11.03.2025

O fantasma da Pirâmide de Gizé - R. Santana

 


O fantasma da Pirâmide de Gizé
R. Santana

     Existe um provérbio popular que quem conta um conto aumenta um ponto, por isto, eu escolhi a grande pirâmide de Gizé para título deste conto. A história que iremos contar é sobre uma pirâmide que foi construída em 2005, hoje, é a necrópole de um sheik árabe. Amigo leitor, eu não sei lhe informar se essa história ocorreu nos Emirados Árabes, na Arábia Saudita, no Iêmen ou na Somália, apenas, lhe afianço que não é um conto da carochinha e ocorreu num país muçulmano.
     Khalil Jamal era um grande empresário no setor de revenda de automóveis, construção civil e indústria de alimentos. Não fez sua fortuna, a herdou de seus pais e avós, porém teve o mérito de multiplicar essas riquezas para seus filhos e netos. Desde o início da vida alimentou um medo infundado de germes, sem doença, ele deu trabalho aos médicos pra que eles encontrassem doenças inexistentes. Por mais que os médicos dissessem que era sadio, ele cismava aceitar.
     Culto e andado, adepto da ciência, certa feita leu um artigo de Antoine de Bovis, depois, leu os estudos de Bill e Ed Pettit, sobre o poder biogenético da pirâmide, inclusive, na cura de doenças humanas e no desenvolvimento dos vegetais quando colocados sob o vértice da pirâmide. Foi à cidade de Gizé no Egito e após estudos e observações das múmias, ele descobriu que os corpos secam, mas não apodrecem, ou seja, não entram no processo de decomposição. A energia da pirâmide é ionizada com frequência e forma um campo de força eletromagnética que influi nos processos químicos, físicos e biológicos.
     Muitos anos depois, já idoso, Khalil Jamal, com filhos e netos criados, convocou de sua empresa, profissionais da construção civil para que apresentassem em tempo recorde, o projeto duma pirâmide moderna. Um ano depois, a pirâmide em forma pentagonal foi inaugurada e o sheik Khalil Jamal declarou aos filhos, netos, bisnetos, parentes e convidados que ali seria seu jazigo. Sentiu certa estupefação dos presentes, mas os tranquilizou que com 87 anos de vida, a morte já lhe perseguia, era o destino de todo ser vivo, portanto, nada de tristeza e espanto.
     A pirâmide ficou uma obra de arte arquitetônica. Ela foi construída nos jardins da mansão, em cima de uma plataforma (em forma de pentágono), com escadas laterais, 2 rampas, com corrimões e barras de proteção de aço inox, toda construção revestida de mármore da cidade italiana de Carrara. Sobre essa plataforma foi construída a pirâmide no mesmo formato pentagonal com 16 m² de base e 32 m de altura, sua estrutura toda de aço inox, revestida com placas de encaixe de mais ou menos 1 m², de vidro fumê, muito escuro, laminado e temperado, recheado de polivinil butiral, 75 mm de espessura. O piso, também, foi revestido de vidro de mesma qualidade e espessura.
     O sistema eletro-eletrônico da pirâmide foi planejado com esmero, a única porta lateral se move por biometria cadastrada, a iluminação é controlada remotamente. O velho proibiu ar-condicionado e controle da temperatura por aparelhos refrigerados eletrônicos, foram instalados pequenos filtros de válvulas mecânicas (a exemplo das válvulas aurículas e ventrículos que abrem e fecham e o sangue circula sempre num mesmo sentido) de forma circular em 2 faces da pirâmide, a função desses filtros é receber o vento que circula pelo ambiente sem o devolver à atmosfera.
     O velho Khalil Jamal, com 89 anos de vida, cuidados pelos filhos e filhas, cada vez mais, ele cismava com os germes, não permitia que os enfermeiros ou médicos adentrassem seus aposentos sem um ritual de higiene e esterilização dos instrumentos, à conduta de Howard Hughes, fobia inexplicável... Porém, não dispensava as orações diárias do salah (5 vezes por dia, voltado para Meca), cerimônia feita dentro da pirâmide, numa dessas cerimônias, Khalil Jamal morreu de um infarto fulminante e seu ataúde foi depositado sob a área do vértice da pirâmide e, lacrada para sempre.
     Pensas tu, amigo leitor, que a história terminou com a morte de Khalil Jamal? Não! O fantasma dele começou transitar pela mansão e pelas empresas. Vários funcionários deram testemunhos que viram o sheik, às tantas da noite, aqui, ali e acolá. Ficou difícil para os filhos e filhas negarem essas aparições, pois, os relatos eram comuns e inspiravam verdadeiros.
     Abdul Jamal, seu filho mais velho, líder do clã Khalil Jamal, perguntava a si, se Alá havia transformado seu pai num ser mau? Ou, Alá havia transformado seu pai em um anjo de luz para chamar a atenção da humanidade para o poder energético da pirâmide para cura dos males do homem? Que o tempo fosse o senhor da razão, deixasse o povo falar que o mausoléu de seu pai fosse mal assombrado.
     Ainda hoje, ninguém visita à noite, a “Pirâmide de Gizé”, porque a alma de Khalil Jamal continua fazer pantomimas.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Nota: Imagem (Google)

CORONAVÍRUS - R. Santana

 

CORONAVÍRUS - R. Santana

CORONAVÍRUS
R. Santana


Uma endemia na pandemia, ou seja, uma loucura menor dentro duma loucura maior. Muitos comparam o momento atual ao tempo da “gripe espanhola” de 1918/1920, pelo vírus influenza, letal para 50.000.00 milhões de pessoas ao redor do mundo. Talvez, o vírus COVID-19 não faça o mesmo número de morte em decorrência da comunicação instantânea da mídia falada, televisada e escrita, repetindo o apelo da OMS do isolamento, da distância social, além de todos os governos empenhados para que o sistema da saúde não entre em colapso e a ciência descubra em curto prazo o tratamento específico para o CORONAVÍRUS e a vacina.
A História da Humanidade, certamente, irá responsabilizar à China pela pandemia do COVID-19. Por princípios ideológicos do governo chinês, os problemas de Wuhan, foram conhecidos pelo mundo depois de tempo considerável pela denúncia imprudente do médico Li Wenliang. E, pelos mistérios inexplicáveis da vida, ele morreu algum tempo depois, vitimado pelo CORONAVÍRUS.
Enquanto a morte grassava em Wuhan, turistas de todo mundo, homens e mulheres de negócio, esportistas, estudantes, artistas, pesquisadores, jornalistas correspondentes e profissionais liberais entravam e saíam da China, potencialmente, os portadores dessa terrível doença.
Hoje, esse país asiático, berço do mutável CORONAVÍRUS, retomou suas atividades normais e abastece o mundo com insumos médicos, ou seja, suas indústrias modernas estão se locupletando com a doença de milhares de pessoas no planeta. A China pela sua potência econômica, deveria liderar programas de solidariedade mundial sem prejuízo do seu “status quo” antes da pandemia.
Decerto, o isolamento e o distanciamento social são os responsáveis, no momento, para conter essa pandemia, uma vez que, não existe ainda uma vacina e um remédio reconhecidos pela comunidade científica brasileira e científica lá de fora. O remédio poderá vir de imediato, mas a vacina levará 2 anos, no mínimo, conforme os expertos, portanto, não se pode negligenciar as recomendações da Organização Mundial de Saúde – OMS.
Porém, num país pobre como o Brasil, com vários programas de assistência social, a exemplo do programa “Bolsa Família”, a inclusão de mais um programa de 38 milhões de brasileiros que vivem na informalidade com o país em "stand by", com suas atividades produtivas em espera da evolução dessa doença por tempo indefinido, será o comprometimento da economia e o caos social por muito tempo. Será condição “sine qua non” que todas as forças políticas se unam, sem egos políticos inflados, desprendidos, para uma saída que concilie o combate à doença sem prejuízo das atividades econômicas, pois, se a economia sucumbir, não haverá condição material, financeira e, gente qualificada para combater o CORONAVÍRUS.
A maioria do pessoal da saúde só pensa em isolar e distanciar socialmente o idoso, distanciá-lo dos filhos, dos netos, dos amigos da pracinha, de sua igreja, dos vizinhos, das cantorias, do “rala-bucho”, da cervejinha no bar da esquina, essa gente não entende que as doenças da mente são tão nocivas quanto o isolamento e o distanciamento da família. Há idoso que prefere morrer que viver isolado numa camisa de força social. Essa geração não é afeita às redes sociais, ao Smartphone, ao WhatsApp, poucos gostam de ler, aliás, muitos não sabem ler.
Às vezes, o exagero no remédio mata mais que a doença, as restrições são necessárias conforme ponto de vista do médico infectologista, todavia, o psiquiatra e o psicólogo achem que mudar comportamento e atitudes arraigadas ao longo dos anos à força de pânico, da loucura coletiva de muitos, não estão protegendo o velhinho ativo e ainda cheio de vida. Seria mais produtivo que se conciliasse às novas regras de convivência: a terapia ocupacional e a afetividade, não o ócio, o isolamento e o distanciamento social.
Enfim, que o pânico e o estresse não sejam mais decisivos do que o bom senso. Todos nós estamos apavorados, não é pra menos, não podemos velar nossos entes queridos, dá-lhe um adeus cristão, derramar nossas lágrimas em cima do corpo inerte... Irmãos, netos, filhos, genros e noras ouvirem a última missa ou outra prática religiosa, não trará de volta o ente querido, mas, consola!...

Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

Carta para Geraldo dos Santos Lima R. Santana

 

Carta para Geraldo dos Santos Lima R. Santana

Geraldo:


Esta semana e algumas outras, eu deixarei de frequentar sua aprazível churrascaria. Eu e a dona da pensão, deixaremos por uns dias, por causa da idade, de frequentar lugares fechados de muita gente por conta do CORANAVÍRUS, o tal COVID–19. Uma endemia na pandemia, isto é, uma loucura menor dentro duma loucura maior.
Prezado Geraldo, a histeria é tão grande, que lavo as mãos, sem sair de casa, várias vezes por dia, às vezes, lavo as mãos, esqueço que as lavei e segundos depois, eu lavo as mãos novamente. Compartilho do pensamento do deputado federal, Eduardo Bolsonaro, que os chineses deveriam ser responsabilizados por terem omitido a doença de CORONAVÍRUS por longo tempo, embasados em princípios ideológicos discricionários. A consultoria rural BUSINESS, Mato Grosso do Sul, anda espalhando através de vídeos que os chineses tiveram interesse de espalhar esse pânico no mundo com objetivo comercial espúrio e inconfesso: “O objetivo seria lucrar, insuflando uma histeria irracional com a pandemia”.
Caro amigo, se eu fosse rico, iria fazer o que fez o americano Howard Hughes, durante esse período de pânico, ficaria isolado de tudo e de todos, livre de bactérias, fungos e vírus, com médicos e enfermeiras à disposição e, para eles terem contato comigo, teriam que cumprir um ritual de procedimentos de higiene, com luvas, máscaras, uniformes, sapatilhas descartáveis, descontaminação do ar etc. Como não sou multibilionário como Howard Hughes, resta-me sabão e água, álcool 70 % em gel, máscara e no próximo dia 23.03, tomar a vacina H1N1. Depois da vacina, valha-me Deus!
Mas Geraldo, todo esse blablabá é para lhe dizer que não dê curso ao seu projeto de fazer um quadro da crônica: “O empreendedor” e expor esse quadro no salão nobre de sua churrascaria, é que não sou afeito às homenagens públicas, primo pelo anonimato, não me sinto à vontade com o reconhecimento coletivo. A Internet resolveu meu problema existencial: escrevo para quem não me conhece e não conheço para quem escrevo. Nem na minha rua, eu sou reconhecido como escritor, não obstante 21 livros publicados em vários sites e editoras do país e uma centena de textos (crônicas, contos, cartas, artigos, romances...) produzidos.
Edmund Freud, o pai da psicanálise, escreveu 3000 cartas para seus amigos e colegas cientistas, eu as escrevi, apenas, 50, escrevo para quem eu gosto e considero. Já homenageei muita gente, movido, somente, pela amizade, independente de qualquer interesse financeiro ou material. Gosto de registrar as minhas amizades através da escrita, porque, “a palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”. A título de exemplo, segue alguns nomes de pessoas que homenageei, hoje, essas homenagens correm o mundo através do Google, aplicativos e sites: Zé Magrinho, Fonsequinha, Pedro, o Grande, Antônio Mangabeira, Valdelice Pinheiro, Zé “Urubu”, dentre outros.
Com devida vênia, sugiro-lhe que o custo do quadro da crônica: “O empreendedor”, de moldura de madeira, de alumínio, moldura laminada a ouro, papel de fotografia antimofo, que essa pequena quantia de dinheiro seja doada à igreja que o amigo congrega, acredito que fará bem às nossas almas. Se esse texto lhe trouxe algum significado, arquive-o em seu “Smartphone” ou no seu “PC”, essa "obra" já está no Google, no “Saber-Literário”, no link: “https://saberliterario.prosaeverso.net/“, no “Recanto das Letras” , desde 24 de dezembro de 2019.
Se o CORONAVÍROS não me pegar (Deus não permita), se essa loucura passar, se os chineses (responsáveis por esse imbróglio) e os americanos descobrirem remédios e vacinas para socorro da humanidade, voltaremos ao “Boi Gordo” para degustar uma boa carne, uma boa comida e um bom suco de laranja, limão ou açaí, não acrescento aqui, cerveja, vinho, whisky, porque não bebo nada de álcool.
Enfim, um aperto de mão sem CORONAVÍRUS, que Deus permita a humanidade não sofrer tanto, ninguém merece morrer procurando ar sem encontrar, sufocado... Cordialmente, Rilvan Batista de Santana, São Caetano, Itabuna (BA), Brasil, 22 de março de 2020.
Rilvan Santana

Carta para Maria Clara - R. Santana

 

Carta para Maria Clara - R. Santana

Estimada amiga:

Não aguento mais essa loucura do vírus chinês. Minha amiga, antes que os comunistas digam que os coronavírus nasceram com o mundo (que o chinês não o criou em laboratório), um “sexto sentido” insiste dizer-me que esse coronavírus da COVID-19, foi geneticamente modificado por algum cientista maluco lá da China. Não obstante a velharia chinesa morta, um tiquinho de nada para uma população de mais de um bilhão e trezentos milhões de chineses, num instante, eles deram a volta por cima comercialmente, só os americanos lhes compraram 23 aviões cargueiros de insumos hospitalares e equipamentos de proteção individual (EPI).
Maria Clara, eu acho que pela sua paciência, centrada sempre, não lhe afetou ainda o meu nível de estresse, da minha loucura, passo o dia lavando as mãos. Às vezes, eu lavo as mãos, esqueço que as lavei, segundos depois, lavo as mãos novamente. Hoje, não arredo o pé de casa, quando sou obrigado sair, não saio sem máscara no rosto nem saio sem um vidro de álcool em gel na pochete. Querida Maria Clara, é um estresse sem fim, principalmente, depois que vi a foto em um jornal de centenas de covas rasas num dos cemitérios da cidade de São Paulo.
Querida amiga, eu tenho calafrio quando penso morrer e não ser velado ou não poder velar um ente querido, é um pensamento mórbido, mas a possibilidade existe. Hoje, a sociedade dos mortos coronarianos é tão assustadora quanto à sociedade dos pestilentos da peste bubônica dos anos de 1346/1353. Naquela época, os pestilentos eram isolados, discriminados e sepultados às centenas em valas profundas e separados por sexo, mulheres e homens em “sepulturas" diferentes.
Essa pandemia que surgiu na Ásia Central e contagiou o continente europeu e ceifou a vida de 200 milhões de pessoas. Hoje, o desfecho da Covid-19 (doença do coronavírus) é tão imprevisível quanto naquela época, os hospitais estão instalando contêineres refrigerados para manutenção de dezenas de mortos da Covid-19 até o sepultamento definitivo. Todas as projeções afirmam que muita gente vai morrer em contato com esse vírus, principalmente, se as recomendações do isolamento e distanciamento social não forem mantidos por tempo recomendado.
Talvez, questione-me: “amigo, por que fostes buscar doenças de eras remotas para meu medo aumentar?”, direi que jamais pensei lhe causar mais pânico do que a mídia nos faz diuturnamente, que, as pandemias na humanidade não são de hoje, a gripe espanhola, por exemplo, matou mais de 50.000 milhões de pessoas em todo mundo nos anos 1918/1920, portanto, minha amiga, não se assuste, as endemias e as pandemias fogem com medo das armas da ciência.
Cara amiga, um provérbio popular diz: “não existe mal que perdure nem bem que não se acabe”, essa pandemia irá acabar, permita Deus que esse vírus seja breve, o mais breve possível, não obstante o tempo de blasfêmia de alguns contra o Espírito Santo, único pecado que a Providência não permite perdão. O respeito às coisas divinas é a sublimação da fé. As idéias dos filhos do “Inimigo” não prevalecerão entre os bons nem serão escolhidos no “Dia de Juízo”.
Enfim, minha amiga, Deus nos abençoe e permita que passemos de imediato pelo vale do desconhecido, que esse vírus, em pouco tempo, já deixou muitos pais, filhos e filhas chorando sobre os corpos dos seus ente queridos, que seu efeito maléfico seja interrompido pelas forças do bem. Fraternalmente, R. Santana. São Caetano, Itabuna (BA), Brasil.
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 05/04/2020

Bom senso - R. Santana

 

Bom senso - R. Santana
 
Com a pandemia do CORONAVÍRUS e a COVID-19 (doença), o mundo virou de cabeça pra baixo em pouco tempo. As bolsas de valores despencaram, as economias das principais potências econômicas do planeta se apequenaram diante da pandemia. Os índices de desemprego em todo mundo são assustadores. Além do mais, não existe em curto prazo, um tratamento específico nem vacina para esse vírus.
Existe muito blá blá blá sobre o CORONAVÍRUS, muitas estrelas em ascensão, todavia, muita coisa é suposição, sabe-se que é um vírus modificado que saiu lá da China. A ciência ainda não conhece o seu comportamento completamente. O bom senso recomenda o isolamento social e o distanciamento social com objetivo de conter sua proliferação.
Num momento difícil, políticos a exemplo do governador João Dória de São Paulo e o governador Wilson Witzel do Rio de Janeiro, politizaram a pandemia nos seus estados, em conflito com o governo federal, seus atos de restrições prejudicaram as atividades produtivas e produziram desemprego em massa.
A mídia deixou o país alarmado, em pânico, em menos de 60 dias. Hoje, são 24 horas de programas televisivos, de rádio, de jornais, de redes sociais, trazendo matérias alarmantes e imagens mórbidas sobre o CORONAVÍRUS e a COVID – 19. A loucura é tão grande que no início da pandemia em nosso país, as autoridades médicas recomendavam a “máscara” só para os infectados, atualmente, a “máscara” é para infectados e não infectados. A COVID – 19, a doença, só atacava os pulmões, hoje, sabe-se que essa doença afeta todos os órgãos do homem.
A discussão, hoje, é sobre o isolamento vertical e o isolamento horizontal. O isolamento horizontal recomenda que todos fiquem em casa com exceção das atividades essenciais, enquanto o isolamento vertical defende que as atividades produtivas sejam flexibilizadas e o grupo de risco seja mantido em casa.
Dia e noite os meios de comunicação recomendam: “Fique em Casa!” É um slogan elitista, próprio para classes privilegiadas, pedido impossível para maioria do povo que trabalha durante o dia pra levar, à noite, o pão pra casa. Como alguém pode exigir isolamento e distanciamento sociais quem mora num barraco com 8 pessoas? Um cômodo de 16 m² com 4 ou 5 pessoas? Mora num barraco que não tem água e a energia é uma gambiarra? Essas pessoas são desprovidas de bom senso e desconhecem a realidade dos pobres e miseráveis deste país.
Neste momento, os programas sociais do governo federal e as redes de solidariedade que se espalham pelo Brasil, eles são providenciais e necessários para combater à fome. O auxilio emergencial de R$ 600,00 (seiscentos reais), para indivíduos cadastrados no MEI, trabalhadores informais e contribuintes individuais do INSS e autônomos, com idade mínima de 18 anos, durante 3 meses, contribuirá para aliviar a vida dos brasileiros por algum tempo, não por todo tempo.
Esse auxílio emergencial, com certeza, evitará uma convulsão social, porém, até quando? Até quando o governo federal disporá de receita para atender essas demandas sociais se a força de trabalho do país está em estado de ócio? Até quando os idosos aguentarão o isolamento forçado sem serem acometidos pelas doenças da mente? É um exercício de adivinhação.
Os estragos da COVID-19 são irrefutáveis. As mortes causadas trazem choro e lágrimas às famílias. Não é fácil a perda de um ente querido, é uma tristeza sem fim, porque essas mortes rompem todos os ritos cristãos duma separação eterna, é uma separação doída e desumana.
Por outro lado, as medidas restritivas radicais esfacelam todas as economias do mundo em nome da ciência. Os cientistas têm um foco: destruir o vírus que causa a pandemia. Todavia, esse ponto de convergência exacerbado produz: pobreza, miséria, fome e doenças físicas e mentais pelo isolamento e distanciamento sociais duradouros. É fácil ficar em casa por longo tempo sem necessidade material e financeira, difícil é a subsistência do nada.
O remédio que cura é o mesmo que mata. A economia dum país não pode ser engessada por restrições radicais irracionais. A pandemia do CORONAVÍRUS terá que ser combatida com ações inteligentes e responsáveis, não com medidas radicais de mobilidade social.
A economia deverá cuidar das atividades produtivas e a ciência deverá usar os recursos científicos, financeiros e materiais para conter a proliferação do vírus, consequentemente, zerar a COVID-19.
O isolamento vertical consciente e responsável é o mais racional. A força de trabalho saudável deverá impulsionar a economia enquanto o segmento de risco deverá observar as restrições sociais com acompanhamento de assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras.
Enfim, neste momento conturbado, exercitar o bom senso, talvez, seja a saída para conter ou exterminar essa pandemia atual. O bom senso é mais do que o foco. O foco é um animal com viseira, só olha pra frente. O bom senso é um alazão, é um animal que olha pra todos os lados, é um animal sem viseira. Para Descartes, o homem nasce com bom senso, porém, nem todos sabem usar seu bom senso. Alguns homens são semelhantes aos animais com viseiras e perdem-se no seu foco... Outros homens não usam viseira, norteiam-se pelo seu bom senso inteligente e prático.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

