11.03.2025

Fernando Gomes Oliveira - R. Santana (O poder corrompe o homem)

 

Fernando Gomes Oliveira - R. Santana

(O poder corrompe o homem)


          Conheci Fernando Gomes nos anos 70, nas reuniões do antigo Movimento Democrático Brasileiro – MDB. Naquela época, ele se apresentava como “vaqueiro”, fazendeiro de gado e cacau. Quando havia desencontro de ideias dentro da diretoria do partido, presidida pelo saudoso Daniel Gomes, ele deixava o recinto esbravejando que sabia cuidar de suas vacas, não fazer política. Porém, o tempo iria se incumbir que, ele é mais político do que fazendeiro e cumpriu-se dessa vez, “ipsis litteres”, a sabedoria popular: “... a quem Deus prometeu vintém não dá dez réis”, ele seria nomeado secretário de administração algum tempo depois por José Oduque Teixeira, prefeito de (1973/1977).
          Esse ato de José Oduque Teixeira de nomeá-lo secretário de administração municipal, desagradou os intelectuais da época e a elite conservadora, mas Oduque é um homem de muita sensibilidade e seu feeling deu certo. Ninguém acreditava que um “vaqueiro” fosse desempenhar com desenvoltura e competência essa função de uma das maiores cidades do interior baiano. Além disto, Fernando de 3 palavras, ele falava 2 erradas. Conta-se que num salão de cabeleireiro na Avenida Cinquentenário, dois clientes fizeram uma aposta graúda que se Fernando falasse 3 palavras corretas em 10, um deles, ganharia a aposta, não demorou muito, ele chegou para fazer a barba, o cabeleireiro perguntou-lhe: “... álcool, talco ou quer que molhe?” e, Fernando: “Cuma?”, daí em diante, o apodo de “Cuma” não saiu mais da boca do povo, “Cuma” caiu no gosto do povo, hoje, é sua segunda identidade, “Cuma” é folclórico...
          A criatura tornou-se maior do que o criador, Oduque que foi um dos melhores prefeitos de Itabuna, ao longo do tempo se apagou politicamente, hoje, ele está no ostracismo, no desterro político definitivo. As novas gerações não conhecem Oduque, enquanto seu pupilo voou longe: prefeito 5 vezes, 3 vezes, deputado federal, e, corre à boca pequena que é pré-candidato para eleição de prefeito de 2020. Certamente, os tempos são outros, mas, ele é um homem de sorte e quem tem sorte, cria galinha no pé do monte e o ovo sai rolando até em cima.
          Porém, não seria de bom grado sua reeleição, o poder ao longo dos anos, satura, produz vícios e artifícios, corruptos e corruptores. Hoje, ele não possui mais o mesmo pulso, a mesma autoridade e determinação de antes, tempo em que seus secretários tremiam na base quando algo não dava certo e teria que enfrentá-lo. Naquela época, ele acompanhava in loco, diuturnamente, todas as obras públicas. Agora, ele delega tudo aos seus secretários, em particular, o secretário de administração, o secretário de governo e a secretária de assistência de social. Noutros tempos, os secretários não passavam de figuras burocráticas, ele centralizava todas as decisões administrativas e de governo, ou seja, o apego ao poder não morre, porém, a rotina do poder cansa, desgasta.
          Mas, se Fernando não tem mais fôlego para administrar como nos seus primeiros mandatos de prefeito, seus opositores não podem subestimar sua inteligência e habilidade políticas: não é do PT, no entanto, foi quem mais trouxe obras pra Itabuna com o governador Rui Costa (PT), no mês que findou (26.08.2019), ele inaugurou o Teatro Municipal Candinha Dória, velha aspiração de poetas, de artistas plásticos, de trovadores, de poetas de Haicai, de dramaturgos, isto é, todos os artistas da palavra e do som da nossa terra tupiniquim.
          Não obstante sua aparente desmotivação na ingerência dos problemas cotidianos do município, ainda lhe pesam processos de improbidade administrativa que, ele irá enfrentar no próximo ano, ano de eleição. Segundo as más línguas e a imprensa opositora, a Justiça Eleitoral não lhe concederá registro, portanto, potencialmente, não será candidato, logo, não haverá reeleição.
          Não é fácil para alguém que está há 40 anos gozando das benesses do poder, mamando nas tetas da vaca prefeitura, voluntariamente, ele se desapegue dessas mordomias, seja generoso, seja menos egoísta, seja menos vaidoso e tenha menos apego ao poder, tenha grandeza para contribuir na inserção de novos métodos de trabalho e novas ideias administrativas, compreender que não é mais imprescindível ao desenvolvimento da cidade.
          Urge a mudança do executivo itabunense e que o povo saiba escolher em 2020, que escolha gente diferente, escolha candidato a prefeito que não roube e não deixe roubar, um prefeito que não pratique o nepotismo sob forma disfarçada, que não permita a sinecura, que pense no bem comum, não nos seus interesses inconfessáveis.
          Itabuna de mais de 100 anos de existência não precisa de “jardineiro”, nem pintor de meio-fio. Claro, que a parte estética é fundamental, uma cidade bonita chama a atenção dos visitantes, as pessoas sentem-se bem com sua beleza. No entanto, a cidade itabunense tem outras necessidades prementes, a exemplo de incrementar o comércio, de estimular o pequeno empreendedor, de estimular os prestadores de serviço, de isenções tributárias e condições físicas para novas empresas e indústrias de fora, no linguajar economês: gestor que gere riquezas com políticas públicas de emprego e renda.

 

Dois anos depois:

          Existe um ditado popular que diz: “...quem quer ser bom morra”, infelizmente, só enxergamos as qualidades do outro depois de morto, em vida, não sei se por inveja ou despeito, temos dificuldade de aceitar o sucesso do outro, não é regra, mas geralmente, é essa a conduta humana.

          Em 24 de julho de 2022, no Hospital Aliança em Salvador, morreu Fernando Gomes Oliveira de uma bactéria que provocou uma crise hepática. Não teve um sepultamento igual seu antecessor, José de Almeida Alcântara, porém, teve todas as honras de um chefe executivo municipal: hasteamento da bandeira no paço municipal e luto decretado pelo prefeito Augusto Castro, presença do governador Rui Costa, velório no Teatro Candinha Dória, uma de suas últimas obras.  

           Fernando sempre será lembrado pelas inúmeras obras que fez em Itabuna: Hospital de Base Luis Eduardo Magalhães, Maternidade da Mãe Pobre Ester Gomes, viadutos, escolas na periferia, ginásio IMEAM, “Vila Olímpica”, municipalização da EMASA, usina asfáltica, infraestrutura de água e esgoto em toda cidade, etc., etc.

          Que a terra lhe seja leve e sua morada eterna seja sob à sombra do Onipotente Deus.

Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons 

Att.:

Fiz uma reedição deste texto 03.12.2022

Intolerância ideológica (II) - R. Santana

 


Intolerância ideológica (II) - R. Santana

Intolerância ideológica (II)
R. Santana

Nós estamos numa fase de intolerância que assusta. Intolerância de gênero, intolerância religiosa, intolerância racial, intolerância cultural, intolerância social e intolerância ideológica. Hoje, é politicamente incorreto, nós não pensarmos como o pessoal da direita radical, os xiitas ideológicos, ter opinião diferente, de esquerda, de centro, o sujeito é malvisto e alijado politicamente. Para ter opinião diferente, é necessário que tenhamos autoridade moral e intelectual para que sustentemos o nosso pensamento e a nossa liberdade de expressão.
O povo não é a favor de corrupto ou de corruptor. A corrupção pública é um mal de lesa à pátria. Quando a corrupção é sistêmica, faltam leitos nos hospitais, falta merenda nas escolas, falta segurança, falta moradia, etc., etc., em alguns países não democráticos, o corrupto e o corruptor são penalizados com a vida.
Em Itabuna, alguns jornalistas, blogueiros e radialistas corrompem um dos princípios do Direito: “... o meu Direito termina quando o Direito do outro começa”. Acreditamos, também, que nunca leram ou negligenciaram o pensador francês Voltaire: “Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Certo, é quando concordamos com esses preclaros profissionais que se acham os donos da verdade.
Alguns desses falsos jornalistas (nunca frequentaram uma Faculdade de Comunicação), são venais, eles usam a palavra e a escrita para usufruírem de interesses inconfessáveis. Suas ideias não são suas ideias, são as ideias dos seus chefes políticos de plantão. Se eles forem bem pagos, jogam até pedras na Cruz! Sua ideologia é amor “Real”.
Meu amigo, minha amiga, desculpe-me estender o assunto de “Intolerância Ideológica”, é o meu jeito de ser, gosto de embasar o meu pensamento em fatos, não, num pensamento aleatório, pessoal. Nos parágrafos anteriores, usei o verbo na primeira pessoa do plural, doravante, irei me expressar na primeira pessoa do singular para historiar as palavras agressivas, desairosas e ameaças que fui vítima (Facebook) pelo ex-aluno, Yonélio Sayd, que, vangloria-se ser jornalista, blogueiro e radialista.
O jornalista Yonélio Sayd não gostou da crônica (recomendo que a leia no Google), política intitulada: “O poder corrompe o homem”, datada de 25.08.2019. Não gostar, não concordar com o que foi dito ali, é direito do leitor, do analista político, do crítico filosófico, do homem do povo, ninguém é obrigado comungar com ideias e condutas alheias, porém, reprova-se a linguagem chula do blogueiro Yonélio Sayd, a crítica gratuita dum texto que, no primeiro momento, confessou não ter lido, pois achou um “Textão”.
Lembro-me dele como aluno, por questão ética e profissional, eu não irei dizer, aqui, sua vida pregressa de aluno...Veja como é política partidária, antes, ele me reverenciava, hoje, chama-me de idiota! Acho, que falhei como professor, porque, ajudei produzir um sujeito que ao invés de discutir com argumentos, discutir com fatos, usar o contraditório, usa à agressão e à violência verbal.

