de ódio e violência não quero para mim nem para os meus filhos e netos. Acho, também, que milhões de brasileiros cordatos de paz e amor não irão embarcar nessa nave em que seu principal comandante vaticina que a solução dos nossos problemas não será pelo diálogo incessante, mas aos arrepios das leis, pela truculência e arbítrio. Rilvan Batista de Santana. São Caetano, Itabuna (BA), 09 de setembro de 2018.
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 09/09/2018

Mulher não nasceu para sujeição - R. Santana

 

Mulher não nasceu para sujeição - R. Santana
 

O voto é pessoal e intransferível, é ato de vontade, é ato de cidadania, manifestação democrática que exercemos como instrumento de mudança, de desenvolvimento do município, do estado, do país, principalmente, para fortalecer as nossas instituições políticas e jurídicas. A omissão do voto e a alienação política não contribuem para melhorar o nosso pais, temos que votar para o aperfeiçoamento político, que escolhamos o menos pior para representar-nos no legislativo ou no executivo. Todavia, o voto tem que ser refletido, não uma “Maria vai com as outras”, o postulante a qualquer cargo deve ter compromisso claro com as políticas públicas de interesse da comunidade, da sociedade, não, somente, propostas demagogas e projetos de poder pessoal, às vezes, projetos pessoais escusos.

Não entendo como pessoas inteligentes, instruídas em várias áreas do conhecimento, empunham a bandeira do radicalismo, do preconceito, da violência, da aversão às minorias, enfim, do atraso social. Acho que é desespero, pessoas que não acreditam mais no processo político vigente nem nos políticos atuais, no homem. Faz algum tempo, um caçador de marajá de Alagoas, propôs moralizar o Brasil, acabar com a corrupção, a inflação, acelerar o desenvolvimento privado e público, colocar o país entre às nações do primeiro mundo, não demorou muito tempo, ele confiscou o dinheiro do povo e terminou “impeachado” por corrupção, arrogância, incompetência administrativa, ignorância em política econômica e, manter uma eminência parda nos negócios do estado.

Mais de 25 anos depois, a história se repete, as forças políticas descontentes com “status quo” atual e apoiam um candidato radical, com ideias nazistas e fascistas, despreparado, que há 30 anos mama nas tetas do governo, ele e a família, todo período de legislador federal, ele não conseguiu, sequer, aprovar um projeto de interesse do brasileiro menos aquinhoado.

Na época de Collor de Melo, justificava-se o interesse das mulheres votarem num candidato galã, jovem impetuoso, a encarnação política tupiniquim do “Superman”, do “Homem de Ferro”, do “Capitão América”, do “Hulk”, do “Thor”, e tantos outros heróis do cinema, que ele iria resolver todos os problemas existenciais do homem brasileiro.

Hoje, não mais existe herói, o candidato “salvador da pátria” é um herói às avessas, um machão declarado, um preconceituoso, que a mulher serve pra procriar, do lar, deve ganhar salário menor que o homem porque engravida e não deixar seu parceiro “fraquejar” no sexo pra não parir fêmea, que promete dar ao seu filho uma educação nos mesmos moldes machão, uma educação radical, ao invés de lhe oferecer um livro de Saint-Exupéry, oferece-lhe um livro do coronel Ustra.

Não entendo as mulheres que não têm discernimento político necessário para separar o joio do trigo, que não têm autoestima, que não se dignam, que não valorizam sua cidadania, que não entendem seu desígnio da maternidade, que não é sujeito de sujeição, que se deixa ficar atrás do homem e não ao seu lado, que patriarcado e matriarcado não existem mais, mas uma sociedade de amor e interesses comuns sem prejuízo do indivíduo.