O convite - R. Santana

 


O convite - R. Santana


Nem todo dia se recebe um convite para participar dos movimentos comunitários de sua cidade, além de ficar lisonjeado e senti-me prestigiado por Thiego Bento, autor do convite. Adiantou-me que o MIG (Movimento Itabuna Grande), é político sem ser partidário: “... gostaria de te convidar a participar do MIG, ele é político, mas não partidário tem com principal objetivo, estudar, debater, desenvolver militância política, além de implementação de políticas publicas de âmbito municipal...”
Conheci o jovem Thiego, há 3 anos, numa quadra municipal de futebol infantil. Nesse tempo, meu neto João Victor com 5 aninhos de vida, fanático pelo esporte bretão, pediu, não, obrigou-me que lhe matriculasse numa escolinha de futebol, aí, coloquei-o na escolinha de “Napayeta” e “Bode”.
Meu encontro com Thiego Bento, aliás, único encontro, ocorreu lá nos jogos de futebol de Napayeta, enquanto esperava meu neto João Victor. Depois desse encontro, nunca mais o vi, salvo pelas redes sociais e por e-mail. A Internet resolveu meu problema de relacionamento e, é providencial: escrevo para quem não conheço e lido por alguém que não me conhece.
Nesse encontro de pouco mais de uma hora com Thiego Bento, conversamos sobre amenidades, porém, discutimos ciência, filosofia, ética, moral e outros conhecimentos da mente humana. Eu saí dali impressionado com o privilégio mental do jovem intelectual e professor de Educação Física - UNIME.
Eu acredito nos movimentos comunitários, pois o poder emana do povo e, em seu nome será exercido. Os movimentos sociais têm por objetivo provocar o gestor de plantão para atender às aspirações e às necessidades comunitárias. O objetivo desses movimentos comunitários, também, é fiscalizar e denunciar os desvios de conduta dos seus gestores públicos.
Não subestimemos os partidos políticos, porque até nos regimes totalitários, o partido político é condição sine qua non para sobrevivência do governo, por isto, devemos fortalecer os partidos políticos de nosso regime democrático. Todos os partidos políticos têm um Regimento e um Estatuto e um Conselho de Ética, portanto, nenhum partido político favorece à corrupção, à sinecura e o nepotismo, no entanto, em toda cesta de maçã, é possível encontrar maçãs podres.
Hoje, eu coloco em duvida o caráter do líder partidário, do pré-candidato e de candidato a um cargo público. Defendi com unhas e dentes Aécio Neves (PSDB) quando candidato a presidente do país, pouco depois, descambei quando surgiram suas malas de dinheiro. Defendi Lula (PT) em todas as hostes inimigas da justiça, depois de 2 condenações pelos desembargadores do TRF-4, desabei... Os partidos não têm nada a ver, mas a culpa é desses líderes que se perderam em suas biografias.
Aqui, no meu canto, eu fico preocupado com a interferência do judiciário no poder executivo federal, estadual e municipal. Todos nós sabemos desde a escola primária que os poderes da república são harmônicos e independentes entre si, mas, hoje, a ingerência do poder judiciário noutros poderes, tornou-se cotidiano, em nome das entrelinhas da Constituição de 1988, o poder judiciário ameaça até cercear os movimentos do presidente Jair Bolsonaro. Rui Barbosa, o maior jurista do século passado escreveu: “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer... Rui Barbosa”.
Agora, no imbróglio de Moro e o ministro Alexandre de Moraes, o major-brigadeiro Jaime Rodrigues Sanches, no artigo: “Major-Brigadeiro Jaime Rodrigues, engrossa o tom e fala tudo que tinha quer ser dito ao STF - https://saber-literario.blogspot.com/ , sobre os ministros militares convocados por Celso de Mello:
“Foi uma tentativa infeliz de demonstração de poder, totalmente injustificável e inaceitável, a produção por parte do ministro Celso de Mello de um documento jurídico ameaçando de serem conduzidos “debaixo de vara” três oficiais-generais do Exército brasileiro, do maior grau hierárquico da carreira, altamente conceituados no seio da sua Força, que dedicaram meio século da vida jurando defender a Pátria com o sacrifício da própria vida, convocados apenas como testemunhas para depor em defesa do presidente”.
Se um major-brigadeiro critica o STF, as coisas não vão como dantes no quartel- general de Abrantes. O respeito às competências de cada um tem que ser observada.
Enfim, estimado Thiego Bento, não digo nem desdigo que aceitarei seu honroso convite, mas se não aceito logo, desejo que seja feliz em sua caminhada que além dos movimentos comunitários se candidate a um cargo político eletivo. Urge a necessidade de gente nova e honesta nos legislativos e executivos do nosso país.




Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

O falso negativo - R. Santana

 


O falso negativo - R. Santana

 

Nunca o endeusei nem o achei herói da República nem o salvador da pátria, sempre o achei falso negativo (quando o indivíduo está doente e o teste não dá positivo), esta metáfora tem a pretensão de justificar o título desta crônica. Enquanto todos achavam, na época, que o magistrado Sérgio Fernando Moro, da 13ª. Vara Criminal de Curitiba, o arauto da anticorrupção da operação Lava Jato, modestamente, eu colocava o pé atrás.
O povo comparava a Lava Jato à operação “Mãos Limpas” da Itália. Deltan Dallagnol era comparado ao coordenador da “Operação Mãos Limpas”, o Procurador da República Antonio Di Pietro.
Deltan fez um power point para justificar o caminho do dinheiro da corrupção desviado da Petrobrás e Lula o chefe de todo sistema corrupto. Deltan ainda desafiou o Supremo Tribunal Federal (STF) com o movimento: “VEM PRA RUA”.
O site The Intercept completou as minhas apreensões, a minha cisma... As mensagens das contas do Telegram de Moro, de Deltan Dallangnol e outros integrantes da Lava Jato, interceptadas pelos hackers Walter Degatti Neto, Gustavo Elias Santos, Luiz Henrique Molição, Suelen Priscila e Thiago Eliezer Martins Santos, embora fossem atos de organização criminosa, essas mensagens pareciam verdadeiras. Alguns membros do STF ainda acham que essas interceptações não autorizadas: a invasão de dispositivos de comunicação e informação alheios, elas têm que ser analisadas com isenção e seriedade pela evidência de verdade.

Quando questionado pela imprensa, o então Ministro da Justiça justificava que não iria comentar os crimes dos hackers, quando o repórter insistia, ele “não lembrava” ou respondia que estava com a “consciência tranqüila”.
Moro não descansou enquanto os hackes não fossem colocados atrás das grandes, que ocorreu 6 meses depois pela PF, além de processar o jornalista e diretor do “The Intercept Brasil, Glenn Greenwald.
As más línguas diziam que a relação de Moro e Dallagnol nos processos da Lava Jato, excedia às funções de juiz e procurador, o primeiro, com projeto político de poder, haja vista, ele jogou 22 anos de juiz federal para as “cucuias” e aventurou-se receber um ministério de Jair Bolsonaro; o segundo, procurador da República, conferencista, palestrante, escritor e, possivelmente, senador da República no futuro.
Os diálogos “rackeados” sugerem que havia colaboração “suspeita” entre Moro, o pessoal do Ministério Público Federal (MPF), em particular, o procurador Deltan Dallangnol, nos processos da Lava Jato. Alguns operadores do direito e juristas sustentaram, naquela época, que Moro usou LAWFAREY (principalmente com Lula), instrumento jurídico de perseguição política, destruição da imagem pública e a inabilitação de um adversário político. O objetivo do LAWFAREY é acusar o indivíduo sem materialidade de provas e o abuso de direito e prejudicar a reputação do adversário.
Eu tenho uma antipatia orgânica por Moro, acho-o fingido, cínico e não judicioso. E, à medida que as mensagens de THE INTERCEPT BRASIL eram divulgadas, justificava-se ainda mais, a minha ojeriza pelo ex-juiz da 13ª. Vara Criminal de Curitiba.
É notório o grampo que gravou as conversas de Dilma Rousseff e Lula. Naquela época, a presidente Dilma no meio de um furacão político, prestes de um “impeachment”, ela dá prerrogativa de foro na Casa Civil ao seu antecessor. Moro suspende o sigilo dessas conversas, obtidas de maneira ilegal e não poderiam ser divulgadas, conforme os especialistas e Moro as divulgou e justificou: “Como havia justa causa e autorização legal para a interceptação, não vislumbro maiores problemas no ocorrido, valendo portanto, o já consignado na decisão do evento 135 (que autorizou a divulgação da conversa).
Ele tornou público, também, as conversas de Lula e seu advogado Roberto Teixeira. Alegou evidências de envolvimento de Teixeira na aquisição do sítio de Atibaia. Cristiano Martins, sócio de Teixeira e advogado do ex-presidente, afirmou que a interceptação e a divulgação de conversas de cliente e advogado é muito grave e completou: “Monitorar advogado significa jogar por terra a garantia do contraditório e à ampla defesa e, também, coloca em cheque as prerrogativas profissionais e a atuação do advogado no caso...”, disse Crstiano Zanin Martins.
A divulgação das conversas de Moro e Deltan, interceptadas pelos rackers e as mensagens dos “grampos” que interceptaram conversas de advogados e seus clientes e autoridade com prerrogativa de foro, sugerem que o STF “deveria revisar” todos os processos da LAVA JATO.