Numa atitude antidemocrática, recomendou ao seu colega de rádio, Marcos Soares (não o conheço), que justiça lhe faça, mostrou-se sensato e politizado: - “Oculte!”, “Denuncie!”, Denunciar o quê? A quem? À Polícia Federal? Ou, ABIN? Adianto ao egrégio jornalista que, tenho pautado minha vida honestamente, probidade e lisura. Não sou perfeito, não sou santo, mas vivo em santidade, portanto, não me assusta nenhuma denúncia. Tenho minha posição política embasada em princípios democráticos, nunca votei por interesses pessoais, voto naquele que acredito bom para o país e defendo princípios que acredito.
Enfim, amigo leitor, não disponibilizarei, aqui, os comentários “ipsis litteres” do ilustre jornalista, por ser chulos e não edificantes. Porém, permita-me transcrever o trecho do apólogo de Machado de Assis: “A agulha e a linha”. – Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: “Também, eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!”


Nota: este texto foi reeditado para que novos fatos fossem incorporados, por isto, acrescentei ao título: Intolerância Ideológica (II)




Autoria; Rilvan Batista de Santana
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Contos e (des)contos - R. Santana

 

Contos e (des)contos - R. Santana
 
O grande poeta e escritor paraibano Ariano Suassuna, de saudosa memória, numa de suas palestras disse que “O Auto da Compadecida”, comédia dramática, peça teatral de 1955, é uma mentira com exceção João Grilo e Chicó. Achamos que o escritor quis dizer que “O Auto da Compadecida” é mais ficção do que realidade, que João Grilo e Chicó foram os únicos personagens que viveram e morreram em Taperoá, lugar onde a história se desenrolou.
A história é surreal, com a morte de “Xareu”, o cachorro da mulher do padeiro, resolve-se benzer e velar o cachorro na igreja e a cerimônia em latim. O pároco não aceita, condena veemente a proposta, porém, depois que João Grilo e Chicó convencem-no que o cachorro tinha deixado um testamento milionário para o pároco, aí, ele concedeu velá-lo... O bispo tornou-se empecilho, porém, quando soube, também, que seria beneficiado pela herança do cachorro, deixou-se levar pelas astúcias de João Grilo e Chico.
Há o problema do bando de Severino. O problema da seca, a corrupção da fé e dos costumes, a luta pela sobrevivência. O “Auto da Compadecida” embora seja surreal, tem como pano de fundo chamar a atenção do poder para o Brasil real e não o oficial. Conforme o pensamento machadiano: o Brasil real é o povo e o Brasil oficial é dos privilegiados, dos detentores do poder.
O introito é para fundamentar o nosso desgosto pela subliteratura que graça aqui, ali e acolá. E, essa subliteratura não é só de escritores neófitos, os grandes escritores, os grandes ficcionistas e os grandes poetas praticam, também, a subliteratura, seus contos são uns (des)contos sem mensagem nem significado subjacentes.
Hoje, existe uma escassez de talento, faltam talentos... Na literatura contemporânea não se encontra mais um Machado de Assis, menos ainda, um Shakespeare, então, o talento de um Cervantes, de um Camões, de um Trancoso, de um Jorge Amado, de um Euclides da Cunha, de um Bernardo Guimarães, de um Morris West, de um Saint-Exupéry, de um Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, de um Sidney Sheldon, e tantos outros vultos da literatura do Brasil e do mundo.
Às vezes, deixamos passar algumas narrativas que não contribuem para literatura nem o crescimento intelectual do leitor, pois seu conteúdo além de surreal, ele é absurdo e irracional, não o absurdo kafkiano nem o absurdo de Camus nem o absurdo de Heidegger, que é absurdo existencial, necessário, não devaneios e ilações pessoais. Por isto, faz-se necessário em nome da boa literatura que exerçamos como leitor e protagonista do processo literário, a obrigação de não censurar esses textos inúteis, mas o dever de não os divulgar ou tecer comentários gratuitos para agradar o autor.
Hoje, existe uma poluição de textos inúteis nas plataformas “online”, nos sites de literatura, nas feiras literárias de livros impressos. As editoras querem vender, faturar, livro bom, é aquele livro que seu produtor foi competente no marketing e tornou essa produção, essa obra inútil, num best-seller. Muitos leitores avaliam o conteúdo pelo termômetro da mídia não pela reflexão pessoal do conteúdo.
Duas dessas obras inúteis, por exemplo, circundam em sites e blogs, acreditamos que também em livros convencionais e textos literários avulsos, os contos: “O homem cuja orelha cresceu”, de Ignácio Loyola e “Homem Insuportável”, de Cyro de Mattos. Nunca lemos nada de tão ruim e inútil, um desserviço à literatura brasileira, textos absurdos que não contribuem nem acrescentam, subliteratura que não devemos passar para os nossos filhos nem para jovens e adultos.
O conto “Homem Insuportável”, o protagonista não tem prenome nem nome, é conhecido pelo apodo “Insuportável”. Uma narrativa linear sem enredo significativo, sem emoção, sem trama, sem conclusão inteligente, incoerente desde o início da história, não seria demais afirmar que o início do conto se confunde com o meio e o fim, sem ilação final, o raciocínio é o mesmo desde o começo.
O assunto desenvolvido pelo autor é o mau cheiro dum sujeito que tem pavor à água. Desde tenra idade esse homem não gosta de tomar banho. Quando pequeno tomava banho quando os pais o ameaçavam com surras e maus tratos, devido esse odor insuportável, ele é enjeitado por todos, inclusive, sua mulher e vizinhos. Nem na cadeia teve morada tranquila. Foi morar perto do lixão, nem aí os urubus o deixavam em paz, terminou trancado na solidão do seu quarto.
Porém, a incoerência do texto é gritante, o autor inicia sua história apresentando um sujeito normal, sem fobia, sem psicose, sem ideia obsessiva, vejamos: “Não que fosse cheio de rancor, pessimista, depressivo, alimentada era a alma com as coisas boas da vida”, portanto, esse sujeito não tinha problema mental, apresentar-lhe depois como sujeito imundo, fedorento e excêntrico que não condizem com os traços de uma alma boa.
O conto de Ignácio de Loyola “O homem cuja orelha cresceu” é tão esdrúxulo e fantástico quanto o de Cyro de Mattos. Vejamos: Certo dia um homem sente-se fatigado e a orelha pesando, ele pensou que fosse em decorrência do cansaço do seu estafante trabalho, mas ao se olhar no espelho assustou-se ao ver suas orelhas enormes e, à medida que o tempo passava, as orelhas cresciam ainda mais. Pensou cortá-las com a tesoura, mas não encontrou uma tesoura. Cresciam tanto que procurou um açougueiro para fazer postas dessas carnes de orelha.
Não havia solução pra que suas orelhas parassem de crescer, nem o governador nem o presidente deram solução, as carnes se amontoavam na cidade, porém, surgiu um menino que sugeriu ao policial, a solução definitiva: “Por que o senhor não mata o dono da orelha?” - assim foi feito.
Sabemos que não irão faltar mentes de imaginação fértil para defender e achar o significado desses (des)contos. Porém, deixando de lado as conjecturas inúteis, as paixões intelectuais, as ilações inócuas, quais as contribuições que esses excessos de fantasia concorreram para o aprimoramento da ciência e da humanidade? Nenhum! Não existe nem fundo moral, a história encerra em si, são devaneios da imaginação que atendem, somente, à criatividade ilógica e absurda desses autores.
Não é a mesma coisa, mas uma metáfora, que tem um sentido figurado diferente, porém, explica quando o texto é inteligente, buscamos em Drummond um poema que fala da orelha do livro com significado que pode ser transposto para realidade sem prejuízo da arte, seus versos nos transportam para alguma situação real:
POEMA-ORELHA - Esta é a orelha do livro / por onde o poeta escuta / se dele falam mal / ou se o amam.
Tudo vivido? Nada. / Nada vivido? Tudo. / A orelha pouco explica / de cuidados terrenos / e a poesia mais rica / é um sinal de menos.
Enfim, que os ficcionista e poetas de fantasias nos perdoem, mas urge a necessidade duma literatura de pés no chão, de mensagens significativas que norteiem a vida difícil do homem moderno, mensagens que melhorem sua autoestima não de firulas intelectuais que não dizem nada nem nos levam a lugar nenhum.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Mérito Educacional FTC - R. Santana

 

Mérito Educacional FTC - R. Santana
 
Ensinar é uma atividade sagrada, quem recebe esta missão é abençoado por Deus, por isto, o professor é prestigiado aqui, ali e acolá todos os anos no dia de 15 outubro. A importância do professor é reconhecida em todas as sociedades do mundo, no Japão, por exemplo, o imperador curva-se para cumprimentar àquela pessoa que presta serviço à aprendizagem e ao conhecimento.

Discordo daqueles que dizem que a importância do professor é verbalizada, mas não é materializada. Não existe uma pessoa sequer que não tenha como referência de vida profissional, um professor. Conta-se que Alexandre, o Grande, disse em relação ao seu preceptor Aristóteles e Filipe II, seu pai: "... se um deu-me a vida, o outro, deu-me a arte de viver". Sócrates, filósofo do Século V a.C., foi a referência de Platão, um dos maiores filósofos da história do pensamento.