Por isso, custa-me acreditar que a mulher contemporânea do nosso país, vai aderir um candidato presidenciável com o perfil do provérbio árabe: “Vez por outra dar uma surra na mulher é algo saudável: tu podes não saber por que estás batendo, mas ela sempre sabe por que está apanhando...”, portanto, lamento pelas mulheres que não têm consciência de sua importância na sociedade moderna e ainda é ser de sujeição e baixa autoestima.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons



Caiu a máscara de Bolsonaro - R. Santana

 


Caiu a máscara de Bolsonaro - R. Santana
 
Meu amigo (a):

A máscara de pai da moralidade, representante máximo dos bons costumes e guardião da família brasileira do Sr. Bolsonaro, foi ao chão! Um processo movido por sua ex-mulher veio à tona esta semana pela revista Veja. Nesse processo de 2008, da 1ª. Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ela o acusa de renda superior ao que ele recebia como militar da reserva e deputado federal, ocultação de patrimônio e renda à Receita Federal, roubo de cofre, ameaça de morte, disputa truculenta pela guarda do seu filho mais novo e, teve que fugir para Noruega...


Hoje, Ana Cristina Valle poderia ter um papel tão relevante quanto Thereza Collor e Pedro Collor na História do Brasil, todavia, sua ambição política foi maior do que, agora, seu discutível bom caráter, além de desmentir o documento que ela gerou, é candidata à câmara federal com o nome de “Ana Cristina Bolsonaro”. Será que essa oportunista, de caráter duvidoso, se elegerá? Não acredito que o povo carioca seja tão incauto!
Além das mazelas familiares desse cidadão que vieram ao público esta semana, o candidato a presidente, Jair Messias Bolsonaro, teve que lidar com seu franco atirador político, seu vice, o general Antônio Hamilton Mourão, criticou o 13º salário e adicional de férias e, atribuiu aos meninos desajustados das periferias à má criação de suas mães e avós. Se algum desavisado questionar que vice é vice, não manda, lembro-lhe que de Tancredo Neves pra que cá, três vices tornaram-se presidentes, portanto, o vice é um potencial presidente efetivo.
Por isso, não compreendo quando homens inteligentes, poetas, escritores, profissionais liberais, homens e mulheres do povo, empunham a bandeira de um candidato a presidente despreparado, falso moralista, preconceituoso, mulher tem que ganhar menos porque é parideira, candidato da bala, que durante 28 anos de deputado federal não fez nada, a família enriqueceu, ele enriqueceu, os filhos são políticos e têm cargos eletivos, enfim, todos mamam nas tetas do governo há anos e o povo paga suas contas.
Não defendo partido nem candidato, somos cidadãos livres, cada cidadão defende seu candidato de acordo sua consciência política, porém, não devemos no desespero, eleger falsos salvadores da pátria, lobos com pele de cordeiro, honestos duvidosos, homens de interesses inconfessáveis e promotores de ideias atrasadas que não se coadunam mais numa sociedade moderna.

Ele Não!!!

Atenciosamente, Rilvan Batista de Santana. São Caetano, Itabuna (BA), 29.09.2018


Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 29/09/2018
Alterado em 30/09/2018

A mentira Bolsonaro - R. Santana

 

A mentira Bolsonaro - R. Santana
 
O 1º. turno da eleição de 2018, encerrou-se no último domingo, dia 7 de outubro. O povo deu uma demonstração de maturidade política, mandou para casa políticos históricos da câmara federal e do senado: a renovação foi significativa. Partidos nanicos, hoje, têm assento nas 2 casas e, dos 10 candidatos presidenciáveis, sobraram Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A preocupação de Haddad é o social, a reforma tributária, reduzir os juros dos bancos, aumentar o consumo e o investimento. Respeitar a Constituição de 1988, aprofundar a democracia e cuidar do pobre, são propostas básicas de seu eventual governo. Haddad se preparou ao longo da vida para assumir a responsabilidade de dirigir um país continental como o nosso: acadêmico, advogado, especializou-se em Direito Civil, Mestre em Economia e doutor em Filosofia, professor de Teoria Política da USP, além de ex-prefeito da cidade de São Paulo e ministro da Educação por 7 anos.