Recentemente, Sérgio Fernando Moro solicitou sua exoneração do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com o pretexto que o presidente Jair Messias Bolsonaro queria intervir na PF politicamente. Capciosamente, premeditadamente, ele colocou o presidente do país no meio de um furacão jurídico, depois da exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Mauricio Valeixo. Como prova, seus advogados solicitaram à justiça, o vídeo de 22 de abril, reunião com todos os ministros para discussão do programa Pró-Brasil, que nessa reunião, Bolsonaro cobrou relatório de inteligência, substituição do superintendente da PF (Rio de Janeiro) e de Valeixo.

Em sua saída (24.05.2020), sob os holofotes da GLOBO, ele colocou em “saia justa”, seu ex-chefe: "Bolsonaro quer uma pessoa para a qual pudesse ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de inteligência, seja o diretor-geral, seja o superintendente, e realmente não é o papel da PF prestar esse tipo de informações", disse Moro. É notório o que ocorreu depois: Augusto Aras provocou o STF, o ministro Celso de Mello autorizou depoimentos de Moro, Valeixo, Ramagem, policiais federais e a divulgação do vídeo em parte ou todo o vídeo.
A maioria dos brasileiros acredita que Bolsonaro foi “grampeado” por todo esse tempo de governo. É claro que esse crime nunca virá à tona, pois os hackeadores seriam condenados por anos por crime cometido a um chefe de estado, crime de segurança nacional. Moro não “criminalizou” o presidente, mas, indicou muitas evidências, isto é, “caminhos” e "evidências" para justificar sua exoneração, inclusive, a reunião do programa Pró-Brasil.
Hoje, o povo brasileiro tem consciência que nunca teve um herói, um salvador da pátria, um soldado das “Cruzadas”, um guerreiro da cruzada ética e moral, com espada, armadura, capacete e uma bandeira com uma cruz da anticorrupção, mas, um homem não judicioso, perseguidor, tendencioso, calculista, escravo da mídia, escravo da fama, ambicioso, que renunciou às benesses de magistrado para um projeto de poder político, talvez, presidente da Republica, um homem falso negativo


Autoria: Rilvan Batista de Santana
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“Não quero mais ser eu...” - R. Santana

 


“Não quero mais ser eu...” - R. Santana


Naquela manhã de domingo, eu saí de casa com o espírito perturbado, não entendia e jamais iria entender as coisas do mundo e de Deus. No ginásio, impressionara-me uma aula do professor, depois, desembargador baiano Lourival Ferreira: “Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou?”, o tempo passou, hoje, com os cabelos prateados pelo tempo, ainda não respondi nenhum desses questionamentos. Quando li Sócrates que analisava o conhecimento e a verdade: “Conhece-te a ti mesmo”, pensei que fosse um recurso de retórica do velho filósofo grego, ledo engano, o conhecimento de si e a essência da existência são tão complexos quanto o significado da vida.
Com essas chorumelas na cabeça, por intuição, fui procurar o meu velho amigo e guru Tanaguchi e o encontrei no lugar que ele gosta de ficar aos domingos: Praça Olinto Leone. Tão logo o encontrei, não lhe despejei de imediato minhas conjecturas existenciais, sabia, a priori, que toda conversa com Tanaguchi, descambaria, fatalmente, pra os mistérios da vida e coisas da ciência. Não é que queira esnobar sabedoria, afetado, ele é um sábio que não sabe que é sábio.
Fiz das tripas coração:
- Já encontrou o coronavírus, meu velho?
- Não! Estou tomando todas as precauções da idade para não ser comido pela covid-19, é uma morte horrível!
- Acha que os chineses modificaram, geneticamente, esse “animal”?
- Não sei... não sei... eles estão num boom de prosperidade, riqueza, e autoestima para liderar o mundo, não iriam cometer um crime contra a Humanidade. Acredito que eles cometeram crime de informação por conta do regime político totalitário. A endemia começou em Wuhan, o médico Li Wenliang que alertou sobre a doença foi “silenciado” e a endemia tornou-se pandemia, o vírus correu mundo... Concorda?
- Sim! – Acrescentei:
- Não entendo os desígnios da Providencia para que a Humanidade sofra tanto?
- O ateu aqui sou eu meu caro! – Continuou:
- Narvil, não meta Deus no sofrimento do homem. As pandemias sempre existiram e existirão. Na Bíblia, você encontrará a praga dos gafanhotos e outras pragas. A peste negra na Europa dizimou milhões de pessoas, a gripe espanhola matou outro tanto. O sífilis, a malária, a catapora, a chikungunya e o HIV ainda estão fazendo vítimas, são doenças muito antes da covid-19. Deus não tem nada a ver com esse sofrimento da Humanidade. O homem é o lobo do homem, “homo homini lúpus”, o homem que destroi a natureza, suja o mundo, daí advêm as endemias e as pandemias, o homem que constroi sua história...
- Estimado Tanaguchi, parodiando Sócrates, você é um polvo que nos entorpece, entorpece as nossas ideias, a nossa alma. Chequei aqui em busca de resposta pelo que estar acontecendo no mundo e entender os desígnios de Deus, mas, não encontro resposta, você sustenta que o homem é responsável pelos seus males, pelo seu destino. Conclui-se que Deus não existe. Roga-se em vão a ajuda de um Ser Divino. O homem que se cuide, se quiser sobreviver, use sua racionalidade e suas experiências passadas para encontrar suas respostas, as soluções dos seus problemas. Não é Tanaguchi!?
- Meu amigo, eu sou ateu, um agnóstico para suavizar, quando muito, um panteísta romântico. Não sou um religioso, um crente... Procurar a fé em mim, é procurar água num poço estéril. Procuro ver as coisas pela ótica da razão, do racionalismo cartesiano, “cogito ergo sum”, o homem é que produz seus males, suas mazelas, não Deus!
- Então, é fantasia a promessa de Jesus Cristo de vida eterna? Que estamos aqui para redimir os pecados? Que no Dia de Juízo todos serão julgados? Que a carne é corrompida e a alma não? Que na volta de Jesus Cristo, os bons e os maus ressuscitarão, porém, só os bons entrarão no reino dos céus? Portanto, nada disto é verdade, Tanaguchi?
- Amigo Narvil, não há verdade absoluta. Feliz do indivíduo que sustenta suas convicções religiosas, sua fé, seus princípios morais e senso de justiça até o fim dos seus dias. O homem que abdica da fé é infeliz. Você poderá questionar: “Tanaguchi, que incoerência essa sua, faz uma coisa e recomenda outra?”, então, lhe responderei: “Amigo quero que o outro seja feliz, conforme sua natureza, sua carga emocional, seus sentimentos inatos, a razão pura é inóspita, a vida requer sentimento de alegria, de tristeza, de satisfação, de plenitude, de relações sociais, sem esses ingredientes, a vida não tem sentido. Todo ateu Narvil, tem seu momento de fé, de fraqueza humana, de insegurança, às vezes, renega o dia que nasceu e culmina com: “Não quero mais ser eu...”, muitos recorrem ao suicídio!
- Todo ateu tem esses conflitos existências?
- Sim!
- Pensei que tu fosses bem resolvido!?
- O tempo nos ensina a sublimação da vida. Substituímos os conflitos existenciais por ações hedonistas e solidárias. Os prazeres da vida não são estritos, somente, aos carnais, mas todos os prazeres que a vida proporciona ao homem, inclusive, o prazer de não ser constrangido por filigranas morais. Não acreditamos, também, em ações maniqueístas do Bem absoluto (Deus) e do Mal absoluto (Diabo), entendemos que o bem e o mal são princípios morais relativos, que o mundo não é regido, somente, por esses princípios. - Ufa!...
- Velho guru, percebo seu cansaço mental, não é fácil elaborar esses princípios teóricos de repente, numa conversa informal, numa praça da cidade, embaixo dessas árvores caindo “insetos” em nossas cabeças, num dia de domingo, sem tempo para elaborá-los, todavia, antes de voltarmos para nossas casas, que significa “Não quero mais ser eu”?
- Obrigado por sua preocupação com a minha saúde. Essa expressão Narvil, significa quando o sujeito cai em si, que a vida não vale a pena, niilismo, descrença absoluta, o fim do homem é condição absoluta: nasce, cresce e morre. Quem tem religião se agarra aos seus preceitos e morre nas asas da esperança e o racionalista descobre que todos os seus projetos de vida terminam quando o corpo desce à terra. Alguns homens fracos antecipam o fim com o suicídio. É isso aí, meu amigo, não sei se lhe fui convincente, mas, é uma realidade que assusta, é inexorável...
- Compreendi, mas não aceito, prefiro morrer na ilusão da fé... Obrigado!
Eu saí dali mais confuso e perturbado.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Lopeu - R. Santana

 