No livro o "Feijão e o Sonho" de Orígenes Lessa, o autor coloca no papel o conflito que um educador vive no dia a dia, dum lado, trabalhar para sustentar suas convicções literárias, sensibilidades poéticas e ideais, que o sujeito da aprendizagem é o início, o meio e o fim, na aquisição de conhecimentos e transformações pessoais, doutro lado, a necessidade de obrigações cotidianas de sobrevivência. Hoje, não é diferente, o professor vive o eterno conflito: falta de condições materiais e financeiras para desempenhar bem sua atividade intelectual e, como educador, tem que ser referência profissional, ética e moral na comunidade que atua.

Porém, há exceção, lição de vida, desprendimento, desafio, no filme ao “Mestre, com carinho”, o engenheiro Mark Thackeray (Sidney Poitier) ficou desempregado e aceitou o convite para ensinar numa escola em Londres, precisamente, num bairro operário de East End.

Thackeray, inesperadamente, defronta-se com alunos adolescentes baderneiros e indisciplinados, a maioria proveniente de lares desajustados. Thackeray descobre ao longo do curso, que alguns alunos eram dependentes químicos, até garota de programa havia na turma. Foi em desafio para o engenheiro professor corrigir essas más condutas, pouco e pouco, ele ganha a confiança dos alunos.

O desfecho é uma grande festa de reconhecimento ao “Mestre, com carinho”, tanto que rejeitou o convite para voltar a atuar como engenheiro.

No dia 16 de outubro de 2019, recebi com muita honra o título honorífico de “Mérito Educacional FTC”. A Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. Este ano, a FTC de Itabuna laureou 26 professores de Itabuna e 6 cidades do Sul da Bahia, que se destacaram como educador.

Esse prêmio foi criado em 2011 pelo Conselho Superior Acadêmico de Itabuna pelo Diretor de Operações da Rede FTC, o professor Cristiano Lôbo da Silva, instituiu esse projeto assessorado por uma Comissão Organizadora de professores eméritos, cujo objetivo é premiar os abnegados em educação que contribuíram para o desenvolvimento regional com sua profissão.

Para o diretor geral da unidade itabunense dessa Rede, o professor Kaminsky Mello Cholodovskis, o objetivo da FTC- Itabuna, é resgatar e preservar a memória da educação do Sul da Bahia, premiar aqueles que contribuíram para o desenvolvimento de nossa Região, embasada numa comissão formada por integrantes de desempenho moral, ético e profissional indiscutíveis como Ana Carolina e Edmundo Dourado.

Elogiar a si mesmo é vitupério, mas, exerci com prazer e doação o magistério por 34 anos em várias escolas do ensino fundamental e médio de Itabuna e cidades circunvizinhas. Sempre pautei a minha conduta profissional pelo compromisso e determinação, a minha preocupação maior era possuir o domínio do conteúdo da minha matéria e orientar esse conhecimento ao sujeito da aprendizagem de forma didática, todavia, prática e acessível. Jamais justifiquei a minha incompetência profissional, o meu fracasso pedagógico, aos meus baixos rendimentos salariais.

Os desafios eram cotidianos, não é fácil motivar alunos de comunidades periféricas, famílias de baixa renda, alunos que não vislumbravam nenhum voo mais alto além daquele que seu meio lhe permitia.

O prêmio “Mérito Educacional FTC”, deixou-me lisonjeado, que meu trabalho em educação foi reconhecido pela maior rede educacional privada da Bahia, depois de alguns anos de aposentado, prova que plantei algo que dignificou a vida de muita gente. Porém, regozijo-me muito mais quando encontro um ex-aluno, ontem, pré-adolescente, adolescente, hoje, adulto, pai ou mãe de família que me pergunta: “lembra de mim?”, forço a memória para reconhecer entre mais 20.000 rostos, eu descobri aquele rosto, na casa do sem jeito, educadamente, respondo-lhe: “lembro-me!” e, caio do cavalo quando o meu ex-aluno insiste: “como é meu nome?”, uso minha resposta pré-elaborada: “oh, naquela época você era adolescente, hoje, é um homem, cresceu, mudou fisicamente...”, aí, o ex-aluno ou ex-aluna despeja-me sinceros elogios que me confortam a alma.

Não obstante os meus pecados, os meus defeitos, Deus permitiu em minha caminhada, senso de justiça, sabedoria e conhecimento. Nunca promovi o mal voluntariamente, às vezes, eu sou obrigado reagir com palavras à sanha daqueles que não gostam de mim, mas sem alimentar rancor, ódio, retaliação, apenas, como autodefesa, sobrevivência.

Enfim, na vida os percalços são vários, há mais antipatias do que simpatias e empatias, existe gente que não gosta do outro não pelo que não fez, mas, pelo que ele fez, fazer desperta ódio e inveja. Muitos se incomodam com a felicidade do outro. Essa homenagem de “Mérito Educacional FTC” e a homenagem “Cidadão de Itabuna”, pela Câmara de Vereadores, irão me dar à certeza que minha vida profissional de professor, educador, foi desígnio do Altíssimo, para mim glórias efêmeras, para Ele glórias eternas.



Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Zé Magrinho - R. Santana

 Zé Magrinho - R. Santana

    Não sei se foi o ano de 1963 ou 1964 ou 1965 ou, outro ano antes ou, outro ano depois desses anos, enfim, o ano não importa. Aliás, é costume nosso apegarmos mais ao tempo do que à ocorrência. O fato é maior do que o ano ou não? Claro! O ano serve, somente, como referência de tempo e o episódio como referência de vida.

    Num desses anos, encontrei Zé Magrinho engolido numa rede nordestina na casa do seu avô João Zabelinha, na cidade sergipana de Lagarto, no distrito de Coqueiro. Zé Magrinho só tinha pelanca e osso, mais osso do que pelanca. Naquela rede, ele parecia um filhote de coruja assustado. Tossia noite e dia, já não se aguentava mais em pé, todos apostavam que dali para o cemitério. Ninguém apostaria uma moeda de mel coado que Zé Magrinho teria mais seis meses de vida. Todos diziam: ele está na fila da eternidade, não no finzinho, mas no comecinho, que morreu e se esqueceu de cair.

    Caro leitor, ele não nasceu doente, mas filho de pais sertanejos, lá no sertão de Poço Verde, no dizer de Euclides da Cunha: “... o sertanejo é antes de tudo um forte, não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços do litoral”. Sua mãe Maria, mulher da roça, mulher parideira, que paria não nos hospitais, mas, com as parteiras da roça que se gabavam ter “pegado” muitas crianças sem Deus as ter levado uma sequer pra o céu. Passou o resguardo, lá estava a mãe de Zé Magrinho na malhada cultivando fumo enquanto o seu pai Ioiô estava na labuta das cabras, dos bodes, dos bois, das vacas e dos suínos. Zé Magrinho nasceu e cresceu nesse ambiente duro, desagradável e tedioso, que faz do homem fraco, homem forte.

    Entediado com a vida de campo de Poço Verde, depois de dominar o alfabeto, ler a cartilha e assinar em garatujas o seu nome e rascunhar os primeiros cálculos, ele se despediu dos irmãos menores, de sua mãe (seu pai havia morrido em consequência duma garrafada de babosa), arrumou sua trouxa, pegou um Ford do tipo pau-de-arara e partiu para cidade de Lagarto, que além de mais desenvolvida que Poço Verde, seus parentes maternos estavam lá, todos com o burro na sombra.

    Na idade de servir à pátria, deixou um trabalho de serviçal em Salvador, com casa, comida e roupa lavada e foi alistar-se numa unidade do Exército em Aracaju. Todavia, o homem põe e Deus dispõe, lá em Provérbios (16:19) está escrito: “O coração do homem considera o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos”, parece até sina, determinismo, não é, é que o Pai sempre estará voltado para o destino do homem, para seu bem-estar, ou seja, qualquer pai deixa que sua criança corra na calçada, desde que, ela não caia num buraco... Zé Magrinho foi traído pelas circunstâncias antes de ser militar: caiu à toa e fez-se uma pústula à altura de um dos pulmões que quase lhe tira a vida.
    Naquela época, não havia ressonância magnética nem tomografia, a teoria de Robert Kock estava no “comecinho” e os antibióticos de Alexander Fleming não venciam a contento os bacilos “Mycobacterium tuberculosis”. Pelos exames empíricos daquele tempo, ele foi diagnosticado tuberculoso e abrigou-se na casa dos seus avôs maternos pra morrer, era o destino de todo tuberculoso, quando o sujeito morria, todos os objetos que ele tinha usado, eram incinerados pela família, aliás, muito antes do doente morrer, todos os utensílios domésticos e pessoais eram separados.
    Caro leitor, para que as premissas não sejam maiores que a conclusão, faz-se necessário esclarecer que o apodo “Zé Magrinho” não é demérito para o prenome, nome e sobrenome de José Joaquim do Rosário. Hoje, alguns poucos chamam-no pelo nome de batismo, mas pelo apelido que não escolheu e ficou para sempre.

    Hoje, ele com 80 anos de vida, filhos e netos, alquebrado pela idade, ainda é um exemplo de autoestima, de confiança em seus atos, determinado, perseverante, nunca deixou que o mal prevalecesse, que a doença e as más circunstâncias botassem lhe pra baixo. Seus contemporâneos contam que certa feita, Zé Magrinho no pé da escada que o levaria ao consultório do médico Dr. Simão Fiterman, encontrou-se com Sinfrônio Abreu, conhecido babalorixá itabunense, que sem reserva:

    - Está doente, rapaz? – Zé Magrinho não se aguentava nas pernas:

   - Eu? Acho que é vosmicê!... – Sinfrônio caboclo sarado, protegido por Iansã, Xangô, Ogum, Oxalá e outros orixás, escafedeu-se pra cidade de pés juntos, poucos anos depois, Zé Magrinho está até hoje, firme e forte, como o rabo de macaco.