Jair Bolsonaro serviu ao Exército Brasileiro de 1971/1978, especializou-se em paraquedismo e foi para reserva como capitão. Esteve envolvido em vários problemas de indisciplina e foi preso por algum tempo. O coronel Alfredo Pellegrino, o definiu: “Bolsonaro tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado aos seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”. Foi eleito vereador do Rio de Janeiro de 1989/91, hoje, ele está no 7º. mandato de deputado federal.

Bolsonaro é uma mentira, surgiu na esteira da insatisfação política do povo brasileiro que deseja passar o país a limpo da corrupção, da economia esfacelada, da violência e a solução dos problemas da educação, da saúde e do desemprego, porém, seu medíocre desempenho como deputado federal, durante 30 anos (nunca aprovou um projeto significativo), não o credencia para o mais alto cargo eletivo do país. Seguramente, ele não tem qualificação intelectual, administrativa e política para lidar com o Congresso Nacional.

O trabalho de Bolsonaro será desconstruir seu passado de autoritarismo, apologia da violência, preconceito com negros, gays, índios e nordestinos, além de partidário do conceito que a mulher profissional deve ter um salário menor porque é parideira.

Lamento que o povo ainda não se deu conta da mentira Bolsonaro! E, agredindo o pensamento lógico, eleja, neste momento, um candidato com ideias fascistas para governar um pais duma sociedade de cidadãos solidários, bons e de paz.

Para justificar a mentira Bolsonaro, permita-me caro leitor que analisemos, abaixo, didaticamente, a incoerência de suas ideias com a vida pregressa do candidato que lobo, traveste-se com pele de cordeiro para enganar o povo:

1. Família – Ultimamente, ele se apresenta como guardião dos bons costumes e valores inalienáveis da família, mas na vida pessoal, ele está no 3º. casamento, sempre troca a mulher velha pela nova, 5 filhos de 3 mães diferentes, 4 filhos homens e numa “fraquejada” veio uma mulher;

2. Religião – Não se duvida a fé do candidato, é coisa de foro íntimo, porém, neste momento, aliou-se aos principais dirigentes das igrejas evangélicas que historicamente, eles e suas famílias enriqueceram espoliando e explorando a boa-fé religiosa de um povo incauto e sofrido, ele usa a máxima imoral de Maquiavel: “Os meios justificam os fins”;

3. Democracia – Quem defendeu o regime militar ditatorial de 64, o autoritarismo e o famigerado coronel Ustra, falar de democracia, é uma falácia retórica, é subestimar a inteligência e a memória do povo;

4. Preconceito – É repetir o desrespeito que o candidato Bolsonaro tem pelas minorias e não reconhecer a sociedade plural que vivemos;

5. Moral e ética – Quem aceita auxílio moradia, legal, mas imoral para quem tem casa própria. Além de ter sido acusado por sua ex-mulher na revista Veja em processo de 2008, 1ª. Vara da Família do Rio de Janeiro, onde ela o acusou de renda superior ao que ele recebia como militar da reserva e deputado federal, ocultação de patrimônio e renda à Receita Federal, roubo de cofre, ameaça de morte e disputa truculenta pela guarda do seu filho mais novo e, ela teve que fugir para Noruega...

Alea jacta est, agora, se vota num ou noutro ou não se vota em nenhum, porém, um dos dois candidatos, será eleito o presidente do Brasil para os próximos 4 anos.

Enfim, não defendo partido nem candidato, somos cidadãos livres, cada cidadão defende seu candidato de acordo sua consciência política, porém, não devemos no desespero, eleger falsos salvadores da pátria, lobos com pele de cordeiro, honestos duvidosos, homens de interesses inconfessáveis e projeto de poder familiar, promotores de ideias atrasadas que não se coadunam mais numa sociedade moderna. Rilvan Batista de Santana – São Caetano, Itabuna (BA)
 
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 09/10/2018
Alterado em 09/10/2018

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