Lopeu - R. Santana


     Quando eu o conheci, ele não era um velho moço, mas um moço velho: ele usava umas calças folgadas (o finado era maior), camisas de mangas curtas fora das calças, cinturão largo, sandália japonesa e chapéu de abas pequenas para cobrir a careca proeminente. Sempre com barba e bigode escanhoados, roupas simples e limpas, roupas sem mau cheiro, um pobre diabo de bons costumes.
     Bonachão, avesso à briga, uma boa alma, incapaz de qualquer maldade. Não bebia nem fumava. Ninguém nunca o viu tecer picuinhas de A ou de B. Sua vida amorosa era um mistério, não se sabia se amava ou era amado, sabia-se que alguém nunca lhe viu com mulher, as más línguas duvidavam de sua masculinidade, diziam-no invertido. Não era sabido sua religião, na dificuldade sempre recorria aos Salmos 91: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”...
     Não era um parasita que comia e bebia às custas dos pais ou de alguém da família, ele era cambista de “jogo do bicho”. Naquela época, era “jogo do bicho” ou “bilhete da sorte grande“, da Caixa Econômica Federal. Os pobres jogavam no bicho, os menos pobres jogavam na loteria. Lopeu o que ganhava, jogava. Gostava de jogar no bicho e no “Snooker”, às vezes, ele amanhecia o dia no jogo de sinuca, no “Bar de Pedro”, o único “point” do São Caetano de tempos idos.
     O “Bar de Pedro” tinha 2 sinucas, jogo de carteado e 2 mesas de dominó e, foi o primeiro bar do bairro que teve um balcão de sorveteria. No verão, uns 10 meninos saiam com caixas de isopor, vendiam picolé, “sorvete de palito”, no estádio de futebol, na feira-livre, em todo lugar de aglomeração. Picolé de cajá, manga, chocolate, goiaba, coco, cacau e outros sabores que a memória resiste em lembrar. O sorvete de copo era vendido no balcão.
     Lopeu era um jogador de sinuca contumaz, jogava bem, quase profissional, não jogava carteado nem dominó. Sua paixão pelo bilhar era comentada, aliás, o sinuca de 7 bolas, naquele tempo, era o jogo de muitos aficionados, havia até torneios com festas e faixas para os campeões. Para Lopeu, o bilhar não era um hobby, nunca disputou nenhum certame, jogava apostado para sobreviver.
     Certa feita, apareceu do nada, no “Bar de Pedro”, um sujeito desconhecido com pinta de mateiro: calça cáqui, as pernas da calça, uma bainha em cima e outra embaixo, sandália de couro à Luiz Gonzaga, camisa de brim azul, cigarro de palha e jeito de caipira, ainda jovem, o pessoal começou chama-lo de “Galego” pelos cabelos ruivos.
     Galego chamou Lopeu pra jogar sinuca sem aposta, um trapalhão no jogo: o taco “espirrava”, ia jogar na bola vermelha tocava na bola preta, de quando em vez, ele “suicidava” a bola branca, bicava na bola e, ela pulava no chão, um desastre... Os “perus” gozavam do desconhecido. Lopeu o achou oportuno e ganhou alguns trocados. 

     Assim, Galego comportou-se de dia e parte da noite. Riam-se do pixote...
     No outro dia, cedo ainda, Galego chegou ao bar. Não quis jogar, foi ao balcão e tomou o café da manhã reforçado. Não quis jogar logo, sentou-se num banco comprido reservado aos espectadores e palpiteiros. Ficou lá por um bom tempo, acredita-se que por estratégia, para conhecer os mais endinheirados. Às 10 horas, ele entrou no jogo com um inveterado burareiro de cacau. Não parecia mais o trapalhão do dia anterior, pouco e pouco, comedido no jogar, prudente (ganhava com alguns pontos a mais), às 22 horas, daquele dia, Galego havia deixado os frequentadores de sinuca de bolso limpo. Ninguém mais ria dele!...
     No terceiro dia, algo inesperado aconteceu: Galego deu uma “surra” de sinuca em Dico Soldado, deixou-lhe zero de bolso. Dico Soldado era um sujeito matador de bandido, de atitudes trogloditas, um ignorante que se impunha na comunidade pela farda militar (nessa época, o soldado do interior era mais temido que um coronel da capital), no final duma das partidas que estava massacrado pela perícia de Galego, Lopeu falou qualquer coisa e recebeu uma bolada de sinuca na caixa dos peitos e chorou de dor. Os frequentadores do bar, acudiram Lopeu e Zé Urubu cochichou-lhe alguma coisa que algum tempo depois, soube-se desse segredo à boca miúda.
     No último dia de sua estada na comunidade, não havia mais dúvida de sua habilidade e destreza, ele não era um jogador comum, ninguém mais se atrevia enfrenta-lo na mesa de pano verde, salvo, se fosse de brincadeira. Aí, Galego passou se mostrar como espetáculo, deixava o adversário dá a primeira tacada, aí, pegava na bola 1 e encerrava na bola 7. Foi um dia de espetáculo, ele deixou os aficionados pelo sinuca embasbacados, de queixo caído, alguém da turma teve um insight:
     - Quem é você?
    - Walfrido Rodrigues dos Santos, os íntimos me chamam de “Carne Frita”! – Bem, não precisava dizer mais nada, Carne Frita começava ser uma lenda do taco do Nordeste e do país.

                                                             ***
Três meses depois:
     Naquela noite, noite de Lua Nova, as ruas escuras do São Caetano, as casas iluminadas com candeeiro e Aladim, Dico Soldado entra na casa duma mulher sem marido. No meio da noite, enquanto ele rolava na cama com a matrona, alguém, pé ante pé, pega sua calça na cadeira com coldre pendurado no cinto e “Taurus 38 ”, desaparece pela porta do fundo.
     Minutos depois, alguém bate com força à porta:
     - Maria! Maria! Maria! – Dico Soldado pula da cama e procura a calça e a arma em vão, na casa do sem jeito, corre nu pra porta do fundo e um negrão lhe acode com panadas de facão nas costas e pipocos de tiro. Ele pula a cerca com a velocidade dum falcão-peregrino e desaparece na bruma da noite.
     Lopeu tremia que nem vara verde, Zé Urubu e o negro Lubião se impacientam: - Seja homem! Não gostou que lhe vingássemos? – todos estavam de alma lavada.
     Dico Soldado morreu muitos anos depois sem saber o motivo e os autores daquela sova.



Autor: Rilvan Batista de Santana
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Membro da Academia de Letras - ALITA

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A corrupção mata de longe - R. Santana

 


A corrupção mata de longe - R. Santana

A corrupção mata de longe
R. Santana
A minha esposa diz que não sou confiável politicamente, hoje, defendo com unhas e dentes A, amanhã, mudo pra B, depois, empunho a bandeira de C e no futuro execro A, B e C, é que, ela ainda não me compreende não obstante décadas de enfrentamento juntos nas dificuldades do dia a dia. Não sou dúbio de caráter nem de convicções políticas, mas, não tenho compromisso com político corrupto nem rezo para saúde de corruptor.
No processo do “Tríplex de Lula”, “Condomínio Solaris” Guarujá, defendi, aqui do meu canto, nas redes sociais, a inocência do ex-presidente Lula, naquela época, já se suspeitava a imparcialidade de Sérgio Moro e o tempo foi o senhor da razão: Sérgio Moro e Dallagnol produziram provas, manipularam testemunhas, grampearam conversas de Lula e Dilma, cercearam advogados de defesa e construíram um “PowerPoint” para incriminar ainda mais o ex-presidente Lula e no decorrer dos tempos, o desfecho foi inacreditável: Sérgio Moro deixou mais de 20 anos de magistratura vitoriosa para servir ao presidente eleito Jair Bolsonaro, como Ministro da Justiça e Segurança Pública, com “Carta Branca”, ele a transformou em soberania e maquinou contra o chefe para se eleger presidente do país em 2022.
Na eleição presidencial de 2018, votei no candidato a presidente Fernando Haddad, exortei suas qualidades intelectuais, sublimei seus erros na prefeitura de São Paulo, potencializei o benefício que faria ao Brasil se eleito presidente do Brasil e escrevi vários artigos “descaractizando” seu adversário, o candidato Jair Bolsonaro. Nesse ano, ainda acreditava que as denúncias de corrupção e de malversação do dinheiro público fossem recursos de retórica de políticos da oposição e da sociedade elitista conservadora.
Porém, quando li a enxurrada de denúncias de políticos da esquerda que se beneficiaram com o “petrolão”, o “mensalão”, dinheiro na cueca, Caixa 2 para registrar as despesas suspeitas, pagamento de palestras milionárias aos políticos do PT, condenação de Lula no processo do sítio de Atibaia pela juíza Gabriela Hardt, ratificado e acrescido o tempo pelo Tribunal Regional da 4ª. Região (TRF-4) e, homologado e diminuído o tempo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), não defendo mais essa gente, tomei ojeriza à esquerda.
A pandemia do coronavírus veio para revelar novos políticos corruptos insensíveis. Eles lucraram e ainda lucram com a doença e a morte de milhares de pessoas contaminadas pelo vírus chinês. O superfaturamento de respiradores, hospitais de campanha não utilizados e outros insumos hospitalares superfaturados representam o desperdício do dinheiro público e o roubo. A pandemia trouxe à tona esses desmandos na saúde de décadas, sempre morreu pobre nos corredores dos hospitais e enfermarias por falta de vaga, médicos e remédios. A Covid-19, apenas, descobriu a sujeira que estava embaixo do tapete.
Hoje, sem ser seguidor do presidente Bolsonaro, eu simpatizo com as políticas públicas do seu governo. Antes da pandemia, a economia dava sinais de revitalização, a taxa SELIC havia diminuído, a mais baixa historicamente, baixando os juros de mercado e impulsionando a economia, a inflação de 2019 foi a mais baixa de alguns anos, porém, o vírus chinês chegou e tudo degringolou. Todavia, o governo e o Congresso movimentaram a economia: a “Bolsa Família” foi ampliada, auxílio emergencial para 99 % dos brasileiros “invisíveis”, desempregados, camelôs, taxistas, autônomos MEI, antecipação do 13º dos aposentados e a liberação do FGTS.
O governo está ciente que depois da 5ª parcela do auxílio emergencial, a maioria do povo não dispõe de condições de sobrevivência sem ajuda, agora, fala-se num programa de “RENDA BRASIL”. Este programa vai atender às demandas de quem vive no nível de pobreza. Os programas assistenciais deram esperanças àquelas pessoas que nunca tiveram esperança.
Os procuradores da República, a Polícia Federal (PF) e outros órgãos de combate à corrupção nunca trabalharam tanto. Os corruptos da saúde terão que devolver ao país os recursos desviados. Alguns prefeitos e governadores estão sendo investigados e ex-secretários da saúde presos. Embora críticas da grande mídia e da esquerda que o general Eduardo Pazuello não é médico, que ele não possui formação técnica na área da saúde, ele vem fazendo um bom trabalho como ministro da saúde, as solicitações de estado e municípios são atendidas à medida que os gastos são necessários.
A corrupção destrói sonhos, vidas e famílias. Os recursos da saúde, educação, pesquisa científica, segurança e programas sociais desviados dariam pra fazer um país desenvolvido entre as principais nações do mundo. Portanto, a corrupção é pior do que o coronavírus, não se elimina com álcool em gel, máscara nem distanciamento social, a corrupção mata de longe.