    Leitor amigo, perdoe-me a presunção, eu sou machadiano por opção, não por necessidade, costumo misturar nas minhas narrativas, os "entretantos" com os "finalmentes", ou seja, o começo no fim e o fim no começo. No livro Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, o narrador conta sua história depois de morto. Brás Cubas, defunto, conta sua história às avessas, de trás pra diante, por isto, leitor amigo, amigo leitor, eu deixei os "entretantos" para os "finalmentes" com o cuidado de não comprometer a narrativa, fiel à verdade, sem acrescentar os fatos nem diminuí-los, mas de tamanhos certos, por isto, deixei o começo pra o fim.

    Depois que Zé Magrinho “homiziou-se” na casa do seu avô João Zabelinha, praticamente desenganado pela medicina de Aracaju, seu dia a dia era deitado numa rede nordestina, um peloco de coruja, os olhos assustados, quase não se aguentava em pé, tossindo diuturnamente. O tratamento por falta de condições era fisioterápico, pouco se usava o tratamento alopático, mas tudo em vão, não surtia efeito favorável, o doente sentia-se cada vez pior.

    Certo dia apareceu um velho pedinte com cara de profeta e olhou para Zé Magrinho e teve pena:

    - Rapaz tenha fé em Jesus Cristo e será curado! ... - Recomendou-lhe que fizesse o chá das folhas da jurubeba e comesse as frutas em quantidade.

    Antes de 3 dias, dessa fórmula medicativa, romperam-se os apostemas no organismo do doente, aí, ele passou a expelir pus em forma de catarro e à medida que os frutos eram comidos e os chás eram tomados, os pruridos de pus diminuíram, a tosse também, um mês depois do tratamento, ele abandonou a rede.

    Seis meses depois, Zé Magrinho mudou-se de Lagarto para Itabuna e jamais deixará esta terra que já foi do cacau. Aqui, ele esperará o lugar eterno dos bons e das almas justas, aqui, ele construiu família e educou filhos. Lá e aqui, ele labutou com a morte, mas a vida venceu.     Há um provérbio no Oriente que diz: "...um dia feliz equivale um ano", portanto, ele já perdeu a conta dos anos que foi feliz em Lagarto e Itabuna. Sua vida um dia passará, porém, sua autoestima, sua determinação, seu desejo de viver e a fé no SENHOR ficarão para sempre.


Post Scriptum: Esse texto foi produzido Zé Magrinho em vida. Ele foi um guerreiro, desafiou à medicina do seu tempo e rompeu com todos os prognósticos de seus conterrâneos de nenhuma fé, morreu (28.11.2021) mais de sessenta anos depois, deixou filhos e netos,  herdeiros de sua determinação, de sua autoestima, de sua luta pela vida, sua fé em Deus, de caráter único, probo e ético  e, exemplo de pai e avô.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Foto: Produção



O Álbum - R. Santana

 


O Álbum

R. Santana

 

Encontrei Tanaguchi na Praça Olinto Leone, como de costume. Não me aproximei do velho amigo, quis lhe poupar do meu mau humor, naquele dia queria ficar comigo mesmo, mas o velho ateu tem olhos de lince e me buscou no outro lado do jardim no momento que eu estava embevecido com a perícia de 3 saguis que desciam e subiam nas enormes árvores, quando pegavam alguns alimentos no chão, deixado pelos amantes desses macaquitos. Não demorou, Tanaguchi atravessou os canteiros de flores e veio até mim:

- Meu caro Narvil, que prazer!

- O prazer é recíproco meu velho guru! Posso saber o que lhe trouxe aqui tão cedo?                                      

- Meu caro, é um mal da idade, os velhos dormem cedo e acordam antes do Sol nascer, aliás, às 5: 30 h do dia, nenhuma ave encontra-se mais no ninho. Lembro-me do dito do meu eterno pai quando me acordava ainda menino: “Deus ajuda quem cedo madruga”, portanto, acordar cedo para mim não é sacrifício, é costume (olhou de esguelha para minha sacola), é livro?

- Não, é um álbum de família!

- Você vai ver fotos nessa hora!?

- Rever o passado alimenta o tempo presente. Todos têm saudade do passado por melhor que seja o presente, quantas vezes ouvimos: “éramos felizes e não sabíamos”, o passado nos traz lembranças que jamais se apagarão do subconsciente, quando necessário, o consciente puxa-as lá de dentro, mesmo que vivamos mil anos!

- Depois... eu que sou o guru!?

- Todos têm lampejos de sabedoria quando se fala com o coração. O tempo lhe deu conhecimento e sabedoria mais do que a mim... Privilégio ter lhe conhecido, de lá pra cá, eu aprendi refletir sobre a vida e a arte de viver. Se não tem o que fazer e quer me agradar, sente-se neste banco e seja espectador e bom ouvinte, pois, eu irei desembrulhar o meu passado e daqueles que me foram e ainda são caros, neste álbum – Tanaguchi obedeceu.

 

 Foto 1                                                                                                                                                                                                                      
Esta foto, encardida pelo tempo, é de minha mãe. Mulher sofredora. Ela foi mãe quando deveria estar brincando de boneca. Teve seu primeiro filho aos 14 anos de vida. Não foi feliz em seus relacionamentos conjugais: teve que sustentar e educar, praticamente sozinha, seus sete filhos.

Esta foto, caro Tanaguchi, tirada duma máquina fotográfica Kodak, ainda reflete quanto ela era bem-apessoada mesmo o filme em preto e branco. Hoje, os filmes “Color Plus” registrariam com definição uma mulher: cútis branca, altura mediana, olhos verdes, cabelos castanhos corridos, boa compleição e traços harmônicos do rosto. Era uma mulher em seu tempo bonita, mas de sorriso triste.

Porém, meu amigo Tanaguchi, o mais admirável era sua força interior, adolescente, deixou seu primogênito com seus pais e o segundo filho, deixou com sua irmã mais velha, casada e sem filho. Assim que adquiriu maioridade, tomou empréstimo com parentes e amigos e comprou uma barraca de confecções na feira-livre de sua cidade, tornou-se feirante e morreu feirante.

A feira-livre deu-lhe condições de trabalho e dignidade de vida. Não morreu rica, mas, deixou para filhos e netos, exemplo de honestidade, perseverança e superação. A vida não lhe foi fácil desde o início, porém, ela não baixou a guarda, lutou até o último suspiro, venceu na vida e quedou-se na morte.

Se fosse autorizado, eu colocaria uma lápide em seu jazigo com o epitáfio:

“Aqui, repousa “L”, uma guerreira que enfrentou às diversidades da vida com determinação e coragem. Jamais deu trégua aos seus inimigos gratuitos. Ela não usou espadas ou pistolas, mas com força interior e fé em Deus, removeu todos os obstáculos existenciais e fincou os pés no bem e não suspendeu as hostilidades ao mal. Seu exemplo de vida nunca será esquecido pelos filhos, netos e amigos.”

Foto 2

Estimado filho de japoneses, sabe o que significa “malhada”? Sim? Bem... não é o significado do Aurélio, caro guru, é o significado regional lá do interior do Sergipe! Conhece-o? Não? Explicarei: lá no interior sergipano, malhada é um sítio (média de 2 hectares), onde a pessoa planta fumo, laranja, maracujá, etc. Todo agricultor possui uma malhada, que serve, inclusive, de moradia.

Na malhada, além da residência, tem um armazém que guarda o fumo enrolado num sarilho, depois que se extrai o mel de fumo. O armazém de fumo fica distante porque o cheiro de alcatrão é enorme e penetra com força nas narinas.

Esta foto, Tanaguchi, era o sítio do meu avô, o fotógrafo captou, somente, a sede, parte da cerca viva de macambira e a copa de algumas árvores. Todavia, estimado guru, no verso, o álbum tem mais 2 fotos, uma foto, é da lateral da casa-sede com 3 janelas em cada lateral, a outra foto, é um panorama da roça de fumo, em que todas as plantas estão perfiladas em covas lineares.

Tempo bom, Tanaguchi, nós trepávamos nos galhos das jaqueiras, das mangueiras, dos cajueiros e nos empanturrávamos de manga, de jaca e caju, sentados em algum canto do tronco das árvores. Com os laranjais eram diferentes, pois têm espinhos enormes, usa-se, geralmente, o podão para colheita das laranjas. Lembro-me duma prima que trazia uma porcelana de uns 2 litros, umas colheres, espremia as laranjas, diluía um pouco de farinha, acrescentava um pouco de açúcar e era um ponche gostoso nunca visto, um manjar dos deuses...

 

Foto 3


Às 8 horas, daquele dia, Tanaguchi apressou-se sair com o pretexto de ir ao médico marcar uma consulta. Como tinha certa intimidade com o velho guru, apelei para antiga amizade e fi-lo ficar:

- Meu amigo Tanaguchi, deixe de pretexto, você não tem nenhuma consulta médica para marcar... Onde está nossa amizade que não pode sacrificar um pouco seu tempo para me ouvir? - Tanaguchi ponderou:

- Meu amigo, eu não lhe minto, eu vim marcar uma consulta médica, todavia, não é sangria desatada, posso deixar para depois e ouvir seu passado com parcimônia e atenção se lhe deixo a contento com suas fotos! – Agradeci-lhe e continuei:

Esta foto foi dos anos 80, colorida e bem definida. Nela, estão todos os meus irmãos e “L” a chefe do clã, do seu lado direito estão os filhos e do seu lado esquerdo as filhas.

Nesse ano das fotos, todos os seus filhos já são adultos. O filho mais velho morava no Rio de Janeiro e tinha 2 filhos, ou seja, os primeiros netos de “L”. Suas filhas ainda solteiras, elas viviam às suas expensas. Os homens cada um vivia por si.

Esta foto é de mau agouro, amigo Tanaguchi, depois desta foto, nunca mais nos reunimos, cada um foi pra seu canto. “L” e seu filho mais velho morreram alguns anos depois.

Abre Parêntesis: “Tanaguchi, meu neto que arrumou e colou essas fotos, por isto, não se escandalize com a ordem do tempo” Fecha Parêntesis.

 

Foto 4


Prezado guru, esta é a foto da minha escola primária, misto de escola e residência. Nela funcionava uma sala enorme que cabia muitos alunos. As carteiras escolares eram conjugadas, sentavam-se 2 alunos cada. A casa não tinha jeito de escola, na frente 2 janelas e 1 porta padrão, depois da “sala-escola”, quartos, cozinha, banheiro-sanitário. Era proibido aos alunos atravessarem a porta da residência.


Não havia playground infantil nem quadra recreativa. O terreiro era forrado de grama natural e algumas plantas primitivas. Porém, nada impedia que no recreio brincássemos de pega-pega, de bola, de corda, etc. A escola era cercada de mato (capoeira) e pequenos arbustos. A professora proibia que adentrássemos no matagal.

Embora a parte física da escola não chamasse a atenção de algum viandante que por ali passasse, a pedagogia e a aprendizagem eram famosas. Os pais do lugar não abriam mão, desde o inicio do ano letivo, a escola começava cheia e terminava cheia, salvo alguma exceção, o aluno a deixava, mas a vaga era logo preenchida.

A professora Nair Assis era vocacionada ao magistério. Ela ensinava da 1ª. série à 5ª. série, depois do último curso, fazíamos “admissão” ao ginásio. Nessa escola, o aluno saía preparado em Português, Ciências, Matemática, Geografia, História e Caligrafia. Os sábados eram reservados à sabatina de Tabuada.

D. Nair tinha uma fixação por atividades para casa, em particular, “as cópias” e a Caligrafia. Na classe, os ditados de palavra. As palavras erradas eram reescritas 10 ou 20 vezes cada. Isto nos proporcionou menos erros ortográficos e vocabulário razoável.

D. Nair foi marcante em nossa pré-adolescência. Hoje, vários profissionais de nomeada, são remanescentes da Escola Sagrado Coração de Jesus.

Em outro texto (conto) que produzi, em que a protagonista é Dona Nancy, eu defini bem D. Nair, travestido naquele personagem Nancy: "Dona Nancy, uma descendente de negro que rejeitava essa condição com o alisamento cuidadoso do cabelo ou o uso de uma peruca de cabelo liso e a escolha de um sarará pra marido. Os filhos, dois puxaram ao pai na cor e os outros dois à mãe. Usando o eufemismo tradicional, dir-se-ia que Nancy era uma negra de alma branca. Corpulenta e atarracada, ensinava e dirigia a Escola Sagrada Família tão bem que os moradores mais afortunados do Banco Raso e adjacências disputavam vagas para seus filhos. Não conhecia Paulo Freire nem Anísio Teixeira, nem Lauro de Oliveira nem Piaget, nem Vygotsky, nem Wallon, enfim, nenhum revolucionário da didática e da educação, porém, o seu feijão - com - arroz era dado com dedicação e competência, ou melhor, seriedade e cobrança que a molecada saía direto para o ginásio passando pelas terríveis provas seletivas de admissão com louvor. Conhecia bem o português, a geografia, a história, a ciência e aritmética".

Ah, meu amigo Tanaguchi, saudade, saudade eterna daquele tempo... tempo lúdico e de inocência, tempo... tempo de descobertas, tempo... tempo de paz... tempo... tempo de felicidade que não volta mais... tempo de amor!

 

Foto 5

                                            
Esta foto Tanaguchi, foi tirada com muito orgulho, naquela época não havia informática, falava-se “an passant” em robôs americanos. Não havia computador, com programas Office de Word, de Excel, etc. O garoto rapaz ou moça que tivesse o diploma de datilografia estava preparado para o mercado de trabalho, inclusive, bancário do Banco do Brasil, naquele tempo bancário era o emprego mais desejado.

Não foi fácil obter o diploma de datilógrafo, o professor Leopoldo nos ensinava a partir das teclas (a,s,d,f e g /ç,l,k,j e h), depois, as teclas acima e abaixo da máquina, inclusive, as teclas de acentuação gráfica, quando tudo ia a contento, ele colocava uma placa que não conseguíamos enxergar as teclas, teríamos que escrever pela memória das digitais e a posição das mãos.

Tanaguchi, você analisou os detalhes da foto? Não? Pois, além do “chapéu” tradicional, na “gravata” branca em forma de losango, há o desenho bem definido duma máquina de datilografia e no papel do diploma não era diferente, essa máquina simbolizava a formação profissional do indivíduo.

Meu amigo, naquele tempo, o datilógrafo era o chique no último, muito mais do que, hoje, ser apto em computação.

 

Foto 6


- kkkk...

- Foi o quê?

- Diploma de ginásio é de rir!... – Tanaguchi entendeu o motivo da risada, o deboche do fato, por isto, continuei a descrição e o significado de minhas fotos porque Tanaguchi dava sinais de desânimo e precisava concluir a catarse da minha alma.

Tanaguchi, a sociedade anda de ré, alguns valores do passado são banalizados. Hoje, não se louva mais o conhecimento, mas as mensagens das Redes Sociais. Não sou saudosista, porém, é impossível não me lembrar da escola do passado, consequentemente, da aprendizagem daquele tempo.

O diploma de ginásio fazia jus, quando se concluía o ginásio, o sujeito estava qualificado para exercer as atividades do dia a dia. As empresas privadas e as públicas exigiam em seus concursos não mais do que o curso de ginásio para atividades básicas. O estudante fechava aquele ciclo versado em Gramática, História, Ciências, Matemática, Geografia, etc. A interpretação de texto e a leitura eram obrigatórias em todos os cursos. As atividades transversais de Tabuada e Caligrafia eram exigidas desde tenra idade.

Na minha vida acadêmica, eu fiz muitos cursos, inclusive cursos superiores, o embasamento daquele curso de ginásio, foi condição “sine qua non”, necessária para minha formação profissional de educador.

 

Foto 7

Esta foto e mais 2 outras, em dias e locais diferentes, registram, meu caro Tanaguchi, o meu primeiro namoro. Aqui, eu seguro o guidão da bicicleta com a mão direita enquanto puxo Vilma pra meu corpo com a mão esquerda. Nós éramos quase da mesma altura, ela um pouco mais baixa, eu, loiro de olhos esverdeados, ela, morena de olhos pretos, tínhamos os corpos franzinos. Eu tinha 17 anos de idade, ela, 15 anos de vida. A paixão e o amor pareciam nos unir para sempre, contudo, o destino foi outro.

Na segunda foto, nós estamos deitados numa grama trocando carícias, ela mais linda que Afrodite, a deusa grega do amor e da beleza. As nossas carícias eram inocentes e não passavam de alisar os cabelos um do outro e alguns beijinhos comportados. Ela invejava os meus olhos verdes e, eu lhe invejava seus cabelos mais pretos que as asas da graúna.
Lembro-me que o fotógrafo se preocupava em captar mais a beleza do lugar que os nossos idílios ternos e delicados. O lugar era lindo, pequenos arbustos, muito verde e flores de toda espécie, campo de amor e prazer. Porém, por mais que se esforçasse o fotógrafo, caro Tanaguchi, a foto em preto e branco esconde a beleza do lugar.

Na terceira foto, estamos com as mãos em oração, um defronte do outro, trocando juras de amor. É uma foto linda de 2 jovens apaixonados: um jura para o outro que nem a morte lhes separará porque serão unidos pela eternidade do amor e a proteção de Jesus Cristo.
Ledo engano, caro guru, por mais que afirmemos o livre arbítrio, as coisas estão, a priori, escritas no livro da vida. Os nossos destinos levaram-nos para mundos diferentes. Hoje, não sei onde está a Vilma que tanto a desejei e amei, será que em Marte, Vênus, Mercúrio, no distante Plutão? Ou, ela se transformou em alguma estrela iluminando a noite. Não sei!...

 

Foto 8
Tanaguchi, 5 fotos do meu casamento: a primeira foto, eu e a noiva estamos ajoelhados em frente ao padre Magno Mattos, sob as bênçãos do Espírito Santo. Na segunda foto, padrinhos e madrinhas do nosso matrimônio religioso. Na terceira foto, troca de alianças. Na quarta foto, beijo que sela o nosso matrimônio. Na quinta foto, parentes do noivo e da noiva e outros convidados. Além de outros convidados, registramos, também, Abmael Cabral de Santana, Pedro Pereira dos Santos, Agostinha Fonseca de Santana e Zenaide Magalhães.


Padre Magno (Ritual Final)


Troca de Alianças


Tanaguchi, eu tinha, nessa época, 32 anos de idade, no auge da força física e da vontade de viver. Ela tinha 24 anos de vida e esbanjava saúde. Conheci Vanda Maria, na escola que trabalhava, ela foi minha aluna, acho que não foi amor, mas um desafio, pois, desde o início o nosso relacionamento foi conturbado. Ela tinha saído de um casamento desastroso, eu, de um noivado sem amor, que resistia, mais, pelo compromisso moral assumido com a noiva e os pais da noiva.



Padrinhos do noivo e da noiva

Eu e Vanda Maria casamos na “Congregação dos Padres Missionários de Jesus”, uma igreja brasileira que não estava sob autoridade papal, essa igreja era mais democrática: casava os descasados de outras igrejas e divorciados do casamento civil. Não havia segurança jurídica, apenas, satisfação à sociedade.