Autor: Rilvan Batista de Santana

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Ler - R. Santana

 


Ler - R. Santana


     Com tristeza, eu testemunho que essa geração não gosta de ler. Os estudantes, os profissionais liberais e os técnicos, hoje, limitam-se pautar seus procedimentos de pesquisa e leitura nas bibliotecas eletrônicas específicas, em particular, o Google, que é uma biblioteca eletrônica de conhecimento universal. O livro no dia a dia perdeu seu “status quo” de sonho de consumo dos leitores.
     Não faz muito tempo, numa conversa com a mãe de um jovem advogado, em que eu defendia a necessidade de seu filho ler bons livros jurídicos para desempenhar bem seu papel de advogado, ela respondeu-me que livro era coisa do passado, "livro empoeira na estante", no mundo moderno todo saber está depositado em notebook, tablet, Smartphone, que nesses dispositivos, o advogado agenda a pauta, participa de videoconferência, tem modelo de petição, peticiona, existe tese jurídica pronta, fala com os amigos, ele participa de redes sociais e envia textos e imagens pelo WhatsApp, etc., etc.
     A leitura é o exercício da mente, a leitura alonga os neurônios, quem gosta de ler, segundo a ciência, não terá mal de Alzheimer e, se a doença se manifestar na velhice, o comprometimento do sistema nervoso tem tratamento, isto é, o indivíduo conviverá com lucidez por mais tempo. Não é demais compartilhar o pensamento do poeta Mário Quintana sobre a leitura: “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem”, ou seja, não adianta o sujeito bacharelar-se ou licenciar-se num curso A ou B, se ele não lê, não estuda, a leitura estica a compreensão e aprimora o saber.
     É sabido que a correria profissional e a luta pela sobrevivência contribuem para o desleixo e a negligência com a leitura, porém, nunca é demais iniciar as novas gerações, filhos e netos, no hábito da leitura sem comprometimento de esportes físicos, artes, games, filmes e TV. A televisão fechada ou aberta tem programas educativos que estimulam a aprendizagem de crianças e adolescentes, todavia, o livro é responsável pela sua educação formal. A leitura e a escrita desenvolvem as faculdades cognitivas e a memória (faculdade de reter ideias, impressões e conhecimentos anteriores) de crianças e adolescentes.
     Ariano Suassuna numa de suas famigeradas palestras, disse que alguém lhe censurou a produção de mais um livro, entusiasmado com as teorias de Marshall McLuhan que vislumbrou a internet trinta anos antes de ser inventada, preconizou também, a ruína do livro com a evolução da tecnologia do computador e das telecomunicações. Inteligente e prudente com as novas tecnologias, Suassuna perguntou-lhe onde havia lido Marshall MacLuhan: “Li o livro”. Contrariado, Ariano Suassuna com ímpeto e impaciência, respondeu-lhe: “Rapaz, eu gosto de ler deitado numa rede ou numa cama, como irei embrulhar-me com um computador?” Suassuna, também, não entendia a linguagem escrita, sucinta e não convencional que grassa nas comunicações de e-mails e redes sociais do país. Para o dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor, a língua é patrimônio cultura de uma nação e identidade de um povo.
     Para Monteiro Lobato, o gênio da literatura infantil: “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”. A leitura é condição “sine qua non” para o homem pensar, quem lê, maior é sua capacidade de discernimento. Mark Twain completa: “O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler”. Quem lê bons livros torna-se mais humano, menos limitado e visão universal. É necessário que se faça da leitura um hábito (Santo Agostinho: “O hábito é uma segunda natureza”), pois, a leitura melhora as funções do cérebro e faz bem à alma.
     Por falta de leitura e domínio do idioma, é que engolimos goela abaixo, os “estrangeirismos” que terminam em neologismos incorporados à língua ao longo do tempo. Hoje, está na moda a expressão: “Home Office (trabalho em casa ou, escritório em casa”). Mas, os galicismos e os anglicismos formam um novo idioma em nossa pátria. Temos que ter cuidado na defesa do nosso patrimônio cultural, mesmo que sejamos taxados de intolerantes. A nossa causa é a defesa de nossa identidade nacional, somente nossa língua será capaz de transmitir com rigorosa verdade os nossos valores culturais e a nossa História.
     Antes que algum desavisado diga que este texto é uma apologia para reprovar as ferramentas digitais, os dispositivos móveis eletrônicos, os aplicativos de leitura e escrita, os textos e imagens eletrônicas, que somos contra às novas tecnologias, ledo engano desse indivíduo, o objetivo deste texto é estimular a leitura e a escrita em quaisquer que sejam as ferramentas, eletrônicas ou físicas, todavia, os conteúdos de informação e aprendizagem em bibliotecas eletrônicas ou enciclopédias impressas são superficiais, jamais alguém irá ler uma obra literária ou científica de 25 ou 30 volumes ou um livro jurídico de 200 páginas ou mais páginas em ferramentas digitais, elas não oferecem comodidade à comodidade de um livro.
     Enfim, “a palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”, dou-me como exemplo aos pré-adolescentes, adolescentes e adultos (elogiar-se é vitupério), na minha formação intelectual formal, tive muitas lacunas, face às minhas circunstâncias de estudante pobre da época, porém, eu consegui resolver a maioria dessas lacunas intelectuais com a leitura autodidata, de tal maneira que os meus contemporâneos deram-me o apodo carinhoso de: “O homem do livro”, levava o livro a tiracolo, aqui, ali e acolá.




Autor: Rilvan Batista de Santana
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Membro da Academia de Letragemas de Itabuna - ALITA

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História de Desagravo - R. Santana

 


História de Desagravo - R. Santana
 
HISTÓRIA - Em 19 de abril de 2011, numa das salas da Fundação Itabunense de Cidadania e Cultura-FICC, na Praça Tiradentes, a escol dos intelectuais desta terra, liderados pelo ex-juiz Dr. Marcos Bandeira e o escritor Cyro de Mattos, deram início à fundação da Academia de Letras de Itabuna – ALITA.
A diretoria era formada por ex-juízes, delegada, professores, advogados, escritores e o juiz Dr. Marcos Bandeira. Eu não conhecia, pessoalmente, nenhum dos intelectuais, fui chamado (desconheço o motivo) por Dr. Marcos Bandeira para integrar essa plêiade de homens das letras e do saber.
Nas reuniões que se sucederam, escolhemos por voto simples, a primeira diretoria com os cargos de presidente, vice-presidente, 1º. Secretário, 2º. Secretário, 1º. Tesoureiro, 2º. Tesoureiro, Diretor de Comunicação, Diretor da Revista e Diretor do site. Fui escolhido o primeiro tesoureiro.
Foi um ano de trabalho duro, fizemos o REGIMENTO e o ESTATUTO. Foi instituída a “logomarca” da academia, os brasões, o site funcionou e foi escolhido o nome da revista, “Guriatã”. O ESTATUTO e o REGIMENTO foram registrados em cartório e a academia tornou-se uma entidade jurídica com CNPJ, entidade de direito privado. Com base no modelo da academia francesa, foram indicados todos os 40 membros com os respectivos patronos e os membros correspondentes. Inicialmente, escolhi Machado de Assis, mas tive que ceder para atender ao desejo do escritor Hélio Pólvora e aceitei na casa do sem jeito e foi me dado o poeta Walker Luna como meu patrono.
Como 1º. Tesoureiro, conduzi os recursos da tesouraria com lisura. Tivemos que sair das dependências da FICC, passamos para uma escola do município em frente ao prédio do CNPC, de lá, através de Dr.ª Sônia Maron, a entidade foi instalada no Edifício Dilson Cordier, 2º. Andar, à Rua Ruffo Galvão, Centro. Coube à primeira diretoria, como presidente, Dr. Marcos Bandeira, administrar os recursos próprios (contribuição dos acadêmicos de 15 % do salário mínimo), foram adquiridos alguns móveis planejados, contratada uma funcionária e fizemos a festa de posse com “buffet”, no auditório da Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC, com a presença de autoridades do município itabunense.
Foram 2 anos de desenvolvimento cultural, apoio às produções acadêmicas, além disto, ações que visavam o reconhecimento da entidade pela comunidade. A administração do presidente Marcos Bandeira se caracterizou por liberdade de opinião, ele conduziu com sabedoria as divergências de ideias acadêmicas e administrativas, jamais alimentou picuinhas, fuxicos, seu trabalho teve como objetivo agregar todos os membros em prol da entidade.
Conheci Cyro de Mattos na ALITA, nessa época, ele era o presidente da FICC, por isto, começamos a desenvolver o projeto de fundação da academia de letras nas dependências dessa entidade municipal. No início dos trabalhos, na formatação da nova academia, ele demonstrou compreensão e domínio da parte burocrática, necessária à fundação da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, seu reconhecimento como entidade jurídica. Por conta dessa experiência na construção da obra acadêmica, ele indicou 70 % dos membros da academia itabunense, além de se apossar do site e da revista Guriatã, ainda indicou todos os membros correspondentes sem resistência dos demais membros.
Mais de um ano depois, 18 de julho de 2012, embasado numa brincadeira de Dr. Marcos Bandeira que, pra Cyro de Mattos se imortalizar, “bastava morrer”, fiz uma crônica com o título: “Conheci um Imortal”. Crônica simples, despretensiosa, sem “puchaçaquismo”, mas, enaltecendo as qualidades literárias de Cyro de Mattos, sua vida devotada às letras, sua extensa bibliografia e seu amor cantado em verso e prosa a Itabuna.
No dia 12 de maio de 2013 em agradecimento ao livro “Berro de Fogo” que me foi dado pelo escritor Cyro de Mattos, publiquei uma crônica e apresentei “en passant” um estudo sobre o tema do livro, inclusive, que outros renomados escritores, a exemplo de Adonias Filho e Jorge Amado tinham explorado a odisseia dos migrantes de Sergipe e Alagoas ou outros estados do Nordeste, tangidos pela fama do cacau e das riquezas do Sul da Bahia, deixaram suas terras de nascimento, muitos tornaram-se jagunços cruéis e perigosos.
Logo depois da posse da ex-juíza Sônia Maron na ALITA, recebi em 05 de julho de 2013, uma ADVERTÊNCIA PROTOCOLADA, subscrita por 08 (oito) acadêmicos, encabeçada por Cyro de Mattos, embasada numa discussão na sala da ALITA, uma semana antes, que eu defendia, para evitar os privilégios de medalhões, na primazia das divulgações de suas produções, que, cada acadêmico tivesse sua página com senha para publicar seus textos. Porém, essa advertência, muito bem redigida, com citação de Tolstoi, que na discussão, eu defendia que todos acadêmicos tivessem a senha do site, que não é a mesma coisa, além de que fui mal-educado com a presidente e extrapolei os princípios éticos e a boa convivência.
Confesso que fiquei nervoso, pois já tinha reivindicado várias vezes e, não colocaram em pauta para que fosse discutida numa sessão que houvesse a presença da maioria absoluta dos acadêmicos não 2 ou 3 da diretoria. Porém, não houve xingamento nem agressão moral, sem apoio, retirei-me da reunião de 14 de junho de 2013, que ensejou a malfadada ADVERTÊNCIA PROTOCOLADA. Todavia, fiquei magoado, ressentido, porque, jogaram no lixo 2 anos de trabalho honesto que fiz na entidade e, em 34 anos de magistério, diretor de colégio, jamais havia recebido nenhuma admoestação e falta de apreço dos meus superiores hierárquicos.
Fiquei afastado da ALITA, voluntariamente, também, por brios feridos, decepcionado com os rumos dos acontecimentos na entidade, todavia, jamais deixei de contribuir mensalmente, 15% do salário mínimo vigente. Em 18 de maio de 2015, enviei uma carta parabenizando a nova diretoria da ALITA. Em 17.04. 2016, queixei-me mais uma vez, à confreira Raquel Rocha, sobre texto deletado nem divulgação regular.
Em 13 de dezembro de 2016, na reeleição de Sônia Maron, manifestei-me no meu blog Saber-Literário sobre sua reeleição. Porém, continuei alijado, não recebia e-mails de convocação de reunião ordinária nem extraordinária. Usava como recurso o meu blog para protestar, contudo, sempre com princípios éticos e morais, jamais denegrir pessoalmente, nenhum confrade, o nosso objetivo era chamar à atenção da entidade para que fosse reconhecida pela comunidade de utilidade pública cultural.
Fiz uma crônica contundente em 18.02.2017, com o título: “Site Literário ou obituário”. Fiz essa crônica para que não houvesse desvio de finalidade da entidade em seu site. Não condenava o registro do passamento da pessoa, reprovava o diretor do site que, o registro do óbito ficasse 1 ou 2 meses na primeira página. O site acadêmico tem por finalidade divulgar os eventos culturais, palestras pedagógicas em educandários ou outras instituições, história da academia, estatuto, regimento, lançamentos de livros, registros literários e científicos, “espaço do escritor”, em casos raros, políticas públicas perenes de interesse da comunidade e do país.
O site é um tipo de mídia que se caracteriza pelas postagens, sobretudo, pelas imagens, imagens que trazem repugnância, sentimentos de pesar, sentimentos dolorosos, jamais deverão permanecer no site além do registro do dia, as homenagens e imagens eternas devem ficar no arquivo para uma necessidade de pesquisa. O site literário não é um jornal de notícias, um semanário, o site literário se caracteriza pelo saber literário, afora isto, é contrassenso.
Pela defesa que fiz para que não houvesse desvio de finalidade da entidade, que as ações da academia fossem de interesse público, não houvesse privilégios entre os confrades, que o site e a revista fossem colocados a serviço de todos os 40 membros, não para alguns. Por isso, no dia 10.03.2017, sem ouvir-me, sem defesa, sem contraditório, eu fui denegrido publicamente, marginalizado no site “Itabuna Centenária, Arte e Literatura-ICAL” e semanários da cidade com um “MANIFESTO DE DESAGRAVO”. A seguir, transcrevo os “crimes” que eles acusam que cometi, mas são inverdades, inclusive, eles não apresentam provas, mas, insinuações, ilações e injúrias:
a) “...vêm manifestar seu repúdio às atitudes injuriosas e difamatórias do acadêmico e blogueiro Rilvan Batista de Santana contra a instituição e seus diretores atuais, sendo ele um dos integrantes do quadro associativo da entidade”;