O beijo que sela o matrimônio












Parentes e convidados

Hoje, não me posso queixar de casamento que é uma união voluntária entre 2 pessoas com o objetivo precípuo de formar uma família. Todavia, o casamento não é um mar de rosas, não é um contrato de união estável, é uma união difícil de 2 pessoas distintas de sangue e temperamento, costumes e hábitos diferentes, defeitos e qualidades e, que os cônjuges sobreviverão se souberem cultivar ao longo do tempo, renúncia, cumplicidade, solidariedade, compreensão, amizade e amor.

- Tanaguchi, eu estou chegando ao fim, por isto, peço-lhe que não se apresse, tenha paciência, faltam, apenas, 5 fotos que irei resumir os fatos para não lhe deixar ansioso, porém, interromperei a narrativa quando eu perceber no velho amigo, sinais de estresse ou desânimo.

- Fique à vontade Narvil, estou gostando de conhecer sua história de vida. Por mais que lhe conheça, alguns fatos estão distantes e os desconhecia, são momentos indescritíveis. Desejo que tenhamos outra oportunidade, também, passar a limpo o meu álbum.

- Obrigado!...

 

Foto 9


Os meus filhos têm uma enorme quantidade de fotos, prezado Tanaguchi, porém, esta é a mais significativa. Todos os meus três filhos estão aqui, com idade, naquela época, de 10, 11 e 15 anos de vida. Esta foto marcou a despedida da filha mais velha com os irmãos, um ano depois, ela morreu no Hospital das Clínicas de São Paulo. Aos 15 de idade Ana Paula teve leucemia e morreu aos 16 anos de idade, ano de 1993.



Paulo Roberto, Ana Paula,Vanda Maria e Anne Glace.

Hoje, Paulo Roberto tem 37 anos de vida e Anne Glace tem 38 anos de idade. Cada um cuida de si. Cada um tem sua família. Eles não dependem mais de mim, salvo, em alguma orientação profissional e de família.

A morte de um filho representa uma inversão na ordem natural da vida. Sepultar um filho é uma violência emocional, mexe com todos os sentimentos, é uma coisa inominável, vil e abjeto, uma coisa ilógica que não existe explicação racional. Sepultar um filho é uma dor tão profunda que só o tempo pode suavizar, mas sua memória não terá fim.



Ana Paula (1 ano)

Alguns anos depois, escrevi-lhe uma para explicar o inexplicável, um eufemismo intelectual, ficcional, assim, compreender sua perda num texto intitulado: “Carta para Paula”, num dos trechos, lamento Deus ter virado as costas para este mundo de males e sofrimento: “O quê fazer, Paulinha? Tu foste para eternidade e nos deixou, aqui, neste mundo de prazeres efêmeros, de lágrimas, de doenças, sofrimento e desespero intermináveis. Às vezes, Paulinha, eu penso que Deus virou as costas para este mundo de promiscuidade, corrupção, perversão, egoísmo, maldade, ganância, injustiça e desamor, assim se explica, as desventuras do homem bom, do homem justo e os infortúnios das crianças inocentes.”

Enfim, as lágrimas continuam rolando meu caro guru, por isso, lhe disse no início o significado dessa foto no alto da página do álbum e não preferi narrar às outras fotos dos meus filhos.

Foto 10




João Victor (I)

Prezado Tanaguchi, há um provérbio popular que "Deus tira os dentes e arreganha a goela", alguns anos depois que Paula foi pra o lado de lá, veio ao mundo o meu neto João Victor. Hoje, o pirralho está com 8 anos de idade, mas parece que tem mais, puxou ao pai que é alto e corpanzil considerável. Quando ele tirou esta foto, estava com 6 anos de vida.



João Victor (II)

Ficamos com João Victor até os 5 anos de idade, grandinho, minha filha o levou para Salvador. Foi uma separação sofrida, eu e avó sentimos muita falta dele, perto das férias, ele nos telefona: "vovô, vovó, estar perto!", e volta pra sua cidade natal. Seus pais dizem que ele fica tão ansioso que quase não dorme na noite anterior ao embarque.

Na época, descabelamos-nos com sua ida, mas mãe é mãe, vô é vô, o nosso príncipe foi morar na cidade soteropolitana, ficamos com a alma e a casa vazias. Mas, não perdemos de todo seu amor, ele fica contando os dias das férias escolares.

Olhe esta foto Tanaguchi, ele não parece um príncipe? Não me diga "não", vou achar que é inveja e a inveja corrói o espírito. Veja-o: branco, alto, cabelo preto e bom, semblante suave, contudo, o que me impressiona nesse pirralho é seu bom caráter, a amizade e, agora, seu amor pelos estudos e pelo esporte, em particular, o futebol. Ele será um Neymar...

Os avós amam seus netos mais que seus filhos, eu amo meu neto como nunca amei meus filhos, morrerei feliz se a felicidade lhe perseguir sempre.

Fundação da ALITA
19.04.2011

 

Foto 11


Esta foto, amigo Tanaguchi, traz mais lembranças ruins que boas. Não pensei que no meio intelectual se cultivasse tanto, o egoísmo, os superegos, menos humildade e mais presunção, mais saber e menos sabedoria, mais soberba que generosidade.

No ano de 2011, fui chamado pelo juiz Marcos Bandeira para lhe ajudar, junto com outros intelectuais, a fundação da Academia de Letras de Itabuna – ALITA. Senti-me honrado, não é pra qualquer um essa honraria, é o reconhecimento público de uma entidade sobre seus feitos intelectuais e literários.

Enquanto Marcos Bandeira foi o presidente da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, homem justo, democrático e intelectual de nomeada, a academia teve seu ápice, depois que Bandeira deixou a presidência da entidade, tomaram conta a eminência parda, o arbítrio, a manipulação e a subserviência.

Abaixo, Tanaguchi, eu transcrevi um texto de minha autoria que registro quase em verso minha satisfação pela fundação da entidade.

Esta foto, Tanaguchi, estão todos os membros fundadores, se você olhar direitinho, eu sou o mais baixo e fiquei no lugar mais alto, dei uma de Zaqueu para ficar na mesma altura dos meus pares.

Peço-lhe que leia a contento o texto abaixo, produzido em 19 de abril em 2011:


"ALITA foi parida, veio à luz, numa das salas da FICC, às 9h, no dia 19 do mês de abril do ano cristão de 2011, e acalentada nos braços dos preclaros Cyro de Mattos, Dinalva Melo, Ruy Póvoas, Antônio Laranjeira Barbosa, Marcos Bandeira e outras mulheres e homens de expressão literária da terra do cacau. Este “escrevinhador”, o segundo filho de dona Leonor, também estava lá; não com a mesma competência obstétrica dos demais confrades, mas com o mesmo desejo de vê-la nascer com saúde para que daqui a alguns anos, perambule e troque ideias com suas irmãs gêmeas neste país de Drummond, Cora Coralina, Aluísio de Azevedo, Adonias Filho, Amado Jorge (perdoe me o trocadilho), João Ubaldo Ribeiro, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Guimarães Rosa, o mulato Lima Barreto, dentre outros, e o nosso mais louvado escritor, jornalista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, poeta e crítico literário, o mulato, Joaquim Maria Machado de Assis de registro de nascimento e “Machado de Assis” para o povão."


                                                 

                                        Mérito Educacional FTC


 

Foto 12



Título de "Cidadão Itabunense"
Câmara de Vereadores de Itabuna


Enfim, meu caro Tanaguchi, antes que o tédio e o cansaço lhe tomem o corpo, nesta página do álbum, colei várias fotos. São fotos de 2 homenagens que recebi, agora, no ano de 2019, precisamente, no dia 25 de julho e dia 16 de outubro.

No dia 25 de julho na AABB, recebi o título de Cidadão Itabunense pela Câmara de Vereadores de Itabuna, indicação de vereador Edmilson Cabral de Santana, o Júnior do Trator. Esse título, meu amigo, não lhe minto, sempre o persegui, pois, sou mais baiano que sergipano.

Fui trazido por minha tia Judite pra Itabuna, em tenra idade. Aqui, fui criança, pré-adolescente, adolescente, adulto, hoje, sou idoso, portanto, nada mais justo que o reconhecimento de minha dedicação nesta comunidade. Aqui, eu estudei, me formei, fui professor por 34 anos nos cursos fundamentais e médios, nada mais justo do que o título de cidadão Itabunense.

No dia 16 de outubro do ano de 2019, eu fui agraciado com o título: Mérito Educacional FTC, concedido pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Educação Grapiúna. – Obrigado, meu velho guru Tanaguchi.






Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Itabuna, 11 de dezembro de 2019.
P. S.: Por dificuldade técnica, não foi possível divulgar todas as fotos, recorremos ao Google algumas imagens para ilustar a história.

 


 

 


O empreendedor - R. Santana

 

O empreendedor
R. Santana
 
Itabuna nasceu sob o signo do trabalho, do cacau e do sangue. Os grileiros tomaram conta das terras através da bala e dos caxixes nos tribunais e expulsaram os pequenos posseiros e tornaram-se grandes fazendeiros. Nessa época de Tabocas, Itabuna não passava de um pequeno arraial nascido de um amontoado de casebres num lugar chamado Burundanga. Naquela época, o Sul da Bahia estava infestado de sergipanos, alagoanos, pernambucanos, mineiros, até gente do Sul do país, porém, quem fincou o progresso e o desenvolvimento nesta terra que já foi do cacau, foi sem dúvida, os sergipanos que tangidos pela miséria de sua terra, com mala e cuia vieram aventurar a vida na lavoura do fruto dos deuses o "Theobroma cacao", na Região Sul da Bahia. Cacau produzido pelas mãos calosas e determinação de trabalhadores de todos os rincões do país. Naquele tempo, Deus presenteou esta terra com o primeiro empreendedor, Firmino Alves, que com a morte do seu pai José Alves, aumentou a produtividade de suas fazendas, adquiriu outras tantas, construiu residência em Tabocas, fez pousada e enviou convites significativos para os profissionais liberais de Salvador, como advogados, médicos, professores, “dentistas”, pedreiros, alfaiates, etc. Alguns anos depois, rico e líder carismático, conseguiu desmembrar Tabocas de Ilhéus e em 1910, ele batizou este chão promissor com o nome de Itabuna. Os parágrafos anteriores foram pra justificar que esta cidade foi construída graças aos visionários empreendedores sergipanos, a exemplo de Henrique Alves, Paulo Nunes, José Oduque Teixeira, Júlio Sergipano, José Carlos Peixoto... Este contador de história descobriu recente um desses empreendedores sergipanos e que me permitam os leitores apresentá-lo com sua história de vida, exemplo de vida, uma grande promessa empreendedora no setor empresarial da gastronomia itabunense: Geraldo dos Santos Lima. Geraldo Lima nasceu em Itabaianinha, cidade sergipana, de apelidos: "INN" "Princesa das Montanhas". Itabaianinha encontra-se na Região do Vale do Rio Real. Geraldo Lima é de uma geração bem distante à geração de Firmino Alves, não foi atraído pelo fruto dos deuses “Theobroma cacao”, mas foi atraído pelo oásis do progresso da civilização do maior estado do país: São Paulo. Lá, trabalhou limpando chão de um restaurante, fez um curso de garçom no SENAC e foi promovido à gerência, mas, atraído pelos fumos da moderna Itabuna, deixou a contragosto seus patrões paulistanos e desembarcou em Itabuna. Naquela época, a terra dos frutos de ouro, a terra do cacau, já era um dos principias pólos de desenvolvimento da Bahia. Aqui, inicialmente, trabalhou de garçom no “Baby Beef”, pela presteza e educação com o público cliente, ele chamou a atenção do saudoso jornalista Manoel Leal, uma das lideranças políticas mais polêmica daquela época. Daí em diante, as portas dos empresariados da comida se abriram e Geraldo Lima foi trabalhar na “Churrascaria de Nego Veio” e ficou lá 8 anos como gerente. Nego Veio vendeu sua churrascaria e um posto de gasolina e foi embora para o estado de Espírito Santo, lá, ele abriu uma nova churrascaria, fez de tudo para que Geraldo Lima o acompanhasse, porém, ele já estava preso à cidade de Itabuna por afeição e amizade. José Carlos Peixoto Há um provérbio popular: “a quem Deus prometeu vintém, não dá dez réis”, desempregado, sem dinheiro para um negócio no ramo de comida que lhe valesse a pena, contudo, esperançoso e de pensamento positivo, a Providência lhe enviou um Mecenas, não, Caio Cílnio Mecenas, que foi o protetor das artes e das letras do Século I a.C., o conselheiro de Augusto o imperador romano, mas um Mecenas sergipano e itabunense de coração, o empresário José Carlos Peixoto, de codinome "Peixoto". Peixoto lhe ligou, que frente à fábrica Nestlé, junto de um dos seus postos de gasolina, havia um galpão pronto para uma churrascaria. Geraldo foi lá e gostou e comunicou a Peixoto que lhe disse:
- Se gostou, monta lá uma churrascaria!
- Como, Peixoto? - acrescentou:
- Sem dinheiro pra comprar os materiais, instalação...
- Quanto custa pra montar a churrascaria?
- Cem mil reais! - Peste! Tudo isso? - Geraldo pensou consigo: "vai dar chabu...", todavia, foi surpreendido com o que veio depois:
- Você tem uma lista dos equipamentos? - A churrascaria foi instalada e ficou funcional e bonita, quando Peixoto lhe deu posse:
- Agora, é com você...
- Geraldo lhe perguntou:
- Vou ser o quê?
- Dono!
- Dono!?
- Dono! Pelo seu profissionalismo e liderança à frente da "Churrascaria Nego Veio." - atordoado e tremendo, Geraldo lhe perguntou:
- E o aluguel?
- Quanto você pode pagar?
- Dois mil reais!
- Negócio fechado. Ah, vou lhe dar 5 meses de carência, estar bom!? - responder o quê?
Isso ocorreu há 12 anos, negócio de pai pra filho, o empresário não aplicou somente R$ 100.000,000 (cem mil reais), sim, R$ 10.000.00 (dez mil reais) mais. Os frutos desse empreendimento, produziram as churrascarias "Boi Gordo" e uma "Central dos Pescados". Hoje, suas empresas geram 48 empregos diretos e mais ou menos 150 empregos indiretos. Uma empresa média para os padrões atuais, porém, bem dirigida por Geraldo Lima e seus auxiliares com sucesso. Ele diz que gosta do que faz, que é um privilégio atender bem todos os seus clientes, independente da cor, gênero, religião e ideologia política. Além de empresário de sucesso, ele é um "gentleman", socialmente diferenciado, vai de mesa em mesa perguntando se o cliente está bem servido, quando oportuno, puxa a cadeira para que a dama ou cavalheiro sente-se comodamente. Se um garfo ou uma faca cai, não chama com afetação um funcionário para trocá-lo, com presteza, ele soluciona o problema. Sua gentileza atrai cada vez mais clientes para suas churrascarias, a condição sine qua non para o segredo de seu sucesso comercial: atendimento, qualidade da comida e preço. Este trinômio fez da "Boi Gordo" uma das principais churrascarias de Itabuna. Enfim, não foi à toa que escolhi esses 2 personagens para tese da minha matéria sobre empreendedorismo: Firmino Alves, não o que consolidou a fundação de Itabuna, mas o Firmino Alves empreendedor do Século XX, que poucos o conhecem historicamente como empreendedor e Geraldo dos Santos Lima, empreendedor moderno, carismático, nosso conterrâneo sergipano, que aqui chegou tangido pelas más circunstâncias de Itabaianinha, aqui, constituiu família, aqui, tornou-se empresário, aqui, fez amigos e nenhum inimigo, aqui, foi acolhido pela sociedade itabunense, daqui, pra o gozo de férias em Itabaianinha, cidade sergipana, a "Princesa das Montanhas", situada na Região do Vale do Rio Real, daqui, só sairá pra eternidade e roga a Deus que esse dia esteja longe, muito longe.



Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Até quando?... - R. Santana

 