b) “Quando usa seu blog, o acadêmico em foco o faz no afã de difundir o terrorismo cultural [3 anos depois, o senhor Cyro de Mattos produziu um texto chamando-me de “O Terrorista Cultural”. Se alguém observar com atenção, são conjecturas filosóficas], ferindo a ética, maltratando a verdade, tornando a vida tumultuada e feia. Demonstra, com isso, a natureza de alguém que, na condição de órfão do mundo [eu não sou órfão de pai e mãe, para os preclaros acadêmicos, eu sou órfão do mundo, uma pessoa extremamente infeliz], quer aparecer a qualquer custo e enganar os incautos”;

c) A Academia de Letras de Itabuna foi criada pelo idealismo do promotor Carlos Eduardo Lima Passos, dos juízes de Direito Antonio Laranjeira e Marcos Bandeira, do professor universitário e escritor Ruy Póvoas e do escritor Cyro de Mattos. [... e, Rilvan Batista de Santana]. Não surgiu para abrigar figuras inexpressivas em seu quadro, nem ser um clube de serviço onde circule o elogio fácil e o alimento da vaidade. [Nesta última sentença, eles confessam que não aceitam pessoas simples, mas figuras da elite, socialmente e financeiramente aquinhoadas, talvez, seja essa a frustração deles terem aceito uma pessoa desafortunada].

Em 17.03.2017, escrevi a crônica-resposta: “Contrassenso na Academia de Letras de Itabuna”, que é um repúdio, a falta de bom senso dos acadêmicos da ALITA, em particular, os promotores do “Manifesto de Desagravo”, os acadêmicos Cyro de Mattos e Sônia Maron.
Em 04.06.2017, através de e-mails, ingenuamente (hoje, digo ingenuamente, porque a confreira Silmara Oliveira foi catapultada à presidência da ALITA por Cyro de Mattos), marcamos um encontro no Shopping Jequitibá para o meu retorno â academia, fiz-lhe algumas considerações, parabenizei-lhe pelo novo cargo, acreditava em sua independência na condução da ALITA e, acrescentei que o meu primeiro emprego de professor tinha sido em Itajuípe, a terra de Adonias Filho, a terra que Jorge Amado em seus romances regionais, deu colorido à história de Senhorzinho Badaró, da família Badaró, etc., etc.
Fiz uma pasta com os documentos do que havia ocorrido, fui ao encontro da presidente, fiz-lhe uma exigência do local, que não fosse na casa do escritor Cyro de Mattos nem na casa da ex-juíza Sônia Maron, então, propus-lhe o Shopping Jequitibá, face, sua residência ser em Itajuípe.
Fui ao seu encontro como se fosse um adolescente que volta à escola no primeiro dia de aula, cheio de expectativas e projetos, mas a decepção não poderia ser maior, ela e a confreira Lurdes Bertol disseram-me que não havia clima de meu retorno à ALITA, alguém havia condicionado: “Ele ou eu”. Lurdes Bertol ainda ensaiou provar pelo celular que eu havia denegrido os confrades, contudo, ela não encontrou a prova. Com a simplicidade dos bons, eu ainda lhes insisti que levassem a pasta de documentos para uma possível reconsideração... Acho que, pelo mal-estar que a presidente demonstrou em recebe-la, elas jogaram essa pasta no primeiro lixo que encontraram.
No dia 07.08.2017, enviei-lhe um e-mail reclamando que foi deletado do site da academia, um texto de minha autoria, com o título: “Digressões Literárias”, ela nem se dignou responder.
Quase um ano depois de meu desastrado encontro com as confreiras Silmara Oliveira e Lurdes Bertol, 19.02.2018, numa crônica: “A Cultura do Ódio”, na introdução conto a história de um amigo brigão, Antônio Charqueada, mas, brigão por boas causas e relato as injustiças que eu sofri na ALITA, injustiças por não ter aceito o autoritarismo e o preconceito de alguns e exalto a minha determinação e perseverança de não me ter curvado aos conluios e aos egocentrismos.
Eu ainda promovi o bom combate, a boa crítica, a crítica construtiva e publiquei, 8 meses depois: 24.10.2018, a crônica: “ALITA! Ó ALITA! Que foi feito de ti?” Nessa crônica, eu me preocupava o triste destino da Academia de Letras de Itabuna.
Dois textos que encerro a minha condição de membro ativo da academia: “Deitei o “Rei” no xadrez da ALITA” e “Revirando o Baú da ALITA”. O primeiro texto, deixo de contribuir (15% do salário mínimo vigente) mensalmente para entidade e declaro que fui vencido (não renunciei) pelo egocentrismo, ego inflado, maquiavelismo e maldade de alguns; o segundo texto, é uma reminiscência, as lembranças boas e más da academia. Os textos datam de: 12.08.2017/14.06.2019. Para mim, não importava mais que a ALITA subisse ou descesse, que essa gente que me prejudicou baixasse à tumba com a consciência dos anjos, até que no “Dia do Pai”, 08. 08. 2020, motivo desconhecido, pra variar, pelo escritor Cyro de Mattos, fui taxado numa narração mal feita de: “O terrorista cultural”.
Diz o provérbio popular que “quando Deus tira os dentes, alarga a goela”, Deus não me deu a oratória de Cícero, Demóstenes, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Martin Luther King, contudo, deu-me a paciência de Jó, a perseverança de Gandhi, a transpiração de Thomas Edson e a honestidade de Sócrates. Não sou intelectual de escol nem possuo o saber de alguns acadêmicos, porém, sou trabalhador, paciente, ético, generoso, honesto e determinado.
Em 34 anos de magistério e 4 anos de diretor geral do Colégio Estadual de Itabuna – CEI, nunca “puxei o tapete” de nenhum colega nem destruir o sonho de nenhum aluno. Eu era o primeiro chegar ao colégio e o último a sair, nunca negligenciei o conteúdo da disciplina, se não deixei o saber para meu aluno, deixei-lhe sabedoria, senso de responsabilidade e honestidade intelectual. Depois de 16 anos de aposentado, ainda sou tratado pelos meus ex-alunos com amizade e admiração e os meus ex-colegas com cordialidade e apreço.
A minha vida de educador deu-me algumas alegrias e prêmios, mais recente, em 16 de outubro de 2019, recebi numa festa de cinema na “TERCEIRA VIA HALL”, título de “Mérito Educacional FTC”, no mesmo ano, o título mais sonhado: “Cidadão Itabunense” pela Câmara de Vereadores de Itabuna. Na mocidade, fui vereador desta terra com o saudoso Plínio de Almeida, Dr. João Santana, Dr. Rafael (Rafa) Bríglia, Orlando Lopes, Antônio Calazans, dentre outros nomes de escol da cidade itabunense.
Embora não seja narcisista, nunca fiquei diante do espelho explorando minha beleza ou minha feiura, porém, nunca me senti uma “figura inexpressiva”, “figura grotesca”, “atarracada”, “cabeça grande” “cabeçorra”, “terrorista cultural”, apodos que ganhei na ALITA. Aquele que julga só a aparência é um preconceituoso, de mente limitada e caráter duvidoso. Lá em Samuel (16:7) está escrito: “Não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração“.
Na realidade, os meus amigos de infância e mocidade nunca me deram apelidos, nunca foram preconceituosos comigo, eles sempre me admiraram pela retidão de caráter, pelo exemplo. Sobrevivi pelas aptidões que Deus me deu, não pelo físico de um brutamontes.
Não sou escritor, desejaria sê-lo. Ninguém se faz escritor, o leitor que faz o escritor. Se o escritor não é reconhecido, não tem público, sua obra não é reconhecida, não vende livro, ele é autor, não escritor. Muitos escritores e poetas não foram reconhecidos em vida, a exemplo de Euclides da Cunha, Álvares de Azevedo, Kafka, Antoine de Saint-Exupéry, Lima Barreto, Tobias Barreto, etc., ou seja, suas obras literárias foram reconhecidas após a morte.
Cora Coralina publicou o seu primeiro livro de poemas já idosa (75 anos de idade), sua consagração popular ocorreu depois dos encômios de Carlos Drummond de Andrade, antes, a doceira que cantava os becos e as ruas históricas de Goiás, era uma ilustre desconhecida do mundo dos modismos e das “Flips” das letras. Cora Coralina não era neófita na arte de escrever, escrevia contos e poemas desde adolescente, mas, seu reconhecimento de escritora chegou na idade decrépita, porém, ela teve a sorte de alcançar o reconhecimento de sua obra em vida.
Às vezes, as pessoas podem pensar “que me deito no chão para enganar urubu”, quando digo que não sou escritor. Realmente, não o sou, sou um escrevinhador, um autor. O escritor tem público, reconhecimento, editora, marketing, vende livro e, possui algum best-seller nas livrarias. Não tenho nenhum desses requisitos de escritor, portanto, não sou escritor.
Em 28 de agosto de 2008, recebi de Maria João, conhecida escritora portuguesa um livro de presente com o título: “O polvo não sabia que o mexilhão tinha asas”, e a dedicatória: “Para o Rilvan, meu amigo e companheiro de escrito, com um grande abraço”. Carinhosamente, respondi-lhe: “... Que honra para um desconhecido cidadão!... É que Maria, aqui na minha cidade, a maioria me conhece como um simples professor e não com o dom de colocar palavras bonitas e cheias de vida no papel. Não sou um mestre da prosa nem da poesia...”. Noutras palavras: não tenho a honra de ser um escritor!
No “Manifesto de Desagravo”, não fui tratado como escritor mas, de acadêmico e blogueiro, palavras que soaram pejorativamente: “... vêm manifestar seu repúdio às atitudes injuriosas e difamatórias do acadêmico e blogueiro!”. Só que o blog é um tipo de mídia prática, eficiente, um diário on-line onde o editor responsável publica fatos vários do dia a dia. Alguns blogs são de matérias específicas, a exemplo dos blogs de ciência e literários. Não é demérito intelectual ser blogueiro, demérito é usar o blog para denegrir a honra de A e B com postagens difamatórias e mentirosas ou usar o blog para “jabá”. Jabá é ganhar dinheiro escusos.
Eu não pedi para ser acadêmico, eles que me honraram com o título. Durante 2 anos, na presidência de Dr. Marcos Bandeira, dei tudo de mim na administração das contribuições financeiras da ALITA como 1º. Secretário e ajudei intelectualmente na formação de seu REGIMENTO E ESTATUTO, além da contribuição financeira de 15% do salário mínimo por mais de 3 anos.
Não obstante o honroso título acadêmico itabunense que recebi, ele não me realiza intelectualmente. No manifesto de desagravo publicado em 10.03.2017, no site ICAL, eles escreveram: “... melhor faria se, por coerência, pedisse o afastamento e, desligado da instituição”. Não o fiz porque não cometi nenhum “crime” ético, moral ou físico. Fui alijado pelas articulações maldosas e tendenciosas do escritor Cyro de Mattos e o autoritarismo da presidente da ALITA, naquela época, a ex-juíza Sônia Maron. Se eles, realmente, tivessem razão, por que não instalaram um conselho de ética? Não tinham subsídios reais!...
Na época do imbróglio, das acusações inconsistentes dessa gente poderosa e elitista, o único meio de defesa foi usar o blog Saber-Literário que administro desde 2005 e o Recanto das Letras desde 2012. Nas minhas crônicas e artigos, nunca detratei nem manchei a honra de nenhum confrade, sempre abordei os fatos em benefício da entidade. Por isto, resolvi elaborar este texto com títulos cronológicos com objetivo de registar a minha passagem na Academia de Letras de Itabuna-ALITA, que um dia haja uma reparação histórica, que eu não passe para as páginas da entidade de letras itabunense como um “Terrorista Cultural”.
Enfim, desejo que a ALITA ressurja das cinzas assim como a “Fênix”. Hoje, ninguém fala da nossa academia. Na gestão da diretoria de 2011/2012, é que, ela fosse reconhecida como de “utilidade pública”, assim estaria qualificada para receber ajuda de todos os níveis de governo, celebrar contratos, desde o governo municipal até o federal. Desejo que surja uma liderança com empatia, generosa e intelectualmente honesta para que a ALITA cumpra seu papel cultural na comunidade de Itabuna. Rilvan Batista de Santana, São Caetano, Itabuna (BA), Brasil.