Até quando?... - R. Santana

Até quando?...
R. Santana
 
Oh Deus, até quando esses homens e mulheres, devassos e libertinos, perverterão as nossas crianças e os nossos adolescentes? Oh Deus, até quando a sociedade sã terá que conviver com esses licenciosos que afrontam a moral e os bons costumes? Oh Deus, até quando o povo não corrompido assistirá pela mídia atos e eventos imorais e indecorosos como ações afirmativas de uma comunidade que usa o arco-íris (símbolo da promessa de Deus a Noé que não mais iria destruir a terra), como bandeira de orgulho LGBT? Oh Deus, até quando essa gente promíscua, livre de qualquer peia moral corromperá o matrimônio entre homem e mulher e imporá um novo modelo de família à sociedade de nosso tempo? Oh Deus, até quando essa gente usará o humor corrompido e a libertinagem, para blasfemar Jesus Cristo, Filho de Deus e expressão máxima da fé cristã?
Caro leitor, essas conjecturas têm por objetivo questionar maus costumes que grassam aqui, ali e acolá. Embasado no Art. 5º da Constituição Federal que declara que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”, essa minoria barulhenta já conseguiu a figura jurídica da “União Estável”. Agora, essa minoria antinatural (pessoas de sexos iguais) luta pelo casamento civil, a exemplo de países como Espanha e Canadá, certamente, eles irão conseguir pela omissão, fraqueza moral, falta de fé e falta de coragem da maioria, todas essas reivindicações homoafetivas serão consumadas pela demanda jurídica. Como o país é laico, algumas “igrejas” afrontam o princípio da fé, preconizado e estabelecido há 2000 anos.
Entendemos que a homofobia atenta aos direitos fundamentais do homem, ninguém é a favor de violência ao indivíduo ou caça sistemática às bruxas ou a violação aos Direitos Humanos. Todos nós sabemos que não se pode discriminar ninguém por raça, sexo, cor, idade, porém, as más condutas são condenadas. Condutas extravagantes, imorais, condutas que influem diretamente na educação de crianças, pré-adolescentes e adolescentes e quiçá adultos de mente fraca e vontade leviana.
Tornou-se moda na mídia brasileira, cantores, atores, apresentadores, atrizes, políticos, alguns militares e esportistas ocuparem espaços relevantes nas televisões, nos cinemas, nas redes sociais e outros canais da mídia, a divulgação romântica de suas relações homoafetivas. Às vezes, nos surpreendemos com pessoas consideradas “machões”, “femininas”, “saindo do armário ” e assumindo sua condição gay, lésbica, bissexual, alguém pode perguntar e o que tem a ver? O exemplo! Essas pessoas têm milhões de seguidores de toda faixa etária e, influenciam, lamentavelmente, os pré-adolescentes, os adolescentes e alguns adultos mal formados.
Quando a “bichinha” não tem nenhuma qualificação profissional, não tem dinheiro, não tem família compreensiva, ela é submetida ao subemprego, à prostituição (drogas, roubos, assassinatos), ao achincalhe e a discriminação social, geralmente, ela acaba vítima de morte de algum homofóbico criminoso, por isto, o desespero de muitos pais, pois a sociedade que alimenta a perversão, também, a destrói.
O sentimento homoafetivo vem desde o início dos tempos, em Gênese, Deus destruiu Sodoma (sodomia, sexo anal entre homens e, homens e mulheres) e Gomorra de tanta promiscuidade: “Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito”(Gn 18:20). Abraão intercedeu pelo povo e perguntou ao Senhor se Ele perdoaria os homens justos no meio dos ímpios e promíscuos, Ele respondeu-lhe que pouparia essas cidades se Abraão encontrasse ali pelo menos 10 justos: “Não as destruirei por amor dos dez” (Gn 18:32).
Na Grécia antiga, pelo fato da mulher ser considerada uma subespécie da raça humana, servia apenas, para procriar e cuidar do homem, as relações homossexuais eram comuns, todavia, Sócrates, a expressão maior da filosofia do Século V, a.C., segundo a pitonisa de Delfos, condenava veemente essa relação espúria. Já no império romano, temos notícias através da “Crônica dos 12 Césares”, escrita no ano 121 a. C., por Suetônio, que a relação homoafetiva era praticada entre os potentados, notadamente, os imperadores, senadores e alto-funcionários, a plebe pouco se tem notícia dessa prática antinatural. Por curiosidade na crônica de Suetônio, “Júlio César era o marido de todas as mulheres e a mulher de todos os maridos”.
Certamente, o homossexualismo é uma aberração genética e uma prática social. Como aberração genética, a exemplo do hermafroditismo (2 sexos no mesmo ser) e a partenogênese (que se auto-reproduz), o homossexual será no futuro, submetido aos ditames da ciência e corrigido o DNA aberrado. Porém, 99% que grassa no mundo é o homossexualismo social. As mentes em formação (crianças, pré-adolescentes e adolescentes), elas são, facilmente, levadas ao desvio de conduta pela influência de terceiro, principalmente, quando esse terceiro é uma celebridade.
Este texto tem por objetivo alertar autoridades para o prejuízo dessas práticas nefastas aos jovens. Far-se-á necessário a intervenção  de pedagogos, de professores,  de formadores de opinião, de pediatras, enfim, toda sociedade,  para diminuir, disciplinar (não é censura, é conduta ética) os meios de comunicação para que o papel da  mulher não seja reduzido à procriação e a cuidar da casa como na Grécia e no Império Romano. Qual a criança e o jovem que não se arrepiam com o glamour da "parada gay"? Qual a criança e o jovem que não se deslumbram quando seu ídolo diz que é homossexual? Por isto, urge a necessidade dum novo código de costumes e condutas.
Esclarecemos aos energúmenos e, às pessoas de má fé, que não fazemos apologia homofóbica, violência, crime de morte, etc. Não obstante, em 73 países no mundo há algum tipo de condenação às relações homossexuais e 13 condenam à morte o homem ou a mulher flagrado em ato homoafetivo como: Arábia Saudita, Mauritânia, Angola, Nigéria, Kuwait, dentre outros, portanto, o problema é sério e necessário uma análise isenta de preconceito, mas, que se estude os danos morais causados às nossas crianças, pré-adolescentes, adolescentes e adultos volúveis.
Quando a família tradicional, formada por um pai e uma mãe, isto é, um homem e uma mulher, ceder espaço para família que se autoproclama moderna de 2 homens ou 2 mulheres, com o papel esdrúxulo de pai e mãe, decerto, essa prole será de desajustados emocionais que encherão as clínicas de psicólogos e psiquiatras em busca de suas identidades genealógicas.
Enfim, indivíduos do mesmo gênero, atraídos pelo sexo ou emocional, eles deverão ser exceção e não regra, numa sociedade de fortes princípios morais e religiosos. Por isso, se faz necessário repetir a pergunta inicial: até quando os nossos valores tradicionais serão vilipendiados, desprezados, corrompidos? Até quando os meios de comunicação continuarão fazer apologia da homossexualidade? Até quando essa minoria licenciosa influenciará nossas crianças? Até quando nossas autoridades jurídicas e políticas serão indiferentes para essas práticas libertinas? Até quando?...


Post Scriptum:

Neste texto usamos muito a palavra homossexualismo ao invés de homossexualidade. Entendemos que o sufixo ismo não designa doença. Homossexualismo é senso comum na linguagem coloquial. Uso a palavra de acordo melhor entonação.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Que será do homem daqui a 50 anos? - R. Santana

 

Que será do homem daqui a 50 anos? - R. Santana
 
    Homens com cérebros e homens descerebrados. Daqui a 50 anos, alguns homens pensam e decidem e outros poucos pensam ou não pensam e obedecem. A inteligência artificial (IA), cada dia, produz máquinas com softwares tão avançados que daqui alguns anos essas máquinas farão todas as atividades humanas, a exemplo de dirigir, cuidar da segurança e tarefas domésticas da casa, produzir novas máquinas, pilotar avião, presente em todas as atividades industriais, cirurgias de alta complexidade, etc., etc. Essa super tecnologia é benéfica para homem, todavia, o escraviza, deixa-lhe descerebrado, à mercê do homem que detém esse conhecimento científico e tecnológico.
    Hoje, há aplicativos (Apps) para tudo, aplicativo de banco, de segurança, de trânsito, de meteorologia, de medicina, de educação, de games, de notícias, de atividades sociais, enfim, com o celular na palma da mão, o indivíduo dirige sua empresa, sua casa, quiçá, governa o mundo. O poder da informação eletrônica com imagem e tempo reais, ele nos orgulha e nos assusta ao mesmo tempo. Trump, por exemplo, autorizou matar o general iraniano Qassem Soleimani em Bagdá, com um drone inteligente (imagem e tempo reais e bomba), sem pisar os pés fora do seu gabinete na Casa Branca.
    Hoje, estamos à mercê de profissionais liberais informatizados desprovidos de eficiência. A maioria absoluta não estuda (salvo, honrosas exceções), o livro fica empoeirado na estante. Estudar pra quê? Se nós temos o Google (biblioteca eletrônica) e os softwares e apps específicos no computador. O médico abre a tela do seu computador defronte o paciente e lá encontra o remédio e o modo de usar. O engenheiro não usa mais a velha prancheta, a régua e o compasso para projetar suas plantas, alta ou baixa, em questão de minutos, ele projeta um edifício com apartamentos funcionais, inclusive, com os moveis no lugar. O advogado de porta de fórum usa o Google para peticionar. Essa tecnologia é padrão em todas as profissões.
    Alguns desavisados irão pensar que o nosso pensamento é contrário à expansão tecnológica informatizada, ledo engano, o computador (PC, Laptop, PDA, Workstation, Notebook, etc., etc.), é uma ferramenta fundamental no dia a dia e no processo de conhecimento. O nosso alerta é que não sejamos marionetes nessa teia de informação e percamos a nossa capacidade de pensar. Evitar que o homem comum torne-se um instrumento mecânico do homem de ciência robótica, que o pensamento de Thomas Hobbes: “Homo homini lúpus”, isto é, “homem é o lobo do homem” , não se efetive mais ainda com sua incapacidade de pensar.
    As gerações da Internet pensam que as gerações anteriores são ineptas no uso dessas novidades tecnológicas, que não sabemos usar um ”Smartphone”, um “Laptop”, um “Tablet”, um “PC”, não é verdade, pouco e pouco, as gerações anteriores estão absorvendo esse boom tecnológico, é comum, idosos e idosas em redes sociais, mensagens em MSN e WhatsApp. Há alguma resistência isolada, porém, todos os idosos têm consciência dos benefícios e malefícios dessas ferramentas da comunicação. No entanto, esses idosos, por intuição, sentem a gravidade de falar sem o olho no olho, ao vivo, não virtual.
    A violência (física, moral e psicológica) tem contribuído para que as crianças sejam, cada dia, mais sedentárias. As brincadeiras de rua desapareceram. No mundo da internet, os games são os principais passa tempo da criança. Brincadeiras como soltar pipa, amarelinha, agacha-agacha, pular corda, corrida de saco, stop, jogo de gude e esconde-esconde foram substituídos pelo Super Metroid, Super Mário 54, Tetris, Star Wars, Star Craft, etc. Estes jogos são educativos, desenvolvem o raciocínio, alguns socializam virtualmente, mas, são jogos que prendem a criança dentro de casa, se não houver disciplina de uso, eles comprometem a saúde visual.
    As escolas privadas oferecem esporte em áreas de segurança (quadras, campo, Playgrounds infantis...), as públicas, malmente, uma educação física em lugares improvisados, só pra cumprir a carga horária do professor. Não obstante as secretarias de esporte e cultura de todas as prefeituras se preocuparem com as práticas esportivas, as políticas públicas não atendem todas às demandas por falta de recursos financeiros.
    Temos consciência que o modismo é passageiro, efêmero. Quantos modismos nós já tivemos em todas as áreas da atividade esportiva, cultural, social e do conhecimento? Enésimos! O homem por natureza é criativo e revolucionário, esperamos que muito antes de 50 anos, o homem reforce o seu senso crítico, dê mais prioridade aos processos mentais, que não valorize a cultura inútil, que os exercícios da mente só se faz com o livro e os hábitos de leitura. Valorize o contato físico e não o virtual, as relações sociais naturais são mais confiáveis e mais saudáveis.
    Enfim, daqui a 50 anos, a humanidade desejará homem de cérebro e de emoção, que os princípios éticos e morais sejam tão importantes quanto às regras da razão. A felicidade está no mundo das coisas simples, primitivas, no mundo da fé, não, nos ditames da ciência e excesso da tecnologia.



Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Membro da Academia de Letras De Itabuna - ALITA
Imagem: Google

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