 
[***]



Rilvan Batista de Santana: Professor de Matemática aposentado, membro fundador da Academia de Letras de Itabuna-ALITA, ex-diretor do Colégio Estadual de Itabuna (CEI), ex-vereador de Itabuna, “Mérito Educacional FTC 2019”, “Cidadão de Itabuna" pela Câmara Municipal, membro da União Brasileira de Escritores (UBE 2018/2020), fundador do blog Saber-Literário. Produziu 21 livros impressos e virtuais, divulga nos sites: Recanto das Letras, Bookess, Amazon.com, etc.


Neco - R. Santana

 


Neco - R. Santana
 

     Quando o conheci, eu não passava de um adolescente de ginásio, Neco era um homem idoso de idade indefinida, não sei se naquela época, se ele tinha 60 anos de vida ou 70 anos de vida, sou daqueles que comunga com o pensamento popular: “... cada pessoa tem a idade que lhe parece”. Não foi sua idade que me moveu fazer esta crônica, mas, fazer jus à memória de um amigo velho que me incentivou ao culto das letras.
     Não tinha formação acadêmica, havia aprendido ler as coisas do mundo e, empiricamente, separar o bem e o mal. Sua experiência de vida, sua sabedoria e suas qualidades morais supriam as lições da escola que não frequentou, por isto, ele se via em mim na busca do conhecimento institucional. Ele se comprazia com o meu sucesso escolar, principalmente, quando era promovido de série. Sua expectativa de vida é que eu fosse um advogado, um grande tribuno de quatro costados, naquela época, Wilde Lima, Waly Lima, Adélcio Benício,  Raimundo Lima e Alberto Galvão eram os proeminentes da ciência do Direito e da Retórica de Itabuna.
     Neco, embora de bom caráter, generoso, solidário, prestativo, não era um virtuoso, tinha o vício de jogar cartas apostado. Ele gostava de ronda, bisca, canastra, buraco, etc. Não era exímio no carteado, porém, se saía muito bem, nos últimos anos de vida, ele tirava seu sustento com as apostas do jogo de baralho. Até no jogo, ele exercia a ética, nada de trapaça, de cartas marcadas, ganhava com honestidade e perdia com decência.
     Quando li o romance “Dom Casmurro” de Machado de Assis, Bento Santiago, “Bentinho” de Capitu e dona Glória, lá, encontrei Neco em José Dias. Neco e José Dias se faziam necessários e solícitos onde estivessem. José Dias, o homem dos superlativos, aplicou a homeopatia para curar os familiares e os agregados de Bento Santiago pai e Neco fez-se necessário nos negócios de jogatina no Bar de Pedro de propriedade de meu tio Pedro. Ambos, ganharam a simpatia dos progenitores, da família, foram ficando e ficaram.
     Neco se apresentou como mestre de obras, porém, ninguém nunca viu uma obra que lhe credenciasse um construtor, assim como José Dias não era médico, Neco não era mestre de obras, mas um “crupiê”. Confessou depois que tinha trabalhado em parques de diversões e cassinos, dirigindo as mesas de jogos de azar.
     Quando meu tio Pedro estava impedido por algum motivo de administrar a mesa de baralho, lá estava ele cuidando do cacife noite adentro. Pela manhã do dia seguinte, Neco prestava conta sem faltar um tostão sequer, era remunerado pela noite perdida, comprava o pão na padaria, ia pra casa levar o dinheiro pra sua velha comprar os mantimentos necessários à sobrevivência do dia a dia. Eles não tinham filhos, nunca os tiveram, nem parentes tinham, se tinham parentes, ficaram esquecidos em terras distantes.
     Recebi dele muitos estímulos para leitura, achava que a leitura era o principal instrumento para alcançar o conhecimento, valorizava a prática, aliás, sua vida havia sido construída por ações práticas, porém, a prática tornava-se mecânica e repetitiva, empírica, a leitura lhe dava a possibilidade de raciocínios dedutivos e indutivos com a interpretação de problemas. Recorria sempre ao pensamento do escritor Monteiro Lobato: “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”, por isto, tornei-me um leitor contumaz. A leitura leva-nos aonde não podemos ir fisicamente.
     Neco não gostava da velhice. A velhice é a somatização dos males físicos, deveria ser a melhor idade pela experiência acumulada, a sabedoria, maior compreensão do outro e a idade da razão, no entanto, a velhice traz comorbidades incômodas e doloridas que, certamente, a velhice não é a melhor idade, mesmo a vida de um estoico, indiferente à dor e à adversidade.
     Neco era como uma estrela cadente, onde passava deixava um rastro luminoso, logo se apagava e deixava de ser estrela para ser pedra. Como estrela, espalhava bondade e não esperava reconhecimento. Alguns lhe eram gratos por toda vida, outros, faziam de conta que nunca o tinham visto. Ele não ligava, sempre dizia que o bem era maior. Dizia que o mal não se sustenta por muito tempo, a energia negativa por si se destrói enquanto o bem é uma centelha divina eterna.
     Acima ficou claro que Neco jogava mais por necessidade, não só por prazer. As noites não dormidas nas salas de jogos, a vida difícil e o cuidado com o cacife do outro, jogou-lhe por terra um AVC. Os amigos lhe acudiram, não lhe faltou o sustento, o remédio, o apoio moral, mas o corpo alquebrado chegou ao fim, seu exemplo moral e seu amor pelo saber permanecem até hoje.



Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google

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